Intersecção entre cor, gênero e atividade econômica na determinação de salários nos estados do Nordeste
brasileiro
Diferença salarial; Regressão quantílica; Oaxaca-Blinder; RIF
A desigualdade salarial no Nordeste brasileiro evidencia marcas profundas da estrutura social do país, em que o gênero e a cor ainda determinam as oportunidades e recompensas dentro do mercado de trabalho. Este estudo busca compreender como essas desigualdades se manifestam no mercado formal dos estados nordestinos nos anos de 2019 e 2024, levando em consideração as diferenças regionais. O objetivo central é investigar, através da combinação da Regressão Quantílica e da decomposição Oaxaca-Blinder baseada na Recentered Influence Function
Regression (RIF) utilizando dados da RAIS, as possíveis disparidades salariais no mercado de trabalho formal no Nordeste brasileiro. Além disso, busca-se analisar se um mercado de trabalho aquecido contribui para a redução dessas disparidades. Os resultados mostram que os diferenciais salariais variam conforme a combinação entre gênero, cor e posição na distribuição de rendimentos, sendo mais intensos nos estratos superiores, especialmente nas comparações envolvendo mulheres pretas. Além disso, a decomposição Oaxaca-Blinder evidencia que as características observáveis não explicam integralmente os diferenciais salariais, enquanto a inclusão do desemprego revela efeitos heterogêneos ao longo da distribuição.