ANÁLISE DOS EFEITOS DA EXPOSIÇÃO AO RADÔNIO EM DROSOPHILA MELANOGASTER EM AMBIENTE COM NÍVEL ELEVADO DE URÂNIO NATURAL
Radônio; Drosophila melanogaster; Cromossomo politênico; Efeitos subletais; Citogenética.
A exposição a radionuclídeos naturais, como o radônio proveniente do decaimento do urânio, representa uma importante fonte de radiação ionizante, capaz de induzir efeitos biológicos em diferentes níveis de organização. Este estudo sistematizou a obtenção de cromossomos politênicos e avaliou os efeitos fenotípicos da exposição ao radônio no ciclo de vida e nas gerações subsequentes de Drosophila melanogaster mantidas em ambiente controlado com elevado nível de urânio natural. Grupos controle e exposto foram constituídos por casais parentais submetidos à oviposição durante 48 horas, acompanhando-se as gerações F1 e F2 por 14 dias cada. Foram analisados parâmetros de desenvolvimento, viabilidade, proporção sexual e alterações fenotípicas. A exposição ocorreu na CAMIND α-Rn, uma câmara de radônio. A concentração média de radônio foi de 1483 ± 302 Bq/m³, caracterizando exposição crônica. Os resultados demonstraram uma aceleração do desenvolvimento nos indivíduos expostos, com antecipação das fases larval, pupal e de eclosão em relação ao controle. Não foram observadas diferenças significativas na viabilidade, nem na proporção sexual, que permaneceu próxima à razão 1:1. A análise da morfologia das asas também não evidenciou diferenças consistentes entre os grupos. Portanto, conclui-se que a exposição ao radônio promoveu efeitos subletais sobre o desenvolvimento, sem comprometer significativamente a sobrevivência, a morfologia externa ou a distribuição sexual, reforçando a aplicabilidade de Drosophila melanogaster como modelo em radiobiologia ambiental.