CONTROLE DA SIBILÂNCIA RECORRENTE EM CRIANÇAS NA PRIMEIRA INFÂNCIA: INFLUÊNCIA DO SENSO DE COERÊNCIA MATERNO
Sibilo. Fatores de risco. Criança. Senso de coerência.
RESUMO: A Sibilância Recorrente (SR) é uma condição clínica comum na infância, que acontece devido a várias doenças respiratórias, sendo as mais frequentes: asma, bronquiolites e pneumonias. Os fatores de risco mais comuns para a recorrência em crianças incluem exposição aos aeroalérgenos e infecções virais. Por outro lado, a presença de alto Senso de Coerência (SOC) materno pode influenciar positivamente como fator propulsor para o melhor controle clínico da sibilância recorrente. Diante deste contexto, o objetivo principal foi avaliar se mães com alto senso de coerência têm maior probabilidade de terem filhos com sibilância recorrente controlada, considerando também fatores potencialmente modificáveis do cuidado (como adesão ao tratamento, técnica inalatória e controle ambiental) e variáveis demográficas, clínicas, ambientais e socioeconômicas. Os métodos descritos incluem um estudo caso-controle com crianças de 6 a 48 meses com sibilância recorrente e suas genitoras, conduzido em dois serviços de referência em Pernambuco (2025). As crianças foram classificadas em grupos segundo o controle da sibilância (controlada vs. não controlada), com coleta de dados por instrumentos padronizados: SOC-13 (senso de coerência materno), TRACK (controle respiratório/sibilância em menores de 5 anos), MMAS-8 (adesão medicamentosa), além de instrumentos para técnica inalatória, exposição ambiental a aeroalérgenos (Q2EA2) e caracterização socioeconômica. As análises utilizaram testes de associação (qui-quadrado e exato de Fisher) e medidas de efeito (odds ratio com IC 95%). Nos resultados, predominaram crianças de 25 a 48 meses (67,6%), do sexo masculino (71,8%), residentes em zona urbana (90,1%), com maior frequência de sibilância não controlada (59,2%). Foram comuns rinite (64,8%) e atopia familiar de 1º grau (84,5%). Episódios foram frequentemente associados a mudança climática (81,7%) e a infecções respiratórias virais (93,0%). A análise bivariada indicou associação estatisticamente significativa entre alto senso de coerência materno e controle da sibilância (OR elevado, p = 0,001), enquanto a adesão ao tratamento, técnica inalatória correta e controle ambiental não se associaram significativamente ao controle, mesmo quando estratificados pelo senso de coerência. Conclui-se que a hipótese do estudo foi aceita no que concerne que um alto senso de coerência materno está associado a melhor controle da sibilância recorrente, sugerindo que recursos psicossociais maternos podem atuar como fator protetor relevante para o controle de sintomas respiratórios na primeira infância. Por outro lado, a ausência de associação com fatores modificáveis, reforça que a sibilância recorrente resulta da interação de múltiplos fatores, cujo efeito pode variar conforme o contexto e o momento clínico, evidenciando a natureza complexa e multifatorial desse agravo.