Uso da Força na Política Internacional: um estudo de caso sobre a intervenção
unilateral da Turquia contra o PYD/YPG na Guerra da Civil da Síria
intervenção militar unilateral; política externa da Turquia; Guerra Civil da
Síria; PYD/YPG; estudo de caso
Por que a Turquia interveio unilateralmente contra o PYD/YPG na Guerra Civil da Síria? Este
questionamento é a pergunta de pesquisa em que se baseia esta tese. Sua formulação se sustenta
na observação da postura do país a respeito do uso da força entre 2011 e 2016. Durante esse
período, as autoridades turcas advogaram, em variadas ocasiões, por uma intervenção
multilateral, tendo sugerido diferentes planos para essa finalidade – safe zone, buffer zone, nofly zone. Contudo, em agosto de 2016, o governo finalmente realizou uma intervenção. Essa
ofensiva representa uma inflexão por pelo menos dois aspectos. Primeiro, ela foi conduzida
unilateralmente, sem a participação de nenhum outro Estado senão a Turquia. Segundo, seu
alvo foi o grupo curdo PYD/YPG e o ISIS. Essas características divergem das preferências
originais, já que, por anos, o país defendeu o envolvimento da comunidade internacional para
destituir o presidente Bashar al-Assad. Diante desse quadro, o objetivo deste trabalho é elaborar
um mecanismo causal que explique essa guinada comportamental. Para cumprir tal finalidade,
a investigação lança mão de uma abordagem metodológica baseada no estudo de caso, junto
com a técnica conhecida como process tracing. Essa estruturação possibilitou a agregação de
elementos de diferentes níveis de análises como variáveis explicativas, produzindo uma análise
abrangente do fenômeno. Ao fim, conclui-se que a postura unilateral não pode ser atribuída a
uma causa específica. Ela é resultante de um conjunto de fatores que operam doméstica e
internacionalmente e, concomitantemente, denota uma transformação nos objetivos e nos meios
da política turca para a Síria.