“NO TURURU TEM COISA PRA CARAMBA”: Uma etnografia sobre a atuação do Coletivo Força Tururu a partir da instrumentalização da comunicação popular e comunitária no enfretamento às violações de direitos humanos na região metropolitana do Recife/PE
Direitos Humanos; Comunicação Popular; Coletivos Urbanos; Etnografia.
O presente trabalho se propõe analisar a atuação do Coletivo Força Tururu (CFT) enquanto coletivo de comunicação popular e comunitária no enfretamento às violações de direitos humanos na Região Metropolitana do Recife. Trata-se de uma pesquisa qualitativa de caráter etnográfico. A etnografia foi realizada a partir da observação participante em que o pesquisador é integrante do coletivo ora estudado. Subsidiariamente, foram realizadas entrevistas semiestruturadas com os integrantes do coletivo e a análise de conteúdo sobre materiais produzidos pelo CFT. O Coletivo Força Tururu surge em 2008, na cidade de Paulista, região metropolitana do Recife-PE, a partir do sentimento de revolta dos moradores da comunidade contra as narrativas da mídia sobre a Comunidade do Tururu. As matérias publicadas sobre a comunidade constroem um “território” criminalizado e associado exclusivamente à criminalidade e violência. Essa construção negativa incide diretamente sobre as condições de vida dos moradores e sobre a própria configuração do “território”, intensificando a precarização de cidadania e violação de direitos humanos. Portanto, o manejo estratégico da comunicação popular e comunitária se torna fundamental na disputa de narrativas produzidas pela mídia sobre
a comunidade, frequentemente marcada por enquadramento estigmatizantes associados à violência e precariedade. A pesquisa traz como hipótese a compreensão de que a atuação do Coletivo Força Tururu contribui para a redefinição do “território” frente aos processos de criminalização midiática e institucional. A compreensão desse cenário tem sido feita um diálogo entre com lentes teóricas do pensamento foucaultiano como a percepção de “neoliberalismo” e “contraconduta” e elementos da criminologia crítica e da antropologia. Os resultados indicam que a comunicação popular atua como ferramenta estratégica de enfrentamento à criminalização da comunidade, produzindo “contracondutas” sobre o “território” e sobre a identidade local. Além disso, o coletivo também funciona como um ator de denúncia no que tange à prevenção e violação das garantias no “território”.