SEGURANÇA CLIMÁTICA ENTRE NORTE E SUL GLOBAL: UMA ANÁLISE COMPARADA DA CLIMATIZAÇÃO E RISQUIFICAÇÃO DO SETOR MILITAR
Segurança climática; Securitização; Climatização; Setor militar; Norte e Sul Global; Comparação estruturada e focada; Mudanças climáticas
As mudanças climáticas consolidaram-se como vetor central de reconfiguração da agenda internacional de segurança, impulsionando a emergência da segurança climática e a crescente implicação do setor de defesa nesse debate. À luz das contribuições das escolas de Copenhague, Paris e Risco, este projeto de tese investiga como e por que os setores de defesa de países do Norte Global (Reino Unido e França) e do Sul Global (Índia e Brasil) vêm climatizando suas práticas rotineiras, traduzindo as mudanças climáticas de um problema ambiental em um risco operacional à segurança militar. O estudo parte de uma lacuna em uma literatura ainda fortemente concentrada em arenas multilaterais e em contextos do Norte, que tem subestimado tanto as práticas cotidianas
de profissionais de segurança quanto as especificidades políticas e normativas do Sul Global. Analiticamente, o projeto propõe um quadro comparativo baseado em cinco dimensões analíticas (institucional, estratégica-operacional, geopolítica, doméstica e transnacional) para caracterizar e comparar os modos de climatização e de risquificação do setor militar. As dimensões institucional e estratégica-operacional constituem o primeiro nível analítico, no qual se observam, de forma mais direta, os enquadramentos de clima como ameaça, risco, vulnerabilidade ou oportunidade nos documentos de defesa. As dimensões geopolítica, doméstica e transnacional compõem um segundo nível, responsável por contextualizar como posições internacionais, controvérsias internas e fluxos transnacionais de ideias moldam, condicionam ou limitam, em cada caso, esses processos de climatização. Metodologicamente, a pesquisa emprega o método de comparação estruturada e focada, aplicando um roteiro padronizado de questões a quatro estudos de caso. A análise apoia-se em fontes documentais primárias, como estratégias de defesa, livros brancos, doutrinas militares, relatórios de avaliação de riscos e planos climáticos, complementadas por relatórios de organizações internacionais e de think tanks especializados em clima e segurança. Ao final, espera-se (i) integrar de modo mais sistemático as contribuições das escolas de Copenhague, Paris e Risco para explicar a climatização do setor militar, (ii) identificar como diferentes configurações das cinco dimensões analíticas produzem modos distintos de climatização e risquificação entre Norte e Sul Global e (iii) oferecer subsídios normativos para avaliar criticamente os limites, assimetrias e riscos associados à militarização da agenda climática.