OSTRACODES DO CRETÁCEO INFERIOR DA BACIA DO RIO DO PEIXE, NORDESTE DO BRASIL: Inferências paleoambientais
Paleoambiente; Sub-bacia Brejo das Freiras; Andar Rio da Serra
Durante o Eocretáceo, o desenvolvimento de riftes na América do Sul e na África originou lagos e sistemas de drenagens em bacias intracontinentais. A Bacia do Rio do Peixe, localizada no nordeste do Brasil, insere-se nesse contexto e foi tradicionalmente interpretada como exclusivamente cretácea. Entretanto, a identificação de uma discordância angular revelou o contato entre depósitos do Cretáceo Inferior e Devoniano Inferior, com um hiato de aproximadamente 265 milhões de anos, indicando uma evolução poligenética para a bacia. Na Sub-bacia Brejo das Freiras, a tectônica controlou a preservação fossilífera. Para a reconstruir a evolução paleoambiental do Grupo Rio do Peixe, foram descritas 203 amostras de calha do poço 1-PIL-1-PB, das quais 73 foram analisadas para ostracodes e, adicionalmente, 20 amostras para matéria orgânica sedimentar. Com base nos dados micropaleontológicos e sedimentológicos, foi possível inferir que a Formação Antenor Navarro registra um sistema fluvial de alta energia, com baixa recuperação de microfósseis. A Formação Sousa representa um ambiente lacustre de baixa energia, enquanto a Formação Rio Piranhas indica um aumento de energia deposicional durante o preenchimento final do lago. Os ostracodes não-marinhos e esporomorfos identificados permitiram atribuir idade berriasiana–valangeniana, correspondente ao Andar Rio da Serra. Os resultados evidenciam forte controle tectônico e variação no regime de energia sobre a evolução paleoambiental e a preservação fossilífera.