AVALIAÇÃO DAS MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS E LABORATORIAIS RELACIONADAS AO SISTEMA GASTROINTESTINAL E PROGNÓSTICO EM PACIENTES HOSPITALIZADOS COM COVID-19.
COVID-19, sintomas gastrointestinais, enzimas hepáticas, prognóstico.
As implicações prognósticas dos sintomas gastrointestinais e alterações de enzimas hepáticas
em pacientes com COVID-19 têm mostrado variabilidade significativa entre os estudos,
possivelmente devido à metodologia.
Este estudo teve como objetivo descrever a incidência de sintomas gastrointestinais e
alterações de enzimas hepáticas em pacientes hospitalizados com COVID-19, bem como sua
correlação com a gravidade da doença. Foi realizado um estudo de coorte prospectivo com
253 pacientes consecutivos com SARS-CoV-2 em um hospital terciário. Os pacientes foram
avaliados quanto à presença de sintomas gastrointestinais, elevação das enzimas hepáticas e
desfechos clínicos. Dos pacientes, 49 (19,37%) apresentaram sintomas gastrointestinais. A
internação em terapia intensiva ocorreu em 20,4% dos pacientes com sintomas, comparado a
24,2% dos pacientes sem sintomas gastrointestinais (p=0,707), e a mortalidade foi de 16,2%
no grupo sintomático, em comparação a 18,3% no grupo assintomático (p=0,674). A
sobrevida nos primeiros 30 dias não apresentou diferença significativa (χ²=0,12; p=0,72). A
elevação das enzimas hepáticas foi observada em 90 pacientes (35,6%), enquanto 163
(64,4%) mantiveram níveis normais. A elevação das enzimas hepáticas após a admissão foi
associada a um maior tempo de internação (7 dias vs. 5 dias, p=0,0016). No entanto, não
houve diferenças significativas na admissão em UTI (27,6% vs. 19,7%, p=0,179) e na
mortalidade entre os grupos (18,9% vs. 14,6%, p=0,398). Concluiu-se que a presença de
sintomas gastrointestinais e a elevação das enzimas hepáticas não demonstraram correlação
com a mortalidade. Contudo, a elevação das enzimas hepáticas durante a internação esteve
associada a um tempo de internação significativamente maior.