FILOGEOGRAFIA DE Adenomera hylaedactyla NO NORDESTE BRASILEIRO
Anfíbios; Genética de paisagem; Diversidade genética; Biodiversidade; Genética de populações
A Mata Atlântica do Nordeste brasileiro passou por intensas mudanças ao longo de milhões de anos, incluindo processos recentes de fragmentação, que podem ter influenciado a estruturação genética de diversas espécies, como Adenomera hylaedactyla. Nesse contexto, investigamos a estrutura genética de uma espécie de anuro, grupo de animais altamente sensíveis e ameaçados por mudanças ambientais, mas que, no caso estudado, a espécie apresenta mais tolerância a ambientes urbanizados. Neste estudo, analisamos a diversidade genética de cinco populações dessa espécie nos estados de Pernambuco e Alagoas, buscando identificar padrões de variação genética entre as populações, e avaliar possíveis influências do ambientais e geográficas nesse processo. Para isto, foi feita a extração, amplificação e sequenciamento de amostras de tecido de trinta e um indivíduos utilizando os marcadores moleculares COI e 16S, posteriormente foi feito o alinhamento e os dados foram submetidos a análises. Os espécimes foram, também, medidos para avaliar possíveis diferenças morfológicas entre indivíduos como informação complementar às informações genéticas observadas. A partir do alinhamento foi analisada a quantidade de sítios conservados e variados. Calculamos o valor do índice de fixação (FST) para quantificar a diferenciação genética entre as populações. Foi utilizado o Geneland no método de probabilidade MCMC para avaliar a estruturação populacional das amostras com dados genéticos georreferenciados. Foi gerada também uma rede de haplótipos para melhor visualização de como os haplótipos encontrados estão distribuídos e relacionados. Calculamos média, desvio padrão e um teste ANOVA para os dados morfométricos. Encontramos a ocorrência de um gap no único indivíduo que representa uma das populações amostradas, podendo indicar uma característica de deleção em tal população. Foi visto também que houve diferenciação genética por meio do FST, e que a amostragem foi dividida em três clusters genéticos que corroboram com a distribuição geográfica.