INSTRUMENTOS MUSICAIS E SOCIEDADE: O BANJO TENOR NO BUMBA MEU BOI, SOTAQUE DE ORQUESTRA
Tenor banjo, Orchestral Bumba Meu Boi, ethnomusicology, tradition and modernity, informal musical learning, Maranhão popular culture.
Esta dissertação investiga o papel sociocultural do banjo tenor no contexto do Bumba Meu Boi do Maranhão, especificamente no Sotaque de Orquestra, compreendendo o instrumento não apenas como elemento musical, mas como artefato simbólico, social e identitário, em consonância com perspectivas da etnomusicologia que entendem a música como prática cultural e ação social (Merriam, 1964) e com abordagens contemporâneas sobre a agência dos instrumentos musicais (Bates, 2012). Partindo de uma abordagem interdisciplinar, o estudo dialoga com a etnomusicologia, a antropologia da música e a sociologia da arte, especialmente a partir da noção de Mundo das Artes (Becker, 2010), para analisar as relações entre música, trabalho artístico, tradição e mercado cultural no universo do Bumba Meu Boi. Metodologicamente, a pesquisa adota um enfoque qualitativo de caráter etnográfico, fundamentado em observação participante, entrevistas semiestruturadas com músicos, regentes e artesãos, além de análise documental e bibliográfica, articulando dados de campo contemporâneos com fontes históricas e fonográficas. Os resultados evidenciam que o banjo tenor ocupa posição central na sonoridade e na performance do Boi de Orquestra, atuando como mediador entre tradição e inovação, devoção religiosa e espetacularização (Carvalho, 2010), pertencimento comunitário e precarização do trabalho artístico. Observa-se que a transmissão dos saberes relacionados ao instrumento ocorre majoritariamente por via oral e experiencial, em um processo de enskilment (Ingold, 2000), sustentando redes de cooperação e resistência cultural. Conclui-se que o banjo tenor se configura como um operador de agência cultural (Bates, 2012), expressando tensões estruturais do Bumba Meu Boi contemporâneo e reafirmando sua relevância como patrimônio cultural imaterial, cuja continuidade depende do reconhecimento dos músicos enquanto sujeitos produtores de conhecimento, memória e identidade cultural.