PPGGEOCFCH PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM GEOGRAFIA - CFCH DEPARTAMENTO DE CIENCIAS GEOGRAFICAS - CFCH Telefone/Ramal: (81) 2126-8277
Dissertações/Teses

Clique aqui para acessar os arquivos diretamente da Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UFPE

2022
Dissertações
1
  • LUCAS ANDRE PENHA DOS SANTOS
  • A DESINDUSTRIALIZAÇÃO NA REGIÃO METROPOLITANA DO RECIFE (RMR): EVIDÊNCIAS E POSSIBILIDADES

  • Orientador : BERTRAND ROGER GUILLAUME COZIC
  • MEMBROS DA BANCA :
  • ALEXANDRE SABINO DO NASCIMENTO
  • ANA CRISTINA DE ALMEIDA FERNANDES
  • BERTRAND ROGER GUILLAUME COZIC
  • Data: 17/02/2022

  • Mostrar Resumo
  • A atividade industrial tem uma participação relevante no contexto socioespacial, influindo diretamente na produção de riqueza da sociedade, no modo de apropriação dos espaços e na intensificação dos processos de urbanização. De outro lado, é cada vez mais difundida a hipótese de que a desindustrialização ressignifica o espaço, reestruturando-o por meio de novos enfoques e contribuindo para a alteração das dinâmicas socioeconômicas regionais. A presente pesquisa objetiva analisar a desindustrialização na Região Metropolitana do Recife (RMR), atentando-se às implicações diretas do fenômeno sobre as perspectivas ligadas ao trabalho e à produtividade. Realizou-se uma revisão bibliográfica a fim de oferecer um alicerce teórico às discussões acerca da reestruturação produtiva regional. Posteriormente, a partir da captação de dados junto a órgãos de atuação e escala diversas, foi possível elaborar um “perfil da economia industrial” da RMR que levou em consideração fatores como: os índices de produtividade de acordo com diferentes setores de concentração tecnológica; a evolução do número de empregos em atividades industriais específicas; o número de estabelecimentos industriais segundo atividades selecionadas, etc. Também foi realizada uma análise que considerou os dispêndios em Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I); em Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) e a interação Universidade-Empresa (U-E). Ademais, para a averiguação do âmbito institucional, fez-se o exame de programas de desenvolvimento industrial, planos de negócios e tomadas de decisão de cunho legislativo que tiveram relação direta com o setor. Os resultados apontam que a RMR passa por uma desindustrialização relativa, visto que a estrutura de sua indústria de transformação, quando não apresenta um arrefecimento nas áreas de geração/manutenção dos postos de trabalho e Valor Agregado Bruto (V AB) – em segmentos com maior concentração tecnológica –, se caracteriza pela estagnação dos dados ramos. Percebe-se uma desarticulação entre as esferas empresarial e institucional, dificultando o estabelecimento de um ambiente industrial dinâmico. Em grande medida, os parcos empenhos destinados à PD&I e à CT&I são mal administrados, tendo, como principal destino, o equipamento/melhoria da estrutura fabril e não um incentivo focado em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D). A intrincada situação é ainda aprofundada pelo descompasso presente na relação Universidade-Empresa (U-E) e consubstanciada pela baixíssima concentração de pesquisadores envolvidos na atividade industrial.


  • Mostrar Abstract
  • A atividade industrial tem uma participação relevante no contexto socioespacial, influindo diretamente na produção de riqueza da sociedade, no modo de apropriação dos espaços e na intensificação dos processos de urbanização. De outro lado, é cada vez mais difundida a hipótese de que a desindustrialização ressignifica o espaço, reestruturando-o por meio de novos enfoques e contribuindo para a alteração das dinâmicas socioeconômicas regionais. A presente pesquisa objetiva analisar a desindustrialização na Região Metropolitana do Recife (RMR), atentando-se às implicações diretas do fenômeno sobre as perspectivas ligadas ao trabalho e à produtividade. Realizou-se uma revisão bibliográfica a fim de oferecer um alicerce teórico às discussões acerca da reestruturação produtiva regional. Posteriormente, a partir da captação de dados junto a órgãos de atuação e escala diversas, foi possível elaborar um “perfil da economia industrial” da RMR que levou em consideração fatores como: os índices de produtividade de acordo com diferentes setores de concentração tecnológica; a evolução do número de empregos em atividades industriais específicas; o número de estabelecimentos industriais segundo atividades selecionadas, etc. Também foi realizada uma análise que considerou os dispêndios em Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I); em Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) e a interação Universidade-Empresa (U-E). Ademais, para a averiguação do âmbito institucional, fez-se o exame de programas de desenvolvimento industrial, planos de negócios e tomadas de decisão de cunho legislativo que tiveram relação direta com o setor. Os resultados apontam que a RMR passa por uma desindustrialização relativa, visto que a estrutura de sua indústria de transformação, quando não apresenta um arrefecimento nas áreas de geração/manutenção dos postos de trabalho e Valor Agregado Bruto (V AB) – em segmentos com maior concentração tecnológica –, se caracteriza pela estagnação dos dados ramos. Percebe-se uma desarticulação entre as esferas empresarial e institucional, dificultando o estabelecimento de um ambiente industrial dinâmico. Em grande medida, os parcos empenhos destinados à PD&I e à CT&I são mal administrados, tendo, como principal destino, o equipamento/melhoria da estrutura fabril e não um incentivo focado em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D). A intrincada situação é ainda aprofundada pelo descompasso presente na relação Universidade-Empresa (U-E) e consubstanciada pela baixíssima concentração de pesquisadores envolvidos na atividade industrial.

2
  • ADALBERTO ANTONIO DA MOTA CORREIA
  • DIFUSÃO DE INOVAÇÕES NO RECIFE: fábulas, perversidades e possibilidades de outra globalização, a partir do trabalho dos entregadores via plataforma

  • Orientador : ANA CRISTINA DE ALMEIDA FERNANDES
  • MEMBROS DA BANCA :
  • ANA CRISTINA DE ALMEIDA FERNANDES
  • JAN BITOUN
  • THIAGO ADRIANO MACHADO
  • Data: 24/02/2022

  • Mostrar Resumo
  • Este trabalho discute as relações do Sistema Territorial com a compreensão do fenômeno da difusão de inovações numa metrópole regional, da periferia do  capitalismo  tardio,  o  Recife. Para  chegar  a  esses  resultados preliminares,  haja  vista  a pesquisa estar em  andamento,  procedeu-se  com revisão  bibliográfica,  levantamento  e  geoprocessamento de dados secundários oriundos do IBGE. Bem como foram conduzidas vinte entrevistas semiestruturadas aos entregadores, dentre as quais cinco foram transcritas no anexo deste trabalho. A partir disso, observamos a estrutura do  território brasileiro,  sobretudo  do  território  recifense,  por  meio  das  tipologias  da concentração  urbana  do  Recife  e  outros  dados  socioeconômicos. Essa formação legou a sua população, em especial os pretos e pardos, uma dívida histórica cujo saldo  se  traduz  na  pobreza,  precariedade  de  condições habitacionais, educacionais... uma precariedade estrutural. Isso condicionaria o sistema social e territorial não apenas a  uma  capacidade  reduzida  de produzir inovações, mas também nos papéis dos agentes e suas motivações em  adotar  essa  inovação,  sobretudo  os  mais  vulneráveis  nessa  lógica:  os entregadores. A pandemia da COVID-19 trouxe visibilidade  ao  quanto  o trabalho realizado pelos entregadores é relevante, apesar de precarizado em diversas  instâncias,  inclusive  oferecendo  risco  de  acidentes  e  até  de  morte, em busca de obterem uma pouca remuneração. Estamos investigando essa questão à luz dos conceitos sobre difusão de inovações, aduzindo que no sistema  territorial  que  nos  encontramos,  essa  precariedade  é  estrutural  e condicionaria  os  usuários  mais  vulneráveis  a  submeter-se  a  essa  relação precária.  Um fenômeno global, mas que no caso do Recife em especial, encaminharia  a  uma  difusão  e  consequente  adoção  dessas  inovações,  os apps  de  delivery,  condicionada  por  esse  sistema  territorial,  implicando  as escolhas  dos adotantes  que  exercem  o  papel  de  infoproletariado. Fazendo evidente as fábulas e perversidades promovidas por essa globalização. Essa pesquisa também intenciona saber as possibilidades de uma outra globalização, em que a perspectiva de uma  melhor relação capital-trabalho, bem como da ação política e empreendedora desses sujeitos.


  • Mostrar Abstract
  • Este trabalho discute as relações do Sistema Territorial com a compreensão do fenômeno da difusão de inovações numa metrópole regional, da periferia do capitalismo tardio - o Recife - e sua Regição Metropolitana. Para chegar a esse resultados preliminares, haja vista a pesquisa estar em andamento, procedeu-se com revisão bibliográfica, levantamento e geoprocessamento de dados secundários oriundos do IBGE. A partir disso, observamos a formação econômica e territorial do Brasil, e as tipologias da concentração urbana do Recife, como aproximação da sua Região Metropolitana, que legou a sua população, em especial os pretos e pardos, uma divida histórica cujo saldo se traduz na pobreza, precariedade de condições habitacionais, educacionais... estrutural. Isso condicionaria não apenas a uma capacidade reduzida de produzir inovações, mas também nos papéis dos agentes e suas motivações em adotar essa inovação, sobretudo os mais vulneráveis nessa lógica: os entregadores. A pandemia da COVID-19 trouxe visibilidade ao quanto o trabalho realizado pelos entregadores é relevante, apesar de precarizado em diversas instâncias, inclusive oferecendo risco de acidentes e até de morte, em busca de obterem alguma remuneração. Estamos investigando essa questão à luz dos conceitos sobre difusão de inovações, aduzindo que no sistema territorial que nos encontramos, essa precariedade é estrutural e condicionaria os usuários mais vulneráveis a submeter-se a essa relação precária. Um fenômeno global, mas que no caso do Recife e sua Região Metropolitana em especial, encaminharia a uma difusão e consequente adoção dessas inovações, os apps de delivery, condicionada por esse sistema territorial, implicando as escolhas dos adotantes que exercem o papel de infoproletariado. Fazendo evidente as fábulas e perversidades promovidas por essa globalização. Essa pesquisa também intenciona saber as possibilidades de uma outra globalização, em que a perspectiva de uma melhor relação capital-trabalho, bem como da ação política e empreendedora desses sujeitos.

3
  • GERLANDO RODRIGUES DE LIMA
  • INVENTÁRIO GEOMORFOLÓGICO DA OCORRÊNCIA DE MARMITAS NO DISTRITO DE FAZENDA NOVA, MUNICÍPIO DE BREJO DA MADRE DE  DEUS, AGRESTE PERNAMBUCANO

  • Orientador : DANIELLE GOMES DA SILVA LISTO
  • MEMBROS DA BANCA :
  • DANIELLE GOMES DA SILVA LISTO
  • JANAINA BARBOSA DA SILVA
  • MARCELO MARTINS DE MOURA-FÉ
  • Data: 24/02/2022

  • Mostrar Resumo
  • O trabalho desenvolvido é uma pesquisa geomorfológica, que é uma ciência com a finalidade de estudar a evolução das formas da superfície do planeta Terra. A  pesquisa, em caráter exploratório, é o processo de inventariação das marmitas do Distrito de Fazenda Nova, Brejo da Madre de Deus – PE (Brasil). O inventário é a documentação contabilística, uma listagem das geoformas, que nessa pesquisa trata-se das marmitas, que consiste numa depressão cavada na rocha fresca, e, devido ao controle estrutural, pode ter contornos irregulares. Diante das ocorrências dessas unidades e sua importância para a história cronológica da região, além de constituírem um importante patrimônio geomórfico, estas geoformas devem ser objeto de proteção ao longo do percurso de diretrizes que constituem a geoconservação. Neste ambiente conservacionista, a importância da relação entre a geodiversidade e a biodiversidade deve ser considerada, pois desempenha um papel muito dinâmico no geoambiente, e a conservação dessas unidades é necessária para as gerações presentes e futuras conseguirem usufruir desses patrimônios. Essas formas de relevo estão associadas a valores históricos, ecológicos, estéticos, culturais, econômicos e globais em sua estrutura. Assim, esses valores definidos como critérios são muito importantes para a compreensão da dinâmica do relevo. Para tais dados utilizou-se a metodologia de quantificação que está dividida em quatro etapas, sendo o levantamento teórico, construção do levantamento cartográfico para melhor caracterização da área de estudos, onde estão concentrados os mapas geológicos, geomorfológicos, solo e rede de drenagem, constituindo a primeira etapa. A segunda etapa se utiliza de uma ficha descritiva com atributos geomórficos para serem identificados em campo, essa ficha de caráter quantitativo foi primordial para saber as quantidades de marmitas inventariadas conforme sua geoforma. O terceiro passo foi organizado de maneira qualitativa, sendo uma tabela de descrição/avaliação, contendo particularidades do ambiente pesquisado. Em sequência, a quarta etapa do inventário está relacionada com os critérios de quantificação do valor científico, na qual foi apresentado escore para todos os critérios de avaliação de cada processo. Presente ainda na quarta etapa, a quantificação para uso educacional é tão importante tanto como o valor científico, pois o uso dos geomorfossítios para auxílio didático é muito relevante para assimilação dos conteúdos que envolva a história da Terra.


  • Mostrar Abstract
  • O trabalho desenvolvido é uma pesquisa geomorfológica, que é uma ciência com a finalidade de estudar a evolução das formas da superfície do planeta Terra. A  pesquisa, em caráter exploratório, é o processo de inventariação das marmitas do Distrito de Fazenda Nova, Brejo da Madre de Deus – PE (Brasil). O inventário é a documentação contabilística, uma listagem das geoformas, que nessa pesquisa trata-se das marmitas, que consiste numa depressão cavada na rocha fresca, e, devido ao controle estrutural, pode ter contornos irregulares. Diante das ocorrências dessas unidades e sua importância para a história cronológica da região, além de constituírem um importante patrimônio geomórfico, estas geoformas devem ser objeto de proteção ao longo do percurso de diretrizes que constituem a geoconservação. Neste ambiente conservacionista, a importância da relação entre a geodiversidade e a biodiversidade deve ser considerada, pois desempenha um papel muito dinâmico no geoambiente, e a conservação dessas unidades é necessária para as gerações presentes e futuras conseguirem usufruir desses patrimônios. Essas formas de relevo estão associadas a valores históricos, ecológicos, estéticos, culturais, econômicos e globais em sua estrutura. Assim, esses valores definidos como critérios são muito importantes para a compreensão da dinâmica do relevo. Para tais dados utilizou-se a metodologia de quantificação que está dividida em quatro etapas, sendo o levantamento teórico, construção do levantamento cartográfico para melhor caracterização da área de estudos, onde estão concentrados os mapas geológicos, geomorfológicos, solo e rede de drenagem, constituindo a primeira etapa. A segunda etapa se utiliza de uma ficha descritiva com atributos geomórficos para serem identificados em campo, essa ficha de caráter quantitativo foi primordial para saber as quantidades de marmitas inventariadas conforme sua geoforma. O terceiro passo foi organizado de maneira qualitativa, sendo uma tabela de descrição/avaliação, contendo particularidades do ambiente pesquisado. Em sequência, a quarta etapa do inventário está relacionada com os critérios de quantificação do valor científico, na qual foi apresentado escore para todos os critérios de avaliação de cada processo. Presente ainda na quarta etapa, a quantificação para uso educacional é tão importante tanto como o valor científico, pois o uso dos geomorfossítios para auxílio didático é muito relevante para assimilação dos conteúdos que envolva a história da Terra.

4
  • DANIEL VICTOR NEVES RAPOSO
  • A DINÂMICA TERRITORIAL DA REGIÃO METROPOLITANA DO RECIFE: a pressão imobiliária e seus rebatimentos nos bairros litorâneos do Município de Paulista - Pau Amarelo

  • Orientador : FRANCISCO KENNEDY SILVA DOS SANTOS
  • MEMBROS DA BANCA :
  • FRANCISCO KENNEDY SILVA DOS SANTOS
  • LAÉCIO DA CUNHA OLIVEIRA
  • MATEUS FERREIRA SANTOS
  • Data: 29/03/2022

  • Mostrar Resumo
  • A pesquisa apresenta como objeto de investigação, uma análise da dinâmica territorial das comunidades litorâneas no bairro de Pau Amarelo, localizado no Município de Paulista, litoral norte de Pernambuco, que integra a região metropolitana do Recife. No último decênio, a pressão imobiliária vem configurando distintos aspectos com a densidade dos números de conjuntos residenciais na orla marinha. As novas edificações tecnicamente planejadas vêm suprimindo as atividades constituídas por práticas simbólicas dos antigos moradores, pescadores e marisqueiras, que dependem economicamente das práticas relacionadas ao mar. Neste encalço, apreende-se o bairro como território simbólico, com seus sentidos, memórias, valores, costumes e identidades. Todavia, o processo de urbanização no bairro do Janga, evidencia uma tendência na tentativa de reproduzir os novos padrões de moradia, assinalando para verticalidades e horizontalidades na orla marinha e principal Avenida: Cláudio Gueiros Leite, que incidiu no bairro de Pau Amarelo e Maria Farinha. Diante desse cenário, a pesquisa apresentou como objetivo geral, compreender a relação do mercado imobiliário nos bairros litorâneos e seus rebatimentos no território praiano. Devido à complexidade do objeto, optamos por uma abordagem qualitativa de cunho explicativo, exploratório, uma vez que a proposta procurou desvelar os condicionantes que operam nos processos territoriais do bairro. A princípio, nos debruçamos sobre o levantamento bibliográfico e as categorias de análise que deram suporte a pesquisa. Por conseguinte, o tema e área de estudo, que incluiu trabalhos acadêmicos, legislação e documentos oficiais. E para proporcionar uma participação observante, ou pesquisa participante, a presença em reuniões com representantes dos moradores e instituições do qual se fez necessária. Além disso, foram feitas entrevistas, diálogos informais com residentes envolvidos, registros das visitas de campo e observações nos bairros vizinhos. Através dessa metodologia, buscamos identificar a significação dos dados coletados relacionados ao processo de desterritorialização no bairro praiano. Os residentes do bairro litorâneo contestam diante das alterações enfrentadas, o adensamento das residências na orla marinha vem suprimindo o espaço das manifestações culturais. Ademais, promovendo deslocamentos das pequenas vilas de pescadores na extensão da orla, onde os moradores são colocados como meros espectadores.


  • Mostrar Abstract
  • A pesquisa apresenta como objeto de investigação, uma análise da dinâmica territorial das comunidades litorâneas no bairro de Pau Amarelo, localizado no Município de Paulista. Historicamente, o bairro é ligado ao lazer praiano e atividades ligadas ao mar . Situado no litoral norte de Pernambuco, integra a região metropolitana do Recife. Neste encalço, apreende-se o bairro como território simbólico, com seus sentidos, memórias, valores, costumes e identidades. O processo de urbanização no bairro do Janga (bairro adjacente) evidencia uma tendência, na tentativa de reproduzir os novos padrões de moradia, assinalando para verticalidades e horizontalidades na principal Avenida: Cláudio Gueiros Leite, que incidiu no bairro de Pau Amarelo. No último decênio, o número de conjuntos residenciais se multiplicou, surgiram edificações tecnicamente planejadas para uma vivência no espaço construído. A faixa de areia vem sofrendo impactos por distintas configurações na orla. Suprimindo atividades constituídas por práticas simbólicas dos pescadores e marisqueiras. Em tempos pretéritos o território litorâneo atraia turistas para os banhos aprazíveis de mar e consumo, nos bares fixados no entorno do forte de Nossa Senhora dos Prazeres, promovendo uma lógica de atividade econômica. Diante desse cenário, a pesquisa tem como objetivo geral compreender a dinâmica territorial do modo de vida da comunidade litorânea, que vem perdendo sua ligação com o lazer praiano e práticas ligadas ao mar. Devido a complexidade do objeto optamos por uma abordagem qualitativa, de cunho explicativo, exploratório. Uma vez que a proposta procura desvelar os condicionantes que operam nos processos territoriais. A princípio, nos debruçamos sobre o levantamento bibliográfico e documental. Por conseguinte, o tema e área de estudo. Incluindo trabalhos acadêmicos, legislação e documentos oficiais. E para proporcionar uma participação observante, ou pesquisa participante, a presença em espaços de diálogos promovidos por essas associações e instituições do qual se faz necessária. Através dessa metodologia, buscamos identificar a significação dos dados coletados resultantes das entrevistas, diálogos informais, trabalhos de campo e observações nos bairros adjacentes.

5
  • JOÃO LUIZ DA SILVA VIEIRA
  • A AGRICULTURA DO SAGRADO NO FORTALECIMENTO DA IDENTIDADE TERRITORIAL DO POVO XUKURU DO ORORUBÁ, PESQUEIRA E POÇÃO-PE

  • Orientador : CAIO AUGUSTO AMORIM MACIEL
  • MEMBROS DA BANCA :
  • CAIO AUGUSTO AMORIM MACIEL
  • EDSON HELY SILVA
  • PRISCILA BATISTA VASCONCELOS
  • WEDMO TEIXEIRA ROSA
  • Data: 31/03/2022

  • Mostrar Resumo
  • Agricultura e sagrado sempre estiveram imbricados na história humana. Até mesmo etimologicamente as palavras se relacionam. A prática agrícola faz parte do cotidiano e da vida religiosa de diversos povos, como é o caso dos Xukuru do Ororubá. Esta etnia tem seu território nos municípios de Pesqueira e Poção-PE, a cerca de 215 km de Recife. Os Xukuru do Ororubá associaram-se permanentemente à agricultura e enxergam nesta atividade uma forma de se relacionar com os encantados, os espíritos dos que já se foram. Apesar do período de domínio latifundiário e fabril, esse povo originário manteve suas práticas em “ilhas de resistência”. A agricultura foi uma das principais pautas durante as retomadas por terras. Após a homologação do território, a atividade agrícola foi primordial enquanto estratégia de manutenção e gestão territorial, fortalecendo a identidade do grupo e subvertendo os ideais coloniais da época dos fazendeiros. A partir disso, essa pesquisa tem como cerne compreender como a agricultura do sagrado fortalece a identidade do povo Xukuru do Ororubá. Para alcançar esse objetivo, foi necessário traçar uma trilha metodológica pautada principalmente pela observação direta e relatos de vida coletados no CAXO da Boa Vista, além da pesquisa participante, possibilitando maior entendimento da realidade dos sujeitos. A agricultura é uma das bases da noção de território para os Xukuru do Ororubá. A agricultura produz, alimenta, encanta e também ensina. Nesse contexto, o CAXO da Boa Vista aparece como um espaço que valoriza a agricultura enquanto modo de vida ao abrigar o Terreiro da Boa Vista, vértice do material e do espiritual. Estudar povos indígenas e suas visões de mundo é romper com os pensamentos coloniais de homogeneidade e subverter a própria ciência geográfica em busca de novos paradigmas.


  • Mostrar Abstract
  • Agricultura e sagrado sempre estiveram imbricados na história humana. Até mesmo etimologicamenteas palavras se relacionam. A prática agrícola fazparte do cotidiano e da vida religiosa de diversos povos, como é o caso dos Xukuru do Ororubá. Esta etnia tem seu território nos municípios de Pesqueira e Poção-PE, a cerca de 215 km de Recife. Os Xukuru do Ororubá associaram-se permanentemente à agricultura e enxergam nesta atividade uma forma de se relacionar com os encantados, os espíritos dos que já se foram. Apesar do período de domínio latifundiário e fabril, esse povo originário manteve suas práticas em“ilhas de resistência”. A agricultura foi uma das principais pautas durante as retomadas por terras. Após a homologação do território, a atividade agrícola foi primordial enquanto estratégia de manutenção e gestão territorial, fortalecendo a identidade do grupo e subvertendo os ideais coloniais da época dos fazendeiros. A partir disso, essa pesquisa tem como cerne compreender como a agricultura do sagrado fortalece a identidade do povo Xukuru do Ororubá. Para alcançar esse objetivo, foi necessário traçar uma trilha metodológica pautada principalmente pela observação direta e relatos de vida coletados no CAXO da Boa Vista, além da pesquisa participante, possibilitando maior entendimento da realidade dos sujeitos. A agricultura é uma das bases da noção de território para os Xukuru do Ororubá. A agricultura produz, alimenta, encanta e também ensina. Nesse contexto, o CAXO da Boa Vista aparece como um espaço que valoriza a agricultura enquanto modo de vida ao abrigar o Terreiro da BoaVista, vértice do material e do espiritual. Estudar povos indígenas e suas visões de mundo é romper com os pensamentos coloniais de homogeneidade e subverter a própria ciência geográfica em busca de novos paradigmas.

6
  • ANA CLAUDIA DA SILVA
  • O PROCESSO DE REPRODUÇÃO DO ESPAÇO E A MERCANTILIZAÇÃO DO LUGAR: um olhar sobre a Vila da Fábrica, Camaragibe/PE

  • Orientador : ANA CRISTINA DE ALMEIDA FERNANDES
  • MEMBROS DA BANCA :
  • ANA CRISTINA DE ALMEIDA FERNANDES
  • BERTRAND ROGER GUILLAUME COZIC
  • THIAGO ADRIANO MACHADO
  • Data: 05/08/2022

  • Mostrar Resumo
  • O bairro da Vila da Fábrica, situado no município de Camaragibe constitui, no período atual, um espaço de possibilidades para a expansão da lógica imobiliária típica da Região Metropolitana do Recife (RMR) no que se refere a extração de rendas do uso e apropriação do espaço urbano. Antigo território da pioneira indústria têxtil da RMR, Camaragibe apresenta, na sua configuração socioespacial, uma sucessão de etapas relacionadas a renovação do solo urbano. A análise empreendida no presente estudo, perpassa a contextualização histórica da Vila tomando-se como referência o par dialético constituído pela reprodução do espaço e a mercantilização do lugar, no qual o espaço é, ao mesmo tempo, produto, meio e condição da sociedade que o produz. Nesse contexto, partindo-se das categorias de análise, espaço e lugar, ancoradas pelo Sistema de Objetos, Sistemas de Ações e Espacialidades do capital, tem-se no valor de troca os nexos que permitem que a pesquisa contemple a transformação do espaço e seu remanejamento enquanto mercadoria. No quadro desse arcabouço conceitual, a pesquisa se propôs a analisar as transformações socioespaciais ocorridas na Vila da Fábrica, após o início da implantação do complexo imobiliário Reserva Camará, destacando as distintas percepções de seus moradores. A dinâmica econômica que marcou as primeiras décadas desse século vai suscitar o processo de revitalização de áreas degradadas que, no caso desse estudo, utilizará a marca da industrialização como elemento da comunicação empresarial destinada ao novo uso do espaço. Transformada em empreendimento imobiliário, a antiga fábrica e sua vila operária possibilitaram nova fronteira para o avanço do capital imobiliário da RMR. A pesquisa, de caráter qualitativo, faz uso de instrumentos metodológicos como: levantamento bibliográfico, questionários e entrevistas semiestruturadas com moradores de diferentes gerações. Nesse contexto, o presente trabalho ganha relevo, não apenas para se compreender a transformação imobiliária específica da Vila da Fábrica em Camaragibe, mas também de outros lugares que passam pelo processo de mercantilização de seus espaços em período recente. Além disso, as conexões dos fenômenos ocorridos no lugar podem fornecer subsídios no campo da Geografia a análises de processos de transformação de áreas urbanas, no sentido de oferecer procedimentos de investigação que empregam práticas integradoras e participativas, estimulando o envolvimento dos sujeitos com a reprodução espacial local, estando esse processo enquadrado em qualquer escala.


  • Mostrar Abstract
  • Composta de um contexto histórico plural, a Vila da Fábrica constitui, no período atual, um espaço de possibilidades para a aplicação da lógica urbana, no que se refere a diversas formas de uso e apropriação do espaço. O município de Camaragibe é integrante da Região Metropolitana do Recife e apresenta, na sua configuração socioespacial, uma sucessão de etapas relacionadas a renovação do espaço. A análise da Vila da Fábrica perpassa pela sua contextualização Geo-histórica onde o par dialético constituído pela reprodução do espaço e a mercantilização do lugar, demanda considerar que o espaço é, ao mesmo tempo produto, meio e condição da sociedade que o produz. Nesse contexto, é tomando como base as categorias de análise, espaço e lugar, ancoradas pelo Sistema de Objetos, Sistemas de Ações e Espacialidades do capital impostas pelos nexos que envolvem o valor de troca pelo valor de uso permitindo que a pesquisa contemple a transformação do espaço e de seu remanejamento enquanto mercadoria. Como objetivo principal, a pesquisa se propôs a analisar como as transformações socioespaciais ocorridas na Vila da Fábrica, bairro de um contexto histórico plural, podem, com o passar do tempo, promover sucessivas mudanças no espaço resultando na mercantilização do lugar. A marca da industrialização na Vila da Fábrica, tornou esse espaço atrativo ao avanço do capital financeiro, transformando-o em uma área altamente possível de revalorização diante do adensamento urbano relacionado à metrópole e da chegada do empreendimento do “Complexo Imobiliário Reserva Camará”. Nesse contexto, considerar a instalação de “novos empreendimentos imobiliários”, em áreas outrora constituídas por fábricas que foram desativadas, torna-se um processo relevante dentro de se ter uma perspectiva mais igualitária quando se trata do uso e da apropriação do espaço. A abordagem qualitativa da pesquisa faz uso de instrumentos metodológicos como: levantamento bibliográfico, entrevistas semiestruturadas e questionários. Nesse contexto, o presente trabalho ganha relevo não apenas para se compreender a realidade específica da Vila da Fábrica em Camaragibe, mas também, de outros lugares que passam por transformações equivalentes em grandes áreas urbanas brasileiras. Além disso, as conexões dos fenômenos ocorridos no lugar podem fornecer subsídio ao trabalho da Geografia, permitindo ainda que os estudos voltados às análises apresentem novas possibilidades de trabalhar as práticas integradoras de apropriação e uso do solo urbano com a participação, sem distinção, de todos os sujeitos envolvidos na reprodução do espaço.

7
  • ARTHUR VINNICIUS PATZDORF LUCENA
  • A COMUNIDADE VILA DO VINTÉM DIANTE DOS ENCAMINHAMENTOS DA URBANIZAÇÃO NO RECIFE

  • Orientador : DORALICE SÁTYRO MAIA
  • MEMBROS DA BANCA :
  • BERTRAND ROGER GUILLAUME COZIC
  • DEMÓSTENES ANDRADE DE MORAES
  • DORALICE SÁTYRO MAIA
  • Data: 29/08/2022

  • Mostrar Resumo
  • A presente dissertação busca compreender as características da Vila do Vintém, comunidade localizada no noroeste da cidade do Recife. Originalmente formada por habitações precárias às margens do Rio Capibaribe desde os anos 1960, a comunidade atualmente encontra-se sob o risco de desaparecer, apesar das proteções e garantias de constituir uma Zona Especial de Interesse Social há quase 30 anos. Análises de fotos e fotocartas antigas foram feitas neste trabalho, pois mostram a reorganização espacial ‘do Vintém’ nas últimas décadas, revelando que antigos domínios da comunidade são atualmente obras públicas de infraestrutura ou grandes empreendimentos imobiliários. Observa-se que, a valorização do espaço ocupado pela comunidade, e de seu entorno, foi responsável pela remoção de grande parte dos moradores a partir do final do século passado, diminuindo o domínio das habitações mais simples do local para potencializar os investimentos empresariais. Para o aprofundamento das análises desta dissertação, foram necessárias visitas in loco à comunidade, que proporcionaram compreensão do seu domínio e da estrutura física das habitações, coletas de depoimentos e conversas informais com os moradores. Mostrar os desafios atuais da Vila do Vintém representa trazer à luz um grave problema da urbanização do Recife, em que várias outras comunidades estão sob o risco de deixar de existir, exemplos de exclusão dos mais pobres em determinadas áreas da cidade.


  • Mostrar Abstract
  • A Vila do Vintém hoje é um pequeno quarteirão de casas ‘espremido’ entre grandes edificações – construções erguidas em antigos domínios de habitações populares extintas na localidade. As condições atuais da comunidade resultam de uma série de ações do poder público e da iniciativa privada nas últimas décadas, quando as garantias das ZEIS foram substituídas pelo interesse do mercado. Desta forma, uma área de grande
    dinâmica comercial e de prestação de serviços firmou-se no entorno ‘do Vintém’, sendo que, com serviços voltados para um público de alta renda da cidade. Os bairros do Parnamirim, Casa Forte, Torre e Santana passaram por modificações substanciais nos últimos anos, de um perfil residencial histórico passaram a representar áreas de intensa atuação do capital global na cidade. Remoções de grande número de moradores ‘do Vintém’, em diferentes anos, mostram uma disputa pelo espaço urbano cada vez mais valorizado economicamente nesta área da cidade. Por conseguinte, moradores mais pobres foram ‘forçados’ a ceder seu espaço a favor da entrada de altos investimentos, direcionados para serviços ou moradias das parcelas mais altas da sociedade. Enquanto os moradores da comunidade eram realocados em outros pontos da cidade, ou até mesmo fora dela. A redução contínua das áreas de habitação popular torna urgente o resgate do propósito das ZEIS e, em particular, do significado desta comunidade para o bairro onde se localiza. Os objetivos específicos da pesquisa são: os objetivos específicos da pesquisa: i) identificar os atores principais que direcionam a urbanização no Recife a partir da segunda metade do século passado, quando novos encaminhamentos da economia mundial refletiram em uma reconfiguração espacial da cidade; ii) verificar as conquistas dos direitos da habitação popular na cidade como resultado da luta dos movimentos populares, devido à crescente desigualdade urbana nos países periféricos do sistema capitalista global.

8
  • THIAGO HENRIQUE ARAUJO SILVA
  • PANKARARU E A POLISSEMIA DO ESPAÇO DEMARCADO: uma análise do território após a regularização das terras indígenas em Pernambuco

  • Orientador : ALCINDO JOSE DE SA
  • MEMBROS DA BANCA :
  • ALCINDO JOSE DE SA
  • EDSON HELY SILVA
  • SANDOVAL DOS SANTOS AMPARO
  • Data: 30/08/2022

  • Mostrar Resumo
  • As populações indígenas do Brasil enfrentam inúmeros desafios para reprodução sociocultural. Segunda maior população indígena em Pernambuco, o povo Pankararu se depara com incertezas em relação à sua reprodução física e cultural em virtude dos embates territoriais em que estão inseridos. Esses indígenas, habitando entre os municípios de Tacaratu, Jatobá e Petrolândia, no sertão pernambucano, se encontram vulneráveis socio culturalmente, pois embora com duas terras indígenas registradas, Terra Indígena Pankararu 1987 e Terra Indígena Entre Serras 2006, lidam cotidianamente com os questionáveis e frágeis parâmetros demarcatórios, limitando as possibilidades de gestão do território e os separando espacialmente de um ente protagonista de sua cultura: o Opará, ou rio São Francisco, espaço de existência física e espiritual. Com esse estudo, dividido em três capítulos, pretendemos entender inicialmente a trajetória espacial Pankararu, desde a produção do que hoje são os Pankararu e seu território, considerando as escalas da colonização, e as formas de apropriação da terra provenientes desta forma de territorialização. No segundo capítulo, pretendemos compreender o espaço demarcado após a regularização das terras indígenas, colocando em debate as complexidades históricas da formação do território com o contexto pós-demarcação e as dificuldades de gestão territorial. No terceiro capítulo, investigamos a mobilização feita por parte do povo Pankararu para voltar às margens do São Francisco, rompendo com o confinamento das terras regularizadas e retomando um território histórico e formatando um outro agrupamento étnico: Pankararu Opará. A partir da pesquisa histórica com fontes documentais, bibliografia e entrevistas objetivamos compreender as inúmeras problemáticas acima citadas. Foi desenvolvida reflexão teórica com ênfase na geografia política, pondo em tela as categorias território, território indígena, fronteira e como essas categorias pode se chocam com os avanços jurídicos relativos aos povos indígenas, sobretudo após a Constituição de 1988. O estudo considera as pautas dos sujeitos locais como fundamento da pesquisa, sendo também o método empírico primordial para construção da Dissertação. Pretendeu-se ao fim, compreender os desafios do povo Pankararu, para amplificação do debate em torno das questões suscitadas pela pesquisa, de modo que os interesses desses indígenas sejam considerados, contemplando as aspirações territoriais do povo Pankararu.


  • Mostrar Abstract
  • Segunda maior população indígena de Pernambuco, o povo Pankararu se depara com incertezas em relação a sua reprodução física e cultural em virtude dos embates territoriais em que estão inseridos. Esses indígenas, situados entre os municípios de Tacaratu, Jatobá e Petrolândia, em Pernambuco, embora possuam duas terras homologadas e registradas (Terra Indígena Pankararu e Terra Indígena Entre Serras), lidam cotidianamente com os questionáveis e vulneráveis limites demarcatórios que limitam as potencialidades de gestão do território e os apartam espacialmente de um ente protagonista de sua história: o Opará, ou rio São Francisco. Este texto pretende investigar o espaço demarcado e a transgressão deste, entendendo as complexidades históricas da formação do território Pankararu, considerando as escalas da colonização, e as formas de apropriação da terra provenientes desta, e o contexto demarcatório e pós-demarcatório, lançando mão de visitas ao território, bem como pesquisa histórica - fontes documentais, bibliografia, entrevistas. Será desenvolvida ainda análise sobre a categoria “território indígena” e sua consideração prática diante do advento das Terras Indígenas, espaço geográfico mobilizado legalmente - sobretudo após a Constituição de 1988 - para garantia de direito dos povos originários. O estudo considera as pautas dos sujeitos locais como fundamento da investigação, sendo também o método empírico primordial para construção da dissertação.

9
  • VITOR MATIAS DE SOUSA
  • CONFLITOS TERRITORIAIS EM COMUNIDADES QUILOMBOLAS: Reflexões na produção periódica da Geografia brasileira (2000-2022)

  • Orientador : RODRIGO DUTRA GOMES
  • MEMBROS DA BANCA :
  • CLAUDIO UBIRATAN GONCALVES
  • RODRIGO DUTRA GOMES
  • TALITHA LUCENA DE VASCONCELOS
  • Data: 30/08/2022

  • Mostrar Resumo
  • Durante o desenvolvimento do pensamento geográfico brasileiro, no seu paradigma moderno, participou das representações sobre o território, da população e dos povos que os compõe – a exemplo dos conflitos territoriais das comunidades quilombolas. Apesar de muitas pesquisas e publicações estarem sendo realizadas sobre as tensões territoriais entre as comunidades quilombolas no Brasil, ainda têm sido pouco explorado o panorama de discussão e resultados que estas pesquisas tem trazido, ou seja, sobre qual o panorama epistemológico dessas produções. A verificação de tal panorama se torna pertinente frente à tradição de interpretação ao qual essas tensões foram historicamente refletidas no Brasil. Nesse sentido, estariam os estudos na geografia sobre as comunidades quilombolas inseridos num circulo de renovação epistêmica frente ao colonialismo do pensamento moderno geográfico? Torna-se, assim, importante examinar como está sendo abordados os conflitos quilombolas nas pesquisas acadêmicas, sendo os periódicos indexados os principais meios de publicação que mantém a disciplina atualizada. Diante desse problema nosso objetivo geral é realizar um exame epistemológico da produção periódica da geografia sobre conflitos territoriais quilombolas no Brasil. (2000-2022). Os objetivos específicos são, primeiro, contextualizar a discussão dos conflitos quilombolas no contexto material histórico dos conflitos contemporâneos; segundo, realizar um levantamento e análise dos artigos publicados em revistas periódicas indexadas de geografia; e analisar a forma como abordam a temática quilombola; terceiro, realizar um exame epistemológico das temáticas e categorias geográficas trabalhadas nos artigos no contexto das situações de conflitos abordada dentro da temática. A contextualização se baseou fundamentalmente na incorporação de dados de conflitos por terra da Comissão Pastoral da Terra (CPT) envolvendo os quilombos entre os anos 2011-2020 que trará para o nosso discurso um panorama da situação dos conflitos territoriais em escalas regionais que serão expostas nas formas de mapas dos conflitos serão cruzadas com informações quantitativas do IBGE e INCRA relacionadas aos sujeitos quilombolas. Foram realizados levantamentos de artigos de revistas brasileiras sobre o tema das comunidades quilombolas, mapeando pelo levantamento das publicações e se elas escalonam com a tensão nos conflitos por terra dos quilombos. A regionalidade das publicações também foi considerada, verificando se as pesquisas de estudos de casos estão relacionadas com os conflitos por terra levantados anteriormente. Por fim, Examinamos os conceitos geográficos nos artigos analisados, se há relevância do diálogo com as questões raciais e as relações étnicas nas pesquisas e como seus conceitos se relacionam no discurso das questões teóricas do tema quilombola. Concluímos que o aumento dos estudos sobre quilombos nos periódicos são reflexos de uma mudança paradigmática na geografia que está retomando o olhar étnico-racial negro nas relações desiguais de poder e da divisão social de classe; ou na consideração de legitimar outro olhar negro de concepção para o mundo. Um olhar do ponto de vista do território negro, de dentro do quilombo, para podermos agir/pensar através de uma construção de outro mundo desde os quilombos, por uma epistemologia negra.


  • Mostrar Abstract
  • O que se pretende nesta pesquisa, é investigar como a geografia acadêmica está abordando o tema dos conflitos territoriais das comunidades quilombolas no Brasil. Durante o desenvolvimentodo pensamento geográfico brasileiro, no seu paradigma moderno, participou das representações sobre o território, da população e dos povos que os compõem – a exemplo dos conflitos territoriais das comunidades quilombolas. Apesar de muitas pesquisas e publicações estarem sendo realizadas sobre as tensões territoriais entre as comunidades quilombolas no Brasil, ainda têm sido pouco explorado o panorama de discussão e resultados que estas pesquisas tem trazido, ou seja, sobre qual o panorama epistemológico dessas produções. A verificação de tal panorama se torna pertinente frente à tradição de interpretação ao qual essas tensões foram historicamente refletidas no Brasil. Nesse sentido, estariam os estudos na geografia sobre as comunidades quilombolas inseridos nesse circulo de renovação epistêmica de ressignificado dos quilombos frente ao colonialismo do pensamento moderno geográfico? Torna-se, assim, importante examinar como está sendo abordados os conflitos quilombolas nas pesquisas acadêmicas, sendo os periódicos indexados os principais meios de publicação que mantém a disciplina atualizada. Diante desse problema nosso objetivo geral é realizar um exame epistemológico da produção periódica da geografia sobre conflitos territoriais quilombolas no Brasil. (2000-2022). Para tanto, os objetivos específicos são, primeiro, contextualizar a discussão dos conflitos quilombolas no contexto histórico e decolonial contemporâneo; segundo, realizar um levantamento e análise dos artigos publicados em revistas periódicas indexadas de geografia; e analisar a forma como abordam a temática quilombola; terceiro, realizar um exame epistemológico das temáticas e categorias geográficas trabalhadas nos artigos no contexto colonial e decolonial. A contextualização se baseará fundamentalmente nas contribuições de autores como o quilombola Nego Bispo (2015) com os conceitos de“colonizadores e contracolonizadores”, Aníbal Quijano (1992, 2005) traz o conceito decolonialidade e Moura (1988, 1992, 2014) introduzem a questão etnico-racial na dialética da relação contraditória conceituada como“conflitualidade” trazida por Fernandes (2005, 2008) em que supomos os quilombos são movimentos socioterritoriais. A incorporação de dados deconflitos por terra da Comissão Pastoral da Terra(CPT) envolvendo os quilombos entre os anos 2011-2020 trará para contextualização um panorama da situação em escalas regionais que serão expostas nas formas de mapas dos conflitos serão cruzadas com informações quantitativas do IBGE e INCRA relacionadas aos sujeitos quilombolas.
    Foram realizados levantamento de artigos de revistas brasileiras sobre o tema das comunidades quilombolas, mapeando pelo levantamento das publicações e se elas escalonam com a tensão nos conflitos por terra dos quilombos. A regionalidade das publicações também foi considerada,verificando se as pesquisas de estudos de casos estão relacionadas com os conflitos por terra levantados anteriormente. Por fim, Examinaremos quais os conceitos geográficos acionados nos artigos analisados, se há relevância do diálogo com as questões raciais e as
    relações étnicas nas pesquisas e como seus conceitos se relacionam no discurso das questões teóricas do tema quilombola.

10
  • PEDRO HENRIQUE TEIXEIRA VILELA
  • UNS PEDACINHOS DO BRASIL: Música Brega e identidades de Nordeste

  • Orientador : ALCINDO JOSE DE SA
  • MEMBROS DA BANCA :
  • ALESSANDRO DOZENA
  • ALCINDO JOSE DE SA
  • CAIO AUGUSTO AMORIM MACIEL
  • DAVID TAVARES BARBOSA
  • Data: 30/08/2022

  • Mostrar Resumo
  • Nesta dissertação pretende-se apreender e analisara relação entre Geografia e Música a respeito da música Cafona/Brega no Nordeste do Brasil, suas evocações espaciais, ressaltando a importância para a cultura e população locais. Neste trabalho pretendemos sublinhar através de artistas e suas canções do gênero tais como Reginaldo Rossi, Carlos Alexandre, Elino Julião, Balthazar, Genival Santos, Raimundo Soldado quais os aspectos levantados e como essas obras possibilitaram o enriquecimento do imaginário sobre o Nordeste. Compreende-se nas ciências humanas que a dimensão musical e/ou as “sonoridades” estão diretamente ligadas aos conceitos de cultura e identidade, como um dos fatores estruturantes deles próprios. Ademais, com a constituição da indústria cultural do pós-guerra, os conglomerados capitalistas, além de lucrar com a difusão dos meios de cultura, passaram a “moldar” o comportamento das massas, o que, direta ou indiretamente alterou a percepção dos arranjos espaciais e de identidades coletivas da sociedade. No Brasil a formação dos imaginários de país, ou de Região (no caso do Nordeste), através da cultura e, no caso, da música, também seguiu essa tendência e moldou-se a partir de cancioneiros que eram ou foram apropriados pela indústria cultural, como por exemplo, Luiz Gonzaga, Alceu Valença, Geraldo Azevedo, Zé e Elba Ramalho, Elomar, Fagner, Moraes Moreira, etc. No entanto, vemos artistas que, mesmo sendo e cantando um gênero hegemônico nas gravadoras e rádios (no caso a música cafona/brega) quase sempre eram postos num segundo plano dentro da lógica da indústria cultural, porém, em certas ocasiões, estes evocaram e cantaram espacialidades do Nordeste, é justamente sobre estas espacialidades que pretendemos aqui debater.


  • Mostrar Abstract
  • Nesta dissertação pretende-se apreender e analisar a relação entre Geografia e Música a respeito da música Cafona/Brega no Nordeste do Brasil, suas evocações espaciais, ressaltando a importância para a cultura e população locais. Neste trabalho pretendemos sublinhar através de artistas e suas canções do gênero, quais os aspectos levantados e como essas obras possibilitaram o enriquecimento do imaginário sobre o Nordeste. É razoavelmente consensual nas ciências humanas que a dimensão musical e/ou as “sonoridades” estão diretamente ligadas a conceitos de cultura e identidade, como um dos fatores estruturantes deles próprios. Ademais, com a constituição da indústria cultural do pós-guerra, os conglomerados capitalistas, além de lucrar com a difusão dos meios de cultura, passaram a “moldar” o comportamento das massas, o que, direta ou indiretamente alterou a percepção dos arranjos espaciais e de identidades coletivas da sociedade. No Brasil, a formação de imaginário de país, ou de Região (no caso do Nordeste), através da cultura e, no caso, da música, também seguiu essa tendência e moldou-se a partir de cancioneiros que eram ou foram apropriados pela indústria cultural, como por exemplo, Luiz Gonzaga, Alceu Valença, Geraldo Azevedo, Zé e Elba Ramalho, Elomar, Fagner, Moraes Moreira, etc. No entanto,vemos artistas que, mesmo sendo e cantando um gênero hegemônico nas gravadoras e rádios (no caso a música cafona/brega) quase sempre eram postos num segundo plano dentro da lógica da indústria cultural, porém, em certas ocasiões, estes evocaram e cantaram espacialidades do Nordeste, é justamente sobre estas espacialidades que pretendemos aqui debater.

Teses
1
  • EVIO MARCOS DE LIMA
  • EVOLUÇÃO GEOMORFOLÓGICA DA BACIA DO RIO CANHOTO, PERNAMBUCO, A PARTIR DE DADOS MORFOCLIMÁTICOS E NEOTECTÔNICOS

  • Orientador : ANTONIO CARLOS DE BARROS CORREA
  • MEMBROS DA BANCA :
  • ANTONIO CARLOS DE BARROS CORREA
  • BRUNO DE AZEVEDO CAVALCANTI TAVARES
  • DEMETRIO DA SILVA MUTZENBERG
  • KLEYTHON DE ARAUJO MONTEIRO
  • OSVALDO GIRAO DA SILVA
  • Data: 30/05/2022

  • Mostrar Resumo
  • O trabalho da geomorfologia é investigar os processos que dão forma ao relevo da superfície terrestre, assim essa pesquisa envolve a compreensão evolutiva dos fenômenos participantes dessa construção. Foram investigadas as composições paisagísticas da bacia hidrográfica do rio Canhoto, agreste pernambucano, sua interação dinâmica e a influência morfotectônica para o desenvolvimento de modelos evolutivos  do relevo. Foram identificadas as paisagens integrantes do recorte espacial estudado, seguindo técnica de modelagem cartográfica. Em seguida, foram coletadas amostras de depósitos estruturadores dos modelados de acumulação para realização de análises sedimentológicas. Concomitantemente foram investigados os possíveis controles  morfotectônicos e elaborados modelos tridimensionais interpretativos com base  no  cruzamento  dessas  informações. Os resultados obtidos apontam para  a elaboração de paisagens  de acordo com  o contexto ambiental geral  da região,  com zonas específicas atreladas a controles de menor expressão escalar. Também foram apontadas relações  diretas entre as paisagens identificadas e os processos dinâmicos de produção de  sedimentos quaternários. Finalmente, os dados apontaram para a modificação nos mecanismos de distribuição de materiais erodidos sobre a paisagem, a partir da entrada no holoceno. Embora a dinâmica deposicional  tenha sofrido a influência das pulsações climáticas, o controle  da  distribuição espacial dos sobre  a  deposição  se  deu  a  partir  de  condicionantes  morfotectônicos,  conforme evidenciado  em  diversos  pontos  da  bacia. Os modelos de paisagem elaborados apontam para diferenças nos controles  geológico-estruturais e ambientais. A metodologia empregada possibilitou correlacionar  aspectos diversos da paisagem física que resultou na composição dos modelos evolutivos.


  • Mostrar Abstract
  • O trabalho da geomorfologia é investigar os processos que dão forma ao relevo da superfície terrestre, assim essa pesquisa envolve a compreensão evolutiva dos fenômenos participantes dessa construção. Foram investigadas as composições paisagísticas da bacia hidrográfica do rio Canhoto, agreste pernambucano, sua interação dinâmica e a influência morfotectônica para o desenvolvimento de modelos evolutivos  do relevo. Foram identificadas as paisagens integrantes do recorte espacial estudado, seguindo técnica de modelagem cartográfica. Em seguida, foram coletadas amostras de depósitos estruturadores dos modelados de acumulação para realização de análises sedimentológicas. Concomitantemente foram investigados os possíveis controles  morfotectônicos e elaborados modelos tridimensionais interpretativos com base  no  cruzamento  dessas  informações. Os resultados obtidos apontam para  a elaboração de paisagens  de acordo com  o contexto ambiental geral  da região,  com zonas específicas atreladas a controles de menor expressão escalar. Também foram apontadas relações  diretas entre as paisagens identificadas e os processos dinâmicos de produção de  sedimentos quaternários. Finalmente, os dados apontaram para a modificação nos mecanismos de distribuição de materiais erodidos sobre a paisagem, a partir da entrada no holoceno. Embora a dinâmica deposicional  tenha sofrido a influência das pulsações climáticas, o controle  da  distribuição espacial dos sobre  a  deposição  se  deu  a  partir  de  condicionantes  morfotectônicos,  conforme evidenciado  em  diversos  pontos  da  bacia. Os modelos de paisagem elaborados apontam para diferenças nos controles  geológico-estruturais e ambientais. A metodologia empregada possibilitou correlacionar  aspectos diversos da paisagem física que resultou na composição dos modelos evolutivos.

2
  • CARLOS DE OLIVEIRA BISPO
  • ESCALA ATUAL E PRETÉRITA NA ANÁLISE DE ESCORREGAMENTOS TRANSLACIONAIS: MODELOS MATEMÁTICOS E DINÂMICAS QUATERNÁRIAS NA FACE ORIENTAL DA CHAPADA DO ARARIPE, NORDESTE DO BRASIL

  • Orientador : FABRIZIO DE LUIZ ROSITO LISTO
  • MEMBROS DA BANCA :
  • DÉBORAH DE OLIVEIRA
  • VANIA SILVIA ROSOLEN
  • TULIUS DIAS NERY
  • FABRIZIO DE LUIZ ROSITO LISTO
  • RANYERE SILVA NOBREGA
  • Data: 08/06/2022

  • Mostrar Resumo
  • Escorregamentos são processos de dinâmica natural das encostas cujos principais condicionantes são parâmetros físicos, todavia podem ser induzidos por influência antrópica. Os mesmos ocorrem em uma variedade de escalas, espaciais e temporais. O mapeamento de áreas com predisposição a estes processos tem sido recomendado por órgãos governamentais e acadêmicos, em consonância com a Lei Federal n. 12.608, a qual instituiu a Política Nacional de Proteção e Defesa Civil (PNPDEC). O objetivo geral desta pesquisa consiste em avaliar a suscetibilidade atual e pretérita a escorregamentos translacionais rasos na face oriental da Chapada do Araripe, Nordeste do Brasil, por meio da modelagem matemática determinística e heurística e de métodos geocronológicos. Especificamente, objetiva-se: avaliar cicatrizes de escorregamentos atuais; comparar cenários de suscetibilidade (SHALSTAB e AHP) à ocorrência de escorregamentos; definir o melhor cenário de suscetibilidade; analisar geocronologicamente os depósitos coluviais e contextualizar a evolução morfodinâmica local em diferentes escalas de tempo. Para análise da dinâmica atual de escorregamentos em escala recente (~100 anos com variações de uso e ocupação da terra), foram utilizados dois modelos matemáticos, determinístico e heurístico, para prever os graus de suscetibilidade das encostas. Na dinâmica pretérita, empregou-se a técnica de datação por Luminescência Opticamente Estimulada (LOE), que permite alcançar uma escala temporal entre 100 anos antes do presente (A.P.) até 1Ma. Foram gerados quatro cenários de  suscetibilidade (dois pelo modelo SHALSTAB e dois pelo AHP), validados a partir da sobreposição a um inventário de cicatrizes de escorregamentos para o cálculo do índice Concentração de Cicatrizes (CC) e teste de acurácia via curva ROC. Para a dinâmica pretérita foram correlacionadas datações por LOE com eventos documentados ao longo do Quaternário. Quanto aos principais resultados, o cenário de suscetibilidade que apresentou melhor acurácia foi o cenário A1 do modelo SHALSTAB. As idades datadas e os dados granulométricos demonstraram eventos de desestabilização da paisagem ocorridos, pelo menos, desde o Pleistoceno Superior com vários momentos de oscilações, entre estabilidade e instabilidade, provocadas, principalmente, pelas flutuações climáticas. Assim, por meio de análise conjunta verificou-se que a morfogênese quaternária do relevo da Chapada do Araripe advém de ciclos glaciais e mudanças paleoclimáticas associadas às latitudes tropicais, responsáveis por processos erosivos e pedogenéticos, que por sua vez, contribuíram para as
    diversas configurações morfológicas desde os tempos mais pretéritos ao atual. A correlação de fenômenos climáticos gera um período de grande pluviosidade e, dessa forma, fomenta a suscetibilidade a escorregamentos translacionais.


  • Mostrar Abstract
  • Escorregamentos são processos de dinâmica natural das encostas cujos principais condicionantes são parâmetros físicos, todavia podem ser induzidos por influência antrópica. Os mesmos ocorrem em uma variedade de escalas, espaciais e temporais. O mapeamento de áreas com predisposição a estes processos tem sido recomendado por órgãos governamentais e acadêmicos, em consonância com a Lei Federal n. 12.608, a qual instituiu a Política Nacional de Proteção e Defesa Civil (PNPDEC). O objetivo geral desta pesquisa consiste em avaliar a suscetibilidade atual e pretérita a escorregamentos translacionais rasos na face oriental da Chapada do Araripe, Nordeste do Brasil, por meio da modelagem matemática determinística e heurística e de métodos geocronológicos. Especificamente, objetiva-se: avaliar cicatrizes de escorregamentos atuais; comparar cenários de suscetibilidade (SHALSTAB e AHP) à ocorrência de escorregamentos; definir o melhor cenário de suscetibilidade; analisar geocronologicamente os depósitos coluviais e contextualizar a evolução morfodinâmica local em diferentes escalas de tempo. Para análise da dinâmica atual de escorregamentos em escala recente (~100 anos com variações de uso e ocupação da terra), foram utilizados dois modelos matemáticos, determinístico e heurístico, para prever os graus de suscetibilidade das encostas. Na dinâmica pretérita, empregou-se a técnica de datação por Luminescência Opticamente Estimulada (LOE), que permite alcançar uma escala temporal entre 100 anos antes do presente (A.P.) até 1Ma. Foram gerados quatro cenários de  suscetibilidade (dois pelo modelo SHALSTAB e dois pelo AHP), validados a partir da sobreposição a um inventário de cicatrizes de escorregamentos para o cálculo do índice Concentração de Cicatrizes (CC) e teste de acurácia via curva ROC. Para a dinâmica pretérita foram correlacionadas datações por LOE com eventos documentados ao longo do Quaternário. Quanto aos principais resultados, o cenário de suscetibilidade que apresentou melhor acurácia foi o cenário A1 do modelo SHALSTAB. As idades datadas e os dados granulométricos demonstraram eventos de desestabilização da paisagem ocorridos, pelo menos, desde o Pleistoceno Superior com vários momentos de oscilações, entre estabilidade e instabilidade, provocadas, principalmente, pelas flutuações climáticas. Assim, por meio de análise conjunta verificou-se que a morfogênese quaternária do relevo da Chapada do Araripe advém de ciclos glaciais e mudanças paleoclimáticas associadas às latitudes tropicais, responsáveis por processos erosivos e pedogenéticos, que por sua vez, contribuíram para as
    diversas configurações morfológicas desde os tempos mais pretéritos ao atual. A correlação de fenômenos climáticos gera um período de grande pluviosidade e, dessa forma, fomenta a suscetibilidade a escorregamentos translacionais.

3
  • CARLOS ALBERTO DUARTE DE SOUZA
  • A VIOLÊNCIA CRIMINOSA NA CIDADE DO RECIFE-PE ENTRE 1980 A 2018: DAS RECONFIGURAÇÕES NO ESPAÇO URBANO À PSEUDO-SEGURANÇA

  • Orientador : ALCINDO JOSE DE SA
  • MEMBROS DA BANCA :
  • AIALA COLARES DE OLIVEIRA COUTO
  • ALCINDO JOSE DE SA
  • PAULO ROGERIO DE FREITAS SILVA
  • PAULO SÉRGIO CUNHA FARIAS
  • SANTIAGO ANDRADE VASCONCELOS
  • Data: 22/08/2022

  • Mostrar Resumo
  • A violência tem se apresentado como algo rotineiro, especialmente, nos grandes centros urbanos. Como sabido, existem formas diversas da violência e certos aspectos promovidos por ela são imensuráveis. Essa subjetividade, levou o presente trabalho a considerar a perspectiva da violência criminosa como aquela que cause dano a outro; e, como “quantificador” de sua atuação, os números de homicídios e/ou crimes violentos letais intencionais. A ideia central é perceber como essa violência atuou na cidade do Recife-PE entre os anos de 1980 a 2018, tendo o medo difundido na população pelos meios de comunicação e, o mesmo, influenciando na reconfiguração do espaço urbano; lendo-se que como consequência o espaço materializa o sentimento do medo em novos rearranjos, atribuindo-lhe uma nova configuração. Esse combo de elementos impulsionam a necessidade de proteger-se e defender o patrimônio. A tese, perpassa justamente no sentido de que a segurança promovida não ultrapassa o sentimento e/ou percepção de insegurança, causando o que busco chamar de “pseudo-segurança”. Independente do volume, qualidade, sofisticação de itens de segurança e da localização, o indivíduo ainda continua com a sensação de insegurança e mantem-se em estado de alerta quase que permanentemente. Em outras palavras, a sociedade apresenta respostas ao cenário colocado como violento e inseguro, mudando a forma de suas residências, agregando apetrechos de segurança, locomovendo-se com cuidado; o poder público investe em policiamento, aparelhamento e proteção do patrimônio e, mesmo assim, para 78% das pessoas da cidade do Recife, há permanência da sensação de medo. Para embasar o trabalho, coloca-se no início, como a Geografia contribui na análise de fenômenos violentos e os conceitos de violência e medo, bem como o que se compreende como “pseudosegurança”. Na sequência, para caracterizar um pouco a leitura do medo da violência criminosa considerou, dentro do recorte temporal mencionado, a verificação em âmbitos nacional, estadual e municipal, passagens em jornais diversos, diários oficiais, sites de governos, livros e artigos da área, que demonstrassem os acontecimentos violentos da época. Esse material permitiu inferir e afirmar questões que, de certa forma, implicaram na forma como a sociedade percebia e se organizava diante desses fatos. Para finalizar e arrematar a ideia, apresenta-se no último capítulo os resultados da coleta de 941 instrumentos aplicados em bairros diversos da cidade do Recife-PE. Tal material permitiu inferir e afirmar, minimamente, acerca da percepção dos moradores da cidade sobre violência, medo e segurança, bem como a mesma se reestrutura diante desses elementos. Ainda, apresenta-se os dados do Instituto Fogo Cruzado, que aponta sobre como as ocorrências violentas ocorrem por bairros. Obviamente, fez se uso das informações oficiais prestadas pelos órgãos oficiais. A partir da análise dos dados e da verificação inloco, verificou-se pistas que demonstram as particularidades espaciais, podendo assim fazer uma relação entre a psicosfera (lugar da produção de um sentido. No caso, o medo da violência criminosa) e tecnosfera (mundo dos objetos. A reconfiguração do espaço pelos aparatos e estratégias de segurança) promulgadas por Santos (1997). O trabalho, além do exposto, buscou, igualmente, aproximar o nível de compreensão espacial à realidade urbana, com a clareza do dinamismo e das rápidas mudanças e, sem grandes pretensões, apresentar uma perspectiva de olhar sobre a reconfiguração urbana em função de uma segurança que atende apenas os anseios de certos segmentos econômicos, mas não entrega o bem-estar de viver em um local que seja bom, justo e seguro para todos.


  • Mostrar Abstract
  • O presente trabalho busca compreender como o medo da violência criminosa, entre os anos de 1980 e 2018, imprimiram na sociedade recifense, posturas em função do medo de tais ocorrências. Logo, entende-se que como consequência o espaço materializa o sentimento do medo em novos rearranjos, atribuindo-lhe uma nova configuração. Utiliza-se na perspectiva conceitual de violência, aquela que cause dano a outro; e, como “quantificador” de sua atuação, os números de homicídios e/ou crimes violentos letais intencionais. Como área de pesquisa tomou-se a cidade do Recife-PE, contudo, para verificar como o sentimento do medo é percebido no espaço, tomou-se como referência os 08 (oito) bairros considerados pelo Instituto Fogo Cruzado, com os que possuem os maiores números de ocorrências violentas e de homicídios. São eles: Cohab Ibura, Pina, Várzea, Imbiribeira, Barro, Jardim São Paulo e Nova Descoberta. Para fazer um paralelo com eles, também verificou-se aqueles que não obtiveram ocorrências violentas, conforme o referido instituto: Casa Forte, Derby , Ilha do Leite, Jaqueira, Paissandu, Pau-Ferro, Peixinhos e Ponto de Parada. No total, dos 94 bairros do Recife, 17% foram observados para essa análise e acredita-se que tal amostragem reflete bem esse aspecto na capital pernambucana. Dessa forma, intentou-se identificar como o sentimento do medo, cada vez mais difundido, opera em locais que são apontados como provedores da violência criminosa e, ao mesmo tempo, são passíveis das ocorrências em seus territórios. Para tanto, a leitura do medo da violência criminosa considerou, dentro do recorte temporal mencionado, a verificação em âmbitos nacional, estadual e municipal, passagens em jornais diversos, diários oficiais, sites de governos, livros e artigos da área, que demonstrassem os acontecimentos violentos da época. Esse material permitiu inferir e afirmar questões que, de certa forma, implicaram na forma como a sociedade percebia e se organizava diante desses fatos. Somado a isso, utilizou-se um instrumento de
    coleta de dados que permitisse inferir minimamente sobre a percepção dos moradores da cidade; e, também dos dados do Instituto Fogo Cruzado, que aponta sobre como as ocorrências violentas ocorrem por bairros. Obviamente, fez se uso das informações oficiais prestadas pelos órgãos oficiais. A partir da análise dos dados e da verificação inloco, verificou-se pistas que demonstram as particularidades territoriais, podendo assim fazer
    uma relação entre a psicoesfera (lugar da produção de um sentido...) e tecnoesfera (mundo dos objetos) promulgadas por Santos (1997). O trabalho, além do exposto, buscou, igualmente, aproximar o nível de compreensão espacial à realidade urbana, com a clareza do dinamismo e das rápidas mudanças.

4
  • CLAUDIO JOSE CABRAL
  • PADRÕES DE DISTRIBUIÇÃO, TIPOLOGIAS E CARACTERÍSTICAS GEOMORFOLÓGICAS DAS MARMITAS DE DISSOLUÇÃO DO SEMIÁRIDO PERNAMBUCANO

  • Orientador : ANTONIO CARLOS DE BARROS CORREA
  • MEMBROS DA BANCA :
  • ANA CLARA MAGALHÃES DE BARROS
  • ANTONIO CARLOS DE BARROS CORREA
  • BRUNO DE AZEVEDO CAVALCANTI TAVARES
  • DANIEL RODRIGUES DE LIRA
  • LUCAS COSTA DE SOUZA CAVALCANTI
  • Data: 25/08/2022

  • Mostrar Resumo
  • As marmitas de dissolução são microformas de relevo originadas a partir da correlação entre a dinâmica interna associada aos fenômenos intempéricos e erosivos, que configuram dinâmica processual da paisagem terrestre. Estas formas de relevo estão distribuídas, em sua maioria, nas regiões onde dominam os climas secos (áridos ou semiáridos), onde o regime tectônicoestrutural apresenta marcas de forte instabilidade. Em Pernambuco a ocorrência dessas formas é reportada em 38 municípios, exibindo geometrias e dimensões variadas. Neste sentido, o principal objetivo da pesquisa é compreender quais são os principais fatores condicionantes para a ocorrência dessas microfeições e o seu padrão de organização espacial, no contexto do semiárido pernambucano, tomando como referência a investigação de três áreas: Distrito de Fazenda Nova, no município de Brejo da Madre de Deus, Distrito de Conceição das Crioulas e Sítio Arqueológico Lagoa Uri de Cima, localizados no município de Salgueiro. Para tanto, foi necessário fazer uso de um encadeamento de metodologias e técnicas de investigação que possibilitassem uma maior compreensão acerca da gênese, evolução e fisiologia do objeto de estudo, no contexto das paisagens secas do Agreste e Sertão de Pernambuco. A metodologia empregada baseou-se na identificação das áreas de ocorrências de marmitas e relevos graníticos em trabalhos acadêmicos, uso de SIGs, imagens de satélites, técnicas de sensoriamento remoto, geoprocessamento, análise petrográfica e geoquímica. Tais procedimentos contribuíram para a compreensão da distribuição espacial e os tipos de relevos graníticos existente nas áreas investigadas. A partir dos dados levantados em campo, processados e analisados em laboratório, foi possível traçar parâmetros que servem para indicar os fatores endógenos e exógenos envolvidos na gênese e processos na formação de tais formas. Os resultados reafirmam a importância do estudo na busca por uma melhor compreensão das dinâmicas superficial e sub-superficial vigentes nas paisagens secas do Nordeste Brasileiro, nos contextos atual e pretérito, sob a luz de uma abordagem morfoestrutural e morfoclimática, o que nos permite entender mais afundo a relação constante sobre o substrato terrestre.


  • Mostrar Abstract
  • As marmitas de dissolução são microformas de relevo originadas a partir da correlação entre a dinâmica interna associada aos fenômenos intempéricos e erosivos, que configuram dinâmica processual da paisagem terrestre. Estas formas de relevo estão distribuídas, em sua maioria, nas regiões onde dominam os climas secos (áridos ou semiáridos), onde o regime tectônicoestrutural apresenta marcas de forte instabilidade. Em Pernambuco a ocorrência dessas formas é reportada em 38 municípios, exibindo geometrias e dimensões variadas. Neste sentido, o principal objetivo da pesquisa é compreender quais são os principais fatores condicionantes para a ocorrência dessas microfeições e o seu padrão de organização espacial, no contexto do semiárido pernambucano, tomando como referência a investigação de três áreas: Distrito de Fazenda Nova, no município de Brejo da Madre de Deus, Distrito de Conceição das Crioulas e Sítio Arqueológico Lagoa Uri de Cima, localizados no município de Salgueiro. Para tanto, foi necessário fazer uso de um encadeamento de metodologias e técnicas de investigação que possibilitassem uma maior compreensão acerca da gênese, evolução e fisiologia do objeto de estudo, no contexto das paisagens secas do Agreste e Sertão de Pernambuco. A metodologia empregada baseou-se na identificação das áreas de ocorrências de marmitas e relevos graníticos em trabalhos acadêmicos, uso de SIGs, imagens de satélites, técnicas de sensoriamento remoto, geoprocessamento, análise petrográfica e geoquímica. Tais procedimentos contribuíram para a compreensão da distribuição espacial e os tipos de relevos graníticos existente nas áreas investigadas. A partir dos dados levantados em campo, processados e analisados em laboratório, foi possível traçar parâmetros que servem para indicar os fatores endógenos e exógenos envolvidos na gênese e processos na formação de tais formas. Os resultados reafirmam a importância do estudo na busca por uma melhor compreensão das dinâmicas superficial e sub-superficial vigentes nas paisagens secas do Nordeste Brasileiro, nos contextos atual e pretérito, sob a luz de uma abordagem morfoestrutural e morfoclimática, o que nos permite entender mais afundo a relação constante sobre o substrato terrestre.

5
  • MÁRIO FERREIRA DA SILVA MELO
  • O RESCALDO DA CANA: inflexões decoloniais sobre a colonialidade do saber retratada na região cultural do Nordeste Agrário do Litoral por Manuel Diégues Júnior

  • Orientador : CAIO AUGUSTO AMORIM MACIEL
  • MEMBROS DA BANCA :
  • CAIO AUGUSTO AMORIM MACIEL
  • MARCOS MORAES VALENCA
  • OTAVIO JOSE LEMOS COSTA
  • PRISCILA BATISTA VASCONCELOS
  • RODRIGO DUTRA GOMES
  • Data: 26/08/2022

  • Mostrar Resumo
  • A presente tese tem por objetivo reconhecer, decodificar e traduzir, a partir da perspectiva decolonial, a colonialidade do poder e do saber expressas na cartografia que consta no livro “Regiões Culturais do Brasil”, apresentado pioneiramente pelo antropólogo Manuel Diégues Júnior, em 1960. Ao analisar a caracterização realizada do Nordeste Agrário do Litoral, uma das regiões culturais elencadas pelo autor e espaço regional central nesta pesquisa, a tese identifica construções intersubjetivas que descrevem e caracterizam a região, reportando à concepções cristalizadas no imaginário coletivo e amplamente carregadas de preceitos forjados no saudoso e romantizado passado colonial canavieiro, ao qual tem em Gilberto Freyre como um dos principais expoentes e forte influenciador na obra de Diégues Júnior. Ao se verificar na obra sinais evidentes de orientações que remetem ao lusotropicalismo, buscou-se ativar o seu processo desconstrução narrativa mediante a ótica decolonial e reposicionar posturas deslocadas de seu tempo que ainda insistem na manutenção de normativas que soam retrógradas para os contextos hodiernos. Sendo assim, ao traçar um roteiro que se inicia na arquitetura do Orientalismo de Edward Said, passando pela modernidade-colonialidade ocidental, ancorada nas investigações de Walter Mignolo e Santiago Castro-Gómez - este último também relevante por apontar a colonialidade no campo epistêmico do Saber - aporta no conceito de Colonialidade do Poder, elaborado por Aníbal Quijano. Ao utilizar o referencial teórico do geógrafo Rogério Haesbaert e discorrer sobre a região enquanto Artefato - composta tanto por sua face realista/fato quanto pela construída/arte - procura apontar caminhos que possibilitem erigir uma nova epiderme sobre as regiões culturais no Brasil, em particular no Nordeste Agrário do Litoral. Agora, pela perspectiva decolonial. É a busca por esse “Rescaldo da Cana” o elemento motriz em que orbita a revisão literária nesta tese.


  • Mostrar Abstract
  • A presente tese tem por objetivo reconhecer, decodificar e traduzir, a partir da perspectiva decolonial, a colonialidade do poder e do saber expressa na cartografia das Regiões Culturais do Brasil, apresentada pioneiramente pelo antropólogo Manuel Diégues Júnior, em 1960. Ao analisar a caracterização realizada do Nordeste Agrário do Litoral, uma das regiões elencadas pelo autor, a tese identifica construções intersubjetivas sobre a região que remontam a concepções cristalizadas no imaginário coletivo e amplamente carregadas de preceitos forjados no saudoso e romantizado passado colonial canavieiro, ao qual tem Gilberto Freyre como um dos principais expoentes e forte influenciador na obra de Diégues Júnior. Sendo assim, ao traçar um roteiro que se inicia na arquitetura do Orientalismo de Edward Said, passando pela modernidade-colonialidade ocidental, ancorada nas investigações de Walter Mignolo e Santiago Castro-Gómez - este último também relevante por apontar a colonialidade no campo epistêmico do Saber - aporta no conceito de Colonialidade do Poder, elaborado por Aníbal Quijano. Ao utilizar o referencial teórico do geógrafo Rogério Haesbaert ao discorrer sobre a região enquanto Artefato - composta tanto por sua face realista/fato quanto pela construída/arte - procura apontar caminhos que possibilitem erigir uma nova epiderme sobre as regiões culturais no Brasil, em particular no Nordeste Agrário do Litoral. Agora, pela perspectiva decolonial. É a busca por esse “Rescaldo da Cana” o elemento motriz em que orbita a revisão literária nesta tese.

6
  • CARLOS EDUARDO FALCÃO LUNA
  • INTERAÇÕES SOCIOTÉCNICAS NOS ALTOS E CÓRREGOS DA ZONA NORTE DO RECIFE, SUAS POSSIBILIDADES E LIMITES: REFLEXÕES A PARTIR DA MOBILIZAÇÃO DE RECURSOS PARA A MITIGAÇÃO DA EXCLUSÃO SOCIAL ATRAVÉS DE TECNOLOGIAS SOCIAIS

  • Orientador : DORALICE SÁTYRO MAIA
  • MEMBROS DA BANCA :
  • JADER RIBEIRO GAMA
  • DORALICE SÁTYRO MAIA
  • JAN BITOUN
  • LUANA VILUTIS
  • MARIA ANGELA DE ALMEIDA SOUZA
  • Data: 15/09/2022

  • Mostrar Resumo
  • A presente pesquisa foi realizada a partir do objetivo geral, de analisar os processos formativos realizados por executores de tecnologias sociais, nos altos e córregos da Zona Norte do Recife, no sentido do potencial destas formações para o desenvolvimento de habilidades visando a promoção de interação sociotécnica neste território. Partindo da indissociabilidade entre tecnologias e suas implicações sociais, utilizamos conceitos como tecnologias sociais, sistema territorial de inovação e exclusão social, para investigarmos as possibilidades e limites das formações promovidas por organizações da sociedade civil, das relações entre os agentes que entendem a formação em Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs), como meio de mitigação da exclusão social e quais seus rebatimentos para a aquisição de habilidades técnicas para atuar no campo das TICs, por parte dos atendidos. Os principais resultados, deram conta de que a formação socioespacial da área tem sido determinante para a limitação da liberdade de escolha dos beneficiários, e que as formações promovidas pelas organizações da sociedade civil tem potencial de promover interações sociotécnicas, que propiciem a mobilização de recursos físicos, digitais, humanos e sociais para atuação no campo das TICs.


  • Mostrar Abstract
  • Pretendemos investigar as possibilidades e limites de apropriação sociotécnica na RP A 3 do Recife, a partir do projeto do Polo de Formação e Reúso de Eletroeletrônicos do Recife, executando entre fevereiro de 2018 e julho de 2019. Para tal, buscamos responder a seguinte pergunta/problema de pesquisa: Quais os limites e possibilidades de inclusão sociotécnica por parte dos habitantes da RPA3, a partir dos processos de aprendizagem ensejados pelo curso de recondicionamento de computadores, no escopo do projeto do Polo de Formação e Reúso de Eletroeletrônicos do Recife? Abordamos o referido estudo de caso com a Formação Socioespacial da RPA3 e investigamos suas rupturas e permanências com o Sistema Territorial de Inovação nesta divisão administrativa e com o conceito de Tecnologias Sociais, mobilizadas durante a pesquisa. A tese busca dar uma contribuição para a geografia da inovação, sobretudo na abordagem da apropriação de técnicas em contexto de subalternidade.

7
  • BRUNA MARIA DA SILVA RAPOZO
  • MULHERES CAMPONESAS E TRABALHADORAS RURAIS EM MOVIMENTO: ressignificando relações de gênero, trabalho, saberes e poderes na agricultura camponesa do sertão de Pernambuco

  • Orientador : MONICA COX DE BRITTO PEREIRA
  • MEMBROS DA BANCA :
  • ANA CAROLINA DE OLIVEIRA MARQUES
  • CLAUDIO UBIRATAN GONCALVES
  • MONICA COX DE BRITTO PEREIRA
  • RENATA SIBÉRIA DE OLIVEIRA
  • RODRIGO DUTRA GOMES
  • Data: 04/11/2022

  • Mostrar Resumo
  • As relações sociais de gênero no meio rural e na agricultura camponesa familiar se constituem como relações de poder desiguais e hierarquizadas de forma conservadora, de tal modo que negligenciam o papel e a importância social e política das mulheres nos processos e dinâmicas organizativas da vida, trabalho e economia camponesa. Mediante o exposto, esta pesquisa analisa a participação e experiência das mulheres camponesas e trabalhadoras rurais no processo de produção e ressignificação da agricultura, do trabalho e da vida das mulheres e homens no contexto do sertão Semiárido em Pernambuco. Neste estudo, procurou-se analisar as práxis cotidianas e o protagonismo das mulheres na produção de saberes, conhecimentos e práticas agroecológicas para o manejo do bioma da Caatinga, e a participação política em espaços como associações, grupos e movimentos de mulheres, entre outros espaços públicos de decisão e poder político. Trabalho, práxis e ações políticas que vêm sendo construídas como estratégias para reafirmar o papel da mulher como sujeito político produtor de espaço, territórios, políticas e riquezas sociais e materiais nos territórios de vida no sertão. Auto-organizadas, as mulheres camponesas e trabalhadoras rurais vêm desde a década de 1980 protagonizando lutas e pautas de reivindicações por direitos à sindicalização, reconhecimento como trabalhadoras rurais, acesso a direitos trabalhistas, previdência social, aposentadoria entre outros direitos. No sertão do Pajeú, Pernambuco, as mulheres camponesas e trabalhadoras rurais são detentoras de um vasto conhecimento sobre os agroecossistemas e estratégias para plantar, colher, comer, conviver e existir em situações sociais, econômicas e naturais adversas. Essas mulheres estão promovendo a valorização do cultivo de alimentos livres de agrotóxicos, outras formas de manejo sustentável da biodiversidade local e dos olhos d’água do rio Pajeú, estão semeando práticas mais sustentáveis para o manejo da Caatinga e, com acesso a tecnologias sociais, como a produção de mudas de árvores nativas, fazendo o reaproveitamento de águas através de sistemas de reuso de água cinza, utilizando os fogões agroecológicos para evitar o desmatamento para retirada da lenha para cozinhar, como também estão fazendo trocas de experiências e gerando renda e autonomia, relativa, através do trabalho coletivo e solidário. A investigação utilizou metodologia referenciada no campo da pesquisa qualitativa, com trabalho de campo, observação participante e história de vida, além da pesquisa bibliográfica e documental. Os sujeitos participantes da pesquisa foram mulheres da Associação de Mulheres do Sítio Gameleira, localizado no município de Itapetim – PE; Grupo de Mulheres Guerreiras do Pajeú, localizado no município de São José do Egito – PE; e o Movimento das Mulheres Trabalhadoras Rurais – MMTR-PE, que encontra-se territorializado em diversos municípios do estado de Pernambuco.


  • Mostrar Abstract
  • As relações sociais de gênero no meio rural e na agricultura camponesa familiar se constituem como relações de poder desiguais e hierarquizadas de forma conservadora, de tal modo que negligenciam o papel e a importância social e política das mulheres nos processos e dinâmicas organizativas da vida, trabalho e economia camponesa. Mediante o exposto, esta pesquisa analisa a participação e experiência das mulheres camponesas e trabalhadoras rurais no processo de produção e ressignificação da agricultura, do trabalho e da vida das mulheres e homens no contexto do sertão Semiárido em Pernambuco. Neste estudo, procurou-se analisar as práxis cotidianas e o protagonismo das mulheres na produção de saberes, conhecimentos e práticas agroecológicas para o manejo do bioma da Caatinga, e a participação política em espaços como associações, grupos e movimentos de mulheres, entre outros espaços públicos de decisão e poder político. Trabalho, práxis e ações políticas que vêm sendo construídas como estratégias para reafirmar o papel da mulher como sujeito político produtor de espaço, territórios, políticas e riquezas sociais e materiais nos territórios de vida no sertão. Auto-organizadas, as mulheres camponesas e trabalhadoras rurais vêm desde a década de 1980 protagonizando lutas e pautas de reivindicações por direitos à sindicalização, reconhecimento como trabalhadoras rurais, acesso a direitos trabalhistas, previdência social, aposentadoria entre outros direitos. No sertão do Pajeú, Pernambuco, as mulheres camponesas e trabalhadoras rurais são detentoras de um vasto conhecimento sobre os agroecossistemas e estratégias para plantar, colher, comer, conviver e existir em situações sociais, econômicas e naturais adversas. Essas mulheres estão promovendo a valorização do cultivo de alimentos livres de agrotóxicos, outras formas de manejo sustentável da biodiversidade local e dos olhos d’água do rio Pajeú, estão semeando práticas mais sustentáveis para o manejo da Caatinga e, com acesso a tecnologias sociais, como a produção de mudas de árvores nativas, fazendo o reaproveitamento de águas através de sistemas de reuso de água cinza, utilizando os fogões agroecológicos para evitar o desmatamento para retirada da lenha para cozinhar, como também estão fazendo trocas de experiências e gerando renda e autonomia, relativa, através do trabalho coletivo e solidário. A investigação utilizou metodologia referenciada no campo da pesquisa qualitativa, com trabalho de campo, observação participante e história de vida, além da pesquisa bibliográfica e documental. Os sujeitos participantes da pesquisa foram mulheres da Associação de Mulheres do Sítio Gameleira, localizado no município de Itapetim – PE; Grupo de Mulheres Guerreiras do Pajeú, localizado no município de São José do Egito – PE; e o Movimento das Mulheres Trabalhadoras Rurais – MMTR-PE, que encontra-se territorializado em diversos municípios do estado de Pernambuco.

8
  • BOAVENTURA ALMEIDA MUBAI
  • GESTÃO DOS RECURSOS HÍDRICOS TRANSFRONTEIRIÇOS: REPERCUSSÕES E DESAFIOS SOBRE AGRICULTURA FAMILIAR NA MICROBACIA DE CHOKWÉ, RIO LIMPOPO, MOÇAMBIQUE

  • Orientador : EDVANIA TORRES AGUIAR GOMES
  • MEMBROS DA BANCA :
  • EDILSON CAVALCANTE DE OLIVEIRA JUNIOR
  • EDUARDO RODRIGUES VIANA DE LIMA
  • EDVANIA TORRES AGUIAR GOMES
  • GUILHERME JOSE FERREIRA DE ARAUJO
  • RENATA MARIA CAMINHA MENDES DE OLIVEIRA CARVALHO
  • Data: 16/11/2022

  • Mostrar Resumo
  • A presente tese, teve como objetivo central, analisar as implicações da gestão integrada e sustentável dos recursos hídricos de bacias hidrográficas transfronteiriças compartilhadas tendo como objeto de estudo a jusante da Bacia do Rio Limpopo (BRL), denominado nesse trabalho como microbacia do Chokwé. Estabelecer uma articulação entre diferentes sistemas: políticas, leis, estruturas, valores, vinculados a diferentes países, é sem dúvidas um dos grandes desafios que ainda se tem hoje na gestão dos recursos hídricos que abrangem fronteiras políticas. A abordagem de Bacia Hidrográfica (BH) como unidade ideal para a gestão dos recursos hídricos se embaraça com aqueles desafios e outros relacionados a diferentes regionalizações, cartografia, fluxos hídricos, uso interrupto do solo e dinâmicas de captação das águas que não se fazem de maneira geral em conformidade com as BH. O quadro histórico de enchentes e severas secas na microbacia do Chokwé e as consequências geradas sobretudo para a principal base econômica da região, os cultivos irrigados, se constitui num dos exemplos emblemáticos dessas complexidades. Partindo desses pressupostos, buscou-se apoiado no método hipotético dedutivo teorizar-se o trabalho a partir da perspectiva hidropolitica alicerçada no modelo da Escola de Copenhague (EC) e a partir dos princípios de gestão integrada, visando contribuir no fortalecimento de estratégias de gestão de BH com vista a garantia da Segurança Hídrica (SH). Trabalhou-se o recorte da bacia identificando e sistematizando as dinâmicas responsáveis pela alteração (Pressão) dos sistemas hídricos, as condições socioambientais e econômicas (Estado) a jusante da bacia e o grau de articulação dos sistemas de gestão ao nível da bacia como no local (Resposta). Esse exercício requereu o auxílio de técnicas de revisão da literatura; produção cartográfica, observações e estudo de campo; levantamento fotográfico e de dados secundários nas bases de instituições públicas, questionários semiestruturados aplicados aos entes (11) do sistema de gerenciamento de recursos hídricos e aos pequenos produtores irrigantes (98), os quais foram tabulados e analisados com recurso ao software SPSS. A metodologia utilizada permitiu constatar que a gestão dos recursos hídricos no âmbito da dimensão espacial da BRL, destaca ações de programas e/ou agências internacionais, mesmo assim, ainda insuficientes para abarcar e atender as especificidades de cada escala/área da bacia, que se denuncia pela reprodução de quadro cada vez mais complexo de vulnerabilidade socioambiental e econômica a jusante da bacia. Essa constatação, sugere a necessidade de uma reorganização dos países que compartem a bacia, reformulando e aprimorando os seus compromissos com a gestão integrada, inclusive materializando ações no âmbito da bacia, que até então se limitam ao contato mínimo e troca de informação hidrológica.


  • Mostrar Abstract
  • A bacia hidrográfica é concebida e politizada como unidade ideal para a gestão dos recursos hídricos, por possibilitar uma abordagem sistêmica e/ou holística que permite interpretar a interação dos elementos ou das partes, buscando o entendimento da totalidade. Entretanto, apesar dessa prerrogativa, em bacias hidrográficas extensas, que transcendem fronteiras e compartilhadas por dois ou mais países, como é a do rio Limpopo, a gestão torna se bastante complexa, pois, a dinâmica que conforma a própria bacia é bastante ampla, desde as singularidades fisiográficas, os fluxos hídricos, estruturas sociais, econômicas e políticas, quanto as culturais. Estes fatores devem ser satisfatoriamente integrados para uma gestão sustentável de águas compartilhadas, porque do contrário, intensificam intervenções arbitrárias no âmbito dos usos das águas comuns, originando profundos problemas de cunho socioambiental que, via de regra, se agravam nas escalas situadas mais a jusante da bacia. Em razão disso, A presente pesquisa, a ser conduzida sob o embasamento teórico dos conceitos de hidropolitica, gestão integrada e sustentável, tem como objetivo central, realizar na microbacia do chokwé um levantamento dos indicadores socioambientais difusos e pontuais no sentido de apontar os principais desafios que impõem a gestão integrada dos recursos hídricos. Para isso, buscar-se-á evidenciar os principais aspectos para a conservação e uso sustentável dos recursos hídricos, desde o estado ambiental da microbacia, as relações e ações interinstitucionais de gestão local e os mecanismos de articulação com outras escalas da bacia, os canais de participação e mecanismos de resiliência dos beneficiários das águas face à problemática da seca e inundações. O principal procedimento metodológico a ser adoptado para a análise empírica será o de Percurso de Estudo e Pesquisa (PER), o qual possibilitará evidenciar as causas das alterações do ecossistema (Pressão), os seus impactos (Estado) e possíveis soluções (Resposta) levadas a cabo pelos sujeitos gestores e beneficiários das águas. Essa tarefa será materializada com base na observação de campo, conversas informais, processamento de imagens e produção de mapas temáticos mostrando o estado ambiental local, levantamento de dados secundários em instituições de tutela e aplicação dos questionários semiestruturados envolvendo os produtores irrigantes de base familiar e os responsáveis pela gestão da água da bacia, cujo objetivo é harmonizar o máximo de dados qualiquantitaticos que retratam as especificidades que impõem a gestão hídrica integrada. Espera-se que os dados a serem levantados, tragam contribuições em direção ao aprimoramento de uma gestão integrada que contempla com rigor as reais especificidades locais de cada escala da bacia por forma a que seja garantida a segurança hídrica não só para a escala da microbacia de Chokwé, mas para todos os envolvidos na bacia.

2021
Dissertações
1
  • NEOLAM MARCELO BARBOSA DE MORAES
  • A INSERÇÃO COMPETITIVA DE IPOJUCA À ECONOMIA MUNDO: os entraves de uma lógica periférica

  • Orientador : BERTRAND ROGER GUILLAUME COZIC
  • MEMBROS DA BANCA :
  • BERTRAND ROGER GUILLAUME COZIC
  • FELIPPE LUIS MACIEL DA SILVA
  • RODRIGO DUTRA GOMES
  • Data: 31/08/2021

  • Mostrar Resumo
  • Na nova fase da mundialização do capitalismo, a globalização, em que o processo produtivo se torna cada vez mais flexível, como também, se intensificam cada vez mais os fluxos comerciais globais, as estruturas portuárias se apresentam como elemento estratégico fundamental, no sentido de integrar os territórios a tais fluxos e, ao mesmo tempo, serem vetores do desenvolvimento local e regional. No entanto, tais estruturas, enquanto fixos criados para promover a inserção do território à economia global, estabelecem novas dinâmicas sócio-espaciais que interagem dialeticamente. Tal interação, ao mesmo tempo que garantem a fluidez de mercadorias, alteram as lógicas territoriais endógenas, no sentido de acirrarem a seletividade espacial e intensificarem o processo de exclusão social, produzindo assim, uma verdadeira desordem no território. Neste contexto, se insere o nosso objeto empírico, o município de Ipojuca-PE diante das novas dinâmicas socioespaciais estabelecidas pela consolidação do Complexo Industrial Portuário Eraldo Gueiroz-CIPS, a partir dos anos 2000, quando são implantados grandes empreendimentos estruturadores como a Refinaria Abreu e Lima, a Petroquímica Suape, o Estaleiro Atlântico Sul, entre outros. A materialização desse novo e moderno sistema técnico, ao se somar aos sistemas técnicos (pretéritos e atuais) já existentes no território, estabelece um verdadeiro conflito de intencionalidades e de ações entre agentes sociais não hegemônicos, a exemplo das comunidades tradicionais, trabalhadores formais e informais, pequenos comerciantes, moradores de comunidades carentes; hegemonizados, a exemplo dos comerciantes e latifundiários; e, hegemônicos, a exemplo de corretoras, empreiteiras, das grandes industrias e empresas de logística. Levando em consideração que no território de Ipojuca estão presentes diversas temporalidades, e que elas dialogam dialeticamente no presente para gerir o porvir , o caminho escolhido para analisar os conflitos sócio-espaciais em questão, se faz através de uma análise espaço-temporal tendo como referência a formação sócio espacial brasileira, necessária para apreender a totalidade em movimento. Tal escolha se justifica devido ainda está presente na dinâmica territorial atual de Ipojuca, o sistema técnico agroindustrial que se apresenta como rugosidade espacial que acumula elementos contemporâneos ao início da formação sócio espacial brasileira, como também, elementos da readequação produtiva do capitalismo comercial ao capitalismo industrial. A estas rugosidades, somam-se os sistemas técnicos modernos, como a infraestrutura turística presente no litoral de Ipojuca e a industrial-portuária, como também, sistemas técnicos de diversos agentes sociais representados, principalmente, por populações tradicionais. Neste sentido, a análise proposta, faz um percurso histórico entre o início da formação territorial de Ipojuca atrelada ao início da formação sócio espacial brasileira, perpassa pelos impactos da readequação produtiva da plantation ao capitalismo industrial e chega a interação entre as diversas temporalidades presentes no território atualmente, porém, dando ênfase ao sistema técnico industrialportuário devido este ser o principal vetor da dinâmica territorial atual. No último capítulo, se apresenta as consequências da dinâmica territorial em curso presente em Ipojuca.


  • Mostrar Abstract
  • No atual estágio da globalização com a configuração do meio-técnico-cientificoinformacional, o capital produtivo ganha maior flexibilidade graças ao desenvolvimento de novas técnicas na constituição de redes geográficas de transporte e comunicação cada vez mais eficientes, através das quais, as grandes corporações conseguem dar mais flexibilidade e fluidez a produção e comercialização de seus produtos. Em tal processo se destaca a infraestrutura portuária, pois é por ela que flui atualmente 90 por cento do comércio mundial. Diante desse contexto, o governo do Estado de Pernambuco visando resolver problemas relativos ao aumento do fluxo de cargas do porto do Recife frente as limitações de logística e urbana-ambientais do mesmo, como também, visando criar um novo polo para alavancar o desenvolvimento do Estado a partir da fluidez do comércio marítimo mundial, encontra no município de Ipojuca, as condições ideais para estabelecer um novo porto que viesse a suprir tais demandas. Assim, foi criado na década de 1970 o Complexo Industrial Portuário Eraldo Gueiroz (Suape). O projeto ancorado na moderna concepção de porto-indústria se materializou a partir de vultosos investimentos federais, estaduais e privados se tornando um objeto técnico capaz de, enquanto fixo, atrelar a região Nordeste à grande fluidez do comércio marítimo mundial, ao ponto de o Porto de Suape está entre os cinco mais movimentados do país. Os novos sistemas técnicos do polo Industrial portuário, somado ao sistema técnico do polo turístico de Porto de Galinhas e ao sistema técnico pretéritos materializados durante quase cinco séculos pela monocultura da cana de açúcar, formam uma grande simbiose no processo de configuração da dinâmica territorial do município, onde, a partir das últimas duas décadas, recorte temporal foco do trabalho, a lógica exógena passou a se sobrepor de maneira ainda mais intensa sobre a lógica endógena, passando a estabelecer novos processos de desterritorialização e conflitos de interesses no lugar. Sendo assim, o trabalho em foco se propôs a contribuir para o entendimento desses processos, tendo como referência a seguinte questão: Por que apesar de receber tantos investimentos o município de Ipojuca não consegue satisfazer satisfatoriamente as necessidades das lógicas endógenas ao seu território? Partindo da hipótese que os entes federativos da União, enquanto agentes que deveriam fazer a mediação entre as lógicas endógenas e exógenas, objetivando manter o equilíbrio entre elas, não conseguem cumprir esse caro papel, pois, a força da lógica competitiva multiescalar do mundo globalizado termina se impondo, exigindo destes cada vez mais cumplicidade em relação a adequação do território aos fluxos externos do capital, em detrimento das necessidades identitárias do lugar , mantendo Ipojuca como um espaço periférico da globalização. Para sustentar tal hipóteses, toma-se como base metodológica uma análise espaço-temporal, em que num primeiro momento, se revisou o processo de formação territorial do município tão marcado pela monocultura canavieira, para depois, juntar à análise, os novos sistemas técnicos atrelados ao polo turístico e, principalmente, ao porto de Suape. Ademais, se colhe elementos através da investigação de campo e da pesquisa comparativa para identificar e analisar distorções entre as lógicas endógenas e exógenas.

2
  • ITALLO FERNANDO DE FREITAS SILVA
  • O ENSINO DE GEOGRAFIA E A REALIDADE VIRTUAL EM ESPAÇOS DE CRIAÇÃO DIGITAL 

  • Orientador : FRANCISCO KENNEDY SILVA DOS SANTOS
  • MEMBROS DA BANCA :
  • FRANCISCO KENNEDY SILVA DOS SANTOS
  • MATEUS FERREIRA SANTOS
  • PRISCYLLA KAROLINE DE MENEZES
  • Data: 24/11/2021

  • Mostrar Resumo
  • O trabalho dissertativo aqui apresentado se debruça no movimento investigativo tendo por base a utilização da Realidade Virtual (RV) no ensino de Geografia. Aqui é apresentado concepções a respeito desse recurso tecnológico que pode ser utilizado na prática docente, e mediante a isso, é contextualizado a partir das potencialidades e limitações que a (RV) pode proporcionar no âmbito pedagógico. O trabalho tem por objetivo geral: compreender as potencialidades e as limitações do uso da realidade virtual nas aulas de Geografia enquanto ferramenta pedagógica para a construção de aprendizagens colaborativas. A pesquisa assume uma abordagem qualitativa devido à complexidade do objeto e está voltada para os estudos com um viés compreensivo dos fatos. A pesquisa é de natureza exploratória visto que se objetiva descrever as potencialidades que a realidade virtual pode proporcionar ao ensino de Geografia. A (RV) tem muito a contribuir para o fazer e pensar docente, este trabalho é um ensaio que pode ajudar nas reflexões existentes na Geografia escolar.


  • Mostrar Abstract
  • O trabalho dissertativo aqui apresentado se debruça no movimento investigativo tendo por base a utilização da Realidade Virtual (RV) no ensino de Geografia. Aqui apresentamos concepções a respeito desse recurso tecnológico que pode ser utilizado na prática docente, e mediante a isso, apresentamos as potencialidades e limitações que a (RV) pode proporcionar no âmbito pedagógico. O trabalho tem por objetivo geral: compreender as potencialidades e as limitações do uso da realidade virtual nas aulas de Geografia enquanto ferramenta pedagógica para a construção de aprendizagens colaborativas. A pesquisa assume uma abordagem qualitativa devido à complexidade do objeto e está voltada para os estudos com um viés compreensivo dos fatos. Compreendemos que a pesquisa é de natureza exploratória uma vez que se objetiva descrever as potencialidades que a realidade virtual pode proporcionar ao ensino de Geografia. Acreditamos que a (RV) tem muito a contribuir no fazer e pensar docente, este trabalho é um ensaio que pode ajudar nas reflexões existentes na Geografia escolar.

3
  • TAWANA DE MELO PEREIRA
  • SUSCETIBILIDADE, VULNERABILIDADE E MAPEAMENTO PARTICIPATIVO DE RISCO A ESCORREGAMENTOS: FERRAMENTAS PARA UMA GESTÃO RESILIENTE

  • Orientador : FABRIZIO DE LUIZ ROSITO LISTO
  • MEMBROS DA BANCA :
  • SAMIA NASCIMENTO SULAIMAN
  • FABRIZIO DE LUIZ ROSITO LISTO
  • RODRIGO DUTRA GOMES
  • Data: 21/12/2021

  • Mostrar Resumo
  • Diante do contexto de recorrentes desastres no Brasil, sobretudo em períodos de chuvas intensas, tornaram-se necessárias medidas para a redução dos riscos. Nesse cenário, o conceito de resiliência tem sido discutido como um novo modelo de conceber a prevenção de desastres. Assim, marcos e políticas públicas são agora pensados priorizando a atuação da comunidade, as quais deixam de ser passivas às decisões gestoras tornando-se agentes de sua própria segurança. O objetivo principal desta pesquisa consistiu em avaliar, conjuntamente, a suscetibilidade, a vulnerabilidade física e social e o grau de risco a escorregamentos no bairro dos Estados, município de Camaragibe (PE). Especificamente, objetivou-se: avaliar o papel dos parâmetros geomorfológicos do relevo na deflagração dos escorregamentos; delimitar setores de vulnerabilidade e de risco; elaborar ficha de risco participativa e; propor um conjunto de ações mitigatórias não estruturais e estruturais visando ações de resiliência. A avaliação da suscetibilidade foi realizada por meio de parâmetros morfométricos, uso do modelo matemático SHASLTAB e cálculo do índice Concentração de Escorregamentos (CE). A setorização das áreas de vulnerabilidade e risco deu-se por meio de alguns critérios (trabalhos decampo, interpretação de imagens de satélite, entre outros). A vulnerabilidade foi avaliada a partir de ficha de campo e o mapeamento de risco ocorreu a partir de abordagem participativa (graus de risco estabelecidos pelos próprios moradores). Por fim, a elaboração de modelo mitigatório estrutural e não estrutural foi baseado no Marco de Sendai. Os resultados indicaram uma Concentração de Escorregamentos (CE) a oeste do bairro em encostas íngremes, côncavas, orientadas para Norte e para Sudeste e em colinas dissecadas. Foram mapeados três setores com vulnerabilidade média, três com vulnerabilidade alta e um setor com vulnerabilidade muito alta. O mapeamento participativo demonstrou relações afetivas e resilientes com a área por parte dos entrevistados, visto que apenas um setor foi classificado com risco baixo, quatro setores com risco médio, um com risco alto e um com risco muito alto. Esse estudo poderá fornecer subsídios para um modelo de resiliência em áreas precariamente ocupadas, auxiliando na preparação e no planejamento de gestão de riscos.


  • Mostrar Abstract
  • Diante do contexto de recorrentes desastres no Brasil, sobretudo em períodos de chuvas intensas, tornaram-se necessárias medidas para a redução dos riscos. Nesse cenário, o conceito de resiliência tem sido discutido como um novo modelo de conceber a prevenção de desastres. Assim, marcos e políticas públicas são agora pensados priorizando a atuação da comunidade, as quais deixam de ser passivas às decisões gestoras tornando-se agentes de sua própria segurança. O objetivo principal desta pesquisa consistiu em avaliar, conjuntamente, a suscetibilidade, a vulnerabilidade física e social e o grau de risco a escorregamentos no bairro dos Estados, município de Camaragibe (PE). Especificamente, objetivou-se: avaliar o papel dos parâmetros geomorfológicos do relevo na deflagração dos escorregamentos; delimitar setores de vulnerabilidade e de risco; elaborar ficha de risco participativa e; propor um conjunto de ações mitigatórias não estruturais e estruturais visando ações de resiliência. A avaliação da suscetibilidade foi realizada por meio de parâmetros morfométricos, uso do modelo matemático SHASLTAB e cálculo do índice Concentração de Escorregamentos (CE). A setorização das áreas de vulnerabilidade e risco deu-se por meio de alguns critérios (trabalhos decampo, interpretação de imagens de satélite, entre outros). A vulnerabilidade foi avaliada a partir de ficha de campo e o mapeamento de risco ocorreu a partir de abordagem participativa (graus de risco estabelecidos pelos próprios moradores). Por fim, a elaboração de modelo mitigatório estrutural e não estrutural foi baseado no Marco de Sendai. Os resultados indicaram uma Concentração de Escorregamentos (CE) a oeste do bairro em encostas íngremes, côncavas, orientadas para Norte e para Sudeste e em colinas dissecadas. Foram mapeados três setores com vulnerabilidade média, três com vulnerabilidade alta e um setor com vulnerabilidade muito alta. O mapeamento participativo demonstrou relações afetivas e resilientes com a área por parte dos entrevistados, visto que apenas um setor foi classificado com risco baixo, quatro setores com risco médio, um com risco alto e um com risco muito alto. Esse estudo poderá fornecer subsídios para um modelo de resiliência em áreas precariamente ocupadas, auxiliando na preparação e no planejamento de gestão de riscos.

Teses
1
  • LUCAS ANTONIO VIANA BOTELHO
  • ECOFORMAÇÃO EM EDUCAÇÃO AMBIENTAL NO ENSINO SUPERIOR: tessituras crítico-transformadoras para a formação de professores de geografia

  • Orientador : FRANCISCO KENNEDY SILVA DOS SANTOS
  • MEMBROS DA BANCA :
  • SILVANA DO NASCIMENTO SILVA
  • NATÁLIA LAMPERT BATISTA
  • FRANCISCO KENNEDY SILVA DOS SANTOS
  • JULIANA NÓBREGA DE ALMEIDA
  • PRISCYLLA KAROLINE DE MENEZES
  • Data: 21/06/2021

  • Mostrar Resumo
  • Em face dos desafios sociais, ambientais, políticos, econômicos e humanitários que se projetam, ora como  problemáticas ora como potencialidades dialógicas, na educação, é preciso compor novos, avivados e transformadores roteiros para esta última. Com isto, vê-se a necessidade de continuar movendo outros sentidos e significados para a confecção de tessituras pedagógicas que carreguem consigo sentidos e  significados  crítico-transformadores.  Para a realização disto, é preciso mergulhar no que está sendo praticado e experienciado, de modo a conceber e propor a confecção destas tessituras, a partir de outros elementos,  questões e utopias crítico-transformadoras emergentes e necessárias a este século. Convém apontar que, na formação dos professores  de Geografia, em específico, é preciso  cogitar estas tessituras, compreendendo as que estão se movendo e sendo mobilizadas para, a partir daí, tramar outras que venham a insurgir em relação a estas ou aperfeiçoá-las, de modo a ampliar suas potencialidades. Em face disto, esta investigação levanta a seguinte indagação  central: que desdobramentos formativos em Educação Ambiental estão em acontecimento  e são possíveis para a formação inicial de professores de Geografia? Tendo por objetivo central compreender os desdobramentos formativos em Educação Ambiental em acontecimento na formação inicial de professores de Geografia, indicando possibilidades e alternativas crítico-transformadoras para a ecoformação, esta investigação busca por meio da abordagem  qualitativa, enveredando pela multirreferencialidade, revelar caminhos e possibilidades outras para a Educação Ambiental na formação dos professores de Geografia, com vista a  alcançar aportes crítico-transformadores suscitados pela ecoformação, explorando fenômenos didático-pedagógicos socioambientais que carecem de ser trazidos à reflexão para promover um encontro com esta abordagem. Para tanto, é realizado um diálogo teórico-bibliográfico amparado por contribuições de pensadores  que  lidam com os eixos temáticos que perpassam a construção de olhares e apontamentos para a Educação Ambiental e à formação de professores de Geografia, alinhavando estas reflexões à ecoformação. Por meio dos procedimentos metodológicos realizados, entrevista aberta temática, direcionada aos docentes formadores, e  questionário on-line, focado nos discentes, ambos os grupos pertencentes ao curso de licenciatura em Geografia da Universidade Federal de Pernambuco – UFPE, foi possível encontrar elementos e questões que permitem  não apenas a compreensão de que práticas e experiências, os desdobramentos formativos, estão a acontecer nesta trajetória de formação, mas dialogar e apontar, de modo propositivo e transformativo, alternativas e possibilidades que consigam não apenas traduzir a Educação Ambiental como potencialidade disciplinar dentro da licenciatura em Geografia, mas como eixo ecoformativo responsável por mobilizar nos professores em formação o protagonismo cidadão socioambiental frente aos desafios socioambientais e necessidades educativas contemporâneas.


  • Mostrar Abstract
  • Em face dos desafios sociais, ambientais, políticos, econômicos e humanitários que se projetam, ora como  problemáticas ora como potencialidades dialógicas, na educação, é preciso compor novos, avivados e transformadores roteiros para esta última. Com isto, vê-se a necessidade de continuar movendo outros sentidos e significados para a confecção de tessituras pedagógicas que carreguem consigo sentidos e  significados  crítico-transformadores.  Para a realização disto, é preciso mergulhar no que está sendo praticado e experienciado, de modo a conceber e propor a confecção destas tessituras, a partir de outros elementos,  questões e utopias crítico-transformadoras emergentes e necessárias a este século. Convém apontar que, na formação dos professores  de Geografia, em específico, é preciso  cogitar estas tessituras, compreendendo as que estão se movendo e sendo mobilizadas para, a partir daí, tramar outras que venham a insurgir em relação a estas ou aperfeiçoá-las, de modo a ampliar suas potencialidades. Em face disto, esta investigação levanta a seguinte indagação  central: que desdobramentos formativos em Educação Ambiental estão em acontecimento  e são possíveis para a formação inicial de professores de Geografia? Tendo por objetivo central compreender os desdobramentos formativos em Educação Ambiental em acontecimento na formação inicial de professores de Geografia, indicando possibilidades e alternativas crítico-transformadoras para a ecoformação, esta investigação busca por meio da abordagem  qualitativa, enveredando pela multirreferencialidade, revelar caminhos e possibilidades outras para a Educação Ambiental na formação dos professores de Geografia, com vista a  alcançar aportes crítico-transformadores suscitados pela ecoformação, explorando fenômenos didático-pedagógicos socioambientais que carecem de ser trazidos à reflexão para promover um encontro com esta abordagem. Para tanto, é realizado um diálogo teórico-bibliográfico amparado por contribuições de pensadores  que  lidam com os eixos temáticos que perpassam a construção de olhares e apontamentos para a Educação Ambiental e à formação de professores de Geografia, alinhavando estas reflexões à ecoformação. Por meio dos procedimentos metodológicos realizados, entrevista aberta temática, direcionada aos docentes formadores, e  questionário on-line, focado nos discentes, ambos os grupos pertencentes ao curso de licenciatura em Geografia da Universidade Federal de Pernambuco – UFPE, foi possível encontrar elementos e questões que permitem  não apenas a compreensão de que práticas e experiências, os desdobramentos formativos, estão a acontecer nesta trajetória de formação, mas dialogar e apontar, de modo propositivo e transformativo, alternativas e possibilidades que consigam não apenas traduzir a Educação Ambiental como potencialidade disciplinar dentro da licenciatura em Geografia, mas como eixo ecoformativo responsável por mobilizar nos professores em formação o protagonismo cidadão socioambiental frente aos desafios socioambientais e necessidades educativas contemporâneas.

2
  • HENRIQUE DOS SANTOS FERREIRA
  • PERIODICIDADE E SICRONISMO INTERMUNICIPAL E DINÂMICA ESPACIAL INTERURBANA DA DENGUE NA REGIÃO METROPOLITANA DO RECIFE - PE

  • Orientador : RANYERE SILVA NOBREGA
  • MEMBROS DA BANCA :
  • FRANCISCO DE ASSIS MENDONÇA
  • ANSELMO CESAR VASCONCELOS BEZERRA
  • CRISTIANA COUTINHO DUARTE
  • FABRIZIO DE LUIZ ROSITO LISTO
  • RANYERE SILVA NOBREGA
  • Data: 30/06/2021

  • Mostrar Resumo
  • A dengue é uma doença tropical negligenciada de importância mundial, que vem agravando-se em decorrência das mudanças ambientais em diversas partes do globo. Presente em mais de 128 países, é a arbovirose de disseminação mais rápida. Diversas pesquisas aprimoraram os conhecimentos sobre a influência do clima na sua dinâmica e como fatores sociais e demográficos estão relacionados, porém, a extensão dos seus efeitos ainda é incerta e os padrões epidemiológicos estão mudando. O objetivo da presente pesquisa foi analisar a influência da variabilidade climática sobre a periodicidade da dengue, o sincronismo epidêmico intermunicipal e a dinâmica espacial da dengue: em termos da difusão condicionada pela estrutura dos fluxos humanos; e em função dos fluxos humanos combinados com variáveis climáticas e sociodemográficas. Para isso, utilizamos métodos de análise de séries temporais: a análise wavelet foi aplicada para decompor séries temporais em diferentes resoluções tempo-frequência para caracterizar a dinâmica sazonal, ciclos multianuais e os relacionamentos de fase, que realça oscilações síncronas ou assíncronas no domínio do tempo-frequência de duas séries e fornece informações sobre possíveis modulações de um sinal sobre outro, mesmo que essas modulações ocorram com atraso temporal relativo. Em seguida, aplicamos funções de correlação cruzada para analisar a similaridade entre as séries em diferentes defasagens. Posteriormente, empregamos modelos de regressão espacial: um global (OLS) e dois locais (GWR e MGWR) para identificar padrões de heterogeneidade espacial interurbana na dinâmica de transmissão relacionados a fatores climáticos, mobilidade, adensamento, condições de saneamento e moradores por condições de saneamento. Nossos resultados mostraram que a dengue possui um módulo dominante de oscilações de 3-4 anos com tendência recente de redução para 2-3 anos na RMR. A variabilidade climática está parcialmente ligada à mudança da epidemiologia da doença, principalmente através da maior adequação ambiental favorecida pelas anomalias positivas das temperaturas e redução dos acumulados médios mensais de chuvas nos últimos anos, possivelmente associados às mudanças da TSM, com anomalias positivas mais intensas e frequentes. Evidenciamos que as epidemias são sincronizadas entre os municípios e coerentes com a dinâmica de transmissão da capital, que parece articular processos de difusão e originar focos de disseminação. Além disso, demonstramos que a mobilidade urbana é um fator relevante para explicar o número de casos no período epidêmico no Recife e seus principais municípios contíguos. Da mesma forma, condições de pobreza e a densidade populacional são fatores relacionados à ocorrência de dengue na região. Por fim, ressaltamos que há distinções importantes entre as escalas geográficas na qual cada processo opera, o que expressa importantes padrões espaciais marcados por heterogeneidades espaciais complexas. Desse modo, conclui-se que a dinâmica espaço-temporal da dengue na RMR pode resultar de uma complexa interação ENOS-variáveis climáticas locais, produzindo condições ideais de reprodução e dispersão vetorial através da redução das chuvas e do aumento médio das temperaturas verificados nos últimos anos, enquanto fatores sociais, demográficos e mobilidade urbana podem ser mais influentes na transmissão interurbana. Estes resultados fornecem uma base apropriada para apoiar formuladores de políticas públicas na tomada de decisão e planejar intervenções direcionadas antecipadamente.


  • Mostrar Abstract
  • A dengue é uma doença tropical negligenciada de importância mundial, que vem agravando-se em decorrência das mudanças ambientais em diversas partes do globo. Presente em mais de 128 países, é a arbovirose de disseminação mais rápida. Diversas pesquisas aprimoraram os conhecimentos sobre a influência do clima na sua dinâmica e como fatores sociais e demográficos estão relacionados, porém, a extensão dos seus efeitos ainda é incerta e os padrões epidemiológicos estão mudando. O objetivo da presente pesquisa foi analisar a influência da variabilidade climática sobre a periodicidade da dengue, o sincronismo epidêmico intermunicipal e a dinâmica espacial da dengue: em termos da difusão condicionada pela estrutura dos fluxos humanos; e em função dos fluxos humanos combinados com variáveis climáticas e sociodemográficas. Para isso, utilizamos métodos de análise de séries temporais: a análise wavelet foi aplicada para decompor séries temporais em diferentes resoluções tempo-frequência para caracterizar a dinâmica sazonal, ciclos multianuais e os relacionamentos de fase, que realça oscilações síncronas ou assíncronas no domínio do tempo-frequência de duas séries e fornece informações sobre possíveis modulações de um sinal sobre outro, mesmo que essas modulações ocorram com atraso temporal relativo. Em seguida, aplicamos funções de correlação cruzada para analisar a similaridade entre as séries em diferentes defasagens. Posteriormente, empregamos modelos de regressão espacial: um global (OLS) e dois locais (GWR e MGWR) para identificar padrões de heterogeneidade espacial interurbana na dinâmica de transmissão relacionados a fatores climáticos, mobilidade, adensamento, condições de saneamento e moradores por condições de saneamento. Nossos resultados mostraram que a dengue possui um módulo dominante de oscilações de 3-4 anos com tendência recente de redução para 2-3 anos na RMR. A variabilidade climática está parcialmente ligada à mudança da epidemiologia da doença, principalmente através da maior adequação ambiental favorecida pelas anomalias positivas das temperaturas e redução dos acumulados médios mensais de chuvas nos últimos anos, possivelmente associados às mudanças da TSM, com anomalias positivas mais intensas e frequentes. Evidenciamos que as epidemias são sincronizadas entre os municípios e coerentes com a dinâmica de transmissão da capital, que parece articular processos de difusão e originar focos de disseminação. Além disso, demonstramos que a mobilidade urbana é um fator relevante para explicar o número de casos no período epidêmico no Recife e seus principais municípios contíguos. Da mesma forma, condições de pobreza e a densidade populacional são fatores relacionados à ocorrência de dengue na região. Por fim, ressaltamos que há distinções importantes entre as escalas geográficas na qual cada processo opera, o que expressa importantes padrões espaciais marcados por heterogeneidades espaciais complexas. Desse modo, conclui-se que a dinâmica espaço-temporal da dengue na RMR pode resultar de uma complexa interação ENOS-variáveis climáticas locais, produzindo condições ideais de reprodução e dispersão vetorial através da redução das chuvas e do aumento médio das temperaturas verificados nos últimos anos, enquanto fatores sociais, demográficos e mobilidade urbana podem ser mais influentes na transmissão interurbana. Estes resultados fornecem uma base apropriada para apoiar formuladores de políticas públicas na tomada de decisão e planejar intervenções direcionadas antecipadamente.

3
  • ZENIS BEZERRA FREIRE
  • TERRITÓRIO, AMBIENTE E ESPERA: uma análise das geo-grafias e dinâmicas territoriais dos sujeitos atingidos por desastres “naturais” na Zona da Mata Sul de Pernambuco

  • Orientador : NILO AMERICO RODRIGUES LIMA DE ALMEIDA
  • MEMBROS DA BANCA :
  • EVERALDO BATISTA DA COSTA
  • ANA CAROLINA GONCALVES LEITE
  • JAN BITOUN
  • LUIZ EUGENIO PEREIRA CARVALHO
  • NILO AMERICO RODRIGUES LIMA DE ALMEIDA
  • VALTER DO CARMO CRUZ
  • Data: 26/07/2021

  • Mostrar Resumo
  • Os desastres “naturais” têm sido mais intensos nas últimas décadas, atingindo cada vez mais sujeitos e provocando deslocamentos ambientais por todo o mundo, é neste contexto que o nosso trabalho tem por objetivo analisar dinâmicas territoriais dos atingidos por desastres “naturais” na Zona da Mata Sul de Pernambuco, tendo como base as geo-grafia (ações) dos sujeitos. Dentre os objetivos específicos, buscamos compreender os processos de formação territorial da área estudada e a construção da(s) vulnerabilidade(s) presente (s) nestes espaços e discutir as dinâmicas territoriais geradas a partir dos desastres “naturais” e as escalas que atingem. Além disso, buscamos refletir sobre a construção dos territórios de espera, as formas de atuação do poder público no período pós-evento e as políticas de desatenção aos sujeitos atingidos, bem como  analisar as geo-grafias e r-existências dos sujeitos atingidos. No tocante à metodologia, esta pesquisa compôs um mosaico metodológico que reúne levantamento bibliográfico e documental, realização de trabalhos de campo e de entrevistas com os sujeitos atingidos por desastres “naturais”.


  • Mostrar Abstract
  • Os desastres “naturais” têm sido mais intensos nas últimas décadas, atingindo cada vez mais sujeitos e provocando deslocamentos ambientais por todo o mundo, é neste contexto que o nosso trabalho tem por objetivo analisar dinâmicas territoriais dos atingidos por desastres “naturais” na Zona da Mata Sul de Pernambuco, tendo como base as geo-grafia (ações) dos sujeitos. Dentre os objetivos específicos, buscamos compreender os processos de formação territorial da área estudada e a construção da(s) vulnerabilidade(s) presente (s) nestes espaços e discutir as dinâmicas territoriais geradas a partir dos desastres “naturais” e as escalas que atingem. Além disso, buscamos refletir sobre a construção dos territórios de espera, as formas de atuação do poder público no período pós-evento e as políticas de desatenção aos sujeitos atingidos, bem como  analisar as geo-grafias e r-existências dos sujeitos atingidos. No tocante à metodologia, esta pesquisa compôs um mosaico metodológico que reúne levantamento bibliográfico e documental, realização de trabalhos de campo e de entrevistas com os sujeitos atingidos por desastres “naturais”.

4
  • AYOBAMI BADIRU MOREIRA
  • A vulnerabilidade socioespacial à Ilha de Calor Urbana na cidade de Recife - PE, Brasil

  • Orientador : RANYERE SILVA NOBREGA
  • MEMBROS DA BANCA :
  • MARGARETE CRISTIANE DE COSTA TRINDADE AMORIM
  • JOSÉ CARLOS UGEDA JÚNIOR
  • CRISTIANA COUTINHO DUARTE
  • MARCELO DE OLIVEIRA MOURA
  • RANYERE SILVA NOBREGA
  • Data: 30/09/2021

  • Mostrar Resumo
  • O presente estudo teve o objetivo de avaliar o grau de vulnerabilidade socioespacial da cidade do Recife à intensidade da Ilha de Calor Urbana (ICU). Para isto, a paisagem urbana foi mapeada de acordo a cobertura e estrutura da superfície por meio da classificação não-supervisionada de imagem de satélite e da sobreposição do Modelo Digital do Terreno (MDT) e do Modelo Digital de Superfície (MDS). A partir dos dados atmosféricos e de superfície, a espacialização da ICU foi realizada pela modelagem espacial multivariada por janelas móveis. A análise da vulnerabilidade socioespacial à ICU considerou as seguintes componentes: exposição, sensibilidade e capacidade de adaptação. A Análise Fatorial (AF) foi utilizada no processamento os dados demográficos. As três componentes foram sintetizadas no Índice de Vulnerabilidade Socioespacial à ICU (IVSI). Apesar da ICU ser principalmente noturna, ela também foi identificada nos horários vespertinos. A ICU se desenvolveu mais rapidamente no período chuvoso, apresentando núcleos bem definidos de ICU “muito forte” logo após o pôr-do-sol. Esta análise constatou que há bairros em Recife que mesmo sob baixa intensidade de ICU apresentam elevada vulnerabilidade ao seu impacto, pois se encontram sob elevada vulnerabilidade social. Estudos futuros também podem fazer uso dos resultados obtidos na análise de vulnerabilidade, e avançar na construção de estratégias de mitigação ao impacto da ICU sobre a cidade.


  • Mostrar Abstract
  • O presente estudo teve o objetivo de avaliar o grau de vulnerabilidade socioespacial da cidade do Recife à intensidade da Ilha de Calor Urbana (ICU). Para isto, a paisagem urbana foi mapeada de acordo a cobertura e estrutura da superfície por meio da classificação não-supervisionada de imagem de satélite e da sobreposição do Modelo Digital do Terreno (MDT) e do Modelo Digital de Superfície (MDS). A partir dos dados atmosféricos e de superfície, a espacialização da ICU foi realizada pela modelagem espacial multivariada por janelas móveis. A análise da vulnerabilidade socioespacial à ICU considerou as seguintes componentes: exposição, sensibilidade e capacidade de adaptação. A Análise Fatorial (AF) foi utilizada no processamento os dados demográficos. As três componentes foram sintetizadas no Índice de Vulnerabilidade Socioespacial à ICU (IVSI). Apesar da ICU ser principalmente noturna, ela também foi identificada nos horários vespertinos. A ICU se desenvolveu mais rapidamente no período chuvoso, apresentando núcleos bem definidos de ICU “muito forte” logo após o pôr-do-sol. Esta análise constatou que há bairros em Recife que mesmo sob baixa intensidade de ICU apresentam elevada vulnerabilidade ao seu impacto, pois se encontram sob elevada vulnerabilidade social. Estudos futuros também podem fazer uso dos resultados obtidos na análise de vulnerabilidade, e avançar na construção de estratégias de mitigação ao impacto da ICU sobre a cidade.

5
  • FRANCISCA MARIA TEIXEIRA VASCONCELOS
  • “DÁ-ME DESSA ÁGUA”: PROJETOS DE DESENVOLVIMENTO, TERRITÓRIOS EM DISPUTA E AS EXPERIÊNCIAS COMUNITÁRIAS NO SERTÃO DE ALAGOAS

  • Orientador : CLAUDIO UBIRATAN GONCALVES
  • MEMBROS DA BANCA :
  • PAULO CESAR SCARIM
  • JOSÉ ADELSON LOPES PEIXOTO
  • CLAUDIO UBIRATAN GONCALVES
  • MERCEDES SOLÁ PÉREZ
  • MONICA COX DE BRITTO PEREIRA
  • Data: 04/10/2021

  • Mostrar Resumo
  • As políticas desenvolvimentistas demonstram a expansão do capital que, a partir do discurso colonial de propiciar desenvolvimento, emprego e renda, tem se territorializado e ressignificado os lugares, gerando relações de dominação sobre grupos subalternos. O Canal do Sertão, enquanto grande obra hídrica e de transposição, insere-se nos projetos de cunho desenvolvimentistas que vêm ocasionando transformações territoriais nos sertões da Região Nordeste, de maneira mais específica em Alagoas. Sob essa perspectiva, inferimos que os projetos de desenvolvimento, pensados e executados pelo Estado Moderno/Colonial, sob a justificativa de gerar desenvolvimento e melhorar as condições sociais e de vida da população, acabam por ocasionar um cenário de dúvidas, incertezas e de tensão sobre os territórios. Desse modo, apresentamos, como objetivo geral da tese, analisar a implantação do Canal do Sertão em Alagoas, à luz dos grandes projetos de desenvolvimento, evidenciando as transformações no que se refere aos processos e relações sobre a água, a terra e os territórios dos povos do Sertão. Logo, propomos desenvolver esta leitura a partir do diálogo com autores que, sob a perspectiva teórica da descolonialidade, têm em seus estudos questionado a colonialidade do poder, do saber, do ser e da natureza. Eles estão inseridos no grupo denominado de modernidade/colonialidade que têm, a contar de suas pesquisas, apresentado a proposta de mudança do lugar de olhar e de fala, diante do conhecimento ocidental que sempre se apresentou como universal em nossa formação acadêmica e humana. Nossos resultados destacam a diversidade de “outros modos” de vida no Sertão a partir de diferentes usos das águas e da terra, com base nas experiências comunitárias.


  • Mostrar Abstract
  • As políticas desenvolvimentistas demonstram a expansão do capital que, a partir do discurso colonial de propiciar desenvolvimento, emprego e renda, tem se territorializado e ressignificado os lugares, gerando relações de dominação sobre grupos subalternos. O Canal do Sertão, enquanto grande obra hídrica e de transposição, insere-se nos projetos de cunho desenvolvimentistas que vêm ocasionando transformações territoriais nos sertões da Região Nordeste, de maneira mais específica em Alagoas. Sob essa perspectiva, inferimos que os projetos de desenvolvimento, pensados e executados pelo Estado Moderno/Colonial, sob a justificativa de gerar desenvolvimento e melhorar as condições sociais e de vida da população, acabam por ocasionar um cenário de dúvidas, incertezas e de tensão sobre os territórios. Desse modo, apresentamos, como objetivo geral da tese, analisar a implantação do Canal do Sertão em Alagoas, à luz dos grandes projetos de desenvolvimento, evidenciando as transformações no que se refere aos processos e relações sobre a água, a terra e os territórios dos povos do Sertão. Logo, propomos desenvolver esta leitura a partir do diálogo com autores que, sob a perspectiva teórica da descolonialidade, têm em seus estudos questionado a colonialidade do poder, do saber, do ser e da natureza. Eles estão inseridos no grupo denominado de modernidade/colonialidade que têm, a contar de suas pesquisas, apresentado a proposta de mudança do lugar de olhar e de fala, diante do conhecimento ocidental que sempre se apresentou como universal em nossa formação acadêmica e humana. Nossos resultados destacam a diversidade de “outros modos” de vida no Sertão a partir de diferentes usos das águas e da terra, com base nas experiências comunitárias.

6
  • TAÍSE DOS SANTOS ALVES
  • ESCOLA DAS ÁGUAS – MOVIMENTO DOS PESCADORES E PESCADORAS ARTESANAIS (MPP-BA): DEMARCANDO EXPERIÊNCIAS GEO-GRÁFICAS E FORMATIVAS SOBRE OS TERRITÓRIOS PESQUEIROS DA BAÍA DE TODOS OS SANTOS (BTS) – BAHIA - BRASIL

  • Orientador : CLAUDIO UBIRATAN GONCALVES
  • MEMBROS DA BANCA :
  • EDUARDO OLIVEIRA MIRANDA
  • CRISTIANO QUARESMA DE PAULA
  • ANA TEREZA REIS DA SILVA
  • CATIA ANTONIA DA SILVA
  • CLAUDIO UBIRATAN GONCALVES
  • Data: 26/10/2021

  • Mostrar Resumo
  • A Escola das Águas (EA) é um projeto que tem origem nos sonhos e desejos de Dona Maria do Paraguaçu, uma mulher negra, quilombola, militante do Movimento dos Pescadores e Pescadoras Artesanais (MPP), que tinha dificuldades na escrita, mas possuía um amplo saber e “leitura de mundo”. Dona Maria via a necessidade das comunidades tradicionais pesqueiras e quilombolas em adotar uma escola que se adequasse aos modos de vida, aos horários das marés e da ida para as roças, uma escola que tem como princípio a articulação dos conhecimentos científicos e saberes tradicionais, cujo jovens, adultos e idosos, a partir das suas comunidades, possam se apropriar do conhecimento científico sem se distanciar das raízes e da base de conhecimento empírico vivenciado, de modo ancestral, nas comunidades pesqueiras. Em acréscimo, essa escola fomente o princípio da educação militante do MPP, propondo diferentes espaços de discussão e fortalecimento da luta dessas comunidades, a partir dos inúmeros conflitos e contradições existentes nos territórios pesqueiros da Bahia, sobretudo, na Baía de Todos os Santos (BTS). Revelar a pedagogia das águas feita e praticada pela EA é o desejo e desafio da escrita desta Tese, cujos objetivos consistem desde explicitar o contexto de sua criação, suas perspectivas, metodologias, princípios pedagógicos e desafios, para, diante disso, pontuar os resultados alcançados no decorrer de sua existência. O transcorrer deste trabalho visa pontuar como essa pedagogia das águas compõe uma articulação entre as nuances geofilosóficas, as quais reverberam nos corpos das pescadoras e pescadores artesanais, próprias de sua condição de sujeito. Com isso, essa dimensão ajuda a compreender como elas e eles compõem lugares e territórios carregados de subjetividades e especificidades, e envolvem inúmeras relações entre terra, água, mangue, ar, mares, rios, validando um conteúdo que justifica seu saber-fazer-ser e, por isso, torna-se componente intrínseco para praticar a “pedagogia das águas” pautada, conjuntamente, nos conflitos e resistências em defesa dos territórios pesqueiros, sendo essa a práxis e a base curricular da EA. No entanto, para traduzir a EA nesta tese, recorro a diálogos e aproximações, métodos e teorias, que ora se aproximam das abordagens do materialismo histórico e dialético, ora fenomenológico, além das aproximações da abordagem decolonial. Essas escolhas foram essenciais na compreensão dos processos que envolvem a produção do espaço que materializam os territórios pesqueiros feitos por esses sujeitos, ajudando a explicitar como essa produção revela seu caráter intersubjetivo, intencional e contraditório. Nesse sentido, esses métodos ajudam nestas compreensões, pontuando essas análises e articulações como a base das pautas educativas que são colocadas no currículo e na prática educativa feita na EA. Ao passo que, também, pretende, conjuntamente, discorrer sobre ancestralidade, racismo estrutural, questões de gênero, conflitos, conflituosidade, questões agrárias e demais componentes e pautas no interior das ações que provocam/tensionam essa Escola. Para tanto, foram realizadas pesquisa bibliográfica, documental, pesquisa de campo, com depoimentos da coordenação, estudantes e integrantes das comunidades e lideranças do MPP. Por fim, a caminhada desta Tese me permite afirmar que tanto a pedagogia das águas, quanto a geografia dos territórios pesqueiros, a partir da práxis pedagógica da EA, fortalecem a identidade de pescador(a) artesanal atuante e comprometido(a) com seu lugar e seu território.


  • Mostrar Abstract
  • A Escola das Águas (EA) é um projeto que tem origem nos sonhos e desejos de Dona Maria do Paraguaçu, uma mulher negra, quilombola, militante do Movimento dos Pescadores e Pescadoras Artesanais (MPP), que tinha dificuldades na escrita, mas possuía um amplo saber e “leitura de mundo”. Dona Maria via a necessidade das comunidades tradicionais pesqueiras e quilombolas em adotar uma escola que se adequasse aos modos de vida, aos horários das marés e da ida para as roças, uma escola que tem como princípio a articulação dos conhecimentos científicos e saberes tradicionais, cujo jovens, adultos e idosos, a partir das suas comunidades, possam se apropriar do conhecimento científico sem se distanciar das raízes e da base de conhecimento empírico vivenciado, de modo ancestral, nas comunidades pesqueiras. Em acréscimo, essa escola fomente o princípio da educação militante do MPP, propondo diferentes espaços de discussão e fortalecimento da luta dessas comunidades, a partir dos inúmeros conflitos e contradições existentes nos territórios pesqueiros da Bahia, sobretudo, na Baía de Todos os Santos (BTS). Revelar a pedagogia das águas feita e praticada pela EA é o desejo e desafio da escrita desta Tese, cujos objetivos consistem desde explicitar o contexto de sua criação, suas perspectivas, metodologias, princípios pedagógicos e desafios, para, diante disso, pontuar os resultados alcançados no decorrer de sua existência. O transcorrer deste trabalho visa pontuar como essa pedagogia das águas compõe uma articulação entre as nuances geofilosóficas, as quais reverberam nos corpos das pescadoras e pescadores artesanais, próprias de sua condição de sujeito. Com isso, essa dimensão ajuda a compreender como elas e eles compõem lugares e territórios carregados de subjetividades e especificidades, e envolvem inúmeras relações entre terra, água, mangue, ar, mares, rios, validando um conteúdo que justifica seu saber-fazer-ser e, por isso, torna-se componente intrínseco para praticar a “pedagogia das águas” pautada, conjuntamente, nos conflitos e resistências em defesa dos territórios pesqueiros, sendo essa a práxis e a base curricular da EA. No entanto, para traduzir a EA nesta tese, recorro a diálogos e aproximações, métodos e teorias, que ora se aproximam das abordagens do materialismo histórico e dialético, ora fenomenológico, além das aproximações da abordagem decolonial. Essas escolhas foram essenciais na compreensão dos processos que envolvem a produção do espaço que materializam os territórios pesqueiros feitos por esses sujeitos, ajudando a explicitar como essa produção revela seu caráter intersubjetivo, intencional e contraditório. Nesse sentido, esses métodos ajudam nestas compreensões, pontuando essas análises e articulações como a base das pautas educativas que são colocadas no currículo e na prática educativa feita na EA. Ao passo que, também, pretende, conjuntamente, discorrer sobre ancestralidade, racismo estrutural, questões de gênero, conflitos, conflituosidade, questões agrárias e demais componentes e pautas no interior das ações que provocam/tensionam essa Escola. Para tanto, foram realizadas pesquisa bibliográfica, documental, pesquisa de campo, com depoimentos da coordenação, estudantes e integrantes das comunidades e lideranças do MPP. Por fim, a caminhada desta Tese me permite afirmar que tanto a pedagogia das águas, quanto a geografia dos territórios pesqueiros, a partir da práxis pedagógica da EA, fortalecem a identidade de pescador(a) artesanal atuante e comprometido(a) com seu lugar e seu território.

7
  • MARLI GONDIM DE ARAUJO
  • LIMOLAYGO TOYPE: territórios sagrados e agricultura indígena ancestral em Pesqueira, Pernambuco

  • Orientador : CAIO AUGUSTO AMORIM MACIEL
  • MEMBROS DA BANCA :
  • MARCOS ANTONIO BEZERRA FIGUEIREDO
  • ANA CAROLINA GONCALVES LEITE
  • CAIO AUGUSTO AMORIM MACIEL
  • EDSON HELY SILVA
  • MONICA COX DE BRITTO PEREIRA
  • Data: 28/10/2021

  • Mostrar Resumo
  • Esta tese busca evidenciar os aspectos que conformam a retomada da agricultura tradicional Xukuru, também nominada como ancestral ou agricultura modo de vida. Os Xukuru do Ororubá são indígenas que vivem desde o século XVII na Serra do Ororubá, em terras localizadas no agreste pernambucano, nos municípios de Pesqueira e Poção. Seu território, ao longo dos séculos foi ocupado por fazendeiros, latifundiários e criadores de gado, estabelecendo relações de exploração da mão de obra indígena e desenvolvendo um modelo de produção explorador da natureza e excludente para as famílias originárias. Depois de muitas lutas, os indígenas retomaram suas terras a partir de meados da década de 1980 até início dos anos 2000. As contendas que cercaram as lutas pela retomada das terras, ceifaram muitas vidas, entre elas a do cacique Xikão, liderança máxima dos Xukuru. Com as lutas pela reconquista das suas terras, os indígenas criaram um referencial epistêmico e cosmológico - a retomada, que gerou aprendizados que se estenderam a várias esferas de sua atuação, destacando a agricultura ancestral, cuja centralidade é determinada pela relação com os “encantados” e as práticas de gestão do território em que convivam espaços de produção, de criação, de realização de cultos e rituais, de preservação das matas, rios, lajedos e pedras, num complexo intercultural e cosmológico, cujo referencial físico se configura no Centro de Agricultura Xukuru do Ororubá (CAXO), localizado na Aldeia Couro d’Antas. A primeira retomada na Aldeia Pedra d’Água e as atividades do CAXO estão na perspectiva do que está anunciado como “cosmonucleação”, ou seja, ambos são centros geradores de ações semelhantes, que movidas pela espiritualidade e cosmovisão Xukuru, se estendem território a dentro na Serra do Ororubá. Outra forma didática de construir conhecimentos se dá a partir da realização dos eventos anuais sobre as áreas estratégicas dos indígenas, com destaque para os que discutem e promovem a agricultura modo de vida: O Encontro de Sábios e Sábias e o Urubá Terra. Com isso, os Xukuru do Ororubá, criam referenciais epistêmicos de descolonialidade e caminham no fortalecimento de sua relação com a natureza, de sua forma de produção de alimentos e explicitam sua cosmovisão no agreste pernambucano.


  • Mostrar Abstract
  • Esta tese busca evidenciar os aspectos que conformam a retomada da agricultura tradicional Xukuru, também nominada como ancestral ou agricultura modo de vida. Os Xukuru do Ororubá são indígenas que vivem desde o século XVII na Serra do Ororubá, em terras localizadas no agreste pernambucano, nos municípios de Pesqueira e Poção. Seu território, ao longo dos séculos foi ocupado por fazendeiros, latifundiários e criadores de gado, estabelecendo relações de exploração da mão de obra indígena e desenvolvendo um modelo de produção explorador da natureza e excludente para as famílias originárias. Depois de muitas lutas, os indígenas retomaram suas terras a partir de meados da década de 1980 até início dos anos 2000. As contendas que cercaram as lutas pela retomada das terras, ceifaram muitas vidas, entre elas a do cacique Xikão, liderança máxima dos Xukuru. Com as lutas pela reconquista das suas terras, os indígenas criaram um referencial epistêmico e cosmológico - a retomada, que gerou aprendizados que se estenderam a várias esferas de sua atuação, destacando a agricultura ancestral, cuja centralidade é determinada pela relação com os “encantados” e as práticas de gestão do território em que convivam espaços de produção, de criação, de realização de cultos e rituais, de preservação das matas, rios, lajedos e pedras, num complexo intercultural e cosmológico, cujo referencial físico se configura no Centro de Agricultura Xukuru do Ororubá (CAXO), localizado na Aldeia Couro d’Antas. A primeira retomada na Aldeia Pedra d’Água e as atividades do CAXO estão na perspectiva do que está anunciado como “cosmonucleação”, ou seja, ambos são centros geradores de ações semelhantes, que movidas pela espiritualidade e cosmovisão Xukuru, se estendem território a dentro na Serra do Ororubá. Outra forma didática de construir conhecimentos se dá a partir da realização dos eventos anuais sobre as áreas estratégicas dos indígenas, com destaque para os que discutem e promovem a agricultura modo de vida: O Encontro de Sábios e Sábias e o Urubá Terra. Com isso, os Xukuru do Ororubá, criam referenciais epistêmicos de descolonialidade e caminham no fortalecimento de sua relação com a natureza, de sua forma de produção de alimentos e explicitam sua cosmovisão no agreste pernambucano.

8
  • CÍCERO HARISSON DOS SANTOS SOUZA
  • PANORAMA DAS CIDADES MÉDIAS DO INTERIOR DO NORDESTE: uma proposta de análise histórica e socioeconômica

  • Orientador : ANA CRISTINA DE ALMEIDA FERNANDES
  • MEMBROS DA BANCA :
  • MONICA APARECIDA TOMÉ PEREIRA
  • JORGE DA SILVA MACAÍSTA MALHEIROS
  • ALEXANDRE SABINO DO NASCIMENTO
  • ANA CRISTINA DE ALMEIDA FERNANDES
  • LIVIA IZABEL BEZERRA DE MIRANDA
  • Data: 30/11/2021

  • Mostrar Resumo
  • O debate referente às cidades médias no Brasil é pautado pela crescente importância que elas têm desempenhado no território nacional, em paralelo ao processo de interiorização do capital e das atividades urbanas a ele associadas. Compreende-se que proporcionaram importantes estímulos a tal processo as chamadas “políticas desenvolvimentistas”, implementadas nos anos 1970. Entre estas, destaca-se o II PND (Plano Nacional de Desenvolvimento) que incluiu ações voltadas à dinamização dos centros urbanos brasileiros, inclusive aqueles de médio porte. As cidades médias passam a ser consideradas como uma alternativa para desafogar as metrópoles, e fornecer a infraestrutura urbana necessária à intensificação de inter-relações e fluxos de população e serviços - algo que a interiorização exigia. A estagnação econômica que se segue ao colapso do desenvolvimentismo, no início dos anos 1980, não elimina, contudo, o poder de atração das cidades médias, que se revigora na década de 2000. Desta vez, o movimento de interiorização ocorre em sintonia com a retomada do crescimento econômico liderado pelo setor público. Em meados da década seguinte, porém, verifica-se nova reversão. A complexidade da crise de 2015 obstruiu o ciclo de desenvolvimento urbano desta categoria de cidades, impactando o dinamismo iniciado no período desenvolvimentista. Tendo esta trajetória como pano de fundo, a presente tese tem como objetivo detalhar o panorama socioeconômico recente das principais cidades médias do interior do Nordeste, focando o recorte temporal que vai dos anos 1990 ao período 2015-2020. Fazendo uso de bases de dados secundários, consistidos e sistematizados em tabelas e gráficos, observou-se que no período 2000-2015, as cidades selecionadas apresentaram desempenho semelhante ao da economia nacional como um todo: registraram expressivo crescimento econômico, associado ao intenso fluxo de investimentos externos (públicos e privados), bem como políticas sociais e de transferência de renda em direção ao Nordeste, com melhorias nos indicadores socioeconômicos. Este processo não se sustenta após 2015, quando o desempenho do PIB apresenta queda em todas as cidades selecionadas e, consequentemente, reduz o fluxo de capital que vinha sustentando tal crescimento. Desse modo, diferentemente da década de 1990, no período 2000-2015 o crescimento das cidades médias não apenas coincidiu com o crescimento da economia nacional, e nem decorreu da estagnação das metrópoles observada na década de 1990.


  • Mostrar Abstract
  • O debate referente às cidades médias no Brasil é pautado pela crescente importância que elas têm desempenhado no território nacional, em paralelo ao processo de interiorização do capital e das atividades urbanas a ele associadas. Compreende-se que proporcionaram importantes estímulos a tal processo as chamadas “políticas de desenvolvimento”, implementadas nos anos 1970. Entre estas, destaca-se o II PND (Plano Nacional de Desenvolvimento) que incluiu instrumentos para dinamizar os centros urbanos brasileiros, inclusive aqueles de médio porte. As cidades médias passam a ser consideradas como uma alternativa para desafogar as metrópoles e estabelecer a estrutura urbana necessária à intensificação de interrelações e fluxos da população e dos serviços -algo que a interiorização exigia. Em que pese a interrupção do modelo de desenvolvimento nos anos 1980, este movimento de interiorização se mantém. Contudo, vem se arrefecendo mais recentemente. A complexidade da crise econômica de 2015 impactou as cidades médias e obstruiu o ciclo de desenvolvimento urbano desta categoria
    de cidades. Esta tese tem como objetivo construir um panorama socioeconômico recente das principais cidades médias do interior do Nordeste. Cuja periodização se inicia com dados dos anos 1990 e contempla análises do período da crise na economia brasileira entre 2015-2020. Sendo assim, foi relevante compreender como se constituíram as dinâmicas demográficas e econômicas dessas localidades, assim como as suas trajetórias históricas.

9
  • NOALDO JOSÉ AIRES TAVARES
  • POLÍTICAS DE SUSTENTAÇÃO DE RENDA E CONSUMO NO CARIRI PARAIBANO: TRANSFORMAÇÕES NO ESPAÇO COMERCIAL EM BOQUEIRÃO

  • Orientador : NILSON CORTEZ CROCIA DE BARROS
  • MEMBROS DA BANCA :
  • CAIO AUGUSTO AMORIM MACIEL
  • LINCOLN DA SILVA DINIZ
  • LUIZ EUGENIO PEREIRA CARVALHO
  • NILSON CORTEZ CROCIA DE BARROS
  • SERGIO LUIZ MALTA DE AZEVEDO
  • Data: 27/12/2021

  • Mostrar Resumo
  • As cidades encarnam o elo integrador do terciário, pois é nelas que se materializa, de forma mais proeminente, uma hierarquia de circuitos que relacionam as trocas e os fluxos de produtos advindos do sistema agropastoril e do sistema industrial, de forma a organizar um terciário robusto internamente ao seu espaço, composto por organismos essenciais para a vida em sociedade. O Brasil é um rico laboratório para os estudos urbanos, especialmente aqueles que focam sua atenção para as pequenas cidades, que representam significativa quantidade e expõem grandes diversidades e desafios. É necessário um pensamento amplo, que permeie, tanto uma reflexão sobre a cidade e o urbano, quanto sobre os processos mais recentes da economia e da urbanização brasileira. Os espaços comerciais vivenciam mudanças em decorrência de uma adaptação a um novo contexto. Em um país de dimensões continentais e com contradições socioespaciais presentes ao longo de todo território, como é o caso brasileiro, acreditamos que essas dinâmicas acabam por se expor com um nível mais elevado de adequações a essas situações. A complexidade dessa análise envolve um olhar que reconheça as articulações existentes entre produção, circulação comércio e consumo, para que, em seguida, se compreenda os impactos dessas atividades no espaço. No Cariri Paraibano tem se observado, nas últimas décadas, uma redistribuição de renda muito importante junto a um segmento da população brasileira originária do campo e historicamente excluída das conquistas sociais do país, através de algumas Políticas de Sustentação de Renda, dentre as quais podemos destacar: Previdência Rural, Garantia Safra e o Bolsa família. Essa especificidade que envolve os programas de distribuição de renda disseminados no Brasil, nas últimas décadas, acaba por aparecer de forma evidente na organização da economia, da sociedade e nos espaços urbanos. A diversificação e ampliação das fontes de renda acaba por exercer notória influência no espaço comercial das pequenas cidades do interior do Nordeste. Tornou-se mais comum a prosperidade dos comerciantes nas pequenas cidades, tendo em vista o significativo valor injetado por esses programas na economia local. Começa a se observar, cada vez com mais frequência, a fixação de comerciantes no espaço urbano das pequenas cidades do Cariri Paraibano. Em Boqueirão, podese observar uma maior tendência de fixação de comércios na sede do município nos últimos anos, especialmente em sua área central, ao passo em que passa a ser menos frequente a manutenção da intinerância desses mercadores, tendo em vista que os custos adicionais tendem a tornar desinteressante ou inviável a competição com os comerciantes que também conseguiram prosperar e se fixar nas demais cidades que antes faziam parte de sua rota de vendas.


  • Mostrar Abstract
  • A cidade surge como uma unidade social que preenche um papel privilegiado nas trocas. Percebe-se que as formas comerciais refletem os variados movimentos de transformação da sociedade, pois busca atender e se adaptar às necessidades dela. Trata-se de um movimento dialético, de constituição e (re)constituição, não apenas de formas estruturais, mas também de conteúdos sociais. Portanto, a ampliação das articulações regionais, em virtude da globalização, aliada ao movimento dialético que se manifesta entre a sociedade e os espaços urbanos fazem com que seja apropriado analisar as transformações do espaço e na dinâmica urban-regional a partir das manifestações das formas comerciais. As cidades encarnam o elo integrador do terciário, pois é nelas que se materializa, de forma mais proeminente, uma hierarquia de circuitos que relacionam as trocas e os fluxos de produtos advindos do sistema agropastoril e do sistema industrial, de forma a organizar um terciário robusto internamente ao seu espaço, composto por organismos essenciais para a vida em sociedade. O Brasil é um rico laboratório para os estudos urbanos, especialmente aqueles que focam sua atenção para as pequenas cidades, que representam significativa quantidade e expõem grandes diversidades e desafios. Um dos desafios que envolve a reflexão acerca das cidades pequenas sem conceber seu entorno. É fundamental que se incorpore a análise da hierarquia urbana e a busca por uma compreensão da articulação com o rural. É necessário um pensamento amplo, que permeie, tanto uma reflexão sobre a cidade e o urbano, quanto sobre os processos mais recentes da economia e da urbanização brasileira. Os espaços comerciais vivenciam mudanças em decorrência de uma adaptação a um novo contexto. Novas especializações, formas, funções e organização locacional vão sendo postas. Essas tendências trazem consigo múltiplas dialéticas que merecem maior atenção da ciência geográfica. Em um país de dimensões continentais e com contradições socioespaciais presentes ao longo de todo território, como é o caso brasileiro, acreditamos que essas dinâmicas acabam por se expor com um nível mais elevado de adequações a essas situações. A complexidade dessa análise envolve um olhar que reconheça as articulações existentes entre produção, circulação comércio e consumo, para que em seguida se compreenda os impactos dessas atividades no espaço. Se observa uma reestruturação econômica mundial que apresenta em sua face transformações sociais e técnicas; compressão espaço-tempo e crescente globalização da economia. Nossa pesquisa busca pautar esse processo que se aprofunda de maneira muito significativa na região Nordeste do Brasil, em razão de vários fenômenos que pudemos observar. Ao aumentarmos a escala, para nos aprofundar na análise desses fenômenos, constatamos que no Cariri Paraibano tem se observado nas últimas décadas uma redistribuição de renda muito importante junto a um segmento da população brasileira originária do campo e historicamente excluída das conquistas sociais do país, dentre as quais podemos destacar: Previdência Rural, Garantia Safra e o Bolsa família. Portanto, essa especificidade que envolve os programas de distribuição de renda disseminados no Brasil nas últimas décadas acaba por aparecer de forma evidente na organização da economia, da sociedade e nos espaços urbanos.

SIGAA | Superintendência de Tecnologia da Informação (STI-UFPE) - (81) 2126-7777 | Copyright © 2006-2022 - UFRN - sigaa02.ufpe.br.sigaa02