ENTRE HISTÓRIAS E INCERTEZAS: A FORMAÇÃO DE CONCEITOS PROBABILÍSTICOS POR ESTUDANTES DOS ANOS INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL
Probabilidade. Anos Iniciais. Livros de Histórias. Educação Matemática. Educação Estatística.
O presente estudo propõe analisar o desenvolvimento de conceitos probabilísticos a partir da triangulação de teorias articuladas à livros de histórias com estudantes do 1° e 5° anos do Ensino Fundamental. Para isso, foi desenvolvida uma triangulação de natureza probabilística que articula as demandas cognitivas, o letramento probabilístico e a linguagem probabilística, em dimensões cognitiva, crítica e comunicativa para a abordagem da probabilidade no Ensino Fundamental. Os objetivos específicos dessa pesquisa consideram: 1) analisar as articulações de elementos da triangulação relacionadas as noções probabilísticas em livros de histórias; 2) identificar conhecimentos apresentados por estudantes do 1° e 5° anos acerca das noções probabilísticas por meio da contação de histórias; e 3) analisar os conhecimentos probabilísticos que emergem a partir da vivência de uma sequência de ensino com livros de histórias. Assim, desenvolvemos uma pesquisa qualitativa, de caráter exploratório, a partir de três etapas metodológicas. Em relação ao primeiro objetivo, foram analisadas sete obras em língua inglesa, que tratam de noções probabilísticas. Os resultados demonstraram que os livros analisados abordam todas as dimensões da triangulação, entretanto, as noções presentes nas dimensões cognitiva e comunicativa, são exploradas com mais frequência em comparação com as relacionadas à dimensão crítica. Para o segundo objetivo, foram realizadas entrevistas individualizadas com dez estudantes, sendo 5 deles do 1º ano e outros 5 do 5º ano, a partir da contação da história A caixa de bijuterias, perpassada por perguntas de compreensão previamente elencadas. Os resultados demonstraram que acerca das dimensões cognitiva e crítica, os estudantes do 5º apresentaram compreensões mais coerentes e adequadas a discussão proposta, entretanto, os estudantes do 1º ano apresentaram maior disposição para se engajar nas situações apresentadas. Para o terceiro objetivo, foi desenvolvida e vivenciada uma sequência de ensino utilizando os livros It’s Probably Penny, O Clubinho e A Very Improbable Story. Observou-se que na dimensão cognitiva, acerca da noção de aleatoriedade, o 1º ano apresentou mais facilidade com eventos extremos (impossíveis e certos), enquanto o 5º ano refletiu adequadamente sobre todos os tipos de eventos aleatórios; no espaço amostral, ambos os grupos conseguiram identificar as possibilidades a partir da sistematização, sendo o 5º ano mais autônomos, e na comparação/quantificação, ambas as turmas demonstraram dificuldades com cálculos proporcionais, mas aplicaram estratégias simples, como a relação mais/menos, ao comparar probabilidades. Na dimensão crítica, foram vivenciados diferentes contextos, a partir de histórias infantis que retratam situações da realidade do estudante, na postura crítica, ambas as turmas se posicionaram adequadamente sobre as situações propostas, além de sugerirem outras; nas crenças e atitudes, os estudantes do 1º ano apresentaram mais respostas inadequadas às situações, em relação aos estudantes do 5º ano, e sobre os sentimentos pessoais em relação a incerteza, ambas as turmas demonstraram disponibilidade para se engajar nas situações propostas, pois se identificaram com várias situações presentes na narrativa. Dessa maneira, concluímos que a vivencia de diferentes compreensões probabilísticas por meio de experiências linguísticas variadas, possibilitadas pelo uso de livros de histórias permitiu o desenvolvimento do conceito de probabilidade explorando as dimensões cognitiva, crítica e comunicativa.