A REPRESENTAÇÃO DA ESCOLA NO CINEMA: uma análise fílmica das relações pedagógicas nos Filmes La Cour de Babel (2014) En una escuela de La Habana (2014).
Palavras-chave: Cinema e Educação; Representação da escola; Relações pedagógicas; Experiência educativa; Análise fílmica.
Esta pesquisa, desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em Educação Matemática e Tecnológica (EDUMATEC) da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), investiga a representação das relações pedagógicas no cinema, tomando a escola como um espaço relacional atravessado por experiências, conflitos e deslocamentos éticos. O estudo analisa dois filmes: En una Escuela de La Habana (2014), de Ernesto Daranas, e La Cour de Babel (2014), de Julie Bertuccelli, que permitem observar como professores e alunos constroem vínculos no interior de contextos institucionais marcados por normas, expectativas e desigualdades. A metodologia adotada fundamenta-se na análise fílmica. Organiza-se, inicialmente, na descrição de cada filme e, em seguida, na seleção de cenas específicas consideradas significativas para a compreensão das relações pedagógicas representadas. Busca-se compreender de que modo essas relações evidenciam normas institucionais, práticas de escuta, dimensões de afeto e cuidado, bem como seus possíveis efeitos na experiência escolar e na permanência dos alunos no espaço educativo. Privilegiam-se situações em que as relações pedagógicas se tornam visíveis por meio das falas, dos gestos e das decisões dos sujeitos da escola. As vozes das personagens constituem um eixo central da investigação, sendo compreendidas como expressão das experiências vividas no cotidiano educativo. Nesse movimento analítico, o olhar dirige-se para as relações que se constituem no ambiente escolar e para os diferentes atravessamentos que as configuram. A discussão dialoga com as contribuições de Maurice Tardif e Claude Lessard (2019), Tim Ingold (2023) e Jorge Larrosa (2025), especialmente no que se refere à compreensão da docência como prática relacional e situada. Para a análise da linguagem cinematográfica e dos recursos utilizados pelos filmes na construção de seus efeitos narrativos, mobilizam-se autores como Vanoye e Goliot-Lété (2012), Jacques Aumont (2012), Adriana Fresquet (2013) e Jean-Claude Bernardet (2012). As análises evidenciam que, nos filmes estudados, a escola se configura como um espaço de disputa, no qual o reconhecimento das singularidades dos alunos e a sustentação de vínculos afetivos tensionam leituras burocráticas e classificatórias. Conclui-se que o cinema, ao tornar visíveis as relações pedagógicas em sua dimensão ética e relacional, constitui-se como uma potente ferramenta formativa, capaz de provocar reflexões sobre o fazer docente e sobre os modos de habitar a escola.