PREDIÇÃO DO COLO CURTO NO SEGUNDO TRIMESTRE ATRAVÉS DAS MEDIDAS SERIADAS NA PRIMEIRA METADE DA GESTAÇÃO
Comprimento cervical; Colo uterino curto; Ultrassonografia transvaginal;
INTRODUCAO: A prematuridade constitui um importante problema de saúde pública, com elevada morbilidade e mortalidade neonatal, cuja incidência tem aumentado em todo o mundo. A identificação precoce de grávidas com maior risco de parto prematuro representa, por isso, uma prioridade na medicina materno-fetal. Entre os diversos marcadores preditivos estudados nas últimas décadas, o comprimento cervical, avaliado por ultrassonografia transvaginal, consolidou-se como um dos preditores mais consistentes de parto prematuro espontâneo, sobretudo quando medido entre as 20 e as 24 semanas de gestação. No entanto, persistem lacunas na literatura relativamente à evolução do comprimento cervical na primeira metade da gestação e ao potencial das suas medições precoces para identificar grávidas que venham a desenvolver colo curto no segundo trimestre. Objetivo: Caracterizar a evolução longitudinal do comprimento cervical durante a primeira metade da gestação em gestantes de alto risco e comparar as medidas do comprimento cervical obtidas precocemente entre as gestantes que desenvolveram e as que não desenvolveram colo uterino curto entre 20 e 24 semanas de gestação. Material e Métodos: Estudo de coorte prospetivo onde foram incluídas 38 gestantes de alto risco, com gravidez única entre as 11 e as 18 semanas de gestação, acompanhadas no Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Pernambuco . O comprimento cervical foi avaliado por ultrassonografia transvaginal em três momentos (11–14, 16–18 e 20–24 semanas). Resultados Preliminares: Foram avaliadas 38 gestantes de alto risco acompanhadas no Hospital das Clínicas/UFPE. Na análise longitudinal, o comprimento cervical manteve-se relativamente estável entre 11 e 24 semanas de gestação, entretanto, observou-se um discreto aumento do comprimento cervical entre 16–18 e 20–24 semanas, diferença que apresentou significância estatística. As gestantes que apresentaram colo curto (≤25 mm) entre 20 e 24 semanas já apresentavam medidas cervicais significativamente menores entre 11–14 semanas (22,7 vs. 35,2 mm; p=0,015) e entre 16–18 semanas (24,1 vs. 34,7 mm; p<0,001), quando comparadas àquelas que mantiveram comprimento cervical normal. Discussão Preliminar: Os resultados evidenciam dois achados com potencial relevância clínica. Primeiramente, observou-se que o comprimento cervical permaneceu relativamente estável ao longo da primeira metade da gestação, com discreto aumento entre 16–18 e 20–24 semanas, em concordância com estudos que demonstram que, na ausência de remodelamento cervical patológico, o comprimento cervical tende a manter-se estável ou apresentar pequeno aumento nesse período gestacional. Além disso, as gestantes que apresentaram com colo curto entre 20 e 24 semanas já apresentavam medidas cervicais significativamente menores desde a primeira metade da gestação quando comparadas àquelas que mantiveram comprimento cervical normal, sugerindo que alterações relacionadas ao remodelamento cervical podem estar presentes precocemente e ser identificadas antes do período atualmente recomendado para o rastreamento ultrassonográfico. Planejamento futuro: Pretende-se ampliar o número de gestantes avaliadas para confirmar os resultados encontrados e verificar se o acompanhamento do comprimento cervical ao longo da primeira metade da gestação fornece informações adicionais à avaliação realizada entre 20 e 24 semanas. Além disso, será avaliado se a associação dessas medidas com as características clínicas e obstétricas pode melhorar a identificação das gestantes com maior risco de desenvolver colo curto.
Palavras-chave: Comprimento cervical; Colo uterino curto; Ultrassonografia transvaginal;