Investigação do Papel dos genes CYP51 e pks1 no Contexto de Resistência e Virulência em Sporothrix brasiliensis
Surto de Doença; Esporotricose; Sporothrix brasiliensis; Melanina; Gene pks1; Citocromo P450; gene CYP51; Doenças Endêmicas; Virulência Fúngica; Resistência a Antifúngicos
A esporotricose é a doença causado por fungos dimórficos patogênicos do gênero Sporothrix, sendo a micose de implantação mais comum e tendo focos de hiperendemias pelo mundo, incluindo o Brasil. Em nosso país, destaca-se a espécie Sporothrix brasiliensis, inteiramente adaptada à transmissão animal-humano, especialmente por felinos domésticos, nos quais também gera doença. Ao longo de 25 anos de espalhamento da doença em surtos por todo o território nacional, cresceram o número de casos, incluindo evoluções graves e disseminadas e/ou refratárias à terapia padrão com itraconazol. Diversos fatores podem ser atribuídos a tais observações, ora relacionados ao hospedeiro, ora relacionados ao próprio fungo. Do ponto de vista do patógeno, diversos genes são apontados como contribuintes com tais caracteres clínicos. Concentraremo-nos em dois deles: CYP51, gene da família CYP450 responsável pela produção da 14-α-esterol-demetilase, proteína ligada à síntese do ergosterol, este por sua vez intimamente relacionado ao mecanismo de ação de antifúngicos azois, terbinafina e anfotericina B; e pks1, gene pivotal na produção de melanina fúngica, em particular a DHN melanina, que é a mais abundante no S. brasiliensis, e protege o fungo contra a fagocitose por macrófagos e neutrófilos e contra o stress oxidativo, aumentando sua virulência. Este Estudo-Piloto observacional de Caso Controle propõe-se a estudar estes genes, partindo de amostras retrospectivas e prospectivas de S. brasiliensis cultivadas de seres humanos doentes atendidos em 3 setores da UFPE (Laboratório de Micologia Médica, Ambulatório de Dermatologia e Enfermaria do Hospital das Clínicas) entre 2020 e 2026, através de sequenciamento e estabelecimento de associações entre mutações de um ou ambos e desfechos desfavoráveis, quer do ponto de vista de agravo clínico (nos casos disseminados), quer através de resistência ao tratamento padão, com CIM elevado, tempo de tratamento prolongado ou necessidade de troca de terapẽutica. Por fim, espera-se estimar prevalência de mutações destes genes que possam fundamentar estudos futuros sobre o tema.
1. 1. Estimar a prevalência de mutações nos genes PKS1 e CYP51 em isolados de S. brasiliensis de
pacientes com desfechos brandos (controles) e graves (casos) avaliados.
2. Testar a viabilidade do protocolo de recrutamento de pacientes, coleta de dados e análise
molecular.
3. Gerar dados preliminares sobre a magnitude da associação (Odds Ratio) para fundamentar o
cálculo do tamanho da amostra de um futuro estudo multicêntrico definitivo.
1. Explorar a associação entre as mutações identificadas e a gravidade da doença.