Desenvolvimento de nanoemulsões de óleos essenciais associados a flavonoides e levodopa como novos produtos para o tratamento da Doença de Parkinson
Zebrafish, Flavonoides, Comportamento, Toxicidade
A Doença de Parkinson (DP) é uma enfermidade neurodegenerativa progressiva caracterizada pela perda de neurônios dopaminérgicos, resultando em alterações motoras e não motoras associadas ao estresse oxidativo e à neuroinflamação. Embora a levodopa (L-DOPA) seja considerada o principal tratamento para a doença, seu uso prolongado pode desencadear efeitos adversos e complicações motoras, evidenciando a necessidade de novas abordagens terapêuticas. Nesse contexto, o zebrafish (Danio rerio) tem se destacado como um modelo experimental promissor para estudos relacionados à DP, especialmente quando exposto à rotenona (RT), um pesticida capaz de induzir alterações neuroquímicas e comportamentais semelhantes às observadas na doença. Assim, este estudo teve como objetivo avaliar a toxicidade e o potencial neuroprotetor da L-DOPA, do óleo essencial de Piper nigrum (PN) e de antioxidantes, administrados isoladamente ou em combinações binárias e ternárias, em modelos larvais de zebrafish com fenótipo semelhante à DP induzido por RT, além de padronizar uma bateria de testes neurocomportamentais para a identificação de alterações induzidas pela RT e para a triagem de novos compostos terapêuticos. Para isso, foram utilizados embriões e larvas de zebrafish expostos à RT em diferentes protocolos experimentais. Inicialmente, embriões e larvas entre 2 e 144 horas pós-fertilização (hpf) foram expostos à L-DOPA e ao PN, isoladamente ou em associação com a RT, sendo avaliados parâmetros de sobrevivência, taxa de eclosão, efeitos teratogênicos, morfometria e comportamento. Em um segundo modelo experimental, foram utilizadas larvas com 72 hpf, estágio em que as projeções dopaminérgicas já se encontram completamente formadas, expostas simultaneamente à RT, L-DOPA, antioxidantes e suas combinações binárias e ternárias entre 72 e 144 hpf. Foram avaliados a sobrevivência e endpoints neurocomportamentais por meio dos testes de tigmotaxia, sensibilidade ao toque, resposta optomotora (OMR) e bolas saltitantes. Os resultados demonstraram que a exposição à RT promoveu alterações neurocomportamentais compatíveis com fenótipos semelhantes à DP, incluindo prejuízo locomotor, redução da sensibilidade ao toque, alterações na resposta optomotora e comprometimento do comportamento social. A padronização dos testes permitiu identificar alterações específicas induzidas pela RT, possibilitando a elaboração de um protocolo detalhado e reprodutível para futuras triagens farmacológicas. L-DOPA apresentou efeito protetor parcial frente à toxicidade induzida pela RT, porém também promoveu alterações no desenvolvimento embriolarval e efeitos comportamentais adversos. PN afetou parâmetros do desenvolvimento, mas não demonstrou proteção significativa contra os efeitos da RT. Em contrapartida, os antioxidantes e suas associações com L-DOPA reduziram significativamente os déficits comportamentais induzidos pela RT, destacando-se a combinação ternária, que possibilitou a redução de até 66% da concentração de L-DOPA sem comprometer sua eficácia terapêutica, sugerindo um efeito sinérgico entre os compostos. Além disso, os tratamentos apresentaram baixa toxicidade, com taxas de sobrevivência superiores a 90%. Dessa forma, os resultados confirmaram a relevância do zebrafish como modelo experimental para estudos da DP e para a triagem de agentes neuroprotetores, demonstrando que estratégias multitarget baseadas na associação de antioxidantes à L-DOPA representam uma alternativa promissora para o desenvolvimento de terapias mais seguras e eficazes para a Doença de Parkinson, reforçando a necessidade de novas investigações para a validação e ampliação desses achados.