AVALIAÇÃO DA FIBROSE PERIPORTAL E DA HIPERTENSÃO PORTAL ATRAVÉS DA ELASTOGRAFIA HEPÁTICA E ESPLÊNICA NA ESQUISTOSSOMOSE MANSÔNICA
Varizes Esofágicas; Hemorragia Gastrointestinal; Baço; Ultrassonografia; Hipertensão Portal Não Cirrótica
A esquistossomose mansônica (EM) pode evoluir com fibrose periportal, hipertensão portal
não cirrótica e suas principais complicações, incluindo varizes esofágicas e hemorragia digestiva alta (HDA). Esta tese teve como objetivo identificar pacientes com antecedente de hemorragia digestiva e predizer a ocorrência de varizes esofágicas em pacientes com EM por meio de parâmetros ultrassonográficos e elastográficos por point shear-wave (pSWE) do fígado e do baço. Descreve os resultados de dois estudos complementares, além de dois trabalhos de revisão sobre fibrose periportal já publicados, um como artigo e o outro como capítulo (anexos). O primeiro estudo incluiu 177 pacientes com EM, dos quais 51 (28,8%) apresentavam histórico de hemorragia digestiva alta. Os pacientes com antecedente de sangramento apresentaram padrões mais avançados de fibrose periportal, maiores diâmetros das veias porta e esplênica, maior esplenomegalia e maiores valores de rigidez hepática e esplênica à pSWE. A análise das curvas ROC identificou como melhores pontos
de corte para discriminar pacientes com história de HDA: diâmetro da veia porta > 1,3 cm,
diâmetro da veia esplênica > 0,79 cm, índice esplênico > 65,2, rigidez hepática > 1,5 m/s e
rigidez esplênica > 3,56 m/s. Entre os parâmetros avaliados, o índice esplênico apresentou o
melhor desempenho diagnóstico (AUC = 0,804), constituindo uma ferramenta na identificação de pacientes com maior risco de sangramento digestivo. O segundo estudo avaliou 71 pacientes com hipertensão portal não cirrótica relacionada à EM, submetidos à endoscopia digestiva alta. Varizes foram identificadas em 46 pacientes (64,8%), predominantemente de pequeno calibre. O índice esplênico, o diâmetro da veia esplênica e a rigidez esplênica por pSWE mostraram associação significativa com a presença de varizes esofágicas (p < 0,001), enquanto os parâmetros hepáticos apresentaram desempenho insatisfatório. Na análise da curva ROC, a rigidez esplênica apresentou a maior capacidade discriminatória (AUC = 0,800), seguida pelo diâmetro da veia esplênica (AUC = 0,783) e pelo índice esplênico (AUC = 0,722). Em conjunto, os resultados destes dois estudos
demonstram que os parâmetros ultrassonográficos e elastográficos relacionados ao baço apresentam melhor desempenho do que os do fígado, tanto na identificação de pacientes com histórico de hemorragia digestiva quanto na predição de varizes esofágicas. A associação de maiores níveis da pressão portal com os parâmetros do baço reflete a importância do componente esplênico na fisiopatologia da hipertensão portal não cirrótica induzida pelo S. mansoni. Esses achados reforçam o potencial dessas ferramentas não invasivas para estratificação de risco na hipertensão portal da EM, podendo auxiliar na seleção de pacientes com maior probabilidade de complicações e racionalizar a indicação de endoscopia digestiva alta.