CARACTERIZAÇÃO GEOLÓGICA, GEOFÍSICA, GEOQUÍMICA E GEOCRONOLÓGICA DA PARTE LESTE DO DOMÍNIO PERNAMBUCO-ALAGOAS, PROVÍNCIA BORBOREMA
Província Borborema; Domínio Pernambuco-Alagoas oriental; geoquímica; geocronologia U-Pb; Lu-Hf; aeromagnetometria.
Esta tese integra estudos complementares desenvolvidos para o setor oriental do Domínio Pernambuco-Alagoas, na porção meridional da Província Borborema, com o objetivo de discutir a evolução crustal, a natureza das fontes magmáticas, a cronologia dos eventos pré-colisionais a pós-colisionais e a arquitetura estrutural rasa associada ao alojamento de corpos graníticos e à compartimentação tectônica regional. O primeiro estudo integra dados aeromagnéticos, sensoriamento remoto e observações estruturais para refinar o arcabouço crustal raso do domínio e reconhecer lineamentos, zonas de cisalhamento e padrões magnéticos relacionados ao posicionamento de granitóides. O segundo estudo apresenta novos dados U-Pb em zircão e demonstra a preservação de herança paleoproterozoica, a presença de registro toniano compatível com eventos do tipo Cariris Velhos e forte retrabalhamento ediacarano. O terceiro estudo reúne dados de geoquímica de rocha total e isótopos Lu-Hf em zircão para avaliar assinatura de fontes, grau de reciclagem crustal e correlações com segmentos africanos do sistema Brasiliano/Pan-Africano. Em conjunto, os resultados mostram que o setor oriental do domínio registra magmatismo predominantemente cálcio-alcalino de alto K a shoshonítico, caráter majoritariamente peraluminoso a metaluminoso, assinatura fortemente enriquecida em LILE e anomalias negativas em Nb, Ta, Sr, P e Ti, consistentes com fontes crustais heterogêneas e intensa interação entre fusão parcial, mistura de magmas e cristalização fracionada. Os dados isotópicos e geocronológicos reforçam a importância da reciclagem de crosta pré-neoproterozoica e ampliam as conexões tectônicas entre a Província Borborema e o Cinturão Móvel da África Central. A tese propõe, portanto, um modelo integrado no qual herança antiga, reativação brasiliana, magmatismo neoproterozoico e controle estrutural sintectônico atuaram de forma conjunta na construção geológica do Domínio Pernambuco-Alagoas oriental.