Avaliação da eosinofilia tecidual do pólipo nasal após ciclo curto de corticosteroide oral em pacientes com Rinossinusite Crônica com Polipose
Palavras-chave: Pólipos Nasais. Eosinofilia. Corticosteroides.
Introdução: A compreensão fisiopatológica da Rinossinusite Crônica com Pólipos Nasais (RSCcPN) transitou do paradigma fenotípico para a endotipagem molecular, com classificação nos perfis inflamatórios Tipo 2 e Não-Tipo 2. Na inflamação Tipo 2, o eosinófilo tecidual consolida-se como biomarcador central para a definição do prognóstico. A administração pré-operatória de corticosteroides sistêmicos, prática rotineira na otimização do campo cirúrgico, introduz um viés histopatológico relevante: ao induzir a depleção do infiltrado eosinofílico, a corticoterapia pode mascarar a celularidade basal do pólipo, gerando diagnósticos falso-negativos para a inflamação Tipo 2 e comprometendo a indicação de terapias biológicas direcionadas. Objetivo: Avaliar o efeito de sete dias de prednisolona oral sobre a eosinofilia tecidual em pólipos nasais de pacientes com RSCcPN. Metodologia: Ensaio clínico de braço único e sem grupo controle, conduzido no Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). A intervenção consistiu na administração de prednisolona (40 mg/dia por 7 dias). A avaliação incluiu a Escala Visual Analógica (EVA), o Questionário de Desfechos Nasossinusais (SNOT-22), o estadiamento endoscópico de Lund-Kennedy, a olfatometria digital com o sistema MultiScent 20 Health e a coleta de sangue periférico para eosinofilia sérica e Imunoglobulina E (IgE) total. As biópsias foram obtidas na zona central e profunda do tecido polipoide, processadas em formalina tamponada a 10%, coradas por Hematoxilina e Eosina e analisadas sob mascaramento por patologista que desconhecia o momento da coleta, com quantificação por campo de grande aumento (CGA) em áreas de maior densidade inflamatória. Resultados: A eosinofilia tecidual reduziu-se de uma mediana 80 para 35 eos/CGA (mediana das diferenças de -39; p = 0,003), correspondendo a queda de cerca de 56%. Concomitantemente, a eosinofilia sérica decresceu de 421 para 24 cél/µL (mediana das diferenças de -403; p < 0,001), uma redução de aproximadamente 94%. A proporção de participantes com SNOT-22 maior que 35, critério de doença não controlada, caiu de 86,7% para 40,0% (p < 0,001), e a fração de anósmicos pela olfatometria reduziu-se de 85,7% para 69,0% (p = 0,030). A EVA apresentou melhora significativa para obstrução nasal, rinorreia e olfato. O escore endoscópico de Lund-Kennedy não apresentou variação estatisticamente significativa (p = 0,093). Conclusão: A redução de aproximadamente 56% na eosinofilia tecidual após sete dias de prednisolona é suficiente para deslocar parte dos pacientes para faixas próximas ou abaixo dos limiares diagnósticos clássicos, mascarando a verdadeira endotipagem Tipo 2 e expondo o paciente ao risco de diagnóstico falso-negativo de Rinossinusite Crônica Eosinofílica. O reconhecimento desse viés histopatológico é fundamental para a caracterização inflamatória fidedigna e para a indicação adequada de imunobiológicos no contexto da Medicina de Precisão.
Palavras-chave: Pólipos Nasais. Eosinofilia. Corticosteroides.