CORPO, MENTE E AMBIENTE: a Cognição Incorporada na formação de professores de Biologia em contexto imersivo no Vale do Catimbau (PE)
Cognição Incorporada. Ensino de Biologia. Formação de Professores. Metodologias Participativas. Experiências Imersivas.
Esta dissertação investiga as potencialidades formativas da Cognição Incorporadano ensino de Biologia, tomando como eixo a experiência imersiva de professores no Vale do Catimbau – PE, no âmbito da proposta Sentibio – Terra que ensina, corpo que aprende. Fundamentado em autores como Bateson (1990), Varela, Thompson e Rosch (1993), Merleau-Ponty (1994), Dewey (1938) e Freire (1996), o estudo parte do pressuposto de que o conhecimento é um fenômeno corpóreo, ecológico e relacional, emergente da interação entre sujeito e ambiente. A abordagem, de natureza qualitativa, apresenta caráter exploratório e descritivo, orientando-se pelos princípios da pesquisa participante (Amado, 2017) e articulando a análise de conteúdo (Bardin, 2016; Franco, 2008) como estratégia interpretativa. O campo empírico foi constituído por oito professores de Biologia da rede pública estadual vinculados à GRE Sertão do Moxotó/Ipanema, que participaram de uma formação estruturada em três momentos interligados: Antecipação, Imersãoe Criação de Estratégias Didáticas. Os instrumentos utilizados incluíram formulários de caracterização, diários reflexivos e sensoriais, registros audiovisuais e as produções didáticas dos participantes. A análise dos dados revelou três eixos de sentido: ação, emoção e ambiente, que expressam manifestações da cognição incorporada nas práticas formativas. Constatou-se que as experiências vividas no território do Catimbau promoveram aprendizagens situadas, ampliaram a percepção dos docentes sobre o papel do corpo no ato de conhecer e favoreceram a elaboração de propostas pedagógicas mais integradas e sensíveis à realidade local. A investigação indica que a formação docente, quando ancorada na experiência e na corporeidade, contribui para religar teoria e prática, razão e emoção, ciência e sensibilidade, promovendo uma educação biológica e ecológica comprometida com a sustentabilidade da vida. O estudo reforça, ainda, a necessidade de repensar o ensino de Biologia a partir de metodologias participativas e contextos imersivos, em que o território se converte em laboratório vivo e o corpo em mediador cognitivo e afetivo. Como contribuição teórica, aponta a Cognição Incorporada como paradigma fértil para a formação de professores, integrando dimensões epistemológicas, estéticas e éticas do aprender. Reconhece, contudo, as limitações decorrentes do número reduzido de participantes e da natureza situada da pesquisa, recomendando novas investigações que ampliem o diálogo entre cognição, currículo e experiências territoriais.