Do Morticínio Negro à Feminização Negra da Superpopulação Relativa: capital em crise, reestruturação produtiva e gestão racializada da morte no Brasil.
racismo estrutural; morticínio negro; capitalismo dependente; superpopulação relativa; reprodução social.
A proposta de tese investiga o morticínio da população negra no Brasil como
determinação estrutural da sociabilidade capitalista em sua configuração dependente e
racializada, apreendendo-o como engrenagem constitutiva da gestão da superpopulação
relativa e da reprodução da ordem burguesa. Ancorado na crítica da economia política
marxista e no estudos sobre o racismo estrutural, o estudo articula, em chave relacional,
as categorias de raça, classe e gênero, a fim de analisar as mediações entre violência letal,
crise do capital e os processos de produção e administração da superpopulação relativa,
evidenciando as tendências à feminização negra, à generificação da pobreza e ao
aprofundamento da precarização do trabalho feminino. Sustentada por ampla revisão
teórico-histórica e pela análise sistemática de dados secundários provenientes do Fórum
Brasileiro de Segurança Pública, da Rede de Observatórios da Segurança, da PNAD
Contínua (IBGE), do IPEA e de outras fontes qualificadas, a pesquisa demonstra que a
violência letal incide de modo social e racialmente seletivo sobre a população negra, com
incidência particularmente acentuada sobre jovens do sexo masculino, configurando-se
como dispositivo de regulação social e de administração coercitiva dos contingentes
convertidos em excedentes em um mercado de trabalho estruturalmente atravessado
pelo desemprego crônico e pela intensificação da precarização. Para além disso, a
investigação sustenta que, em contextos de crise e de retração das políticas de proteção
social, o Estado brasileiro reconfigura suas formas de intervenção ao fortalecer o aparato
penal-policial e ao naturalizar a morte da população negra como dimensão ordinária da
vida social, amplia a centralidade das mulheres negras na reprodução social, aprofunda
sua inserção na superpopulação relativa e intensifica os processos de pauperização e
precariedade por elas enfrentados.