DADE E CRESCIMENTO E IDENTIFICAÇÃO DE ESTOQUES DO PARGO PIRANGA, Rhomboplites aurorubens, NO ATLÂNTICO SUDOESTE.
Otólitos; Composição isotópica; Morfometria; Biogeografia marinha; gestão pesqueira.
Avaliação de estoques pesqueiros é a base para uma gestão pesqueira eficiente. Com tal finalidade, é necessário identificar as estruturas dos estoques das espécies alvo dentro da área de gestão assim como caracterizar a biologia populacional dos mesmos. O pargo piranga (Rhomboplites aurorubens) é uma espécie da família lutjanidae caracterizado pelo crescimento lento, alta longevidade e sinais de sobreexplotação nas atividades pesqueiras em diversos locais dentro da sua área de ocorrência. Neste cenário, este estudo fornece a primeira avaliação abrangente e multiproxy da estrutura populacional, idade e crescimento e identificação de estoques para o R. aurorubens no Atlântico Sudoeste. Foram feitas análises baseadas no uso de otólitos, para a leitura dos aneis de idade e descrição do crescimento, análise da morfometria dos otólitos e da composição de isótopos estáveis ( δ13C e δ18O ) para separação de estoques considerando dados de 3 locais de amostragem ao longo da costa brasileira: Pernambuco, Bahia e Santa Catarina. Os resultados levam em consideração a posição dos locais de amostragem em relação a divisões de biogeografia marinha, considerando Grandes Ecossistemas Marinha e Ecorregiões Marinhas, divisões que podem ser úteis num cenário de gestão em caso de ausência de informações sobre as estruturas dos estoques. As análises populacionais revelam que as populações brasileiras exibem um comprimentos assintóticos L∞ menores e taxas de crescimento (k) mais lentas (0.17 ano-¹ PE; 0.28 ano-¹ BA; 0.16 ano-¹ SC) em relação a avaliações do Hemisfério Norte, refletindo uma adaptação fenotípica às águas quentes oligotróficas do Atlântico Sudoeste. As assinaturas morfométricas e isotópicas dos otólitos fornecem evidências convergentes para a existência de pelo menos três unidades de estoques distintas e segregadas ao longo de um gradiente tropical - subtropical, alinhando-se aos limites das ecorregiões marinhas, invés dos limites mais amplos dos grandes ecossistemas marinhos. Além disso, análises temporais comparando períodos históricos e contemporâneos detectaram alterações significativas nas assinaturas químicas dos otólitos, provavelmente refletindo mudanças ambientais na última década em termos de aquecimento dos oceanos e mudanças nos processos dinâmicos oceanográficos.