NAVEGANDO ENTRE OLHARES: ESPACIALIDADES NEGRAS E A SEXUALIZAÇÃO DOS BARQUEIROS NO TURISMO NÁUTICO DE RIO FORMOSO-PE
Turismo náutico; Barqueiros; Sexualização; Masculinidades negras.
As masculinidades negras estão sendo altamente discutidas na atualidade com base em ideias como, por exemplo, a redução de homens negros ao papel de servir, ou seja, homens negros que são julgados pelo seu modo de vida ou até mesmo pelo seu trabalho, que é o caso dos barqueiros de Rio formoso-PE. O contexto da pesquisa situa-se no litoral sul pernambucano, estuário do rio formoso, repleto de manguezais e praias paradisíacas como a praia dos Carneiros, nacionalmente conhecida por ser um polo do turismo do nordeste brasileiro. Nessa geografia corporificada, os barqueiros são colocados numa situação de sexualização de seus corpos por parte desses turistas, no seu local de trabalho, mas também na paisagem ao qual cresceram, já que se consideram nativos da região. A sexualização do barqueiro está atrelada à posição que ele está no momento, ou seja, de ser um homem negro oferecendo um serviço no contexto da paisagem do manguezal e do estuário, esse conjunto cria o estereótipo do fetiche. A relação corpo do homem negro e paisagem entra no processo que hooks (2022) trás sobre as heranças da escravidão que, para além do crime de exploração fisica, também marca a historia das pessoas negras com o desenvolvimento da exploração sexual pelos senhores e senhoras de engenhos. A violência física e sexual que esses corpos sofreram é incontável, no âmbito sexual os homens negros que incomodavam socialmente serviam sexualmente, com essa finalidade os homens negros tinham e continuam tendo seus corpos reduzidos ao falo. Com base em autores como Franz Fanon (2008), Grada Kilomba (2019); Joseli Silva (2009), Deivson Faustino (2014; 2017), esse trabalho visa contribuir para a reflexão do campo da geografia e gênero.