Polissacarídeos Bioativos de Origem Marinha e Vegetal como Estratégias Inovadoras para o Tratamento de Doenças Inflamatórias Articulares
polissacarídeos naturais; doenças inflamatórias articulares; osteoartrite; artrite reumatoide; Schinopsis brasiliensis; Holothuria grisea; mineralização óssea
As doenças inflamatórias articulares, como a osteoartrite (OA) e a artrite reumatoide (AR), representam desafios globais de saúde pública, afetando centenas de milhões de pessoas e impondo elevado ônus socioeconômico. Os tratamentos convencionais, incluindo anti- inflamatórios não esteroides (AINEs), corticosteroides e drogas modificadoras da doença (DMARDs), apresentam limitações importantes, como efeitos adversos significativos e incapacidade de interromper a progressão da doença. Nesse contexto, polissacarídeos naturais provenientes de organismos marinhos e plantas medicinais emergem como candidatos terapêuticos promissores, dada sua biocompatibilidade, biodegradabilidade e diversidade estrutural. Esta tese investigou o potencial terapêutico de dois polissacarídeos naturais: (1) o condroitim sulfato fucosilado (FUCS), extraído da parede corporal do pepino-do-mar Holothuria grisea, avaliado em modelo murino de OA induzida por iodoacetato monossódico (MIA); e (2) o ramnogalacturonano tipo I (RGI), extraído do exsudato de Schinopsis brasiliensis Engl. (baraúna), espécie endêmica da Caatinga, avaliado em modelo murino de artrite induzida por Adjuvante Completo de Freund (CFA). Em ambos os estudos, foram também avaliados os efeitos in vitro sobre células pré-osteoblásticas MC3T3-E1, incluindo hemocompatibilidade, citotoxicidade, proliferação celular e mineralização osteogênica. Os resultados demonstraram que o FUCS reduziu significativamente a alodinia mecânica a partir do 7o dia, melhorou a função motora, reduziu o infiltrado leucocitário articular em 89,08%, modulou citocinas pró-inflamatórias (TNF-α, IL-6, IL-2) e anti-inflamatórias (IL-10), preservou a integridade da cartilagem articular (redução do escore OARSI) e estimulou potentemente a mineralização osteogênica nos dias 14 e 21 in vitro, com bom perfil de segurança biológica. O RGI, por sua vez, reduziu a alodinia mecânica de forma dose-dependente a partir do 3o dia, com eficácia equivalente ao diclofenaco sódico, reduziu o edema de pata, modulou citocinas (redução de TNF-α, IL-6, IFN-γ; aumento de IL-10), apresentou ausência de toxicidade sistêmica, excelente hemocompatibilidade e inibiu a mineralização osteogênica em estágio tardio nos dias 14 e 21. Os efeitos contrastantes dos dois polissacarídeos sobre a mineralização óssea revelam perfis farmacológicos distintos e complementares, com aplicações potenciais em diferentes contextos clínicos: o FUCS como agente promotor de regeneração osteocartilaginosa e o RGI como modulador da inflamação articular com controle da calcificação ectópica. Esta tese contribui para a validação científica do uso terapêutico de polissacarídeos naturais e para a valorização da biodiversidade brasileira como fonte de novos fármacos.