CARACTERIZAÇÃO PETROLÓGICA E ISOTÓPICA DO COMPLEXO CACHOEIRA GRANDE E SUÍTE PAU FERRINHO, DOMÍNIO PERNAMBUCO-ALAGOAS, PROVÍNCIA BORBOREMA
Petrogênese; Magmatismo neoproterozoico; Dinâmica crustal; Cariris Velhos; Orogênese Brasiliana.
A petrogênese de rochas (meta)máficas e ortognaisses é fundamental para compreender a evolução da crosta continental, a formação de cinturões orogênicos e a reciclagem de materiais em ambientes convergentes. Nesse contexto, esta tese investiga o Complexo Cachoeira Grande e a Suíte Pau Ferrinho, unidades situadas no limite entre os subdomínios Garanhuns e Água Branca, no Domínio Pernambuco- Alagoas, porção sul da Província Borborema. O Complexo Cachoeira Grande é constituído por granodioritos e tonalitos gnáissicos de assinatura cálcio-alcalina e magnesiana, indicando afinidade com magmas gerados em ambiente convergente. A idade de cristalização U-Pb de 959 ± 4Ma, associada a valores negativos de εHf e a idades-modelo TDM paleoproterozoicas, sugere participação significativa de crosta antiga reciclada na gênese desses magmas. Integrados aos dados geológicos e geoquímicos, esses resultados indicam que a unidade registra um evento magmático toniano possivelmente relacionado à ruptura de placa subductada, com fusão parcial de anfibolitos ricos em potássio. A Suíte Pau Ferrinho é composta por diques (meta)máficos alojados no Complexo Cachoeira Grande. Seus padrões geoquímicos distintos refletem variações no ambiente tectônico, no grau de fusão parcial e na profundidade de geração dos magmas. As idades U-Pb de 631 ± 4Ma e 600 ± 3Ma indicam alojamento magmático desde o pico metamórfico regional até os estágios finais da fase compressional da Orogênese Brasiliana. Os valores positivos de εHf, associados a idades-modelo TDM estenianas, indicam contribuição juvenil e participação de fonte mantélica. Os resultados demonstram que o limite entre os subdomínios Garanhuns e Água Branca preserva registros de eventos tectonomagmáticos distintos: magmatismo toniano associado a processos convergentes e magmatismo máfico ediacarano relacionado à evolução térmica e tectônica da Orogênese Brasiliana. Assim, esta tese amplia o conhecimento sobre a evolução do Domínio Pernambuco-Alagoas e reforça a importância da integração de dados geoquímicos, geocronológicos, isotópicos e petrogenéticos na reconstrução dos processos neoproterozoicos da Província Borborema.