NOVOS DADOS PALINOLÓGICOS E IMPLICAÇÕES PALEOAMBIENTAIS PARA O DEVONIANO INFERIOR E CRETÁCEO INFERIOR DA BACIA RIO DO PEIXE, BRASIL: Análise de matéria orgânica sedimentar
acritarcos; matéria orgânica amorfa; Grupo Santa Helena; Sub-bacia de Brejo das Freiras
A Bacia do Rio do Peixe (BDRP) é amplamente reconhecida por sua importância paleontológica, sobretudo pelo registro de icnofósseis de dinossauros, bem como vestígios de invertebrados, como tocas de artrópodes e anelídeos, além de, fósseis de plantas, ostracodes, conchostráceos, escamas de peixes e ossos de crocodilomorfos, associados ao Cretáceo Inferior (Berriasiano–Barremiano). Entretanto, as condições deposicionais da BRDP e a definição dos limites estratigráficos envolvendo a sequência devoniana permanecem objeto de debate. As propostas mais recentes reconhecem dois grupos para esta bacia: o Grupo Santa Helena, do Devoniano Inferior, e o Grupo Rio do Peixe, do Cretáceo Inferior, separados por um hiato deposicional de aproximadamente 265 milhões de anos. Este estudo caracteriza a matéria orgânica sedimentar em amostras de calha do Devoniano Inferior e do Cretáceo Inferior do poço 1-PIL-1-PB, com o objetivo de inferir a reconstrução paleoambiental, as condições de oxirredução e o tipo de querogênio. Para este trabalho, todo intervalo foi analisado e descrito com base na sua litologia, levando em consideração os dados prévios disponíveis no site da ANPTerrestre. Foram aplicadas técnicas padrão de preparação palinológica para a confecção de lâminas para microscopia óptica e classificação da matéria orgânica sedimentar nos grupos e subgrupos. Testes metodológicos adicionais foram realizados para otimizar a recuperação do material devoniano, envolvendo ajustes tanto nas etapas de acidificação quanto nos procedimentos de oxidação. Com base na seção analisada, a sequência devoniana da BRDP foi interpretada como um sistema lagunar fechado a semifechado com influência marinha, desenvolvido sob condições redutoras e gerando predominantemente querogênio do Tipo II. Em contraste, durante o Cretáceo Inferior, a bacia foi dominada por um sistema fluvial caracterizado pelo aumento de fitoclastos, sob condições predominantemente óxicas. Além disso, novas ocorrências de miósporos foram identificadas, tais como Dictyotriletes emsiensis, Cymbostporites sp., Retusotriletes triangulatus, Retusotriletes sp., Gneudnaspora divellomedia e Diabolisporites sp. Considerando as restrições de idade neste estudo, sugerimos uma reavaliação do limite entre o Devoniano Inferior e o Cretáceo Inferior nesta bacia.