IMPERIALISMO FISCAL NO PROJETO BEPS: (In)Justiça Fiscal Em Bases Internacionais?
Imperialismo Fiscal; Projeto BEPS; Modernidade Periférica; Transconstitucionalismo; Soberania Tributária; Justiça Fiscal.
A presente dissertação analisa criticamente o fenômeno do imperialismo fiscal no âmbito do projeto Base Erosion and Profit Shifting (BEPS), conduzido pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), com foco especial na Solução de Dois Pilares (BEPS 2.0). O objetivo geral é investigar se as medidas propostas, em especial o Imposto Mínimo Global, foram concebidas para favorecer os países desenvolvidos em detrimento das nações da periferia. Metodologicamente, a pesquisa utiliza o método hipotético-dedutivo, articulado com pesquisa bibliográfica e análise documental qualitativa de relatórios da OCDE e comentários de consultas públicas. O referencial teórico fundamenta-se na Teoria dos Sistemas de Marcelo Neves, especificamente nos conceitos de modernidade periférica, alopoiese e transconstitucionalismo, em diálogo com a teoria do capitalismo dependente de Florestan Fernandes. A investigação demonstra que a primeira fase do BEPS foi marcada pela exclusão dos países periféricos na formulação das normas, mantendo padrões que favorecem os países de residência. Na análise do BEPS 2.0, observa-se que o Pilar 1 apresenta ganhos arrecadatórios modestos para a periferia, enquanto o Pilar 2 (Imposto Mínimo Global) neutraliza o uso de incentivos fiscais tradicionais voltados à atração de Investimento Estrangeiro Direto (IED), comprometendo a soberania tributária dessas nações. Conclui-se que o atual redesenho da tributação internacional perpetua assimetrias estruturais, onde o imperialismo fiscal atua como bloqueador do transconstitucionalismo, resultando em uma distorção sistêmica que subordina as pretensões normativas da periferia aos interesses das economias centrais, consolidando um cenário de colonização tributária.