ANÁLISE DO PERFIL PROTEÔMICO DA OSTEONECROSE EM PACIENTES COM ANEMIA FALCIFORME COM E SEM O USO DE HIDROXIURÉIA
Biomarcadores; Hemólise; Isquemia; Remodelamento; Proteoma; Vasculopatia.
A anemia falciforme (AF) é uma doença genética crônica caracterizada pela falcização dos eritrócitos. Essa alteração de forma predispõe eventos vaso-oclusivos e hemolíticos, causando diversas manifestações clínicas nos pacientes com AF, entre elas, a osteonecrose (ON). Os fatores genéticos envolvidos na fisiopatologia da ON permanecem pouco elucidados, além disso há uma carência de tratamentos específicos para essa manifestação. Pacientes com AF, em sua maioria, são tratados com a hidroxiureia (HU), entretanto, há dúvidas a acerca dos seus benefícios e papel na prevenção da ON. Nesse contexto, a análise proteômica serve como uma abordagem relevante para fornecer informações sobre a fisiopatologia da ON na AF, além da ação da HU. Diante disso, o presente estudo teve como objetivo avaliar o impacto da ON e da terapia com HU no perfil proteômico de indivíduos com AF. Para isso, foi analisado o perfil proteômico plasmático de 40 pacientes adultos com AF de ambos os sexos atendidos no HEMOPE divididos em quatro grupos. Os grupos foram compostos por indivíduos com e sem ON, subdivididos entre os que usavam HU (há pelo menos seis meses) e os que não usavam. A análise foi feita por meio de cromatografia líquida de alta eficiência acoplada à espectrometria de massas sequencial (LC-MS/MS) em amostras de pacientes com AF com e sem a ON, além de análises comparativas focadas no impacto da terapia com HU, integrando ferramentas de bioinformática e ontologia gênica para a investigação de vias biológicas. Os resultados demonstraram que o perfil proteômico global é significativamente distinto entre os grupos. A análise das proteínas diferencialmente expressas (PDEs) comparadas entre grupos revelou um padrão sugestivo de ativação do sistema complemento e de vias ligadas à hipercoagulabilidade nos
pacientes com ON, com destaque para a superexpressão de proteínas como protrombina e APCS, e subexpressão da proteína S dependente de vitamina K (PROS1). No contexto da terapia com HU, os resultados sugerem que ela atua na modulação de vias inflamatórias e antioxidantes, evidenciada pela presença da
hemopexina. Este estudo permite sugerir possíveis mecanismos moleculares envolvidos na fisiopatologia da ON na AF, apontando que essa complicação pode ser impulsionada por um desequilíbrio entre a ativação imune e o controle da coagulação. Tais mecanismos poderão ser confirmados em estudos futuros com validação de dados proteômicos por técnicas complementares.