Dissertações/Teses

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2024
Dissertações
1
  • LUÍS HENRIQUE FRANCA DE CARVALHO LINS
  • INTERAÇÕES OCEANOGRÁFICAS NA BORDA OESTE DO ATLÂNTICO EQUATORIAL: impactos na dinâmica de populações da albacorinha Thunnus atlanticus no nordeste do Brasil

  • Orientador : MARCELO FRANCISCO DE NOBREGA
  • MEMBROS DA BANCA :
  • MARCELO FRANCISCO DE NOBREGA
  • GUELSON BATISTA DA SILVA
  • RAMILLA VIEIRA DE ASSUNÇÃO
  • Data: 16/Fev/2024

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  • Áreas de ressurgências costeiras são responsáveis por aproximadamente 20% da produção pesqueira global. Há evidências de ressurgências ao longo da borda oeste do Oceano Atlântico Equatorial, exercendo impacto direto nos recursos pesqueiros. A albacorinha Thunnus atlanticus, uma espécie de atum de pequeno porte, é um importante recurso pesqueiro na costa brasileira, especialmente no Nordeste. Esta espécie apresenta preferências específicas em relação às condições oceanográficas, tornando-se um excelente indicativo das interações entre as características oceanográficas e a dinâmica de populações de recursos pesqueiros.  O objetivo do presente estudo é identificar os padrões espaço-temporais dos processos oceanográficas no extremo nordeste do Brasil, no Oceano Atlântico Equatorial e entender como estes padrões influenciam na abundância e estrutura populacional da albacorinha nesta região. Para alcançar esses objetivos, entre os anos de 2016 e 2020 foram utilizados dados que incluem informações sobre as pescarias da albacorinha, peso total desembarcado, esforços, comprimentos dos exemplares e identificação do sexo. Além disso, a profundidade e a temperatura da superfície do mar foram registradas e georreferenciadas, em intervalos de 2,5 minutos, durante as operações de pesca, por meio de uma ecossonda com GPS. Estes dados foram coletados no período de agosto a janeiro, que corresponde ao período da safra da albacorinha nesta região. As variáveis oceanográficas temperatura do mar em 200 metros e velocidade da corrente foram obtidas de dados de satélites para os períodos da safra da albacorinha (agosto a janeiro) e fora da safra (abril a junho), sendo utilizadas para identificar padrões oceanográficos que favoreçam a presença de ressurgências nesta região. A abundância e estrutura de tamanho da albacorinha foi modelada em função do tempo, utilizando os Modelos Aditivos Generalizados, enquanto as variáveis abióticas foram espacializadas através de softwares e técnicas de geoprocessamento. A temperatura da superfície da água apresentou valores em torno de 20°C na superfície entre os meses de outubro e novembro, indicando um processo de intrusão de água fria na superfície da região de estudo, correspondendo ao período com as maiores abundâncias da albacorinha na região.  O perfil horizontal da velocidade da corrente neste período, apresenta um núcleo que se desloca para próximo da costa, o que aumenta sua relação com o relevo da área, favorecendo um possível transporte vertical.  A abundância da albacorinha foi maior a partir de setembro, com auge entre outubro e novembro, seguido por um declínio em dezembro. Os anos mais recentes do estudo (2016 e 2017) apresentaram maiores abundâncias. Observou-se uma segregação de tamanhos em relação ao tempo, com a captura de exemplares maiores nos meses de agosto e setembro, enquanto a frequência de jovens foi maior a partir de novembro. A presença das fêmeas aumenta ao longo da safra, sendo mais evidenciadas no mês de dezembro. De uma maneira geral, O estudo identifica a presença de um evento de ressurgência relacionado a quebra da plataforma, no extremo nordeste do Brasil no Atlântico Sudoeste Equatorial. Estas características   demonstram a importância dos eventos oceanográficos e ambientes propícios as migrações sazonais da população do atum albacorinha na área de estudo. Os resultados destacam a importância das interações dos eventos oceanográficos físicos com a distribuição dos organismos vivos e, consequentemente, na importância para as medidas de gestão e manejo pesqueiro. Compreender as relações e impactos das variações oceanográficas na dinâmica populacional das espécies de relevância comercial e ecológica é essencial para o planejamento eficiente da exploração pesqueira, à medida que as pescarias em todo o mundo enfrentam crescentes pressões de fatores ambientais e antropogênicos.


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  • Áreas de ressurgências costeiras são responsáveis por aproximadamente 20% da produção pesqueira global. Há evidências de ressurgências ao longo da borda oeste do Oceano Atlântico Equatorial, exercendo impacto direto nos recursos pesqueiros. A albacorinha Thunnus atlanticus, uma espécie de atum de pequeno porte, é um importante recurso pesqueiro na costa brasileira, especialmente no Nordeste. Esta espécie apresenta preferências específicas em relação às condições oceanográficas, tornando-se um excelente indicativo das interações entre as características oceanográficas e a dinâmica de populações de recursos pesqueiros.  O objetivo do presente estudo é identificar os padrões espaço-temporais dos processos oceanográficas no extremo nordeste do Brasil, no Oceano Atlântico Equatorial e entender como estes padrões influenciam na abundância e estrutura populacional da albacorinha nesta região. Para alcançar esses objetivos, entre os anos de 2016 e 2020 foram utilizados dados que incluem informações sobre as pescarias da albacorinha, peso total desembarcado, esforços, comprimentos dos exemplares e identificação do sexo. Além disso, a profundidade e a temperatura da superfície do mar foram registradas e georreferenciadas, em intervalos de 2,5 minutos, durante as operações de pesca, por meio de uma ecossonda com GPS. Estes dados foram coletados no período de agosto a janeiro, que corresponde ao período da safra da albacorinha nesta região. As variáveis oceanográficas temperatura do mar em 200 metros e velocidade da corrente foram obtidas de dados de satélites para os períodos da safra da albacorinha (agosto a janeiro) e fora da safra (abril a junho), sendo utilizadas para identificar padrões oceanográficos que favoreçam a presença de ressurgências nesta região. A abundância e estrutura de tamanho da albacorinha foi modelada em função do tempo, utilizando os Modelos Aditivos Generalizados, enquanto as variáveis abióticas foram espacializadas através de softwares e técnicas de geoprocessamento. A temperatura da superfície da água apresentou valores em torno de 20°C na superfície entre os meses de outubro e novembro, indicando um processo de intrusão de água fria na superfície da região de estudo, correspondendo ao período com as maiores abundâncias da albacorinha na região.  O perfil horizontal da velocidade da corrente neste período, apresenta um núcleo que se desloca para próximo da costa, o que aumenta sua relação com o relevo da área, favorecendo um possível transporte vertical.  A abundância da albacorinha foi maior a partir de setembro, com auge entre outubro e novembro, seguido por um declínio em dezembro. Os anos mais recentes do estudo (2016 e 2017) apresentaram maiores abundâncias. Observou-se uma segregação de tamanhos em relação ao tempo, com a captura de exemplares maiores nos meses de agosto e setembro, enquanto a frequência de jovens foi maior a partir de novembro. A presença das fêmeas aumenta ao longo da safra, sendo mais evidenciadas no mês de dezembro. De uma maneira geral, O estudo identifica a presença de um evento de ressurgência relacionado a quebra da plataforma, no extremo nordeste do Brasil no Atlântico Sudoeste Equatorial. Estas características   demonstram a importância dos eventos oceanográficos e ambientes propícios as migrações sazonais da população do atum albacorinha na área de estudo. Os resultados destacam a importância das interações dos eventos oceanográficos físicos com a distribuição dos organismos vivos e, consequentemente, na importância para as medidas de gestão e manejo pesqueiro. Compreender as relações e impactos das variações oceanográficas na dinâmica populacional das espécies de relevância comercial e ecológica é essencial para o planejamento eficiente da exploração pesqueira, à medida que as pescarias em todo o mundo enfrentam crescentes pressões de fatores ambientais e antropogênicos.

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  • ALEXANDRE RICARDO DOS SANTOS JUNIOR
  • Revisão do estado de conhecimento do beijupirá Rachycentron canadum e o repovoamento na área marinha do Rio Grande do Norte, Brasil 

  • Orientador : MARCELO FRANCISCO DE NOBREGA
  • MEMBROS DA BANCA :
  • MARCELO FRANCISCO DE NOBREGA
  • GUELSON BATISTA DA SILVA
  • JORGE EDUARDO LINS OLIVEIRA
  • Data: 19/Fev/2024

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  • O Beijupirá (Rachycentron canadum) é uma espécie de peixe marinho de importância global, fundamental para a pesca e a aquicultura. Embora tenha recebido considerável atenção científica nas últimas décadas, revisões anteriores careciam de uma análise quantitativa de contribuições e motivações para a pesquisa. Este estudo realiza a primeira análise global de desempenho de pesquisa sobre R. canadum por meio da cienciometria, revelando um total de 577 documentos publicados entre 1964 e 2023, provenientes de diversos países e fontes. Apesar dos esforços de pesquisa em todo o mundo, alguns países dominam a maioria dos estudos, com tópicos relacionados à piscicultura marinha sendo o foco dos artigos mais citados. Alguns países fortemente envolvidos na captura de beijupirá direcionam uma parte substancial de sua produção científica para fontes relacionadas à piscicultura. Curiosamente, países com pesca significativa de beijupirá apresentam pouca ou nenhuma pesquisa associada. O aumento nas taxas de publicação desde os anos 2000 está alinhado com o crescimento na produção da piscicultura, indicando sua proeminência como o principal impulsionador de pesquisa para R. canadum. Após a análise bibliométrica, a avaliação de um projeto de repovoamento no litoral do Rio Grande do Norte utilizando o beijupirá foi realizada.  Com a capacitação e participação dos pescadores artesanais da região foi possível diferenciar nas capturas peixes selvagens e recapturados da atividade de repovoamento. As análises investigaram o impacto do repovoamento na estrutura populacional do beijupirá e as relações com os ambientes marinhos. Foi realizada a soltura de 48.728 exemplares na costa do Rio Grande do Norte, sendo identificada a recaptura de 1.332 espécimes, representando 2,73% do total repovoado. A captura pós-repovoamento mostrou um aumento na frequência de exemplares capturados, assim como tamanhos significativamente menores, indicando proporções de jovens superiores as observadas na área de estudo em períodos anteriores ao repovoamento. A espécie apresentou segregação de tamanhos em relação as profundidades e geomorfologia dos substratos, onde os exemplares maiores preferem áreas mais profundas e substratos mais consolidados. Relações peso comprimento entre selvagens e repovoados demonstraram diferenças entre o crescimento em peso e comprimento para os dois grupos, com repovoados apresentando características próximas a isometria, embora as taxas de captura possam aumentar pós-repovoamento, a maioria dos beijupirás foram capturados ainda imaturos. O estudo destaca a necessidade de estratégias de manejo antes e após o repovoamento, incorporando contribuição dos pescadores em campanhas de conscientização. Além disso, destaca-se o papel do Conhecimento Ecológico Local no gerenciamento do repovoamento e pesca.  


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  • O Beijupirá (Rachycentron canadum) é uma espécie de peixe marinho de importância global, fundamental para a pesca e a aquicultura. Embora tenha recebido considerável atenção científica nas últimas décadas, revisões anteriores careciam de uma análise quantitativa de contribuições e motivações para a pesquisa. Este estudo realiza a primeira análise global de desempenho de pesquisa sobre R. canadum por meio da cienciometria, revelando um total de 577 documentos publicados entre 1964 e 2023, provenientes de diversos países e fontes. Apesar dos esforços de pesquisa em todo o mundo, alguns países dominam a maioria dos estudos, com tópicos relacionados à piscicultura marinha sendo o foco dos artigos mais citados. Alguns países fortemente envolvidos na captura de beijupirá direcionam uma parte substancial de sua produção científica para fontes relacionadas à piscicultura. Curiosamente, países com pesca significativa de beijupirá apresentam pouca ou nenhuma pesquisa associada. O aumento nas taxas de publicação desde os anos 2000 está alinhado com o crescimento na produção da piscicultura, indicando sua proeminência como o principal impulsionador de pesquisa para R. canadum. Após a análise bibliométrica, a avaliação de um projeto de repovoamento no litoral do Rio Grande do Norte utilizando o beijupirá foi realizada.  Com a capacitação e participação dos pescadores artesanais da região foi possível diferenciar nas capturas peixes selvagens e recapturados da atividade de repovoamento. As análises investigaram o impacto do repovoamento na estrutura populacional do beijupirá e as relações com os ambientes marinhos. Foi realizada a soltura de 48.728 exemplares na costa do Rio Grande do Norte, sendo identificada a recaptura de 1.332 espécimes, representando 2,73% do total repovoado. A captura pós-repovoamento mostrou um aumento na frequência de exemplares capturados, assim como tamanhos significativamente menores, indicando proporções de jovens superiores as observadas na área de estudo em períodos anteriores ao repovoamento. A espécie apresentou segregação de tamanhos em relação as profundidades e geomorfologia dos substratos, onde os exemplares maiores preferem áreas mais profundas e substratos mais consolidados. Relações peso comprimento entre selvagens e repovoados demonstraram diferenças entre o crescimento em peso e comprimento para os dois grupos, com repovoados apresentando características próximas a isometria, embora as taxas de captura possam aumentar pós-repovoamento, a maioria dos beijupirás foram capturados ainda imaturos. O estudo destaca a necessidade de estratégias de manejo antes e após o repovoamento, incorporando contribuição dos pescadores em campanhas de conscientização. Além disso, destaca-se o papel do Conhecimento Ecológico Local no gerenciamento do repovoamento e pesca.  

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  • CAROLINE CAVALCANTI DA SILVA
  • QUALIDADE ECOTOXICOLÓGICA DO SEDIMENTO EM UM SISTEMA ESTUARINO COM ATIVIDADES INDUSTRIAIS E PORTUÁRIAS NOS ÚLTIMOS 20 ANOS

  • Orientador : LILIA PEREIRA DE SOUZA SANTOS
  • MEMBROS DA BANCA :
  • FIAMMA EUGÊNIA LEMOS ABREU
  • LILIA PEREIRA DE SOUZA SANTOS
  • RODRIGO BRASIL CHOUERI
  • Data: 23/Fev/2024

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  • Os estuários são ecossistemas costeiros vitais para a proteção contra a erosão, promoção da biodiversidade e mitigação das mudanças climáticas. Assim devido ao desenvolvimento costeiro, poluição e alterações climáticas, a preservação dessas áreas torna-se crucial. O Complexo Industrial e Portuário de Suape (CIPS) em Pernambuco é um importante centro econômico, mas também como fonte de impactos negativos para a região estuarina, como alteração da dinâmica sedimentar e liberação de poluentes. O estudo proposto teve como objetivo avaliar a evolução temporal da qualidade sedimentar no CIPS desde 2003 a 2023, com foco na toxicidade para as fêmeas e os náuplios do copépodo Tisbe biminiensis, visando oferecer uma análise abrangente das condições ambientais e possíveis impactos no ecossistema estuarino na Baía de Suape. Durante o período de 2003 a 2023, o sedimento de Suape apresentou toxicidade em várias campanhas. Ao longo dos anos o sedimento apresentou impacto baixo na mortalidade das fêmeas do copépodo, com média de 11,2% ± 13, porém causou redução significativa da fecundidade, com média de 26% ± 29 na foz do rio Massangana e 24% ± 31 na foz do rio Tatuoca. Entre 2003 a 2008 observa-se uma melhora na qualidade do sedimento com média de 14,05% ± 24, porém a partir de 2009 a toxicidade subletal volta aos valores anteriores (34,7% ± 30,1 no rio Massangana e 22,2% ± 26,3 no rio Tatuoca) e se mantém estável até 2023. Entre 2016 e 2023, efeitos letais e subletais foram observados nos náuplios do copépodo, com aumento significativo na mortalidade ao longo do tempo chegando a 49,21% ± 27,5, principalmente durante o período chuvoso apresentando valores aproximados de 50,9% ± 26. A inibição do desenvolvimento, apresentou uma leve tendência de aumento (p= 0,054), com médias chegando a 62,2% ± 31,5. Em relação as amostras coletadas na calha dos rios ou nas margens, nota-se que as amostras da calha se encontram com tendências a piora, com médias de mortalidade aproximadas a 46,6% ± 27,2 e inibição do desenvolvimento chegando a 62,9% ± 29,3. Quanto a análise de metais nos sedimentos observou-se que, em geral, os níveis permaneceram dentro dos limites aceitáveis. Embora alguns metais tenham variado ao longo dos anos, em 2023 apresentaram valores mais baixos, com exceção de Cu e Zn, que aumentaram, mas ainda assim permaneceram dentro dos padrões de referência. Tais resultados em comparação à literatura indicam que outros contaminantes além dos metais devem estar envolvidos na toxicidade do sedimento e que precisam ser avaliados e controlados. Por isso sugere-se a necessidade melhorar o monitoramento da área, sobretudo da matriz sedimentar que é insuficientemente controlada pela legislação ambiental brasileira atual. E paralelamente aprimorar as medidas preventivas para preservação e cuidado de ambientes estuarinos.


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  • Os estuários são ecossistemas costeiros vitais para a proteção contra a erosão, promoção da biodiversidade e mitigação das mudanças climáticas. Assim devido ao desenvolvimento costeiro, poluição e alterações climáticas, a preservação dessas áreas torna-se crucial. O Complexo Industrial e Portuário de Suape (CIPS) em Pernambuco é um importante centro econômico, mas também como fonte de impactos negativos para a região estuarina, como alteração da dinâmica sedimentar e liberação de poluentes. O estudo proposto teve como objetivo avaliar a evolução temporal da qualidade sedimentar no CIPS desde 2003 a 2023, com foco na toxicidade para as fêmeas e os náuplios do copépodo Tisbe biminiensis, visando oferecer uma análise abrangente das condições ambientais e possíveis impactos no ecossistema estuarino na Baía de Suape. Durante o período de 2003 a 2023, o sedimento de Suape apresentou toxicidade em várias campanhas. Ao longo dos anos o sedimento apresentou impacto baixo na mortalidade das fêmeas do copépodo, com média de 11,2% ± 13, porém causou redução significativa da fecundidade, com média de 26% ± 29 na foz do rio Massangana e 24% ± 31 na foz do rio Tatuoca. Entre 2003 a 2008 observa-se uma melhora na qualidade do sedimento com média de 14,05% ± 24, porém a partir de 2009 a toxicidade subletal volta aos valores anteriores (34,7% ± 30,1 no rio Massangana e 22,2% ± 26,3 no rio Tatuoca) e se mantém estável até 2023. Entre 2016 e 2023, efeitos letais e subletais foram observados nos náuplios do copépodo, com aumento significativo na mortalidade ao longo do tempo chegando a 49,21% ± 27,5, principalmente durante o período chuvoso apresentando valores aproximados de 50,9% ± 26. A inibição do desenvolvimento, apresentou uma leve tendência de aumento (p= 0,054), com médias chegando a 62,2% ± 31,5. Em relação as amostras coletadas na calha dos rios ou nas margens, nota-se que as amostras da calha se encontram com tendências a piora, com médias de mortalidade aproximadas a 46,6% ± 27,2 e inibição do desenvolvimento chegando a 62,9% ± 29,3. Quanto a análise de metais nos sedimentos observou-se que, em geral, os níveis permaneceram dentro dos limites aceitáveis. Embora alguns metais tenham variado ao longo dos anos, em 2023 apresentaram valores mais baixos, com exceção de Cu e Zn, que aumentaram, mas ainda assim permaneceram dentro dos padrões de referência. Tais resultados em comparação à literatura indicam que outros contaminantes além dos metais devem estar envolvidos na toxicidade do sedimento e que precisam ser avaliados e controlados. Por isso sugere-se a necessidade melhorar o monitoramento da área, sobretudo da matriz sedimentar que é insuficientemente controlada pela legislação ambiental brasileira atual. E paralelamente aprimorar as medidas preventivas para preservação e cuidado de ambientes estuarinos.

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  • THALES JEAN VIDAL
  • Variação espacial da mortalidade e recuperação de Millepora alcicornis após evento de branqueamento no complexo recifal costeiro de Tamandaré, Atlântico Sul Oriental

  • Orientador : MARIUS NILS MULLER
  • MEMBROS DA BANCA :
  • BEATRICE PADOVANI FERREIRA
  • RODRIGO LEAO DE MOURA
  • ZELINDA MARGARIDA DE ANDRADE NERY LEAO
  • Data: 26/Fev/2024

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  • Os recifes de corais estão sofrendo globalmente com o aumento da frequência e intensificação dos grandes eventos de anomalias térmicas nos oceanos. Neste contexto, até recifes que antes eram considerados mais resistentes a tais oscilações térmicas, apresentaram elevadas taxas de mortalidade no último grande evento de branqueamento em massa (2019/2020). Dessa forma, a compreensão e gestão das características ambientais locais vem se tornando uma das principais alternativas para aumentar a resiliência e promover a recuperação desses ecossistemas.  Condições de qualidade da água, taxa de sedimentação, características geomorfológicas (e.g. profundidade, distância da costa), competição com outros organismos e regime de proteção nas quais os organismos estão inseridos, podem ser determinantes nos impactos pós branqueamento,  influenciando nas taxas de mortalidade ou recuperação dos corais. Sendo assim importante a compreensão integrada das mesmas, em conjunto com a quantificação dos impactos gerados pelo branqueamento. Buscando colaborar com o esforço científico voltado para tal problemática, no presente estudo, apresentamos uma visão ampla sobre os padrões de mortalidade e recuperação do hidrocoral Millepora alcicornis, pós evento de branqueamento em massa de 2019/2020, associados a variáveis espaciais e ambientais em um complexo recifal costeiro localizado na costa nordeste do Brasil. Os percentuais de mortalidade foram apresentados e correlacionados com variáveis espaciais (profundidade, distância da costa e zona), morfológica  (tamanho das colônias) e de regime de proteção (área fechada x área aberta). Além disso, descrevemos por quais organismos os esqueletos mortos estão sendo colonizados e como a perda da cobertura viva de Millepora alcicornis interage com as populações de peixes e ouriços. Unido a isso, tendo conhecimento sobre os padrões de mortalidade, apresentamos uma caracterização da qualidade da água e taxa de sedimentação, ao longo de um gradiente de distanciamento das principais fontes fluviais da região, discutindo de que forma as mesmas interferem nos processos de resistência e recuperação das populações de corais em situações de estresse térmico. Foi possível identificar que, colônias localizadas no topo dos recifes, em menores profundidades, mais próximas da costa e fora de áreas de proteção permanente, sofreram mais com o evento de branqueamento de 2019/2020, apresentando taxas de mortalidade que chegaram a mais de 90% em alguns recifes. Os nutrientes dissolvidos e clorofila-a, apresentaram baixa variação espacial e alta variação sazonal no complexo recifal, sendo relatada água com características oligotróficas durante todo o período de amostragem. A razão N:P mostrou potencial de moldar as espécies de algas colonizadoras dos esqueletos mortos, podendo impulsionar a colonização de organismos não formadores de recife e dificultar a recuperação dos corais e hidrocorais. Em relação às taxas de sedimentação, foram encontrados valores elevados, porém, não foi identificada variação significativa de tal variável, em um intervalo de 17 anos, na área de proteção integral do complexo recifal (baseado no estudo de Cavalcante de Macedo, 2009). Foi observada alta sazonalidade dos padrões de sedimentação, fortemente associados à ressuspensão de partículas pelas ondas e aporte de novo material terrígeno com o aumento das chuvas e descargas fluviais. O sedimento coletado pelas armadilhas apresentou altos teores de CaCO3 e maior presença de grãos com característica lamosa (<63 mm). Segundo análises de LABs no sedimento, também foi possível identificar aporte de efluentes domésticos durante todo o ano para o complexo recifal, sendo este mais expressivo nos recifes mais atingidos pela pluma dos rios. A partir dos resultados encontrados, destacamos a vulnerabilidade ao estresse térmico de corais e hidrocorais inserido em um complexo recifal costeiro com elevada turbidez, sendo também levado em consideração que os mesmos são atingidos por impactos crônicos locais que diminuem sua capacidade de recuperação natural e eficiente após elevadas taxas de mortalidade. Se tornando assim necessário o investimento e implementação de técnicas de manejo ativo e passivo, em conjunto com o monitoramento e mitigação de fonte de impactos crônicos pela gestão local, para o maior fortalecimento destes ecossistemas e mantimento de seus importantes serviços ecossistêmicos para a região.


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  • Os recifes de corais estão sofrendo globalmente com o aumento da frequência e intensificação dos grandes eventos de anomalias térmicas nos oceanos. Neste contexto, até recifes que antes eram considerados mais resistentes a tais oscilações térmicas, apresentaram elevadas taxas de mortalidade no último grande evento de branqueamento em massa (2019/2020). Dessa forma, a compreensão e gestão das características ambientais locais vem se tornando uma das principais alternativas para aumentar a resiliência e promover a recuperação desses ecossistemas.  Condições de qualidade da água, taxa de sedimentação, características geomorfológicas (e.g. profundidade, distância da costa), competição com outros organismos e regime de proteção nas quais os organismos estão inseridos, podem ser determinantes nos impactos pós branqueamento,  influenciando nas taxas de mortalidade ou recuperação dos corais. Sendo assim importante a compreensão integrada das mesmas, em conjunto com a quantificação dos impactos gerados pelo branqueamento. Buscando colaborar com o esforço científico voltado para tal problemática, no presente estudo, apresentamos uma visão ampla sobre os padrões de mortalidade e recuperação do hidrocoral Millepora alcicornis, pós evento de branqueamento em massa de 2019/2020, associados a variáveis espaciais e ambientais em um complexo recifal costeiro localizado na costa nordeste do Brasil. Os percentuais de mortalidade foram apresentados e correlacionados com variáveis espaciais (profundidade, distância da costa e zona), morfológica  (tamanho das colônias) e de regime de proteção (área fechada x área aberta). Além disso, descrevemos por quais organismos os esqueletos mortos estão sendo colonizados e como a perda da cobertura viva de Millepora alcicornis interage com as populações de peixes e ouriços. Unido a isso, tendo conhecimento sobre os padrões de mortalidade, apresentamos uma caracterização da qualidade da água e taxa de sedimentação, ao longo de um gradiente de distanciamento das principais fontes fluviais da região, discutindo de que forma as mesmas interferem nos processos de resistência e recuperação das populações de corais em situações de estresse térmico. Foi possível identificar que, colônias localizadas no topo dos recifes, em menores profundidades, mais próximas da costa e fora de áreas de proteção permanente, sofreram mais com o evento de branqueamento de 2019/2020, apresentando taxas de mortalidade que chegaram a mais de 90% em alguns recifes. Os nutrientes dissolvidos e clorofila-a, apresentaram baixa variação espacial e alta variação sazonal no complexo recifal, sendo relatada água com características oligotróficas durante todo o período de amostragem. A razão N:P mostrou potencial de moldar as espécies de algas colonizadoras dos esqueletos mortos, podendo impulsionar a colonização de organismos não formadores de recife e dificultar a recuperação dos corais e hidrocorais. Em relação às taxas de sedimentação, foram encontrados valores elevados, porém, não foi identificada variação significativa de tal variável, em um intervalo de 17 anos, na área de proteção integral do complexo recifal (baseado no estudo de Cavalcante de Macedo, 2009). Foi observada alta sazonalidade dos padrões de sedimentação, fortemente associados à ressuspensão de partículas pelas ondas e aporte de novo material terrígeno com o aumento das chuvas e descargas fluviais. O sedimento coletado pelas armadilhas apresentou altos teores de CaCO3 e maior presença de grãos com característica lamosa (<63 mm). Segundo análises de LABs no sedimento, também foi possível identificar aporte de efluentes domésticos durante todo o ano para o complexo recifal, sendo este mais expressivo nos recifes mais atingidos pela pluma dos rios. A partir dos resultados encontrados, destacamos a vulnerabilidade ao estresse térmico de corais e hidrocorais inserido em um complexo recifal costeiro com elevada turbidez, sendo também levado em consideração que os mesmos são atingidos por impactos crônicos locais que diminuem sua capacidade de recuperação natural e eficiente após elevadas taxas de mortalidade. Se tornando assim necessário o investimento e implementação de técnicas de manejo ativo e passivo, em conjunto com o monitoramento e mitigação de fonte de impactos crônicos pela gestão local, para o maior fortalecimento destes ecossistemas e mantimento de seus importantes serviços ecossistêmicos para a região.

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  • JÚLIO CESAR CÂNDIDO DA SILVA
  • AVALIAÇÃO DO ESTADO TRÓFICO NO ESTUÁRIO DO RIO SANTO ANTÔNIO GRANDE E NOS RECIFES DE CORAIS ADJACENTES, ALAGOAS - APA COSTA DOS CORAIS

  • Orientador : MANUEL DE JESUS FLORES MONTES
  • MEMBROS DA BANCA :
  • MANUEL DE JESUS FLORES MONTES
  • BRUNO VARELA MOTTA DA COSTA
  • FERNANDO ANTONIO DO NASCIMENTO FEITOSA
  • Data: 29/Fev/2024
    Ata de defesa assinada:

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  • O Sistema Estuarino do Rio Santo Antônio Grande (SERSAG), localizado no litoral norte de Alagoas (NE-Brasil), está inserido na área de proteção ambiental Costa dos Corais - APACC, que é a maior unidade de conservação marinha costeira do Brasil. Ao longo do percurso do SERSAG, o sistema recebe difusas fontes de matéria orgânica (MO) e nutrientes de origem antrópica, que  são carreadas para a região costeira, onde estão localizados os recifes adjacentes. Apesar da importância ambiental e socioeconômica existem poucos estudos da oceanografia abiótica para a localidade. Desta forma, o objetivo deste trabalho é determinar o estado trófico e a qualidade da água no sistema estuarino do Rio Santo Antônio Grande e nos seus recifes adjacentes. Coletas sazonais de águas superficiais e pontuais de sedimento superficial, material orgânico de origem vegetal e algal, em sete pontos ao longo do sistema estuarino e na região recifal, foram realizadas entre junho de 2022 e abril de 2023. O estado trófico dos sistemas analisados foi determinado utilizando o índice trófico e de qualidade da água TRIX. Além disso, foram conduzidas análises elementares e isotópicas para identificar as fontes de MO. Paralelamente, avaliamos parâmetros físicos e químicos da água para caracterizar o SERSAG e investigar os impactos das atividades humanas sobre o sistema. Os resultados revelaram níveis tróficos significativamente altos, indicativos de eutrofização (5,29) e hipereutrofização (6,14), cujos efeitos se estendem para a região costeira, resultando em águas mesotróficas na área, com valores médios de 4,72 para o TRIX. Observou-se uma diversidade de fontes de MO, onde as δ13C estiveram entre -19,15‰ a -26,94‰, o fitoplâncton e o material orgânico de origem terrígena, proveniente das plantas de mangue, são os principais contribuintes para o estuário. Já no material sedimentar da região recifal, registrou uma razão C/N de 8,89, mostrando uma predominância das macroalgas. Somado a MO de origem natural, contribuições antrópicas potencializam processos de eutrofização. Como consequência dos altos níveis tróficos, identificou-se uma redução nos teores de oxigênio dissolvido e na saturação do OD, especialmente na região estuarina, com mínimos de 0,97 ml L-1 e 12,35%, respectivamente, e um valor mínimo de 7,848 na escala total de pH na região costeira, o que intensifica o processo de acidificação costeira local. Concluímos que, o sistema tem recebido influência antrópica, principalmente durante o período chuvoso na região estuarina e mantendo o estado trófico na região recifal em mesotrófico. Além disso, ocorre um processo de acidificação costeira, em resposta ao que chamamos de “o outro problema do dióxido de carbono”, que é a chegada de material continental à região costeira, podendo causar perda da cobertura coralínea e aumento da cobertura algal. Destacando assim, a necessidade de medidas mitigatórias dos impactos ambientais nas regiões estuarinas e costeiras adjacentes. 


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  • O Sistema Estuarino do Rio Santo Antônio Grande (SERSAG), localizado no litoral norte de Alagoas (NE-Brasil), está inserido na área de proteção ambiental Costa dos Corais - APACC, que é a maior unidade de conservação marinha costeira do Brasil. Ao longo do percurso do SERSAG, o sistema recebe difusas fontes de matéria orgânica (MO) e nutrientes de origem antrópica, que  são carreadas para a região costeira, onde estão localizados os recifes adjacentes. Apesar da importância ambiental e socioeconômica existem poucos estudos da oceanografia abiótica para a localidade. Desta forma, o objetivo deste trabalho é determinar o estado trófico e a qualidade da água no sistema estuarino do Rio Santo Antônio Grande e nos seus recifes adjacentes. Coletas sazonais de águas superficiais e pontuais de sedimento superficial, material orgânico de origem vegetal e algal, em sete pontos ao longo do sistema estuarino e na região recifal, foram realizadas entre junho de 2022 e abril de 2023. O estado trófico dos sistemas analisados foi determinado utilizando o índice trófico e de qualidade da água TRIX. Além disso, foram conduzidas análises elementares e isotópicas para identificar as fontes de MO. Paralelamente, avaliamos parâmetros físicos e químicos da água para caracterizar o SERSAG e investigar os impactos das atividades humanas sobre o sistema. Os resultados revelaram níveis tróficos significativamente altos, indicativos de eutrofização (5,29) e hipereutrofização (6,14), cujos efeitos se estendem para a região costeira, resultando em águas mesotróficas na área, com valores médios de 4,72 para o TRIX. Observou-se uma diversidade de fontes de MO, onde as δ13C estiveram entre -19,15‰ a -26,94‰, o fitoplâncton e o material orgânico de origem terrígena, proveniente das plantas de mangue, são os principais contribuintes para o estuário. Já no material sedimentar da região recifal, registrou uma razão C/N de 8,89, mostrando uma predominância das macroalgas. Somado a MO de origem natural, contribuições antrópicas potencializam processos de eutrofização. Como consequência dos altos níveis tróficos, identificou-se uma redução nos teores de oxigênio dissolvido e na saturação do OD, especialmente na região estuarina, com mínimos de 0,97 ml L-1 e 12,35%, respectivamente, e um valor mínimo de 7,848 na escala total de pH na região costeira, o que intensifica o processo de acidificação costeira local. Concluímos que, o sistema tem recebido influência antrópica, principalmente durante o período chuvoso na região estuarina e mantendo o estado trófico na região recifal em mesotrófico. Além disso, ocorre um processo de acidificação costeira, em resposta ao que chamamos de “o outro problema do dióxido de carbono”, que é a chegada de material continental à região costeira, podendo causar perda da cobertura coralínea e aumento da cobertura algal. Destacando assim, a necessidade de medidas mitigatórias dos impactos ambientais nas regiões estuarinas e costeiras adjacentes. 

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  • SANTIAGO GONZALEZ BRAVO
  • PADRÃO DE DISTRIBUIÇÃO DO ÓLEO VIA MODELAGEM NUMÉRICA NOS ECOSSISTEMAS PRAIA-ESTUÁRIO-RECIFE: LITORAL SUL DE PERNAMBUCO/PE

     
  • Orientador : MIRELLA BORBA SANTOS FERREIRA COSTA
  • MEMBROS DA BANCA :
  • MIRELLA BORBA SANTOS FERREIRA COSTA
  • ROBERTO LIMA BARCELLOS
  • EDUARDO SIEGLE
  • Data: 27/Mar/2024
    Ata de defesa assinada:

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  • O desastre ambiental ocorrido no litoral brasileiro entre agosto de 2019 e março de 2020, devido a um derramamento de óleo, foi o maior em extensão que o país já enfrentou. Este não foi o único aspecto singular do desastre, passados 4 anos não se sabem as características iniciais do vazamento, como tampouco os responsáveis. Diante disso, utilizando modelagem numérica, este trabalho investigou o padrão de dispersão do óleo, com especial atenção ao Complexo Industrial Portuário de Suape e seu entorno, em Pernambuco. Foram avaliadas as condições meteo-oceanográficas e sua influência na dinâmica do derramamento, aplicando simulações para prever as trajetórias de dispersão do óleo e seu impacto nos ecossistemas costeiros. Assim, foram considerados dois cenários que abrangessem o período com registros de óleo em 2019 feitos pelo IBAMA na área de estudo. Os cenários foram caracterizados por diferentes regimes de maré (quadratura e sizígia) e condições meteo-oceanográficas. Os resultados evidenciaram a variabilidade na dispersão do óleo nos diferentes cenários modelados e destacaram a importância das forçantes físicas, principalmente o vento, nesta variabilidade. Os ecossistemas costeiros mais impactados em área foram os recifes e os ambientes estuarinos, enquanto as praias e os recifes foram os mais afetados em termos de massa total de óleo sedimentado. Embora os modelos apresentem limitações e incertezas, a pesquisa sublinha sua importância crítica para o desenvolvimento de estratégias de resposta e preparação para desastres ambientais futuros, enfatizando a necessidade de planos de contingência robustos e a relevância da modelagem hidrodinâmica na gestão de crises ambientais.

     

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  • RHAYSSA DANNYELA DA SILVA CAVALCANTI
  • ECOLOGIA DA CONTAMINAÇÃO POR MERCÚRIO TOTAL (HgT) EM BAGRES MARINHOS EM FUNÇÃO DO DESENVOLVIMENTO ONTOGENÉTICO E DA FLUTUAÇÃO SAZONAL DAS VARIÁVEIS AMBIENTAIS EM UM ESTUÁRIO TROPICAL

  • Orientador : MARIO BARLETTA
  • MEMBROS DA BANCA :
  • MARIO BARLETTA
  • DAVID VALENCA DANTAS
  • MARIA INES BRUNO TAVARES
  • Data: 28/Mar/2024

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  • Estudos em estuários tropicais demonstraram que Cathorops spixii e C. agassizii contribuem com mais de 50% da densidade total e 70% da biomassa total do ecossistema estuarino, respectivamente. Estas espécies desempenham um papel importante na cadeia alimentar como recurso alimentar para espécies predadoras de topo, como o peixe fraco Acoupa (Cynoscion acoupa). A distribuição das diferentes fases ontogenéticas de C. spixii e C. agassizii nos ecossistemas estuarinos é influenciada pelas flutuações sazonais da ecoclina salina. Neste estuário, cada fase ontogenética destes bagres marinhos responde de forma diferente à flutuação sazonal destas variáveis ambientais. Sugere que pela exposição às flutuações sazonais do gradiente de salinidade, as fases ontogenéticas destas espécies podem refletir as condições ambientais da porção do estuário que utilizam naquele momento. Estudo sobre contaminação por T-Hg em adultos de C. spixii no estuário do Rio Goiana indicou que durante o período seco houve maior concentração do metal (600-1400 µgT-Hg. kg-1) na porção inferior do estuário. O coeficiente de determinação da regressão linear entre a concentração de T-Hg no músculo dos espécimes vs. peso total sugere que outras variáveis poderiam ajudar a explicar a contaminação por T-HG nesta espécie. Com base nessas informações, a hipótese testada neste estudo foi que a flutuação sazonal do gradiente de salinidade e precipitação no estuário tropical poderia influenciar a concentração de T-Hg em indivíduos da espécie bagre marinho ao longo do seu desenvolvimento. No alto estuário, os menores valores de contaminação por Hg-T foram encontrados para ambas as espécies. Nesta porção do estuário, a maior concentração de T-Hg foi encontrada em indivíduos subadultos e adultos de C. spixii. Ambas as espécies seguiram o mesmo comportamento, onde os indivíduos desta última fase ontogenética foram mais contaminados por mercúrio do que as demais fases. No médio estuário ocorre uma interação em que indivíduos subadultos de C. spixii apresentam maior Hg-T que adultos e juvenis. Os subadultos de C. agassizii; apresentou a menor contaminação por T-Hg em relação aos juvenis e adultos. Nesta parte do estuário ocorreu a maior concentração de mercúrio nos adultos de C. agassizii (240 μg T-Hg.kg). A abundância de C. spixii e C. agassizii indica a importância destas espécies na costa brasileira. Assim, poderão ser úteis em todas as fases ontogenéticas, como bioindicadores de contaminação por T-Hg, em função do espaço-tempo em ecossistemas estuarinos, fornecendo informações sobre os níveis de contaminação por T-Hg destes estuários.


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  • Estudos em estuários tropicais demonstraram que Cathorops spixii e C. agassizii contribuem com mais de 50% da densidade total e 70% da biomassa total do ecossistema estuarino, respectivamente. Estas espécies desempenham um papel importante na cadeia alimentar como recurso alimentar para espécies predadoras de topo, como o peixe fraco Acoupa (Cynoscion acoupa). A distribuição das diferentes fases ontogenéticas de C. spixii e C. agassizii nos ecossistemas estuarinos é influenciada pelas flutuações sazonais da ecoclina salina. Neste estuário, cada fase ontogenética destes bagres marinhos responde de forma diferente à flutuação sazonal destas variáveis ambientais. Sugere que pela exposição às flutuações sazonais do gradiente de salinidade, as fases ontogenéticas destas espécies podem refletir as condições ambientais da porção do estuário que utilizam naquele momento. Estudo sobre contaminação por T-Hg em adultos de C. spixii no estuário do Rio Goiana indicou que durante o período seco houve maior concentração do metal (600-1400 µgT-Hg. kg-1) na porção inferior do estuário. O coeficiente de determinação da regressão linear entre a concentração de T-Hg no músculo dos espécimes vs. peso total sugere que outras variáveis poderiam ajudar a explicar a contaminação por T-HG nesta espécie. Com base nessas informações, a hipótese testada neste estudo foi que a flutuação sazonal do gradiente de salinidade e precipitação no estuário tropical poderia influenciar a concentração de T-Hg em indivíduos da espécie bagre marinho ao longo do seu desenvolvimento. No alto estuário, os menores valores de contaminação por Hg-T foram encontrados para ambas as espécies. Nesta porção do estuário, a maior concentração de T-Hg foi encontrada em indivíduos subadultos e adultos de C. spixii. Ambas as espécies seguiram o mesmo comportamento, onde os indivíduos desta última fase ontogenética foram mais contaminados por mercúrio do que as demais fases. No médio estuário ocorre uma interação em que indivíduos subadultos de C. spixii apresentam maior Hg-T que adultos e juvenis. Os subadultos de C. agassizii; apresentou a menor contaminação por T-Hg em relação aos juvenis e adultos. Nesta parte do estuário ocorreu a maior concentração de mercúrio nos adultos de C. agassizii (240 μg T-Hg.kg). A abundância de C. spixii e C. agassizii indica a importância destas espécies na costa brasileira. Assim, poderão ser úteis em todas as fases ontogenéticas, como bioindicadores de contaminação por T-Hg, em função do espaço-tempo em ecossistemas estuarinos, fornecendo informações sobre os níveis de contaminação por T-Hg destes estuários.

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  • ÁGATHA NAIARA NINOW
  • COMUNIDADE DE MACROALGAS MARINHAS DE RECIFES TROPICAIS RASOS: DISTRIBUIÇÃO E OCORRÊNCIA EM RELAÇÃO A FORÇANTES AMBIENTAIS E HUMANAS

  • Orientador : BEATRICE PADOVANI FERREIRA
  • MEMBROS DA BANCA :
  • BEATRICE PADOVANI FERREIRA
  • JOAO LUCAS LEAO FEITOSA
  • MUTUE TOYOTA FUJII
  • Data: 28/Mar/2024

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  • Os recifes de corais vêm sofrendo com pressões globais e locais, levando ao declínio na cobertura de corais e aumento de macroalgas. Tais mudanças podem alterar significativamente a saúde e funcionamento destes ecossistemas. A herbivoria tem amplo papel estruturador no crescimento e desenvolvimento desses organismos, tendo as áreas marinhas protegidas como fundamental ferramenta para sua manutenção. Os recifes do complexo recifal de Tamandaré, atualmente, são dominados por macroalgas e situam-se em três Unidades de Conservação: APA Costa dos Corais (APACC), APA Guadalupe e Parque Natural Municipal do Forte de Tamandaré (PNMFT), que coincide com a Zona de Preservação (ZPRE), uma área de acesso fechado. O objetivo do trabalho foi investigar a distribuição, frequência relativa e ocorrência dos grupos morfofuncionais bentônicos, com ênfase na diversidade de macroalgas, a partir do método de foto quadrado, raspagem e análise de material biológico em laboratório. As zonas recifais foram consideradas quanto ao regime de proteção (área aberta x área fechada) e a possíveis regimes dinâmicos de circulação e energia (back reef x canal). Além disso, foram realizados censos visuais de peixes herbívoros itinerantes, a fim de analisar a relação da sua abundância com a estruturação da comunidade de macroalgas, sobre o efeito da área fechada (ZPRE). O turf calcário foi o grupo mais abundante em todos os recifes estudados (>60%), não sendo afetado pelo regime de proteção. Entretanto, na zona de back reef foi registrada uma queda significativa de quase 20% na sua frequência, dando espaço para Halimeda spp. se desenvolver. As análises apresentam claramente uma diferença significativa na estruturação da comunidade de macroalgas, tendo o turf calcário relacionado às zonas de canais e Halimeda spp. aos back reefs. Ao mesmo tempo, as algas mais palatáveis (folhosas corticadas e turf de algas corticadas) foram significativamente mais abundantes na área aberta, onde a pesca é permitida. O turf calcário revelou ser composto principalmente pelos táxons de Jania spp./ Amphiroa spp., e diferentes grupos morfofuncionais de algas envolto a essa matriz de algas calcárias. A análise das espécies associadas mostrou que as algas corticadas apareceram em todas as amostras de material biológico, sendo a principal espécie associada ao turf calcário. Enquanto, as algas filamentosas foram influenciadas pelo regime de proteção, sendo mais abundante na zona de canal da área aberta, indicando efeitos causados pela baixa herbivoria. A biomassa média de indivíduos adultos por 100 m², de peixes da família Acanturidae e Scaridae, foi significativamente maior na área fechada, onde estas espécies formam grandes cardumes mistos. Essas agregações são frequentemente observadas alimentando-se sobre os recifes. Nossos resultados indicam que o efeito da herbivoria influencia a composição e distribuição das espécies de algas calcárias, corticadas, folhosas corticadas  e filamentosas. Somado à constante perda na cobertura de corais e ao aumento na frequência e força dos eventos climáticos extremos, ocasionados pelas mudanças climáticas, as funções ecológicas nos recifes seguem fortemente ameaçadas. O aumento da dominância por macroalgas é resultado de efeitos sinérgicos entre a diminuição da herbivoria, causada pela sobrepesca, e a frequência dos fatores que favorecem a competição para as macroalgas nos recifes, como o aumento de nutrientes, sedimentação e ondas de calor. Sendo assim, faz-se necessário a compreensão mais detalhada das espécies e grupos funcionais de macroalgas que estruturam as comunidades recifais atualmente, tal como seu papel na evolução e serviços ecológicos prestados aos ambientes. As previsões futuras mostram cenários preocupantes sobre o funcionamento dos recifes de corais, identificar as funções e relações ecológicas em curso, principalmente sobre a estruturação dos grupos formadores de turfs, pode auxiliar nas futuras tomadas de decisões e estratégias para conservação dos recifes de corais.


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  • Os recifes de corais vêm sofrendo com pressões globais e locais, levando ao declínio na cobertura de corais e aumento de macroalgas. Tais mudanças podem alterar significativamente a saúde e funcionamento destes ecossistemas. A herbivoria tem amplo papel estruturador no crescimento e desenvolvimento desses organismos, tendo as áreas marinhas protegidas como fundamental ferramenta para sua manutenção. Os recifes do complexo recifal de Tamandaré, atualmente, são dominados por macroalgas e situam-se em três Unidades de Conservação: APA Costa dos Corais (APACC), APA Guadalupe e Parque Natural Municipal do Forte de Tamandaré (PNMFT), que coincide com a Zona de Preservação (ZPRE), uma área de acesso fechado. O objetivo do trabalho foi investigar a distribuição, frequência relativa e ocorrência dos grupos morfofuncionais bentônicos, com ênfase na diversidade de macroalgas, a partir do método de foto quadrado, raspagem e análise de material biológico em laboratório. As zonas recifais foram consideradas quanto ao regime de proteção (área aberta x área fechada) e a possíveis regimes dinâmicos de circulação e energia (back reef x canal). Além disso, foram realizados censos visuais de peixes herbívoros itinerantes, a fim de analisar a relação da sua abundância com a estruturação da comunidade de macroalgas, sobre o efeito da área fechada (ZPRE). O turf calcário foi o grupo mais abundante em todos os recifes estudados (>60%), não sendo afetado pelo regime de proteção. Entretanto, na zona de back reef foi registrada uma queda significativa de quase 20% na sua frequência, dando espaço para Halimeda spp. se desenvolver. As análises apresentam claramente uma diferença significativa na estruturação da comunidade de macroalgas, tendo o turf calcário relacionado às zonas de canais e Halimeda spp. aos back reefs. Ao mesmo tempo, as algas mais palatáveis (folhosas corticadas e turf de algas corticadas) foram significativamente mais abundantes na área aberta, onde a pesca é permitida. O turf calcário revelou ser composto principalmente pelos táxons de Jania spp./ Amphiroa spp., e diferentes grupos morfofuncionais de algas envolto a essa matriz de algas calcárias. A análise das espécies associadas mostrou que as algas corticadas apareceram em todas as amostras de material biológico, sendo a principal espécie associada ao turf calcário. Enquanto, as algas filamentosas foram influenciadas pelo regime de proteção, sendo mais abundante na zona de canal da área aberta, indicando efeitos causados pela baixa herbivoria. A biomassa média de indivíduos adultos por 100 m², de peixes da família Acanturidae e Scaridae, foi significativamente maior na área fechada, onde estas espécies formam grandes cardumes mistos. Essas agregações são frequentemente observadas alimentando-se sobre os recifes. Nossos resultados indicam que o efeito da herbivoria influencia a composição e distribuição das espécies de algas calcárias, corticadas, folhosas corticadas  e filamentosas. Somado à constante perda na cobertura de corais e ao aumento na frequência e força dos eventos climáticos extremos, ocasionados pelas mudanças climáticas, as funções ecológicas nos recifes seguem fortemente ameaçadas. O aumento da dominância por macroalgas é resultado de efeitos sinérgicos entre a diminuição da herbivoria, causada pela sobrepesca, e a frequência dos fatores que favorecem a competição para as macroalgas nos recifes, como o aumento de nutrientes, sedimentação e ondas de calor. Sendo assim, faz-se necessário a compreensão mais detalhada das espécies e grupos funcionais de macroalgas que estruturam as comunidades recifais atualmente, tal como seu papel na evolução e serviços ecológicos prestados aos ambientes. As previsões futuras mostram cenários preocupantes sobre o funcionamento dos recifes de corais, identificar as funções e relações ecológicas em curso, principalmente sobre a estruturação dos grupos formadores de turfs, pode auxiliar nas futuras tomadas de decisões e estratégias para conservação dos recifes de corais.

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  • MATTHEUS NORÕES PEREIRA DE ALMEIDA
  • INTERAÇÃO MACROFAUNA X MACROALGAS EM RECIFES COSTEIROS COMO INDICADOR DE URBANIZAÇÃO NA COSTA PERNAMBUCANA

  • Orientador : JOSE SOUTO ROSA FILHO
  • MEMBROS DA BANCA :
  • JOSE SOUTO ROSA FILHO
  • GIULIANO BUZÁ JACOBUCCI
  • MÔNICA LÚCIA BOTTER CARVALHO
  • Data: 17/Abr/2024
    Ata de defesa assinada:

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  • Ecossistemas recifais possuem alta complexidade e produtividade, além de uma alta diversidade , servindo como áreas de alimentação, substrato para o estabelecimento de organismos sésseis, desenvolvimento, reprodução e berçário para diversas espécies marinhas, bem como prestam diversos serviços ecossistêmicos. Apesar da sua elevada importância social e económica, os recifes têm sofrido diversos impactos antropogénicos, devido à intensa e desordenada ocupação urbana. Portanto, este estudo teve como objetivo caracterizar as comunidades macrobênticas associadas às macroalgas em praias do litoral de Pernambuco com diferentes graus de urbanização e utilizar a relação macrofauna X macroalgas como indicador de urbanização. Para tal, foram coletadas amostras da macrofauna epifítica associadas a Gelidium spp., Gelidiella acerosa e Palisada perforata em seis praias em diferentes graus de urbanização no litoral pernambucano, bem como foram coletados os parâmetros ambientais a fim auxiliar na caracterização desses ambientes. Atributos morfológicos das macroalgas também foram medidos através da dimensão fractal. Em regiões altamente urbanizadas foram registradas maiores concentrações de nutrientes. A complexidade estrutural das macroalgas não variou significativamente entre os níveis de urbanização e períodos sazonais, tendo uma baixa explicação sobre a macrofauna. A estrutura da macrofauna variou significativamente entre os graus de urbanização e período sazonal, a abundância da macrofauna foi maior em áreas altamente urbanizadas. Diversidade e riqueza de espécies foram menores nas áreas altamente urbanizadas, o que reforça que a macrofauna pode ser utilizada como uma ferramenta para bioindicação de perturbações ambientais antrópicas, como a urbanização.


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  • Ecossistemas recifais possuem alta complexidade e produtividade, além de uma alta diversidade , servindo como áreas de alimentação, substrato para o estabelecimento de organismos sésseis, desenvolvimento, reprodução e berçário para diversas espécies marinhas, bem como prestam diversos serviços ecossistêmicos. Apesar da sua elevada importância social e económica, os recifes têm sofrido diversos impactos antropogénicos, devido à intensa e desordenada ocupação urbana. Portanto, este estudo teve como objetivo caracterizar as comunidades macrobênticas associadas às macroalgas em praias do litoral de Pernambuco com diferentes graus de urbanização e utilizar a relação macrofauna X macroalgas como indicador de urbanização. Para tal, foram coletadas amostras da macrofauna epifítica associadas a Gelidium spp., Gelidiella acerosa e Palisada perforata em seis praias em diferentes graus de urbanização no litoral pernambucano, bem como foram coletados os parâmetros ambientais a fim auxiliar na caracterização desses ambientes. Atributos morfológicos das macroalgas também foram medidos através da dimensão fractal. Em regiões altamente urbanizadas foram registradas maiores concentrações de nutrientes. A complexidade estrutural das macroalgas não variou significativamente entre os níveis de urbanização e períodos sazonais, tendo uma baixa explicação sobre a macrofauna. A estrutura da macrofauna variou significativamente entre os graus de urbanização e período sazonal, a abundância da macrofauna foi maior em áreas altamente urbanizadas. Diversidade e riqueza de espécies foram menores nas áreas altamente urbanizadas, o que reforça que a macrofauna pode ser utilizada como uma ferramenta para bioindicação de perturbações ambientais antrópicas, como a urbanização.

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  • JULIA DE ARAGAO SOARES GRIZ
  • AVALIAÇÃO DA TOXICIDADE DO LIXIVIADO DE BITUCAS DE CIGARRO SOBRE O MEXILHÃO Mytella charruana

  • Orientador : ELIETE ZANARDI LAMARDO
  • MEMBROS DA BANCA :
  • ELIETE ZANARDI LAMARDO
  • GILVAN TAKESHI YOGUI
  • RODRIGO BRASIL CHOUERI
  • Data: 18/Abr/2024
    Ata de defesa assinada:

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  • Estudos têm indicado que a bituca de cigarro (BC) é um dos detritos mais recorrentes na composição geral do lixo descartado irregularmente em zonas costeiras acarretando potenciais fontes de contaminação. Embora alguns estudos tenham sido realizados, os riscos associados a esse tipo de contaminação ainda não foram amplamente estudados e muitas lacunas no entendimento dos efeitos potenciais sobre a biota aquática precisam ser preenchidas. O presente estudo teve como objetivo avaliar os danos induzidos pela exposição a BCs sobre moluscos bivalves. Foram realizados experimentos de exposição à lixiviados de BCs, utilizando mexilhões da espécie Mytella charruana, com dois tempos de exposição (24 e 120h). Para obtenção das bitucas, os cigarros foram artificialmente fumados pelo emprego de uma bomba de vácuo de baixa pressão, com um ciclo de 8s de queima ativa e 45s de queima passiva. Cinco diferentes tratamentos foram considerados nos experimentos, que foram realizados em aquários de 20 L, contendo 16 mexilhões adultos em cada. No tratamento controle (TC), os organismos foram expostos apenas à água do mar utilizada para diluição. Os demais tratamentos foram preparados com diluições progressivas dos lixiviados nas concentrações 0,01%, 0,1%, 1% e 10%. Amostras de água dos aquários foram coletadas ao final de cada tratamento para posterior quantificação química de HPAs e elementos traço. Ao final do período de exposição, 7 organismos de cada aquário foram aletoriamente selecionados para obtenção de amostras para a avaliação da estabilidade da membrana lisossômica, através dos tempos de retenção do corante vermelho neutro (TRCVN). Ao longo de todos os tratamentos e tempos de exposição, foram analisados 160 organismos adultos. Foi medido o TRCVN pelos lisossomos através da estimativa da proporção de células exibindo “vazamento” do corante ou exibindo alguma característica anormal dos lisossomos. Em ambos os tempos de exposição, os TRCVN variaram do 0 a 120 min. Foram encontradas diferenças significativas em todos os tratamentos em relação ao controle, exceto para a diluição de 1% no T1. No T2, foi observada uma clara tendencia de diminuição dos TRCVN com o aumento da concentração do lixiviado. Nas águas dos aquários, foram analisadas as concentrações de 7 elementos traço em três momentos diferentes - T0, T1 e T2. também foi analisado o lixiviado bruto. No lixiviado, 4 elementos apresentaram concentrações abaixo de seus respectivos limites de quantificação e 4 não foram detectados. Cu, Fe, e Zn apresentaram concentrações variando de 0,045, 0,053 e 0,060 ng L-1, respectivamente. Não foram identificadas grandes variações entre as diluições, nem entre os tempos de exposição, sugerindo que as alterações observadas nos TRCVN não foram resultantes da contaminação por elementos traço. Os HPAs de baixo peso molecular foram predominantes em comparação com os compostos de alto peso molecular, provavelmente em função de suas solubilidades. O naftaleno foi o composto de maior concentração em ambas as matrizes analisadas. Além da absorção pelos organismos, outros processos físico-químico atuaram na degradação dos HPAs ao longo dos experimentos. A continuidade de estudos com bitucas de cigarro é imprescindível para a plena compreensão dos reais efeitos que a poluição por BCs podem causar no meio ambiente.


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  • Estudos têm indicado que a bituca de cigarro (BC) é um dos detritos mais recorrentes na composição geral do lixo descartado irregularmente em zonas costeiras acarretando potenciais fontes de contaminação. Embora alguns estudos tenham sido realizados, os riscos associados a esse tipo de contaminação ainda não foram amplamente estudados e muitas lacunas no entendimento dos efeitos potenciais sobre a biota aquática precisam ser preenchidas. O presente estudo teve como objetivo avaliar os danos induzidos pela exposição a BCs sobre moluscos bivalves. Foram realizados experimentos de exposição à lixiviados de BCs, utilizando mexilhões da espécie Mytella charruana, com dois tempos de exposição (24 e 120h). Para obtenção das bitucas, os cigarros foram artificialmente fumados pelo emprego de uma bomba de vácuo de baixa pressão, com um ciclo de 8s de queima ativa e 45s de queima passiva. Cinco diferentes tratamentos foram considerados nos experimentos, que foram realizados em aquários de 20 L, contendo 16 mexilhões adultos em cada. No tratamento controle (TC), os organismos foram expostos apenas à água do mar utilizada para diluição. Os demais tratamentos foram preparados com diluições progressivas dos lixiviados nas concentrações 0,01%, 0,1%, 1% e 10%. Amostras de água dos aquários foram coletadas ao final de cada tratamento para posterior quantificação química de HPAs e elementos traço. Ao final do período de exposição, 7 organismos de cada aquário foram aletoriamente selecionados para obtenção de amostras para a avaliação da estabilidade da membrana lisossômica, através dos tempos de retenção do corante vermelho neutro (TRCVN). Ao longo de todos os tratamentos e tempos de exposição, foram analisados 160 organismos adultos. Foi medido o TRCVN pelos lisossomos através da estimativa da proporção de células exibindo “vazamento” do corante ou exibindo alguma característica anormal dos lisossomos. Em ambos os tempos de exposição, os TRCVN variaram do 0 a 120 min. Foram encontradas diferenças significativas em todos os tratamentos em relação ao controle, exceto para a diluição de 1% no T1. No T2, foi observada uma clara tendencia de diminuição dos TRCVN com o aumento da concentração do lixiviado. Nas águas dos aquários, foram analisadas as concentrações de 7 elementos traço em três momentos diferentes - T0, T1 e T2. também foi analisado o lixiviado bruto. No lixiviado, 4 elementos apresentaram concentrações abaixo de seus respectivos limites de quantificação e 4 não foram detectados. Cu, Fe, e Zn apresentaram concentrações variando de 0,045, 0,053 e 0,060 ng L-1, respectivamente. Não foram identificadas grandes variações entre as diluições, nem entre os tempos de exposição, sugerindo que as alterações observadas nos TRCVN não foram resultantes da contaminação por elementos traço. Os HPAs de baixo peso molecular foram predominantes em comparação com os compostos de alto peso molecular, provavelmente em função de suas solubilidades. O naftaleno foi o composto de maior concentração em ambas as matrizes analisadas. Além da absorção pelos organismos, outros processos físico-químico atuaram na degradação dos HPAs ao longo dos experimentos. A continuidade de estudos com bitucas de cigarro é imprescindível para a plena compreensão dos reais efeitos que a poluição por BCs podem causar no meio ambiente.

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  • EMANUELLY PAULINY MODESTO DOS SANTOS
  • Taxonomia de Bopyridae (Isopoda: Epicaridea) associados a camarões-pistola (Decapoda: Caridea: Alpheidae) em regiões estuarinas e praias rochosas de Pernambuco, Brasil

  • Orientador : JESSER FIDELIS DE SOUZA FILHO
  • MEMBROS DA BANCA :
  • JESSER FIDELIS DE SOUZA FILHO
  • PAULA BEATRIZ ARAUJO
  • CRISTIANA SILVEIRA SEREJO
  • Data: 1/Jul/2024

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  • This paper presents a study of parasitic isopods of the Bobyridae family infesting shrimp of the genus Alpheus in estuarine regions and rocky beaches of Pernambuco. Manual collections were carried out between 2017 and 2023 in the mangrove plains of the Massangana River, Suape - PE, obtaining a total number of 1,715 shrimp (1,362 Alpheus estuariensis, 353 Salmoneus carvachoi), of which 13 A. estuariensis, five S. carvachoi had gill parasites. Three A. formosus and one A. carlae, both shrimps collected at Praia do Paraíso, Suape - PE, were also infested with gill parasites. The parasites were separated and labeled, and measurements of the parasites (total length) and hosts (carapace length) were taken. Photographs were taken using a LEICA stereomicroscope and the final figures were assembled using Photoshop. The drawings of the parasites were produced with the aid of a lucid camera installed in a stereomicroscope (Leica DME), then vectorized with CorelDRAW. In order to arrive at the lowest taxonomic level of the bopyrids, the most up-to-date dichotomous keys available in the literature were consulted, as well as the original descriptions of the taxa identified. Statistical analyses were appropriate according to the literature (prevalence, linear regression, ANOVA, Kruskal-Wallis). The results revealed a new record of Parabobyrella richardsonae for Brazil, infesting A. estuariensis, S. carvachoi in an estuarine environment and A. formosus on a rocky beach, where possible changes in the biological aspects of the relationship between A. estuariensis and the parasite P. richardsonae were reported. Finally, the description of a new species of the genus Ovobopyrus Markham, 1985, parasitizing A. carlae Anker, 2012, the second species of the genus in the world and the first record of the genus in Brazil. The adult female of Ovobopyrus sp. nov. is diagnosed by the head produced in small anterolateral projections; antenna 1 with three articles; subquadrate maxilliped with a non-articulated palpus with nine long simple setae; oostegite 1 with a sinuous internal crest with five small lobes; carpus of the pereopods with tufts of bristles distally; bilobed terminal pleomere. Dichotomous keys to the genera of the Bopyrinae for Brazil, identification keys to the species of Ovobopyrus and the species of Parabopyrella recorded in Brazil, have been made available.


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  • This paper presents a study of parasitic isopods of the Bobyridae family infesting shrimp of the genus Alpheus in estuarine regions and rocky beaches of Pernambuco. Manual collections were carried out between 2017 and 2023 in the mangrove plains of the Massangana River, Suape - PE, obtaining a total number of 1,715 shrimp (1,362 Alpheus estuariensis, 353 Salmoneus carvachoi), of which 13 A. estuariensis, five S. carvachoi had gill parasites. Three A. formosus and one A. carlae, both shrimps collected at Praia do Paraíso, Suape - PE, were also infested with gill parasites. The parasites were separated and labeled, and measurements of the parasites (total length) and hosts (carapace length) were taken. Photographs were taken using a LEICA stereomicroscope and the final figures were assembled using Photoshop. The drawings of the parasites were produced with the aid of a lucid camera installed in a stereomicroscope (Leica DME), then vectorized with CorelDRAW. In order to arrive at the lowest taxonomic level of the bopyrids, the most up-to-date dichotomous keys available in the literature were consulted, as well as the original descriptions of the taxa identified. Statistical analyses were appropriate according to the literature (prevalence, linear regression, ANOVA, Kruskal-Wallis). The results revealed a new record of Parabobyrella richardsonae for Brazil, infesting A. estuariensis, S. carvachoi in an estuarine environment and A. formosus on a rocky beach, where possible changes in the biological aspects of the relationship between A. estuariensis and the parasite P. richardsonae were reported. Finally, the description of a new species of the genus Ovobopyrus Markham, 1985, parasitizing A. carlae Anker, 2012, the second species of the genus in the world and the first record of the genus in Brazil. The adult female of Ovobopyrus sp. nov. is diagnosed by the head produced in small anterolateral projections; antenna 1 with three articles; subquadrate maxilliped with a non-articulated palpus with nine long simple setae; oostegite 1 with a sinuous internal crest with five small lobes; carpus of the pereopods with tufts of bristles distally; bilobed terminal pleomere. Dichotomous keys to the genera of the Bopyrinae for Brazil, identification keys to the species of Ovobopyrus and the species of Parabopyrella recorded in Brazil, have been made available.

Teses
1
  • ISABELLE MARIA VILELA DE OLIVEIRA
  • PROCESSOS DE INTERAÇÃO OCEANO-ATMOSFERA EM RESPOSTA ÀS MUDANÇAS CLIMÁTICAS NA BORDA OESTE DO ATLÂNTICO TROPICAL: IMPACTOS NO LESTE DO NORDESTE DO BRASIL

  • Orientador : DORIS REGINA AIRES VELEDA
  • MEMBROS DA BANCA :
  • DORIS REGINA AIRES VELEDA
  • MARCUS ANDRE SILVA
  • GBEKPO AUBAINS HOUNSOU-GBO
  • EDVANIA PEREIRA DOS SANTOS
  • CRISTIANO PRESTRELO DE OLIVEIRA
  • Data: 15/Mar/2024

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  • A Célula de Revolvimento Meridional do Atlântico (CRMA) é uma das principais
    unidades de transporte meridional de calor no Atlântico do hemisfério sul para o
    hemisfério norte. O braço superior da CRMA no Atlântico Sul tem um caminho leste-
    oeste caracterizado pelo ramo sul da Corrente Equatorial Sul (sCSE ), que transporta
    calor para a Piscina Quente do Atlântico Sudoeste (PQAS). O PQAS fornece Fluxo de
    Calor Latente que os ventos alísios do Sudeste carregam para o Leste do Nordeste do
    Brasil (LNEB), o que induz fortes precipitações na região costeira, deslizamentos de
    terra e inundações repentinas. Este estudo tem como objetivo investigar as mudanças
    de longo prazo da CRMA, a temperatura da superfície do mar (TSM) do Atlântico
    Tropical (AT) e a precipitação média e extrema sobre o L NEB considerando dados
    históricos e projeções futuras do CIMP6, sob o cenário 585-SSP. Espera-se que as
    alterações nos padrões superiores da TSM no AT e do PQAS sejam mais quentes de
    acordo com os resultados dos modelos do CIMP6, como resposta ao efeito do
    enfraquecimento da CRMA no transporte de calor, o que por sua vez aumenta os
    padrões extremos de precipitação no NEB . A precipitação nessa região está
    positivamente correlacionada com a TSM do sudeste do AT até a PQAS.


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  • The Atlantic Meridional Overturning Circulation (AMOC) is one of the major drivers of meridional heat transport in the Atlantic from the southern to the northern hemisphere. The AMOC upper branch in the South Atlantic has an east-to-west path characterized by the southern branch of the South Equatorial Current (sSEC), which transports heat to the Southwestern Atlantic Warm Pool (SAWP). The SAWP provides Latent Heat Flux that the southeast trade winds carry into Eastern Northeast Brazil (ENEB), which induces heavy precipitation in the coastal region of ENEB and causes landslides and flash floods. This study investigates the long-term changes of the AMOC, Tropical Atlantic (TA) sea surface temperature (SST), and mean and extreme precipitation over ENEB for historical and future projections of the CIMP6 under the 585 SSP scenario. Changes in the upper TA SST patterns and the SAWP projection are expected to be warmer according to the CIMP6 output models due to the AMOC weakening effect on heat transport, increasing extreme precipitation patterns in the ENEB. The precipitation in ENEB is positively correlated with SST from the southeastern TA to the southwestern SAWP offshore of Brazil.

2
  • ANNE KAROLLINE RIBEIRO COSTA
  • Conectividade e Ecologia do Aratu-da-pedra Plagusia depressa (Fabricius, 1775) no Oceano Atlântico Tropical.

  • Orientador : RALF SCHWAMBORN
  • MEMBROS DA BANCA :
  • ANA CARLA ASFORA EL DEIR
  • PATRICIO ALEJANDRO HERNAEZ BOVE
  • PEDRO AUGUSTO MENDES DE CASTRO MELO
  • RALF SCHWAMBORN
  • RENATA AKEMI SHIMOZAKI MENDES
  • Data: 27/Mar/2024

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  • O presente trabalho investigou padrões de variações morfométricas populacionais do aratu-da-pedra, Plagusia depressa e seu papel na estrutura trófica de ambientes marinhos costeiros e ilha oceânica no Atlântico Tropical Ocidental através de abordagens com ferramentas de analises morfométricas, isótopos estáveis de δ13C e δ15N e de conteúdo estomacal. Testamos hipóteses de plasticidade fenotípica, mudanças na composição alimentar e enriquecimento trófico em resposta a fatores ambientais, geográficos e biogeoquímicos. Os indivíduos foram coletados entre 2019 e 2022 conduzidos para as duas investigações distintas da seguinte forma: primeira, os indivíduos foram amostrados em três ambientes costeiros e uma região insular brasileira: Baia de Suape- Pernambuco (SB), Praia de Tamandaré- Pernambuco (TM), Barra Grande- Ceará (BG) e Arquipélago de Fernando de Noronha- Pernambuco (FN); para o segundo, os espécimes foram amostrados em um ambiente marinho costeiro (TM) e outro insular (FN). Foram utilizadas analises morfométricas linear e geométrica através de marcos específicos nas carapaças, abdomens e quelipodes direitos de machos e fêmeas dos aratus. Importantes diferenças significativas foram observadas na região mais ocidental (BG) da costa brasileira em relação às demais estudadas como alongamento das regiões da carapaça de machos e estreitamento abdominal, telson mais longo e quelas afinadas e alongadas das fêmeas nesta área, indicando a possível influência de uma barreira biogeográfica presente nesta área costeira, até então pouco considerada, juntamente com os padrões nas correntes oceânicas atuantes nesse ambiente. Em contraste, foi observado que fêmeas insulares (FN) apresentaram região lateral posterior da carapaça mais alargada. Por estar mais afastado do continente, FN apresenta características ambientais distintas, afetando a população através da dessecação e maior exposição solar. As quelas direitas dos machos apresentaram diferenças significativas entre as áreas estudadas, indicando um impacto significativo da captura de alimentos e da interação com outros organismos na sua plasticidade fenotípica. Os resultados da ecologia alimentar indicaram que a espécie apresenta preferência por macroalgas marinhas de acordo com o conteúdo estomacal analisado, com um total de 25 taxons de algas marinhas encontradas nos indivíduos em FN e 21 táxons em TM. Foram observados em TM valores mais elevados no fracionamento de δ13C do que no ambiente mais oceânico (FN) nos grupos estudados de algas, tecidos e conteúdos estomacais de P. depressa e Eriphia gonagra, espécie simpátrica, indicando a influência de sistemas de manguezais e estuarinos fortemente presentes nessa area costeira. Entretanto, um padrão de enriquecimento de δ15N no ambiente insular (FN) nos grupos estudados com valores de enriquecimento de 2,8‰, 2,1‰ e 1‰ de δ15N para macroalgas e tecidos de P. depressa e E. gonagra, respectivamente, evidenciando que nos sistemas biogeoquímicos, o ciclo de nitrogênio em grande escala são distintos em ambientes oceânicos e costeiros. Também foi observado enriquecimento entre consumidores (P. depressa e E. gonagra) e fontes alimentares (macroalgas), com enriquecimento de δ15N em P. depressa de 3‰ e 3,8‰ em FN e TM, respectivamente e de 2,5‰ e 4,5‰ para E. gonagra. Estes resultados, fornecem novas informações ecológicas e perspectivas para populações de Plagusia depressa, com implicações importantes para a biogeografia do Atlântico tropical e no desenvolvimento de planos de gestão baseados em ecossistemas marinhos.


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  • The present study investigated patterns of population morphometric variations of the reef tidal spray crab, Plagusia depressa and its role in the trophic structure of coastal marine environments and oceanic islands in the Western Tropical Atlantic through approaches using morphometric analysis tools, stable isotopes of δ13C and δ15N and stomach contents. We tested hypotheses regarding  phenotypic plasticity, changes in dietary composition and trophic enrichment in response to environmental, geographic and biogeochemical factors. Individuals were collected between 2019 and 2022 conducted for the two distinct investigations as follows: first, individuals were sampled in three coastal environments and a Brazilian island region: Baia de Suape- Pernambuco (SB), Praia de Tamandaré- Pernambuco (TM ), Barra Grande- Ceará (BG) and Archipelago of Fernando de Noronha- Pernambuco (FN); for the second, the specimens were sampled in a coastal marine environment (TM) and an island environment (FN). Linear and geometric morphometric analyzes were used using specific landmarks on the carapaces, abdomens and right chelipods of male and female aratus. Important significant differences were observed in the westernmost region (BG) of the Brazilian coast in relation to the others studied, such as elongation of the carapace regions of males and abdominal narrowing, longer telson and thinned and elongated chelae of females in this area, indicating the possible influence of a biogeographic barrier present in this coastal area, previously little considered, along with the patterns in ocean currents acting in this environment. In contrast, it was observed that island females (FN) had a wider posterior lateral region of the carapace. As it is further away from the continent, FN has distinct environmental characteristics, affecting the population through desiccation and greater sun exposure. The right chelae of males showed significant differences between the areas studied, indicating a significant impact of food capture and interaction with other organisms on their phenotypic plasticity. The results of feeding ecology indicated that the species has a preference for marine macroalgae according to the stomach contents analyzed, with a total of 25 taxa of marine algae found in individuals in FN and 21 taxa in TM. Higher values in δ13C fractionation were observed in TM than in the more oceanic environment (FN) in the studied groups of algae, tissues and stomach contents of P. depressa and Eriphia gonagra, a sympatric species, indicating the influence of mangrove and estuarine systems strongly present in this coastal area. However, a pattern of δ15N enrichment in the island environment (FN) in the studied groups with enrichment values of 2.8‰, 2.1‰ and 1‰ of δ15N for macroalgae and tissues of P. depressa and E. gonagra, respectively , showing that in biogeochemical systems, the large-scale nitrogen cycle is distinct in oceanic and coastal environments. Enrichment was also observed between consumers (P. depressa and E. gonagra) and food sources (macroalgae), with δ15N enrichment in P. depressa of 3‰ and 3.8‰ in FN and TM, respectively, and 2.5‰ and 4.5‰ for E. gonagra. These results provide new ecological information and perspectives for populations of Plagusia depressa, with important implications for the biogeography of the Tropical Atlantic and the development of management plans for  marine ecosystems.

3
  • THAYANE ROBERTA COSTA DE ARAÚJO
  • INTRASEASONAL AND INTERANNUAL VARIABILITY OF SALINITY AND TEMPERATURE SEA SURFACE ON WESTERN BOUNDARY OFF NORTHEAST BRAZIL

  • Orientador : ALEX COSTA DA SILVA
  • MEMBROS DA BANCA :
  • ALEX COSTA DA SILVA
  • MANUEL DE JESUS FLORES MONTES
  • CARMEN MEDEIROS LIMONGI
  • RAMILLA VIEIRA DE ASSUNÇÃO
  • YURI ONÇA PRESTES
  • Data: 28/Mar/2024

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  • Dois parâmetros físico-químicos de grande importância para a circulação oceânica e manutenção do clima foram analisados na região da borda oeste do Atlântico Tropical Sul (plataforma continental e região oceânica adjacente), na costa leste do Nordeste brasileiro (NEB), são eles: a Temperatura (SST) e Salinidade da Superfície do Mar (SSS). Para isto foram usados dados in situ, oriundos de termosalinógrafos (TSGs) instalados em navios mercantes voluntários (VOS) e em embarcações de pesquisa das campanhas ABRACOS I (set/out de 2015) e II (abr/mai de 2017), levantamento de dados obtidos por satélites (SMOS para a SSS e Global Ocean OSTIA para SST) durante um período de coletar de 10 anos (2010 a 2019). Também foram analisadas as correntes de superfície (GEKCO) em conjunto com dados de SSS. Os resultados mostraram que há uma variabilidade sazonal típica da SST na área de estudo, com os menores valores durante a primavera e os maiores valores durante o outono, com gradientes termal meridional na Plataforma Continental (PC) e gradientes termal zonal na PC ao norte de 8°S. A região offshore apresentou um perfil senoidal sazonal de SST com um tempo de defasagem de um mês comparada ao da PC. Anualmente, a SST apresentou anomalia positiva (2011-2013, 2015-2016 e 2018-2019) e negativa (2010, 2013 e 2014). Estas variações podem estar relacionadas aos eventos ENSO, Dipolo do Atlântico Tropical e de outros sistemas meteorológicos de interação oceano-atmosfera no Atlântico Tropical Sul, como a ZCIT, VCANs e intensificação de ventos alísios. A SSS não apresentou um padrão sazonal. Apenas uma maior intensidade durante o inverno (julho) na porção ao sul de 9°S (abaixo da posição do Platô de Pernambuco) e uma “pluma” de maior SSS dispersando-se por toda a região a partir do Sul, durante o verão, e recuando até 8°S no inverno (até julho), devido a presença da ZCIT (ao norte de 5°S), e das ondas de leste. Outra região, centrada no Platô de Pernambuco, também apresentou baixa SSS no início da década e passou a ter alta SSS a partir de 2016. As anomalias de SSS mostraram um aumento de 2010 a 2013, mantendo positivas em 2014 e 2015, e em 2016 a 2019 houve um decréscimo de SSS, com exceção da latitude 8°S que manteve anomalia de SSS positiva. Através das correntes superficiais, pôde-se observar a presença de possíveis vórtices (ciclônicos e anticiclônicos) na região de menor ou maior intensidade.


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  • Dois parâmetros físico-químicos de grande importância para a circulação oceânica e manutenção do clima foram analisados na região da borda oeste do Atlântico Tropical Sul (plataforma continental e região oceânica adjacente), na costa leste do Nordeste brasileiro (NEB), são eles: a Temperatura (SST) e Salinidade da Superfície do Mar (SSS). Para isto foram usados dados in situ, oriundos de termosalinógrafos (TSGs) instalados em navios mercantes voluntários (VOS) e em embarcações de pesquisa das campanhas ABRACOS I (set/out de 2015) e II (abr/mai de 2017), levantamento de dados obtidos por satélites (SMOS para a SSS e Global Ocean OSTIA para SST) durante um período de coletar de 10 anos (2010 a 2019). Também foram analisadas as correntes de superfície (GEKCO) em conjunto com dados de SSS. Os resultados mostraram que há uma variabilidade sazonal típica da SST na área de estudo, com os menores valores durante a primavera e os maiores valores durante o outono, com gradientes termal meridional na Plataforma Continental (PC) e gradientes termal zonal na PC ao norte de 8°S. A região offshore apresentou um perfil senoidal sazonal de SST com um tempo de defasagem de um mês comparada ao da PC. Anualmente, a SST apresentou anomalia positiva (2011-2013, 2015-2016 e 2018-2019) e negativa (2010, 2013 e 2014). Estas variações podem estar relacionadas aos eventos ENSO, Dipolo do Atlântico Tropical e de outros sistemas meteorológicos de interação oceano-atmosfera no Atlântico Tropical Sul, como a ZCIT, VCANs e intensificação de ventos alísios. A SSS não apresentou um padrão sazonal. Apenas uma maior intensidade durante o inverno (julho) na porção ao sul de 9°S (abaixo da posição do Platô de Pernambuco) e uma “pluma” de maior SSS dispersando-se por toda a região a partir do Sul, durante o verão, e recuando até 8°S no inverno (até julho), devido a presença da ZCIT (ao norte de 5°S), e das ondas de leste. Outra região, centrada no Platô de Pernambuco, também apresentou baixa SSS no início da década e passou a ter alta SSS a partir de 2016. As anomalias de SSS mostraram um aumento de 2010 a 2013, mantendo positivas em 2014 e 2015, e em 2016 a 2019 houve um decréscimo de SSS, com exceção da latitude 8°S que manteve anomalia de SSS positiva. Através das correntes superficiais, pôde-se observar a presença de possíveis vórtices (ciclônicos e anticiclônicos) na região de menor ou maior intensidade.

2023
Dissertações
1
  • VITOR RICARDO DE SOUZA
  • EFEITOS DA URBANIZAÇÃO SOBRE ASSEMBLEIAS DE MACROALGAS MARINHAS BENTÔNICAS EM RECIFES DO LITORAL DE PERNAMBUCO

  • Orientador : JOSE SOUTO ROSA FILHO
  • MEMBROS DA BANCA :
  • JOSE SOUTO ROSA FILHO
  • JESSER FIDELIS DE SOUZA FILHO
  • JOSÉ MARCOS DE CASTRO NUNES
  • MUTUE TOYOTA FUJII
  • Data: 16/Fev/2023

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  • Em consequência da densa ocupação humana em áreas costeiras perdas de biodiversidade, deformações na paisagem natural e problemas de saúde pública têm sido relatados em diversas regiões do planeta. A realização de estudos de monitoramento utilizando comunidades biológicas sésseis é uma alternativa para compreender alguns desses problemas. A presente dissertação busca descrever os impactos da urbanização sobre comunidades de macroalgas de recifes costeiros, considerando variações sazonais e temporais, e os efeitos da descarga pontual de esgotos domésticos. Amostragens não destrutivas foram realizadas em recifes de nove praias da costa de Pernambuco durante as estações seca e chuvosa de 2014, 2021 e 2022. As praias foram classificadas em Urbanização Consolidada (UC), em Processo de Urbanização (UP) e Não Urbanizadas (NU). A composição táxonômica e abundância das algas variaram entre os locais UC e UP, entre UP e NU, e entre NU e UC, indicando que o aumento da urbanização causa mudanças na estrutura das comunidades. Ainda ciclos de coletas foram realizados em regiões com diferentes níveis de proximidade de uma fonte de esgotos: (1) sob o despejo direto; (2) <100m distante do emissário e (3) área de referência sem despejo direto de esgotos. A descarga de efluentes causou impactos na abundância, riqueza e distribuição vertical de macroalgas, estimulando o crescimento expressivo das espécies oportunistas Gelidium spp., Chondracanthus acicularis e Ulva lactuca em áreas mais próximas ao emissário. Por serem sésseis e possuírem vantagens funcionais, as macroalgas foram capazes de fornecer respostas qualitativas e quantitativas frente aos impactos causados pela urbanização, reforçando, dessa forma, a importância da realização de estudos de monitoramento para identificar as consequências provocadas pela degradação dos ecossistemas.


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  • Em consequência da densa ocupação humana em áreas costeiras perdas de biodiversidade, deformações na paisagem natural e problemas de saúde pública têm sido relatados em diversas regiões do planeta. A realização de estudos de monitoramento utilizando comunidades biológicas sésseis é uma alternativa para compreender alguns desses problemas. A presente dissertação busca descrever os impactos da urbanização sobre comunidades de macroalgas de recifes costeiros, considerando variações sazonais e temporais, e os efeitos da descarga pontual de esgotos domésticos. Amostragens não destrutivas foram realizadas em recifes de nove praias da costa de Pernambuco durante as estações seca e chuvosa de 2014, 2021 e 2022. As praias foram classificadas em Urbanização Consolidada (UC), em Processo de Urbanização (UP) e Não Urbanizadas (NU). A composição táxonômica e abundância das algas variaram entre os locais UC e UP, entre UP e NU, e entre NU e UC, indicando que o aumento da urbanização causa mudanças na estrutura das comunidades. Ainda ciclos de coletas foram realizados em regiões com diferentes níveis de proximidade de uma fonte de esgotos: (1) sob o despejo direto; (2) <100m distante do emissário e (3) área de referência sem despejo direto de esgotos. A descarga de efluentes causou impactos na abundância, riqueza e distribuição vertical de macroalgas, estimulando o crescimento expressivo das espécies oportunistas Gelidium spp., Chondracanthus acicularis e Ulva lactuca em áreas mais próximas ao emissário. Por serem sésseis e possuírem vantagens funcionais, as macroalgas foram capazes de fornecer respostas qualitativas e quantitativas frente aos impactos causados pela urbanização, reforçando, dessa forma, a importância da realização de estudos de monitoramento para identificar as consequências provocadas pela degradação dos ecossistemas.

2
  • RODRIGO VINÍCIUS DE ALMEIDA ALVES
  • Impactos do derramamento de petróleo de 2019 na Costa Pernambucana: a macrofauna do fital como indicadora

  • Orientador : JOSE SOUTO ROSA FILHO
  • MEMBROS DA BANCA :
  • JOSE SOUTO ROSA FILHO
  • RALF SCHWAMBORN
  • PAULO JORGE PARREIRA DOS SANTOS
  • GIULIANO BUZÁ JACOBUCCI
  • Data: 28/Fev/2023

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  • Os recifes coralíneo-algálicosda Praia do Paiva (PE) possuem importante cobertura fitobentônica e abrigam diversas comunidades de macrofauna associadas. Esses ambientes foram um dos mais atingidos pelo derramemento de petróleo na Costa Brasileira iniciado em 2019. O presente trabalho teve como objetivo utilizar a macrofauna do fital como indicadora dos impactos desse desastre ambiental nas comunidades epibentônicas da Costa Pernambucana. De julho de 2019 a outubro de 2020, foram coletados mensalmente nos recifes da Praia do Paiva (exceto em março de 2020) dez frondes das algas Penicillus capitatus e Jania capillacea, respectivamente, além de mais duas coletas em 2021 (abril e outubro) e uma em julho de 2022. A nível populacional, a abundância de espécimes do tanaidáceo Chondrochelia dubia coletados entre julho de 2019 e julho de 2020 associados à alga vermelha Jania capillacea correlacionou-se negativamente com a precipitação mensal, com maiores abundâncias nos meses mais secos. Houve uma inesperada queda significativa na abundância em setembro, possivelmente causada pelo contato com o petróleo bruto, mas a população se recuperou totalmente em dois meses, demonstrando ser uma espécie resiliente e de caráter oportunista, com parâmetros de crescimento (Linfk) e de maturação (L50) baixos se comparados aos de outras espécies de Tanaidacea. A nível de comunidades, a epifauna das algas como um todo não sofreu quedas expressivas de abundância logo após o contato direto com o óleo, porém alguns grupos como Syllidae e Janaira gracilis provavelmente sofreram com o impacto, enquanto a abundância de poliquetas da família Sabellidae (em especial Branchiomma luctuosum) apresentou tendência de crescimento após o derramamento. As comunidades epifaunais de ambas as algas apresentaram respostas distintas em relação ao desastre, com perda imediata de táxons (principalmente espécies raras) no fital de J. capillacea e aumento de riqueza no fital de P. capitatus pouco depois do evento, voltando aos níveis normais em poucos meses. As abundâncias de alguns táxons também se correlacionaram significativamente à abundância de Amphipoda. Além de fatores abióticos, destacam-se a heterogeneidade de hábitat, a conectividade e a manutenção de espécies-chave engenheiras de ecossistema (em especial anfípodes) como fatores fundamentais para a resiliência e estabilidade das comunidades epifaunais após impactos ambientais como derramamento de óleo.


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  • Os recifes coralíneo-algálicosda Praia do Paiva (PE) possuem importante cobertura fitobentônica e abrigam diversas comunidades de macrofauna associadas. Esses ambientes foram um dos mais atingidos pelo derramemento de petróleo na Costa Brasileira iniciado em 2019. O presente trabalho teve como objetivo utilizar a macrofauna do fital como indicadora dos impactos desse desastre ambiental nas comunidades epibentônicas da Costa Pernambucana. De julho de 2019 a outubro de 2020, foram coletados mensalmente nos recifes da Praia do Paiva (exceto em março de 2020) dez frondes das algas Penicillus capitatus e Jania capillacea, respectivamente, além de mais duas coletas em 2021 (abril e outubro) e uma em julho de 2022. A nível populacional, a abundância de espécimes do tanaidáceo Chondrochelia dubia coletados entre julho de 2019 e julho de 2020 associados à alga vermelha Jania capillacea correlacionou-se negativamente com a precipitação mensal, com maiores abundâncias nos meses mais secos. Houve uma inesperada queda significativa na abundância em setembro, possivelmente causada pelo contato com o petróleo bruto, mas a população se recuperou totalmente em dois meses, demonstrando ser uma espécie resiliente e de caráter oportunista, com parâmetros de crescimento (Linfk) e de maturação (L50) baixos se comparados aos de outras espécies de Tanaidacea. A nível de comunidades, a epifauna das algas como um todo não sofreu quedas expressivas de abundância logo após o contato direto com o óleo, porém alguns grupos como Syllidae e Janaira gracilis provavelmente sofreram com o impacto, enquanto a abundância de poliquetas da família Sabellidae (em especial Branchiomma luctuosum) apresentou tendência de crescimento após o derramamento. As comunidades epifaunais de ambas as algas apresentaram respostas distintas em relação ao desastre, com perda imediata de táxons (principalmente espécies raras) no fital de J. capillacea e aumento de riqueza no fital de P. capitatus pouco depois do evento, voltando aos níveis normais em poucos meses. As abundâncias de alguns táxons também se correlacionaram significativamente à abundância de Amphipoda. Além de fatores abióticos, destacam-se a heterogeneidade de hábitat, a conectividade e a manutenção de espécies-chave engenheiras de ecossistema (em especial anfípodes) como fatores fundamentais para a resiliência e estabilidade das comunidades epifaunais após impactos ambientais como derramamento de óleo.

3
  • SINDY MICAELLA SILVA DE FREITAS
  • Ecologia trófica do dourado (Coryphaena hippurus - Linnaeus, 1758) no entorno do Arquipélago de São Pedro e São Paulo (Brasil) a partir de métodos convencionais e isotópicos

  • Orientador : GILVAN TAKESHI YOGUI
  • MEMBROS DA BANCA :
  • GILVAN TAKESHI YOGUI
  • MARCELO FRANCISCO DE NOBREGA
  • RALF SCHWAMBORN
  • RAFAEL MENEZES ROBERTO
  • NATALIA PRISCILA ALVES BEZERRA
  • Data: 24/Mar/2023

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  • Pressões sobre os ecossistemas marinhos, incluindo as ilhas oceânicas, cresceram exponencialmente nas últimas décadas. Problemas como a explotação pesqueira, perda de habitat, mudanças climáticas e poluição são as maiores ameaças à biodiversidade. Com o intuito de realizar o manejo e a conservação nas áreas impactadas por essas pressões, é essencial compreender o funcionamento do ecossistema através das características biológicas e ecológicas das espécies, como a ecologia trófica. Neste trabalho, investigou-se o hábito e as características alimentares de Coryphaena hippurus no entorno do Arquipélago de São Pedro e São Paulo (ASPSP) através do uso combinado de análises de conteúdo estomacal (ACE) e isótopos estáveis (AIE). Os espécimes foram capturados com linha de mão por embarcações pesqueiras, sendo sexados e mensurados a bordo. Para a ACE, as coletas foram realizadas de 2010 a 2015. Os estômagos dos animais foram recolhidos após evisceração e, em seguida, foram etiquetados e congelados. Para a AIE, amostras de músculo da região dorsal dos animais foram coletadas de 2018 a 2019. Um total de 427 espécimes de C. hippurus foram analisadas, sendo 394 com base na metodologia de ACE e 33 na metodologia de AIE. Os resultados da ACE mostraram que a espécie é piscívora com espécies como Cheilopogon cyanopterus e Exocoetus volitans (peixes-voadores, ambos da família Exocoetidae) apresentando uma alta importância para a dieta. C. hippurus apresentou uma estratégia alimentar e de nicho que tende a especialização individual para alguns grupos, como os teleósteos, exibindo diversidade na ingestão de presas ocasionais, como moluscos e crustáceos. A amplitude de nicho da espécie a caracteriza como predador especialista, porém, a ampla diversidade de itens alimentares atribui uma classificação como predador oportunista. Os valores isotópicos de δ13C e δ15N em C. hippurus apresentaram uma baixa variação, com desvio padrão semelhante em ambos os parâmetros. C. hippurus apresentou um nível trófico (NT) mais alto a partir do método de cálculo da ACE (4,49) do que a partir do método da AIE (3,73). Esses valores de NT indicam que a espécie atua como mesopredador no entorno do ASPSP. Uma variação no consumo de presas foi observada entre machos e fêmeas, contudo, não foram encontradas diferenças estatisticamente significativas. A análise SIBER indicou uma ausência de diferenças na assinatura isotópica de ambos os sexos, revelando alta sobreposição de nicho trófico entre machos e fêmeas. Uma correlação positiva foi observada entre o comprimento total e o δ15N de C. hippurus, sugerindo que os animais passam a se alimentar de presas maiores conforme crescem. Em conclusão, esta pesquisa mostrou que C. hippurus é piscívoro e atua como um mesopredador. Sua estratégia alimentar é marcada por uma plasticidade que classifica a espécie como um predador de tendência especialista (demonstrando preferência por algumas presas), mas sem excluir a possibilidade de se alimentar das presas mais abundantes na área de forrageio (revelando um comportamento oportunista). Essa plasticidade possivelmente surge como uma estratégia de compartilhamento de recursos com outros predadores presentes no ASPSP.


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  • Pressões sobre os ecossistemas marinhos, incluindo as ilhas oceânicas, cresceram exponencialmente nas últimas décadas. Problemas como a explotação pesqueira, perda de habitat, mudanças climáticas e poluição são as maiores ameaças à biodiversidade. Com o intuito de realizar o manejo e a conservação nas áreas impactadas por essas pressões, é essencial compreender o funcionamento do ecossistema através das características biológicas e ecológicas das espécies, como a ecologia trófica. Neste trabalho, investigou-se o hábito e as características alimentares de Coryphaena hippurus no entorno do Arquipélago de São Pedro e São Paulo (ASPSP) através do uso combinado de análises de conteúdo estomacal (ACE) e isótopos estáveis (AIE). Os espécimes foram capturados com linha de mão por embarcações pesqueiras, sendo sexados e mensurados a bordo. Para a ACE, as coletas foram realizadas de 2010 a 2015. Os estômagos dos animais foram recolhidos após evisceração e, em seguida, foram etiquetados e congelados. Para a AIE, amostras de músculo da região dorsal dos animais foram coletadas de 2018 a 2019. Um total de 427 espécimes de C. hippurus foram analisadas, sendo 394 com base na metodologia de ACE e 33 na metodologia de AIE. Os resultados da ACE mostraram que a espécie é piscívora com espécies como Cheilopogon cyanopterus e Exocoetus volitans (peixes-voadores, ambos da família Exocoetidae) apresentando uma alta importância para a dieta. C. hippurus apresentou uma estratégia alimentar e de nicho que tende a especialização individual para alguns grupos, como os teleósteos, exibindo diversidade na ingestão de presas ocasionais, como moluscos e crustáceos. A amplitude de nicho da espécie a caracteriza como predador especialista, porém, a ampla diversidade de itens alimentares atribui uma classificação como predador oportunista. Os valores isotópicos de δ13C e δ15N em C. hippurus apresentaram uma baixa variação, com desvio padrão semelhante em ambos os parâmetros. C. hippurus apresentou um nível trófico (NT) mais alto a partir do método de cálculo da ACE (4,49) do que a partir do método da AIE (3,73). Esses valores de NT indicam que a espécie atua como mesopredador no entorno do ASPSP. Uma variação no consumo de presas foi observada entre machos e fêmeas, contudo, não foram encontradas diferenças estatisticamente significativas. A análise SIBER indicou uma ausência de diferenças na assinatura isotópica de ambos os sexos, revelando alta sobreposição de nicho trófico entre machos e fêmeas. Uma correlação positiva foi observada entre o comprimento total e o δ15N de C. hippurus, sugerindo que os animais passam a se alimentar de presas maiores conforme crescem. Em conclusão, esta pesquisa mostrou que C. hippurus é piscívoro e atua como um mesopredador. Sua estratégia alimentar é marcada por uma plasticidade que classifica a espécie como um predador de tendência especialista (demonstrando preferência por algumas presas), mas sem excluir a possibilidade de se alimentar das presas mais abundantes na área de forrageio (revelando um comportamento oportunista). Essa plasticidade possivelmente surge como uma estratégia de compartilhamento de recursos com outros predadores presentes no ASPSP.

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  • ROGER RAFAEL CAVALCANTI BANDEIRA DE MELO
  • ECOLOGIA ALIMENTAR E DA CONTAMINAÇÃO POR MICROPLÁSTICOS EM RHIZOPRIONODON POROSUS (POEY, 1861) NA COSTA DO ESTADO DE PERNAMBUCO

  • Orientador : MARIO BARLETTA
  • MEMBROS DA BANCA :
  • MARIO BARLETTA
  • MARIA INES BRUNO TAVARES
  • RICARDO DE SOUZA ROSA
  • Data: 22/Ago/2023

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  • Este estudo descreve a ecologia alimentar, a contaminação por microplásticos (MP) e a distribuição espacial de cada fase ontogenética de R. porosus, em função de parâmetros espaço-temporais no litoral oeste da América do Sul. A CPUEN (densidade) e CPUEW (biomassa) para todos os indivíduos foram 1,3 ± 0,3 ind.dia-1 e 877 ± 232 g.dia-1. Neonatos (0,9 ± 0,3 ind.dia-1 e 166,8 ± 64 g.dia-1) e juvenis (2,3 ± 0,3 ind.dia-1 e 1351,7 ± 129 g.dia-1) foram capturados durante todas as estações, exceto a adultos (0,7 ± 0,3 ind.dia-1 e 1111,8 ± 556,4 g.dia-1) que provavelmente se deslocam para águas abertas adjacentes durante o final da estação seca. A dieta de R. porosus consistiu principalmente de peixes (FO=71,8%). Todas as fases ontogenéticas estavam contaminadas por MP (FO=100%). Entre os detritos plásticos detectados em R. porosus, 91,6% eram MP (< 5 mm) dos quais as fibras azuis contribuíram com 53,7%. As amostras de MP foram analisadas por Microscopia Óptica (MO), infravermelho por Transformada de Fourier (FTIR), Microscopia Eletrônica de Varredura (MEV) e pela técnica EDS (espectroscopia de raios-X por dispersão de energia) e identificadas como polietileno A relação observada entre a contaminação por MP e o comportamento alimentar de R. porosus pode ser uma evidência de transferência trófica de MP. R. porosus apresenta alta taxa de ingestão de microplástico quando comparado a peixes de níveis tróficos inferiores. Além disso, muitos peixes predados por esta especie estavam contaminados com MP (e.g.,  Eugerres brasilianus, Harengula clupeola, Rhinosardinia bahiensis, Anchovia clupeoides, Monacanthus ciliatus, Polydactylus virginicus, Trachinocephalus myops, Eucinostomus melanopterus e Lutjanus analis), comprovando a transferência trófica.

    Membros da Banca:

    Prof. Dr. Mario Barletta - DOCEAN-UFPE- Presidente

    Profa.Dra. Maria Inês Bruno Tavares - IMA-UFRJ- Titular. E-mail: mibt@ima.ufrj.br

    Prof. Dr. Ricardo S. Rosa - UFPB - Titular. E-mail: rsrosa@dse.ufpb.br

    Prof. Dr. Francisco J. A. Cysneiros - DE-UFPE - Suplente externo. E-mail: cysneiros@de.ufpe.br; francisco.cysneiros@ufpe.br

    Prof. Dr. Marcelo F. Nóbrega - DOCEAN - UFPE - Suplente interno


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  • Este estudo descreve a ecologia alimentar, a contaminação por microplásticos (MP) e a distribuição espacial de cada fase ontogenética de R. porosus, em função de parâmetros espaço-temporais no litoral oeste da América do Sul. A CPUEN (densidade) e CPUEW (biomassa) para todos os indivíduos foram 1,3 ± 0,3 ind.dia-1 e 877 ± 232 g.dia-1. Neonatos (0,9 ± 0,3 ind.dia-1 e 166,8 ± 64 g.dia-1) e juvenis (2,3 ± 0,3 ind.dia-1 e 1351,7 ± 129 g.dia-1) foram capturados durante todas as estações, exceto a adultos (0,7 ± 0,3 ind.dia-1 e 1111,8 ± 556,4 g.dia-1) que provavelmente se deslocam para águas abertas adjacentes durante o final da estação seca. A dieta de R. porosus consistiu principalmente de peixes (FO=71,8%). Todas as fases ontogenéticas estavam contaminadas por MP (FO=100%). Entre os detritos plásticos detectados em R. porosus, 91,6% eram MP (< 5 mm) dos quais as fibras azuis contribuíram com 53,7%. As amostras de MP foram analisadas por Microscopia Óptica (MO), infravermelho por Transformada de Fourier (FTIR), Microscopia Eletrônica de Varredura (MEV) e pela técnica EDS (espectroscopia de raios-X por dispersão de energia) e identificadas como polietileno A relação observada entre a contaminação por MP e o comportamento alimentar de R. porosus pode ser uma evidência de transferência trófica de MP. R. porosus apresenta alta taxa de ingestão de microplástico quando comparado a peixes de níveis tróficos inferiores. Além disso, muitos peixes predados por esta especie estavam contaminados com MP (e.g.,  Eugerres brasilianus, Harengula clupeola, Rhinosardinia bahiensis, Anchovia clupeoides, Monacanthus ciliatus, Polydactylus virginicus, Trachinocephalus myops, Eucinostomus melanopterus e Lutjanus analis), comprovando a transferência trófica.

    Membros da Banca:

    Prof. Dr. Mario Barletta - DOCEAN-UFPE- Presidente

    Profa.Dra. Maria Inês Bruno Tavares - IMA-UFRJ- Titular. E-mail: mibt@ima.ufrj.br

    Prof. Dr. Ricardo S. Rosa - UFPB - Titular. E-mail: rsrosa@dse.ufpb.br

    Prof. Dr. Francisco J. A. Cysneiros - DE-UFPE - Suplente externo. E-mail: cysneiros@de.ufpe.br; francisco.cysneiros@ufpe.br

    Prof. Dr. Marcelo F. Nóbrega - DOCEAN - UFPE - Suplente interno

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  • RAFAEL LUIZ DO NASCIMENTO
  • MONITORAMENTO EM CURTA SÉRIE TEMPORAL DA ESTRUTURA E MORTALIDADE DO MICROZOOPLÂNCTON EM UMA BAÍA RECIFAL NO NORDESTE DO BRASIL

  • Orientador : PEDRO AUGUSTO MENDES DE CASTRO MELO
  • MEMBROS DA BANCA :
  • PEDRO AUGUSTO MENDES DE CASTRO MELO
  • SIGRID NEUMANN LEITAO
  • RENATA POLYANA DE SANTANA CAMPELO
  • Data: 25/Ago/2023

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  • As plumas estuarinas exercem influência nos ambientes costeiros, transferindo características dos estuários para a plataforma adjacente e impactando a biota e suas interações. Os organismos microzooplanctônicos, por exemplo, tem suas interações governadas pelo comportamento das espécies e pela dinâmica física do ambiente, incluindo disponibilidade de alimento, presença de predadores, variações de temperatura e a entrada de plumas estuarinas, sendo organismos essenciais nos ecossistemas recifais, pois contribuem com sua diversidade de animais planctívoros. O objetivo desta pesquisa foi analisar as flutuações em curta escala de tempo da estrutura e mortalidade da comunidade microzooplanctônica em um ambiente recifal no Nordeste do Brasil, sob influência estuarina. O estudo foi realizado na baía de Tamandaré, situada na Área de Proteção Ambiental Costa dos Corais, a maior área de proteção marinha da costa sudoeste do Atlântico. As amostras foram coletadas ao longo de dezoito meses, de novembro de 2020 a abril de 2022, com frequência quinzenal e/ou mensal, em marés vazantes diurnas. Foram obtidas 42 amostras, sendo 24 fixas e 18 para o experimento de proporção de carcaças. Adicionalmente, realizou-se um experimento de decomposição de carcaças em laboratório para determinar as taxas de mortalidade. Utilizou-se uma rede de plâncton de 64 µm durante as coletas, e a técnica do vermelho neutro foi aplicada para distinguir organismos vivos e mortos. Os resultados mostraram a presença de 17 famílias de copépodes, com as famílias Oithonidae (39,3%), Longipedidae (18,5%), Paracalanidae (14,3%) e Tachidiidae (8,8%) como as mais representativas. Durante a alta pluviosidade, os náuplios da família Oithonidae prevaleceram, enquanto na baixa pluviosidade, os náuplios da família Longipedidae foram mais abundantes. Em relação aos copepoditos, Oithonidae foi a mais representativa em ambos os períodos. Os náuplios de copépodes apresentaram um percentual maior de carcaças (51,11%) em comparação com os copepoditos (48,89%), resultando em uma taxa média de mortalidade não-predatória maior para os náuplios (0,014 ± 0,01 dia-1 na alta pluviosidade e 0,025 ± 0,04 dia-1 na baixa pluviosidade). Embora a pluma estuarina tenha tido uma interferência limitada nos parâmetros abióticos analisados, foram identificadas tendências e relações sutis na estruturação da comunidade microzooplanctônica. Essas descobertas sugerem que, apesar dos efeitos diretos mínimos da pluma estuarina nas condições ambientais, sua presença pode desempenhar um papel crucial na criação de nichos ecológicos específicos para certas espécies ou grupos na comunidade microzooplanctônica.


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  • As plumas estuarinas exercem influência nos ambientes costeiros, transferindo características dos estuários para a plataforma adjacente e impactando a biota e suas interações. Os organismos microzooplanctônicos, por exemplo, tem suas interações governadas pelo comportamento das espécies e pela dinâmica física do ambiente, incluindo disponibilidade de alimento, presença de predadores, variações de temperatura e a entrada de plumas estuarinas, sendo organismos essenciais nos ecossistemas recifais, pois contribuem com sua diversidade de animais planctívoros. O objetivo desta pesquisa foi analisar as flutuações em curta escala de tempo da estrutura e mortalidade da comunidade microzooplanctônica em um ambiente recifal no Nordeste do Brasil, sob influência estuarina. O estudo foi realizado na baía de Tamandaré, situada na Área de Proteção Ambiental Costa dos Corais, a maior área de proteção marinha da costa sudoeste do Atlântico. As amostras foram coletadas ao longo de dezoito meses, de novembro de 2020 a abril de 2022, com frequência quinzenal e/ou mensal, em marés vazantes diurnas. Foram obtidas 42 amostras, sendo 24 fixas e 18 para o experimento de proporção de carcaças. Adicionalmente, realizou-se um experimento de decomposição de carcaças em laboratório para determinar as taxas de mortalidade. Utilizou-se uma rede de plâncton de 64 µm durante as coletas, e a técnica do vermelho neutro foi aplicada para distinguir organismos vivos e mortos. Os resultados mostraram a presença de 17 famílias de copépodes, com as famílias Oithonidae (39,3%), Longipedidae (18,5%), Paracalanidae (14,3%) e Tachidiidae (8,8%) como as mais representativas. Durante a alta pluviosidade, os náuplios da família Oithonidae prevaleceram, enquanto na baixa pluviosidade, os náuplios da família Longipedidae foram mais abundantes. Em relação aos copepoditos, Oithonidae foi a mais representativa em ambos os períodos. Os náuplios de copépodes apresentaram um percentual maior de carcaças (51,11%) em comparação com os copepoditos (48,89%), resultando em uma taxa média de mortalidade não-predatória maior para os náuplios (0,014 ± 0,01 dia-1 na alta pluviosidade e 0,025 ± 0,04 dia-1 na baixa pluviosidade). Embora a pluma estuarina tenha tido uma interferência limitada nos parâmetros abióticos analisados, foram identificadas tendências e relações sutis na estruturação da comunidade microzooplanctônica. Essas descobertas sugerem que, apesar dos efeitos diretos mínimos da pluma estuarina nas condições ambientais, sua presença pode desempenhar um papel crucial na criação de nichos ecológicos específicos para certas espécies ou grupos na comunidade microzooplanctônica.

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  • KEYNES DA GRAÇA DIAS MUARRAMUASSA
  • VARIAÇÃO TEMPORAL DO CARBONO INORGÂNICO NO ENTORNO DO ARQUIPÉLAGO SÃO PEDRO E SÃO PAULO

  • Orientador : MANUEL DE JESUS FLORES MONTES
  • MEMBROS DA BANCA :
  • MANUEL DE JESUS FLORES MONTES
  • DORIS REGINA AIRES VELEDA
  • FERNANDO ANTONIO DO NASCIMENTO FEITOSA
  • Data: 30/Ago/2023

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  • Na região equatorial do Atlântico, se encontra o Arquipélago São Pedro e São Paulo (ASPSP) que é um local que apresenta grande relevância ambiental, pois abriga e dá condições propícias para o desenvolvimento de várias espécies tanto pelágicas, quanto recifais. Esta região também apresenta grande diversidade e densidade de algumas espécies planctônicas, tendo as águas insulares apresentando maiores valores que as águas oceânicas circundantes. Tendo a presença deste “oásis” no meio do oceano é importante a compreensão de como os processos envolvendo o sistema carbonato estão ocorrendo na região. Avaliando os dados de fCO2 e dos parâmetros físico-químicos para identificar quais são as forçantes do sistema e o que elas causam na variabilidade da fCO2 na região. Para este estudo, foram analisadas as variações dos parâmetros: temperatura da superfície do mar, salinidade, fugacidade do CO2 dentro de um recorte estabelecido para uma porção do Atlântico Equatorial que é localizado nas latitudes de 2°N a 1°S e nas longitudes de 28°O a 32°O. O regime climático da região estudada está sob a influência da variação anual da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT). Esta alterna sua posição dependendo da época do ano, causando maior chance de precipitação na região do arquipélago quando está mais ao sul de sua posição média (entre janeiro e maio). Em relação ao padrão de circulação, a região estabelecida está fortemente influenciada pela Corrente Sul-Equatorial em sua vertente norte (CSEn) e pela Subcorrente Equatorial (SCE) que tem mesma direção (zonal) porém sentidos diferentes. Os dados foram coletados através de um sistema automatizado para a medição de pCO2 na água do mar em subsuperfície acoplado em navios mercantes que realizam a rota França – Brasil, passando dentro da área delimitada por este estudo. O sistema também é associado a sensores de temperatura, salinidade e anemômetros (velocidade do vento) o que permitiu a coleta desses dados concomitantemente com as medições de pCO2. Os dados utilizados neste estudo foram coletados por dois navios mercantes, o primeiro é o Monte Olivia que realizou coletas até abr/09 e o segundo foi o Rio Blanco que passou a coletar os dados a partir de dez/09. As coletas ocorreram ao longo de quase 12 anos, mais especificamente de jul/08 a nov/20. foram adquiridos dados mensais de velocidade média dos ventos e a taxa de precipitação através do Asia-Pacific Data-Research Center (APDCR) do International Pacific Research Center (IPRC) que abrange uma grande quantidade de dados atmosféricos e oceânicos globais. De modo geral, os dados de fCO2 ao longo dos anos apresentaram uma variação entre 356,3 (ago/08) e 452,9 μatm (mar/10). Estes dados demonstraram uma maior correspondência com os dados de SST, que apresentaram uma variação entre 25,9 (ago/08) e 29,6°C (abr/13) do que com os dados de salinidade, pois esta última apresenta um comportamento relativamente mais estável ao longo dos anos que as outras duas, variando entre 34,3 (dez/08) e 36,3 psu (jun/19). a fCO2 apresentou variações com comportamento mensal similar ao longo dos anos, tendo valores relativamente mais estáveis na região ao sul do Equador (entre 1°S e 0°) e uma variação mais evidente quando avança para o norte do Equador (ente 0° e 2°N). O maior valor registrado para todo o período analisado ocorreu em março/10 entre 1° N e 2° N. Esta mesma anomalia já foi relatada para outras regiões do Atlântico Norte. Entre os meses de dezembro a maio, os valores variaram entre aproximadamente 375 e 450 μatm. Entre junho e novembro, os valores da fCO2 estiveram entre aproximadamente 355 e 430 μatm. Tendo o menor valor mínimo sendo registrado em agosto/08. O comportamento da variação da fCO2 exibiu novamente que os picos mínimos e a maior variabilidade ocorrem nos primeiros meses do inverno austral e na região norte da área de estudo, com o avanço da estação e a mudança para a primavera os valores vão tendendo a uma maior estabilidade. Na região ao sul do Equador, o comportamento geral da variação da fCO2 apresentou uma variabilidade menor, mostrando uma tendência mais estável ao longo dos meses.


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  • Na região equatorial do Atlântico, se encontra o Arquipélago São Pedro e São Paulo (ASPSP) que é um local que apresenta grande relevância ambiental, pois abriga e dá condições propícias para o desenvolvimento de várias espécies tanto pelágicas, quanto recifais. Esta região também apresenta grande diversidade e densidade de algumas espécies planctônicas, tendo as águas insulares apresentando maiores valores que as águas oceânicas circundantes. Tendo a presença deste “oásis” no meio do oceano é importante a compreensão de como os processos envolvendo o sistema carbonato estão ocorrendo na região. Avaliando os dados de fCO2 e dos parâmetros físico-químicos para identificar quais são as forçantes do sistema e o que elas causam na variabilidade da fCO2 na região. Para este estudo, foram analisadas as variações dos parâmetros: temperatura da superfície do mar, salinidade, fugacidade do CO2 dentro de um recorte estabelecido para uma porção do Atlântico Equatorial que é localizado nas latitudes de 2°N a 1°S e nas longitudes de 28°O a 32°O. O regime climático da região estudada está sob a influência da variação anual da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT). Esta alterna sua posição dependendo da época do ano, causando maior chance de precipitação na região do arquipélago quando está mais ao sul de sua posição média (entre janeiro e maio). Em relação ao padrão de circulação, a região estabelecida está fortemente influenciada pela Corrente Sul-Equatorial em sua vertente norte (CSEn) e pela Subcorrente Equatorial (SCE) que tem mesma direção (zonal) porém sentidos diferentes. Os dados foram coletados através de um sistema automatizado para a medição de pCO2 na água do mar em subsuperfície acoplado em navios mercantes que realizam a rota França – Brasil, passando dentro da área delimitada por este estudo. O sistema também é associado a sensores de temperatura, salinidade e anemômetros (velocidade do vento) o que permitiu a coleta desses dados concomitantemente com as medições de pCO2. Os dados utilizados neste estudo foram coletados por dois navios mercantes, o primeiro é o Monte Olivia que realizou coletas até abr/09 e o segundo foi o Rio Blanco que passou a coletar os dados a partir de dez/09. As coletas ocorreram ao longo de quase 12 anos, mais especificamente de jul/08 a nov/20. foram adquiridos dados mensais de velocidade média dos ventos e a taxa de precipitação através do Asia-Pacific Data-Research Center (APDCR) do International Pacific Research Center (IPRC) que abrange uma grande quantidade de dados atmosféricos e oceânicos globais. De modo geral, os dados de fCO2 ao longo dos anos apresentaram uma variação entre 356,3 (ago/08) e 452,9 μatm (mar/10). Estes dados demonstraram uma maior correspondência com os dados de SST, que apresentaram uma variação entre 25,9 (ago/08) e 29,6°C (abr/13) do que com os dados de salinidade, pois esta última apresenta um comportamento relativamente mais estável ao longo dos anos que as outras duas, variando entre 34,3 (dez/08) e 36,3 psu (jun/19). a fCO2 apresentou variações com comportamento mensal similar ao longo dos anos, tendo valores relativamente mais estáveis na região ao sul do Equador (entre 1°S e 0°) e uma variação mais evidente quando avança para o norte do Equador (ente 0° e 2°N). O maior valor registrado para todo o período analisado ocorreu em março/10 entre 1° N e 2° N. Esta mesma anomalia já foi relatada para outras regiões do Atlântico Norte. Entre os meses de dezembro a maio, os valores variaram entre aproximadamente 375 e 450 μatm. Entre junho e novembro, os valores da fCO2 estiveram entre aproximadamente 355 e 430 μatm. Tendo o menor valor mínimo sendo registrado em agosto/08. O comportamento da variação da fCO2 exibiu novamente que os picos mínimos e a maior variabilidade ocorrem nos primeiros meses do inverno austral e na região norte da área de estudo, com o avanço da estação e a mudança para a primavera os valores vão tendendo a uma maior estabilidade. Na região ao sul do Equador, o comportamento geral da variação da fCO2 apresentou uma variabilidade menor, mostrando uma tendência mais estável ao longo dos meses.

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  • GABRIELA CRISTINA CHAGAS MOURA
  • INFLUÊNCIA DE PARÂMETROS METEOCEANOGRÁFICOS EM MICROORGANISMOS DO OCEANO ATLÂNTICO TROPICAL

  • Orientador : DORIS REGINA AIRES VELEDA
  • MEMBROS DA BANCA :
  • DORIS REGINA AIRES VELEDA
  • PEDRO AUGUSTO MENDES DE CASTRO MELO
  • FRANCISCA GLEIRE RODRIGUES DE MENEZES
  • FÁTIMA CRISTIANE TELES DE CARVALHO
  • ANTONIO GERALDO FERREIRA
  • Data: 31/Ago/2023

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  • O Oceano Atlântico Tropical é uma região dinâmica e de grande importância mundial. Essa área vem apresentando mudanças em suas propriedades químicas, físicas e biológicas, o que pode impactar os ciclos biogeoquímicos e mudanças na microbiota presente na região. Os bioaerossóis na área de estudo são formados por múltiplos compostos, dentre eles, organismos fúngicos que apresentam importância global devido a seus papéis como nucleadores de nuvens e possíveis atuantes no clima. Dessa forma, o conhecimento sobre os microrganismos presentes no ar de áreas oceânicas é essencial para compreender o ambiente em que está inserido assim como seus papéis no ecossistema. O presente trabalho teve como objetivo avaliar a possível influência de variáveis meteorológicas e oceanográficas na composição da microbiota dos bioaerossóis ao longo do oceano Atlântico Tropical. Foram realizadas amostragens microbiológicas durante expedições embarcadas até a área de estudo durante os anos de 2017 e 2022 em diferentes períodos sazonais buscando a maior diversidade microbiológica cultivável possível, em conjunto, no momento da realização das coletas, diferentes variáveis meteoceanográficas foram coletadas. Os resultados microbiológicos de sequenciamento genético indicam 10 identificações divergentes a partir de 19 isolados obtidos. Destes, há diferenças entre os gêneros isolados da amostra de 2017 e da de 2022, assim como varia de acordo com cada ponto de coleta realizado. O gênero predominante foi Aspergillus sp. (26%), seguido por Candida sp. (11%) e Curvularia sp. (11%) e o restante dos representantes Cladosporium sp. (5%), Cystobasidium sp. (5%), Exophiala dermatitidis (5%), Neotestudina sp. (5%), Penicillium sp. (5%), Pestalotiopsis sp. (5%), Preussia sp. (5%) e Rhodotorula sphaerocarpa (5%). Quando comparadas anualmente, as variáveis meteoceanográficas apresentaram diferenças significativas (p<0,05) entre os anos de coleta. Associando a diversidade microbiológica e a metodologia de coleta, a umidade relativa do ar e a velocidade dos ventos foram maiores no ano que apresentou maior diversidade (2022). O ano de coleta com maior diversidade fúngica aerolizada (2022) apresentou ainda anomalias positivas de temperatura superficial do mar, podendo estar associado a valores de temperaturas mais altos durante a formação da microbiota que é aerolizada. Em conclusão, a temperatura superficial do mar e a velocidade dos ventos são, possivelmente, as principais determinantes da microbiota presente em aerossóis marinhos. Os resultados reforçam a necessidade de pesquisas para aprofundar os conhecimentos acerca do tema, sobretudo destacando as mudanças climáticas globais e seus possíveis impactos em organismos fúngicos.


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  • O Oceano Atlântico Tropical é uma região dinâmica e de grande importância mundial. Essa área vem apresentando mudanças em suas propriedades químicas, físicas e biológicas, o que pode impactar os ciclos biogeoquímicos e mudanças na microbiota presente na região. Os bioaerossóis na área de estudo são formados por múltiplos compostos, dentre eles, organismos fúngicos que apresentam importância global devido a seus papéis como nucleadores de nuvens e possíveis atuantes no clima. Dessa forma, o conhecimento sobre os microrganismos presentes no ar de áreas oceânicas é essencial para compreender o ambiente em que está inserido assim como seus papéis no ecossistema. O presente trabalho teve como objetivo avaliar a possível influência de variáveis meteorológicas e oceanográficas na composição da microbiota dos bioaerossóis ao longo do oceano Atlântico Tropical. Foram realizadas amostragens microbiológicas durante expedições embarcadas até a área de estudo durante os anos de 2017 e 2022 em diferentes períodos sazonais buscando a maior diversidade microbiológica cultivável possível, em conjunto, no momento da realização das coletas, diferentes variáveis meteoceanográficas foram coletadas. Os resultados microbiológicos de sequenciamento genético indicam 10 identificações divergentes a partir de 19 isolados obtidos. Destes, há diferenças entre os gêneros isolados da amostra de 2017 e da de 2022, assim como varia de acordo com cada ponto de coleta realizado. O gênero predominante foi Aspergillus sp. (26%), seguido por Candida sp. (11%) e Curvularia sp. (11%) e o restante dos representantes Cladosporium sp. (5%), Cystobasidium sp. (5%), Exophiala dermatitidis (5%), Neotestudina sp. (5%), Penicillium sp. (5%), Pestalotiopsis sp. (5%), Preussia sp. (5%) e Rhodotorula sphaerocarpa (5%). Quando comparadas anualmente, as variáveis meteoceanográficas apresentaram diferenças significativas (p<0,05) entre os anos de coleta. Associando a diversidade microbiológica e a metodologia de coleta, a umidade relativa do ar e a velocidade dos ventos foram maiores no ano que apresentou maior diversidade (2022). O ano de coleta com maior diversidade fúngica aerolizada (2022) apresentou ainda anomalias positivas de temperatura superficial do mar, podendo estar associado a valores de temperaturas mais altos durante a formação da microbiota que é aerolizada. Em conclusão, a temperatura superficial do mar e a velocidade dos ventos são, possivelmente, as principais determinantes da microbiota presente em aerossóis marinhos. Os resultados reforçam a necessidade de pesquisas para aprofundar os conhecimentos acerca do tema, sobretudo destacando as mudanças climáticas globais e seus possíveis impactos em organismos fúngicos.

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  • MARIA LUIZA DE FRANÇA DUDA
  • Taxonomy of genus Campylaspis G. O. Sars, 1866 (Cumacea, Nannastacidae) from Sergipe Sub-Basin and Campos Basin

  • Orientador : JESSER FIDELIS DE SOUZA FILHO
  • MEMBROS DA BANCA :
  • JESSER FIDELIS DE SOUZA FILHO
  • BRENDA LIA DOTI
  • CRISTIANA SILVEIRA SEREJO
  • Data: 14/Set/2023

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  • O gênero Campylaspis constitui a mais diversa representação na família Nannastacidae. Apenas no Atlântico Sul, já foram identificadas 29 espécies, enquanto no Brasil esse número chega a 14. Este estudo tem como objetivo principal realizar um estudo sobre a distribuição vertical e a taxonomia do gênero Campylaspis na Sub-Bacia de Sergipe e na Bacia de Campos, no Brasil. Os exemplares foram coletados por meio das campanhas Descartes (Sergipe) e PMAR-BC (Rio de Janeiro). Os dados abióticos obtidos incluem as coordenadas geográficas, a profundidade e o tipo de sedimento. A coleta dos exemplares foi realizada utilizando um box corer e após a coleta, eles foram inicialmente classificados em nível de família. Posteriormente, os exemplares da família Nannastacidae foram classificados em níveis de gênero e espécie, sendo então fixados em álcool a 70%. O checklist da composição faunística apresenta um total de 29 espécies, com distribuição variando entre 984 e 1060 metros na Bacia de Sergipe, e entre 79 e 847 metros na Bacia de Campos. Ao final do estudo, foram analisados um total de 241 exemplares de Campylaspis coletados em 31 estações nas Bacias de Sergipe e de Campos. Destes exemplares, 17 foram descritos como pertencentes a três novas espécies para o gênero: Campylaspis n. sp.1, Campylaspis n. sp.2 e Campylaspis n. sp.3 Além disso, outros 20 exemplares foram categorizados como xx morfotipos.


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  • The Campylaspis genus constitutes the most diverse representation within the Nannastacidae family. In the South Atlantic, 29 species have already been identified, while in Brazil, this number reaches 14. The main objective of this study is to conduct an investigation into the vertical distribution and taxonomy of the Campylaspis genus in the Sergipe Sub-Basin and the Campos Basin, Brazil. Specimens were collected through the Descartes (Sergipe) and PMAR-BC (Rio de Janeiro) campaigns. The abiotic data includes geographic coordinates, depth, and sediment type. The collection of specimens was carried out using a box corer, and after collection, they were initially classified at the family level. Then, specimens from the Nannastacidae family were classified at the genus and species levels, and then fixed in 70% alcohol. The faunistic composition checklist presents a total of 29 species, with distribution ranging between 984 and 1060 meters in the Sergipe Sub-Basin, and between 79 and 847 meters in the Campos Basin. By the end of the study, a total of 241 Campylaspis specimens collected at 31 stations in the Sergipe and Campos Basins were analyzed. Among these specimens, 17 were described as belonging to three new species for the genus: Campylaspis bicurvata n. sp., Campylaspis capsa n. sp., and Campylaspis moicana n. sp. Additionally, 20 other specimens were categorized as morphotypes.

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  • SARA CAVALCANTI WANDERLEY DE SIQUEIRA
  • RPAS como ferramenta na análise de variações geomorfológicas em ilhas recifais e distribuição espaço-temporal de aves marinhas - REBIO Atol das Rocas

  • Orientador : MIRELLA BORBA SANTOS FERREIRA COSTA
  • MEMBROS DA BANCA :
  • MIRELLA BORBA SANTOS FERREIRA COSTA
  • TEREZA CRISTINA MEDEIROS DE ARAUJO
  • DAVIS PEREIRA DE PAULA
  • Data: 15/Set/2023

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  • As ilhas recifais são consideradas um dos ambientes mais vulneráveis aos efeitos das mudanças climáticas. Projeções do aumento do nível do mar, degradação de recifes de coral e intensificação de eventos extremos alertam para o risco de processos erosivos. Do ponto de vista ecológico, essas regiões são relevantes para a manutenção da biodiversidade marinha, sendo fundamentais para a reprodução de espécies que nidificam em ambientes insulares, como as aves Anous stolidus e Onychoprion fuscatus. Por outro lado, estudos em áreas remotas possuem diversos obstáculos com relação às metodologias tradicionalmente empregadas. Este trabalho teve como objetivo utilizar um Sistema de Aeronave Remotamente Pilotada (RPAS) para: (i) compreender as variações geomorfológicas atuantes em duas ilhas recifais inseridas no Atol das Rocas, detectando locais de erosão/acreção; (ii) analisar a distribuição espaço-temporal e densidade do ninhal de aves marinhas na Ilha do Farol; (iii) contribuir na inovação das técnicas de monitoramento desta Reserva Biológica. Foram utilizadas imagens capturadas durante quatro expedições (2020 a 2022) para gerar ortomosaicos e Modelos Digitais de Terreno. Técnicas de geoprocessamento foram aplicadas e parâmetros adicionais como ondas, correntes e vegetação característicos da região também foram discutidos. Com relação aos aspectos geomorfológicos, as extremidades das ilhas constituem os locais de maior dinâmica sedimentar. O predomínio de erosão em dezembro e de acreção em maio, bem como a migração das extremidades, estão associados a ondulações energéticas (swell de norte). As características da depressão central e suas variações constituem um fator relevante a ser considerado com relação à estabilidade geomorfológica da Ilha do Farol e destacam a necessidade do monitoramento desta feição nesta e em outras ilhas recifais. Com relação aos aspectos ecológicos associados à distribuição espaço-temporal de aves marinhas, houve uma preferência das aves por nidificar sobre vegetação densa, composta por Cyperus sp. e Portulaca oleracea distribuídas nas regiões mais centrais da ilha. Apesar dessas áreas terem apresentado uma estabilidade geomorfológica a curto-prazo, elas possuem baixa elevação e estão situadas nas imediações de uma depressão central dinâmica, contribuindo para a vulnerabilidade dos ninhos a eventos erosivos e de inundação associados a esta feição, sobretudo a médio e longo-prazo. Com relação à variação na quantidade de aves, o maior número foi registrado em maio/2022, totalizando uma população estimada de 115.360 aves (O. fuscatus e A. stolidus) na Ilha do Farol. Em comparação ao mesmo mês no ano anterior (N=9.939), houve diferença estatisticamente significativa, sugerindo a inexistência de uma sazonalidade anual determinante na nidificação. Os resultados ressaltam o potencial do RPAS como ferramenta eficiente tanto para o estudo das variações geomorfológicas em ambientes insulares remotos, como para a análise da distribuição espaço-temporal dos ninhos de aves marinhas. O armazenamento das imagens aéreas capturadas permite a criação de um banco de dados geoespaciais que pode ser utilizado como referência para comparações futuras. Nesse sentido, o estudo destaca a importância de um monitoramento contínuo englobando aspectos geomorfológicos das ilhas recifais e aspectos ecológicos associados à nidificação de aves marinhas, especialmente considerando o atual contexto das mudanças climáticas.


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  • As ilhas recifais são consideradas um dos ambientes mais vulneráveis aos efeitos das mudanças climáticas. Projeções do aumento do nível do mar, degradação de recifes de coral e intensificação de eventos extremos alertam para o risco de processos erosivos. Do ponto de vista ecológico, essas regiões são relevantes para a manutenção da biodiversidade marinha, sendo fundamentais para a reprodução de espécies que nidificam em ambientes insulares, como as aves Anous stolidus e Onychoprion fuscatus. Por outro lado, estudos em áreas remotas possuem diversos obstáculos com relação às metodologias tradicionalmente empregadas. Este trabalho teve como objetivo utilizar um Sistema de Aeronave Remotamente Pilotada (RPAS) para: (i) compreender as variações geomorfológicas atuantes em duas ilhas recifais inseridas no Atol das Rocas, detectando locais de erosão/acreção; (ii) analisar a distribuição espaço-temporal e densidade do ninhal de aves marinhas na Ilha do Farol; (iii) contribuir na inovação das técnicas de monitoramento desta Reserva Biológica. Foram utilizadas imagens capturadas durante quatro expedições (2020 a 2022) para gerar ortomosaicos e Modelos Digitais de Terreno. Técnicas de geoprocessamento foram aplicadas e parâmetros adicionais como ondas, correntes e vegetação característicos da região também foram discutidos. Com relação aos aspectos geomorfológicos, as extremidades das ilhas constituem os locais de maior dinâmica sedimentar. O predomínio de erosão em dezembro e de acreção em maio, bem como a migração das extremidades, estão associados a ondulações energéticas (swell de norte). As características da depressão central e suas variações constituem um fator relevante a ser considerado com relação à estabilidade geomorfológica da Ilha do Farol e destacam a necessidade do monitoramento desta feição nesta e em outras ilhas recifais. Com relação aos aspectos ecológicos associados à distribuição espaço-temporal de aves marinhas, houve uma preferência das aves por nidificar sobre vegetação densa, composta por Cyperus sp. e Portulaca oleracea distribuídas nas regiões mais centrais da ilha. Apesar dessas áreas terem apresentado uma estabilidade geomorfológica a curto-prazo, elas possuem baixa elevação e estão situadas nas imediações de uma depressão central dinâmica, contribuindo para a vulnerabilidade dos ninhos a eventos erosivos e de inundação associados a esta feição, sobretudo a médio e longo-prazo. Com relação à variação na quantidade de aves, o maior número foi registrado em maio/2022, totalizando uma população estimada de 115.360 aves (O. fuscatus e A. stolidus) na Ilha do Farol. Em comparação ao mesmo mês no ano anterior (N=9.939), houve diferença estatisticamente significativa, sugerindo a inexistência de uma sazonalidade anual determinante na nidificação. Os resultados ressaltam o potencial do RPAS como ferramenta eficiente tanto para o estudo das variações geomorfológicas em ambientes insulares remotos, como para a análise da distribuição espaço-temporal dos ninhos de aves marinhas. O armazenamento das imagens aéreas capturadas permite a criação de um banco de dados geoespaciais que pode ser utilizado como referência para comparações futuras. Nesse sentido, o estudo destaca a importância de um monitoramento contínuo englobando aspectos geomorfológicos das ilhas recifais e aspectos ecológicos associados à nidificação de aves marinhas, especialmente considerando o atual contexto das mudanças climáticas.

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  • MATHEUS ASSIS DE OLIVEIRA
  • DIVERSIDADE TAXONÔMICA E FUNCIONAL DAS ASSEMBLEIAS DE PEIXES: INFLUÊNCIA DAS VARIÁVEIS OCEANOGRÁFICAS NA PLATAFORMA CONTINENTAL DE PERNAMBUCO

  • Orientador : MARCELO FRANCISCO DE NOBREGA
  • MEMBROS DA BANCA :
  • MARCELO FRANCISCO DE NOBREGA
  • FERNANDO ANTONIO DO NASCIMENTO FEITOSA
  • PEDRO AUGUSTO MENDES DE CASTRO MELO
  • RALF SCHWAMBORN
  • JORGE EDUARDO LINS OLIVEIRA
  • Data: 25/Set/2023

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  • As espécies de peixes desempenham papéis ecológicos fundamentais nos ecossistemas marinhos, destacando-se a regulação das cadeias e teias alimentares, da biodiversidade e da saúde dos ecossistemas, além disso, também contribuem para os processos socioeconômicos. No entanto, equilibrar ecologia, cultura e economia requer práticas sustentáveis para evitar a sobrexploração dos recursos. O conceito de resiliência funcional enfatiza a importância da diversidade para amortecer perturbações antrópicas sobre as comunidades biológicas. O “efeito de portfólio”, ligado à teoria do portfólio, destaca portfólios de espécies diversas para quando se visa a saúde do ecossistema. Os impactos globais nas comunidades de peixes são discutidos neste estudo, com foco na costa nordeste brasileira, onde a pesca excessiva, capturas acessórias, os derramamentos de óleo e as mudanças climáticas já perturbam os ecossistemas marinhos regionais. O índice integrativo dos números de Hill foi utilizado para medir a diversidade taxonômica e funcional e a redundância funcional. As tendências funcionais foram medidas usando análises de PCoA. As tendências funcionais com as análises do PCoA revelaram uma mudança substancial entre a primeira década (D1) e a segunda década (D2) na costa de Pernambuco, o nicho espacial apresentou uma redução notável o que significa um potencial de extinções locais e uma crescente fragilidade ecológica. A diversidade taxonômica alfa (DT) retrata fortemente um cenário de perda de espécies entre décadas que se mostrou mais fraco com espécies dominantes. A costa Sul de Pernambuco foi a mais taxonomicamente diversa, seguida pela costa Norte, com o maior número de espécies raras e comuns. A Diversidade Funcional Alfa (FD) seguiu padrões semelhantes aos da TD, onde D1 era significativamente funcionalmente mais diverso que o D2, a costa sul foi a mais rica e diversa funcionalmente, expressando uma elevada complexidade dos ecossistemas locais. O beta TD local mostra cerca de 50% de dissimilaridade de espécies raras e dominantes entre as décadas. Regionalmente, a composição de espécies raras muda cerca de 65%. A Beta FD varia, com espécies dominantes influenciando a dissimilaridade em escala local e espécies comuns afetando a escala regional. D2 tem menor redundância, a costa sul é mais resiliente para espécies raras e comuns, a costa norte destaca-se pela resiliência das espécies dominantes, a redundância funcional foi maior em nas assembleias aninhadas com D1, diminuindo entre décadas e variando entre áreas costeiras, refletindo mudanças na dinâmica dos ecossistemas e perda de espécies. Este estudo mostra impactos  antrópicos significativos nos ecossistemas costeiros de Pernambuco, causando perda de biodiversidade, alteração de habitats e mudanças nos espaços funcionais da região. Os menores diversidade alfa obtidos em D2 sinaliza perda de espécies e habitats mais simples, aumentando a vulnerabilidade ao longo do tempo. A dependência de espécies raras na diversidade beta regional coloca desafios às alterações climáticas que podem levá-las a extinção, visto que são mais vulneráveis que as comuns e dominantes. O estudo traz a interacção intrínseca do homem-ecossistema, os potenciais impactos diretos e indiretos para os padrões observados e a importância das Áreas de Proteção Marinhas (MPAs) na mitigação dos impactos à comunidades biológicas e visa contribuir de forma expressiva na tomada de decisões para planos eficazes de conservação da biodiversidade marinha no Sudoeste Equatorial do Atlântico.


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  • As espécies de peixes desempenham papéis ecológicos fundamentais nos ecossistemas marinhos, destacando-se a regulação das cadeias e teias alimentares, da biodiversidade e da saúde dos ecossistemas, além disso, também contribuem para os processos socioeconômicos. No entanto, equilibrar ecologia, cultura e economia requer práticas sustentáveis para evitar a sobrexploração dos recursos. O conceito de resiliência funcional enfatiza a importância da diversidade para amortecer perturbações antrópicas sobre as comunidades biológicas. O “efeito de portfólio”, ligado à teoria do portfólio, destaca portfólios de espécies diversas para quando se visa a saúde do ecossistema. Os impactos globais nas comunidades de peixes são discutidos neste estudo, com foco na costa nordeste brasileira, onde a pesca excessiva, capturas acessórias, os derramamentos de óleo e as mudanças climáticas já perturbam os ecossistemas marinhos regionais. O índice integrativo dos números de Hill foi utilizado para medir a diversidade taxonômica e funcional e a redundância funcional. As tendências funcionais foram medidas usando análises de PCoA. As tendências funcionais com as análises do PCoA revelaram uma mudança substancial entre a primeira década (D1) e a segunda década (D2) na costa de Pernambuco, o nicho espacial apresentou uma redução notável o que significa um potencial de extinções locais e uma crescente fragilidade ecológica. A diversidade taxonômica alfa (DT) retrata fortemente um cenário de perda de espécies entre décadas que se mostrou mais fraco com espécies dominantes. A costa Sul de Pernambuco foi a mais taxonomicamente diversa, seguida pela costa Norte, com o maior número de espécies raras e comuns. A Diversidade Funcional Alfa (FD) seguiu padrões semelhantes aos da TD, onde D1 era significativamente funcionalmente mais diverso que o D2, a costa sul foi a mais rica e diversa funcionalmente, expressando uma elevada complexidade dos ecossistemas locais. O beta TD local mostra cerca de 50% de dissimilaridade de espécies raras e dominantes entre as décadas. Regionalmente, a composição de espécies raras muda cerca de 65%. A Beta FD varia, com espécies dominantes influenciando a dissimilaridade em escala local e espécies comuns afetando a escala regional. D2 tem menor redundância, a costa sul é mais resiliente para espécies raras e comuns, a costa norte destaca-se pela resiliência das espécies dominantes, a redundância funcional foi maior em nas assembleias aninhadas com D1, diminuindo entre décadas e variando entre áreas costeiras, refletindo mudanças na dinâmica dos ecossistemas e perda de espécies. Este estudo mostra impactos  antrópicos significativos nos ecossistemas costeiros de Pernambuco, causando perda de biodiversidade, alteração de habitats e mudanças nos espaços funcionais da região. Os menores diversidade alfa obtidos em D2 sinaliza perda de espécies e habitats mais simples, aumentando a vulnerabilidade ao longo do tempo. A dependência de espécies raras na diversidade beta regional coloca desafios às alterações climáticas que podem levá-las a extinção, visto que são mais vulneráveis que as comuns e dominantes. O estudo traz a interacção intrínseca do homem-ecossistema, os potenciais impactos diretos e indiretos para os padrões observados e a importância das Áreas de Proteção Marinhas (MPAs) na mitigação dos impactos à comunidades biológicas e visa contribuir de forma expressiva na tomada de decisões para planos eficazes de conservação da biodiversidade marinha no Sudoeste Equatorial do Atlântico.

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  • ARTHUR ALVES PRATES GOMES
  • Acúmulo e Estoque de Carbono na Manguezal de Atapuz, Sistema Estuarino de Itapessoca, Goiana (PE)

  • Orientador : ROBERTO LIMA BARCELLOS
  • MEMBROS DA BANCA :
  • ROBERTO LIMA BARCELLOS
  • MANUEL DE JESUS FLORES MONTES
  • TEREZA CRISTINA MEDEIROS DE ARAUJO
  • ÂNGELO FRAGA BERNARDINO
  • KARINE MATOS MAGALHÃES
  • Data: 31/Out/2023

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  • O manguezal é um ecossistema costeiro tropical capaz de capturar e estocar carbono no sedimento em taxas mais altas que florestas tropicais, sendo assim denominado ecossistema de Carbono Azul. Nesse contexto, é fundamental realizarmos inventários de carbono e estudos sobre sua dinâmica geoquímica/sedimentar para mitigar os efeitos das mudanças climáticas. Sendo assim, o Manguezal de Atapuz, localizado em Goiana, Pernambuco (Brasil), foi a área escolhida para o estudo apresentado. Foram coletadas amostras de testemunho em um transecto contendo quatro subambientes sedimentares: prado de fanerógamas, franja do mangue, manguezal e apicum. Além disso, foram também coletadas amostras superficiais para três diferentes transectos, todos compreendendo os quatro subambientes mencionados para os testemunhos. A fim de se observar a sazonalidade da região, as coletas ocorreram nos meses de maio, julho, novembro de 2022 e fevereiro de 2023. As variáveis analisadas foram granulometria (cascalho, areia e lama), teor de CaCO3 (carbonato de cálcio) e teor de MOT (Matéria Orgânica Total). A partir das análises dos dados obtidos concluiu-se que as diferenças entre os subambientes foram mais significativas que as variações sazonais. O apicum apresentou maior estabilidade ao longo do ano e segundo maior estoque de carbono (18.449,18 g.m-2). As coletas realizadas dentro do manguezal indicaram menor taxa de sedimentação (0,09 cm.ano-1) e de acumulação (1,19 g.m-2.ano-1). No entanto foi o ambiente com maior teor médio de MOT (8,74%) em superfície quando comparado aos outros ambientes. Já o prado de fanerógamas possui maior teor médio de CaCO3 (18,20%) e maiores taxas de sedimentação e acumulação (0,91 cm.ano-1 e 6,36 g.m-2.ano-1, respectivamente). A franja do mangue, por sua vez, foi o ambiente mais arenoso (média: 90,82%) e com as menores concentrações de carbonato (4,58%) e matéria orgânica total (3,28%) em superfície e maior estoque de carbono (228.667,35 g.m-2).


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  • O manguezal é um ecossistema costeiro tropical capaz de capturar e estocar carbono no sedimento em taxas mais altas que florestas tropicais, sendo assim denominado ecossistema de Carbono Azul. Nesse contexto, é fundamental realizarmos inventários de carbono e estudos sobre sua dinâmica geoquímica/sedimentar para mitigar os efeitos das mudanças climáticas. Sendo assim, o Manguezal de Atapuz, localizado em Goiana, Pernambuco (Brasil), foi a área escolhida para o estudo apresentado. Foram coletadas amostras de testemunho em um transecto contendo quatro subambientes sedimentares: prado de fanerógamas, franja do mangue, manguezal e apicum. Além disso, foram também coletadas amostras superficiais para três diferentes transectos, todos compreendendo os quatro subambientes mencionados para os testemunhos. A fim de se observar a sazonalidade da região, as coletas ocorreram nos meses de maio, julho, novembro de 2022 e fevereiro de 2023. As variáveis analisadas foram granulometria (cascalho, areia e lama), teor de CaCO3 (carbonato de cálcio) e teor de MOT (Matéria Orgânica Total). A partir das análises dos dados obtidos concluiu-se que as diferenças entre os subambientes foram mais significativas que as variações sazonais. O apicum apresentou maior estabilidade ao longo do ano e segundo maior estoque de carbono (18.449,18 g.m-2). As coletas realizadas dentro do manguezal indicaram menor taxa de sedimentação (0,09 cm.ano-1) e de acumulação (1,19 g.m-2.ano-1). No entanto foi o ambiente com maior teor médio de MOT (8,74%) em superfície quando comparado aos outros ambientes. Já o prado de fanerógamas possui maior teor médio de CaCO3 (18,20%) e maiores taxas de sedimentação e acumulação (0,91 cm.ano-1 e 6,36 g.m-2.ano-1, respectivamente). A franja do mangue, por sua vez, foi o ambiente mais arenoso (média: 90,82%) e com as menores concentrações de carbonato (4,58%) e matéria orgânica total (3,28%) em superfície e maior estoque de carbono (228.667,35 g.m-2).

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  • ROBEVÂNIA DA SILVA SOUZA
  • VARIAÇÃO INTERDECADAL DAS CONCENTRAÇÕES DE ZOOPLÂNCTON E MICROPLÁSTICOS NO SISTEMAS ESTUARINO DE ITAMARACÁ (PE)

  • Orientador : SIGRID NEUMANN LEITAO
  • MEMBROS DA BANCA :
  • SIGRID NEUMANN LEITAO
  • PEDRO AUGUSTO MENDES DE CASTRO MELO
  • FERNANDO DE FIGUEIREDO PORTO NETO
  • MAURO DE MELO JÚNIOR
  • RENATA POLYANA DE SANTANA CAMPELO
  • Data: 31/Out/2023

  • Mostrar Resumo
  • Uma das principais ameaças antropogênicas para ecossistemas marinhos na atualidade são os microplásticos. Por mais que tenha ocorrido um aumento considerável no número de trabalhos envolvendo a contaminação da biota aquática por microplásticos durante os últimos anos, esses estudos são geralmente pontuais e temporariamente restritos. Em síntese o presente estudo, aborda o desafio das análises decadais através de uma extensa, valiosa e única coleção de amostras de plâncton que são referentes a um período de quatro décadas (1970 a 2000), coletadas para coleção de amostras científicas pertencentes ao Museu de Oceanografia Professor Petrônio Coelho (MOUFPE). Por conseguinte, este é o primeiro estudo brasileiro com microplásticos e organismos zooplanctônico in situ cobrindo um período tão longo, tendo como principais objetivos: (i) Realizar um regaste histórico sobre a contaminação por MP ao longo das décadas no sistema estuarino de Itamaracá, (ii) e relacionar tal variação com a comunidade zooplanctônica. Para analisar a ocorrência de partículas de microplásticos do complexo estuarino Canal de Santa Cruz, em termos quanti-qualitativos, foi necessário realizar um levantamento histórico das amostras de zooplâncton que compreendem um período de coleta realizado entre 1973-2008.  Foram então selecionadas amostras de forma aleatória para cada uma das décadas, a fim de representar a evolução das concentrações de microplásticos ao longo do tempo no sistema estuarino de Itamaracá. As amostras foram obtidas através de arrastos horizontais à superfície realizados por meio de uma rede de plâncton cônico-cilíndrica com malha de 64 µm em dois dos principais rios da região (Rio Igarassu e Rio Botafogo). As análises de microplásticos foram obtidas através de alíquotas 30ml, posteriormente cada subamostra foi submetida a diretamente ao processo de digestão da matéria orgânica com a solução de hidróxido de potássio (KOH 8%) e hipoclorito de sódio (NaClO), sendo os MPs quantificados de acordo com tipo, cor e forma após o processo digestivo. Para confirmação polimérica, e posteriormente analisadas quimicamente com Espectroscopia no Infravermelho por Transformada de Fourier (FTIR). O tipo de microplástico flutuante predominante são as fibras representam mais de 90% dos itens presentes no ambiente. Os MPs translúcidos foram os mais abundantes em todas as décadas. Com relação a faixa de tamanho de maior abundância relativa foi de 0,5-0,1 mm. os resultados obtidos através do teste de Kruskal-Wallis (p-value = 0.9986) provou que não existe diferença estatística nas concentrações de microplásticos ao longo das décadas. O teste de Sperman (p- value > 0.05) mostrou que não existe correlação entre as concentrações, tipo, cor de microplásticos e zooplâncton ao longo das décadas. Notadamente é de suma importância obter dados atualizados e ampliar a amostragem para realizar comparações com os resultados obtidos neste trabalho.  Ainda existe um longo caminho para compreender as interações de microplásticos ao longo do tempo, no entanto os resultados apresentados neste trabalho auxiliam no entendimento das densidades reais de MPs em ambientes estuarinos e como suas concentrações já eram predominantes no ambiente desde a década de 70, o que pode ameaçar toda a biota aquática local.


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  • Uma das principais ameaças antropogênicas para ecossistemas marinhos na atualidade são os microplásticos. Por mais que tenha ocorrido um aumento considerável no número de trabalhos envolvendo a contaminação da biota aquática por microplásticos durante os últimos anos, esses estudos são geralmente pontuais e temporariamente restritos. Em síntese o presente estudo, aborda o desafio das análises decadais através de uma extensa, valiosa e única coleção de amostras de plâncton que são referentes a um período de quatro décadas (1970 a 2000), coletadas para coleção de amostras científicas pertencentes ao Museu de Oceanografia Professor Petrônio Coelho (MOUFPE). Por conseguinte, este é o primeiro estudo brasileiro com microplásticos e organismos zooplanctônico in situ cobrindo um período tão longo, tendo como principais objetivos: (i) Realizar um regaste histórico sobre a contaminação por MP ao longo das décadas no sistema estuarino de Itamaracá, (ii) e relacionar tal variação com a comunidade zooplanctônica. Para analisar a ocorrência de partículas de microplásticos do complexo estuarino Canal de Santa Cruz, em termos quanti-qualitativos, foi necessário realizar um levantamento histórico das amostras de zooplâncton que compreendem um período de coleta realizado entre 1973-2008.  Foram então selecionadas amostras de forma aleatória para cada uma das décadas, a fim de representar a evolução das concentrações de microplásticos ao longo do tempo no sistema estuarino de Itamaracá. As amostras foram obtidas através de arrastos horizontais à superfície realizados por meio de uma rede de plâncton cônico-cilíndrica com malha de 64 µm em dois dos principais rios da região (Rio Igarassu e Rio Botafogo). As análises de microplásticos foram obtidas através de alíquotas 30ml, posteriormente cada subamostra foi submetida a diretamente ao processo de digestão da matéria orgânica com a solução de hidróxido de potássio (KOH 8%) e hipoclorito de sódio (NaClO), sendo os MPs quantificados de acordo com tipo, cor e forma após o processo digestivo. Para confirmação polimérica, e posteriormente analisadas quimicamente com Espectroscopia no Infravermelho por Transformada de Fourier (FTIR). O tipo de microplástico flutuante predominante são as fibras representam mais de 90% dos itens presentes no ambiente. Os MPs translúcidos foram os mais abundantes em todas as décadas. Com relação a faixa de tamanho de maior abundância relativa foi de 0,5-0,1 mm. os resultados obtidos através do teste de Kruskal-Wallis (p-value = 0.9986) provou que não existe diferença estatística nas concentrações de microplásticos ao longo das décadas. O teste de Sperman (p- value > 0.05) mostrou que não existe correlação entre as concentrações, tipo, cor de microplásticos e zooplâncton ao longo das décadas. Notadamente é de suma importância obter dados atualizados e ampliar a amostragem para realizar comparações com os resultados obtidos neste trabalho.  Ainda existe um longo caminho para compreender as interações de microplásticos ao longo do tempo, no entanto os resultados apresentados neste trabalho auxiliam no entendimento das densidades reais de MPs em ambientes estuarinos e como suas concentrações já eram predominantes no ambiente desde a década de 70, o que pode ameaçar toda a biota aquática local.

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  • ANGELICA VIANA E SILVA
  • BIOMASSA E COMPOSIÇÃO POR PIGMENTOS DA COMUNIDADE FITOPLANCTÔNICA NA DESEMBOCADURA DO RIO AMAZONAS E PLATAFORMA ADJACENTE

  • Orientador : PEDRO AUGUSTO MENDES DE CASTRO MELO
  • MEMBROS DA BANCA :
  • PEDRO AUGUSTO MENDES DE CASTRO MELO
  • FERNANDO ANTONIO DO NASCIMENTO FEITOSA
  • GABRIEL BITTENCOURT FARIAS
  • Data: 30/Nov/2023

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  • A comunidade fitoplanctônica constitui a base da maioria das teias tróficas marinhas e contribui com aproximadamente 50% da produção primária total do planeta. Uma das formas de se estudar essa comunidade é através da quantificação da clorofila-a e dos pigmentos biomarcadores, que têm sido amplamente utilizados para quantificar a biomassa e para a identificação e quantificação das comunidades. Amostras de água foram coletadas em 33 estações na Plataforma Continental Amazônica (PCA) e oceano adjacente, para determinar as concentrações dos nutrientes e pigmentos. As amostras foram analisadas através de HPLC e os grupos fitoplanctônicos determinadas a partir do CHEMTAX. Em todas as estações foram obtidos simultaneamente perfis verticais de temperatura e salinidade. A PCA é uma área complexa, que sofre influência de várias forçantes, como ondas internas, além da pluma do rio Amazonas, que tem importante papel no carreamento de nutrientes, contribuindo para um aumento da produtividade primária e influenciando a estrutura das comunidades pelo seu papel na estratificação do oceano superior. Na região sob influência da pluma, foram observadas altas concentrações de nutrientes que contribuíram para um aumento da Chl-a total e do microfitoplâncton nas estações próximas a desembocadura do rio, com pico de TChl-a de 2.583 μg.l-1 na St31. No PMC, fora da pluma observou-se altas concentrações na St1 para a fração total (1.305 μg.l-1) e microfitoplâncton (1.022 μg.l-1) influenciadas principalmente pelas ondas internas. Apesar desse incremento na biomassa do microfitoplâncton, a fração do pico- e nanofitoplâncton dominou a TChl-a em todo o estudo com 76% de contribuição. Através das análises de HPLC Foram identificados 15 pigmentos, através dos quais foram determinadas a contribuição relativa dos grupos. Dentre os que mais se destacaram estão as diatomáceas, dinoflagelados e Synechococcus, Prochlorococcus, haptófitas e prasinófitas. As diatomáceas, dinoflagelados e Synechococcus apresentaram maior contribuição na pluma, Prochlorococcus, Synechococcus e haptófitas na região de transição e Prochlorococcus, haptófitas e prasinófitas fora da pluma, respectivamente. Através do índice Fp observou-se a produção nova 5 vezes maior na área da pluma em relação a região fora da pluma, que apresentou valor de índice característico de produção regenerada. Verticalmente, a superfície da pluma apresentou o maior valor de Fp, ressaltando a importância da pluma e dos nutrientes no aumento da produção nova, favorecendo o funcionamento da teia trófica clássica. Apesar desses valores elevados de índice na pluma, a dominância na área de estudo foi da fração <20 μm, o que pode indicar uma relação desacoplada entre a biomassa e o tamanho da comunidade na PCA, pois apesar da entrada de nutrientes favorecer um aumento da biomassa principalmente nas estações localizadas na desembocadura do rio e contribuir para a dominância das diatomáceas na camada de superfície, a comunidade foi majoritariamente composta por células do pico- e nanofitoplâncton durante o período de estudo. Durante o estudo, determinou-se que as concentrações de nutrientes carreados pela pluma, juntamente com a salinidade e temperatura, além de processos físicos como as ondas internas, são os principais fatores que regem a estrutura da comunidade fitoplanctônica na PCA e oceano adjacente. 


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  • A comunidade fitoplanctônica constitui a base da maioria das teias tróficas marinhas e contribui com aproximadamente 50% da produção primária total do planeta. Uma das formas de se estudar essa comunidade é através da quantificação da clorofila-a e dos pigmentos biomarcadores, que têm sido amplamente utilizados para quantificar a biomassa e para a identificação e quantificação das comunidades. Amostras de água foram coletadas em 33 estações na Plataforma Continental Amazônica (PCA) e oceano adjacente, para determinar as concentrações dos nutrientes e pigmentos. As amostras foram analisadas através de HPLC e os grupos fitoplanctônicos determinadas a partir do CHEMTAX. Em todas as estações foram obtidos simultaneamente perfis verticais de temperatura e salinidade. A PCA é uma área complexa, que sofre influência de várias forçantes, como ondas internas, além da pluma do rio Amazonas, que tem importante papel no carreamento de nutrientes, contribuindo para um aumento da produtividade primária e influenciando a estrutura das comunidades pelo seu papel na estratificação do oceano superior. Na região sob influência da pluma, foram observadas altas concentrações de nutrientes que contribuíram para um aumento da Chl-a total e do microfitoplâncton nas estações próximas a desembocadura do rio, com pico de TChl-a de 2.583 μg.l-1 na St31. No PMC, fora da pluma observou-se altas concentrações na St1 para a fração total (1.305 μg.l-1) e microfitoplâncton (1.022 μg.l-1) influenciadas principalmente pelas ondas internas. Apesar desse incremento na biomassa do microfitoplâncton, a fração do pico- e nanofitoplâncton dominou a TChl-a em todo o estudo com 76% de contribuição. Através das análises de HPLC Foram identificados 15 pigmentos, através dos quais foram determinadas a contribuição relativa dos grupos. Dentre os que mais se destacaram estão as diatomáceas, dinoflagelados e Synechococcus, Prochlorococcus, haptófitas e prasinófitas. As diatomáceas, dinoflagelados e Synechococcus apresentaram maior contribuição na pluma, Prochlorococcus, Synechococcus e haptófitas na região de transição e Prochlorococcus, haptófitas e prasinófitas fora da pluma, respectivamente. Através do índice Fp observou-se a produção nova 5 vezes maior na área da pluma em relação a região fora da pluma, que apresentou valor de índice característico de produção regenerada. Verticalmente, a superfície da pluma apresentou o maior valor de Fp, ressaltando a importância da pluma e dos nutrientes no aumento da produção nova, favorecendo o funcionamento da teia trófica clássica. Apesar desses valores elevados de índice na pluma, a dominância na área de estudo foi da fração <20 μm, o que pode indicar uma relação desacoplada entre a biomassa e o tamanho da comunidade na PCA, pois apesar da entrada de nutrientes favorecer um aumento da biomassa principalmente nas estações localizadas na desembocadura do rio e contribuir para a dominância das diatomáceas na camada de superfície, a comunidade foi majoritariamente composta por células do pico- e nanofitoplâncton durante o período de estudo. Durante o estudo, determinou-se que as concentrações de nutrientes carreados pela pluma, juntamente com a salinidade e temperatura, além de processos físicos como as ondas internas, são os principais fatores que regem a estrutura da comunidade fitoplanctônica na PCA e oceano adjacente. 

Teses
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  • LISANA FURTADO CAVALCANTI LIMA
  • Diversidade, estrutura e biomassa fitoplanctônica ao longo de um continuum estuário-oceano, Sítio Ramsar - Costa Norte Amazônica: uma abordagem temporal e espacial.

  • Orientador : FERNANDO ANTONIO DO NASCIMENTO FEITOSA
  • MEMBROS DA BANCA :
  • FERNANDO ANTONIO DO NASCIMENTO FEITOSA
  • PEDRO AUGUSTO MENDES DE CASTRO MELO
  • SIGRID NEUMANN LEITAO
  • ANDREA CHRISTINA GOMES DE AZEVEDO CUTRIM
  • LUCI CAJUEIRO CARNEIRO PEREIRA
  • Data: 14/Fev/2023

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  • A manutenção da biodiversidade, fator chave na ecologia, tem sido um dos maiores desafios na atualidade. Entender os processos que influenciam a diversidade e estrutura fitoplanctônica pode auxiliar no estabelecimento de medidas de conservação cada vez mais precisas. Devido a isto, a pesquisa foi desenvolvida na Plataforma Continental Maranhense (PCM), setor leste da Costa Norte Amazônica, considerada hotspot mundial para conservação por apresentar elevada produtividade e diversidade biológica. Este estudo teve como objetivo investigar os padrões temporais e espaciais da diversidade, estrutura e biomassa fitoplanctônica na PCM, evidenciando sua relação com a variabilidade climática, ciclo de maré e hidrologia ao longo de um continuum estuário-oceano. Para isso, foram realizadas análises temporais e espaciais das variáveis físicas, químicas e biológicas entre os anos de 2019 e 2020, totalizando 13 pontos amostrais considerando duas abordagens. A primeira (menor escala espacial) investigou padrões eco-hidrólogicos ao longo de cinco pontos em uma baía de macromaré (Baía de Cumã). A segunda (maior escala espacial) abrangeu desde os pontos mais internos da baía até a isóbata de 60 m próximo a quebra da plataforma, caracterizando um continuum estuário-oceano. Como resultados, 192 táxons foram identificados na baía de Cumã e 189 ao longo do continuum estuário-oceano, com o predomínio do filo Bacillariophyta (diatomáceas) em ambas as escalas, seguido por Miozoa e Cyanobacteria. A dinâmica hidrológica na PCM foi caracterizada espacialmente pela elevada contribuição continental que resultou em uma maior influência da pluma estuarina (salinidade < 30) alcançando cerca de 60 km da linha de costa. Esta dinâmica, associada ao regime de macromaré, resultou em uma heterogeneidade ambiental marcada por zonas funcionalmente distintas. Sazonalmente, a maior influência da pluma estuarina e disponibilidade de luz na Baía de Cumã, durante os primeiros meses do ano, favoreceram o aumento da densidade e biomassa fitoplanctônica, com ocorrência de blooms da diatomácea Skeletonema costatum (> 106 cell L-1) e redução de diversidade taxonômica. Durante a estiagem, a maior penetração da água marinha no sistema associada a maior intensidade dos ventos e dinâmica de macromarés resultaram em águas mais turvas, limitando a disponibilidade de luz e atividade fotossintética do fitoplâncton. A análise de cluster identificou a formação de oito grupos fitoplanctônicos associados à variabilidade espaço-temporal do continnum estuário-oceano. A partir desses grupos, 39 espécies foram selecionadas como indicadoras da PCM. A diversidade beta apresentou um gradiente crescente ao longo da escala temporal e espacial. Por fim, o presente estudo evidenciou que processos determinísticos governaram a estrutura comunidade e diversidade fitoplanctônica da PCM, e reforça a importância da manutenção de séries temporais para melhor compreensão da dinâmica do fitoplâncton em ambientes de alta complexidade como os encontrados na Costa Norte Amazônica.


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2
  • ROXANNY HELEN DE ARRUDA SANTOS
  • Avaliação da contaminação do Sistema Estuarino do Rio Capibaribe utilizando marcadores específicos de esgoto doméstico bem como seus efeitos tóxicos para peixes

  • Orientador : ELIETE ZANARDI LAMARDO
  • MEMBROS DA BANCA :
  • MANUEL DE JESUS FLORES MONTES
  • ELIETE ZANARDI LAMARDO
  • LILIA PEREIRA DE SOUZA SANTOS
  • ÍTALO BRAGA DE CASTRO
  • ROMULO NEPOMUCENO ALVES
  • Data: 28/Abr/2023

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  • O Sistema Estuarino do Rio Capibaribe (SERC) é um estuário tropical localizado em uma região metropolitana densamente povoada no Nordeste brasileiro, fornecendo múltiplos serviços ecossistêmicos, incluindo pesca artesanal, turismo e navegação. Uma carga significativa de efluentes domésticos e industriais está causando visível degradação ambiental que precisa ser caracterizada. Este estudo avaliou o grau de contaminação por esgoto doméstico e a contribuição relativa de fontes de carbono orgânico (CO) em sedimentos, medindo a relação atômica carbono-nitrogênio (C/N)a, δ13C de CO e concentrações de alquilbenzenos lineares (LAB). O modelo de mistura SIAR indicou que o fitoplâncton estuarino e o esgoto contribuem com 73% e 22% para o CO, respectivamente, com base nas razões (C/N)a sedimentares que variaram de 8,5 a 12,9, e δ13C variando de -25,21 a -21,63‰. Isso sugere que a eutrofização do SERC é desencadeada pelo influxo de esgoto. O SERC foi caracterizado como moderadamente contaminado por LAB, sendo que as maiores concentrações observadas na porção interna, de 287 a 1349 ng g-1 de peso seco, sugerem retenção de esgoto. O modelo isotópico de mistura indicou um processo de diluição significativa de CO derivado de esgoto pelo fitoplâncton estuarino. A menor concentração de LAB no estuário inferior (317 – 320 ng g-1 de peso seco) provavelmente resultou da diluição marinha. A análise de componentes principais demonstrou que a lama regula o teor de CO sedimentar e que a pluma de esgoto regula o LAB sedimentar. A alta degradação dos isômeros do LAB provavelmente reflete a condição heterotrófica desse sistema, sugerindo também que esses compostos são introduzidos no SERC parcialmente degradados. Nossos resultados apontaram que a matéria orgânica degradada é resultado do aporte crônico e prolongado de esgoto. Considerando as implicações da poluição por esgotos para o meio ambiente e para a saúde pública, há uma necessidade urgente de melhores políticas para melhorar a capacidade de tratamento de efluentes domésticos, reduzindo a contaminação dos ambientes estuarinos.


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3
  • MARIANA DA FONSECA CAVALCANTI
  • Meiofauna, com ênfase em Nematoda, do canal principal do estuário do Rio Capibaribe (Pernambuco - Brasil)

  • Orientador : JOSE SOUTO ROSA FILHO
  • MEMBROS DA BANCA :
  • JOSE SOUTO ROSA FILHO
  • LILIA PEREIRA DE SOUZA SANTOS
  • THUAREAG MONTEIRO TRINDADE
  • TACIANA KRAMER DE OLIVEIRA PINTO
  • VIRAG VENEKEY
  • Data: 24/Jul/2023

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  • .Os estuários são sistemas dinâmicos e produtivos, caracterizados por ser uma região costeira de transição entre os rios e o mar, e estão entre os ecossistemas mais valiosos do mundo. A hidrodinâmica estuarina, por sua vez, é impulsionada pelas marés e descarga do rio, limitada pela morfologia do estuário. O Rio Capibaribe é o maior rio do litoral de Pernambuco, representa o corpo hídrico mais importante da Cidade do Recife. Vários são os estudos sobre as diversas contaminações nos sedimentos do estuário do Rio Capibaribe, que o caracterizam como hipereutrofizado. A excessiva entrada de matéria orgânica no estuário pode ter efeitos deletérios sobre o ecossistema e sua comunidade bentônica, dado que pode levar à deficiência de oxigênio. Dentre a meiofauna estuarina, representantes do Filo Nematoda destacam-se pela riqueza e abundância, desempenhando papéis cruciais na ciclagem de nutrientes e como fontes de alimento para outros organismos. Os nematódeos têm sido amplamente utilizados como bioindicadores de impactos ambientais; e devido aos diferentes comportamentos de alimentação e estratégias de vida, os nematódeos variam de colonizadores (r-estrategistas), que rapidamente aumentam em número em condições favoráveis, a persistentes (K-estrategistas). A partir dessas informações, foi testada a hipótese de que a variação espaço-temporal das comunidades da meiofauna, em particular a nematofauna, reflete a eutrofização do estuário do Rio Capibaribe. Além disso, um experimento in situ foi realizado a fim de verificar a eficácia de unidades artificiais de substrato (UAS) na amostragem representativa da nematofauna estuarina. Num primeiro momento, cinco pontos do médio estuário foram analisados para caracterizar as comunidades de meiofauna. O sedimento foi coletado com auxílio de um tubo cilíndrico de abertura 2.5 cm², introduzidos até 5 cm do sedimento. As amostras foram fixadas in situ em solução formalina à 5%. Num segundo momento, seis pontos do médio estuário foram analisados, em dois momentos amostrais (chuvoso e seco), para análise das comunidades de Nematoda, que seguiu a mesma metodologia de coleta e fixação do sedimento. Para a extração dos nematódeos, por sua vez, foi utilizada a metodologia de flotação por alta densidade com sílica coloidal. Também foram analisados à granulometria, concentração de matéria orgânica e carbonato de cálcio. No momento das coletas, as UAS’s foram instaladas, presas nas raízes de árvores de mangue, e 15 dias depois foram recolhidas, e o material retido lavado e fixado. A metodologia de extração da nematofauna foi também com o uso de sílica coloidal. O sedimento foi classificado como silte-arenoso, variando entre pontos amostrais e/ou momento amostral. Todos os pontos de amostragem foram caracterizados com alta concentração de matéria orgânica, variando entre os pontos. A coluna de água nos pontos de amostragem foi caracterizada com baixa concentração de oxigênio dissolvido (<5 mg/L). A meiofauna foi composta por nove táxons: Acari, Amphipoda, Cladocera, Copepoda, Cumacea, Ostracoda, Nematoda, Oligochaeta e Turbellaria. Nematoda e Copepoda foram os únicos dois táxons presentes em todos os pontos; sendo Nematoda o grupo dominante, representando entre 80 e 99% das comunidades. A nematofauna foi composta por 108 gêneros, 10 ordens e 46 famílias. A riqueza variou entre os pontos e entre os momentos amostrais, entre 14 e 50 táxons, no período chuvoso, e 16 e 40 táxons, no período seco. Os pontos que apresentaram maiores diferenças nas comunidades da nematofauna foram os pontos localizados mais distantes entre si, com influências diferentes de salinidade, concentração de matéria orgânica e granulometria. A densidade da meiofauna foi mais baixa do que os achados na Bacia do Pina, que faz parte do Complexo Estuarino do Rio Capibaribe; porém, estes valores foram maiores do que no estuário do Rio Beberibe. A riqueza da meiofauna foi maior tanto na Bacia do Pina quanto no estuário do Rio Beberibe, porém inferior à maioria dos estudos em outros estuários brasileiros. No entanto, é importante destacar que nosso estudo ocorreu na área do médio estuário, enquanto esses estudos acima citados cobrem também a parte inferior desses estuários, onde mais táxons marinhos podem ser encontrados. A densidade da nematofauna apresentou valores dentro dos esperados para estuários tropicais eutrofizados; entretanto, a riqueza de gêneros foi maior do que em outros estuários brasileiros pode ser devido à cobertura amostral, principalmente nas regiões estuarinas mais distantes da foz. Ainda assim, a alta densidade dos detritívoros Haliplectus, Neochromadora e Thalassomonhystera corrobora a hipereutrofização do médio estuário do Rio Capibaribe. Os índices de maturidade (IM) das comunidades de nematódeos variaram entre os pontos amostrais de 1.4 (P6) a 3.2 (P4), no período chuvoso, e 2.0 (P6) a 3.5 (P4), no período seco, o que refletem a deterioração ou recuperação das comunidades de nematódeo. De acordo com a literatura, a dominância de espécies depositívoras não-seletivas (1B) está associada a um IM mais baixo do que uma dominância de espécies depositívoras não-seletivas (1A), o que foi encontrado no presente estudo, onde o ponto mais distante da foz (P6), com dominância de espécies depositívoras não-seletivas (1B), apresentou o IM mais baixo, em ambos períodos amostrais. Estudos de caso sugerem que o IM é diminuído por poluição (resíduos de esgoto, óleo, metais pesados), mas aumenta durante o processo de colonização. O gênero presente em todos os pontos em ambos os períodos amostrais, Haliplectus é classificado com valor colonizador-persistente c-p 3, que é conhecido por apresentarem sensibilidade à poluentes. Essa prevalência de Haliplectus em todos os pontos, mesmo que em alguns não seja o mais dominante, pode indicar este gênero como um possível bioindicador de perturbação ambiental, umas vez que sua abundância relativa variou entre diferentes pontos amostrais. Para uma melhor compreensão do comportamento deste gênero, o refinamento taxonômico em nível específico se faz necessário. As mímicas de gramíneas artificiais se mostraram uma ferramenta eficaz na caracterização da nematofauna, umas que foi encontrado uma maior densidade e riqueza de gêneros dos do que nos sedimentos adjacentes. Isto pode se dar pela alta hidrodinâmica estuarina nos pontos amostrados, uma vez que foi observada uma alta quantidade de sedimentos finos nas mímicas de gramíneas, favorecendo a colonização dos nematódeos. Os pontos amostrais estão localizados numa região do médio estuário onde se encontra uma zona de turbidez máxima. Apenas o ponto mais próximo à foz apresentou maior densidade de nematódeos nos sedimentos do que nas mímicas, porém estas por sua vez, apresentaram maior riqueza. Apesar da diferença na densidade entre as UAS’s e o sedimento, os gêneros encontrados nos substratos artificiais foram representativos do sedimento adjacente. Por fim, uma nova espécie de Nematoda, Admirandus capibaribei sp. nov., foi descrita e este foi o primeiro registro do gênero para o Brasil. Em conclusão, apesar de todos os pontos do médio estuário do Rio Capibaribe estar sobre forte eutrofização, os diferentes pontos do estuários analisados estão sobre diferentes impactos.


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  • GABRIEL BITTENCOURT FARIAS
  • Influência das forçantes físicas na distribuição da biomassa e diversidade do bacterioplâncton e fitoplâncton no nordeste do Brasil


  • Orientador : PEDRO AUGUSTO MENDES DE CASTRO MELO
  • MEMBROS DA BANCA :
  • FERNANDO ANTONIO DO NASCIMENTO FEITOSA
  • MARIA DA GLORIA GONCALVES DA SILVA CUNHA
  • PEDRO AUGUSTO MENDES DE CASTRO MELO
  • SIGRID NEUMANN LEITAO
  • MARIA CELESTE LÓPEZ ABBATE
  • FREDERICO PEREIRA BRANDINI
  • EMILIO MARAÑÓN
  • Data: 4/Set/2023

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  • As cadeias alimentares marinhas dependem amplamente do fitoplâncton e bacterioplâncton. Apesar de sua importância ecológica, as comunidades planctônicas tropicais, especialmente no Atlântico Sudoeste tropical, não são totalmente compreendidas. Esta tese tem como objetivo expandir nossa compreensão das comunidades do fitoplâncton e bacterioplâncton no Atlântico Sudoeste tropical, seu impacto potencial na estrutura metabólica e nas vias tróficas das cadeias alimentares do plâncton, e os processos ambientais subjacentes que regulam sua dinâmica. Para isso, além de uma introdução geral, esta tese está dividida em três manuscritos. No primeiro manuscrito, analisamos o fitoplâncton no Atlântico Sudoeste tropical usando dados de pigmentos de duas campanhas oceanográficas (ABRACOS 1 E 2). Observamos como a biomassa e o tamanho do fitoplâncton variam ao longo de um gradiente coasta-oceano e o impacto da estratificação termohalina na comunidade fitoplanctônica. Os resultados apontaram a estrutura termohalina como principal fator regulador da dinâmica da comunidade. Durante o outono, uma termoclina e nutriclina mais rasas levaram a um aumento de três vezes na biomassa na região oceânica. Apesar desse aumento sazonal, foi percebida uma dominância da produção reciclada e dinâmicas desacopladas entre a biomassa e a estrutura de tamanho. O picofitoplâncton e o nanofitoplâncton representaram cerca de 80% da comunidade em ambas as estações, provavelmente devido à limitação de nitrogênio. Seguindo essa dominância do picofitoplâncton e do nanofitoplâncton, no segundo manuscrito investigamos como as mudanças na estrutura termohalina afetam as proporções de biomassa autotrófica e heterotrófica do picofitoplâncton e do nanoplâncton usando dados de citometria de uma campanha de outono. Exploramos seu potencial como um indicador das vias tróficas dentro da teia alimentar do plâncton e identificamos fatores ambientais e bióticos que influenciam sua distribuição. O ambiente limitado por nitrogênio levou a dominância da biomassa de bactérias heterotróficas em relação ao crescimento autotrófico. No entanto, no pico de clorofila da região oceânica, a maior disponibilidade de favoreceu um aumento na biomassa de picoeucariotos. No geral, esses resultados enfatizam a importância da biomassa heterotrófica nas comunidades microbianas do plâncton, fornecendo insights sobre o transporte de carbono em ecossistemas marinhos oligotróficos. No terceiro manuscrito, investigamos se a estrutura da comunidade de picoplâncton e nanoplâncton influencia a distribuição da biomassa de microrganismos planctônicos e exploramos o papel do controle ascendente e descendente na formação da teia alimentar. Nossos resultados sugerem que o controle bottom-up desempenha um papel importante na regulação do microfitoplâncton, sendo as concentrações de silicato particularmente influentes para as diatomáceas. O microfitoplâncton mixotrófico e autotrófico exibem relações contrastantes com o silicato, prosperando em baixas concentrações e dominando em ambientes com maior disponibilidade de nutrientes, respectivamente. Também descobrimos que o grupo Tintinnina atua como um controle descendente na distribuição do fitoplâncton autotrófico. Os resultados desta tese destacam a importância de pequenas alterações espaciais e sazonais na estrutura da termoclina na regulação das comunidades do fitoplâncton e bactério plâncton, além da importância da comunidade microbiana no Atlântico Tropical Sudoeste. Por fim, essa tese representa um importante passo inicial em direção à modelagem de redes microbianas no Atlântico Sudoeste tropical.


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  • NYKON JEFFERSON DE ALBUQUERQUE CRAVEIRO
  • MACROFAUNA DO FITAL: QUAIS CARACTERÍSTICAS DAS MACROALGAS CONTROLAM A COMUNIDADE MACROBÊNTICA ASSOCIADA?

  • Orientador : JOSE SOUTO ROSA FILHO
  • MEMBROS DA BANCA :
  • JOSE SOUTO ROSA FILHO
  • RENATO CRESPO PEREIRA
  • FOSCA PEDINI PEREIRA LEITE
  • DAIANE EVANGELISTA AVIZ DA SILVA
  • JULIANE BERNARDI VASCONCELOS
  • Data: 29/Set/2023

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  • As macroalgas desempenham um papel crítico no aumento da complexidade e da biodiversidade dos recifes tropicais, destacando-se a sua atuação como habitat e vetores de dinamização das comunidades epibênticas associadas. Este estudo teve como objetivo responder se a estrutura das comunidades de epifauna associadas às macroalgas dos recifes tropicais do Brasil reflete a complexidade estrutural e a composição química das macroalgas. Um total de quarenta amostras de Ulva, Padina, Palisada e Gelidiella foram coletadas dos recifes de Enseada dos Corais, Nordeste do Brasil, e analisadas quanto à complexidade estrutural (por exemplo, altura, biomassa, Da, Dp, ISIIhv), compostos químicos (por exemplo,, minerais, metabólitos primários e secundários) e para identificação taxonômica da epifauna. Na síntese, as Rhodophytas foram as mais complexas e com maior conteúdo químico. Quanto à macrofauna, foram coletados 46.499 indivíduos pertencentes a 47 táxons, compostos por Crustacea (59%), Mollusca (28,9%), Annelida (8,5%) e Platyhelminthes (3,6%). A herbivoria foi a dieta mais comum (90%). Variações significativas na riqueza, abundância e composição da epifauna diferiram entre as espécies de macroalgas, especialmente devido ao conteúdo de carboidratos, neofitadieno, potássio e ISIIhv. Esses fatores macroalgas estão relacionados à origem taxonômica e à adaptação às condições ambientais e biológicas. Os resultados deste estudo indicam fortemente que a abundância, riqueza e distribuição da epifauna em macroalgas dos recifes de arenito da costa tropical do Brasil são determinadas pela complexidade e composição química das macroalgas. Os espaços intersticiais e o componente químico são utilizados pelas espécies epifaunísticas como refúgio e proteção e como fonte de alimento, respectivamente, mostrando que as macroalgas Rodófitas, especialmente P. perforata, são o melhor substrato para o estabelecimento de uma comunidade epibentônica mais complexa.


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  • As macroalgas bentônicas são importantes constituintes dos recifes costeiros e servem como substrato, abrigo e alimento para a comunidade associada, entre elas as assembléias de poliquetas. O presente trabalho teve como objetivo caracterizar a assembleia de poliquetas associada a quatro espécies de macroalgas (Gelidiella acerosa, Palisada perforata, Padina gymnospora e Ulva lactuca) no recife da Praia da Enseada dos Corais (PE) e correlacionar a arquitetura das algas à estrutura do conjunto em diferentes períodos climáticos. Foram realizadas quatro coletas: dezembro de 2018 e fevereiro de 2019, representando o período seco, e março e junho de 2019, o período chuvoso. Dez frondes de cada espécie de macroalga foram coletadas junto com a fauna associada usando sacos plásticos. No laboratório, as macroalgas foram lavadas e os poliquetas contados e identificados ao nível taxonômico mais específico possível. Os atributos da arquitetura de macroalgas (altura, dimensão fractal de área (Da) e perímetro (Dp) e ISI (Ihv)) foram calculados a partir de fotos exsicatas das frondes no programa ImageJ. O peso (g) foi obtido em balança analítica de precisão. Um total de 347 espécimes de poliquetas foram encontrados nas macroalgas (168 na estação seca e 175 na estação chuvosa), distribuídos em seis famílias (Dorvilleidae, Eunicidae, Polynoidae, Phyllodocidae, Syllidae e Nereididae). Syllidae e Nereididae foram os mais abundantes em ambas as estações. As espécies mais representativas nas macroalgas foram Platynereis dumerillii, Pseudonereis gallapaguensis e Inermosyllis sp. A estrutura das assembléias de poliquetas variou significativamente entre macroalgas e períodos. Houve diferenças significativas na arquitetura das macroalgas em ambos os períodos. Os atributos estruturais das macroalgas foram menos relevantes para a estrutura das assembléias de poliquetas na estação chuvosa, e outros fatores como hidrodinâmica, epífitas, defesas químicas e ciclos sazonais foram possíveis fatores que podem causar mudanças na estrutura das assembléias.

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  • CYNTHIA DAYANNE MELLO DE LIMA
  • RELAÇÃO ENTRE MICROPLÁSTICOS E ZOOPLÂNCTON NO ATLÂNTICO SUL TROPICAL


  • Orientador : SIGRID NEUMANN LEITAO
  • MEMBROS DA BANCA :
  • JOSE SOUTO ROSA FILHO
  • JOSÉ EDUARDO MARTINELLI FILHO
  • MARCELO DE OLIVEIRA SOARES
  • MAURO DE MELO JÚNIOR
  • PEDRO AUGUSTO MENDES DE CASTRO MELO
  • SIGRID NEUMANN LEITAO
  • Data: 4/Out/2023

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  • Microplásticos são o tipo de lixo marinho predominante nos ecossistemas marinhos e seus efeitos negativos têm sido extensivamente relatados para a biota marinha. O presente trabalho tem o objetivo de estimar a abundância e distribuição de microplásticos (MPs) e zooplâncton no Atlântico Equatorial Oriental (AEO) e verificar o potencial impacto dos MPs para teias tróficas marinhas nessa região do Atlântico. Para isso, avaliamos duas regiões: 1) Uma Área de Proteção Ambiental (APA), com influência diária e sazonal de pluma estuarina. Nesta área, aA amostragem bimestral foi possível no âmbito do Projeto Programa Ecológico de Longa Duração de Tamandaré Sustentável -PE (PELD TAMS/PE), ao longo de um ano, em períodos com distintos regimes pluviométricos, através de arrastos com rede de plâncton de 64 µm (por 5 minutos); e  2) Uma área de oceano aberto, ao longo de um gradiente latitudinal. Neste, as amostras foram obtidas no âmbito do Cruzeiro Científico SOS MAR, onde foram realizadas 18 estações oceanográficas na quebra da plataforma continental que abrange grande parte do Nordeste do Brasil. As amostras em cada estação foram obtidas utilizando rede Baby Bongo (64 µm) e Bongo (300 µm), com arrastos de 10 minutos de duração. Em ambas as localidades, Todos os arrastos foram realizados subsuperficialmente da coluna d’água, com fluxômetro Hydro-bios acoplado. As amostras foram inspecionadas visualmente em estereomicroscópio óptico, sendo as partículas categorizadas morfologicamente. As partículas suspeitas de MP foram submetidas à digestão com peróxido de hidrogênio (H2O2 30%) ou hidróxido de potássio (KOH 8%) e hipoclorito de sódio (NaClO), para confirmação polimérica, e posteriormente analisadas quimicamente com Espectroscopia no Infravermelho por Transformada de Fourier (FTIR). O tipo de microplástico flutuante predominante são as fibras, principalmente em áreas mais oceânicas (95%). Nossos resultados demonstram que a concentração de microplástico varia espacialmente em zonas costeiras próximas à de rios, confirmando a importância dos rios como fonte de microplásticos no oceano, principalmente em períodos de chuvas intensas. Registramos uma média na concentração de MPs 2 vezes maior nas amostras com rede 64µm (5,05 ± 3,73 partículas/m³), quando comparamos com a rede de 300µm (2,09 ± 2,77 partículas/m³). Em regiões mais oceânicas, o meroplâncton apresenta taxas de encontro mais elevadas, quando comparados ao holoplâanckton e há correlação entre o total zooplânctonzooplanckton e a abundância de MPs, embora ela não seja significativa. Os dados gerados nesta tese auxiliam no entendimento das reais concentrações de MPs em ambientes marinhos costeiros e oceânicos e que ameaçam a teia trófica marinha. 



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  • Microplastics are the predominant type of marine litter in marine ecosystems and their negative effects have been extensively reported on marine biota. This present work goal is to estimate the abundance and distribution of microplastics (MPs) and zooplankton in the Western Equatorial Atlantic (WEA) and to verify the potential impact of MPs on marine food webs in this region of the Atlantic. For this, we evaluated two regions: 1) An Environmental Protection Area (APA) with the influence of estuarine plume. Bimonthly sampling was possible under the Tamandaré Long-Term Ecological Researches Project (PELD TAMS/PE) over a year, in periods with different rainfall regimes through trawls with a 64 µm plankton net (for 5 minutes); and 2) An area of open ocean, along a latitudinal gradient. In this, the samples were obtained in the context of the Scientific Cruise SOS MAR where 18 oceanographic stations were carried out in the break of the continental shelf that covers a large part of the Northeast of Brazil. Samples at each station were obtained using Baby Bongo (64 µm) and Bongo (300 µm) nets, with hauls lasting 10 minutes. All drags were carried out on the subsurface of the water column with a Hydro-bios flowmeter attached. The samples were visually inspected in an optical stereomicroscope, and the particles were morphologically categorized. Suspected MPs particles were submitted to digestion with hydrogen peroxide (H2O2 30%) or potassium hydroxide (KOH 8%) and sodium hypochlorite (NaClO) for polymeric confirmation, and subsequently chemically analyzed with Fourier Transform Infrared Spectroscopy (FTIR). The predominant type of floating microplastics are fibers, mainly in more oceanic areas (95%). Our results demonstrate that the concentration of microplastic varies spatially in coastal areas close to rivers, confirming the importance of rivers as a source of microplastics in the ocean, especially in periods of high rainfall. We registered an average concentration of MPs 2 times higher in the samples with a 64µm mesh (5.05 ± 3.73 particles/m³), when compared with the 300µm mesh (2.09 ± 2.77 particles/m³). In more oceanic regions, meroplankton have higher encounter rates when compared to holoplankton and there is a correlation between the total zooplankton and the abundance of PMs, although it is not significant. The data generated in this thesis help to understand the real concentrations of PMs in marine environments and that threaten the marine food web.


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  • LUIS HENRIQUE BEZERRA ALVES
  • Resposta dos fluxos de CO2 aos processos de Interação Oceano-Atmosfera no Arquipélago de Fernando de Noronha

  • Orientador : DORIS REGINA AIRES VELEDA
  • MEMBROS DA BANCA :
  • EDVANIA PEREIRA DOS SANTOS
  • BIANCA SUNG MI KIM
  • DORIS REGINA AIRES VELEDA
  • GBEKPO AUBAINS HOUNSOU-GBO
  • THIAGO LUIZ DO VALE SILVA
  • Data: 18/Dez/2023

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  • O ciclo do carbono é imprescindível para a vida humana. Em equilíbrio, ele é responsável para a manutenção da vida no planeta já que o carbono é um elemento presente em todas as moléculas orgânicas e em diversas inorgânicas. Com o aumento da influência antrópica no ciclo, desde o início da revolução industrial, esse ciclo passou a sofrer alteração das suas concentrações nos principais reservatórios: atmosfera, hidrosfera e litosfera. O dióxido de carbono (CO2) é um dos gases responsáveis pelo efeito estufa. Ou seja, o aumento da sua concentração acaba afetando o clima. Com isso os oceanos passaram a ter um papel significativo no equilíbrio do carbono disponível na atmosfera na forma de CO2. A porção oeste do oceano Atlântico Sul apresenta águas oligotróficas, com forte estratificação mantida por temperaturas maiores que 20°C, baixa concentração de nutrientes e produção primária. Por isso, a Ilha de Fernando de Noronha tem um importante papel na alteração dos parâmetros físicos oceânicos e atmosféricos. A influência da ilha na parte oceânica e atmosférica foi analisada através da saída de um modelo acoplado oceano-atmosfera (COAWST). Os parâmetros de estudo foram delimitados a uma profundidade de 300 m de profundidade na porção oceânica e até a altura de 100 m na porção atmosférica, para o período de três cruzeiros oceanográficos realizados nos anos de 2010, 2012 e 2014. Os dados modelados foram validados com dados in situ, onde o modelo apresentou correlações com significância estatística de 95%. Por conta da presença da ilha são identificados a formação de warm wake na porção abrigada da ilha e um enfraquecimento de correntes e de vento. Isso gera uma massa d’água mais quente com padrões distintos das regiões próximas. Os fluxos de CO2 foram estimados na interface oceano-atmosfera, a partir dos parâmetros físicos do modelo. Os resultados mostram que as alterações de temperatura e vento induzidas pela ilha causam distintos padrões na troca de fluxos de CO2 na interface oceano-atmosfera, porém sempre atuando como fonte para a atmosfera.


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  • ...

2022
Dissertações
1
  • RAFAEL HENRIQUE DE MOURA FALCAO
  • Efeitos da variabilidade ambiental na estrutura, diversidade e biomassa fitoplanctônica na Confluência Brasil-Malvinas

  • Orientador : PEDRO AUGUSTO MENDES DE CASTRO MELO
  • MEMBROS DA BANCA :
  • PEDRO AUGUSTO MENDES DE CASTRO MELO
  • FERNANDO ANTONIO DO NASCIMENTO FEITOSA
  • MÁRCIO SILVA DE SOUZA
  • EVELINE PINHEIRO DE AQUINO
  • GISLAYNE CRISTINA PALMEIRA BORGES
  • Data: 24/Fev/2022

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  • AConfluência Brasil-Malvinas (CBM) é caracterizada pela alta variabilidade ambiental e um hotspot para a biodiversidade fitoplanctônica. A presente dissertação objetivou verificar os padrões de distribuição e diversidade da comunidade fitoplanctônica na região da CBM e determinar os efeitos dos vórtices sobre essa comunidade. A comunidade fitoplanctônica foi amostrada a partir de arrastos verticais entre a profundidade de máxima clorofila (PMC) e a superfície com rede de plâncton com abertura de malha de 20 µc e coletas com garrafas de Niskin acopladas a rossetes em onze pontos amostrais na CBM (4), no Vórtice de Núcleo Quente (3) e Vórtice de Núcleo Frio (4) durante a primavera austral (Novembro de 2019). Os valores de temperatura e teores de salinidade foram determinda in situ. A análise de Bray-curtis separou a comunidade fitoplanctônica em quatro regiões: Corrente do Brasil (CB), Corrente das Malvinas (CM), Vórtice de Núcleo Quente (VNQ) e Vórtice de Núcleo Frio (VNF). A comunidade fitoplanctônica do VNQ e VNF foi similar a CB e a CM, respectivamente. O filo Bacillariophyta, os organismos autotróficos e as formas de vida Marinha Planctônica Oceânica e ou Nerítica foram predominantes nas regiões estudadas. Os organismos muito frequentes foram: Minidiscus sp., Azadinium sp., Prorocentrum dentatum, Gymnodiniales, Fragilariopsis kerguelensis, Nitzschia longíssima, Thalassionema nitzschioides e Oxytoxum gracile, além de dezesseis espécies indicadoras da CB, CM, VNQ e PMC. No filo Miozoa, os dinoflagelados heterotróficos foram dominantes na BC e VNF, e os mixotróficos na MC. A alta diversidade de espécies foi confirmada na região principalmente associada as espécies Marinhas Planctônicas Oceânicas e ou Neríticas assim como houve o predomínio dos autotróficos. O domínio de dinoflagelados Mixotróficos e Heterotróficos foi associado a regiões específicas.  Dessa forma, concluímos que os vórtices modificam a estrutura da comunidade fitoplanctônica na região e aumentam a diversidade de espécies.


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  • AConfluência Brasil-Malvinas (CBM) é caracterizada pela alta variabilidade ambiental e um hotspot para a biodiversidade fitoplanctônica. A presente dissertação objetivou verificar os padrões de distribuição e diversidade da comunidade fitoplanctônica na região da CBM e determinar os efeitos dos vórtices sobre essa comunidade. A comunidade fitoplanctônica foi amostrada a partir de arrastos verticais entre a profundidade de máxima clorofila (PMC) e a superfície com rede de plâncton com abertura de malha de 20 µc e coletas com garrafas de Niskin acopladas a rossetes em onze pontos amostrais na CBM (4), no Vórtice de Núcleo Quente (3) e Vórtice de Núcleo Frio (4) durante a primavera austral (Novembro de 2019). Os valores de temperatura e teores de salinidade foram determinda in situ. A análise de Bray-curtis separou a comunidade fitoplanctônica em quatro regiões: Corrente do Brasil (CB), Corrente das Malvinas (CM), Vórtice de Núcleo Quente (VNQ) e Vórtice de Núcleo Frio (VNF). A comunidade fitoplanctônica do VNQ e VNF foi similar a CB e a CM, respectivamente. O filo Bacillariophyta, os organismos autotróficos e as formas de vida Marinha Planctônica Oceânica e ou Nerítica foram predominantes nas regiões estudadas. Os organismos muito frequentes foram: Minidiscus sp., Azadinium sp., Prorocentrum dentatum, Gymnodiniales, Fragilariopsis kerguelensis, Nitzschia longíssima, Thalassionema nitzschioides e Oxytoxum gracile, além de dezesseis espécies indicadoras da CB, CM, VNQ e PMC. No filo Miozoa, os dinoflagelados heterotróficos foram dominantes na BC e VNF, e os mixotróficos na MC. A alta diversidade de espécies foi confirmada na região principalmente associada as espécies Marinhas Planctônicas Oceânicas e ou Neríticas assim como houve o predomínio dos autotróficos. O domínio de dinoflagelados Mixotróficos e Heterotróficos foi associado a regiões específicas.  Dessa forma, concluímos que os vórtices modificam a estrutura da comunidade fitoplanctônica na região e aumentam a diversidade de espécies.

2
  • SUÉLEN CAROLINE DA SILVA
  • O USO DE UMA FERRAMENTA DE SUPORTE À DECISÃO EM APOIO AO PLANEJAMENTO ESPACIAL MARINHO: um estudo de caso sobre as atividades de mergulho em Fernando de Noronha.

  • Orientador : ALEX COSTA DA SILVA
  • MEMBROS DA BANCA :
  • ALEX COSTA DA SILVA
  • BEATRICE PADOVANI FERREIRA
  • MONICA FERREIRA DA COSTA
  • FLAVIA LUCENA FREDOU
  • SOLANGE TELES DA SILVA
  • Data: 25/Fev/2022

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  • O Planejamento Espacial Marinho (PEM) é um processo público que busca alcançar
    usos mais racionais dos ambientes marinhos. Um dos resultados do PEM pode ser a
    criação de Áreas Marinhas Protegidas (AMPs). Consequentemente, as Ferramentas
    de Suporte à Decisão (FSD) tornaram-se necessárias para encontrar áreas
    adequadas para as AMPs, maximizando a conservação da biodiversidade e
    minimizando os custos socioeconômicos. No entanto, a utilização de FSD sob o
    PEM no Brasil é ainda um processo em fase inicial. Neste estudo, dados de
    biomassa de peixes, pesca, habitas e mergulho foram integrados em uma FSD para
    explorar os possíveis efeitos da atribuição de novos pontos de mergulho sobre o
    desenho da reserva marinha em torno do arquipélago de Fernando de Noronha
    (FN). Para isso, foram realizadas análises de sensibilidade dos parâmetros da FSD
    sob diferentes cenários de gestão. Foram observados índices de biomassa de
    peixes mais elevados ao longo da quebra da plataforma continental do mar de fora,
    concentração das atividades de pesca na área da Área de Proteção Ambiental
    (APA)-FN e a importância do norte do arquipélago para a atividade de mergulho.
    Dada as atuais condições de restrição do Parque Nacional Marinho (PARNAMAR)-
    FN, encontramos uma baixa correlação entre pontos de mergulho já explorados e a
    reserva computada, sugerindo que estes locais não coincidem necessariamente com
    áreas onde foram registradas importantes taxas de biomassa de peixes. Nos
    cenários em que não foi considerado uma atividade ameaçadora a fauna, novas
    áreas de mergulho foram identificadas principalmente na plataforma continental da
    costa SE da ilha principal. Já quando considerado atividade ameaçadora, novas
    áreas foram priorizadas na plataforma continental da costa SW da ilha principal.
    Independentemente do cenário, observou-se que o aumento do número de locais de
    mergulho em mais de 100% teria implicações no planejamento, devido ao reduzido
    número de locais disponíveis para isso. A definição de diferentes cenários ilustrou o
    interesse e a flexibilidade dos FSD para enquadrar visões divergentes de um
    problema de conservação, e como podem ser uma boa base para esclarecer
    questões complexas, dados prioritários, e promover a discussão e a decisão,
    aspectos essenciais do PEM.


  • Mostrar Abstract
  • O Planejamento Espacial Marinho (PEM) é um processo público que busca alcançar
    usos mais racionais dos ambientes marinhos. Um dos resultados do PEM pode ser a
    criação de Áreas Marinhas Protegidas (AMPs). Consequentemente, as Ferramentas
    de Suporte à Decisão (FSD) tornaram-se necessárias para encontrar áreas
    adequadas para as AMPs, maximizando a conservação da biodiversidade e
    minimizando os custos socioeconômicos. No entanto, a utilização de FSD sob o
    PEM no Brasil é ainda um processo em fase inicial. Neste estudo, dados de
    biomassa de peixes, pesca, habitas e mergulho foram integrados em uma FSD para
    explorar os possíveis efeitos da atribuição de novos pontos de mergulho sobre o
    desenho da reserva marinha em torno do arquipélago de Fernando de Noronha
    (FN). Para isso, foram realizadas análises de sensibilidade dos parâmetros da FSD
    sob diferentes cenários de gestão. Foram observados índices de biomassa de
    peixes mais elevados ao longo da quebra da plataforma continental do mar de fora,
    concentração das atividades de pesca na área da Área de Proteção Ambiental
    (APA)-FN e a importância do norte do arquipélago para a atividade de mergulho.
    Dada as atuais condições de restrição do Parque Nacional Marinho (PARNAMAR)-
    FN, encontramos uma baixa correlação entre pontos de mergulho já explorados e a
    reserva computada, sugerindo que estes locais não coincidem necessariamente com
    áreas onde foram registradas importantes taxas de biomassa de peixes. Nos
    cenários em que não foi considerado uma atividade ameaçadora a fauna, novas
    áreas de mergulho foram identificadas principalmente na plataforma continental da
    costa SE da ilha principal. Já quando considerado atividade ameaçadora, novas
    áreas foram priorizadas na plataforma continental da costa SW da ilha principal.
    Independentemente do cenário, observou-se que o aumento do número de locais de
    mergulho em mais de 100% teria implicações no planejamento, devido ao reduzido
    número de locais disponíveis para isso. A definição de diferentes cenários ilustrou o
    interesse e a flexibilidade dos FSD para enquadrar visões divergentes de um
    problema de conservação, e como podem ser uma boa base para esclarecer
    questões complexas, dados prioritários, e promover a discussão e a decisão,
    aspectos essenciais do PEM.

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  • CRISTIELEN ALVES PEREIRA
  • UTILIZAÇÃO DA ACÚSTICA SUBMARINA PARA IDENTIFICAR O PADRÃO
    NICTEMERAL DE PEIXES NA ZONA NERÍTICA E DE QUEBRA DE
    PLATAFORMA DO ARQUIPÉLAGO DE FERNANDO DE NORONHA


  • Orientador : TEREZA CRISTINA MEDEIROS DE ARAUJO
  • MEMBROS DA BANCA :
  • SIGRID NEUMANN LEITAO
  • ARNAUD PIERRE ALEXIS BERTRAND
  • FLAVIA LUCENA FREDOU
  • Data: 29/Mar/2022

  • Mostrar Resumo
  • Os processos dos ecossistemas marinhos ocorrem em uma variedade de escalas espaciais
    e temporais. Levar em consideração a escala na qual os diferentes processos ocorrem é
    fundamental para a compreensão dos fenômenos que se quer estudar. Neste contexto, o
    ciclo nictemeral é de grande relevância nos ecossistemas marinhos, já que as interações
    ecológicas observadas ao se estudar um determinado local durante o dia são diferentes
    daquelas observadas no mesmo local à noite. Entretanto, os métodos tradicionais de
    amostragem geralmente não são bem adaptados para estudar os processos dos
    ecossistemas em diferentes escalas, incluindo o ciclo nictemeral. A acústica submarina é
    uma técnica relevante que permite a amostragem simultânea em várias escalas espaçotemporais. A aplicação de métodos acústicos em ecossistemas tropicais altamente
    biodiversificados pode proporcionar uma melhor compreensão da dinâmica em questão.
    Os sistemas de recifes de corais tropicais são conhecidos por apresentarem uma mudança
    quase completa na composição das espécies de peixes quando comparados dia e noite,
    mas ainda faltam estimativas quantitativas. Neste contexto, o objetivo deste trabalho foi
    caracterizar a distribuição tridimensional dos peixes na zona nerítica e na área adjacente
    de quebra de plataforma do Arquipélago de Fernando de Noronha ao longo do ciclo
    nictemeral. Para isso, foram utilizadas filmagens subaquáticas durante o dia combinadas
    com observações acústicas de bifrequência diurnas e noturnas. A biomassa acústica de
    peixes diminuiu drasticamente à noite, indicando que a maioria deles se abriga no fundo
    durante este período e que aqueles que apresentam um comportamento oposto
    provavelmente representam uma pequena parte da biomassa total de peixes na região.
    Curiosamente, a biomassa de peixes e a biomassa de organismos não identificados como
    peixes (não-peixes), apresentaram um padrão oposto, com os peixes desaparecendo da
    coluna de água quando não-peixes, que são presas potenciais para muitas espécies de
    peixes, são mais abundantes. Decifrar este comportamento requer mais investigação.
    Finalmente, os resultados deste trabalho podem contribuir para o desenvolvimento de
    políticas de conservação e manejo no arquipélago de Fernando de Noronha.



  • Mostrar Abstract
  • Os processos dos ecossistemas marinhos ocorrem em uma variedade de escalas espaciais
    e temporais. Levar em consideração a escala na qual os diferentes processos ocorrem é
    fundamental para a compreensão dos fenômenos que se quer estudar. Neste contexto, o
    ciclo nictemeral é de grande relevância nos ecossistemas marinhos, já que as interações
    ecológicas observadas ao se estudar um determinado local durante o dia são diferentes
    daquelas observadas no mesmo local à noite. Entretanto, os métodos tradicionais de
    amostragem geralmente não são bem adaptados para estudar os processos dos
    ecossistemas em diferentes escalas, incluindo o ciclo nictemeral. A acústica submarina é
    uma técnica relevante que permite a amostragem simultânea em várias escalas espaçotemporais. A aplicação de métodos acústicos em ecossistemas tropicais altamente
    biodiversificados pode proporcionar uma melhor compreensão da dinâmica em questão.
    Os sistemas de recifes de corais tropicais são conhecidos por apresentarem uma mudança
    quase completa na composição das espécies de peixes quando comparados dia e noite,
    mas ainda faltam estimativas quantitativas. Neste contexto, o objetivo deste trabalho foi
    caracterizar a distribuição tridimensional dos peixes na zona nerítica e na área adjacente
    de quebra de plataforma do Arquipélago de Fernando de Noronha ao longo do ciclo
    nictemeral. Para isso, foram utilizadas filmagens subaquáticas durante o dia combinadas
    com observações acústicas de bifrequência diurnas e noturnas. A biomassa acústica de
    peixes diminuiu drasticamente à noite, indicando que a maioria deles se abriga no fundo
    durante este período e que aqueles que apresentam um comportamento oposto
    provavelmente representam uma pequena parte da biomassa total de peixes na região.
    Curiosamente, a biomassa de peixes e a biomassa de organismos não identificados como
    peixes (não-peixes), apresentaram um padrão oposto, com os peixes desaparecendo da
    coluna de água quando não-peixes, que são presas potenciais para muitas espécies de
    peixes, são mais abundantes. Decifrar este comportamento requer mais investigação.
    Finalmente, os resultados deste trabalho podem contribuir para o desenvolvimento de
    políticas de conservação e manejo no arquipélago de Fernando de Noronha.


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  • JULIA GALETTI RODRIGUES
  • Conteúdo de Oxigênio no Atlântico Tropical Sudoeste

  • Orientador : MOACYR CUNHA DE ARAUJO FILHO
  • MEMBROS DA BANCA :
  • ALEX COSTA DA SILVA
  • MOACYR CUNHA DE ARAUJO FILHO
  • EVERTON GIACHINI TOSETTO
  • RAMILLA VIEIRA DE ASSUNÇÃO
  • TONIA ASTRID CAPUANO
  • Data: 22/Abr/2022

  • Mostrar Resumo
  • O Atlântico Tropical Sudoeste (ATSO) é bem oxigenado pelo sistema das correntes Subcorrente Norte do Brasil/ Corrente Norte do Brasil (SCNB/CNB). Ainda assim, dado o atual estado de aumento da desoxigenação oceânica no Atlântico Tropical Leste (ATL), é importante investigar se estas águas desoxigenadas estão avançando em direção à borda oeste. Estudos anteriores mostraram que elas podem entrar na ATSO, mas a escala espacial e temporal desses estudos era muito grosseira para representar essa estrutura. Neste sentido, apresentamos a primeira representação tridimensional do oxigênio dissolvido (OD) no ATSO. A Análise de Dados Funcionais (ADF) foi utilizada para construir um banco de dados de perfis de OD a partir de duas campanhas (primavera austral de 2015 e outono de 2017) e um banco de dados complementar. Ao tratar os perfis como funções contínuas em vez de perfis discretos, a ADF permite a junção de perfis de diferentes bancos de dados. Os resultados retrataram três áreas espaciais com padrões distintos de conteúdo de oxigênio, diretamente ligados aos sistemas de correntes: (i) área do Sistema de Correntes de Borda Oeste (SCBO), caracterizada por águas bem oxigenadas; (ii) área do Sistema de Correntes Sul Equatoriais (SCSE), contendo os menores valores de OD entre todos, e (iii) área da zona de transição, com conteúdo intermediário de OD. Revelamos pela primeira vez que enquanto a coluna de água está totalmente oxigenada no SCNB/CNB, o conteúdo de oxigênio do SCBO diminui no limite do núcleo SCNB/CNB tão próximo a ~91 km (~50 km) da costa na primavera (outono), devido à variabilidade sazonal da instensidade SCNB/CNB. Levantamos a possibilidade de que outros processos estejam atuando além do sistema de corrente zonal no transporte dessas águas. Na área do SCSE, os níveis de OD começaram a diminuir a partir do limite superior das águas desoxigenadas somente quando a Subcorrente Sul Equatorial (SSE) aparece encontrando fluxos desconhecidos em direção ao oeste. Levantamos a possibilidade de que outros processos estejam atuando além do sistema de corrente zonal no transporte destas águas. Particularmente, consideramos a possibilidade de recirculação interna do sistema ou deslocamento latitudinal sazonal do núcleo da SSE. Finalmente, destacamos a importância do SCBO para manter a oxigenação e impedir que as águas desoxigenadas advindas de leste cheguem à costa.


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  • O Atlântico Tropical Sudoeste (ATSO) é bem oxigenado pelo sistema das correntes Subcorrente Norte do Brasil/ Corrente Norte do Brasil (SCNB/CNB). Ainda assim, dado o atual estado de aumento da desoxigenação oceânica no Atlântico Tropical Leste (ATL), é importante investigar se estas águas desoxigenadas estão avançando em direção à borda oeste. Estudos anteriores mostraram que elas podem entrar na ATSO, mas a escala espacial e temporal desses estudos era muito grosseira para representar essa estrutura. Neste sentido, apresentamos a primeira representação tridimensional do oxigênio dissolvido (OD) no ATSO. A Análise de Dados Funcionais (ADF) foi utilizada para construir um banco de dados de perfis de OD a partir de duas campanhas (primavera austral de 2015 e outono de 2017) e um banco de dados complementar. Ao tratar os perfis como funções contínuas em vez de perfis discretos, a ADF permite a junção de perfis de diferentes bancos de dados. Os resultados retrataram três áreas espaciais com padrões distintos de conteúdo de oxigênio, diretamente ligados aos sistemas de correntes: (i) área do Sistema de Correntes de Borda Oeste (SCBO), caracterizada por águas bem oxigenadas; (ii) área do Sistema de Correntes Sul Equatoriais (SCSE), contendo os menores valores de OD entre todos, e (iii) área da zona de transição, com conteúdo intermediário de OD. Revelamos pela primeira vez que enquanto a coluna de água está totalmente oxigenada no SCNB/CNB, o conteúdo de oxigênio do SCBO diminui no limite do núcleo SCNB/CNB tão próximo a ~91 km (~50 km) da costa na primavera (outono), devido à variabilidade sazonal da instensidade SCNB/CNB. Levantamos a possibilidade de que outros processos estejam atuando além do sistema de corrente zonal no transporte dessas águas. Na área do SCSE, os níveis de OD começaram a diminuir a partir do limite superior das águas desoxigenadas somente quando a Subcorrente Sul Equatorial (SSE) aparece encontrando fluxos desconhecidos em direção ao oeste. Levantamos a possibilidade de que outros processos estejam atuando além do sistema de corrente zonal no transporte destas águas. Particularmente, consideramos a possibilidade de recirculação interna do sistema ou deslocamento latitudinal sazonal do núcleo da SSE. Finalmente, destacamos a importância do SCBO para manter a oxigenação e impedir que as águas desoxigenadas advindas de leste cheguem à costa.

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  • ISAIAS FARIAS DA CÂMARA
  • Morfologia de praias protegidas por recifes: implicações para o gerenciamento costeiro

  • Orientador : MIRELLA BORBA SANTOS FERREIRA COSTA
  • MEMBROS DA BANCA :
  • MIRELLA BORBA SANTOS FERREIRA COSTA
  • DAVIS PEREIRA DE PAULA
  • EDUARDO LACERDA BARROS
  • Data: 28/Abr/2022

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  • Praias protegidas por recifes estão presentes em grande parte do litoral do nordeste brasileiro. O padrão de alternância entre baías e pontais, típicos dessas regiões, criam condições de peculiaridades no que diz respeito aos processos erosivos. Nesse contexto, este trabalho tem como objetivo avaliar variações espaço-temporal da linha de costa (LC) entre 2003-2020 utilizando o software DSAS como subsídio para o gerenciamento costeiro no município de Tamandaré, sul de Pernambuco. Os resultados encontrados mostram a heterogeneidade da distribuição dos valores de erosão e acreção. O trecho protegido ao sul, controlado pela dinâmica do Rio Mamucabas, apresenta somente taxas de erosão; o trecho exposto (Baía de Tamandaré), apresenta taxas erosivas ao sul e progradantes ao norte, sendo classificada como instável; e o trecho protegido urbanizado apresentou-se como mais heterogêneo, possuindo alternância de taxas de erosão/recuo e acreção/avanço. Neste, as ocupações estão mais densamente presentes e mais próximas da LC, em detrimento das ocupações na baía. O estudo de taxas erosivas anuais e do padrão de ocupação aplicado à legislação vigente são ótimos instrumentos para subsidiar decisões do Poder Público, sobretudo, no que diz respeito a uma boa gestão da zona costeira.


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  • Praias protegidas por recifes estão presentes em grande parte do litoral do nordeste brasileiro. O padrão de alternância entre baías e pontais, típicos dessas regiões, criam condições de peculiaridades no que diz respeito aos processos erosivos. Nesse contexto, este trabalho tem como objetivo avaliar variações espaço-temporal da linha de costa (LC) entre 2003-2020 utilizando o software DSAS como subsídio para o gerenciamento costeiro no município de Tamandaré, sul de Pernambuco. Os resultados encontrados mostram a heterogeneidade da distribuição dos valores de erosão e acreção. O trecho protegido ao sul, controlado pela dinâmica do Rio Mamucabas, apresenta somente taxas de erosão; o trecho exposto (Baía de Tamandaré), apresenta taxas erosivas ao sul e progradantes ao norte, sendo classificada como instável; e o trecho protegido urbanizado apresentou-se como mais heterogêneo, possuindo alternância de taxas de erosão/recuo e acreção/avanço. Neste, as ocupações estão mais densamente presentes e mais próximas da LC, em detrimento das ocupações na baía. O estudo de taxas erosivas anuais e do padrão de ocupação aplicado à legislação vigente são ótimos instrumentos para subsidiar decisões do Poder Público, sobretudo, no que diz respeito a uma boa gestão da zona costeira.

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  • MEYRIANE DE MIRA TEIXEIRA
  • UM ESTUDO DA RELAÇÃO ENTRE O PATRIMÔNIO CULTURAL MUNDIAL DA CIDADE DE OLINDA-PE E A GESTÃO MUNICIPAL DA ORLA: ANÁLISE DOCUMENTAL E ESPACIALIZAÇÃO

  • Orientador : MONICA FERREIRA DA COSTA
  • MEMBROS DA BANCA :
  • MONICA FERREIRA DA COSTA
  • TEREZA CRISTINA MEDEIROS DE ARAUJO
  • MARIA CHRISTINA BARBOSA DE ARAUJO
  • Data: 29/Abr/2022

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  • Em países como o Brasil, onde desde o século XV a colonização por potencias europeias ocidentais se deu a partir do litoral, tanto como via de entrada e saída de bens e pessoas nas terras recém anexadas a seus impérios quanto como espaço de ocupação permanente, existe um extenso e diverso patrimônio arquitetônico e cultural costeiro ainda fortemente presente nas cidades. Esse caso tão comum em toda a América e também na África e Ásia pode ser exemplificado pela cidade pernambucana de Olinda. Por isso ela é, inclusive, considerada patrimônio mundial pela UNESCO desde 1982. Esse patrimônio, sobretudo o arquitetônico (edificações, traçados urbanos etc.) tanto foi preservado quanto evoluiu com as cidades e ambientes costeiros nos mais de 500 anos desde o início de sua construção. Para sua continuada existência e segurança para as próximas gerações, é necessário que receba tratamento diferenciado nos planos e ações municipais, estaduais e federais. Sendo assim, este trabalho se propõe a identificar unidades patrimoniais em Olinda que estejam potencialmente localizados no âmbito das ações do Projeto ORLA e da gestão municipal de praias urbanas, analisando-os e propondo opções de indicadores de gestão para os mesmos. São apresentados aqui 12 candidatos a serem utilizados como experimentos de gestão costeira integrada da orla através de projetos que valorizem e contribuam na sua preservação e uso pela população local e visitantes/turistas. As unidades patrimoniais abordadas neste trabalho datam de 1631 a 2001, sendo prédios públicos e privados, duas praças, um forte, três igrejas, uma estátua e um parque natural de restinga. Dos doze itens eleitos para este estudo, sete encontram-se em uma área onde haverá intervenção direta do Projeto Orla e do TAGP, quando aprovado. Outros quatro estão na área de influência indireta e apenas um em área onde incidem apenas diretrizes do Plano Diretor da Cidade. São feitas sugestões de indicadores para monitoramento da evolução de sua gestão, assim como possibilidades de sua integração nos planos oficiais existentes para esse território. Embora Olinda conte com planos de ordenamento territorial urbanos e de usos da orla marítima, inclusive e especialmente para praias, o patrimônio histórico-cultural presente nesses espaços é considerado de forma acanhada, o que pode ser resultado de diversos processos, como por exemplo a necessidade constante de ações que atendam outras prioridades (erosão, limpeza urbana, saneamento etc.) combinada com a crônica escassez de recursos públicos. Assim, mais uma vez, confirmando o lugar menos privilegiado que ocupa a história e a cultura em nosso cotidiano.

    Membros suplentes da banca:

    Roberto L. Barcellos (suplente interno)
    Antonio Vicente Ferreira (suplente externo)


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  • Em países como o Brasil, onde desde o século XV a colonização por potencias europeias ocidentais se deu a partir do litoral, tanto como via de entrada e saída de bens e pessoas nas terras recém anexadas a seus impérios quanto como espaço de ocupação permanente, existe um extenso e diverso patrimônio arquitetônico e cultural costeiro ainda fortemente presente nas cidades. Esse caso tão comum em toda a América e também na África e Ásia pode ser exemplificado pela cidade pernambucana de Olinda. Por isso ela é, inclusive, considerada patrimônio mundial pela UNESCO desde 1982. Esse patrimônio, sobretudo o arquitetônico (edificações, traçados urbanos etc.) tanto foi preservado quanto evoluiu com as cidades e ambientes costeiros nos mais de 500 anos desde o início de sua construção. Para sua continuada existência e segurança para as próximas gerações, é necessário que receba tratamento diferenciado nos planos e ações municipais, estaduais e federais. Sendo assim, este trabalho se propõe a identificar unidades patrimoniais em Olinda que estejam potencialmente localizados no âmbito das ações do Projeto ORLA e da gestão municipal de praias urbanas, analisando-os e propondo opções de indicadores de gestão para os mesmos. São apresentados aqui 12 candidatos a serem utilizados como experimentos de gestão costeira integrada da orla através de projetos que valorizem e contribuam na sua preservação e uso pela população local e visitantes/turistas. As unidades patrimoniais abordadas neste trabalho datam de 1631 a 2001, sendo prédios públicos e privados, duas praças, um forte, três igrejas, uma estátua e um parque natural de restinga. Dos doze itens eleitos para este estudo, sete encontram-se em uma área onde haverá intervenção direta do Projeto Orla e do TAGP, quando aprovado. Outros quatro estão na área de influência indireta e apenas um em área onde incidem apenas diretrizes do Plano Diretor da Cidade. São feitas sugestões de indicadores para monitoramento da evolução de sua gestão, assim como possibilidades de sua integração nos planos oficiais existentes para esse território. Embora Olinda conte com planos de ordenamento territorial urbanos e de usos da orla marítima, inclusive e especialmente para praias, o patrimônio histórico-cultural presente nesses espaços é considerado de forma acanhada, o que pode ser resultado de diversos processos, como por exemplo a necessidade constante de ações que atendam outras prioridades (erosão, limpeza urbana, saneamento etc.) combinada com a crônica escassez de recursos públicos. Assim, mais uma vez, confirmando o lugar menos privilegiado que ocupa a história e a cultura em nosso cotidiano.

    Membros suplentes da banca:

    Roberto L. Barcellos (suplente interno)
    Antonio Vicente Ferreira (suplente externo)

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  • CELINA REBECA VALENÇA CARNEIRO
  • INFLUÊNCIA DA QUÍMICA DO CARBONATO DA ÁGUA DO MAR NA GEOMETRIA DO COCOLITO DE TRÊS ECÓTIPOS DE COCOLITOFOROS

  • Orientador : MARIUS NILS MULLER
  • MEMBROS DA BANCA :
  • MARIUS NILS MULLER
  • RALF SCHWAMBORN
  • JOANA BARCELOS E RAMOS
  • Data: 23/Mai/2022

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  • A concentração de dióxido de carbono (CO2) nos oceanos aumentou desde a Revolução Industrial, provocando alterações no sistema de carbonato que resultam na acidificação oceânica. Uma das regiões mais afetadas é o Oceano Antártico, devido à sua maior solubilidade do CO2, onde o cocolitóforo Emiliania huxleyi é amplamente distribuído. Os cocolitóforos participam da bomba biológica de carbono do oceano pelágico, sendo importantes para nosso entendimento sobre a capacidade da superfície oceânica em sequestrar CO2 atmosférico. Portanto, foi investigada a influência do sistema de carbonato na geometria e estado de calcificação dos cocólitos de três ecótipos de E. huxleyi do Oceano Antártico. Adicionalmente, foi realizada uma análise comparativa entre três diferentes métodos de mensuração de massa dos cocólitos: medidas geométricas, Coulter Multisizer™ 4 e SYRACO. Foram utilizadas 556 imagens de microscopia eletrônica dos seguintes ecótipos de E. huxleyi, cada um com morfologia diferente: A (oceânico), A o/c (costeiro) e B/C (oceânico). Em seguida, cada ecótipo foi analisado utilizando o software “Image J”. Assim sendo, os parâmetros geométricos medidos foram: comprimento do escudo distal (DSL – distal shield length), largura do escudo distal (DSW – distal shield width), comprimento da área central (CAL – central area length), largura da área central (CAW – central area width), área do escudo distal (DSA – distal shield area) e área da área central (CAA – central area area). Os três ecótipos foram sensíveis às mudanças na química do sistema de carbonato. O ecótipo B/C foi aquele mais sensível, curiosamente este ecótipo possui a estrutura de seus cocólitos mais delicada, com quantidade relativamente baixa de carbonato de cálcio. Além disso, o ecótipo A, também de origem oceânica, foi bastante sensível. No entanto, o ecótipo A o/c (origem costeira), foi o menos sensível às mudanças no
    sistema de carbonato, o que pode indicar que cepas provenientes de diferentes regiões exibem diferenças em sua capacidade de se aclimatar às mudanças no sistema de carbonato. Os três métodos de obtenção da massa dos cocólitos tiveram valores absolutos diferentes, no entanto, apenas o SYRACO parece superestimar os valores de massa reais. Assim sendo, as alterações na geometria dos cocólitos indicam que E. huxleyi pode ter seu processo de calcificação afetado em um cenário de acidificação oceânica. Além disso, a escolha do método de estimação da massa dos cocólitos deve ser feita de forma cuidadosa.


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  • A concentração de dióxido de carbono (CO2) nos oceanos aumentou desde a Revolução Industrial, provocando alterações no sistema de carbonato que resultam na acidificação oceânica. Uma das regiões mais afetadas é o Oceano Antártico, devido à sua maior solubilidade do CO2, onde o cocolitóforo Emiliania huxleyi é amplamente distribuído. Os cocolitóforos participam da bomba biológica de carbono do oceano pelágico, sendo importantes para nosso entendimento sobre a capacidade da superfície oceânica em sequestrar CO2 atmosférico. Portanto, foi investigada a influência do sistema de carbonato na geometria e estado de calcificação dos cocólitos de três ecótipos de E. huxleyi do Oceano Antártico. Adicionalmente, foi realizada uma análise comparativa entre três diferentes métodos de mensuração de massa dos cocólitos: medidas geométricas, Coulter Multisizer™ 4 e SYRACO. Foram utilizadas 556 imagens de microscopia eletrônica dos seguintes ecótipos de E. huxleyi, cada um com morfologia diferente: A (oceânico), A o/c (costeiro) e B/C (oceânico). Em seguida, cada ecótipo foi analisado utilizando o software “Image J”. Assim sendo, os parâmetros geométricos medidos foram: comprimento do escudo distal (DSL – distal shield length), largura do escudo distal (DSW – distal shield width), comprimento da área central (CAL – central area length), largura da área central (CAW – central area width), área do escudo distal (DSA – distal shield area) e área da área central (CAA – central area area). Os três ecótipos foram sensíveis às mudanças na química do sistema de carbonato. O ecótipo B/C foi aquele mais sensível, curiosamente este ecótipo possui a estrutura de seus cocólitos mais delicada, com quantidade relativamente baixa de carbonato de cálcio. Além disso, o ecótipo A, também de origem oceânica, foi bastante sensível. No entanto, o ecótipo A o/c (origem costeira), foi o menos sensível às mudanças no
    sistema de carbonato, o que pode indicar que cepas provenientes de diferentes regiões exibem diferenças em sua capacidade de se aclimatar às mudanças no sistema de carbonato. Os três métodos de obtenção da massa dos cocólitos tiveram valores absolutos diferentes, no entanto, apenas o SYRACO parece superestimar os valores de massa reais. Assim sendo, as alterações na geometria dos cocólitos indicam que E. huxleyi pode ter seu processo de calcificação afetado em um cenário de acidificação oceânica. Além disso, a escolha do método de estimação da massa dos cocólitos deve ser feita de forma cuidadosa.

8
  • MARIANA GOMES BARBOZA
  • ECOMORFOLOGIA DOS OTÓLITOS SAGITTAE DOS LUTJANÍDEOS  NA COSTA NORDESTE DO BRASIL

  • Orientador : BEATRICE PADOVANI FERREIRA
  • MEMBROS DA BANCA :
  • BEATRICE PADOVANI FERREIRA
  • MARCELO FRANCISCO DE NOBREGA
  • FRANCISCO MARCANTE SANTANA DA SILVA
  • Data: 19/Jul/2022

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  • A análise de imagens tem sido amplamente utilizada para a caracterização morfológica
    dos otólitos e do sulcus acusticus, desempenhando um papel significativo na biologia das
    espécies. Espécies da família Lutjanidae são importantes espécies-modelo para estudos tanto
    de diferenças intra como inter específicas que possam contribuir com seu conhecimento
    ecológico e consequentemente sobre os efeitos da pesca em suas populações. Devido a isto,
    este estudo objetivou caracterizar morfologicamente a forma dos otólitos sagittae e seus
    sulcus acusticus para oito espécies da família Lutjanidae distribuídas no Atlântico Tropical
    Oeste, relacionando tais características de forma com a profundidade, ao crescimento e à
    ecologia das espécies. Ao total, foram analisados 1135 otólitos, amostrados ao longo do
    Nordeste do Brasil por diversos projetos, dentre eles o REVIZEE. As imagens dos otólitos
    foram processadas e todas as métricas e índices de formas foram realizadas com auxílio do
    Software R. A forma dos otólitos variaram entre as espécies, enquanto a dos sulcus acusticus
    não. As regressões significativas sugerem modificações de otólitos ao longo do
    desenvolvimento dos indivíduos. O O. chrysurus aprensentou diferença entre sexo para a
    relação ao peso-comprimento e para as demais métricas e índices. O sulcus relative surface
    (SRS) diferiu significativamente entre as espécies, onde O. chrysurus e L. synagris se
    destacaram com as maiores proporções de área do sulcus acusticus, enquanto L. vivanus e L.
    bucanella tiveram as menores. O teste de Mann-Whitney indicou que as espécies de raso
    apresentam maior SRS que as de fundo. Em média, os otólitos dos indivíduos de águas mais
    profundas apresentaram otólitos menores e mais alongados, com sulcus acusticus menores,
    mais irregulares e mais alongados. Estas duas abordagens combinadas resultaram em uma
    maior eficiência para discriminar as espécies, tendo uma média de 73.7% de classificação.
    Com isso, é plausível concluir que através das características morfométricas e morfológicas
    dos otólitos obtidas para esta família é possível caracterizar suas espécies e habitats utilizados.


  • Mostrar Abstract
  • A análise de imagens tem sido amplamente utilizada para a caracterização morfológica
    dos otólitos e do sulcus acusticus, desempenhando um papel significativo na biologia das
    espécies. Espécies da família Lutjanidae são importantes espécies-modelo para estudos tanto
    de diferenças intra como inter específicas que possam contribuir com seu conhecimento
    ecológico e consequentemente sobre os efeitos da pesca em suas populações. Devido a isto,
    este estudo objetivou caracterizar morfologicamente a forma dos otólitos sagittae e seus
    sulcus acusticus para oito espécies da família Lutjanidae distribuídas no Atlântico Tropical
    Oeste, relacionando tais características de forma com a profundidade, ao crescimento e à
    ecologia das espécies. Ao total, foram analisados 1135 otólitos, amostrados ao longo do
    Nordeste do Brasil por diversos projetos, dentre eles o REVIZEE. As imagens dos otólitos
    foram processadas e todas as métricas e índices de formas foram realizadas com auxílio do
    Software R. A forma dos otólitos variaram entre as espécies, enquanto a dos sulcus acusticus
    não. As regressões significativas sugerem modificações de otólitos ao longo do
    desenvolvimento dos indivíduos. O O. chrysurus aprensentou diferença entre sexo para a
    relação ao peso-comprimento e para as demais métricas e índices. O sulcus relative surface
    (SRS) diferiu significativamente entre as espécies, onde O. chrysurus e L. synagris se
    destacaram com as maiores proporções de área do sulcus acusticus, enquanto L. vivanus e L.
    bucanella tiveram as menores. O teste de Mann-Whitney indicou que as espécies de raso
    apresentam maior SRS que as de fundo. Em média, os otólitos dos indivíduos de águas mais
    profundas apresentaram otólitos menores e mais alongados, com sulcus acusticus menores,
    mais irregulares e mais alongados. Estas duas abordagens combinadas resultaram em uma
    maior eficiência para discriminar as espécies, tendo uma média de 73.7% de classificação.
    Com isso, é plausível concluir que através das características morfométricas e morfológicas
    dos otólitos obtidas para esta família é possível caracterizar suas espécies e habitats utilizados.

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  • DAVY BARBOSA BÉRGAMO
  • FORAMINÍFEROS BENTÔNICOS DOS RECIFES DO ENTREMARÉS DA COSTA DE PERNAMBUCO

  • Orientador : JOSE SOUTO ROSA FILHO
  • MEMBROS DA BANCA :
  • JOSE SOUTO ROSA FILHO
  • ROBERTO LIMA BARCELLOS
  • DAVID HOLANDA DE OLIVEIRA
  • PATRICIA PINHEIRO BECK EICHLER
  • Data: 29/Jul/2022

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  • Os foraminíferos nas regiões costeiras são encontrados nos sedimentos ou associados a
    outros organismos, como nas macroalgas. Através da aplicação desses como
    bioindicadores é possível compreender como a microfauna reage as condições
    ambientais ofertadas no substrato das regiões marinhas rasas. Assim, objetivou-se
    caracterizar as assembleias de foraminíferos bentônicos em diferentes substratos dos
    recifes de arenito da zona entremarés no estado de Pernambuco (Brasil). As coletas
    aconteceram nas praias do Pina, Enseada dos Corais e Toquinho no mês de
    Outubro/2020. Por praia foram coletadas nove amostras de sedimento e quatro amostras
    de cinco espécies de macroalgas. Os foraminíferos foram analisados através dos
    protocolos padrões de lavagem dos substratos e coleta. Do sedimento, foram coletados
    29.412 (98% mortos) foraminíferos de 76 espécies, representados pela assembleia -
    Amphistegina lessonii, Archaias angulatus, Massilina pernambucensis,
    Quinqueloculina lamarckiana, Textularia agglutinans e Triloculina laevigata. As
    variações dessa assembleia entre praias foram atribuídas aos diferentes níveis de
    hidrodinâmica que influenciam fortemente a dinâmica do ambiente deposicional. Das
    macroalgas, foram coletados 133.814 foraminíferos epifíticos de 39 espécies,
    representadas pela assembleia - Rosalina bradyi, Pararotalia cananeiaensis,
    Quinqueloculina sp.&#39;&#39;A&quot;, Glabratella mirabilis, R. floridana, R. globularis, G.
    brasilensis e R. anglica. Os foraminíferos vivos ocorrem nas macroalgas por essas
    atenuarem as condições ambientais e oferecerem microhabitats que permitem o
    estabelecimento e desenvolvimento de espécies epifíticas vivas. As características das
    assembleias dos foraminíferos da região costeira expressam informações relacionadas a
    adaptações ao substrato e das condições ambientais circundantes, possibilitando a
    aplicação dos foraminíferos como bioindicadores dos efeitos da dinâmica sedimentar,
    da interação como outros organismos e das variações ambientais.


  • Mostrar Abstract
  • Os foraminíferos nas regiões costeiras são encontrados nos sedimentos ou associados a
    outros organismos, como nas macroalgas. Através da aplicação desses como
    bioindicadores é possível compreender como a microfauna reage as condições
    ambientais ofertadas no substrato das regiões marinhas rasas. Assim, objetivou-se
    caracterizar as assembleias de foraminíferos bentônicos em diferentes substratos dos
    recifes de arenito da zona entremarés no estado de Pernambuco (Brasil). As coletas
    aconteceram nas praias do Pina, Enseada dos Corais e Toquinho no mês de
    Outubro/2020. Por praia foram coletadas nove amostras de sedimento e quatro amostras
    de cinco espécies de macroalgas. Os foraminíferos foram analisados através dos
    protocolos padrões de lavagem dos substratos e coleta. Do sedimento, foram coletados
    29.412 (98% mortos) foraminíferos de 76 espécies, representados pela assembleia -
    Amphistegina lessonii, Archaias angulatus, Massilina pernambucensis,
    Quinqueloculina lamarckiana, Textularia agglutinans e Triloculina laevigata. As
    variações dessa assembleia entre praias foram atribuídas aos diferentes níveis de
    hidrodinâmica que influenciam fortemente a dinâmica do ambiente deposicional. Das
    macroalgas, foram coletados 133.814 foraminíferos epifíticos de 39 espécies,
    representadas pela assembleia - Rosalina bradyi, Pararotalia cananeiaensis,
    Quinqueloculina sp.&#39;&#39;A&quot;, Glabratella mirabilis, R. floridana, R. globularis, G.
    brasilensis e R. anglica. Os foraminíferos vivos ocorrem nas macroalgas por essas
    atenuarem as condições ambientais e oferecerem microhabitats que permitem o
    estabelecimento e desenvolvimento de espécies epifíticas vivas. As características das
    assembleias dos foraminíferos da região costeira expressam informações relacionadas a
    adaptações ao substrato e das condições ambientais circundantes, possibilitando a
    aplicação dos foraminíferos como bioindicadores dos efeitos da dinâmica sedimentar,
    da interação como outros organismos e das variações ambientais.

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  • CLEDSON PEDRO DA SILVA JÚNIOR
  • Influência dos Fatores Meteoceanográficos na Composição e Biomassa de Algas Arribadas em duas Praias de Pernambuco

  • Orientador : MUTUE TOYOTA FUJII
  • MEMBROS DA BANCA :
  • GEORGE EMMANUEL CAVALCANTI DE MIRANDA
  • JOSÉ MARCOS DE CASTRO NUNES
  • MUTUE TOYOTA FUJII
  • Data: 25/Ago/2022

  • Mostrar Resumo
  • Algas arribadas ocorrem como eventos naturais de origem dinâmica, e suas causas
    podem estar associadas a diferentes fatores meteoceanográficos ou relacionadas aos
    impactos ambientais de origem antrópica. Este estudo teve como principal objetivo
    analisar a influência dos diferentes fatores meteoceanográficos, tais como ventos,
    ondas, pluviosidade, radiação solar e nutrientes, na composição e biomassa de algas
    arribadas, nas praias de Candeias e Tamandaré, litoral sul de Pernambuco - Brasil.
    Foram realizadas 6 campanhas em cada praia entre os anos de 2020 e 2021, durante
    o período seco e chuvoso. Para as coletas de dados biológicos foram utilizados
    transectos de 10m e quadrados de 25x25cm, onde foram realizadas 9 réplicas por
    campanha em 1 km de praia. Para análise da qualidade da água foram coletados 1,5 L
    por campanha em áreas adjacentes aos recifes. Os dados de vento, onda e irradiação
    solar foram coletados em base de dados da NOAA, e os dados de pluviosidade foram
    obtidos na Agência Pernambucana de Água e Clima (APAC). Dentre as macroalgas
    coletadas, foram identificados 41 gêneros, sendo 23 Rhodophyta, 11 Chlorophyta e 8
    Ochrophyta, distribuídas em 22 ordens. Oito gêneros ocorreram exclusivamente em
    Tamandaré e 3, em Candeias. Ochrophyta foi o principal filo em termos de biomassa,
    seguido de Chlorophyta e Rhodophyta. Em Candeias, a biomassa das algas verdes foi
    superior às de pardas e vermelhas enquanto em Tamandaré, algas pardas. Dos 41
    gêneros, 13 foram responsáveis por 95% do total da biomassa coletada, sendo Bryopsis
    (29,6%) e Dictyopteris (26,7%), os principais. Foi identificada uma floração de Bryopsis
    em Candeias, que alterou significativamente a biomassa para a região. As estações do
    ano influenciaram a biomassa em Candeias, sendo maior no período seco. Ao contrário,
    em Tamandaré, o ambiente é mais homogêneo, não havendo diferença significativa
    entre as estações. Foram detectados valores de nutrientes (fosfato, nitrito e nitrato)
    elevados em Candeias, caracterizando a à região, como ambiente eutrofizado. Em
    Tamandaré, os valores de nutrientes foram baixos e não apresentaram diferenças entre
    as estações. As algas arribadas em Candeias apresentaram maior correlação com os
    fatores químicos e radiação fotossinteticamente ativa, corroborando com os resultados
    obtidos para biomassa, com a dominância de Bryopsis, e das algas vermelhas
    Gracilaria, Chondracanthus e Hypnea, que são bioindicadoras de ambientes
    eutrofizados. Por outro lado, as algas arribadas em Tamandaré responderam melhor
    aos fatores físicos mecânicos, como ondas e vento. Foi possível aferir como os fatores
    ambientais e atividade humana podem alterar e influenciar a composição das algas arribadas. Praia mais preservada apresentara uma composição de algas mais homogênea, prevenindo a ocorrência de florações.


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  • Algas arribadas ocorrem como eventos naturais de origem dinâmica, e suas causas
    podem estar associadas a diferentes fatores meteoceanográficos ou relacionadas aos
    impactos ambientais de origem antrópica. Este estudo teve como principal objetivo
    analisar a influência dos diferentes fatores meteoceanográficos, tais como ventos,
    ondas, pluviosidade, radiação solar e nutrientes, na composição e biomassa de algas
    arribadas, nas praias de Candeias e Tamandaré, litoral sul de Pernambuco - Brasil.
    Foram realizadas 6 campanhas em cada praia entre os anos de 2020 e 2021, durante
    o período seco e chuvoso. Para as coletas de dados biológicos foram utilizados
    transectos de 10m e quadrados de 25x25cm, onde foram realizadas 9 réplicas por
    campanha em 1 km de praia. Para análise da qualidade da água foram coletados 1,5 L
    por campanha em áreas adjacentes aos recifes. Os dados de vento, onda e irradiação
    solar foram coletados em base de dados da NOAA, e os dados de pluviosidade foram
    obtidos na Agência Pernambucana de Água e Clima (APAC). Dentre as macroalgas
    coletadas, foram identificados 41 gêneros, sendo 23 Rhodophyta, 11 Chlorophyta e 8
    Ochrophyta, distribuídas em 22 ordens. Oito gêneros ocorreram exclusivamente em
    Tamandaré e 3, em Candeias. Ochrophyta foi o principal filo em termos de biomassa,
    seguido de Chlorophyta e Rhodophyta. Em Candeias, a biomassa das algas verdes foi
    superior às de pardas e vermelhas enquanto em Tamandaré, algas pardas. Dos 41
    gêneros, 13 foram responsáveis por 95% do total da biomassa coletada, sendo Bryopsis
    (29,6%) e Dictyopteris (26,7%), os principais. Foi identificada uma floração de Bryopsis
    em Candeias, que alterou significativamente a biomassa para a região. As estações do
    ano influenciaram a biomassa em Candeias, sendo maior no período seco. Ao contrário,
    em Tamandaré, o ambiente é mais homogêneo, não havendo diferença significativa
    entre as estações. Foram detectados valores de nutrientes (fosfato, nitrito e nitrato)
    elevados em Candeias, caracterizando a à região, como ambiente eutrofizado. Em
    Tamandaré, os valores de nutrientes foram baixos e não apresentaram diferenças entre
    as estações. As algas arribadas em Candeias apresentaram maior correlação com os
    fatores químicos e radiação fotossinteticamente ativa, corroborando com os resultados
    obtidos para biomassa, com a dominância de Bryopsis, e das algas vermelhas
    Gracilaria, Chondracanthus e Hypnea, que são bioindicadoras de ambientes
    eutrofizados. Por outro lado, as algas arribadas em Tamandaré responderam melhor
    aos fatores físicos mecânicos, como ondas e vento. Foi possível aferir como os fatores
    ambientais e atividade humana podem alterar e influenciar a composição das algas arribadas. Praia mais preservada apresentara uma composição de algas mais homogênea, prevenindo a ocorrência de florações.

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  • CINTHYA ARRUDA DE LIMA
  • IMPACTOS ANTROPOGÊNICOS E POLÍTICAS PÚBLICAS: ESTUDO DE CASO EM DOIS ESTUÁRIOS DO NORDESTE BRASILEIRO (RIO TIMBÓ E RIO FORMOSO - PE)

  • Orientador : RALF SCHWAMBORN
  • MEMBROS DA BANCA :
  • RALF SCHWAMBORN
  • SIGRID NEUMANN LEITAO
  • ANDRÉA KARLA PEREIRA DA SILVA
  • Data: 30/Ago/2022

  • Mostrar Resumo
  •  

     

    Os estuários tropicais são áreas de transição entre os ambientes terrestres e marinhos, que abrigam ecossistemas de manguezais, vulneráveis às interferências humanas. O objetivo central deste trabalho foi avaliar as pressões antrópicas e as principais respostas públicas que se relacionam com os impactos antropogênicos em dois estuários: o estuário do Rio Formoso (localizado na APA de Guadalupe) e o estuário do Rio Timbó (localizado na Região Metropolitana do Recife, Pernambuco, Brasil), através da estrutura DPSIR (“Driving Forces, Pressures, States, Impacts, Responses”). Foram levantados os principais dados socioeconômicos, bem como um mapeamento para identificação dos usos e ocupação do solo. Foram analisados os nutrientes inorgânicos (nitrato, nitrito, amônio, fosfato, silicato), oxigênio dissolvido, clorofila-a e o índice TRIX (“Trophic Index”) para caracterizar o nível trófico e a qualidade ambiental dos estuários. Para identificar a quantidade de lixo preso às raízes do mangue, foram realizadas campanhas de imageamento, analisadas visualmente e posteriormente classificadas. Também foi realizado um levantamento das principais políticas públicas ambientais a nível nacional e estadual, voltadas à mitigação dos impactos nos ecossistemas costeiros. Foram identificadas 14 categorias de uso e ocupação do solo. As maiores concentrações de formação florestal, manguezais e apicum estavam nos territórios das Unidades de Conservação. O Rio Timbó apresentou maior estimativa populacional, expansão urbana, destino do lixo e esgoto comparado aos municípios que integram o Rio Formoso. Provavelmente esse cenário está relacionado com a localização do Rio Timbó na Região Metropolitana do Recife. Foi constatado que todos os nutrientes (exceto silicato), OD, salinidade, Chl-a e TRIX apresentaram maiores valores para o Rio Timbó comparado ao Rio Formoso. No estuário do Rio Timbó, as concentrações de fosfato estiveram sempre altas, com medianas sazonais acima do limite especificado pelo CONAMA. As concentrações de nitrogênio inorgânico aumentaram significativamente durante a estação chuvosa, fenômeno possivelmente relacionado ao maior aporte de esgotos de origem urbana nessa época do ano. No entanto, as concentrações de fosfato no estuário do Rio Formoso (sempre menores do que no Rio Timbó e com medianas sazonais bem abaixo do limite especificado pelo CONAMA) regrediram significativamente durante a estação chuvosa, possivelmente devido à maior diluição e turnover com o maior aporte de águas pluviais, pobres em nutrientes, nessa época do ano. A quantidade total de lixo detectado foi de 78 itens durante as duas campanhas para os dois estuários. A maior quantidade de itens estava no Rio Timbó e a maior representatividade foi de itens da construção civil. Lixo plástico esteve presente com pelo menos uma unidade em todos os pontos de presença de lixo no Rio Formoso. Comparando o estado de cada estuário, o Rio Formoso apresenta melhores condições de qualidade da água e menor quantidade de resíduos sólidos, porém, devido à grande quantidade de área ocupada pela agricultura e devido ao turismo intensivo, existe um risco de agravamento da qualidade ambiental. Ferramentas como o DPSIR, o Índice TRIX, sensoriamento remoto, acompanhado dos dados de censos demográficos são importantes para o monitoramento dos ambientes costeiros e futuras medidas de mitigação e propostas de políticas públicas.


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  •  

     

    Os estuários tropicais são áreas de transição entre os ambientes terrestres e marinhos, que abrigam ecossistemas de manguezais, vulneráveis às interferências humanas. O objetivo central deste trabalho foi avaliar as pressões antrópicas e as principais respostas públicas que se relacionam com os impactos antropogênicos em dois estuários: o estuário do Rio Formoso (localizado na APA de Guadalupe) e o estuário do Rio Timbó (localizado na Região Metropolitana do Recife, Pernambuco, Brasil), através da estrutura DPSIR (“Driving Forces, Pressures, States, Impacts, Responses”). Foram levantados os principais dados socioeconômicos, bem como um mapeamento para identificação dos usos e ocupação do solo. Foram analisados os nutrientes inorgânicos (nitrato, nitrito, amônio, fosfato, silicato), oxigênio dissolvido, clorofila-a e o índice TRIX (“Trophic Index”) para caracterizar o nível trófico e a qualidade ambiental dos estuários. Para identificar a quantidade de lixo preso às raízes do mangue, foram realizadas campanhas de imageamento, analisadas visualmente e posteriormente classificadas. Também foi realizado um levantamento das principais políticas públicas ambientais a nível nacional e estadual, voltadas à mitigação dos impactos nos ecossistemas costeiros. Foram identificadas 14 categorias de uso e ocupação do solo. As maiores concentrações de formação florestal, manguezais e apicum estavam nos territórios das Unidades de Conservação. O Rio Timbó apresentou maior estimativa populacional, expansão urbana, destino do lixo e esgoto comparado aos municípios que integram o Rio Formoso. Provavelmente esse cenário está relacionado com a localização do Rio Timbó na Região Metropolitana do Recife. Foi constatado que todos os nutrientes (exceto silicato), OD, salinidade, Chl-a e TRIX apresentaram maiores valores para o Rio Timbó comparado ao Rio Formoso. No estuário do Rio Timbó, as concentrações de fosfato estiveram sempre altas, com medianas sazonais acima do limite especificado pelo CONAMA. As concentrações de nitrogênio inorgânico aumentaram significativamente durante a estação chuvosa, fenômeno possivelmente relacionado ao maior aporte de esgotos de origem urbana nessa época do ano. No entanto, as concentrações de fosfato no estuário do Rio Formoso (sempre menores do que no Rio Timbó e com medianas sazonais bem abaixo do limite especificado pelo CONAMA) regrediram significativamente durante a estação chuvosa, possivelmente devido à maior diluição e turnover com o maior aporte de águas pluviais, pobres em nutrientes, nessa época do ano. A quantidade total de lixo detectado foi de 78 itens durante as duas campanhas para os dois estuários. A maior quantidade de itens estava no Rio Timbó e a maior representatividade foi de itens da construção civil. Lixo plástico esteve presente com pelo menos uma unidade em todos os pontos de presença de lixo no Rio Formoso. Comparando o estado de cada estuário, o Rio Formoso apresenta melhores condições de qualidade da água e menor quantidade de resíduos sólidos, porém, devido à grande quantidade de área ocupada pela agricultura e devido ao turismo intensivo, existe um risco de agravamento da qualidade ambiental. Ferramentas como o DPSIR, o Índice TRIX, sensoriamento remoto, acompanhado dos dados de censos demográficos são importantes para o monitoramento dos ambientes costeiros e futuras medidas de mitigação e propostas de políticas públicas.

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  • KAIO HENRIQUE FARIAS DA SILVA
  • COMPLEXIDADE DE ÁREAS MARINHAS PROTEGIDAS: FATORES QUE GOVERNAM A ASSEMBLEIA DE COPÉPODES MESOZOOPLANCTÔNICOS (APÓS DERRAMAMENTO DE PETRÓLEO)

  • Orientador : SIGRID NEUMANN LEITAO
  • MEMBROS DA BANCA :
  • SIGRID NEUMANN LEITAO
  • MAURO DE MELO JÚNIOR
  • XIOMARA FRANCESCA GARCÍA DÍAZ
  • Data: 31/Ago/2022

  • Mostrar Resumo
  • A presente dissertação é composta por dois capítulos em forma de manuscrito, ambos com o objetivo de avaliar a assembleia de copépodes mesozooplanctônica em Tamandaré (capítulo 1) e Rio Formoso (capítulo 2). As duas áreas de estudo foram impactadas pelo derramamento de petróleo. O capítulo 1 visou compreender a extensão do impacto da chegada de óleo nos copépodes mesozooplanctônicos e também investigar a heterogeneidade espacial e temporal da assembleia de copépodes sobre um conjunto de fatores abióticos. A assembleia foi avaliada no período seco (fevereiro, março, setembro, outubro, novembro e dezembro/2020) em três estações fixas em Tamandaré. Os copépodes foram analisados por classe de tamanho e os mais abundantes foram utilizados para as taxas de biomassa e produção. 38 táxons foram identificados, destes 10 foram considerados dominantes e representaram 87% de toda abundância relativa na área. Destaque para abundância, biomassa e produção das espécies Dioithona oculata, Oithona nana, Acartia lilljeborgii e Parvocalanus quasimodo. Foi registrada a ocorrência de enxame de D. oculata e a ausência de registro de náuplios de Copepoda nos dois primeiros meses. Os resultados do estudo apontaram para uma heterogeneidade espaço/temporal baseada na abundância, biomassa e produção dos copépodes. Embora diferenças estatísticas não tenham sido verificadas, sugerindo que esses parâmetros flutuem localmente pela influência da pluma estuarina, contribuindo com nutrientes e elevando a produtividade. Na área recifal apresentou padrões típicos relacionados a predador-presa. O capítulo 2 objetivou investigar a variabilidade espaçotemporal da abundância, biomassa e produção da assembleia de copépodes em uma área estuarina afetada pelo impacto do derrame de óleo de 2019. A assembleia foi avaliada no período seco (fevereiro, março, setembro e outubro/2020) em três estações fixas no Rio Formoso. 34 táxons foram identificados, destes 9 foram considerados dominantes e representaram 90% de toda a abundância relativa na área. As espécies Paracalanus crassirostris, Acartia lilljeborgii, Dioithona oculata e Euterpina acutifrons foram as que mais contribuíram em abundância e manutenção da biomassa e produção da cadeia alimentar local. A estação localizada na desembocadura do rio Ariquindá atuou como vetor de incremento de nutriente e produtividade, o qual foi expresso em altas taxas de produtividade primaria e secundária. A espécie P. crassirostris foi a mais favorecida pela influência dos rios adjacentes e a mesma foi considerada espécie chave para a manutenção dos recursos pesqueiros na região.


  • Mostrar Abstract
  • A presente dissertação é composta por dois capítulos em forma de manuscrito, ambos com o objetivo de avaliar a assembleia de copépodes mesozooplanctônica em Tamandaré (capítulo 1) e Rio Formoso (capítulo 2). As duas áreas de estudo foram impactadas pelo derramamento de petróleo. O capítulo 1 visou compreender a extensão do impacto da chegada de óleo nos copépodes mesozooplanctônicos e também investigar a heterogeneidade espacial e temporal da assembleia de copépodes sobre um conjunto de fatores abióticos. A assembleia foi avaliada no período seco (fevereiro, março, setembro, outubro, novembro e dezembro/2020) em três estações fixas em Tamandaré. Os copépodes foram analisados por classe de tamanho e os mais abundantes foram utilizados para as taxas de biomassa e produção. 38 táxons foram identificados, destes 10 foram considerados dominantes e representaram 87% de toda abundância relativa na área. Destaque para abundância, biomassa e produção das espécies Dioithona oculata, Oithona nana, Acartia lilljeborgii e Parvocalanus quasimodo. Foi registrada a ocorrência de enxame de D. oculata e a ausência de registro de náuplios de Copepoda nos dois primeiros meses. Os resultados do estudo apontaram para uma heterogeneidade espaço/temporal baseada na abundância, biomassa e produção dos copépodes. Embora diferenças estatísticas não tenham sido verificadas, sugerindo que esses parâmetros flutuem localmente pela influência da pluma estuarina, contribuindo com nutrientes e elevando a produtividade. Na área recifal apresentou padrões típicos relacionados a predador-presa. O capítulo 2 objetivou investigar a variabilidade espaçotemporal da abundância, biomassa e produção da assembleia de copépodes em uma área estuarina afetada pelo impacto do derrame de óleo de 2019. A assembleia foi avaliada no período seco (fevereiro, março, setembro e outubro/2020) em três estações fixas no Rio Formoso. 34 táxons foram identificados, destes 9 foram considerados dominantes e representaram 90% de toda a abundância relativa na área. As espécies Paracalanus crassirostris, Acartia lilljeborgii, Dioithona oculata e Euterpina acutifrons foram as que mais contribuíram em abundância e manutenção da biomassa e produção da cadeia alimentar local. A estação localizada na desembocadura do rio Ariquindá atuou como vetor de incremento de nutriente e produtividade, o qual foi expresso em altas taxas de produtividade primaria e secundária. A espécie P. crassirostris foi a mais favorecida pela influência dos rios adjacentes e a mesma foi considerada espécie chave para a manutenção dos recursos pesqueiros na região.

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  • ÍTALA GABRIELA TAVARES LIMA
  • ANÁLISE DOS IMPACTOS DO ÓLEO CRU PESADO SOBRE AS COMUNIDADES MACROBENTÔNICAS DE SUBSTRATOS CONSOLIDADOS EM PERNAMBUCO (BRASIL)

  • Orientador : RALF SCHWAMBORN
  • MEMBROS DA BANCA :
  • RALF SCHWAMBORN
  • SIGRID NEUMANN LEITAO
  • RALF TARCISO SILVA CORDEIRO
  • Data: 23/Set/2022

  • Mostrar Resumo
  • Em agosto de 2019, o litoral Brasileiro foi palco de um dos maiores crimes ambientais
    marinhos registrados no país. O derrame de óleo cru pesado alcançou praticamente toda
    costa brasileira e seus diferentes habitats. Foram então iniciadas pesquisas para avaliar
    os níveis de impacto sociais e ambientais. Os beachrocks do litoral nordestino ficaram
    cobertos por óleo, apresentando resíduos do derrame impregnado nas rochas mesmo
    após 2 anos do impacto. O objetivo do presente estudo, foi identificar possíveis
    impactos nas comunidades macrobentônicas sésseis e semissésseis que vivem em
    substratos consolidados de praias atingidas em níveis distintos. As campanhas de coleta
    ocorreram em três praias do litoral Pernambucano: Itapuama, Carneiros e Pontal do
    Cupe, classificadas em alta, moderada e baixa intensidade de impacto, respectivamente.
    O critério adotado para classificação de impacto foi o percentual de óleo impregnado
    nas rochas. As áreas foram escolhidas por sua relevância socioeconômica e ambiental.
    Foi utilizado o método não destrutivo do fototransecto. A caracterização das áreas foi
    feita com o auxílio de uma fita métrica de 10 metros e registros fotográficos de um
    quadrado de PVC (50x50cm) a cada metro, resultando em 10 fotos por transecto. A
    rugosidade foi obtida com o auxílio de uma corrente de elos e uma trena. O software
    Coral Point Count with Excel extensions (CPCe), foi utilizado para caracterização da
    cobertura biótica e abiótica dos substratos. Para analisar os resultados, foram utilizados
    o programa computacional R e o software Primer 6. As áreas apresentaram gradiente de
    diversidade comprovado estatisticamente, bem como diferenças no percentual de óleo
    cru pesado impregnado nas rochas. Foi visto que é necessário adotar análises múltiplas
    para identificação de impacto sobre comunidades macobentônicas afetadas por derrame
    de óleo. Os resíduos de óleo monitorados ao longo de um ano demonstram que o
    material está sendo intemperizado. A espécie Chthamalus bisinuatus foi utilizada como
    organismo sentinela. Os resultados indicam que apesar de terem sido afetadas pelo
    derrame de óleo, as populações de Chthamalus bisinuatus monitoradas apresentaram
    uma possível recuperação. O acompanhamento a longo prazo de áreas impactadas pelo
    óleo é essencial para avaliação dos efeitos crônicos nos organismos afetados.


  • Mostrar Abstract
  • Em agosto de 2019, o litoral Brasileiro foi palco de um dos maiores crimes ambientais
    marinhos registrados no país. O derrame de óleo cru pesado alcançou praticamente toda
    costa brasileira e seus diferentes habitats. Foram então iniciadas pesquisas para avaliar
    os níveis de impacto sociais e ambientais. Os beachrocks do litoral nordestino ficaram
    cobertos por óleo, apresentando resíduos do derrame impregnado nas rochas mesmo
    após 2 anos do impacto. O objetivo do presente estudo, foi identificar possíveis
    impactos nas comunidades macrobentônicas sésseis e semissésseis que vivem em
    substratos consolidados de praias atingidas em níveis distintos. As campanhas de coleta
    ocorreram em três praias do litoral Pernambucano: Itapuama, Carneiros e Pontal do
    Cupe, classificadas em alta, moderada e baixa intensidade de impacto, respectivamente.
    O critério adotado para classificação de impacto foi o percentual de óleo impregnado
    nas rochas. As áreas foram escolhidas por sua relevância socioeconômica e ambiental.
    Foi utilizado o método não destrutivo do fototransecto. A caracterização das áreas foi
    feita com o auxílio de uma fita métrica de 10 metros e registros fotográficos de um
    quadrado de PVC (50x50cm) a cada metro, resultando em 10 fotos por transecto. A
    rugosidade foi obtida com o auxílio de uma corrente de elos e uma trena. O software
    Coral Point Count with Excel extensions (CPCe), foi utilizado para caracterização da
    cobertura biótica e abiótica dos substratos. Para analisar os resultados, foram utilizados
    o programa computacional R e o software Primer 6. As áreas apresentaram gradiente de
    diversidade comprovado estatisticamente, bem como diferenças no percentual de óleo
    cru pesado impregnado nas rochas. Foi visto que é necessário adotar análises múltiplas
    para identificação de impacto sobre comunidades macobentônicas afetadas por derrame
    de óleo. Os resíduos de óleo monitorados ao longo de um ano demonstram que o
    material está sendo intemperizado. A espécie Chthamalus bisinuatus foi utilizada como
    organismo sentinela. Os resultados indicam que apesar de terem sido afetadas pelo
    derrame de óleo, as populações de Chthamalus bisinuatus monitoradas apresentaram
    uma possível recuperação. O acompanhamento a longo prazo de áreas impactadas pelo
    óleo é essencial para avaliação dos efeitos crônicos nos organismos afetados.

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  • LUCAS INÁCIO SILVA DOS SANTOS
  • A ZONA DE MÍNIMO DE OXIGÊNIO E PARÂMETROS OCEANOGRÁFICOS NA ELEVAÇÃO DO RIO GRANDE, ATLÂNTICO SUL SUBTROPICAL

  • Orientador : MANUEL DE JESUS FLORES MONTES
  • MEMBROS DA BANCA :
  • MANUEL DE JESUS FLORES MONTES
  • ALEX COSTA DA SILVA
  • VITOR GONSALEZ CHIOZZINI
  • Data: 25/Nov/2022

  • Mostrar Resumo
  • A Elevação do Rio Grande é considerada uma extensão do continente sul-americano no Oceano Atlântico Sul Subtropical, e por isso desempenha papel muito estratégico no desenvolvimento sócio/econômico/ambiental do país. A criação de uma linha de base ambiental para a região foi um dos propulsores do presente trabalho, que teve também como objetivo a descrição e avaliação das condicionantes oceanográficas, sobretudo, a caracterização hidrológica da área. A partir de então, o estudo acerca da presença de uma Zona de Mínimo de Oxigênio teve como base a observação e interpretação dos parâmetros hidroceanograficos do local. Com dados in situ para os anos de 2018 e 2020, a análise do diagrama TS e da faixa de intervalos de densidade demonstrou a presença de um gradiente para até seis massas d’água na região. Estas foram: Água Tropical (AT), Água Central do Atlântico Sul (ACAS), Água Intermediária Antártica (AIA), Água Profunda Circumpolar Superior (UCDW), onde se deu o núcleo da Zona de Mínimo de Oxigênio (ZMO), Água Profunda do Atlântico Norte (APAN), sendo esta a com maior extensão na coluna d’água, e por final, a Água de Fundo Antártica (AFA), identificada a partir da utilização do Oxigênio Dissolvido (OD) como proxy. Apesar da forte interação com a atmosfera, o pico de OD (251.84 µmol.kg-1) não foi encontrado nas águas superficiais (<50 m) que permanecem a maior parte do tempo saturadas, mas sim próximo à base da termoclina sazonal, deslocado logo acima do pico de clorofila. Alcançando valores típicos para oceano aberto, a clorofila teve máxima concentração (0.6 mg.kg-1) em cerca de 100 m de profundidade e foi circundada pelo aumento nos valores de OD, sugerindo um incremento no parâmetro. Característico de águas tropicais, a ACAS apresentou o primeiro mínimo de OD seguido de um incremento conhecido como “high-oxygen tongue” das oxigenadas águas da AIA, porém, sem aumento na taxa de saturação. A massa d’agua detentora dos menores valores de OD, que descrevem uma zona com valores mínimos de oxigênio, foi a UCDW com extensão de cerca de 700 m e taxa de saturação atingindo valores mínimos de 49%.  A contextualização dos fatores como idade da massa d’água, assim como os processos biogeoquímicos que acontecem ao longo da história da circulação oceânica da UCDW foram os principais argumentos que sustentaram a expressão deficitária do OD para a massa d’agua. Por final, os perfis climatológicos corroboraram com as observações in situ quando apresentaram uma estrutura de termoclina permanente com desenvolvimento em águas intermediárias, e uma clara estabilidade térmica na maior parcela de água mais profunda, ocupada majoritariamente pela APAN. Em relação as quantidades de OD, a UCDW foi detentora da zona com mínimo valores de oxigênio, com núcleo de até 190 µmol.kg-1 nos 1400 m de profundidade. 


  • Mostrar Abstract
  • A Elevação do Rio Grande é considerada uma extensão do continente sul-americano no Oceano Atlântico Sul Subtropical, e por isso desempenha papel muito estratégico no desenvolvimento sócio/econômico/ambiental do país. A criação de uma linha de base ambiental para a região foi um dos propulsores do presente trabalho, que teve também como objetivo a descrição e avaliação das condicionantes oceanográficas, sobretudo, a caracterização hidrológica da área. A partir de então, o estudo acerca da presença de uma Zona de Mínimo de Oxigênio teve como base a observação e interpretação dos parâmetros hidroceanograficos do local. Com dados in situ para os anos de 2018 e 2020, a análise do diagrama TS e da faixa de intervalos de densidade demonstrou a presença de um gradiente para até seis massas d’água na região. Estas foram: Água Tropical (AT), Água Central do Atlântico Sul (ACAS), Água Intermediária Antártica (AIA), Água Profunda Circumpolar Superior (UCDW), onde se deu o núcleo da Zona de Mínimo de Oxigênio (ZMO), Água Profunda do Atlântico Norte (APAN), sendo esta a com maior extensão na coluna d’água, e por final, a Água de Fundo Antártica (AFA), identificada a partir da utilização do Oxigênio Dissolvido (OD) como proxy. Apesar da forte interação com a atmosfera, o pico de OD (251.84 µmol.kg-1) não foi encontrado nas águas superficiais (<50 m) que permanecem a maior parte do tempo saturadas, mas sim próximo à base da termoclina sazonal, deslocado logo acima do pico de clorofila. Alcançando valores típicos para oceano aberto, a clorofila teve máxima concentração (0.6 mg.kg-1) em cerca de 100 m de profundidade e foi circundada pelo aumento nos valores de OD, sugerindo um incremento no parâmetro. Característico de águas tropicais, a ACAS apresentou o primeiro mínimo de OD seguido de um incremento conhecido como “high-oxygen tongue” das oxigenadas águas da AIA, porém, sem aumento na taxa de saturação. A massa d’agua detentora dos menores valores de OD, que descrevem uma zona com valores mínimos de oxigênio, foi a UCDW com extensão de cerca de 700 m e taxa de saturação atingindo valores mínimos de 49%.  A contextualização dos fatores como idade da massa d’água, assim como os processos biogeoquímicos que acontecem ao longo da história da circulação oceânica da UCDW foram os principais argumentos que sustentaram a expressão deficitária do OD para a massa d’agua. Por final, os perfis climatológicos corroboraram com as observações in situ quando apresentaram uma estrutura de termoclina permanente com desenvolvimento em águas intermediárias, e uma clara estabilidade térmica na maior parcela de água mais profunda, ocupada majoritariamente pela APAN. Em relação as quantidades de OD, a UCDW foi detentora da zona com mínimo valores de oxigênio, com núcleo de até 190 µmol.kg-1 nos 1400 m de profundidade. 

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  • RAFAEL VIANA PESTANA
  • VARIAÇÃO DE CURTO PRAZO DO FITOPLÂNCTON EM UM ECOSSISTEMA RECIFAL DO ATLÂNTICO TROPICAL (TAMANDARÉ, PE - BRASIL)

  • Orientador : PEDRO AUGUSTO MENDES DE CASTRO MELO
  • MEMBROS DA BANCA :
  • FERNANDO ANTONIO DO NASCIMENTO FEITOSA
  • PEDRO AUGUSTO MENDES DE CASTRO MELO
  • GISLAYNE CRISTINA PALMEIRA BORGES
  • Data: 30/Nov/2022

  • Mostrar Resumo
  • O fitoplâncton é um elemento primordial nos ecossistemas aquáticos e integra a base da pirâmide de produtividade, além disso, ele define o fluxo e a ciclagem da matéria orgânica e é indicador do estado trófico de tais ecossistemas. Alterações na composição e na estrutura de sua comunidade podem, como efeito, ocasionar profundas mudanças em todos os níveis tróficos, uma vez que o fitoplâncton apresenta um caráter muito dinâmico, por possuir elevadas taxas de reprodução, com ciclos de vida variando em torno de horas, dias ou semanas. Nesse sentido, os processos que influenciam o crescimento do fitoplâncton ocorrem ao longo de uma gama de escalas de tempo, mas muitos modelos conceituais e numéricos da dinâmica de produção do fitoplâncton negligenciam os mecanismos que ocorrem nas escalas de tempo mais curtas. Dentro desse contexto, os sistemas recifais mostram-se como um dos ambientes costeiros mais produtivos em termos de biomassa, e, embora eles pareçam um “sistema ecológico fechado”, sua produtividade é mantida pela característica do ambiente circundante. O presente estudo busca caracterizar a estrutura e da composição do fitoplâncton de Tamandaré ao longo de um ano em resposta à dinâmica hidrológica em curta escala, permitindo uma melhor compreensão desse ecossistema. Para isto foram realizadas 19 coletas quinzenais, de novembro de 2020 a outubro de 2021. Os valores de precipitação pluviométrica mensais registrados no período estudado se apresentaram mais altos entre os meses de março e agosto de 2020 caracterizando o período chuvoso, sendo o mês de maio o de maior precipitação. O período de estiagem foi marcado por menores valores pluviométricos entre os meses de novembro de 2020 a fevereiro de 2021 e de setembro e outubro de 2021, sendo o mês de fevereiro o de menor quantidade de chuva registrado. A biomassa total durante o período de estiagem apresentou valores que variaram entre 0,13 mg.m-3 e 0,62 mg.m-3. No período chuvoso a variação foi de 0,35 mg.m-3 a 2,50 mg.m-3. Foram observadas diferenças significativas entre os períodos (M-W; p<0,05). Durante o estudo foram obtidos resultados detalhados sobre a variação em curta escala dos atributos da comunidade fitoplanctônica diante das diferentes condições ambientais, destacando a importância de estudos em curta escala de tempo para a avaliação dos ambientes costeiros.



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  • O fitoplâncton é um elemento primordial nos ecossistemas aquáticos e integra a base da pirâmide de produtividade, além disso, ele define o fluxo e a ciclagem da matéria orgânica e é indicador do estado trófico de tais ecossistemas. Alterações na composição e na estrutura de sua comunidade podem, como efeito, ocasionar profundas mudanças em todos os níveis tróficos, uma vez que o fitoplâncton apresenta um caráter muito dinâmico, por possuir elevadas taxas de reprodução, com ciclos de vida variando em torno de horas, dias ou semanas. Nesse sentido, os processos que influenciam o crescimento do fitoplâncton ocorrem ao longo de uma gama de escalas de tempo, mas muitos modelos conceituais e numéricos da dinâmica de produção do fitoplâncton negligenciam os mecanismos que ocorrem nas escalas de tempo mais curtas. Dentro desse contexto, os sistemas recifais mostram-se como um dos ambientes costeiros mais produtivos em termos de biomassa, e, embora eles pareçam um “sistema ecológico fechado”, sua produtividade é mantida pela característica do ambiente circundante. O presente estudo busca caracterizar a estrutura e da composição do fitoplâncton de Tamandaré ao longo de um ano em resposta à dinâmica hidrológica em curta escala, permitindo uma melhor compreensão desse ecossistema. Para isto foram realizadas 19 coletas quinzenais, de novembro de 2020 a outubro de 2021. Os valores de precipitação pluviométrica mensais registrados no período estudado se apresentaram mais altos entre os meses de março e agosto de 2020 caracterizando o período chuvoso, sendo o mês de maio o de maior precipitação. O período de estiagem foi marcado por menores valores pluviométricos entre os meses de novembro de 2020 a fevereiro de 2021 e de setembro e outubro de 2021, sendo o mês de fevereiro o de menor quantidade de chuva registrado. A biomassa total durante o período de estiagem apresentou valores que variaram entre 0,13 mg.m-3 e 0,62 mg.m-3. No período chuvoso a variação foi de 0,35 mg.m-3 a 2,50 mg.m-3. Foram observadas diferenças significativas entre os períodos (M-W; p<0,05). Durante o estudo foram obtidos resultados detalhados sobre a variação em curta escala dos atributos da comunidade fitoplanctônica diante das diferentes condições ambientais, destacando a importância de estudos em curta escala de tempo para a avaliação dos ambientes costeiros.


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  • THIAGO DE OLIVEIRA CAMINHA
  • CARACTERIZAÇÃO DO CARBONO INORGÂNICO DISSOLVIDO NA REGIÃO PELÁGICA DO ATLÂNTICO SUL: A ELEVAÇÃO DO RIO GRANDE.

  • Orientador : MANUEL DE JESUS FLORES MONTES
  • MEMBROS DA BANCA :
  • MANUEL DE JESUS FLORES MONTES
  • DORIS REGINA AIRES VELEDA
  • LETÍCIA COTRIM DA CUNHA
  • Data: 13/Dez/2022

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  • Montes submarinos interagem com a circulação local afetando a distribuição vertical de importantes solutos como nutrientes, parâmetros do sistema carbonato e oxigênio, promovendo diversas alterações na biogeoquímica local. Entretanto, a compreensão do impacto de montes submarinos sobre o sistema carbonato local ainda é insipiente. Este trabalho investiga estes efeitos impostos pela Elevação do Rio Grande, um monte submarino intermediário (atinge a base da picnoclina permanente, mas não a zona eufótica) com topografia complexa. A hidrologia vertical e a distribuição de propriedades físicas e químicas são estudadas em três campanhas oceanográficas sobre a Elevação do Rio Grande em 2018 e 2020, as quais geraram dois desenhos amostrais discutidos em dois capítulos separadamente. Os resultados mostram que mudanças da estrutura hidrológica e das propriedades biogeoquímicas da coluna d’água do fortemente estratificado Oceano Atlântico Sul estão claramente associadas com a presença desta proeminência topográfica complexa, principalmente nos entornos de seus picos alongados e rifte. As perturbações rasas da estrutura termohalina observadas aparentam serem causadas por ondas internas geradas localmente, as quais promovem deslocamentos verticais na biogeoquímica de subsuperfície. Soerguimentos de águas em profundidade seguindo as cristas das ondas internas transportam águas ricas em CO2 para a subsuperfície e superfície. Este processo afeta a dinâmica de CO2 da interface oceano-atmosfera. São mostrados sinais de ressurgência de águas de subsuperfície nas imediações dos picos da Elevação do Rio Grande, as quais são suficientemente ricas em CO2 para mudar o caráter de águas superficiais de sumidouro para fonte de CO2 para a atmosfera. Ademais, uma célula de circulação fechada similar a um cone de Taylor foi detectada próximo a um dos picos, estendendo-se até a base da picnoclina permanente. Devido à proximidade desta perturbação hidrodinâmica com o fundo do pico, nós hipotetizamos que a ressuspensão e retenção de materiais de fundo dentro da célula de circulação fechada promove condições favoráveis para um consumo de alcalinidade total via nitrificação e consequente enfraquecimento da capacidade de tamponamento da água. Além disso, considerando os soerguimentos claros de isopicnas e padrões de circulação opostos indicativos do desenvolvimento de um cone de Taylor, estas alterações biogeoquímicas podem estar sujeitas a ser introduzidas na base da picnoclina via advecção vertical e mistura diapicnal, com possíveis mudanças para a remineralização da matéria orgânica comumente retida nestes níveis. Por fim, a canalização da corrosiva Água Profunda Circumpolar Superior através do rifte principal da Elevação do Rio Grande a profundidades de aproximadamente 1500 m representa um possível importante papel para a biogeoquímica profunda local. A exposição de sedimentos calcáreos de fundo a estas águas acelera a reciclagem de carbono do fundo, atuando como uma fonte adicional de carbono para as águas profundas do Oceano Atlântico Sul. Nós propomos que a Elevação do Rio Grande pode representar papel importante na compreensão da troca de carbono entre os diversos compartimentos do Oceano Atlântico Sul. Isto, aliado à grande complexidade ambiental da região, evidencia a necessidade de realização de mais estudos para investigar os processos aqui descritos.


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  • Montes submarinos interagem com a circulação local afetando a distribuição vertical de importantes solutos como nutrientes, parâmetros do sistema carbonato e oxigênio, promovendo diversas alterações na biogeoquímica local. Entretanto, a compreensão do impacto de montes submarinos sobre o sistema carbonato local ainda é insipiente. Este trabalho investiga estes efeitos impostos pela Elevação do Rio Grande, um monte submarino intermediário (atinge a base da picnoclina permanente, mas não a zona eufótica) com topografia complexa. A hidrologia vertical e a distribuição de propriedades físicas e químicas são estudadas em três campanhas oceanográficas sobre a Elevação do Rio Grande em 2018 e 2020, as quais geraram dois desenhos amostrais discutidos em dois capítulos separadamente. Os resultados mostram que mudanças da estrutura hidrológica e das propriedades biogeoquímicas da coluna d’água do fortemente estratificado Oceano Atlântico Sul estão claramente associadas com a presença desta proeminência topográfica complexa, principalmente nos entornos de seus picos alongados e rifte. As perturbações rasas da estrutura termohalina observadas aparentam serem causadas por ondas internas geradas localmente, as quais promovem deslocamentos verticais na biogeoquímica de subsuperfície. Soerguimentos de águas em profundidade seguindo as cristas das ondas internas transportam águas ricas em CO2 para a subsuperfície e superfície. Este processo afeta a dinâmica de CO2 da interface oceano-atmosfera. São mostrados sinais de ressurgência de águas de subsuperfície nas imediações dos picos da Elevação do Rio Grande, as quais são suficientemente ricas em CO2 para mudar o caráter de águas superficiais de sumidouro para fonte de CO2 para a atmosfera. Ademais, uma célula de circulação fechada similar a um cone de Taylor foi detectada próximo a um dos picos, estendendo-se até a base da picnoclina permanente. Devido à proximidade desta perturbação hidrodinâmica com o fundo do pico, nós hipotetizamos que a ressuspensão e retenção de materiais de fundo dentro da célula de circulação fechada promove condições favoráveis para um consumo de alcalinidade total via nitrificação e consequente enfraquecimento da capacidade de tamponamento da água. Além disso, considerando os soerguimentos claros de isopicnas e padrões de circulação opostos indicativos do desenvolvimento de um cone de Taylor, estas alterações biogeoquímicas podem estar sujeitas a ser introduzidas na base da picnoclina via advecção vertical e mistura diapicnal, com possíveis mudanças para a remineralização da matéria orgânica comumente retida nestes níveis. Por fim, a canalização da corrosiva Água Profunda Circumpolar Superior através do rifte principal da Elevação do Rio Grande a profundidades de aproximadamente 1500 m representa um possível importante papel para a biogeoquímica profunda local. A exposição de sedimentos calcáreos de fundo a estas águas acelera a reciclagem de carbono do fundo, atuando como uma fonte adicional de carbono para as águas profundas do Oceano Atlântico Sul. Nós propomos que a Elevação do Rio Grande pode representar papel importante na compreensão da troca de carbono entre os diversos compartimentos do Oceano Atlântico Sul. Isto, aliado à grande complexidade ambiental da região, evidencia a necessidade de realização de mais estudos para investigar os processos aqui descritos.

Teses
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  • DJOIRKA MINTO DIMOUNE
  • New insight of the West tropical Atlantic Circulation based on 25 years of satellite altimetry, PIRATA data and GLORYS ocean reanalysis

    (Nova percepção da Circulação oceânica na borda oeste do Atlântico tropical baseada em 25 anos de dados de altimetria de satélite, de dados PIRATA e de reanálise GLORYS)

  • Orientador : MOACYR CUNHA DE ARAUJO FILHO
  • MEMBROS DA BANCA :
  • ALEX COSTA DA SILVA
  • CARMEN MEDEIROS LIMONGI
  • MARCUS ANDRE SILVA
  • FABRICE HERNANDEZ
  • BERNARD BOURLÈS
  • AGRÉ KOUSSO SANDRINE DJAKOURÉ
  • GBEKPO AUBAINS HOUNSOU-GBO
  • Data: 27/Jan/2022

  • Mostrar Resumo
  • A borda oeste do Atlântico tropical é uma das regiões mais dinâmicas de todo o oceano, para onde a maioria das correntes zonais vão, transportando massas de água e calor. A sua importância deve-se principalmente às suas interações com a atmosfera, que influenciam o clima regional e as precipitações das regiões circundantes. O principal objetivo dessa tese é aproveitar o maior banco de dados das correntes derivadas da altimetria e das reanálises GLORYS12V1 (G12V1) disponíveis durante o período 1993-2017 para revisitar a circulação na borda oeste e aprofundar o conhecimento sobre a variabilidade espaço-temporal das correntes nas escalas espacial e temporais. Para tal foram selecionadas 9 secções transversais das correntes a fim de avaliar a evolução da circulação e a redistribuição das massas de água em toda a porção tropical da bacia. Antes disso, a acurácia do modelo GLORYS12V1 foi testada, comparando as saídas numéricas com as 15 seções de dados de corrente obtidas durante os cruzeiros científicos das campanhas do Programa Prediction and Research Moored Array in the Tropical Atlantic, realizado pelo Brasil (PIRATA-BR). As simulações foram também comparadas com a climatologia obtida a partir de derivadores, com resultados satisfatórios em ambos os casos. De sul para norte, as correntes derivadas da altimetria mostram dois comportamentos diferentes da amplitude da Corrente Norte do Brasil (NBC). No hemisfério sul, o NBC mostra um ciclo anual com um máximo (mínimo) de 0,6 m/s (0,3 m/s) durante a Primavera boreal (Outono) sob a influência do ramo central da Corrente Sul Equatorial (cSEC) e da subcorrente Norte do Brasil (NBUC), enquanto no hemisfério norte, o seu ciclo inverte-se sob a influência do ramo norte da SEC (nSEC) e a sua amplitude quase duplica. Os nossos resultados também mostram que a retroflexão do NBC (NBCR) é permanente durante todo o ano, mas é fraca durante a Primavera boreal. Neste período observa-se um fluxo para leste na região equatorial, que combina com o fraco ramo retroflectado da NBC (rNBC) para restringir a nSEC para leste e manter uma circulação ciclônica entre 0°-5°N; 35°W-45°W. Durante o outono boreal, o NBCR intensifica-se, surgindo uma estrutura com dois núcleos que reduze o seu fluxo de setembro até ao final do ano. Na parte oriental, a rNBC está ligada à Contracorrente Norte Equatorial (NECC), que também mostra uma estrutura com dois núcleos, e até mesmo dois ramos separados no final do ano, influenciados pelo rotacional do vento. As diferentes secções verticais de G12V1 também mostram as mesmas características e as mesmas variabilidades sazonais em ambos os lados do equador. O transporte do NBC na camada superior (0-100m) durante a Primavera boreal indica um transporte da NBCR equatorial de 1,8 Sv, unido ao fluxo fraco da retroflexão do norte (4,6 Sv), mantendo a circulação ciclônica equatorial.  A maior contribuição do NBCR para o NECC ocorre durante o outono boreal, com um transporte de 15,2 Sv para leste. Na camada inferior (100-35 m), a maior contribuição, tanto para a NBUC como para a Subcorrente equatorial (EUC), ocorre durante a primavera e o outono boreais (respectivamente 22,3 Sv e 20 Sv), quando a contribuição da Corrente Equatorial Norte (NEC) para o rNBC é também maior. A investigação das variações interanuais das correntes derivadas da altimetria (amplitude e deslocamento latitudinal), e da corrente NECC a 38°W (transporte e deslocamento latitudinal) mostra que a variabilidade da amplitude e da localização do NECC, a amplitude da NECC a 42°W, e o transporte da NECC a 38°W, estão associados às diferentes fases do Modo de variabilidade Meridional do Atlântico. Ao contrário, a 32°W, a amplitude e o deslocamento latitudinal da NECC, bem como o deslocamento latitudinal da NECC a 38°W, estão associados às fases do Modo de variabilidade Zonal do Atlântico.


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  • A borda oeste do Atlântico tropical é uma das regiões mais dinâmicas de todo o oceano, para onde a maioria das correntes zonais vão, transportando massas de água e calor. A sua importância deve-se principalmente às suas interações com a atmosfera, que influenciam o clima regional e as precipitações das regiões circundantes. O principal objetivo dessa tese é aproveitar o maior banco de dados das correntes derivadas da altimetria e das reanálises GLORYS12V1 (G12V1) disponíveis durante o período 1993-2017 para revisitar a circulação na borda oeste e aprofundar o conhecimento sobre a variabilidade espaço-temporal das correntes nas escalas espacial e temporais. Para tal foram selecionadas 9 secções transversais das correntes a fim de avaliar a evolução da circulação e a redistribuição das massas de água em toda a porção tropical da bacia. Antes disso, a acurácia do modelo GLORYS12V1 foi testada, comparando as saídas numéricas com as 15 seções de dados de corrente obtidas durante os cruzeiros científicos das campanhas do Programa Prediction and Research Moored Array in the Tropical Atlantic, realizado pelo Brasil (PIRATA-BR). As simulações foram também comparadas com a climatologia obtida a partir de derivadores, com resultados satisfatórios em ambos os casos. De sul para norte, as correntes derivadas da altimetria mostram dois comportamentos diferentes da amplitude da Corrente Norte do Brasil (NBC). No hemisfério sul, o NBC mostra um ciclo anual com um máximo (mínimo) de 0,6 m/s (0,3 m/s) durante a Primavera boreal (Outono) sob a influência do ramo central da Corrente Sul Equatorial (cSEC) e da subcorrente Norte do Brasil (NBUC), enquanto no hemisfério norte, o seu ciclo inverte-se sob a influência do ramo norte da SEC (nSEC) e a sua amplitude quase duplica. Os nossos resultados também mostram que a retroflexão do NBC (NBCR) é permanente durante todo o ano, mas é fraca durante a Primavera boreal. Neste período observa-se um fluxo para leste na região equatorial, que combina com o fraco ramo retroflectado da NBC (rNBC) para restringir a nSEC para leste e manter uma circulação ciclônica entre 0°-5°N; 35°W-45°W. Durante o outono boreal, o NBCR intensifica-se, surgindo uma estrutura com dois núcleos que reduze o seu fluxo de setembro até ao final do ano. Na parte oriental, a rNBC está ligada à Contracorrente Norte Equatorial (NECC), que também mostra uma estrutura com dois núcleos, e até mesmo dois ramos separados no final do ano, influenciados pelo rotacional do vento. As diferentes secções verticais de G12V1 também mostram as mesmas características e as mesmas variabilidades sazonais em ambos os lados do equador. O transporte do NBC na camada superior (0-100m) durante a Primavera boreal indica um transporte da NBCR equatorial de 1,8 Sv, unido ao fluxo fraco da retroflexão do norte (4,6 Sv), mantendo a circulação ciclônica equatorial.  A maior contribuição do NBCR para o NECC ocorre durante o outono boreal, com um transporte de 15,2 Sv para leste. Na camada inferior (100-35 m), a maior contribuição, tanto para a NBUC como para a Subcorrente equatorial (EUC), ocorre durante a primavera e o outono boreais (respectivamente 22,3 Sv e 20 Sv), quando a contribuição da Corrente Equatorial Norte (NEC) para o rNBC é também maior. A investigação das variações interanuais das correntes derivadas da altimetria (amplitude e deslocamento latitudinal), e da corrente NECC a 38°W (transporte e deslocamento latitudinal) mostra que a variabilidade da amplitude e da localização do NECC, a amplitude da NECC a 42°W, e o transporte da NECC a 38°W, estão associados às diferentes fases do Modo de variabilidade Meridional do Atlântico. Ao contrário, a 32°W, a amplitude e o deslocamento latitudinal da NECC, bem como o deslocamento latitudinal da NECC a 38°W, estão associados às fases do Modo de variabilidade Zonal do Atlântico.

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  • AURINETE OLIVEIRA NEGROMONTE
  • Variação temporal de crustáceos capturados por armadilha luminosa na baía de Tamandaré, Pernambuco

  • Orientador : JESSER FIDELIS DE SOUZA FILHO
  • MEMBROS DA BANCA :
  • JESSER FIDELIS DE SOUZA FILHO
  • ALEXANDRE OLIVEIRA DE ALMEIDA
  • ELKENITA GUEDES SILVA
  • GIRLENE FÁBIA SEGUNDO VIANA
  • HENRIQUE GRANDE
  • Data: 31/Mai/2022

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  • As armadilhas luminosas são um método de amostragem passivo capaz de capturar organismos vivos. É considerado uma ferramenta chave não somente para compreender as larvas, mas também organismos zooplanctônicos, nectônicos e invertebrados bentônicos migradores. O presente trabalho teve como objetivo analisar a diversidade de grandes grupos de crustáceos capturados com armadilha luminosa ao longo de 5 anos no ambiente recifal da praia de Tamandaré, em Pernambuco, descrever a diversidade de crustáceos bentônicos capturados, analisar a variação temporal das larvas de Brachyura e Anomura, além de verificar quais os fatores determinantes que influenciam a chegada delas na baía de tamandaré e descrever as espécies novas que ocorreram ao londo do estudo. As coletas foram realizadas mensalmente no período de outubro/2011 até abril/2016, através da técnica de captura por armadilhas de luz cônica do tipo CARE®. Foram marcados três pontos com 250 m de distância entre eles no complexo recifal da praia de Tamandaré. As armadilhas foram instaladas por três dias consecutivos no fim do pôr-do-sol, numa profundidade local de 8 a 12 metros, permanecendo aproximadamente 12h em subsuperfície de 1 m de profundidade, sendo assim retiradas ao amanhecer. Foram coletados dados abióticos de temperatura, pluviosidade, direção do vento, velocidade do vento, swell, luminosidade da lua e nebulosidade. Os grandes grupos foram classificados em: Amphipoda, Cumacea, Isopoda, Mysida, Axiidea, Caridea, Dendrobranchiata, Achelata, Portunidae, Megalopa, Zoea, Copepoda, Ostracoda e Stomatopoda. O grupo mais abundante foi Mysida e também o mais frequente. Houve diferenças significativas entre as estações do ano e os anos, mostrando que há uma padronização na distribuição temporal desses animais. O grupo dos bentônicos apresentaram 52 espécies, mostrando a grande eficácia das armadilhas luminosas para a captura de organismos bentônicos (epifauna, infauna e fossoriais). A ordem Isopoda obteve o maior número de espécies (19), sendo 1 novo registro para a costa de Pernambuco, Cymodoce barrerae. Os Amphipoda obteve 12 espécies, dentre elas 2 possíveis espécies novas de Metharpinia. As larvas identificadas ao menor nível taxonômico possível. A serie temporal mostrou que as larvas apresentam os picos em diferentes épocas do anos, cerca de 8 meses de intervalo de um pico para o outro. As megalopa de Pachygrapsus transversus foram as mais abundante, seguido da Zoea I de Epialthidae. A abundância das larvas apresentou relações significativas com a velocidade do vento, a presença de swell e a temperatura. Três novas espécies foram descritas, Cleantioides garciachartoni sp. nov., C. pandemus sp. nov. e C. tamandarensis sp. nov. Estas espécies são distinguidas pela forma do pleotelson e ornamentação dos pereiópodos. O gênero Cleantioides foi descrito pela primeira vez para o sudoeste do oceano Atlântico e a família Holognatidae foi registrada pela primeira vez para a costa brasileira. Esta tese fez contribuições pioneiras sobre a comunidades de crustáceos capturados com armadilhas luminosas no sudoeste do oceano Atlântico e em amebientes recifais de regiões tropicais, trazendo resultados podem elucidar  mais sobre a dinâmica das comunidades de crustáceos. As armadilhas luminosas são muito eficientes para coletar crustáceos, possui um baixo custo e é capaz de fazer um monitoramento da biodiversidade local sem causar danos ao meio ambiente. 


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  • ...

3
  • BRENNO JANUARIO DA SILVA
  • Análise do sistema carbonato e do estado trófico dos recifes da APA Costa dos Corais/Alagoas: Uma abordagem sazonal e experimental.


  • Orientador : MANUEL DE JESUS FLORES MONTES
  • MEMBROS DA BANCA :
  • MANUEL DE JESUS FLORES MONTES
  • FERNANDO ANTONIO DO NASCIMENTO FEITOSA
  • GUILHERME ORTIGARA LONGO
  • JOSEANE APARECIDA MARQUES
  • LETÍCIA COTRIM DA CUNHA
  • Data: 29/Jul/2022

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  • Os ambientes recifais são um dos ecossistemas mais produtivos e biodiversos do mundo, com grande importância ecológica e socioeconômica. Entretanto, estão constantemente susceptíveis aos impactos de escala global, como a acidificação oceânica (AO), e local, como a eutrofização. O monitoramento dos parâmetros abióticos dessas regiões e a aplicação de metodologias visando mitigar esses efeitos são cada vez mais essenciais. Diante disso, o presente trabalho apresentou como objetivos principais: Analisar a dinâmica sazonal do sistema carbonato e estado trófico em regiões recifais da Área de Proteção Ambiental Costa dos Corais (APACC), verificando a influência dos aportes continentais superficiais e subterrâneos; avaliar as respostas do metabolismo recifal diante de um experimento in situ de alcalinização. Águas superficiais dos recifes e rios, e águas intersticiais da linha de costa foram coletadas mensalmente ao longo de um ano, e posteriormente, um experimento de reversão da AO foi realizado em um recife da APACC. Os resultados mostram que a área recifal estudada é considerada oligotrófica, com a boa a ótima qualidade de água durante o ano todo e com condições favoráveis às atividades biológicas, como por exemplo, à calcificação. A clorofila-a da zona recifal foi significativamente correlacionada com a salinidade e radônio em excesso, indicando, respectivamente, a influência dos rios e da submarine groundwater discharge (SGD) na região, principalmente durante o período chuvoso, sendo assim, importantes fontes de nutrientes para a costa. No entanto, sinais de eutrofização foram registrados tanto nos rios, como nas águas intersticiais, caracterizando potenciais ameaças para os recifes. Além disso, com o experimento, o aumento do pH elevou 205.27 µmol kg-1 nos valores da alcalinidade total e 50% nos níveis de saturação de aragonita (Ωar) da zona recifal. Isso mostrou que a alcalinização em escala local influencia positivamente no sistema carbonato, podendo mitigar os efeitos da AO, e que o frequente monitoramento dos parâmetros abióticos de regiões recifais possibilita a identificação e caracterização de estressores ambientais.


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  • ...

4
  • RODOLFO JORGE VALE DE ARAUJO
  • DINÂMICA COSTEIRA E PROCESSOS EROSIVOS: ALTERNATIVAS DE CONTROLE PARA O PONTAL SUL DA ILHA DE ITAMARACÁ – PE, BRASIL

  • Orientador : TEREZA CRISTINA MEDEIROS DE ARAUJO
  • MEMBROS DA BANCA :
  • TEREZA CRISTINA MEDEIROS DE ARAUJO
  • DORIS REGINA AIRES VELEDA
  • MONICA FERREIRA DA COSTA
  • ROBERTO LIMA BARCELLOS
  • VALDIR DO AMARAL VAZ MANSO
  • JOÃO LUIZ NICOLODI
  • VENERANDO EUSTAQUIO AMARO
  • Data: 26/Out/2022

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  • A intensificação da pressão antrópica e as alterações dos padrões climáticos têm interferido sobremaneira nos processos físicos responsáveis pelo equilíbrio e variabilidade naturais dos ecossistemas costeiros, tornando cada vez mais evidentes e perceptíveis às populações litorâneas os problemas relacionados à erosão. De comparável importância, os padrões de uso e ocupação do litoral interferem na estabilidade e na morfologia da planície costeira, assumindo um importante papel em sua evolução. Através da combinação de um conjunto de dados formados por imagens de sensoriamento remoto, pontos geodésicos, séries temporais da linha de costa, reanálises globais e índices climáticos oceano-atmosfera, foram analisados e identificados os processos costeiros dominantes, o balanço sazonal dos estoques sedimentares, e as variações espaço-temporal e morfológica da linha de costa, das praias e dos bancos arenosos localizados na margem insular da desembocadura sul do Canal de Santa Cruz, na Ilha de Itamaracá, Pernambuco – Brasil. Além disso, imagens e documentos históricos, instrumentos e diretrizes para gestão costeira foram utilizados para avaliar as estratégias de proteção às praias e os riscos ao patrimônio histórico. O trecho de praia mais abrigado do pontal sul da Ilha de Itamaracá, entre dez/2017 e dez/2018, apresentou balanço sedimentar positivo (+704,52 m³) enquanto o intermediário e o mais exposto, negativos (–5.009 e –14.110 m³, respectivamente). A variação espaço-temporal da linha de costa, na escala interanual 2011-2020, classificou todas as praias analisadas em erodida ou criticamente erodida, com taxas máximas de regressão de –6,78 e –8,55m/ano. Os períodos erosivos foram relacionados às fases mais energéticas da potência de onda, impulsionados, por sua vez, por eventos de La Niña, mais intensos a partir de 2006 e durante a estação chuvosa. Expostas a um severo processo erosivo, localizadas entre trechos de praia erodida e criticamente erodida, as estruturas remanescentes de um importante patrimônio histórico, o Forte Orange (de ~1633 até os dias atuais), serviram como registro das primeiras intervenções à erosão costeira. O enfrentamento, a convivência e o controle do processo erosivo, observado no pontal sul da Ilha de Itamaracá, irão depender de Políticas Públicas eficientes e a utilização de instrumentos de Gestão Integrada da Zona Costeira, que irão promover o compartilhamento de responsabilidades e a ampla participação nas decisões para o manejo sustentável dos recursos e dos sistemas do ambiente costeiro.


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  • Em áreas estuarinas de desembocadura de rios ou canais de maré, as praias arenosas estão expostas a variações no seu pacote sedimentar tanto de longo quanto de curto termo. O uso associado das tecnologias GNSS e RPA permite uma coleta de dados topográficos e de imagens aéreas com baixos custos, ambientalmente mais abrangente e menos invasiva, além de fornecer modelos digitais de ambientes costeiros de alta resolução e de boa acurácia. Neste estudo, a evolução espaço-temporal sedimentar, morfológica e topográfica de praias arenosas localizadas às margens de um canal de maré (ilha de Itamaracá, Pernambuco, Brasil) foi analisada através do uso simultâneo das tecnologias GNSS e RPA. Dessa forma foi possível gerar modelos digitais de elevação que permitiram analisar a variação sedimentar e morfológica das praias arenosas dos três trechos pesquisados no presente estudo. Para um melhor entendimento da incidência de ondas e ventos, que modulam a morfodinâmica costeira, foram utilizados os dados de reanálise ERA-Interim que demonstraram a predominância de ondas e de ventos do quadrante sudeste. Os métodos foram concordantes em seus resultados e ambos registraram que o Trecho 1 encontrava-se em acreção enquanto os Trechos 2 e 3 em erosão. Além disso, foi possível propor um modelo conceitual sobre o transporte sedimentar da área de estudo. 

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  • JULIANNA DE LEMOS SANTANA
  • AVALIAÇÃO DAS ALTERAÇÕES MORFOLÓGICAS E EFEITOS GENOTÓXICOS EM CRUSTÁCEOS DA INFRAORDEM BRACHYURA EXPOSTOS A SEDIMENTOS CONTAMINADOS POR HIDROCARBONETOS POLICÍCLICOS AROMÁTICOS, ORGANOCLORADOS E METAIS TRAÇO EM AMBIENTES RECIFAIS

  • Orientador : JESSER FIDELIS DE SOUZA FILHO
  • MEMBROS DA BANCA :
  • JESSER FIDELIS DE SOUZA FILHO
  • GILVAN TAKESHI YOGUI
  • ALEXANDRE OLIVEIRA DE ALMEIDA
  • PAULO SERGIO MARTINS DE CARVALHO
  • MARINA DE SA LEITAO CAMARA DE ARAUJO
  • Data: 30/Nov/2022

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  • O presente estudo teve como objetivo realizar uma análise comparativa da contaminação do sedimento por Hidrocarbonetos Policíclicos Aromáticos (HPAs), os compostos Organoclorados (OCs) e Metais Traço (MTs) e os efeitos destes compostos a saúde de braquiúros em quatro ambientes recifais de Alagoas e Pernambuco. Os impactos crônicos das áreas foram levados em consideração, como lançamento de esgoto, turismo intenso ou proximidade de rios que cortam regiões com usinas de cana de açúcar. Foram realizadas coletas trimestrais, entre Fevereiro/2019 e Fevereiro/2020 em quatro áreas recifais no nordeste do Brasil, sendo duas áreas em Alagoas: Ponta Verde – Maceió  e Pontal do Coruripe – Coruripe e duas áreas no estado de Pernambuco: Gaibú – Cabo de Santo Agostinho, Praia dos Carneiros – Tamandaré. Foi capturado manualmente o maior número de caranguejos de duas espécies (Pachygrapsus transversus e Eriphia gonagra) durante duas horas. Os animais foram encaminhados vivos ao laboratório, onde foi realizada a punção da hemolinfa com uma seringa com solução anticoagulante, na articulação de um dos pereópodos. As células da hemolinfa foram analisadas quando a presença de células micronucleadas, que são indicadoras de estresse ambiental em potencial. Também foram coletadas amostras de sedimento para análise em laboratório, em formas de alumínio e sacos plásticos previamente limpos. Estas amostras foram transportadas em caixa térmica contendo gelo e armazenadas em freezer até o momento das análises. Em laboratório, foi realizada a extração de HPAs e OCs das amostras de sedimento. As análises de metais foram realizadas em amostras de sedimentos através da digestão ácida, e a identificação por espectrometria de massas com plasma indutivamente acoplado. Durante o andamento do presente estudo, a partir do fim do mês de Agosto de 2019, foram observadas manchas com toneladas de óleo bruto em praias e estuários do nordeste e parte do sudeste brasileiro. Assim, a pesquisa apresenta dados anteriores ao derramamento de óleo e uma área que se manteve livre dos impactos relacionados ao óleo (Ponta Verde) para as análises comparativas. Como resultados, o estudo registrou alterações populacionais relacionadas a razão sexual da espécie Pachygrapsus transversus nas áreas atingidas pelo óleo e no tamanho dos espécimes desta espécie nas áreas com impactos crônicos de pisoteio (Ponta Verde). Para Eriphia gonagra, por outro lado, foram encontrados espécimes oleados e com alterações morfológicas após o derramamento de óleo. As frequências de células micronucleadas de ambas as espécies aumentaram significativamente em todas as áreas afetadas. Os dados de contaminação de HPA e OCs estão fortemente relacionados com essas alterações genotóxicas e morfológicas, indicando que o derramamento de óleo em si, e os impactos crônicos como aporte de pesticidas organoclorados através de rios, ou até aspectos sinérgicos destes contaminantes com outros, podem causar efeitos subletais as espécies que vivem expostas a variados impactos antrópicos. Além de gerar subsídios para ações de educação ambiental e dados sobre como as ações humanas afetam os organismos marinhos, espera-se que estes resultados ajudem a compreender como as espécies reagem a estes e outros estresses ambientais, não só na costa brasileira, mas em todo o planeta.

     


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6
  • ANA KAROLINE DUARTE DOS SANTOS SÁ
  • INTRUSÃO SALINA E SUAS IMPLICAÇÕES SOBRE A COMUNIDADE FITOPLANCTÔNICA E ESTADO TRÓFICO EM UM ESTUÁRIO DE MACROMARÉ (RIO ITAPECURU – GOLFÃO MARANHENSE) 

  • Orientador : FERNANDO ANTONIO DO NASCIMENTO FEITOSA
  • MEMBROS DA BANCA :
  • FERNANDO ANTONIO DO NASCIMENTO FEITOSA
  • PEDRO AUGUSTO MENDES DE CASTRO MELO
  • SIGRID NEUMANN LEITAO
  • MARCUS ANDRE SILVA
  • MAURO DE MELO JÚNIOR
  • ANDREA CHRISTINA GOMES DE AZEVEDO CUTRIM
  • FLAVIA MARISA PRADO SALDANHA CORREA
  • Data: 14/Dez/2022

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  • A intrusão da água do mar em ambientes costeiros é um fenômeno hidrológico natural que caracteriza a dinâmica estuarina. Esses sistemas são altamente sensíveis ao aos efeitos da elevação do nível do mar, constituindo uma das causas mais importantes da salinização, responsável por alterar os padrões ecológicos de distribuição e estrutura das comunidades. Este trabalho foi desenvolvido em um estuário de macromaré (rio Itapecuru), localizado na Região Hidrográfica do Atlântico Nordeste Ocidental, que está sob constante perturbação antrópica e salinização de suas águas.  Assim, este estudo teve como objetivo avaliar a variabilidade espaço-temporal da comunidade fitoplanctônica e do estado geral de eutrofização em respostas as alterações ambientais promovidas pela intrusão salina. Para tanto, variáveis físicas, químicas e biológicas foram coletadas ao longo do continuum rio-estuário, e os dados foram analisados usando duas abordagens. A primeira foi baseada nos indicadores ambientais, biológicos e em seus traços funcionais. A segunda abordagem utilizou modelos de avaliação do estado trófico estuarino (ASSETS e TRIX) baseados no framework Pressão, Estado e Resposta (PSR), técnicas de modelagem e métodos não lineares. Como resultados, foram selecionados 76 indicadores de fitoplâncton, com base em suas características funcionais específicas e no valor do indicador (IndVal). Polymyxus coronalis foi selecionado como um bom indicador do limite de intrusão da água do mar e análises multivariadas revelaram alta dispersão de espécies entre os setores estuarinos governados por variações na salinidade, material particulado em suspensão, tamanho das células e silicato. A distribuição das espécies de água doce no setor superior foi correlacionada com baixos valores de nutrientes e salinidade. As espécies marinhas foram transportadas entre os setores médio e inferior em condições opostas. O modelo de Avaliação do Estado Trófico Estuarino (ASSETS) indicou que a eutrofização é sazonal e depende da variação climática. Os eventos de La Niña (2019–2020) contribuíram para as concentrações       de clorofila- a (Cl-a>40 μg L −1) e ortofosfato (PID>0,04 mg L −1), principalmente durante os períodos de baixa vazão do rio. Os baixos níveis de oxigênio dissolvido (OD<3 mg L −1) e altas concentrações de clorofila-a na zona de água do mar indicam que a porção inferior do estuário foi a mais suscetível. Além disso, o modelo de floresta aleatória selecionou a salinidade, DIP e Cl-a como os principais estressores que intensificaram a eutrofização nos sistemas de macromarés. De acordo com a classificação final do ASSETS (pior-alto) para a próxima década (2021-2031), as principais estratégias planejadas devem ser reduzir as contribuições antrópicas e melhorar as condições tróficas na IRE. A partir desses resultados, as interações e previsões de efeitos eco-hidrológicos podem facilitar a caracterização de riscos futuros e a gestão de sistemas estuarinos de macromarés, considerando que a intrusão salina afetou negativamente a comunidade fitoplanctônica.


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2021
Dissertações
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  • JÉSSICA BORBA QUINTELA DOS SANTOS
  • IDENTIFICAÇÃO DE ESTOQUES DO ARIOCÓ (Lutjanus synagris) NO OCEANO ATLÂNTICO SUL OCIDENTAL

  • Orientador : BEATRICE PADOVANI FERREIRA
  • MEMBROS DA BANCA :
  • BEATRICE PADOVANI FERREIRA
  • MOACYR CUNHA DE ARAUJO FILHO
  • MARCELO FRANCISCO DE NOBREGA
  • PAULO JOSE DUARTE NETO
  • ALINE ROCHA FRANÇA
  • Data: 17/Jun/2021

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  • Avaliações de estoque formam a base para o manejo pesqueiro eficiente. Em muitas regiões, entretanto, essas avaliações esbarram na falta de dados sobre a estrutura dos estoques pesqueiros das principais espécies exploradas comercialmente. No Oceano Atlântico Sul Ocidental, a pescaria do Ariocó (Lutjanus synagris) tem se intensificado ao longo das últimas quatro décadas, como resultado do declínio de outras pescarias de lutjanídeos desde o final da década de 1970. Essa intensificação tem se refletido no acúmulo de evidências de sobrepesca desde a metade dos anos 2000. Ao longo de sua distribuição na costa brasileira, o Ariocó está exposto a diferentes condições ambientais e oceanográficas que podem atuar separando a população em unidades de manejo distintas. Apesar disso, não existem estudos de identificação de estoques espécie baseado em métodos fenotípicos para a espécie na região. Nesse cenário, o presente trabalho se propôs a investigar a existência de diferentes estoques pesqueiros de L. synagris na costa do Oceano Atlântico Sul Ocidental, utilizando métodos de identificação baseados na forma e composição isotópica (δ13C e δ18O) de otólitos. Além disso, buscou-se também testar a aplicabilidade dos limites geográficos propostos para os Grandes Ecossistemas Marinhos e as Ecorregiões Marinhas como alternativas para estimar fronteiras de estoques, o que poderia representar uma abordagem prática para possibilitar avaliações de estoques cujos limites sejam desconhecidos. A heterogeneidade espacial evidenciada pelos indicadores utilizados aponta para a existência de diferentes estoques pesqueiros do Ariocó na região, indo de encontro a resultados anteriores obtidos através de métodos genéticos. Os resultados sugerem uma grande influência de condições ambientais e oceanográficas como agentes de separação de estoques. Os limites das Ecorregiões Marinhas foram considerados mais apropriados para estimar fronteiras de estoques, representando uma abordagem rápida e viável para facilitar avaliações em pescarias com baixa disponibilidade de dados.


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  • Avaliações de estoque formam a base para o manejo pesqueiro eficiente. Em muitas regiões, entretanto, essas avaliações esbarram na falta de dados sobre a estrutura dos estoques pesqueiros das principais espécies exploradas comercialmente. No Oceano Atlântico Sul Ocidental, a pescaria do Ariocó (Lutjanus synagris) tem se intensificado ao longo das últimas quatro décadas, como resultado do declínio de outras pescarias de lutjanídeos desde o final da década de 1970. Essa intensificação tem se refletido no acúmulo de evidências de sobrepesca desde a metade dos anos 2000. Ao longo de sua distribuição na costa brasileira, o Ariocó está exposto a diferentes condições ambientais e oceanográficas que podem atuar separando a população em unidades de manejo distintas. Apesar disso, não existem estudos de identificação de estoques espécie baseado em métodos fenotípicos para a espécie na região. Nesse cenário, o presente trabalho se propôs a investigar a existência de diferentes estoques pesqueiros de L. synagris na costa do Oceano Atlântico Sul Ocidental, utilizando métodos de identificação baseados na forma e composição isotópica (δ13C e δ18O) de otólitos. Além disso, buscou-se também testar a aplicabilidade dos limites geográficos propostos para os Grandes Ecossistemas Marinhos e as Ecorregiões Marinhas como alternativas para estimar fronteiras de estoques, o que poderia representar uma abordagem prática para possibilitar avaliações de estoques cujos limites sejam desconhecidos. A heterogeneidade espacial evidenciada pelos indicadores utilizados aponta para a existência de diferentes estoques pesqueiros do Ariocó na região, indo de encontro a resultados anteriores obtidos através de métodos genéticos. Os resultados sugerem uma grande influência de condições ambientais e oceanográficas como agentes de separação de estoques. Os limites das Ecorregiões Marinhas foram considerados mais apropriados para estimar fronteiras de estoques, representando uma abordagem rápida e viável para facilitar avaliações em pescarias com baixa disponibilidade de dados.

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  • MATHEUS FELIPE DE SOUZA DIAS DA SILVA
  • Tartarugas marinhas, macroalgas e derramamento de óleo: Áreas de alimentação e contaminação (Ipojuca, Pernambuco)

  • Orientador : MARIA ELISABETH DE ARAUJO
  • MEMBROS DA BANCA :
  • BRUNA MARTINS BEZERRA
  • MUTUE TOYOTA FUJII
  • MARIA ELISABETH DE ARAUJO
  • Data: 28/Jul/2021

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  • Cinco espécies de tartarugas marinhas têm registrados para Pernambuco, onde usam os
    habitats costeiros para completar seu ciclo de vida, iniciado pelas desovas em suas
    praias. O objetivo deste estudo foi determinar os potenciais locais de ocorrência desses
    animais e das macroalgas, visando inferir ser o litoral de Ipojuca (sul de Pernambuco)
    uma área de alimentação e detectando os impactos antropogênicos, principalmente em
    decorrência do vazamento de óleo na região. A pesquisa foi desenvolvida entre Jun-
    2019 a Abr-2021, e as coletas foram realizadas na cidade, praia e recifes de Porto de
    Galinhas (PG) e na praia e recifes de Serrambi (SE). Para cumprir o objetivo, foram
    aplicadas quatro etapas: 1) Entrevistas pelo método Snowball para seleção da área de
    maior ocorrência de tartarugas marinhas; 2) Censo visual estacionário náutico para
    registros desses animais na área; 3) Levantamento bibliográfico de macroalgas
    ocorrentes na região e 4) Busca intensiva de fezes de tartarugas para estudo
    croposcópico. Foram identificaram 21 locais de ocorrência de Eretmochelys imbricata,
    Chelonia mydas, Caretta caretta e Lepidochelys olivacea, sendo as maiores
    concentrações nos recifes da Baixa Sul (PG) e Baixa do Mamão (SE). Em 6 expedições
    e 24 horas de monitoramento nesses dois recifes, observou-se 681 momentos de
    registros com 1.332 avistagens, onde ocorreram as mesmas espécies, apenas C. mydas,
    na fase adulta e juvenil, e E. imbricata na fase juvenil. Vinte publicações sobre
    levantamentos de macroalgas forneceram uma lista com 130 táxons registrados na
    região. O filo Rhodophyta é mais predominante com 66 espécies, enquanto os filos
    Chlorophyta e Ochrophyta apresentaram 45 e 19 espécies, respectivamente. Amostras
    de bolos fecais pesaram cerca de 15 kg e a biomassa vegetal compôs 90% dos itens
    alimentares, representando 30 táxons identificados de macroalgas e fanerógamas
    marinhas. Os demais itens corresponderam a 4 grupos de animais (Ascidiacea, Molusca,
    Porifera, Scleractinia) e 225 resíduos antropogênicos. As fezes coletadas nos dias 19-
    21/02/2020 continham petróleo e, segundo análises de componentes químicos, sua
    origem era a mesma do derramamento ocorrido - final de 2019 - no Brasil. Os
    resultados indicam que as tartarugas marinhas usam os ambientes recifais da região para
    se alimentar, principalmente as tartarugas verdes (C. mydas) na fase juvenil; uma
    espécie herbívora. Acidentalmente, as tartarugas estudadas acabam por ingerir resíduos
    antropogênicos, principalmente plásticos e o óleo, que permanecem contaminando a
    região. Após o derramamento do óleo, um indivíduo de tartaruga verde juvenil foi
    encontrado morto, por asfixia e contaminado e, no início de 2020, fezes com óleo foram
    encontradas aderidas às macroalgas, que servem de alimento para as tartarugas
    marinhas. Em 2021 cinco ninhos da espécie E. imbricata foram registrados com
    petróleo na mesma região e, até o momento, não se tem informação oficial sobre origem
    ou os responsáveis por esse crime ambiental. As informações contidas nesta pesquisa
    são inéditas, urgentes e contribuem para o entendimento da ecologia alimentar das
    tartarugas marinhas na região e de como suas espécies estão ameaçadas, principalmente
    com relação à contaminação do óleo.


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  • Cinco espécies de tartarugas marinhas têm registrados para Pernambuco, onde usam os
    habitats costeiros para completar seu ciclo de vida, iniciado pelas desovas em suas
    praias. O objetivo deste estudo foi determinar os potenciais locais de ocorrência desses
    animais e das macroalgas, visando inferir ser o litoral de Ipojuca (sul de Pernambuco)
    uma área de alimentação e detectando os impactos antropogênicos, principalmente em
    decorrência do vazamento de óleo na região. A pesquisa foi desenvolvida entre Jun-
    2019 a Abr-2021, e as coletas foram realizadas na cidade, praia e recifes de Porto de
    Galinhas (PG) e na praia e recifes de Serrambi (SE). Para cumprir o objetivo, foram
    aplicadas quatro etapas: 1) Entrevistas pelo método Snowball para seleção da área de
    maior ocorrência de tartarugas marinhas; 2) Censo visual estacionário náutico para
    registros desses animais na área; 3) Levantamento bibliográfico de macroalgas
    ocorrentes na região e 4) Busca intensiva de fezes de tartarugas para estudo
    croposcópico. Foram identificaram 21 locais de ocorrência de Eretmochelys imbricata,
    Chelonia mydas, Caretta caretta e Lepidochelys olivacea, sendo as maiores
    concentrações nos recifes da Baixa Sul (PG) e Baixa do Mamão (SE). Em 6 expedições
    e 24 horas de monitoramento nesses dois recifes, observou-se 681 momentos de
    registros com 1.332 avistagens, onde ocorreram as mesmas espécies, apenas C. mydas,
    na fase adulta e juvenil, e E. imbricata na fase juvenil. Vinte publicações sobre
    levantamentos de macroalgas forneceram uma lista com 130 táxons registrados na
    região. O filo Rhodophyta é mais predominante com 66 espécies, enquanto os filos
    Chlorophyta e Ochrophyta apresentaram 45 e 19 espécies, respectivamente. Amostras
    de bolos fecais pesaram cerca de 15 kg e a biomassa vegetal compôs 90% dos itens
    alimentares, representando 30 táxons identificados de macroalgas e fanerógamas
    marinhas. Os demais itens corresponderam a 4 grupos de animais (Ascidiacea, Molusca,
    Porifera, Scleractinia) e 225 resíduos antropogênicos. As fezes coletadas nos dias 19-
    21/02/2020 continham petróleo e, segundo análises de componentes químicos, sua
    origem era a mesma do derramamento ocorrido - final de 2019 - no Brasil. Os
    resultados indicam que as tartarugas marinhas usam os ambientes recifais da região para
    se alimentar, principalmente as tartarugas verdes (C. mydas) na fase juvenil; uma
    espécie herbívora. Acidentalmente, as tartarugas estudadas acabam por ingerir resíduos
    antropogênicos, principalmente plásticos e o óleo, que permanecem contaminando a
    região. Após o derramamento do óleo, um indivíduo de tartaruga verde juvenil foi
    encontrado morto, por asfixia e contaminado e, no início de 2020, fezes com óleo foram
    encontradas aderidas às macroalgas, que servem de alimento para as tartarugas
    marinhas. Em 2021 cinco ninhos da espécie E. imbricata foram registrados com
    petróleo na mesma região e, até o momento, não se tem informação oficial sobre origem
    ou os responsáveis por esse crime ambiental. As informações contidas nesta pesquisa
    são inéditas, urgentes e contribuem para o entendimento da ecologia alimentar das
    tartarugas marinhas na região e de como suas espécies estão ameaçadas, principalmente
    com relação à contaminação do óleo.

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  • JÚLIA CINTRA ALMEIDA
  • BIOCIDAS DE TERCEIRA GERAÇÃO NO SISTEMA ESTUARINO DO RIO CAPIBARIBE (SERC), RECIFE - PERNAMBUCO

  • Orientador : ELIETE ZANARDI LAMARDO
  • MEMBROS DA BANCA :
  • ELIETE ZANARDI LAMARDO
  • CARLOS AUGUSTO FRANCA SCHETTINI
  • GILVAN TAKESHI YOGUI
  • ÍTALO BRAGA DE CASTRO
  • FIAMMA EUGÊNIA LEMOS ABREU
  • Data: 16/Ago/2021

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  • Biocidas anti-incrustantes são compostos químicos adicionados às tintas que revestem embarcações e/ou estruturas submersas para evitar o crescimento de organismos. Esses compostos foram desenvolvidos e aperfeiçoados ao longo dos anos e são divididos em 3 gerações - a última geração é a mais utilizada devido à menor toxicidade aos organismos não-alvo e menor persistência ambiental. Os biocidas desta geração são conhecidos como co-biocidas ou biocidas de reforço pois potencializam os efeitos causados pelos metais. Os objetivos deste estudo foram (i) investigar a presença dos biocidas clorotalonil, diclofluanida e Irgarol no Sistema Estuarino do Rio Capibaribe (SERC) e (ii) sintetizar os estudos realizados nas duas últimas décadas quanto à ocorrência ambiental e distribuição destes biocidas na América Latina e Caribe. A metodologia proposta – extração em fase sólida e quantificação por cromatografia gasosa acoplada à espectrometria de massas – para a matriz aquosa foi implantada no Laboratório de Compostos Orgânicos em Ecossistemas Costeiros e Marinhos (OrganoMAR). Amostras de água, sedimentos e material em suspensão foram coletadas ao longo do SERC, considerando fontes potenciais - iates clubes, porto, confluência de rios e zona de turbidez máxima estuarina (ZTM). O clorotalonil não foi detectado em nenhuma matriz coletada e o Irgarol foi detectado apenas no sedimento, com concentrações variando de <1,0 a 3,4 ng g-1. A diclofluanida foi detectada na água (4,6 a 24,2 ng L-1), no material particulado (4,9 a 21,6 ng L-1) e no sedimento (1,3 a 25,1 ng g-1). As maiores concentrações de diclofluanida na água e no material particulado foram observadas na ZTM e na confluência dos rios formadores da Bacia do Pina, onde a hidrodinâmica local favorece o acúmulo dos contaminantes na coluna d’água. As maiores concentrações nos sedimentos foram detectadas nas imediações dos iates clubes, sugerindo que as embarcações atracadas são fontes potenciais de diclofluanida e Irgarol e que a baixa hidrodinâmica nas proximidades favorece a deposição do material particulado. Este estudo reenfatiza a importância da hidrodinâmica local na distribuição dos contaminantes dentro do sistema estuarino e reporta, pela primeira vez, a ocorrência de biocidas anti-incrustantes de 3ª geração no SERC. As informações geradas são subsídios fundamentais para auxiliar os cientistas e as agências governamentais nas tomadas de decisões para regulamentação do uso e descarte desses compostos a fim de reduzir os possíveis impactos causados nos sistemas aquáticos.


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  • Biocidas anti-incrustantes são compostos químicos adicionados às tintas que revestem embarcações e/ou estruturas submersas para evitar o crescimento de organismos. Esses compostos foram desenvolvidos e aperfeiçoados ao longo dos anos e são divididos em 3 gerações - a última geração é a mais utilizada devido à menor toxicidade aos organismos não-alvo e menor persistência ambiental. Os biocidas desta geração são conhecidos como co-biocidas ou biocidas de reforço pois potencializam os efeitos causados pelos metais. Os objetivos deste estudo foram (i) investigar a presença dos biocidas clorotalonil, diclofluanida e Irgarol no Sistema Estuarino do Rio Capibaribe (SERC) e (ii) sintetizar os estudos realizados nas duas últimas décadas quanto à ocorrência ambiental e distribuição destes biocidas na América Latina e Caribe. A metodologia proposta – extração em fase sólida e quantificação por cromatografia gasosa acoplada à espectrometria de massas – para a matriz aquosa foi implantada no Laboratório de Compostos Orgânicos em Ecossistemas Costeiros e Marinhos (OrganoMAR). Amostras de água, sedimentos e material em suspensão foram coletadas ao longo do SERC, considerando fontes potenciais - iates clubes, porto, confluência de rios e zona de turbidez máxima estuarina (ZTM). O clorotalonil não foi detectado em nenhuma matriz coletada e o Irgarol foi detectado apenas no sedimento, com concentrações variando de <1,0 a 3,4 ng g-1. A diclofluanida foi detectada na água (4,6 a 24,2 ng L-1), no material particulado (4,9 a 21,6 ng L-1) e no sedimento (1,3 a 25,1 ng g-1). As maiores concentrações de diclofluanida na água e no material particulado foram observadas na ZTM e na confluência dos rios formadores da Bacia do Pina, onde a hidrodinâmica local favorece o acúmulo dos contaminantes na coluna d’água. As maiores concentrações nos sedimentos foram detectadas nas imediações dos iates clubes, sugerindo que as embarcações atracadas são fontes potenciais de diclofluanida e Irgarol e que a baixa hidrodinâmica nas proximidades favorece a deposição do material particulado. Este estudo reenfatiza a importância da hidrodinâmica local na distribuição dos contaminantes dentro do sistema estuarino e reporta, pela primeira vez, a ocorrência de biocidas anti-incrustantes de 3ª geração no SERC. As informações geradas são subsídios fundamentais para auxiliar os cientistas e as agências governamentais nas tomadas de decisões para regulamentação do uso e descarte desses compostos a fim de reduzir os possíveis impactos causados nos sistemas aquáticos.

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  • CAROLINNY CANTARELLI DE OLIVEIRA AMORIM
  • Ecologia do Microspathodon chrysurus no complexo recifal de Tamandaré

  • Orientador : BEATRICE PADOVANI FERREIRA
  • MEMBROS DA BANCA :
  • BEATRICE PADOVANI FERREIRA
  • SIGRID NEUMANN LEITAO
  • JOAO LUCAS LEAO FEITOSA
  • MARCELO FRANCISCO DE NOBREGA
  • DANIEL LINO LIPPI
  • Data: 24/Ago/2021

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  • A família Pomacentridae é considerada espécie-chave nas comunidades recifais, e possui uma estreita relação com os corais. Uma dessas estreitas associações ocorre entre a espécie Microspathodon chrysurus com o hidrocoral Millepora alcicornis. No Brasil, o gênero Millepora é o único com espécies classificadas como “ramificadas”. As ramificações do esqueleto coralíneo da Millepora alcicornis aumentam a tridimensionalidade, e consequentemente, a quantidade de habitats e a biodiversidade associada aos recifes. Os recifes de coral estão constantemente ameaçados por pressões antrópicas. Atualmente, o aquecimento global tem sido considerado o impacto mais significativo. Sucessivos eventos de branqueamento e mortalidade dos corais têm sido reportados, afetando, também, negativamente toda sua comunidade associada. Assim, uma revisão sistemática fez-se necessária para compreender os efeitos das mudanças climáticas na família Pomacentridae. Foi possível observar  que o aquecimento global gera impactos na reprodução, diminuindo a quantidade e qualidade dos ovos; Na preferência pelo habitat, com espécies que eram consideradas generalistas passando a ter uma preferência por certos habitats. Essa escolha pelo habitat provoca o aumento da competição intra e interespecífica nos recifes; Na ocupação latitudinal das espécies, pois os indivíduos passam a migrar para maiores latitudes. Assim, no futuro podemos encontrar um ambiente recifal completamente novo, com indivíduos possuindo novas  preferências de habitats e novas interações. Contudo, apesar da família ser considerada um modelo para estudos de ecologia, os Pomacentridae têm sido pouco estudados em relação aos impactos das mudanças climáticas. Grande parte destes efeitos ainda são desconhecidos, pois, as respostas ao aquecimento estão relacionadas com as características da história de vida de cada espécie. A fim de investigar os padrões de distribuição e abundância da espécie M. chrysurus, diferentes métodos de mapeamento foram realizados. Foram construídos mapas com dados de localização pretéritos (2003 a 2016) e recentes (2017 a 2021). Além disso, um modelo de distribuição de espécies foi gerado utilizando o software MaxEnt. Durante as atividades in situ foi possível notar diferenças de comportamento e preferência de habitats entre adultos e juvenis. Onde a fase juvenil possui preferência por habitar as ramificações do coral M. alcicornis e, os adultos com preferencia, principalmente, por áreas de cavernas. O mapeamento da espécie revelou diferenças entre distribuições antigas e atuais, principalmente na área de Mamucabas. A ausência de M. chrysurus nesta área tem sido associada a redução de M. alcicornis, por sua vez ocasionada pelo El Niño em 1998. O excessivo aquecimento das águas superficiais causou a mortalidade em massa de M. alcicornis dessa região, resultando em efeitos diretos na população de M. chrysurus. Indicando a importância de estudos focando no impacto do branqueamento e mudanças climáticas na família. O modelo de distribuição da espécie revelou a associação de variáveis topográficas com a presença de M. chrysurus, como profundidade e distância da costa, indicando áreas ótimas para a ocorrência da espécie. Além disso, foi possível verificar uma clara associação entre as Millepora alcicornis e M. chrysurus, visto que a distribuição destes peixes foi diretamente associada com a cobertura de M. alcicornis no local. 


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  • A família Pomacentridae é considerada espécie-chave nas comunidades recifais, e possui uma estreita relação com os corais. Uma dessas estreitas associações ocorre entre a espécie Microspathodon chrysurus com o hidrocoral Millepora alcicornis. No Brasil, o gênero Millepora é o único com espécies classificadas como “ramificadas”. As ramificações do esqueleto coralíneo da Millepora alcicornis aumentam a tridimensionalidade, e consequentemente, a quantidade de habitats e a biodiversidade associada aos recifes. Os recifes de coral estão constantemente ameaçados por pressões antrópicas. Atualmente, o aquecimento global tem sido considerado o impacto mais significativo. Sucessivos eventos de branqueamento e mortalidade dos corais têm sido reportados, afetando, também, negativamente toda sua comunidade associada. Assim, uma revisão sistemática fez-se necessária para compreender os efeitos das mudanças climáticas na família Pomacentridae. Foi possível observar  que o aquecimento global gera impactos na reprodução, diminuindo a quantidade e qualidade dos ovos; Na preferência pelo habitat, com espécies que eram consideradas generalistas passando a ter uma preferência por certos habitats. Essa escolha pelo habitat provoca o aumento da competição intra e interespecífica nos recifes; Na ocupação latitudinal das espécies, pois os indivíduos passam a migrar para maiores latitudes. Assim, no futuro podemos encontrar um ambiente recifal completamente novo, com indivíduos possuindo novas  preferências de habitats e novas interações. Contudo, apesar da família ser considerada um modelo para estudos de ecologia, os Pomacentridae têm sido pouco estudados em relação aos impactos das mudanças climáticas. Grande parte destes efeitos ainda são desconhecidos, pois, as respostas ao aquecimento estão relacionadas com as características da história de vida de cada espécie. A fim de investigar os padrões de distribuição e abundância da espécie M. chrysurus, diferentes métodos de mapeamento foram realizados. Foram construídos mapas com dados de localização pretéritos (2003 a 2016) e recentes (2017 a 2021). Além disso, um modelo de distribuição de espécies foi gerado utilizando o software MaxEnt. Durante as atividades in situ foi possível notar diferenças de comportamento e preferência de habitats entre adultos e juvenis. Onde a fase juvenil possui preferência por habitar as ramificações do coral M. alcicornis e, os adultos com preferencia, principalmente, por áreas de cavernas. O mapeamento da espécie revelou diferenças entre distribuições antigas e atuais, principalmente na área de Mamucabas. A ausência de M. chrysurus nesta área tem sido associada a redução de M. alcicornis, por sua vez ocasionada pelo El Niño em 1998. O excessivo aquecimento das águas superficiais causou a mortalidade em massa de M. alcicornis dessa região, resultando em efeitos diretos na população de M. chrysurus. Indicando a importância de estudos focando no impacto do branqueamento e mudanças climáticas na família. O modelo de distribuição da espécie revelou a associação de variáveis topográficas com a presença de M. chrysurus, como profundidade e distância da costa, indicando áreas ótimas para a ocorrência da espécie. Além disso, foi possível verificar uma clara associação entre as Millepora alcicornis e M. chrysurus, visto que a distribuição destes peixes foi diretamente associada com a cobertura de M. alcicornis no local. 

5
  • LÉO COSTA AROUCHA
  • RESPOSTAS DOS FLUXOS DE CO2 AOS VÓRTICES DA CORRENTE NORTE DO BRASIL

  • Orientador : DORIS REGINA AIRES VELEDA
  • MEMBROS DA BANCA :
  • DORIS REGINA AIRES VELEDA
  • MONICA FERREIRA DA COSTA
  • CLAUDIA KLOSE PARISE
  • LUCIANO PONZI PEZZI
  • PEDRO TYAQUICA DA SILVA SANTOS
  • Data: 30/Ago/2021

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  • A fim de investigar a variabilidade intra e interanual dos vórtices da Corrente do Norte do Brasil (CNB), o algoritmo de detecção e rastreamento de momentum angular (AMEDA) foi usado para identificação de suas ocorrências, trajetórias e parâmetros. Com base em 24 anos (1993-2016) de dados reanálise de altura geopotencial e de campos de corrente geostrófica do ARMOR 3D (¼ °), identificamos uma taxa média de vórtices liberados por ano. Os mesmos apresentam vida média de 15,3 (± 5,4) semanas, raio médio baseado na velocidade (Rmax) de 139,8 (± 23,6) km e anomalia na altura média da superfície do mar (SSHa) de 9,4 (± 4,0) cm. A velocidade azimutal máxima observada média (Vmax) foi 0,27 (± 0,08) m / s, enquanto o valor médio do número de Rossby (Ro) foi 0,08 (± 0,04) e a energia cinética média (KE) foi de 255,3 (± 154,8) cm2 / s2. Os anéis da CNB têm dimensões maiores, giram mais rápido, vivem menos e transferem mais energia nos meses de inverno boreal. Em contraste, aqueles que se formam durante o verão boreal e início do outono duram mais, têm diâmetros menores e carregam menos energia. Além disso, a análise da fusão dos mesmos apontou que tal interação gerou um aumento significativo na energia (52%) e na velocidade (22%) do vórtice. Finalmente, observamos as anomalias verticais dos perfis de temperatura e salinidade, que indicaram um aprofundamento da termoclina e afundamento das águas costeiras e tropicais associado aos vórtices da CNB. Além disso, usamos a análise estatística de funções ortogonais empíricas (EOFs) em um modelo de reanálise de 25 anos (1993-2017) para avaliar o papel dos anéis CNB na biogeoquímica do Atlântico Norte Tropical Ocidental (ANTO), especialmente em relação ao FCO2. Esta base de dados também foi aplicada ao AMEDA para identificar os impactos dos vórtices da CNB em uma escala de tempo diária, tomando dois anéis no ano de 2009 como estudo de caso. Em geral, foi identificado que os mesmos apresentaram variabilidade positiva de acordo com o padrão de FCO2 e fCO2 SW em 15% a 30% das vezes ao adicionar os modos de variabilidade. Aqui, acredita-se que anomalias positivas de salinidade e, consequentemente, DIC no centro dos vórtices foram responsáveis pelo aumento de FCO2 nos mesmos. Além disso, parece razoável afirmar que tais estruturas impactam os parâmetros biogeoquímicos no WTNA tanto na superfície quanto em profundidade. Este estudo enfatiza a robustez e eficiência do AMEDA para estudar vórtices no oceano e também mostrar os possíveis impactos dos vórtices da CNB nas características físicas e biogeoquímicas do oceano no ANTO. A contribuição deste trabalho reside não apenas no entendimento da variabilidade intra e interanual dos vórtices CNB, mas também na observação da capacidade dos mesmos em concentrar DIC e águas altamente salinas em seus núcleos. Além disso, dá uma luz sobre qual mecanismo é responsável por manter a anomalia de salinidade nos núcleos dessas estruturas.


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  • A fim de investigar a variabilidade intra e interanual dos vórtices da Corrente do Norte do Brasil (CNB), o algoritmo de detecção e rastreamento de momentum angular (AMEDA) foi usado para identificação de suas ocorrências, trajetórias e parâmetros. Com base em 24 anos (1993-2016) de dados reanálise de altura geopotencial e de campos de corrente geostrófica do ARMOR 3D (¼ °), identificamos uma taxa média de vórtices liberados por ano. Os mesmos apresentam vida média de 15,3 (± 5,4) semanas, raio médio baseado na velocidade (Rmax) de 139,8 (± 23,6) km e anomalia na altura média da superfície do mar (SSHa) de 9,4 (± 4,0) cm. A velocidade azimutal máxima observada média (Vmax) foi 0,27 (± 0,08) m / s, enquanto o valor médio do número de Rossby (Ro) foi 0,08 (± 0,04) e a energia cinética média (KE) foi de 255,3 (± 154,8) cm2 / s2. Os anéis da CNB têm dimensões maiores, giram mais rápido, vivem menos e transferem mais energia nos meses de inverno boreal. Em contraste, aqueles que se formam durante o verão boreal e início do outono duram mais, têm diâmetros menores e carregam menos energia. Além disso, a análise da fusão dos mesmos apontou que tal interação gerou um aumento significativo na energia (52%) e na velocidade (22%) do vórtice. Finalmente, observamos as anomalias verticais dos perfis de temperatura e salinidade, que indicaram um aprofundamento da termoclina e afundamento das águas costeiras e tropicais associado aos vórtices da CNB. Além disso, usamos a análise estatística de funções ortogonais empíricas (EOFs) em um modelo de reanálise de 25 anos (1993-2017) para avaliar o papel dos anéis CNB na biogeoquímica do Atlântico Norte Tropical Ocidental (ANTO), especialmente em relação ao FCO2. Esta base de dados também foi aplicada ao AMEDA para identificar os impactos dos vórtices da CNB em uma escala de tempo diária, tomando dois anéis no ano de 2009 como estudo de caso. Em geral, foi identificado que os mesmos apresentaram variabilidade positiva de acordo com o padrão de FCO2 e fCO2 SW em 15% a 30% das vezes ao adicionar os modos de variabilidade. Aqui, acredita-se que anomalias positivas de salinidade e, consequentemente, DIC no centro dos vórtices foram responsáveis pelo aumento de FCO2 nos mesmos. Além disso, parece razoável afirmar que tais estruturas impactam os parâmetros biogeoquímicos no WTNA tanto na superfície quanto em profundidade. Este estudo enfatiza a robustez e eficiência do AMEDA para estudar vórtices no oceano e também mostrar os possíveis impactos dos vórtices da CNB nas características físicas e biogeoquímicas do oceano no ANTO. A contribuição deste trabalho reside não apenas no entendimento da variabilidade intra e interanual dos vórtices CNB, mas também na observação da capacidade dos mesmos em concentrar DIC e águas altamente salinas em seus núcleos. Além disso, dá uma luz sobre qual mecanismo é responsável por manter a anomalia de salinidade nos núcleos dessas estruturas.

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  • ANNY LAURA DE OLIVEIRA LIRA
  • TAXONOMIA E BIOLOGIA DOS BRANCHIOSYLLIS (ANNELIDA: SYLLIDAE) ASSOCIADOS A CINACHYRELLA(PORIFERA: DEMOSPONGIAE)

  • Orientador : JOSE SOUTO ROSA FILHO
  • MEMBROS DA BANCA :
  • JOSE SOUTO ROSA FILHO
  • JESSER FIDELIS DE SOUZA FILHO
  • LILIA PEREIRA DE SOUZA SANTOS
  • JOSE ROBERTO BOTELHO DE SOUZA
  • PAULO CÉSAR DE PAIVA
  • RODOLFO LEANDRO NASCIMENTO SILVA
  • Data: 31/Ago/2021

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  • As esponjas são organismos bentônicos que ocorrem em todos os ambientes aquáticos. onde desempenham  diversos papéis ecológicos, entre eles servir de abrigo, local de reprodução e alimento para diversos grupos de organismos, colaborando significativamente para a manutenção da biodiversidade. Os poliquetas contribuem de forma significativa para a biodiversidade das comunidades bentônicas marinhas Os Syllidae podem ser encontrados em fundos lamosos e arenosos ou sob/sobre rochas, habitando desde a zona entremarés até grandes profundidades ou associados a outros organismos marinhos, como colônias de hidrozoários e briozoários, ou como simbiontes de corais, outros poliquetas e esponjas). Em estudos populacionais da esponja Cinachyrella kuekenthali realizados na Praia do Paiva (Pernambuco) foi observado a presença de poliquetas da família Syllidae com grande frequência (Marinho,2018). Observações detalhadas permitiram ainda identificar que os poliquetas devem ser de duas ou três espécies distintas, que vivem sobre ou dentro das esponjas. Visando entender a relação entre esses organismos e a dinâmica populacional dos poliquetas, o presente projeto objetiva estudar a taxonomia e biologia populacional de Syllidae associados a Cinachyrellana da Praia do Paiva. Para isso, foram realizadas coletas mensais no mensalmente serão coletadas 40 esponjas. As amostras foram triadas visando a retirada dos poliquetas. Cada esponja foi identificada, e teve seu volume, peso úmido, altura e diâmetro determinados. Cada poliqueta foi medido individualmente e identificado. Para cada amostra foi calculada a densidade de poliquetas por esponja (ou volume de esponja) e a riqueza (total de espécies presentes). Esses descritores foram comparados entre espécies de esponja e período climático (seco e chuvoso) utilizando Análise de Variância de uma via com base nos dados transformados por log (x+1) sempre que necessário.


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  • As esponjas são organismos bentônicos que ocorrem em todos os ambientes aquáticos. onde desempenham  diversos papéis ecológicos, entre eles servir de abrigo, local de reprodução e alimento para diversos grupos de organismos, colaborando significativamente para a manutenção da biodiversidade. Os poliquetas contribuem de forma significativa para a biodiversidade das comunidades bentônicas marinhas Os Syllidae podem ser encontrados em fundos lamosos e arenosos ou sob/sobre rochas, habitando desde a zona entremarés até grandes profundidades ou associados a outros organismos marinhos, como colônias de hidrozoários e briozoários, ou como simbiontes de corais, outros poliquetas e esponjas). Em estudos populacionais da esponja Cinachyrella kuekenthali realizados na Praia do Paiva (Pernambuco) foi observado a presença de poliquetas da família Syllidae com grande frequência (Marinho,2018). Observações detalhadas permitiram ainda identificar que os poliquetas devem ser de duas ou três espécies distintas, que vivem sobre ou dentro das esponjas. Visando entender a relação entre esses organismos e a dinâmica populacional dos poliquetas, o presente projeto objetiva estudar a taxonomia e biologia populacional de Syllidae associados a Cinachyrellana da Praia do Paiva. Para isso, foram realizadas coletas mensais no mensalmente serão coletadas 40 esponjas. As amostras foram triadas visando a retirada dos poliquetas. Cada esponja foi identificada, e teve seu volume, peso úmido, altura e diâmetro determinados. Cada poliqueta foi medido individualmente e identificado. Para cada amostra foi calculada a densidade de poliquetas por esponja (ou volume de esponja) e a riqueza (total de espécies presentes). Esses descritores foram comparados entre espécies de esponja e período climático (seco e chuvoso) utilizando Análise de Variância de uma via com base nos dados transformados por log (x+1) sempre que necessário.

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  • ANDRÉ LUIZ AMORIM DOS SANTOS JUNIOR
  • ANÁLISE DOS PADRÕES DE ESTRUTURA TERMOHALINA E DINÂMICA SOBRE A PRODUTIVIDADE COSTEIRA EM 11°S AO LARGO DO NORDESTE BRASILEIRO

  • Orientador : DORIS REGINA AIRES VELEDA
  • MEMBROS DA BANCA :
  • DORIS REGINA AIRES VELEDA
  • CARMEN MEDEIROS LIMONGI
  • THIAGO LUIZ DO VALE SILVA
  • Data: 28/Out/2021

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  • O Oeste do Atlântico Tropical Sudoeste (ATSO) é uma região dinâmica e de grande importância na circulação do Oceano Atlântico. Ela é marcada pela presença da Subcorrente do Norte do Brasil (SCNB), a qual é considerada um ramo superior da Circulação de Revolvimento Meridional do Atlântico (CRMA). A SCNB é caracterizada por uma termoclina bem estratificada, com baixa variabilidade na coluna d’água. Porém, fenômenos costeiros podem alterar e impactar a estrutura termohalina e, consequentemente, a vulnerabilidade ecológica na plataforma e talude. Este trabalho investiga a variabilidade termodinâmica e a resposta da clorofila nos primeiros 600 m de profundidade na seção transversal em 11° S, próximo à costa brasileira. Foram analisados 26 anos (1993-2018) de dados diários de corrente meridional e temperatura da base de reanálise GLORYS12V1 (G12V1), 1/12° (~ 8 km). A resposta da variabilidade de clorofila é analisada usando a reanálise biogeoquímica FREEGLORYS2V4 (FG2V4) (1/4°). Aproximadamente três anos dos dados de reanálise da corrente meridional são comparados com os dados in situ do programa Alemão de Climate Variability and Predictability (CLIVAR) a 11° S, o que mostrou uma correlação satisfatória em 200 m de profundidade. A análise de 26 anos do G12V1 confirma o núcleo do SCNB centrado na profundidade de 200 m, com um fluxo médio para o norte de 70 cm s־¹. Observou-se através de análises espectrais que os dados de reanálise da corrente possuem uma alta frequência dominante de periodicidade de 15-30 dias, também identificado nos dados in situ. A cross-wavelet entre a clorofila, a temperatura e a componente meridional da corrente identificaram covariâncias na banda de 15-30 dias de periodicidade, além do sinal anual. O principal modo de variabilidade dinâmica na coluna d’água está associado à SCNB e retém ~43% da variância e o segundo modo representa um padrão anticiclônico da circulação e representa 18% da variância. A frequência de Brunt-Väisälä, de 26 anos de dados diários, confirma que as instabilidades na coluna d’água ocorrem predominantemente no inverno e primavera. Estes resultados permitiram uma melhor compreensão dos padrões de variabilidade de alta frequência na estrutura termohalina e dinâmica da coluna d’água da área de estudo.


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  • O Oeste do Atlântico Tropical Sudoeste (ATSO) é uma região dinâmica e de grande importância na circulação do Oceano Atlântico. Ela é marcada pela presença da Subcorrente do Norte do Brasil (SCNB), a qual é considerada um ramo superior da Circulação de Revolvimento Meridional do Atlântico (CRMA). A SCNB é caracterizada por uma termoclina bem estratificada, com baixa variabilidade na coluna d’água. Porém, fenômenos costeiros podem alterar e impactar a estrutura termohalina e, consequentemente, a vulnerabilidade ecológica na plataforma e talude. Este trabalho investiga a variabilidade termodinâmica e a resposta da clorofila nos primeiros 600 m de profundidade na seção transversal em 11° S, próximo à costa brasileira. Foram analisados 26 anos (1993-2018) de dados diários de corrente meridional e temperatura da base de reanálise GLORYS12V1 (G12V1), 1/12° (~ 8 km). A resposta da variabilidade de clorofila é analisada usando a reanálise biogeoquímica FREEGLORYS2V4 (FG2V4) (1/4°). Aproximadamente três anos dos dados de reanálise da corrente meridional são comparados com os dados in situ do programa Alemão de Climate Variability and Predictability (CLIVAR) a 11° S, o que mostrou uma correlação satisfatória em 200 m de profundidade. A análise de 26 anos do G12V1 confirma o núcleo do SCNB centrado na profundidade de 200 m, com um fluxo médio para o norte de 70 cm s־¹. Observou-se através de análises espectrais que os dados de reanálise da corrente possuem uma alta frequência dominante de periodicidade de 15-30 dias, também identificado nos dados in situ. A cross-wavelet entre a clorofila, a temperatura e a componente meridional da corrente identificaram covariâncias na banda de 15-30 dias de periodicidade, além do sinal anual. O principal modo de variabilidade dinâmica na coluna d’água está associado à SCNB e retém ~43% da variância e o segundo modo representa um padrão anticiclônico da circulação e representa 18% da variância. A frequência de Brunt-Väisälä, de 26 anos de dados diários, confirma que as instabilidades na coluna d’água ocorrem predominantemente no inverno e primavera. Estes resultados permitiram uma melhor compreensão dos padrões de variabilidade de alta frequência na estrutura termohalina e dinâmica da coluna d’água da área de estudo.

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  • FRANCIS DA SILVA LOPES
  • MODELAGEM ACOPLADA APLICADA AO MONITORAMENTO DO EFEITO ILHA NO ARQUIPÉLAGO DE FERNANDO DE NORONHA/PE

  • Orientador : DORIS REGINA AIRES VELEDA
  • MEMBROS DA BANCA :
  • DORIS REGINA AIRES VELEDA
  • HUGO ABI KARAM
  • CLAUDIA KLOSE PARISE
  • Data: 29/Out/2021

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  • Um estudo de modelagem acoplada aninhada two-way entre o oceano e atmosfera de alta resolução (1km no oceano e 3 km na atmosfera) foi aplicado ao Arquipélago de Fernando de Noronha. A simulação foi realizada de julho a agosto de 2014, correspondendo ao mesmo período de uma campanha oceanográfica no entorno da ilha. Até o momento, este é o primeiro estudo de um modelo acoplado aplicado na região, analisando a resposta do efeito ilha nas variáveis meteo-oceanográficas. O modelo acoplado reproduziu de forma coerente os campos oceânicos e atmosféricos medidos. O modelo acoplado reproduziu as condições oceânicas e atmosféricas observadas. A simulação capturou o efeito da ilha na temperatura superficial (TSM) a oeste da ilha, que se propagou em forma de uma esteira quente na direção da corrente superficial, com valores de TSM acima de 1,5°C em relação a regiões adjacentes. O EI observado em Fernando de Noronha apresentou uma característica bimodal com a presença de uma esteira quente se propagando para oeste e uma esteira mais fria para sudoeste. Esse padrão é associado à distribuição espacial da vorticidade relativa. As velocidades foram reduzidas em 1,5 m / s, a jusante da ilha. A velocidade do vento a sotavento da ilha também é reduzida em 1,5 m / s. Além disso, os fluxos de calor latente e sensível apresentaram anomalias no oeste da ilha, acompanhando a dispersão da esteira quente. O fluxo de calor sensível sobre a esteira quente foi ~ 5 W / m² mais alto do que em outras regiões, e o calor latente foi cerca de ~ 15-20 W / m² mais alto. A esteira oceânica e atmosférica apresentou distribuição espacial acompanhando a variabilidade dos ventos e das correntes superficiais. É a primeira vez que esse fenômeno é relatado na região. Os resultados mostram pela primeira vez a interação entre topografia, ventos e correntes oceânicas na formação do efeito ilha por meio de uma modelagem acoplada. O impacto dessas forçantes nas ondas quentes e frias que se propagam para o oeste aumenta a complexidade da circulação de mesoescala na região.


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  • Um estudo de modelagem acoplada aninhada two-way entre o oceano e atmosfera de alta resolução (1km no oceano e 3 km na atmosfera) foi aplicado ao Arquipélago de Fernando de Noronha. A simulação foi realizada de julho a agosto de 2014, correspondendo ao mesmo período de uma campanha oceanográfica no entorno da ilha. Até o momento, este é o primeiro estudo de um modelo acoplado aplicado na região, analisando a resposta do efeito ilha nas variáveis meteo-oceanográficas. O modelo acoplado reproduziu de forma coerente os campos oceânicos e atmosféricos medidos. O modelo acoplado reproduziu as condições oceânicas e atmosféricas observadas. A simulação capturou o efeito da ilha na temperatura superficial (TSM) a oeste da ilha, que se propagou em forma de uma esteira quente na direção da corrente superficial, com valores de TSM acima de 1,5°C em relação a regiões adjacentes. O EI observado em Fernando de Noronha apresentou uma característica bimodal com a presença de uma esteira quente se propagando para oeste e uma esteira mais fria para sudoeste. Esse padrão é associado à distribuição espacial da vorticidade relativa. As velocidades foram reduzidas em 1,5 m / s, a jusante da ilha. A velocidade do vento a sotavento da ilha também é reduzida em 1,5 m / s. Além disso, os fluxos de calor latente e sensível apresentaram anomalias no oeste da ilha, acompanhando a dispersão da esteira quente. O fluxo de calor sensível sobre a esteira quente foi ~ 5 W / m² mais alto do que em outras regiões, e o calor latente foi cerca de ~ 15-20 W / m² mais alto. A esteira oceânica e atmosférica apresentou distribuição espacial acompanhando a variabilidade dos ventos e das correntes superficiais. É a primeira vez que esse fenômeno é relatado na região. Os resultados mostram pela primeira vez a interação entre topografia, ventos e correntes oceânicas na formação do efeito ilha por meio de uma modelagem acoplada. O impacto dessas forçantes nas ondas quentes e frias que se propagam para o oeste aumenta a complexidade da circulação de mesoescala na região.

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  • LUCAS TORREÃO DA FONSECA
  • ANÁLISE DO SISTEMA CARBONATO EM ESTUÁRIOS DO ESTADO DE ALAGOAS, BRASIL (RIOS MANGUABA, TATUAMUNHA, CAMARAGIBE E SANTO ANTÔNIO GRANDE)

  • Orientador : MANUEL DE JESUS FLORES MONTES
  • MEMBROS DA BANCA :
  • MANUEL DE JESUS FLORES MONTES
  • FERNANDO ANTONIO DO NASCIMENTO FEITOSA
  • DORIS REGINA AIRES VELEDA
  • RYSOAURYA KEYLA TRAVASSOS
  • CARLOS ESTEBAN DELGADO NORIEGA
  • Data: 26/Nov/2021

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  • As zonas costeiras ao redor do mundo vêm enfrentando enormes impactos antrópicos, como a eutrofização e acidificação marinha, que estão mudando os mecanismos de seus habitas, alterando seu equilíbrio e funcionamento adequado. A criação de uma Área de Proteção Ambiental (APA) é uma importante ferramenta para mitigar esses impactos e fomentar atividades sustentáveis que mantenham a biodiversidade de importantes ecossistemas, como os recifes de corais e estuários, porém apenas a sua implementação pode não os reduzir. Nosso objetivo foi descrever a variação sazonal do equilíbrio do sistema carbonático e do estado trófico em estuários e área recifal na porção alagoana da APA Costa dos Corais, no Nordeste do Brasil. Parâmetros físicos e químicos foram medidos in situ (temperatura e salinidade) e amostras de água foram coletadas para análises posteriores durante as marés baixas nas estações chuvosa e seca. Analisamos nutrientes inorgânicos dissolvidos, oxigênio dissolvido, clorofila-a, pH e alcalinidade total para o cálculo do índice trófico (TRIX) e estimativa do estado de saturação de aragonita (Ωar). Esses dois parâmetros foram utilizados como indicadores dos processos de eutrofização e acidificação para a região estudada. A análise dos dados demonstrou que as estações estuarinas apresentaram TRIX alto, representando condições de eutrofização e péssima qualidade de água, principalmente na estação chuvosa e a jusante dos rios. Enquanto 50% das estações recifais durante a estação chuvosa apresentaram subsaturação de aragonita (Ωar<1), e durante o período de estiagem todos os valores se apresentaram como supersaturados. Com isso, também foi possível observar que a influência da água do mar dilui as elevadas concentrações de nutrientes e aumenta a Ωar. Nossos resultados mostraram que impactos locais sobre esses ecossistemas já estão ocorrendo, podendo reduzir suas resiliências a cenários futuros, além de diminuir significativamente a biodiversidade. Recomenda-se que maiores esforços de pesquisa e monitoramento sejam feitos para melhor compreender e supervisionar esses processos na região, juntamente com uma melhor gestão de águas residuais.


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  • As zonas costeiras ao redor do mundo vêm enfrentando enormes impactos antrópicos, como a eutrofização e acidificação marinha, que estão mudando os mecanismos de seus habitas, alterando seu equilíbrio e funcionamento adequado. A criação de uma Área de Proteção Ambiental (APA) é uma importante ferramenta para mitigar esses impactos e fomentar atividades sustentáveis que mantenham a biodiversidade de importantes ecossistemas, como os recifes de corais e estuários, porém apenas a sua implementação pode não os reduzir. Nosso objetivo foi descrever a variação sazonal do equilíbrio do sistema carbonático e do estado trófico em estuários e área recifal na porção alagoana da APA Costa dos Corais, no Nordeste do Brasil. Parâmetros físicos e químicos foram medidos in situ (temperatura e salinidade) e amostras de água foram coletadas para análises posteriores durante as marés baixas nas estações chuvosa e seca. Analisamos nutrientes inorgânicos dissolvidos, oxigênio dissolvido, clorofila-a, pH e alcalinidade total para o cálculo do índice trófico (TRIX) e estimativa do estado de saturação de aragonita (Ωar). Esses dois parâmetros foram utilizados como indicadores dos processos de eutrofização e acidificação para a região estudada. A análise dos dados demonstrou que as estações estuarinas apresentaram TRIX alto, representando condições de eutrofização e péssima qualidade de água, principalmente na estação chuvosa e a jusante dos rios. Enquanto 50% das estações recifais durante a estação chuvosa apresentaram subsaturação de aragonita (Ωar<1), e durante o período de estiagem todos os valores se apresentaram como supersaturados. Com isso, também foi possível observar que a influência da água do mar dilui as elevadas concentrações de nutrientes e aumenta a Ωar. Nossos resultados mostraram que impactos locais sobre esses ecossistemas já estão ocorrendo, podendo reduzir suas resiliências a cenários futuros, além de diminuir significativamente a biodiversidade. Recomenda-se que maiores esforços de pesquisa e monitoramento sejam feitos para melhor compreender e supervisionar esses processos na região, juntamente com uma melhor gestão de águas residuais.

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  • KARLA OLIVEIRA SILVA
  • Bioacumulação de Metais Traços em tartarugas marinhas no litoral de Pernambuco, Brasil

  • Orientador : MANUEL DE JESUS FLORES MONTES
  • MEMBROS DA BANCA :
  • MANUEL DE JESUS FLORES MONTES
  • JOSE SOUTO ROSA FILHO
  • VALDIR LUNA DA SILVA
  • JOZÉLIA MARIA DE SOUSA CORREIA
  • LUCIANA CARLA RAMEH DE ALBUQUERQUE ZANOTTI
  • Data: 29/Nov/2021

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  • A longevidade e seu nível trófico elevado são algumas das características que tornam as tartarugas marinhas alvo de estudos acerca da bioacumulação de metais traços, sendo potenciais bioindicadoras ambientais. Esta pesquisa objetivou, identificar o grau de contaminação por metais traços nas tartarugas marinhas no litoral de Pernambuco, no nordeste do Brasil. Nesta pesquisa, os metais traços foram monitorados durante o período 2019-2020, utilizando as tartarugas verde (Chelonia mydas) e de pente (Eretmochelys imbricata) como espécies indicadoras. Os níveis de alumínio (Al), cádmio (Cd), cromo (Cr), cobre (Cu), ferro (Fe), manganês (Mn), níquel (Ni), chumbo (Pb) e zinco (Zn) foram determinados por 13 tartarugas encalhadas no litoral sul de Pernambuco e 21 tartarugas vivas que vieram desovar nas praias. Após o processamento dos animais, as amostras de carapaça, rins, músculo, fígado e sangue foram digeridas com ácido nítrico e peróxido de hidrogênio em forno microondas, e então as concentrações dos metais traços foram analisadas com o uso do equipamento de Espectroscopia de Emissão Atômica por Plasma Acoplado Indutivamente (ICP-OES). O ferro e o zinco apresentaram as maiores concentrações em todos os tecidos comparado aos outros elementos. E o Cr, Ni, Pb e Zn apresentaram uma concentração semelhante em todos os tecidos analisados. A comparação entre espécies não foi possível, pois foram utilizados tecidos diferentes para a análise. Na carapaça da espécie C. mydas foi possível observar uma concentração mais elevada do zinco, seguido do ferro, dois elementos essenciais ao organismo. No sangue da espécie E. imbricata a presença do Fe foi mais significativa, do que os outros metais. Através desse estudo foi possível observar que os metais traços estão presentes nos tecidos dos espécimes estudados, entretanto em baixos níveis de contaminação. O ferro apesar de apresentar concentrações elevadas é um importante micronutriente para esses animais. Por fim, ainda se faz necessário mais estudos voltados para os efeitos que esses elementos traços podem causar às tartarugas marinhas.


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  • A longevidade e seu nível trófico elevado são algumas das características que tornam as tartarugas marinhas alvo de estudos acerca da bioacumulação de metais traços, sendo potenciais bioindicadoras ambientais. Esta pesquisa objetivou, identificar o grau de contaminação por metais traços nas tartarugas marinhas no litoral de Pernambuco, no nordeste do Brasil. Nesta pesquisa, os metais traços foram monitorados durante o período 2019-2020, utilizando as tartarugas verde (Chelonia mydas) e de pente (Eretmochelys imbricata) como espécies indicadoras. Os níveis de alumínio (Al), cádmio (Cd), cromo (Cr), cobre (Cu), ferro (Fe), manganês (Mn), níquel (Ni), chumbo (Pb) e zinco (Zn) foram determinados por 13 tartarugas encalhadas no litoral sul de Pernambuco e 21 tartarugas vivas que vieram desovar nas praias. Após o processamento dos animais, as amostras de carapaça, rins, músculo, fígado e sangue foram digeridas com ácido nítrico e peróxido de hidrogênio em forno microondas, e então as concentrações dos metais traços foram analisadas com o uso do equipamento de Espectroscopia de Emissão Atômica por Plasma Acoplado Indutivamente (ICP-OES). O ferro e o zinco apresentaram as maiores concentrações em todos os tecidos comparado aos outros elementos. E o Cr, Ni, Pb e Zn apresentaram uma concentração semelhante em todos os tecidos analisados. A comparação entre espécies não foi possível, pois foram utilizados tecidos diferentes para a análise. Na carapaça da espécie C. mydas foi possível observar uma concentração mais elevada do zinco, seguido do ferro, dois elementos essenciais ao organismo. No sangue da espécie E. imbricata a presença do Fe foi mais significativa, do que os outros metais. Através desse estudo foi possível observar que os metais traços estão presentes nos tecidos dos espécimes estudados, entretanto em baixos níveis de contaminação. O ferro apesar de apresentar concentrações elevadas é um importante micronutriente para esses animais. Por fim, ainda se faz necessário mais estudos voltados para os efeitos que esses elementos traços podem causar às tartarugas marinhas.

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  • RAFAEL ABDUL-KHALEK DE ALCANTARA
  • Estudo da assembleia de peixes do Arquipélago de São Pedro e São Paulo com o uso de Estação Remota de Vídeo Subaquático com Isca (BRUVS) 

  • Orientador : PEDRO AUGUSTO MENDES DE CASTRO MELO
  • MEMBROS DA BANCA :
  • PAULO GUILHERME VASCONCELOS DE OLIVEIRA
  • NATALIA PRISCILA ALVES BEZERRA
  • ILKA SIQUEIRA LIMA BRANCO NUNES
  • Data: 29/Nov/2021

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  • Um total de 35 lançamentos de Estações de vídeo subaquáticas com iscas (BRUVS) foram realizadas no Arquipálago de São Pedro e São Paulo (ASPSP), um aquipélago localizado no meio do Oceano Atlântico, para avaliar a abundância, diversidade e comparar a distribuição espacial da comunidade local de peixes, e também, descrever preliminarmente o comportamento dos elasmobrânquios. Cerca de 2700 minutos de vídeos foram grvaados em águas até 30 metros de profundidade. 2,991 inidívus foram gravados, pertencentes a 6 ordens, 10 famílias, 19 espécies. 4 espécies de elasmobrânquios e 15 de teleósteos foram registradas. O cmportamento dos elasmobrânquios foram caracterizados de acordo com a distância que se encontravam do BRUVS, também outros comportamentos foram adicionados e descritos. Análises multivariadas indicaram diferente uso da área entre as espécies de peixes do lado oeste e leste. Segregação interespecífica entre elasmobrânquios C. falciformis e C. galapagensis foi visualizada, além de uma provável segregação sexual intraespecífica para C. falciformis. Comportamentos foram gravados e registrados em fotos. O comportamento de cautela foi predominante nos elasmobrânquios. Os números de notas de comportamento mostram como é possível explorar e entender comportamentos usando o BRUVS. Embora, ainda existam lacunas sobre o comportamento de peixes em meio selvagem e gravações tenham sido recentemente popularizadas. BRUVS desenpenharam satisfatoriamente e podem ser implementados como método de monitoramento contínuo para as espécies registradas no presente estudo, assim como, um método complementar para ser utilizado com outros métodos convencionais de amostragem de espécies de peixes. Logo, a ictiofauna e seu comportamento registrado pela BRUVS são importantes para avaliar e realizar a gestão da Área Protegida Marina (APM), adicionando informações relevantes para explorar de maneira sustentável ou integralmente proteger o ASPSP e as áreas adjacentes


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  • Um total de 35 lançamentos de Estações de vídeo subaquáticas com iscas (BRUVS) foram realizadas no Arquipálago de São Pedro e São Paulo (ASPSP), um aquipélago localizado no meio do Oceano Atlântico, para avaliar a abundância, diversidade e comparar a distribuição espacial da comunidade local de peixes, e também, descrever preliminarmente o comportamento dos elasmobrânquios. Cerca de 2700 minutos de vídeos foram grvaados em águas até 30 metros de profundidade. 2,991 inidívus foram gravados, pertencentes a 6 ordens, 10 famílias, 19 espécies. 4 espécies de elasmobrânquios e 15 de teleósteos foram registradas. O cmportamento dos elasmobrânquios foram caracterizados de acordo com a distância que se encontravam do BRUVS, também outros comportamentos foram adicionados e descritos. Análises multivariadas indicaram diferente uso da área entre as espécies de peixes do lado oeste e leste. Segregação interespecífica entre elasmobrânquios C. falciformis e C. galapagensis foi visualizada, além de uma provável segregação sexual intraespecífica para C. falciformis. Comportamentos foram gravados e registrados em fotos. O comportamento de cautela foi predominante nos elasmobrânquios. Os números de notas de comportamento mostram como é possível explorar e entender comportamentos usando o BRUVS. Embora, ainda existam lacunas sobre o comportamento de peixes em meio selvagem e gravações tenham sido recentemente popularizadas. BRUVS desenpenharam satisfatoriamente e podem ser implementados como método de monitoramento contínuo para as espécies registradas no presente estudo, assim como, um método complementar para ser utilizado com outros métodos convencionais de amostragem de espécies de peixes. Logo, a ictiofauna e seu comportamento registrado pela BRUVS são importantes para avaliar e realizar a gestão da Área Protegida Marina (APM), adicionando informações relevantes para explorar de maneira sustentável ou integralmente proteger o ASPSP e as áreas adjacentes

Teses
1
  • PAULO JOSÉ SIGAÚQUE
  • Circulação e distribuição de sedimentos em suspensão na baía de

    Maputo, Moçambique

  • Orientador : PEDRO AUGUSTO MENDES DE CASTRO MELO
  • MEMBROS DA BANCA :
  • CARLOS AUGUSTO FRANCA SCHETTINI
  • ROBERTO LIMA BARCELLOS
  • ELIETE ZANARDI LAMARDO
  • MAURÍCIO NOERNBERG
  • CARLA DE ABREU D’AQUINO
  • Data: 28/Jun/2021

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  • Este estudo apresenta a circulação residual, clima de ondas e distribuição de sedimentos em suspensão
    na baia de Maputo, Moçambique, África (25.9/26.0° S & 32.6/32.9°). A baía tem uma área de ~1000
    Km2, com seção da desembocadura com ~18 Km de largura, e profundidade média de 5 m. As marés
    predominantes são do tipo semiduirna, variando de 1 a 3 m na quadratura e sizígia, respetivamente. A
    avaliação da importância das marés, ventos e efeitos de descargas liquidas na troca de fluxos entre a
    baia e plataforma adjacente, efeitos da energia de ondas no transporte de sedimentos entre a baía e
    plataforma adjacente, foi realizada através do modelo hidrodinâmico Delf3D-FLOW e do modelo de
    ondas Delft3D-WAVE (SWAN). A dinâmica sazonal (para o ano de 2020) e interanual (para o período
    de 2010 até 2021) de distribuição de sedimentos em suspensão foi investigada com imagens da banda
    do vermelho dos sensores MODIS e VIIRIS, abordos nos satélites Aqua, Terra, Suomi e NOAA. Os
    resultados a partir da modelagem hidrodinâmica mostraram mudanças nos padrões de circulação entre
    os cenários e entre quadratura e sizigia. Na secção transversal da desembocadura, os fluxos de sizigia
    são verticalmente homogêneos e na quadratura os fluxos são em duas camadas, principalmente com
    cenários forçados por maré, locais como ilha de Inhaca e desembocadura do rio Incomati são propensos
    a aprisionar sedimentos. O modelo de onda mostrou que as ondas mais predominantes vêm das
    direções E-SE. As maiores intensidades foram de 1.4 e 2.4 m com ângulo de incidência de 100°. No
    interior da baia as velocidades orbitais e forças induzidas pela onda foram menores. O padrão
    climatológico de variabilidade de turbidez mostrou que o Sul da baia, principalmente na
    desembocadura do rio Maputo, tende a concentrar maior quantidade de sedimentos em suspensão e
    menores concentrações próximo a boca da baia de Maputo, onde predominam sedimentos não coesivos
    e vigorosa energia da onda. As correntes de baixamar e ventos de SW favorecem ao transporte de
    material particulado em direção a plataforma.


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  • ...

2
  • RAMILLA VIEIRA DE ASSUNÇÃO
  • THERMOHALINE STRATIFICATION IN THE SOUTHWESTERN TROPICAL ATLANTIC: FROM PHYSICAL PROCESSES TO ACOUSTIC ECOLOGY

  • Orientador : ALEX COSTA DA SILVA
  • MEMBROS DA BANCA :
  • ALEX COSTA DA SILVA
  • CARMEN MEDEIROS LIMONGI
  • BERNARD BOURLÈS
  • MATTHIEU LENGAIGNE
  • MARIANO SERGIO GUTIÉRREZ TORERO
  • GÉRALDINE SARTHOU
  • FABRICE HERNANDEZ
  • Data: 29/Jun/2021

  • Mostrar Resumo
  • A dinâmica da estrutura termohalina do oceano superior dirige grande parte dos processos
    oceânicos mais próximos a superfície. A circulação termohalina do Atlântico tropical sudoeste
    (Southwest Tropical Atlantic, SWTA), uma região chave para diagnosticar a variação da Célula
    de Revolvimento Meridional do Atlântico, tem um impacto primordial no clima global. A
    variabilidade termohalina também desempenha um papel chave na estruturação vertical dos
    habitats pelágicos. Com o propósito de preencher lacunas de informação sobre a estrutura
    termohalina no SWTA e de trazer insights sobre as relações entre esses processos físicos e a
    distribuição da energia acústica (proxy de biomassa dos organismos), esta tese foi organizada em
    três objetivos científicos principais, cada um deles abordado em um capítulo separado. Para
    desenvolver este estudo, aproveitamos as duas campanhas científicas multidisciplinares (Acoustic
    along the BRAzilian COaSt) realizadas no STWA na primavera (set. - out.) de 2015 e outono (abr.
    - maio) de 2017.
    O primeiro objetivo desta tese foi caracterizar a estrutura termohalina 3D da camada superior (até
    300 m). A caracterização da estrutura termohalina é tipicamente baseada na aplicação de métodos
    estatísticos clássicos em perfis verticais. Entretanto, os métodos clássicos não contemplam
    explicitamente a natureza vertical dos perfis. A Análise de Dados Funcionais (Functional Data
    Analysis, FDA) é uma alternativa para resolver tais inconvenientes. Neste caso, aplicamos uma
    abordagem funcional para caracterizar a estrutura termohalina 3D do SWTA da primavera e
    outono austral. Nossos resultados revelam um padrão espacial claro com a presença de três áreas
    com características termohalinas significativamente diferentes. A área 1, localizada
    principalmente ao longo do talude continental, reflete o sistema de corrente de borda oeste
    (Western Boundary current system, WBCS), com baixa estabilidade estática e alta frequência de
    ocorrência de camadas de barreira (BL). Por outro lado, a Área 2, localizada ao longo da cadeia
    de Fernando de Noronha, apresenta forte estabilidade estática com uma termoclina bem definida.
    Esta área, sob a influência do Atlântico leste, é caracterizada por uma baixa frequência de BLs,
    que é modulada sazonalmente pela oscilação latitudinal da zona de convergência intertropical,

    controlando o regime de precipitação. Por sua vez, a Área 3 comporta-se como uma zona de
    transição entre as áreas 1 e 2, com a presença do núcleo de água de salinidade máxima em
    subsuperfície e, portanto, frequência de ocorrência forte-moderada de BL. Além deste estudo, a
    abordagem da FDA surge como uma forma poderosa de descrever, caracterizar, classificar e
    comparar padrões e processos oceânicos. Ela pode ser aplicada aos dados in situ, mas também
    pode ser usada para explorar de forma profunda e abrangente as saídas de modelos oceânicos.
    Como segundo objetivo, examinamos a viabilidade de extrair a estrutura termohalina dos dados
    de ecosonda coletados no SWTA. De fato, em alguns sistemas, a acústica permite uma estimativa
    robusta da profundidade da picnoclina ou termoclina. Para examinar a viabilidade de extrair a
    estrutura termohalina (profundidade da camada de mistura, termoclina superior e inferior) dos
    dados de ecosonda, testamos três abordagens: (i) a extensão vertical da comunidade epipelágica;
    (ii) o uso de gradientes acústicos; e (iii) uma abordagem de ondas cruzadas (wavelets). Os
    resultados mostram que, mesmo que a estrutura termohalina impacte a distribuição vertical dos
    dispersores acústicos, a estrutura resultante não permite uma estimativa robusta dos limites
    termohalinos indicando que outros processos oceanográficos ou biológicos estão agindo. Este
    "resultado negativo" impede uma representação em escala fina da turbulência da camada superior
    a partir de dados acústicos. Contudo, o estudo da proporção de biomassa acústica dentro de cada
    camada fornece uma visão interessante da estrutura do ecossistema em diferentes cenários
    termohalinos, sazonais e diários. Em particular, em regiões onde a termoclina é altamente
    estratificada, e menos misturada, alguns organismos parecem evitar a camada da região de maior
    gradiente. Isto nos levou a investigar as relações verticais em escala fina entre a biomassa acústica
    e uma variedade de fatores ambientais, que é o terceiro objetivo.
    A dinâmica oceânica inicia a estruturação dos produtores primários e estes, por sua vez, moldam
    a distribuição dos níveis tróficos subsequentes até que toda a comunidade pelágica reflita a
    estrutura físico-química do oceano. Apesar da importância da estruturação bottom-up nos
    ecossistemas pelágicos, os estudos em escala fina das interações biofísicas ao longo da
    profundidade são escassos e desafiadores. Ao investigar as relações verticais em escala fina entre
    uma variedade de parâmetros ambientais (correntes, estratificação, concentração de oxigênio e
    fluorescência) e a energia acústica refletida, mostramos que a fluorescência, o oxigênio, a corrente
    e a estratificação são fatores importantes, mas que sua importância relativa depende da área, da

    faixa de profundidade e do ciclo diário. Na camada epipelágica, as respostas acústicas mais fortes
    foram associadas a profundidades de maior estabilidade (estratificação mais alta). Mesmo em áreas
    onde os picos de fluorescência eram mais profundos que o pico das estratificações, as camadas de
    dispersão de som estavam mais correlacionadas com a estratificação do que com o máximo de
    clorofila. O oxigênio dissolvido não parece ser um fator chave no WBCS onde toda a coluna de
    água está bem oxigenada enquanto parece ser um condutor no sistema onde menores concentrações
    de oxigênio ocorrem em subsuperfície. Finalmente, nossos resultados sugerem que os organismos
    parecem evitar o núcleo de correntes fortes. Entretanto, são necessários trabalhos futuros para
    entender melhor o papel das correntes na distribuição vertical dos organismos.


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  • ...

3
  • NATHALIA LINS SILVA
  • Espectros de tamanhos do zooplâncton, partículas em suspensão e microplásticos em ambientes estuarino e costeiros do Atlântico Tropical.

  • Orientador : RALF SCHWAMBORN
  • MEMBROS DA BANCA :
  • RALF SCHWAMBORN
  • SIGRID NEUMANN LEITAO
  • MARIUS NILS MULLER
  • EDUARDO TAVARES PAES
  • RUBENS MENDES LOPES
  • Data: 27/Ago/2021

  • Mostrar Resumo
  • O conhecimento sobre as partículas em suspensão (séston) é essencial para a compreensão dos ecossistemas estuarinos e marinhos. Esta tese tem como objetivos avaliar as contribuições do mesozooplâncton, dos microplásticos e das partículas em suspensão na coluna d'água em amostras de plâncton, e de descrever os espectros de de tamanhos destas  partículas e organismos. Além disso, foi proposto um novo índice (RMC) para avaliar o impacto dos microplásticos nas teias tróficas pelágicas. As amostras foram obtidas no estuário do Rio Formoso (área de manguezais), na Baía de Tamandaré (baía aberta, rodeada de recifes tropicais) e na plataforma continental (da linha dos recifes costeiros até a isóbata de 30 m) ao largo de Tamandaré (Pernambuco, Brasil). Arrastos subsuperficiais (profundidade amostral: 0-0.6 m) horizontais foram realizados durante dois anos (junho / 2013 a maio / 2015) em intervalos bimestrais com redes de plâncton (malhas: 200 e 300 μm) durante as estações seca e chuvosa. As amostras coletadas foram fixadas em formol (Concentração final de 4%) e tamponadas com tetraborato de sódio (5 g L−1). As amostras foram analisadas através da obtenção do peso úmido (biomassa sestônica), análise por imagem (ZooScan) e espectroscopia por infravermelho (FTIR). As análises das tipologias das partículas mostrou que a composição das partículas biogênicas (detritos vegetais, macroalgas, agregados marinhos e exúvias) seguiu o padrão esperado, com mais matéria vegetal (detritos de manguezal) no estuário rodeado de florestas de manguezais. As concentrações mais elevadas de microplásticos totais (Polipropileno + Polietileno + Nylon), PP (Polipropileno) e PE (Polietileno) também foram observadas no ambiente estuarino, indicando um gradiente decrescente para o oceano a partir de fontes terrestres. A RMC (Concentração Relativa de Microplásticos) indicou que a Baía representa o ecossistema mais impactado (RMC: 2,4% no estuário, 5,1% na Baía e 2,0% na prateleira), para microplásticos totais e PP & PE. Já a plataforma continental foi mais severamente impactada (concentração relativa mais alta ) com fibras de nylon. A análise dos espectros de tamanhos mostrou que os organismos planctônicos, microplásticos  e outras  partículas  seguem um padrão semelhante em seus espectros de tamanhos, com maiores concentrações em faixas de tamanhos menores e um declínio log-linear da concentração com o volume ou tamanho das partículas.  Essa abordagem inovadora abre novas perspectivas para o estudo dos ambientes pelágicos estuarinos e marinhos.


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4
  • NAYANA BUARQUE ANTÃO DA SILVA
  • ASSEMBLEIAS EPÍFITAS EM PRINCIPAIS MACROALGAS E OS EFEITOS DO AMBIENTE FÍSICO E DOS POLUENTES NO LITORAL DE PERNAMBUCO, NORDESTE DO BRASIL

  • Orientador : MARIA DA GLORIA GONCALVES DA SILVA CUNHA
  • MEMBROS DA BANCA :
  • SIGRID NEUMANN LEITAO
  • MARIA DA GLORIA GONCALVES DA SILVA CUNHA
  • MARCOS HONORATO DA SILVA
  • JULIANE BERNARDI VASCONCELOS
  • EVELINE PINHEIRO DE AQUINO
  • Data: 15/Dez/2021

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  • Esta pesquisa teve como objetivo identificar a estrutura, a variação quali-quantitativa e a
    influência das variáveis ambientais na distribuição e abundância de dinoflagelados
    epibentônicos, juntamente com diatomáceas e microplásticos associados às macroalgas
    de praias urbanizadas e não urbanizadas do litoral de Pernambuco, Nordeste do Brasil.
    As coletas foram realizadas durante o período chuvoso (julho, agosto/2017 e
    março/2018) e de estiagem (setembro/2017, janeiro e fevereiro/2018), nas praias do
    Pina, Pedra de Xaréu e Enseada dos Corais. Exemplares das macroalgas mais
    representativas de cada praia e as variáveis ambientais (temperatura, salinidade,
    nutrientes, pH e oxigênio dissolvido) foram coletados da região do mesolitoral e
    encaminhados ao Departamento de Oceanografia da UFPE. As macroalgas foram
    pesadas (peso úmido), divididas nas porções basal, mediana e apical, e acondicionadas
    em potes de 30 mL, com água previamente filtrada proveniente do local de coleta. Em
    seguida, foi efetuada uma agitação manual com o objetivo de deslocar os epibiontes e os
    microplásticos, sendo a macroalga retirada do pote e a suspensão fixada com solução de
    lugol (2%). Através das análises foram determinados: abundância dos epífitos (cel/g -1 ) e
    microplásticos (partículas/g -1 ), abundância relativa (%), frequência de ocorrência,
    riqueza de espécies, diversidade específica e equitabilidade. Não foram registradas
    variações sazonais significativas entre as variáveis ambientais. Foram identificados 10
    táxons de dinoflagelados, com destaque para pequenos indivíduos da classe
    Dinophyceae, Gymnodinium sp., Ostreopsis cf. ovata Fukuyo, Prorocentrum lima
    (Ehrenberg) F. Stein, Protoperidinium sp. e Scrippsiella spinifera G. Honsell &amp; M.
    Cabrini. A praia Pedra de Xaréu apresentou maior riqueza (9 táxons) e abundância, com
    Ostreopsis cf. ovata e P. lima, com maiores valores de abundância em Hypnea
    musciformis (Wulfen) J.V. Lamouroux (488 e 408 cel/g -1 ) e Sargassum sp. (34 e 90
    cel/g -1 ), respectivamente, em março/2018. Na praia do Pina foram identificados 5
    táxons de dinoflagelados, com dominância das espécies: Gymnodinium sp. e S.
    spinifera, registrando 132 cel/g -1 (fevereiro/2018) e 40 cel/g -1 (agosto/2017) em Palisada
    perforata (Bory) K.W. Nam. Dentre estas espécies identificadas, algumas são
    consideradas potencialmente tóxicas, de acordo com bibliografia consultada. Além de
    dinoflagelados epífitos, foram registradas partículas microplásticas de forma
    filamentosa em todas as porções do talo de Palisada perforata, na praia do Pina,
    chegando a alcançar 79 partículas/g -1 na porção mediana do talo macroalgal, em
    setembro/2017. A única dominância dos dinoflagelados epífitos (63%) em relação ao
    microplástico foi verificado na porção apical do talo, durante o período de estiagem
    (fevereiro/2018), com 92 cel/g -1 , em P. perforata. Os microplásticos chegaram a
    representar 100% dos agregados, na porção apical do talo, em março/2018 (95
    partículas/g -1 ). Na praia de Enseada dos Corais, foram identificados 4 táxons de
    dinoflagelados epífitos, além de 32 táxons de diatomáceas epífitas, Grammatophora
    oceanica Ehrenberg, Melosira nummuloides C. Agardh e Navicula sp. sendo
    classificadas como dominantes. A menor riqueza e abundância de epífitos encontrada
    nesta praia foi registrada na parte basal do talo de Sargassum sp., em março/2018 (2

    cel/g -1 ). As outras algas analisadas no local, Digenea simplex (Wulfen) C. Agardh e
    Bryothamnion triquetrum (S. G. Gmelin) M. Howe, apresentaram maior abundância e
    riqueza de espécies, devido ao talo de ambas serem frondosos e ramificados,
    favorecendo uma maior quantidade de microhabitats para os epífitos. No entanto, apesar
    das macroalgas transportarem em seu talo várias espécies de dinoflagelados e
    diatomáceas epífitas, a fixação das espécies não ocorre de modo uniforme nas diferentes
    porções dos talos das macroalgas. Com base nos resultados, pode-se concluir que
    condições ambientais favoráveis, como alta temperatura e salinidade, podem estar
    correlacionadas à abundância dos dinoflagelados potencialmente tóxicos e a variação
    significativa no fosfato comprovaram a diferença do impacto antrópico entre a praia do
    Pina e Pedra de Xaréu. Assim como, a onipresença dos microplásticos sugere que a
    intensa urbanização dos ambientes costeiros torna o ambiente marinho vulnerável a esse
    tipo de poluente e que podem contribuir para a degradação dos ecossistemas recifais,
    afetando toda a cadeia trófica dos oceanos.


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  • ...

5
  • MARCOS VINICIUS BARROS DA SILVA
  • A MORFOLOGIA DE CÂNIONS SUBMARINOS E SUA POSSÍVEL INFLUÊNCIA NA DINÂMICA DE SUBMESOESCALA AO LONGO DA COSTA NORDESTE DO BRASIL.

  • Orientador : TEREZA CRISTINA MEDEIROS DE ARAUJO
  • MEMBROS DA BANCA :
  • TEREZA CRISTINA MEDEIROS DE ARAUJO
  • MIRELLA BORBA SANTOS FERREIRA COSTA
  • JOÃO MARCELLO RIBEIRO DE CAMARGO
  • HELENICE VITAL
  • ARNAUD PIERRE ALEXIS BERTRAND
  • ALBERTO GARCIA DE FIGUEIREDO JUNIOR
  • ALEX CARDOSO BASTOS
  • Data: 21/Dez/2021

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  • Cânions submarinos são importantes feições das margens continentais no contexto morfológico. Eles são responsáveis pelas condições oceanográficas, como variabilidade de temperatura e salinidade, transporte de sedimentos, nutrientes e até poluentes entre as áreas marinhas. Cânions submarinos também influenciam nas comunidades biológicas, sendo considerados hotspots de biodiversidade, berçário e forrageio para diversas espécies. Os estudos sobre cânions vêm crescendo e ganhando destaque devido à sua importância e destaque para discussões atuais como sua integralização dos estudos à Década Oceânica. Além disso, cânions submarinos tem um papel relevante nos ecossistemas marinhos e a compreensão da interação fluxo-topografia ou (FTI) é fundamental para o desenvolvimento dos estudos e processos oceanográficos em margens continentais. A morfologia de cânions é a principal responsável pelas maiores variações de fluxo próximo as bordas nos oceanos, sobretudo, aos processos advectivos originados pelas correntes. O comportamento da dinâmica de fluxo em cânions submarinos depende de aspectos geofísicos que podem ser caracterizados através da associação da morfologia, propriedades do fluido e forçantes físicas. Recentemente, vários trabalhos envolvendo dinâmica de fluxo em cânions estão sendo realizados sobre FTI e sua resposta nas condições da margem continental. Contudo, as tentativas de executar um modelo dinâmico usando a topografia real gera um fluxo irreal que não representa em sua totalidade as condições de contorno. A motivação para esta tese é demonstrar uma visão geral dos avanços nos estudos dos cânions submarinos e sua possível influência na dinâmica de submesoescala ao longo da costa nordeste do Brasil.


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  • The Continental Shelf of Pernambuco (CSP) presents a different aspect in the flow behavior, mainly in the areas of the channels in front of the Tamandaré region located on the Southern Continental Platform of Pernambuco (SPCS). This behavior is associated with the presence of features similar to submarine canyons (Deep Channels) over the Pernambuco Plateau region. The methodology for scale analysis was performed for six features (three on the Pernambuco Plateau and three on the SPCS), and divided into three stages for the periods of March (summer) and September (winter) for a seasonal analysis. The first step was made from calculations of dimensionless analysis with the collection of the necessary variables. The second was based on analysis of the shape dimensions of deep channels and channels. The third and last one composed by the classification in relation to the dynamic behavior. The dimensionless analysis showed Rossby and Burger numbers in the order of ten for one of the deep channels (RoMarch = 15.9; BuMarch = 126) and for the three channels (RoMarch = 95.7; RoMarch = 48.8; RoMarch = 98.1; and BuMarch = 63.0; BuMarch = 37.3 and BuMarch = 29.6), in both periods with intensity differences. The classification by dimensional analysis identified the deep channel in front of the channels region as more representative for the advective transport. The identification of pulses of sudden decrease in temperature within the Zieta’s Channel at 82 m depth, demonstrates the occurrence of upwelling and intrusion points of water masses on the SPCS at the shelf break. Seasonal analysis recorded the highest Rossby and Burger values in the summer, coinciding with the highest occurrence of pulses within the Zieta’s Channel. The research by means of scale analysis reiterates the influence of the deep channels in the SPCS, mainly by increasing the pumping potential of cold waters from deeper zones to shallower areas, which can be highlighted as local peaks of upwelling through deep channels.

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