CARACTERIZAÇÃO FACIOLÓGICA E ANÁLISE TEXTURAL DA SEQUÊNCIA ÍGNEA-SEDIMENTAR DA SUÍTE MAGMÁTICA IPOJUCA, PORÇÃO CENTRAL DA BACIA PERNAMBUCO
Bacia Pernambuco; Formação Suape; Suíte Magmática Ipojuca; Análise de Fácies; Sucessão Vulcano-Sedimentar
O presente trabalho analisa as interações magma-sedimento na Bacia de Pernambuco, no Nordeste do Brasil, focando na influência de eventos magmáticos em bacias sedimentares marginais. O estudo objetiva compreender os mecanismos de colocação das rochas ígneas da Suíte Magmática Ipojuca (SMI) no afloramento Baobá, integrando a análise de fácies vulcânicas e a caracterização petrográfica detalhada. Para a realização da pesquisa, executou-se o levantamento de três perfis estratigráficos no campo, seguindo classificações clássicas para rochas vulcânicas e siliciclásticas, além da análise laboratorial de 21 seções delgadas para identificação mineralógica e textural. Os resultados identificam nove litofácies distintas, organizadas em três sucessões principais: uma base composta por três pulsos de lavas fenodacíticas, um núcleo sedimentar de preenchimento de conglomerados e siltitos da Formação Suape, e um topo representado por fluxos de lava traquítica. A petrografia revela texturas porfiríticas e glomeroporfiríticas em ambas as unidades magmáticas, destacando a presença de fenocristais de plagioclásio nos dacitos e de sanidina nos traquitos, além de texturas de resfriamento rápido e devitrificação, como matriz microcristalina e granofírica. Observa-se, ainda, a primeira evidência documentada de peperitos no contato entre as lavas traquíticas e o topo da sequência sedimentar, o que evidencia que a atividade vulcânica ocorreu de forma contemporânea à deposição de sedimentos não consolidados e úmidos. Conclui-se que as características geométricas e estruturais das rochas no afloramento Baobá confirmam um ambiente de colocação extrusivo subaéreo, onde o magmatismo da SMI interagiu diretamente com o sistema deposicional da Formação Suape durante o estágio rift da bacia.