Ação das polimixinas B e E associadas à vancomicina em isolados multidrogarresistentes de Acinetobacter baumannii: ultraestrutura e expressão da virulência
Acinetobacter baumannii, polimixina, combinação de antimicrobianos, vancomicina, sinergismo, biofilme
Acinetobacter baumannii é um cocobacilo gram-negativo considerado um dos mais importantes causadores de Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde (IRAS). A taxa de isolados clínicos de A. baumannii multidroga-resistente (MDR) ou resistência extensiva a drogas (XDR) pode variar entre 45 a 70%. No Brasil, em 2015, 77,4% das infecções causadas por A. baumannii foram resistentes a carbapenêmicos (CARB), tendo sido uma das bactérias mais prevalentes em casos de infecções secundárias durante a pandemia de COVID-19. Atualmente, a pesquisa de novos antimicrobianos e opções terapêuticas é considerada urgente pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Assim, as polimixinas voltaram a ser utilizadas, o que proporcionou o aumento das taxas de resistência a estes antimicrobianos. Ensaios laboratoriais apontam potencial sinérgico na associação às Polimixina B e E com a vancomicina, podendo ser uma opção futura no tratamento infecções por A. baumannii. Ademais, fatores de virulência, como a produção de biofilme, dificulta o tratamento pois age como uma barreira física reduzindo a penetração de antimicrobianos, favorecendo a disseminação. Dentre os genes formadores de biofilme estão a subunidade csuE, responsável pela inicialização da estrutura, a proteína de membrana externa ompA, relacionada a formação da matriz polimérica; e pilM, relacionado a aderência bacteriana a células epiteliais. Neste estudo, a ação das polimixinas B e E combinadas à vancomicina foram analisadas, em isolados de A. baumannii obtidos de IRAS em três hospitais de Maceió/AL, com o objetivo de determinar o potencial sinérgico fenotípico e possíveis modificações na ultraestrutura bacteriana, e influência na expressão de genes envolvidos na produção de biofilme. Doze isolados clínicos de A. baumannii XDR, resistentes a polimixina B e/ou E, foram obtidos por demanda espontânea. Para avaliação da atividade in vitro das combinações de vancomicina e polimixina B ou E foi realizada por checkerboad, considerando-se sinérgicas as combinações com FICI ≤ 0.5. Três isolados foram selecionados para avaliação da expressão dos genes csuE, ompA e pilM; microscopia eletrônica de varredura e transmissão, dos isolados um apresentou sinergia para a combinação de vancomicina e polimixina B, um para vancomicina e polimixina E e um para as duas combinações. Todos os isolados analisados apresentaram redução no CIM para ambas as combinações, com efeito sinérgico para a combinação de vancomicina polimixina E em 8 e vancomicina polimixina B em 9. Com relação a expressão genica a polimixina B combinada a vancomicina induziu diminuição da expressão dos genes csuE e ompA significativamente (p < 0,05). O gene pilM teve redução significativa nos isolados quando submetidos a combinação de vancomicina e polimixina E. As alterações ultra estruturais após a exposição dos isolados as polimixinas B e E sozinhas desencadearam alterações celulares mais brandas enquanto as combinações provocaram alterações mais evidentes, incluindo ruptura na parede celular, alterações morfológicas e na divisão celular. De acordo com as análises in vitro realizadas neste estudo, as combinações das polimixinas B ou E e vancomicina apresentaram potencial promissor como alternativa, em casos de indisponibilidade de outro antimicrobiano comprovadamente eficaz, para o tratamento de infecções causadas por isolados XDR de A. baumannii.