Sprays antissépticos ecossustentáveis à base de biomoléculas: elaboração, caracterização física, química e bioatividade
Bioatividade, biossurfactante, Cymbopogon winterianus, HET-CAM, nanoprodutos naturais, quitosana e derivados, resistência antimicrobiana.
A resistência antimicrobiana representa uma crise de saúde pública global, com graves implicações econômicas e na segurança sanitária. Nesse cenário, a prospecção de alternativas baseadas em produtos naturais, como biopolímeros e óleos essenciais, destaca-se pelo potencial de minimizar o desenvolvimento de resistência e oferecer soluções biocompatíveis. A presente pesquisa teve por objetivo elaborar e caracterizar físico-quimicamente sprays antissépticos formulados a partir de emulsões compostas por quitosana fúngica (QF) e seus derivados, cloridrato de quitosana (ClQ) e conjugado quitosana-glicose por reação de Maillard (Q-GRM), em associação com biossurfactante de quinoa (BQ) e óleo essencial de citronela (Cymbopogon winterianus (OEC), e verificar a bioatividade e o potencial de irritação das formulações. A composição do OEC foi determinada por cromatografia e os polímeros e as emulsões (polímero-BQ/tween 80-OEC) por espectroscopia no infravermelho (FTIR). As emulsões foram caracterizadas quanto ao tamanho de partícula (DLS), potencial zeta (PZ), índice de polidispersão (PDI) e estabilidade física ao longo de 28 dias. A bioatividade foi avaliada pela Concentração Inibitória Mínima (CIM), potencial antioxidante (DPPH) e potencial de irritabilidade in vitro (HET-CAM). Os resultados indicaram que emulsões à base de ClQ não apresentaram CIM satisfatória. Contudo, as formulações F5 (Q-GRM-BQ-OEC) e F6 (QF-BQ-OEC) demonstraram estabilidade superior e menores valores de CIM, sendo selecionadas para a etapa de formulação dos sprays. Todos os sistemas foram classificados como não irritantes. Conclui-se que a quitosana fúngica e o conjugado quitosana-glucose por reação de Maillar, são os polímero promissores para a veiculação do OEC, utilizando biossurfactante de quinoa como agentes emulsificantes. Estes resultados apontam para o desenvolvimento de antissépticos sustentáveis e eficazes, com potencial para reduzir a dependência de sanitizantes sintéticos convencionais. Assim, a aplicação dessas formulações representa uma estratégia promissora para o controle de patógenos em ambientes de saúde, contribuindo diretamente para a mitigação da resistência antimicrobiana e para o fortalecimento da segurança sanitária global.