"SEM IDENTIDADE SOMOS OBJETOS DA HISTÓRIA": Racismo Estrutural, Expropriação Territorial e o Apagamento da Identidade Indígena do povo Potiguara Katu
Indígenas Katu; Território; Classe Dominante; Racismo Estrutural; Expropriação.
Para as populações indígenas, o território vai além de um mero espaço geográfico, a terra representa cultura, memória e ancestralidade, tornando-se espaço de reconhecimento identitário. No entanto, a lógica do capital, ao enxergar a terra como mercadoria e instrumento para acumulação, interrompe o modo de vida originária ao transformar o solo em propriedade privada. O Rio Grande do Norte apresenta uma contradição, pois ao mesmo tempo em que demonstra um expressivo número de pessoas autodeclaradas indígenas, permanece como o único estado do Brasil sem nenhuma terra formalmente homologada. Em Canguaretama/RN, a questão ganha contornos concretos, refletindo-se nas constantes tentativas de apagamento da comunidade indígena Potiguara do Katu. Este estudo pretende compreender como a classe dominante opera o racismo estrutural para legitimar a expropriação territorial e o apagamento identitário do povo Katu. A sua construção orienta-se pelo método do materialismo histórico-dialético, que permite apreender as contradições da formação social brasileira e resgatar a memória indígena frente ao silenciamento histórico desses povos e suas formas atuais. A análise da vinculação entre racismo estrutural e as estratégias econômicas e ideopolíticas da classe dominante permite o entendimento da produção capitalista do espaço, desvelando as tensões entre a propriedade privada e o território ancestral. Os procedimentos metodológicos baseiam-se na pesquisa bibliográfica, revisão de literatura, mapeamento e análise de dados estatísticos, assim como um levantamento documental e consulta a repositórios institucionais.