AVALIAÇÃO DAS ATIVIDADES BIOLÓGICAS DO ÓLEO ESSENCIAL DE MADEIRA DE Dinizia excelsa: UM POTENCIAL AGENTE FITOTERÁPICO
Dinizia excelsa; óleo essencial; fitoterápico.
A Amazônia é reconhecida mundialmente pela diversidade do seu bioma, sendo considerada uma fonte promissora para busca de novos compostos bioativos que despertam interesse farmacológico. O angelim-vermelho, cientificamente denominado Dinizia excelsa, é uma árvore de grande porte importante na indústria madeireira, entretanto seu potencial farmacológico permanece pouco explorado. Diante da presença de metabólitos ativos na madeira desta espécie, este estudo propôs caracterizar caracterizar o óleo essencial (OE) extraído de resíduos da madeira de D. excelsa e avaliar seu potencial como agente fitoterápico. Inicialmente, o OE foi obtido por hidrodestilação e caracterizado por Cromatografia Gasosa acoplada à Espectrometria de Massas (GC-MS), além de estudos de ADMET (Absorção, Distribuição, Metabolismo, Excreção e Toxicidade) in silico para prever a biodisponibilidade oral. As atividades biológicas foram avaliadas in vitro, incluindo atividade antioxidante (DPPH) , citotoxicidade em células normais (MTT em RAW 264.7, Vero e V79), antitumoral (em linhagens HCT-8, HL-60 e MCF-7), imunomoduladora (em linfócitos esplênicos), antimicrobiana (MIC, MBC, MFC) e antiparasitária (contra Trypanosoma cruzi, Leishmania amazonensis e Schistosoma mansoni). O OE apresentou um rendimento de 0,74 ± 0,01% (p/p). A análise química por GC-MS identificou 48 compostos, majoritariamente a Pulegona (25,3%), α-cedrol (12,87%) e Timol (11,5%). A análise ADMET previu boa biodisponibilidade oral para a maioria dos constituintes. No contexto de perfil de segurança, o OE demonstrou baixa citotoxicidade em células normais (CC₅₀ > 1000 μg/mL para RAW 264.7 e Vero) e baixa atividade hemolítica. Além destas, o OE apresentou alto efeito antitumoral com índices de seletividade superiores ao controle positivo (Doxorrubicina), especialmente contra carcinoma de cólon (HCT-8, IC₅₀ = 3,86 μg/mL) e leucemia (HL-60, IC₅₀ = 5,25 μg/mL). A atividade antiparasitária foi notável, sendo altamente eficaz contra as formas amastigotas intracelulares de T. cruzi (IC₅₀ = 5,61 μg/mL) e L. amazonensis (IC₅₀ = 15,34 μg/mL), além de causar 100% de mortalidade em vermes jovens e adultos de S. mansoni em 96 horas. A atividade antimicrobiana foi moderada (MIC 512 μg/mL contra Escherichia coli e Klebsiella pneumoniae) e a ação antioxidante foi classificada como moderada (IC₅₀ = 301,9 μg/mL). Sendo assim, o óleo essencial de resíduos de madeira D. excelsa possui um perfil químico promissor e um amplo espectro de atividades biológicas com destaque para atividade antiparasitária, antitumoral e imunomoduladora, o que valida o uso de D. excelsa como fonte de novos agentes fitoterápicos.