APROXIMAÇÕES GEOGRÁFICAS E ORGANIZACIONAIS E A ASSOCIAÇÃO ENTRE PESQUISA RELACIONADA AO
POLOS TÊXTIL E DE CONFECÇÕES E DEMAIS PARCEIROS DE DESENVOLVIMENTO: UM RECORTE PARA O POLO
TÊXTIL E DE CONFECÇÕES DE PERNAMBUCO
ECONOMIA REGIONAL; ARRANJOS PRODUTIVOS LOCAIS; INOVAÇÃO; PROXIMIDADE GEOGRÁFICA E RGANIZACIONAL; POLO DE CONFECÇÕES
O presente estudo tem como objetivo geral analisar a estrutura produtiva, o padrão
de competitividade e o papel das aproximações geográficas e organizacionais nas interações colaborativas entre a produção científica relacionada ao Arranjo Produtivo Local (APL) e os demais parceiros de desenvolvimento, com foco no Polo Têxtil e de Confecções de Pernambuco. Para isso, foram realizados quatro ensaios. O primeiro ensaio teve como objetivo mapear a especialização produtiva daindústria têxtil e de confecções no Brasil, com ênfase na Região Nordeste e em Pernambuco, por meio do Índice de Concentração Normalizado (ICN), identificando os estados e municípios caracterizados como Polos. O segundo ensaio analisou o padrão de competitividade desses territórios especializados, a partir do Índice de Vantagem Comparativa Revelada (IVCR), utilizando dados de 2002 a 2024. Adicionalmente, para testar a hipótese de que a especialização produtiva pode coexistir com baixa orientação externa, estimou-se um modelo de corte transversal para o ano de 2024, contemplando as 27 Unidades da Federação, por meio do método de Mínimos Quadrados Ordinários (MQO/OLS). Os resultados evidenciam a fragilidade da competitividade externa do setor em Pernambuco, indicando a predominância do mercado interno como principal destino da produção. Diante desse cenário, o terceiro ensaio buscou investigar se a interiorização das instituições de ensino superior tem contribuído para a produção científica direcionada às demandas do Polo, analisando a relação entre localização das instituições e a quantidade de linhas de pesquisa voltadas ao setor, a partir dos dados do Censo do Diretório dos Grupos de Pesquisa do DGP/CNPq de 2023. Por
fim, o quarto ensaio ampliou a análise ao examinar as interações entre grupos de pesquisa e demais parceiros de desenvolvimento, considerando a contagem de colaborações e os efeitos da distância geográfica e da proximidade organizacional, com base em dados atualizados do Diretório dos Grupos de Pesquisa em 2026. Para
os dois últimos ensaios, foram estimados modelos de regressão para dados de contagem, com destaque para o modelo Binomial Negativo, que apresentou melhor ajuste diante da evidência de sobredispersão, sendo o modelo Conway-Maxwell- Poisson (COM-Poisson) explorado como alternativa metodológica. Os resultados indicam que, embora a interiorização da ciência amplie a presença territorial da pesquisa, sua conexão com as demandas produtivas do Polo ainda é limitada, e que as interações colaborativas são negativamente influenciadas pela distância geográfica e positivamente pela proximidade organizacional. Em síntese, os resultados reforçam a necessidade de políticas públicas voltadas ao fortalecimento da articulação entre sistema de inovação e setor produtivo, com vistas à promoção da inovação, competitividade e desenvolvimento regional.