Determinantes do estado nutricional de crianças e adolescentes no Brasil entre 2003 e 2018
Estado nutricional. Escolaridade. Economia da família. Desigualdade.
A incidência de desnutrição em crianças e adolescentes acarreta consequências severas para o desenvolvimento dos
jovens, podendo causar atrasos permanentes no crescimento e na produtividade de tais adultos no mercado de
trabalho. Similarmente, a obesidade infantil provoca danos à saúde mental e física dos indivíduos. Nesse contexto,
compreender os extremos nutricionais torna-se fundamental, diante do atual cenário global marcado pela
coexistência de desnutrição e excesso de peso, que configuram um duplo desafio para a saúde pública. Assim, esta
dissertação tem como objetivo central a análise do estado nutricional de crianças e adolescentes entre os anos de
2003 e 2018, no Brasil urbano. Para tanto, é realizado um exame de como características parentais, familiares,
regionais e próprias dos filhos, afetam o estado de nutrição de crianças e adolescentes. Para atingir tal propósito,
foram utilizados os microdados da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) para os anos 2002-2003, 2008-2009 e
2017-2018 e dados agregados por estado do DATASUS. De maneira geral, os procedimentos empíricos empregados
consistem na estimação de modelos logit ordenados generalizados, para dados de corte transversais empilhados. A
análise de um período temporal extenso, de 2003 até 2018, e a inclusão de variáveis explicativas que captam
aspectos de alocação de recurso intradomiciliar e desigualdades individuais e regionais de escolaridade, configuram
alguns dos principais avanços da presente pesquisa. Os resultados gerais sugerem que o estado de nutrição das mães
e dos pais é relevante para compreender a situação nutricional dos filhos. A situação de sobrepeso e obesidade
parental eleva as chances do filho estar em situação de sobrepeso e obesidade. Ademais, a situação de desnutrição
parental também aumenta a probabilidade do filho estar em situação de desnutrição. Nesse contexto, há indicativos
de que crianças e adolescentes em lares com maiores níveis de desigualdade intradomiciliar de despesas enfrentam
maiores chances de desnutrição. A educação paterna apresenta uma associação direta com o estado nutricional dos
filhos, enquanto a maior escolaridade materna esteve associada à redução das chances de desnutrição entre crianças e
adolescentes, no Brasil. Os resultados evidenciam que os extremos nutricionais são fortemente influenciados por
fatores familiares e socioeconômicos, indicando que o enfrentamento do duplo desafio nutricional no Brasil
demanda políticas públicas que ultrapassem intervenções exclusivamente individuais.