IMPACTOS DA POLUIÇÃO ATMOSFÉRICA E VARIAÇÕES DE TEMPERATURA NO CLIMA URBANO-RECIFE-PE ATRAVÉS DE INDICADORES AMBIENTAIS DO MEIO FÍSICO
Clima urbano; Variabilidade térmica; Poluição atmosférica; Rede de monitoramento; Justiça climática.
As mudanças climáticas e a crescente urbanização têm intensificado os desafios ambientais nas cidades, como nas regiões tropicais, onde o aumento das temperaturas e a degradação da qualidade do ar afetam diretamente a saúde humana e a qualidade de vida. Nesse contexto, esta pesquisa analisa os impactos das variações de temperatura e poluição atmosférica no clima urbano de Recife–PE, por meio da avaliação de indicadores ambientais do meio físico. A investigação adota uma abordagem integrada e de multicritério, combinando dados ambientais e urbanos para identificar áreas mais suscetíveis aos efeitos do aquecimento urbano e da degradação atmosférica. Para a definição das áreas prioritárias, foi aplicado o método Analytic Hierarchy Process (AHP), considerando parâmetros relacionados à estrutura urbana, uso e ocupação do solo e cobertura superficial. Nesse contexto, empregou-se o conceito de Zonas Climáticas Locais (LCZ) para caracterizar os distintos padrões urbanos e sua influência no comportamento térmico da cidade. Foram realizadas medições in situ por meio de transectos móveis e sensores, permitindo a análise espacial da temperatura do ar e das concentrações de material particulado. Além disso, foi implantada uma rede de monitoramento meteorológica e desenvolvidas ações de ciência cidadã e letramento climático voltadas à população. Os resultados demonstram que áreas com elevada densidade construtiva e reduzida cobertura vegetal apresentam condições térmicas mais críticas, enquanto os níveis de material particulado variam espacial e temporalmente em função das condições meteorológicas e das características urbanas locais. A pesquisa evidencia a importância da ampliação das redes de monitoramento em escala urbana, contribuindo para a geração de dados em áreas ainda pouco monitoradas e para o fortalecimento de estratégias de adaptação às mudanças climáticas. Por fim, reforça a necessidade de políticas públicas voltadas à justiça climática, ao planejamento urbano sustentável e à ampliação de estratégias de mitigação e adaptação climática, visando reduzir vulnerabilidades socioambientais e promover cidades mais resilientes.