AVALIAÇÃO DO COMPLEXO MÉDIO-INTIMAL CAROTÍDEO POR HISTOGRAMA COMO UMA PROPOSTA DE MARCADOR PRECOCE DE RISCO CARDIOVASCULAR: UM ESTUDO TRANSVERSAL
Ultrassonografia das artérias carótidas; espessura íntima-média carotídea; aterosclerose carotídea.
Introdução: A ultrassonografia vascular identifica aterosclerose subclínica através da avaliação da espessura do complexo médio-intimal carotídeo (CMI). Tem sido reportado o uso do histograma de escala de cinza (HEC) como forma de avaliar de forma quantitativa ecotextura e ecogenicidade teciduais, reduzindo a subjetividade da avaliação visual da imagem sonográfica.
Objetivos: Avaliar se parâmetros quantitativos do HEC do complexo médio-intimal carotídeo, especialmente a média (M), apresentam associação com a espessura médio-intimal, com a presença de espessamento ou placa carotídea e com os fatores de risco cardiovascular tradicionais (como hipertensão, diabetes, tabagismo).
Métodos: Estudo observacional, transversal e analítico, realizado no Serviço de Ecografia Vascular do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Pernambuco - EBSERH (HC/ UFPE). Foram avaliados 116 pacientes submetidos à ultrassonografia vascular de carótidas. Os exames foram classificados em três grupos: exame normal (30 pacientes), com CMI espessado em pelo menos um dos lados avaliados (35 pacientes) e com presença de placa aterosclerótica em pelo menos um dos lados avaliados (51 pacientes). Realizamos uma análise principal por paciente e uma subanálise exploratória por carótida avaliada (232 carótidas avaliadas): 78 normais, 52 com espessamento e 86 com presença de placa aterosclerótica.
Resultados: A média do HEC apresentou valores progressivamente menores nos grupos com espessamento ou placa, sugerindo redução da ecogenicidade da parede arterial em pacientes com maior risco cardiovascular. A análise por curva ROC demonstrou capacidade discriminatória moderada da média do HEC para identificação da presença de placa carotídea, com sensibilidade de 66,7%, especificidade de 76,7% e AUC de 0,706, com p<0,001.
Conclusões: Sugere-se que métricas quantitativas do HEC do CMI carotídeo agreguem informação à medida de espessura do CMI na caracterização ultrassonográfica da doença carotídea, pela aparente redução de M com a severidade da alteração da parede arterial. O HEC necessita de mais trabalhos para validação e avaliação de sua reprodutibilidade, mas é possível que seja uma ferramenta de análise complementar à espessura do CMI.