COLOSTROTERAPIA E ENTEROCOLITENECROSANTE EM RECÉM-NASCIDOS PRÉ-TERMO DE UM HOSPITALUNIVERSITÁRIO
Enterocolite necrosante neonatal. Colostroterapia. Recémnascido prematuro. Estudo de coorte.
A enterocolite necrosante neonatal é uma doença grave, de origem inflamatória e infecciosa que afeta, principalmente, recém-nascidos prematuros, podendo levar ao óbito. O leite materno contém, além de nutrientes, fatores de crescimento e compostos bioativos imunomoduladores, que o tornam o principal fator de prevenção. O colostro é ainda mais rico em bioativos anti-inflamatórios, probióticos, prebióticos e imunomoduladores. Este estudo do objetivou verificar a associação entre a exposição à colostroterapia e a prevenção da enterocolite necrosante neonatal em prematuros. Para tanto, foi realizado um estudo de coorte restrospectiva, a partir de uma pesquisa documental em prontuários dos recémnascidos pré-termo que foram internados na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Pernambuco entre novembro de 2022 e dezembro de 2024. Foram estudadas as variáveis: enterocolite necrosante, exposição à colostroterapia, tempo de início, tempo de exposição e número de administrações na primeira semana pós-natal. Variáveis maternas como: idade, comorbidades, corticoterapia antenatal, tipo de parto e variáveis da criança como: idade gestacional de nascimento, apgar no 1º e no 5º minuto, hipóxia perinatal, exposição a fórmulas lácteas, tempo de jejum até a oferta da terapia nutricional enteral, presença de síndrome do desconforto respiratório, anemia, antibioticoterapia precoce e hemotransfusões foram estudadas como co-variáveis. A amostra foi composta por 130 recém-nascidos pré-termo, 34 (26,2%) foram expostos à colostroterapia e 64 (42,9%) eram do sexo feminino. A prematuridade extrema foi apresentada por 29 (22,3%) da amostra e, 53 (40,8%) eram muito baixo peso ao nascer. As variáveis que se apresentaram como fator de proteção à enterocolite necrosante foram: não apresentar prematuridade extrema nem muito baixo peso ao nascer, não fazer uso de surfactante, não apresentar anemia e não fazer uso de concentrado de hemácias, não ser submetido à antibioticoterapia e ter sido exposto à colostroterapia e à terapia nutricional enteral com fórmula láctea nos primeiros sete dias pós-natal. A regressão logística para melhor análise dos resultados está em andamento. Diante dos resultados iniciais, a necessidade de estudos com esse tema fica clara. As pesquisas que relacionam colostroterapia e ECN são inconclusivas e estudos randomizados são escassos. Espera-se que este estudo provoque novos questionamentos e contribua para o desenvolvimento de protocolos que padronizem a colostroterapia como terapia essencial para recémnascidos críticos.