GNETALES DA FORMAÇÃO CRATO, CRETÁCEO INFERIOR DA BACIA DO ARARIPE: revisão taxonômica e identificação de uma nova Ephedraceae
Bacia do Araripe; Gondwana; Cretáceo; Gnetales; Ephedraceae
Fósseis de Gnetales são preservados em depósitos sedimentares ao redor do mundo, representando um grupo de antigas gimnospermas arbustivas com uma longa história evolutiva e que ainda possuem representantes viventes. Na Formação Crato, Cretáceo Inferior da Bacia do Araripe, considerada uma das mais importantes do mundo para o entendimento do declínio das gimnospermas e do início da radiação das angiospermas, esse grupo possui um registro particularmente expressivo, preenchendo lacunas importantes no entendimento de sua diversidade durante o Cretáceo. Esses fósseis corroboram que as Gnetales foram amplamente distribuídas e diversas no Gondwana. Compreender essa diversidade é fundamental também para explicar a redução de sua representatividade nos ecossistemas modernos. O objetivo deste trabalho é apresentar a descrição de uma nova espécie de Gnetales pertencente a família Ephedraceae, proveniente da Formação Crato, juntamente com uma revisão taxonômica abrangente de todos os táxons gnetaleanos já propostos para esta Formação, acompanhada de uma síntese dos dados disponíveis. O novo táxon corresponde a uma planta pertencente à Família Ephedraceae, que apresenta morfologia típica desse grupo, como hábito arbustivo, sistema caulinar bem definido e ramificado com estrias longitudinais, bem como estruturas reprodutivas terminais de formato globular e alongado-elipsoidal, organizadas em estróbilos masculinos e femininos, além de grãos de pólen preservados in situ. A espécie difere de outras já encontradas corroborando a proposta de um novo táxon, ampliando o conhecimento acerca do paleoambiente e distribuição desse grupo no Cretáceo Inferior do Brasil.