DESENVOLVIMENTO E AVALIAÇÃO DO POTENCIAL TERAPÊUTICO IN VITRO DA NANOENCAPSULAÇÃO DA RIFAMPICINA POR PLGA COMO ALTERNATIVA PARA O TRATAMENTO DA TUBERCULOSE
Tuberculose; Mycobacterium tuberculosis; Rifampicina; Nanopartículas poliméricas; PLGA; Nanotecnologia
A tuberculose (TB) permanece entre as principais causas de morte por doenças infecciosas no mundo e representa um desafio para a saúde pública mundial, especialmente em decorrência do surgimento de cepas resistentes aos antimicrobianos e das limitações do tratamento convencional. A rifampicina é um dos principais fármacos utilizados no esquema terapêutico da TB; entretanto, fatores como baixa estabilidade, efeitos adversos e necessidade de tratamento prolongado podem comprometer a adesão do paciente e favorecer o desenvolvimento de resistência. Nesse contexto, sistemas nanoestruturados vêm sendo investigados como estratégia para otimizar a administração de fármacos antimicrobianos. Assim, o presente trabalho teve como objetivo desenvolver, caracterizar e avaliar o potencial terapêutico in vitro de nanopartículas poliméricas de poli(ácido láctico-co-glicólico) (PLGA) contendo rifampicina frente a cepas sensíveis e resistentes de Mycobacterium tuberculosis. Para isso, foram produzidas diferentes formulações utilizando PLGA nas proporções 50:50 e 75:25, pelo método de emulsão simples. As nanopartículas foram caracterizadas quanto ao tamanho hidrodinâmico, índice de polidispersão, potencial zeta, eficiência de encapsulamento, espectroscopia de infravermelho e morfologia, sendo posteriormente submetidas a ensaios de estabilidade físico-química, atividade antimicobacteriana, avaliação da interação com fármacos de referência, citotoxicidade em linhagens celulares J774A.1 e A549 cinética de morte e atividade antimicobacteriana em macrófagos infectados. As formulações desenvolvidas apresentaram características físico-químicas compatíveis com sistemas nanoestruturados de PLGA, com partículas esféricas e homogêneas compatíveis com internalização celular, estabilidade por aproximadamente oito meses sob refrigeração e baixa citotoxicidade. Nos ensaios biológicos, as nanopartículas contendo rifampicina apresentaram atividade frente a cepas sensíveis e droga resistentes de M. tuberculosis, além de manterem atividade em modelo de infecção intracelular, demonstrando potencial para aplicação como sistema de liberação de fármacos antituberculose. Assim sendo, os resultados obtidos demonstram que a nanoencapsulação da rifampicina em PLGA representa uma estratégia promissora para o desenvolvimento de sistemas de liberação controlada como potencial alternativa voltados ao tratamento da tuberculose.