PPGH PROGRAMA DE POS-GRADUACAO EM HISTORIA - CFCH DEPARTAMENTO DE HISTORIA - CFCH Telefone/Ramal: Não informado
Dissertações/Teses

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2022
Dissertações
1
  • MARIA DO CARMO OLIVEIRA DA SILVA NETA
  • Pernambuco na Carreira da Índia: rotas comerciais entre a Capitania do Norte e a Ásia Portuguesa (XVIII-XIX)

  • Orientador : GEORGE FELIX CABRAL DE SOUZA
  • MEMBROS DA BANCA :
  • GEORGE FELIX CABRAL DE SOUZA
  • MARILIA DE AZAMBUJA RIBEIRO MACHEL
  • MOZART VERGETTI DE MENEZES
  • Data: 01/02/2022

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  • A expansão marítima portuguesa e o desejo de conquistar o Oriente levaram Portugal a montar um império ultramarino que esteve presente na América, África e Ásia, de tal forma que a variedade de produtos e os lucros vultosos no início do século XVI inspiraram muitos a tentar a sorte na longínqua Índia, ou na fascinante China. Outros vão mais além e chegam às terras japonesas no extremo leste da Ásia ou se aventuram no comércio de marfim na costa de Moçambique. Com o estabelecimento da Carreira da Índia, rota comercial traçada diretamente entre Lisboa e Goa, se tem um trajeto que vai do Atlântico ao Índico, com paradas de apoio para reabastecimento de provisões e reparos nas embarcações. Na costa brasileira, essas paradas tornam-se foco do contrabando de fazendas asiáticas (cuja comercialização era vedada àqueles fora do espaço metropolitano de Portugal), levando a Coroa a tentar manter um estrito controle sobre essas arribadas até o final do século XVIII. Dentro desse contexto, se tem a presença da capitania de Pernambuco como um porto geograficamente bem localizado para os navios que fizessem a rota da Carreira da Índia, bem como um mercado propenso ao consumo de produtos asiáticos como artigos individuais de luxo ou mercadorias intermediárias a serem lançadas principalmente no comércio de escravizados na costa da África. Sendo assim, se faz necessário compreender as relações entre Pernambuco e a Ásia Portuguesa levando em consideração sua função enquanto ponto de apoio da Carreira da Índia nos primeiros séculos da presença lusitana no Brasil, bem como os primeiros movimentos intracoloniais após o fim das limitações do comércio direto Brasil-Ásia.


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  • A expansão marítima portuguesa e o desejo de conquistar o Oriente levaram Portugal a montar um império ultramarino que esteve presente na América, África e Ásia, de tal forma que a variedade de produtos e os lucros vultosos no início do século XVI inspiraram muitos a tentar a sorte na longínqua Índia, ou na fascinante China. Outros vão mais além e chegam às terras japonesas no extremo leste da Ásia ou se aventuram no comércio de marfim na costa de Moçambique. Com o estabelecimento da Carreira da Índia, rota comercial traçada diretamente entre Lisboa e Goa, se tem um trajeto que vai do Atlântico ao Índico, com paradas de apoio para reabastecimento de provisões e reparos nas embarcações. Na costa brasileira, essas paradas tornam-se foco do contrabando de fazendas asiáticas (cuja comercialização era vedada àqueles fora do espaço metropolitano de Portugal), levando a Coroa a tentar manter um estrito controle sobre essas arribadas até o final do século XVIII. Dentro desse contexto, se tem a presença da capitania de Pernambuco como um porto geograficamente bem localizado para os navios que fizessem a rota da Carreira da Índia, bem como um mercado propenso ao consumo de produtos asiáticos como artigos individuais de luxo ou mercadorias intermediárias a serem lançadas principalmente no comércio de escravizados na costa da África. Sendo assim, se faz necessário compreender as relações entre Pernambuco e a Ásia Portuguesa levando em consideração sua função enquanto ponto de apoio da Carreira da Índia nos primeiros séculos da presença lusitana no Brasil, bem como os primeiros movimentos intracoloniais após o fim das limitações do comércio direto Brasil-Ásia.

2
  • KEROLAYNE CORREIA DE OLIVEIRA
  • ENTRE EXPRESSIVAS AUSÊNCIAS E TÍMIDAS PRESENÇAS: A representação dos trabalhadores e trabalhadoras através de fotografias na Zona Canavieira de Pernambuco (1930 a 1950)

  • Orientador : CHRISTINE PAULETTE YVES RUFINO DABAT
  • MEMBROS DA BANCA :
  • THOMAS DYSON ROGERS
  • CHRISTINE PAULETTE YVES RUFINO DABAT
  • JOSE MARCELO MARQUES FERREIRA FILHO
  • Data: 03/02/2022

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  • Os anos de 1930 e 1940 romperam o silenciamento visual ao qual estavam submetidos os trabalhadores da Zona Canavieira de Pernambuco. Isto é, o período mencionado marca os primeiros fôlegos no sentido de representá-los através de fotografias. Todavia, em sua constituição, essas imagens refletiam outras mais antigas, cujos impulsos foram movidos por projetos racistas, coloniais e imperialistas. Elas portavam, dessa maneira, uma imensa carga discursiva que havia sido, durante muitos anos, manipulada enquanto ferramenta nas mãos das classes dominantes. Na Zona Canavieira, essa estética foi adotada com objetivo de atender a projetos econômicos, políticos e sociais, sobretudo no sentido de perpetuar relações de dominação. A metodologia serial se mostrou uma ferramenta importante para extrair, do conjunto das imagens, preciosas revelações a partir da percepção da repetição de padrões temáticos e estéticos. A historiografia sobre o trabalho e as profundas permanências históricas na região, foram determinantes para pensar as relações de poder que regiam essas tomadas fotográficas. Foram analisadas, sob essa ótica, fotografias oriundas dos periódicos: jornal Diario de Pernambuco e revista Brasil Açucareiro, além dos acervos dos artistas Benício Dias e Lula Cardoso Ayres, pensando nas interseções e especificidades de cada suporte. Percebeu-se que, em grande medida, essas imagens buscavam tanto salvaguardar signos em decadência de uma classe que mergulhava em um contexto de transformações, quanto construir uma identidade nacional para o país, na mesma medida em que almejavam a modernização. Esses são os três principais eixos que inspiraram a tomada de fotografias dos trabalhadores. Suas presenças, não à toa, inserem-se em complexas relações que marcaram os anos de 1930 e 1940.


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  • Os anos de 1930 e 1940 romperam o silenciamento visual ao qual estavam submetidos os trabalhadores da Zona Canavieira de Pernambuco. Isto é, o período mencionado marca os primeiros fôlegos no sentido de representá-los através de fotografias. Todavia, em sua constituição, essas imagens refletiam outras mais antigas, cujos impulsos foram movidos por projetos racistas, coloniais e imperialistas. Elas portavam, dessa maneira, uma imensa carga discursiva que havia sido, durante muitos anos, manipulada enquanto ferramenta nas mãos das classes dominantes. Na Zona Canavieira, essa estética foi adotada com objetivo de atender a projetos econômicos, políticos e sociais, sobretudo no sentido de perpetuar relações de dominação. A metodologia serial se mostrou uma ferramenta importante para extrair, do conjunto das imagens, preciosas revelações a partir da percepção da repetição de padrões temáticos e estéticos. A historiografia sobre o trabalho e as profundas permanências históricas na região, foram determinantes para pensar as relações de poder que regiam essas tomadas fotográficas. Foram analisadas, sob essa ótica, fotografias oriundas dos periódicos: jornal Diario de Pernambuco e revista Brasil Açucareiro, além dos acervos dos artistas Benício Dias e Lula Cardoso Ayres, pensando nas interseções e especificidades de cada suporte. Percebeu-se que, em grande medida, essas imagens buscavam tanto salvaguardar signos em decadência de uma classe que mergulhava em um contexto de transformações, quanto construir uma identidade nacional para o país, na mesma medida em que almejavam a modernização. Esses são os três principais eixos que inspiraram a tomada de fotografias dos trabalhadores. Suas presenças, não à toa, inserem-se em complexas relações que marcaram os anos de 1930 e 1940.

3
  • GUSTAVO GALVAO PORTELA MELO
  • ENTRE A VIOLÊNCIA E O TRABALHO:  relações envolvendo trabalhadores e empregadores nos engenhos e usinas do município de Nazaré da Mata


  • Orientador : ANTONIO TORRES MONTENEGRO
  • MEMBROS DA BANCA :
  • ANTONIO TORRES MONTENEGRO
  • MARCIO ANANIAS FERREIRA VILELA
  • REGINA BEATRIZ GUIMARAES NETO
  • Data: 16/02/2022

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  • Esta dissertação tem como objetivo principal analisar historicamente as práticas de violência contra trabalhadores rurais dos engenhos de cana-de-açúcar da Zona da Mata norte do estado de Pernambuco. Operacionalizando com um conceito de violência que desse conta de suas múltiplas formas, buscamos observar como estas eram aplicadas não somente por proprietários de terra e seus subordinados, como também por agentes policiais, e pelo próprio estado brasileiro. Privilegiando uma análise historiográfica dos processos trabalhistas da Junta de Conciliação e Julgamento de Nazaré da Mata durante a década de 1970, destacamos como o estado brasileiro construiu uma legislação que permitia a reivindicação legal de direitos trabalhistas no meio rural, principalmente por meio do Estatuto do Trabalhador Rural. Compreendendo o direito e as leis enquanto históricas e, portanto, inclusas nas disputas de poder e passíveis de ampliação e retração, defendemos que esta legislação foi construída de maneira a não abarcar as complexidades do trabalho rural. Dessa forma, a legislação permitia aos proprietários de terra utilizar-se das “brechas” legais para o não pagamento dos direitos garantidos. Compreendendo os trabalhadores rurais enquanto sujeitos ativos de seus processos históricos, analisamos também como estes elaboram estratégias de resistência nos engenhos, como também nas disputas na Justiça do Trabalho. Por meio das narrativas destas disputas, procuramos apresentar como os diferentes sujeitos se utilizavam dessas estratégias. Por fim, utilizamo-nos dos relatos orais de memória dos trabalhadores, a fim de apresentarmos uma leitura que parte dos próprios sujeitos das disputas. Com isso, narramos as entrevistas com a ex-juíza do trabalho da JCJ de Nazaré da Mata, bem como o relato de ex-trabalhadores rurais da mesma região, que tiveram suas trajetórias ligadas a movimentos reivindicatórios. 



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  • Esta dissertação tem como objetivo principal analisar historicamente as práticas de violência contra trabalhadores rurais dos engenhos de cana-de-açúcar da Zona da Mata norte do estado de Pernambuco. Operacionalizando com um conceito de violência que desse conta de suas múltiplas formas, buscamos observar como estas eram aplicadas não somente por proprietários de terra e seus subordinados, como também por agentes policiais, e pelo próprio estado brasileiro. Privilegiando uma análise historiográfica dos processos trabalhistas da Junta de Conciliação e Julgamento de Nazaré da Mata durante a década de 1970, destacamos como o estado brasileiro construiu uma legislação que permitia a reivindicação legal de direitos trabalhistas no meio rural, principalmente por meio do Estatuto do Trabalhador Rural. Compreendendo o direito e as leis enquanto históricas e, portanto, inclusas nas disputas de poder e passíveis de ampliação e retração, defendemos que esta legislação foi construída de maneira a não abarcar as complexidades do trabalho rural. Dessa forma, a legislação permitia aos proprietários de terra utilizar-se das “brechas” legais para o não pagamento dos direitos garantidos. Compreendendo os trabalhadores rurais enquanto sujeitos ativos de seus processos históricos, analisamos também como estes elaboram estratégias de resistência nos engenhos, como também nas disputas na Justiça do Trabalho. Por meio das narrativas destas disputas, procuramos apresentar como os diferentes sujeitos se utilizavam dessas estratégias. Por fim, utilizamo-nos dos relatos orais de memória dos trabalhadores, a fim de apresentarmos uma leitura que parte dos próprios sujeitos das disputas. Com isso, narramos as entrevistas com a ex-juíza do trabalho da JCJ de Nazaré da Mata, bem como o relato de ex-trabalhadores rurais da mesma região, que tiveram suas trajetórias ligadas a movimentos reivindicatórios. 


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  • JOSENILDO AMÉRICO PAULINO
  • PELAS MARGENS DO ATLÂNTICO: a navegação de cabotagem e o abastecimento de gêneros de primeira necessidade no Recife (1825-1840)

  • Orientador : CARLOS ALBERTO CUNHA MIRANDA
  • MEMBROS DA BANCA :
  • CARLOS ALBERTO CUNHA MIRANDA
  • CRISTIANO LUÍS CHRISTILLINO
  • SERIOJA RODRIGUES CORDEIRO MARIANO
  • Data: 02/06/2022

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  • A presente dissertação tem como objetivo principal analisar o comércio de gêneros de primeira necessidade – farinha de mandioca e charque – através do comércio de cabotagem e longo curso para a cidade do Recife entre os anos de 1825-1840. A escolha por estes dois alimentos se deu em virtude de estarem presentes na mesa de parcela significativa dos habitantes oitocentistas, principalmente por sua alta capacidade de conservação. Já o comércio de cabotagem e longo curso teve um papel importante no período imperial: antes da febre ferroviária do último quartel do século XIX, o meio de locomoção mais eficaz era a navegação. Através dela, mercadorias dos mais variados tipos circulavam por todo o litoral do Império brasileiro. O início do recorte foi motivado por questões relacionadas a fonte, já que é neste ano que o jornal Diário de Pernambuco passa a circular na província. O ano de 1840, por sua vez, marca o fim de um período conturbado no comércio recifense após os desdobramentos da Guerra dos Cabanos. O ponto de partida para a análise foi a sessão de notícias marítimas do jornal Diário de Pernambuco. Informações como local de origem da embarcação, tempo de viagem, produto e consignatário eram informadas. Utilizando a abordagem quantitativa e serial, investiguei os principais fornecedores de gêneros de primeira necessidade para o Recife, as variações anuais e os comerciantes envolvidos nestas transações. Além da sessão de notícias marítimas, também foram consultadas a sessão de vendas, aluguel e arrendamentos e a sessão de preços dos gêneros de exportação, geralmente publicada aos sábados, com o objetivo de entender melhor os aspectos relacionados a comercialização destes dois produtos nos três bairros da cidade do Recife. Também foram utilizados relatórios do Presidente de Província, disponíveis no site da Universidade de Chicago, decretos e regulamentos, disponíveis de forma online, fontes iconográficas, como as pinturas de Franz Post no período de ocupação holandesa em Pernambuco e a planta da cidade do Recife e seus arrabaldes, produzida por José Mamede Alves Ferreira em 1855. Sites e acervos online, como o the transatlantic slave trade database também foram consultados. Um aspecto em comum em relação ao comércio de farinha e charque era a ligação do Recife com diversos portos situados dentro e fora do Império. No comércio de farinha, se destacam Rio de Janeiro, Espírito Santo, Santa Catarina e Bahia. No de charque, por sua vez, Rio Grande do Sul, Montevidéu e Rio de Janeiro foram os principais fornecedores. Enquanto no comércio de farinha as ligações estavam limitadas a províncias situadas dentro do Império brasileiro, o comércio de charque utilizava-se de rotas que extrapolavam este limite. Outro fator de destaque é o perfil dos comerciantes envolvidos: o comércio de ambos os produtos era dominado por comerciantes eventuais, que participavam apenas de uma ou duas consignações. Já no topo da pirâmide estavam os comerciantes de grosso trato da província de Pernambuco, responsáveis por concentrar em suas mãos parte significativa deste comércio. O argumento principal que guia o presente estudo é o de que, entre 1825-1840, o comércio de gêneros de primeira necessidade através da navegação de cabotagem e longo curso foi fundamental para manter uma boa oferta de farinha de mandioca e charque nos mercados da cidade do Recife.


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  • A presente dissertação tem como objetivo principal analisar o comércio de gêneros de primeira necessidade – farinha de mandioca e charque – através do comércio de cabotagem e longo curso para a cidade do Recife entre os anos de 1825-1840. A escolha por estes dois alimentos se deu em virtude de estarem presentes na mesa de parcela significativa dos habitantes oitocentistas, principalmente por sua alta capacidade de conservação. Já o comércio de cabotagem e longo curso teve um papel importante no período imperial: antes da febre ferroviária do último quartel do século XIX, o meio de locomoção mais eficaz era a navegação. Através dela, mercadorias dos mais variados tipos circulavam por todo o litoral do Império brasileiro. O início do recorte foi motivado por questões relacionadas a fonte, já que é neste ano que o jornal Diário de Pernambuco passa a circular na província. O ano de 1840, por sua vez, marca o fim de um período conturbado no comércio recifense após os desdobramentos da Guerra dos Cabanos. O ponto de partida para a análise foi a sessão de notícias marítimas do jornal Diário de Pernambuco. Informações como local de origem da embarcação, tempo de viagem, produto e consignatário eram informadas. Utilizando a abordagem quantitativa e serial, investiguei os principais fornecedores de gêneros de primeira necessidade para o Recife, as variações anuais e os comerciantes envolvidos nestas transações. Além da sessão de notícias marítimas, também foram consultadas a sessão de vendas, aluguel e arrendamentos e a sessão de preços dos gêneros de exportação, geralmente publicada aos sábados, com o objetivo de entender melhor os aspectos relacionados a comercialização destes dois produtos nos três bairros da cidade do Recife. Também foram utilizados relatórios do Presidente de Província, disponíveis no site da Universidade de Chicago, decretos e regulamentos, disponíveis de forma online, fontes iconográficas, como as pinturas de Franz Post no período de ocupação holandesa em Pernambuco e a planta da cidade do Recife e seus arrabaldes, produzida por José Mamede Alves Ferreira em 1855. Sites e acervos online, como o the transatlantic slave trade database também foram consultados. Um aspecto em comum em relação ao comércio de farinha e charque era a ligação do Recife com diversos portos situados dentro e fora do Império. No comércio de farinha, se destacam Rio de Janeiro, Espírito Santo, Santa Catarina e Bahia. No de charque, por sua vez, Rio Grande do Sul, Montevidéu e Rio de Janeiro foram os principais fornecedores. Enquanto no comércio de farinha as ligações estavam limitadas a províncias situadas dentro do Império brasileiro, o comércio de charque utilizava-se de rotas que extrapolavam este limite. Outro fator de destaque é o perfil dos comerciantes envolvidos: o comércio de ambos os produtos era dominado por comerciantes eventuais, que participavam apenas de uma ou duas consignações. Já no topo da pirâmide estavam os comerciantes de grosso trato da província de Pernambuco, responsáveis por concentrar em suas mãos parte significativa deste comércio. O argumento principal que guia o presente estudo é o de que, entre 1825-1840, o comércio de gêneros de primeira necessidade através da navegação de cabotagem e longo curso foi fundamental para manter uma boa oferta de farinha de mandioca e charque nos mercados da cidade do Recife.

Teses
1
  • MATHEUS SILVEIRA GUIMARÃES
  • DOS ESCRAVOS QUE VÃO POR MAR E POR TERRA: O COMÉRCIO ATLÂNTICO DE ESCRAVOS PARA AS CAPITANIAS DO NORTE E SUA DINÂMICA INTERNA (c1654-c1760)

  • Orientador : GEORGE FELIX CABRAL DE SOUZA
  • MEMBROS DA BANCA :
  • ISNARA PEREIRA IVO
  • GEORGE FELIX CABRAL DE SOUZA
  • GUSTAVO ACIOLI LOPES
  • ROMULO LUIZ XAVIER DO NASCIMENTO
  • SUELY CREUSA CORDEIRO DE ALMEIDA
  • Data: 31/01/2022

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  • O período entre a segunda metade do século XVII e a primeira metade do século XVIII foi de grandes transformações para o Império português, especificamente no Atlântico. Diante de mudanças nas relações internacionais e de uma crise financeira, Portugal centrou suas atenções para o Brasil e, por consequência, para África. A expansão pecuária para o sertão e a descoberta de ouro aceleraram esse processo que também implicou em uma maior interação comercial entre as capitanias e intensificação do tráfico negreiro. O nosso tema de estudo é exatamente como ocorreu o comércio de escravos para as Capitanias do Norte do Estado do Brasil, diante desse cenário de mudanças. Uma vez que esses escravos africanos chegavam nos portos das Capitanias do Norte, parte ficava no litoral e outra era vendida seja para o trabalho na pecuária, seja pra o trabalho nas Minas, estabelecendo um circuito interno – que estava associado ao mercado externo – de escravos. Pretendemos demonstrar neste trabalho que o comércio de pessoas escravizadas não se restringia apenas aos portos litorâneos, mas alcançava os sertões das Capitanias do Norte e das Minas ainda na primeira metade do século XVIII. Nessa conjuntura, houve a participação de diversos negociantes, mas o mercado foi centralizado e fortaleceu os da praça de Recife. Quem eram esses comerciantes? Quais seus interesses e redes mercantis? Como ocorriam as viagens e as formas de venda e compra? Essas foram algumas das questões que nos guiaram na análise das fontes. Para isso, utilizamos como principais documentos os avulsos e códices do Arquivo Histórico Ultramarino, as coleções Anais da Biblioteca Nacional, Documentos Históricos da Biblioteca Nacional e Documentos interessantes para a história e costume de São Paulo, além da documentação publicada por revistas de Institutos Históricos como os de Pernambuco e Ceará, todas elas que podem ser acessadas digitalmente. As ordens régias, o livro da Ouvidoria da Paraíba e documentos cartoriais presentes em acervos
    locais também foram de suma importância para compreender as articulações comerciais existentes das Capitanias do Norte entre si e destas com as Minas. Por fim, destacamos o banco de dados disponibilizados pelo Slave Voyages que tem aberto diversas possibilidades de pesquisa quantitativa e qualitativa acerca do comércio de pessoas escravizadas.


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  • O período entre a segunda metade do século XVII e a primeira metade do século XVIII foi de grandes transformações para o Império português, especificamente no Atlântico. Diante de mudanças nas relações internacionais e de uma crise financeira, Portugal centrou suas atenções para o Brasil e, por consequência, para África. A expansão pecuária para o sertão e a descoberta de ouro aceleraram esse processo que também implicou em uma maior interação comercial entre as capitanias e intensificação do tráfico negreiro. O nosso tema de estudo é exatamente como ocorreu o comércio de escravos para as Capitanias do Norte do Estado do Brasil, diante desse cenário de mudanças. Uma vez que esses escravos africanos chegavam nos portos das Capitanias do Norte, parte ficava no litoral e outra era vendida seja para o trabalho na pecuária, seja pra o trabalho nas Minas, estabelecendo um circuito interno – que estava associado ao mercado externo – de escravos. Pretendemos demonstrar neste trabalho que o comércio de pessoas escravizadas não se restringia apenas aos portos litorâneos, mas alcançava os sertões das Capitanias do Norte e das Minas ainda na primeira metade do século XVIII. Nessa conjuntura, houve a participação de diversos negociantes, mas o mercado foi centralizado e fortaleceu os da praça de Recife. Quem eram esses comerciantes? Quais seus interesses e redes mercantis? Como ocorriam as viagens e as formas de venda e compra? Essas foram algumas das questões que nos guiaram na análise das fontes. Para isso, utilizamos como principais documentos os avulsos e códices do Arquivo Histórico Ultramarino, as coleções Anais da Biblioteca Nacional, Documentos Históricos da Biblioteca Nacional e Documentos interessantes para a história e costume de São Paulo, além da documentação publicada por revistas de Institutos Históricos como os de Pernambuco e Ceará, todas elas que podem ser acessadas digitalmente. As ordens régias, o livro da Ouvidoria da Paraíba e documentos cartoriais presentes em acervos
    locais também foram de suma importância para compreender as articulações comerciais existentes das Capitanias do Norte entre si e destas com as Minas. Por fim, destacamos o banco de dados disponibilizados pelo Slave Voyages que tem aberto diversas possibilidades de pesquisa quantitativa e qualitativa acerca do comércio de pessoas escravizadas.

2
  • TATIANE VIEIRA DE AGUIAR BARRETO
  • Memória esculpida em bronze: a monumentalização de João Pessoa na Paraíba

  • Orientador : RENATO PINTO
  • MEMBROS DA BANCA :
  • RODRIGO CEBALLOS
  • JOSÉ JORGE ANDRADE DAMASCENO
  • ANTONIO CLARINDO BARBOSA DE SOUZA
  • CRISTIANO LUÍS CHRISTILLINO
  • RENATO PINTO
  • Data: 03/02/2022

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  • Esta tese versa sobre o processo de monumentalização da figura do personagem do presidente João Pessoa, na Paraíba, durante a década de 1930. Para compreender como se deu essa monumentalização serão examinadas quatro obras: o monumento tumular no Cemitério São João Batista (Rio de Janeiro) e os monumentos erguidos nas cidades paraibanas de Umbuzeiro, Campina Grande e João Pessoa. O objetivo deste trabalho é escrever uma história desses monumentos construídos em memória a João Pessoa, a partir da análise do contexto histórico de suas produções, das disputas de memórias entre os sujeitos políticos envolvidos nas suas construções, das estratégias de afirmação memorialística do homenageado no contexto histórico da Paraíba e da relação com o espaço onde as obras foram erguidas. Quanto ao aporte teórico e metodológico, será utilizado como fonte documental especialmente os jornais e revistas que circulavam na Paraíba e no Rio de Janeiro no período estudado. Além da análise de um conjunto de documentos referentes à construção dessas obras: correspondências particulares e oficiais, contratos, leis, fotografias e os debates na Assembleia Legislativa da Paraíba e na imprensa. Toda problematização será guiada pelas sendas da História Cultural, pautada no conceito de monumento intencional, no diálogo com os estudos sobre memória e com as pesquisas que versam sobre o estudo dos monumentos, enquanto objetos de memória que materializam personagens em bronze dispostos nos espaços públicos citadinos.


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  • Esta tese versa sobre o processo de monumentalização da figura do personagem do presidente João Pessoa, na Paraíba, durante a década de 1930. Para compreender como se deu essa monumentalização serão examinadas quatro obras: o monumento tumular no Cemitério São João Batista (Rio de Janeiro) e os monumentos erguidos nas cidades paraibanas de Umbuzeiro, Campina Grande e João Pessoa. O objetivo deste trabalho é escrever uma história desses monumentos construídos em memória a João Pessoa, a partir da análise do contexto histórico de suas produções, das disputas de memórias entre os sujeitos políticos envolvidos nas suas construções, das estratégias de afirmação memorialística do homenageado no contexto histórico da Paraíba e da relação com o espaço onde as obras foram erguidas. Quanto ao aporte teórico e metodológico, será utilizado como fonte documental especialmente os jornais e revistas que circulavam na Paraíba e no Rio de Janeiro no período estudado. Além da análise de um conjunto de documentos referentes à construção dessas obras: correspondências particulares e oficiais, contratos, leis, fotografias e os debates na Assembleia Legislativa da Paraíba e na imprensa. Toda problematização será guiada pelas sendas da História Cultural, pautada no conceito de monumento intencional, no diálogo com os estudos sobre memória e com as pesquisas que versam sobre o estudo dos monumentos, enquanto objetos de memória que materializam personagens em bronze dispostos nos espaços públicos citadinos.

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  • MOISES DINIZ DE ALMEIDA
  • PARA QUE NÃO HAJA NOVOS CANUDOS: A IMPRENSA DE PERNAMBUCO E SUAS NARRATIVAS SOBRE O CONTESTADO, CALDEIRÃO E PAU DE COLHER

  • Orientador : ANTONIO PAULO DE MORAIS REZENDE
  • MEMBROS DA BANCA :
  • ANDRÉA CRISTIANA SANTOS
  • ANTONIO JORGE DE SIQUEIRA
  • ANTONIO PAULO DE MORAIS REZENDE
  • MARIA THEREZA DIDIER DE MORAES
  • ROBERTO JOAQUIM DE OLIVEIRA
  • Data: 08/02/2022

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  • A Guerra de Canudos foi um marco decisivo nas narrativas de qualquer evento congênere, até a redescoberta do evento pelos movimentos populares na década de 1980. Foram quase cem anos com as mesmas perspectivas, pautadas com o olhar dos grandes centros para o interior. Percorrendo essa diretriz, elaboramos esta tese para analisar de que maneira as formações discursivas, sobre a Guerra de Canudos, foram determinantes nas narrativas das lembranças ou comemorações pós-conflito sertanejo, nos conflitos do Contestado, do Caldeirão e de Pau de Colher, na imprensa de Pernambuco, entre os anos de 1897 a 1940. Utilizamos como fonte principal a imprensa, que carrega um sentido próprio, que é o sentido da palavra. As narrativas, compostas de expressões, frases e palavras, determinaram os signos e símbolos que foram criados em torno dos movimentos em questão. Para verificar quais foram esses sentidos, utilizamos a análise de discurso, que nos ajudou a compreender os fatos, na medida em que houve uma integração entre o escrito manifesto, o que estava visível e invisível no texto. Ao longo desta pesquisa, pudemos perceber como é importante trabalhar com a fonte jornalística, e compreendemos que as letras, as colunas, os fatos, são também a história. Entretanto, nem todos leem a história contada pelo historiador, podendo ficar perpassados os fatos construídos pela imprensa, que produz seus sentidos sobre misticismos, fanatismo, jaguncismo, violência e a imagem caricatural do sertanejo. Sabemos que foi construída uma formação de opinião, enraizando-se na cultura, produzindo sentidos que, nem sempre, são apagados facilmente. A tese mostra que Canudos foi o grande espelho nas narrativas dos movimentos analisados, tendo a imprensa repetido várias vezes o mesmo discurso, na tentativa de justificar os massacres que foram realizados pelas forças militares. Debruçamo-nos sobre a temática proposta, buscando, nesta tese, contribuir a história de Pernambuco, da imprensa e dos movimentos sociais religiosos.


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  • A Guerra de Canudos foi um marco decisivo nas narrativas de qualquer evento congênere, até a redescoberta do evento pelos movimentos populares na década de 1980. Foram quase cem anos com as mesmas perspectivas, pautadas com o olhar dos grandes centros para o interior. Percorrendo essa diretriz, elaboramos esta tese para analisar de que maneira as formações discursivas, sobre a Guerra de Canudos, foram determinantes nas narrativas das lembranças ou comemorações pós-conflito sertanejo, nos conflitos do Contestado, do Caldeirão e de Pau de Colher, na imprensa de Pernambuco, entre os anos de 1897 a 1940. Utilizamos como fonte principal a imprensa, que carrega um sentido próprio, que é o sentido da palavra. As narrativas, compostas de expressões, frases e palavras, determinaram os signos e símbolos que foram criados em torno dos movimentos em questão. Para verificar quais foram esses sentidos, utilizamos a análise de discurso, que nos ajudou a compreender os fatos, na medida em que houve uma integração entre o escrito manifesto, o que estava visível e invisível no texto. Ao longo desta pesquisa, pudemos perceber como é importante trabalhar com a fonte jornalística, e compreendemos que as letras, as colunas, os fatos, são também a história. Entretanto, nem todos leem a história contada pelo historiador, podendo ficar perpassados os fatos construídos pela imprensa, que produz seus sentidos sobre misticismos, fanatismo, jaguncismo, violência e a imagem caricatural do sertanejo. Sabemos que foi construída uma formação de opinião, enraizando-se na cultura, produzindo sentidos que, nem sempre, são apagados facilmente. A tese mostra que Canudos foi o grande espelho nas narrativas dos movimentos analisados, tendo a imprensa repetido várias vezes o mesmo discurso, na tentativa de justificar os massacres que foram realizados pelas forças militares. Debruçamo-nos sobre a temática proposta, buscando, nesta tese, contribuir a história de Pernambuco, da imprensa e dos movimentos sociais religiosos.

4
  • LUÍSA XIMENES SANTOS
  • VIEIRA PSEUDOAUTOR: Contributo de papéis alheios e falsamente atribuídos na construção seiscentista da imagem e da memória do Padre Antônio Vieira.

  • Orientador : MARILIA DE AZAMBUJA RIBEIRO MACHEL
  • MEMBROS DA BANCA :
  • YLLAN DE MATTOS OLIVEIRA
  • BRUNO MARTINS BOTO LEITE
  • CAMILA CORREA E SILVA DE FREITAS
  • KLEBER CLEMENTINO DA SILVA
  • MARILIA DE AZAMBUJA RIBEIRO MACHEL
  • Data: 14/02/2022

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  • Nesta investigação pretendemos compreender de que forma textos alheios errônea ou falsamente atribuídos contribuíram na construção seiscentista da imagem e da memória de Antônio Vieira. Intentamos pôr luz à gênese do processo de instrumentaçização do Pe. Vieira como arquétipo do Jesuíta que culmina no periodo pombalino e reverbera na historiografia posterior considerando que tais escritos pseudovieirinos, até então pouco estudados, têm participação importante na formação da imagem pública e política de Vieira. A autoria e pseudo autoria no período moderno são assim discutidas através do caso de Antônio Vieira. Destacamos a força da autoridade desse renomado e profículo jesuíta no gênero parenético e em assuntos relevantes na política portuguesa do século XVII. São alvo de atenção textos que permitem a abordagem direta da questão autoral e pseudoautoral, bem como os que demonstram a preocupação de Vieira em defender-se diante de obras que falsamente circulavam como de sua lavra. Identificamos e analisamos duas maneiras de falsa atribuição de escitos - por oposição ou por suposição. Tais fomas de pseudoautoria são examinadas a partir do exemplo vieirino através de papéis alheios partícipes da polemística portuguesa seiscentista. Escritos que versam sobre o sebastianismo são utilizados para tratar da autoria por oposição, visto que Vieira colocou-se mor parte das vezes enquanto joanista. Os textos alheios atribuidos a Vieira em defesa a gente de nação e a favor da mudança dos estilos da Inquisição, por sua vez, são mote para a discussão da autoria por suposição, em que vislumbra-se uma aproximação entre os argumentos de Vieira e aqueles apenas veiculados sob seu nome. A plausibilidade ou não da autoria é percebida no cotejo com obras de Antônio Vieira acerca dos mesmos temas. Ao perscrutarmos as formas de pseudoautoria  e problematizarmos o movimento de mudanças e sobreposições de juízos acerca do Pe. Vieira esperamos contribuir para uma melhor compreesão do processo de estruturação de sua memória, Entendemos que a memória de Antônio Vieira não foi construída apenas por ele mesmo ou por seus escritos, mas também pelo o que lhe foi imposto, seus não ditos.


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  • Nesta investigação pretendemos compreender de que forma textos alheios errônea ou falsamente atribuídos contribuíram na construção seiscentista da imagem e da memória de Antônio Vieira. Intentamos pôr luz à gênese do processo de instrumentaçização do Pe. Vieira como arquétipo do Jesuíta que culmina no periodo pombalino e reverbera na historiografia posterior considerando que tais escritos pseudovieirinos, até então pouco estudados, têm participação importante na formação da imagem pública e política de Vieira. A autoria e pseudo autoria no período moderno são assim discutidas através do caso de Antônio Vieira. Destacamos a força da autoridade desse renomado e profículo jesuíta no gênero parenético e em assuntos relevantes na política portuguesa do século XVII. São alvo de atenção textos que permitem a abordagem direta da questão autoral e pseudoautoral, bem como os que demonstram a preocupação de Vieira em defender-se diante de obras que falsamente circulavam como de sua lavra. Identificamos e analisamos duas maneiras de falsa atribuição de escitos - por oposição ou por suposição. Tais fomas de pseudoautoria são examinadas a partir do exemplo vieirino através de papéis alheios partícipes da polemística portuguesa seiscentista. Escritos que versam sobre o sebastianismo são utilizados para tratar da autoria por oposição, visto que Vieira colocou-se mor parte das vezes enquanto joanista. Os textos alheios atribuidos a Vieira em defesa a gente de nação e a favor da mudança dos estilos da Inquisição, por sua vez, são mote para a discussão da autoria por suposição, em que vislumbra-se uma aproximação entre os argumentos de Vieira e aqueles apenas veiculados sob seu nome. A plausibilidade ou não da autoria é percebida no cotejo com obras de Antônio Vieira acerca dos mesmos temas. Ao perscrutarmos as formas de pseudoautoria  e problematizarmos o movimento de mudanças e sobreposições de juízos acerca do Pe. Vieira esperamos contribuir para uma melhor compreesão do processo de estruturação de sua memória, Entendemos que a memória de Antônio Vieira não foi construída apenas por ele mesmo ou por seus escritos, mas também pelo o que lhe foi imposto, seus não ditos.

5
  • FLÁVIA BRUNA RIBEIRO DA SILVA BRAGA
  • MARTINS JÚNIOR (1860-1904): Ciência como fé, República como razão - a trajetória de um radical

  • Orientador : SUZANA CAVANI ROSAS
  • MEMBROS DA BANCA :
  • LUIS ROSENFIELD
  • CRISTIANO LUÍS CHRISTILLINO
  • MARCELO MAC CORD
  • MARCOS LUIZ BRETAS DA FONSECA
  • SUZANA CAVANI ROSAS
  • Data: 16/02/2022

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  • Tradicionalmente, os estudos sobre o período que vai do final do Império ao início do século XX costumavam reafirmar que o processo de queda da monarquia e construção da República foi feito sem o povo, numa “quartelada militar”, instaurando um regime oligárquico. A “República Velha” passou a se tornar um conceito difundido que trazia consigo a ideia de uma época caduca, ultrapassada e caótica. Nessa esteira, o positivismo entrava na rota das ideias a serem combatidas, consideradas tão velhas e confusas quanto o próprio regime que se queria superar. Assim, homens de letra e ciência, políticos e técnicos que se aproximaram daquela ideologia, passaram a serem vistos como um inimigo a ser combatido pela escrita da História. A partir da década de 1980, entretanto, com o processo de renovação política pela qual passava o Brasil e o mundo – com o fim da Ditadura Civil-Militar no país e a decadência da Guerra Fria –novas perspectivas vieram para os estudos de história política. Essa renovação passou a trazer novas interpretações, cujas análises passaram a revisitar a “República Velha” e nomeá-la no seu sentido mais amplo, “Primeira República”. Com esta abertura, a compreensão do processo de queda do Império e consolidação do regime republicano tem sido cada vez mais revisto e diversificado, demonstrando a riqueza de tentativas, expectativas, sonhos e projetos que se enfrentaram para formar a República como a conhecemos. Esta tese escolheu acompanhar a história de vida de um sujeito que viveu, sonhou e se dedicou para a República: José Isidoro Martins Júnior. Sua trajetória, além de contribuir para uma visão singular dos acontecimentos a partir de uma perspectiva do Norte do Império, também traz uma das muitas formas com que o positivismo foi compreendido e posto em prática como projeto político no país. No curso da história política renovada proposto por René Rémond e em alinhamento com pesquisas que contestam a tese dos “bestializados”, este trabalho é uma das muitas biografias possíveis: o Martins Júnior político.


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  • Tradicionalmente, os estudos sobre o período que vai do final do Império ao início do século XX costumavam reafirmar que o processo de queda da monarquia e construção da República foi feito sem o povo, numa “quartelada militar”, instaurando um regime oligárquico. A “República Velha” passou a se tornar um conceito difundido que trazia consigo a ideia de uma época caduca, ultrapassada e caótica. Nessa esteira, o positivismo entrava na rota das ideias a serem combatidas, consideradas tão velhas e confusas quanto o próprio regime que se queria superar. Assim, homens de letra e ciência, políticos e técnicos que se aproximaram daquela ideologia, passaram a serem vistos como um inimigo a ser combatido pela escrita da História. A partir da década de 1980, entretanto, com o processo de renovação política pela qual passava o Brasil e o mundo – com o fim da Ditadura Civil-Militar no país e a decadência da Guerra Fria –novas perspectivas vieram para os estudos de história política. Essa renovação passou a trazer novas interpretações, cujas análises passaram a revisitar a “República Velha” e nomeá-la no seu sentido mais amplo, “Primeira República”. Com esta abertura, a compreensão do processo de queda do Império e consolidação do regime republicano tem sido cada vez mais revisto e diversificado, demonstrando a riqueza de tentativas, expectativas, sonhos e projetos que se enfrentaram para formar a República como a conhecemos. Esta tese escolheu acompanhar a história de vida de um sujeito que viveu, sonhou e se dedicou para a República: José Isidoro Martins Júnior. Sua trajetória, além de contribuir para uma visão singular dos acontecimentos a partir de uma perspectiva do Norte do Império, também traz uma das muitas formas com que o positivismo foi compreendido e posto em prática como projeto político no país. No curso da história política renovada proposto por René Rémond e em alinhamento com pesquisas que contestam a tese dos “bestializados”, este trabalho é uma das muitas biografias possíveis: o Martins Júnior político.

6
  • GRASIELA FLORENCIO DE MORAIS
  • “Pelos sentimentos de caridade que vos animam” estabelecemos o Asilo de Mendicidade do Recife: controle e repressão aos mendigos (1840-1876)


  • Orientador : SUZANA CAVANI ROSAS
  • MEMBROS DA BANCA :
  • WALTER DA SILVA FRAGA FILHO
  • CRISTIANO LUÍS CHRISTILLINO
  • MARIA REGINA SANTOS DE SOUZA
  • SUZANA CAVANI ROSAS
  • WELLINGTON BARBOSA DA SILVA
  • Data: 21/02/2022

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  • Este trabalho tem como objeto, o estudo do controle empreendido sobre a mendicância na cidade do Recife, entre os anos de 1840 e 1876. As percepções sobre a mendicidade e sobre os mendigos foram se modificando e propiciando novas estratégias para o seu controle, à medida que se alteravam as concepções sobre a cidade e sobre o universo do trabalho. Caridade, assistência e filantropia foram algumas das expressões que fizeram parte do vocabulário no trato da população tida como “desvalida da humanidade”. Para além dos seus significados, no Recife, a partir dos anos de 1830, projetos de gestão da indigência urbana foram sendo delineados pelas autoridades locais para conter a população enquadrada como mendicante. Portanto, o objetivo da presente tese foi analisar como o processo de institucionalização da caridade pública ofertada pelo Estado serviu para concentrar, encarcerar e condicionar ao mundo do trabalho sujeitos enquadrados como mendicantes. Para esse fim criou-se o Asilo de Mendicidade do Recife, o qual foi estabelecido, em 1859, primeiramente numa das enfermarias do Hospital Pedro II (onde funcionou entre os anos de 1860 e 1870) e depois foi transferido para um edifício comprado (que serviu de 1870 a 1876), localizado nos arrabaldes do Recife, especificamente, no bairro de Santo Amaro das Salinas. Em nosso ofício detetivesco, debruçamo-nos sobre documentos diversos, de impressos a manuscritos, com o intento de compreender as fases e o funcionamento do Asilo de Mendicidade, que foi modificada de instituição criada para “ensaio” ou “experimento”, foi pretendida a servir como nosocômio, casa de correção e casa de trabalho. A trajetória dessa instituição se confunde com a história da cidade do Recife, bem como está entrelaçada à história de muitos indivíduos que na condição de internos viveram de “portas adentro” do Asilo de Mendicidade. Por fim, nas linhas desse trabalho, tecemos a história dessa instituição e dos seus asilados, os quais reunidos num mesmo espaço foram sendo destituídos do seu “eu” que havia “portas afora” para outro “eu” que deveria servir de “portas adentro”.


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  • Este trabalho tem como objeto, o estudo do controle empreendido sobre a mendicância na cidade do Recife, entre os anos de 1840 e 1876. As percepções sobre a mendicidade e sobre os mendigos foram se modificando e propiciando novas estratégias para o seu controle, à medida que se alteravam as concepções sobre a cidade e sobre o universo do trabalho. Caridade, assistência e filantropia foram algumas das expressões que fizeram parte do vocabulário no trato da população tida como “desvalida da humanidade”. Para além dos seus significados, no Recife, a partir dos anos de 1830, projetos de gestão da indigência urbana foram sendo delineados pelas autoridades locais para conter a população enquadrada como mendicante. Portanto, o objetivo da presente tese foi analisar como o processo de institucionalização da caridade pública ofertada pelo Estado serviu para concentrar, encarcerar e condicionar ao mundo do trabalho sujeitos enquadrados como mendicantes. Para esse fim criou-se o Asilo de Mendicidade do Recife, o qual foi estabelecido, em 1859, primeiramente numa das enfermarias do Hospital Pedro II (onde funcionou entre os anos de 1860 e 1870) e depois foi transferido para um edifício comprado (que serviu de 1870 a 1876), localizado nos arrabaldes do Recife, especificamente, no bairro de Santo Amaro das Salinas. Em nosso ofício detetivesco, debruçamo-nos sobre documentos diversos, de impressos a manuscritos, com o intento de compreender as fases e o funcionamento do Asilo de Mendicidade, que foi modificada de instituição criada para “ensaio” ou “experimento”, foi pretendida a servir como nosocômio, casa de correção e casa de trabalho. A trajetória dessa instituição se confunde com a história da cidade do Recife, bem como está entrelaçada à história de muitos indivíduos que na condição de internos viveram de “portas adentro” do Asilo de Mendicidade. Por fim, nas linhas desse trabalho, tecemos a história dessa instituição e dos seus asilados, os quais reunidos num mesmo espaço foram sendo destituídos do seu “eu” que havia “portas afora” para outro “eu” que deveria servir de “portas adentro”.

7
  • JOSE MAXSUEL LOURENÇO ALVES
  • Gincanas, cartilhas e memórias: A fabricação da Cultura Popular no Movimento Brasileiro de Alfabetização – Mobral na Paraíba (1970-1985)

  • Orientador : REGINA BEATRIZ GUIMARAES NETO
  • MEMBROS DA BANCA :
  • ANTONIO TORRES MONTENEGRO
  • HELDER REMIGIO DE AMORIM
  • IRANILSON BURITI DE OLIVEIRA
  • JANAÍNA MARTINS CORDEIRO
  • REGINA BEATRIZ GUIMARAES NETO
  • Data: 28/02/2022

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  • Este tese estuda as apropriações da cultura popular realizadas pelo Movimento Brasileiro de Alfabetização, em sua estratégia de produção da adesão, do consenso, consentimento e legitimidade da ditadura civil militar na Paraíba. Criado no intuito de alfabetizar adultos, dentro da lógica governamental do “milagre brasileiro” e da integração nacional, o Mobral emerge dentro de um conjunto amplo de iniciativas que, num duplo jogo, interviam sobre a população na modernização de seus hábitos e agenciavam o estabelecimento de uma rede de relações que atavam as pessoas comuns de todo o país, ao Mobral central, criando um conjunto de práticas que visavam o engajamento constante desta população. Entre tais práticas destacaram-se aquelas que, ao longo do século XX, foram classificadas como cultura popular e folclore, e que foram amalgamadas com dispositivos da cultura letrada como programas de rádio e livros pelo programa Mobral cultural. O objetivo deste trabalho é compreender como este programa tornou-se possível, bem como as relações que foram estabelecidos por ele e pelo Mobral de maneira mais
    ampla com a população. Na construção desta tese utilizamos como metodologia a análise do discurso e como fontes periódicos, revistas, correspondências, relatórios, leis, diários do congresso Nacional e relatos orais de memória.


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  • Este tese estuda as apropriações da cultura popular realizadas pelo Movimento Brasileiro de Alfabetização, em sua estratégia de produção da adesão, do consenso, consentimento e legitimidade da ditadura civil militar na Paraíba. Criado no intuito de alfabetizar adultos, dentro da lógica governamental do “milagre brasileiro” e da integração nacional, o Mobral emerge dentro de um conjunto amplo de iniciativas que, num duplo jogo, interviam sobre a população na modernização de seus hábitos e agenciavam o estabelecimento de uma rede de relações que atavam as pessoas comuns de todo o país, ao Mobral central, criando um conjunto de práticas que visavam o engajamento constante desta população. Entre tais práticas destacaram-se aquelas que, ao longo do século XX, foram classificadas como cultura popular e folclore, e que foram amalgamadas com dispositivos da cultura letrada como programas de rádio e livros pelo programa Mobral cultural. O objetivo deste trabalho é compreender como este programa tornou-se possível, bem como as relações que foram estabelecidos por ele e pelo Mobral de maneira mais
    ampla com a população. Na construção desta tese utilizamos como metodologia a análise do discurso e como fontes periódicos, revistas, correspondências, relatórios, leis, diários do congresso Nacional e relatos orais de memória.

8
  • MARCUS VINICIUS SANTANA LIMA
  • COMO UM TROPEL POR DENTRO: CONCEPÇÕES DE VIDA, SENTIMENTOS E REAÇÕES NA OBRA DE JORGE AMADO

  • Orientador : ANTONIO PAULO DE MORAIS REZENDE
  • MEMBROS DA BANCA :
  • ANTONIO PAULO DE MORAIS REZENDE
  • FLAVIO WEINSTEIN TEIXEIRA
  • ALCILEIDE CABRAL DO NASCIMENTO
  • FRANCISCO DENIS MELO
  • JOANA D ARC DE SOUSA LIMA
  • Data: 06/05/2022

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  • As primeiras décadas do século vinte, na Bahia, são marcadas por mudanças e permanências históricas. Sua capital era um lugar que, apesar dos discursos de progresso e civilidade, protagonizava dramas sociais, perceptíveis em moradias improvisadas, epidemias que se prolongavam, prostituição de menores e tipos de trabalho realizados em condições precárias. Ambientado nesse contexto, a obra literária de Jorge Amado, romancista baiano, tornou-se uma importante fonte histórica para se analisar as formas de viver, de sentir e reagir elaboradas por pessoas cujas vidas estavam atravessadas por essa desigualdade social e dilemas existenciais. Se havia gente pobre tentando encontrar respostas para as adversidades que caracterizavam suas experiências de vida, associando-as à questão de como deveriam interpretar o próprio destino, havia, de outro modo, homens com alguma posse econômica ou inserção social mais privilegiada, reivindicando a necessidade de debater o significado da felicidade e da infelicidade, da tragédia de não encontrarem a satisfação para viver. Os romances Jubiabá e O País do Carnaval, publicados por Jorge Amado, respectivamente, em 1935 e 1931, apresentam-se como documentos históricos para compreendermos como tais sujeitos, representando diferentes cenas daquela Bahia, elaboraram concepções de vida. Ou seja, como expressavam sentimentos humanos a partir das relações que estabeleciam e, por fim, como reagiam, com atitudes e pensamentos, diante dos acontecimentos diários, fossem eles previstos ou resultado do acaso. O estudo desses livros possibilita à historiografia notar as sensibilidades de uma época, a subjetividade humana de um dado contexto histórico, bem como as aspirações de mulheres e homens tecidas em meio ao turbilhão da modernidade.


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  • As primeiras décadas do século vinte, na Bahia, são marcadas por mudanças e permanências históricas. Sua capital era um lugar que, apesar dos discursos de progresso e civilidade, protagonizava dramas sociais, perceptíveis em moradias improvisadas, epidemias que se prolongavam, prostituição de menores e tipos de trabalho realizados em condições precárias. Ambientado nesse contexto, a obra literária de Jorge Amado, romancista baiano, tornou-se uma importante fonte histórica para se analisar as formas de viver, de sentir e reagir elaboradas por pessoas cujas vidas estavam atravessadas por essa desigualdade social e dilemas existenciais. Se havia gente pobre tentando encontrar respostas para as adversidades que caracterizavam suas experiências de vida, associando-as à questão de como deveriam interpretar o próprio destino, havia, de outro modo, homens com alguma posse econômica ou inserção social mais privilegiada, reivindicando a necessidade de debater o significado da felicidade e da infelicidade, da tragédia de não encontrarem a satisfação para viver. Os romances Jubiabá e O País do Carnaval, publicados por Jorge Amado, respectivamente, em 1935 e 1931, apresentam-se como documentos históricos para compreendermos como tais sujeitos, representando diferentes cenas daquela Bahia, elaboraram concepções de vida. Ou seja, como expressavam sentimentos humanos a partir das relações que estabeleciam e, por fim, como reagiam, com atitudes e pensamentos, diante dos acontecimentos diários, fossem eles previstos ou resultado do acaso. O estudo desses livros possibilita à historiografia notar as sensibilidades de uma época, a subjetividade humana de um dado contexto histórico, bem como as aspirações de mulheres e homens tecidas em meio ao turbilhão da modernidade.

9
  • OSNAR GOMES DOS SANTOS
  • OS SINAIS DA CONVERSÃO: O MOVIMENTO DO CRISTIANISMO DA LIBERTAÇÃO NA DIOCESE DE PROPRIÁ-SE (1960-1991)

  • Orientador : CARLOS ALBERTO CUNHA MIRANDA
  • MEMBROS DA BANCA :
  • CARLOS ALBERTO CUNHA MIRANDA
  • CRISTIANO LUÍS CHRISTILLINO
  • GEORGE FELIX CABRAL DE SOUZA
  • IRINÉIA MARIA FRANCO DOS SANTOS
  • JOSE ADILSON FILHO
  • Data: 15/06/2022

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  • As relações entre religião e política na América Latina foram profundamente alteradas entre o final da década de 1950 e início da década de 1960. No plano político, a Revolução Cubana de 1959 projetou para o futuro do continente um novo horizonte de expectativas. As ideias disruptivas ganharam um lugar privilegiado no xadrez político e social. No plano religioso, a abertura do Concílio Vaticano II, no ano de 1962, admitiu para a Igreja Católica a sua abertura e atualização diante dos dilemas do mundo moderno. Teologias, antes vítimas da censura vaticana, passaram a ser reabilitadas e o engajamento cristão na sociedade foi encorajado. A Igreja na América Latina foi decisivamente influenciada por essas mudanças, ao ponto de se converter num dos principais canais de oposição aos modelos político-econômicos instaurados no continente. Esta tese pretende esmiuçar o caso particular da diocese sergipana de Propriá em meio a essas mudanças de lugar político, social e religioso da Igreja latino-americana. A análise desse caso particular aparece como uma necessidade a fim de captar com maior precisão a totalidade da alteração das relações entre religião e política no continente. O marco temporal contempla quatro décadas, entre a de 1960 e a de 1990, dada a motivação em esquadrinhar o período que vai da conversão diocesan a ao cristianismo da libertação latino-americano à desaceleração do ímpeto reformador que guiou a maioria do seu clero. Dividida em sete capítulos, a tese procurou dar novos contornos à compreensão dos impactos que mudanças nas relações entre religião e política puderam e podem provocar na sociedade contemporânea.


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  • As relações entre religião e política na América Latina foram profundamente alteradas entre o final da década de 1950 e início da década de 1960. No plano político, a Revolução Cubana de 1959 projetou para o futuro do continente um novo horizonte de expectativas. As ideias disruptivas ganharam um lugar privilegiado no xadrez político e social. No plano religioso, a abertura do Concílio Vaticano II, no ano de 1962, admitiu para a Igreja Católica a sua abertura e atualização diante dos dilemas do mundo moderno. Teologias, antes vítimas da censura vaticana, passaram a ser reabilitadas e o engajamento cristão na sociedade foi encorajado. A Igreja na América Latina foi decisivamente influenciada por essas mudanças, ao ponto de se converter num dos principais canais de oposição aos modelos político-econômicos instaurados no continente. Esta tese pretende esmiuçar o caso particular da diocese sergipana de Propriá em meio a essas mudanças de lugar político, social e religioso da Igreja latino-americana. A análise desse caso particular aparece como uma necessidade a fim de captar com maior precisão a totalidade da alteração das relações entre religião e política no continente. O marco temporal contempla quatro décadas, entre a de 1960 e a de 1990, dada a motivação em esquadrinhar o período que vai da conversão diocesan a ao cristianismo da libertação latino-americano à desaceleração do ímpeto reformador que guiou a maioria do seu clero. Dividida em sete capítulos, a tese procurou dar novos contornos à compreensão dos impactos que mudanças nas relações entre religião e política puderam e podem provocar na sociedade contemporânea.

2021
Dissertações
1
  • VIVIANE HOLANDA RANGEL
  • VONTADES ENTRELAÇADAS PELA LEI: UMA DISPUTA DISCURSIVA ENTRE PARTES E MAGISTRADOS NOS PROCESSOS DE CRIMES SEXUAIS CONTRA MULHERES EM PERNAMBUCO (1963 – 1973)

  • Orientador : CHRISTINE PAULETTE YVES RUFINO DABAT
  • MEMBROS DA BANCA :
  • CAROLINA PINHEIRO MENDES CAHU DE OLIVEIRA
  • CHRISTINE PAULETTE YVES RUFINO DABAT
  • CRISTIANO LUÍS CHRISTILLINO
  • Data: 22/07/2021

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  • Os crimes sexuais cometidos contra mulheres tiveram variadas interpretações ao longo dos séculos e das diferentes sociedades. O patriarcado fez com que, durante muito tempo, os corpos femininos fossem tidos como propriedade pública, quando não estivessem tutelados por homens. No ocidente, o desenvolvimento do capitalismo fortaleceu a ideia de que as mulheres eram propriedades masculinas, reforçando portanto o acesso que se poderia ter aos seus corpos. Também, a presença de um estado centralizado com o cristianismo como religião oficial desempenhou um papel fundamental no machismo institucional. O capital jurídico e médico, construídos sobre tais bases, fortaleceram juntos concepções misóginas sobre as capacidades femininas, um defendendo a sua debilidade e incapacidade, o outro produzindo conhecimento de modo a controlar seus corpos. Tal união acabou por fundamentar um sistema que culpabilizava as mulheres por quaisquer atos cometidos contra elas, com as denúncias de estupros e seus correlativos comportando frequentemente a dúvida de que a vítima poderia no mínimo ter consentido, quando não, ter efetivamente provocado a sua ocorrência a partir de algum comportamento. No Recife das décadas de 1960 e 1970, as denúncias desses crimes e os processos que se seguiam foram provas dessas tensões. Enquanto que a ida à delegacia simbolizava a noção de busca por um direito, também pressupunha a anuência com comportamentos sexuais cristalizados pela justiça, uma vez que as leis defendiam perfis e modelos de conduta específicos para os envolvidos, especialmente as do gênero
    feminino. Os exames sexológicos feitos pelo IML, imprescindíveis para o início do processo criminal, remontaram à união da medicina com o direito no controle da sexualidade e dos corpos femininos. Já no âmbito judicial, as narrativas desenvolvidas pelas vítimas, pelos acusados e pelos membros do judiciário instrumentalizaram conceitos que foram desde o ideal feminino da época até a noção de que haviam mulheres não merecedoras de serem protegidas pela justiça. No entanto, a análise das queixas-crime e dos processos judiciais mostrou que, mesmo tentando se encaixar em modelos preestabelecidos de sexualidade e comportamento, tais moldes nem sempre se alinhavam às práticas da população. Através dos depoimentos das partes e intervenções dos funcionários envolvidos, pôde-se perceber a intensa articulação que aconteceu entre as condutas esperadas e as
    ocorridas de fato e como o sistema judiciário agia nesse embate. O olhar sobre os processos demonstrou como as mulheres eram capazes de articular suas versões, criando caminhos onde poderiam ter seus objetivos alcançados. Sua busca por seus direitos revelou formas de viver suas vidas e suas sexualidades que não apenas se conformaram a corroborar normas instituídas, as contestando quando isto lhes era útil. A atuação feminina e os muitos discursos construídos em torno dos crimes sexuais mostraram que as mulheres se portavam não apenas como vítimas de um sistema que lhes oprimia. Eram, também, agentes ativos num período que mesclava permanências de pensamentos e estruturas patriarcais, com a transformação de conceitos de gênero, de família, de relacionamentos e de justiça. 


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  • Os crimes sexuais cometidos contra mulheres tiveram variadas interpretações ao longo dos séculos e das diferentes sociedades. O patriarcado fez com que, durante muito tempo, os corpos femininos fossem tidos como propriedade pública, quando não estivessem tutelados por homens. No ocidente, o desenvolvimento do capitalismo fortaleceu a ideia de que as mulheres eram propriedades masculinas, reforçando portanto o acesso que se poderia ter aos seus corpos. Também, a presença de um estado centralizado com o cristianismo como religião oficial desempenhou um papel fundamental no machismo institucional. O capital jurídico e médico, construídos sobre tais bases, fortaleceram juntos concepções misóginas sobre as capacidades femininas, um defendendo a sua debilidade e incapacidade, o outro produzindo conhecimento de modo a controlar seus corpos. Tal união acabou por fundamentar um sistema que culpabilizava as mulheres por quaisquer atos cometidos contra elas, com as denúncias de estupros e seus correlativos comportando frequentemente a dúvida de que a vítima poderia no mínimo ter consentido, quando não, ter efetivamente provocado a sua ocorrência a partir de algum comportamento. No Recife das décadas de 1960 e 1970, as denúncias desses crimes e os processos que se seguiam foram provas dessas tensões. Enquanto que a ida à delegacia simbolizava a noção de busca por um direito, também pressupunha a anuência com comportamentos sexuais cristalizados pela justiça, uma vez que as leis defendiam perfis e modelos de conduta específicos para os envolvidos, especialmente as do gênero
    feminino. Os exames sexológicos feitos pelo IML, imprescindíveis para o início do processo criminal, remontaram à união da medicina com o direito no controle da sexualidade e dos corpos femininos. Já no âmbito judicial, as narrativas desenvolvidas pelas vítimas, pelos acusados e pelos membros do judiciário instrumentalizaram conceitos que foram desde o ideal feminino da época até a noção de que haviam mulheres não merecedoras de serem protegidas pela justiça. No entanto, a análise das queixas-crime e dos processos judiciais mostrou que, mesmo tentando se encaixar em modelos preestabelecidos de sexualidade e comportamento, tais moldes nem sempre se alinhavam às práticas da população. Através dos depoimentos das partes e intervenções dos funcionários envolvidos, pôde-se perceber a intensa articulação que aconteceu entre as condutas esperadas e as
    ocorridas de fato e como o sistema judiciário agia nesse embate. O olhar sobre os processos demonstrou como as mulheres eram capazes de articular suas versões, criando caminhos onde poderiam ter seus objetivos alcançados. Sua busca por seus direitos revelou formas de viver suas vidas e suas sexualidades que não apenas se conformaram a corroborar normas instituídas, as contestando quando isto lhes era útil. A atuação feminina e os muitos discursos construídos em torno dos crimes sexuais mostraram que as mulheres se portavam não apenas como vítimas de um sistema que lhes oprimia. Eram, também, agentes ativos num período que mesclava permanências de pensamentos e estruturas patriarcais, com a transformação de conceitos de gênero, de família, de relacionamentos e de justiça. 

2
  • GIOVANNA MARIA TRAJANO DE LIRA
  • PERDI TUDO, NÃO TEM MAIS NADA:histórias de mulheres internadas no Hospital de Alienados do Recife (1930-1940)

  • Orientador : CARLOS ALBERTO CUNHA MIRANDA
  • MEMBROS DA BANCA :
  • YONISSA MARMITT WADI
  • CARLOS ALBERTO CUNHA MIRANDA
  • PABLO FRANCISCO DE ANDRADE PORFIRIO
  • Data: 10/08/2021

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  • A história da loucura é uma temática em crescimento no campo historiográfico brasileiro nos últimos anos. E é nessa temática que esta dissertação se localiza. Buscamos contar a história de mulheres que foram internadas no Hospital de Alienados do Recife durante as décadas de 1930 e 1940, entendendo que essas internações estavam inseridas num determinado contexto social e político. Naquela época a psiquiatria galgava cada vez mais seu espaço como a ciência médica que poderia tanto prevenir as cidadãs “desajustadas”, como ter os seus discursos higiênicos e morais disseminados na mídia, nas famílias e nas escolas. Essa especialidade médica ainda assumiu um posto de exclusividade em relação a assistência aos alienados do estado, que anteriormente ficava a cargo da Santa Casa de Misericórdia. Assim, a partir da análise dos prontuários psiquiátricos procuramos trazer um espaço de fala para essas mulheres que tantas vezes foram silenciadas dentro e fora dos muros da instituição de saúde. Mulheres que tiveram seus corpos e sua história analisada pelos médicos internos do hospital a partir da larga assistência criada por Ulysses Pernambucano em inícios da década de 1930, isto é, a Assistência a Psicopatas. Esta englobou tanto instituições de prevenção, medicalização, investigação da vida pregressa da paciente como o Serviço de Higiene Mental, laboratórios, além de espaços onde a permanências das pacientes seria mais duradoura e constante como o Hospital de Alienados, a Colônia de Barreiros e o Manicômio Judiciário.

     


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  • A história da loucura é uma temática em crescimento no campo historiográfico brasileiro nos últimos anos. E é nessa temática que esta dissertação se localiza. Buscamos contar a história de mulheres que foram internadas no Hospital de Alienados do Recife durante as décadas de 1930 e 1940, entendendo que essas internações estavam inseridas num determinado contexto social e político. Naquela época a psiquiatria galgava cada vez mais seu espaço como a ciência médica que poderia tanto prevenir as cidadãs “desajustadas”, como ter os seus discursos higiênicos e morais disseminados na mídia, nas famílias e nas escolas. Essa especialidade médica ainda assumiu um posto de exclusividade em relação a assistência aos alienados do estado, que anteriormente ficava a cargo da Santa Casa de Misericórdia. Assim, a partir da análise dos prontuários psiquiátricos procuramos trazer um espaço de fala para essas mulheres que tantas vezes foram silenciadas dentro e fora dos muros da instituição de saúde. Mulheres que tiveram seus corpos e sua história analisada pelos médicos internos do hospital a partir da larga assistência criada por Ulysses Pernambucano em inícios da década de 1930, isto é, a Assistência a Psicopatas. Esta englobou tanto instituições de prevenção, medicalização, investigação da vida pregressa da paciente como o Serviço de Higiene Mental, laboratórios, além de espaços onde a permanências das pacientes seria mais duradoura e constante como o Hospital de Alienados, a Colônia de Barreiros e o Manicômio Judiciário.

     

3
  • ÉRICA DE OLIVEIRA SANTOS FERREIRA
  • "PLANTAR PARA SOBREVIVER:
    TRABALHADORES (AS) RURAIS DE PALMEIRA DOS ÍNDIOS (1950-1959)"

  • Orientador : PABLO FRANCISCO DE ANDRADE PORFIRIO
  • MEMBROS DA BANCA :
  • PABLO FRANCISCO DE ANDRADE PORFIRIO
  • JULIANA ALVES DE ANDRADE
  • MARCELO GÓES TAVARES
  • Data: 17/08/2021

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  • Essa dissertação historiciza as experiências cotidianas dos trabalhadores e trabalhadoras rurais de Palmeira dos Índios em meio ao discurso e prática de industrialização e modernidade no Brasil na década de 1950. Discutimos quais espaços são ocupados por esses trabalhadores rurais, na cidade de Palmeira dos Índios que tinha como principal base econômica a produção agrícola, mas que se colocava dentro da vanguarda da modernização. As táticas de (re) existências construídas por estes trabalhadores (as) frente ao projeto excludente da modernização, a agricultura foi um meio de sobrevivência. Plantar para sobreviver. O trabalho com e na terra produziu redes de aprendizagens e trocas de conhecimentos técnicos entre pais e filhos, constituiu um quadro de relações sociais, políticas e culturais entre a comunidade. Essas experiências, estratégias, os espaços ocupados – feiras, cinemas, fábricas, armazéns - garantiam em parte a reprodução desta cultura e o fortalecimento das relações sociais, uma vez que o projeto de modernização implementado no Brasil, em Palmeira dos Índios (1950) não os inseria no projeto de cidadania . Observamos ainda, as relações entre cidade, memória. Munidos de experiência, estratégias e resistências, (re) inventaram em suas práticas cotidianas, modos de viver e enfrentar as adversidades. O trabalho, a agricultura incorporam as histórias de gerações de trabalhadores e trabalhadoras rurais de Palmeira dos Índios, que constroem laços de afetos, luta, resistências, sobrevivências e de vivências. Nesse sentido, o agenciamento de obras historiográficas, teóricas, jornais, fotografias, atas da câmara dos vereadores e os relatos de memórias compõem o quadro de fontes documentais importantes para o desenvolvimento da pesquisa.


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  • Essa dissertação historiciza as experiências cotidianas dos trabalhadores e trabalhadoras rurais de Palmeira dos Índios em meio ao discurso e prática de industrialização e modernidade no Brasil na década de 1950. Discutimos quais espaços são ocupados por esses trabalhadores rurais, na cidade de Palmeira dos Índios que tinha como principal base econômica a produção agrícola, mas que se colocava dentro da vanguarda da modernização. As táticas de (re) existências construídas por estes trabalhadores (as) frente ao projeto excludente da modernização, a agricultura foi um meio de sobrevivência. Plantar para sobreviver. O trabalho com e na terra produziu redes de aprendizagens e trocas de conhecimentos técnicos entre pais e filhos, constituiu um quadro de relações sociais, políticas e culturais entre a comunidade. Essas experiências, estratégias, os espaços ocupados – feiras, cinemas, fábricas, armazéns - garantiam em parte a reprodução desta cultura e o fortalecimento das relações sociais, uma vez que o projeto de modernização implementado no Brasil, em Palmeira dos Índios (1950) não os inseria no projeto de cidadania . Observamos ainda, as relações entre cidade, memória. Munidos de experiência, estratégias e resistências, (re) inventaram em suas práticas cotidianas, modos de viver e enfrentar as adversidades. O trabalho, a agricultura incorporam as histórias de gerações de trabalhadores e trabalhadoras rurais de Palmeira dos Índios, que constroem laços de afetos, luta, resistências, sobrevivências e de vivências. Nesse sentido, o agenciamento de obras historiográficas, teóricas, jornais, fotografias, atas da câmara dos vereadores e os relatos de memórias compõem o quadro de fontes documentais importantes para o desenvolvimento da pesquisa.

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  • EWERTON WIRLLEY SILVA BARROS
  • A METAMORFOSE DO FOLCLORE: UMA INSTITUCIONALIZAÇÃO ACADÊMICO-CIENTÍFICA POR VERÍSSIMO DE MELO (1944-1974)

  • Orientador : DURVAL MUNIZ DE ALBUQUERQUE JÚNIOR
  • MEMBROS DA BANCA :
  • BENITO BISSO SCHMIDT
  • FRANCISCO FIRMINO SALES NETO
  • DURVAL MUNIZ DE ALBUQUERQUE JÚNIOR
  • Data: 26/08/2021

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  • Nesta dissertação, tive como pretensão a investigação da institucionalização do campo de estudos folclóricos nas esferas acadêmico-científica brasileiras. Para atender essa proposta, delimitei a pesquisa ao abordar a trajetória de Veríssimo Pinheiro de Melo (1921-1996) – um intelectual norte rio-grandense que participou desse processo de inserção institucional do saber folclórico no Instituto de Antropologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, a partir da década de 1960. Em um cenário em que as ciências sociais já haviam se consolidado nas universidades brasileiras, sobretudo no formato de Centros e Departamentos Acadêmicos, investiguei a hipótese de que Veríssimo de Melo metamorfoseou o campo de estudos do folclore para inseri-lo no campo da antropologia cultural, como uma maneira de viabilizar a sua institucionalização acadêmica. Em vista disso, procurei problematizar a sua trajetória intelectual iniciada no Ensino Superior no ano de 1944, seguida do seu encontro com os estudos folclóricos, examinando o seu manuseio das fontes e métodos de pesquisa, mapeando as suas relações intelectuais, explorando ainda as relações de saber e poder que estavam no cerne das ciências sociais durante o período de sua trajetória profissional e, finalizando a pesquisa, em 1974, ano decisivo para a realização desses objetivos. Então, para a realização deste trabalho, utilizei e manuseei fontes bibliográficas, epistolares, periódicas e atas institucionais. No arcabouço teórico, fundamentei-me nas categorias de intelectual, campo, memória, emoções e biografia operacionalizadas, respectivamente, por Jean-François Sirinelli, Pierre Bourdieu, Henri Bergson, David Le Breton e François Dosse. O percurso metodológico que adotei e percorri foi balizado nas reflexões da análise de discurso elaborada por Michel Foucault.


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  • Nesta dissertação, tive como pretensão a investigação da institucionalização do campo de estudos folclóricos nas esferas acadêmico-científica brasileiras. Para atender essa proposta, delimitei a pesquisa ao abordar a trajetória de Veríssimo Pinheiro de Melo (1921-1996) – um intelectual norte rio-grandense que participou desse processo de inserção institucional do saber folclórico no Instituto de Antropologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, a partir da década de 1960. Em um cenário em que as ciências sociais já haviam se consolidado nas universidades brasileiras, sobretudo no formato de Centros e Departamentos Acadêmicos, investiguei a hipótese de que Veríssimo de Melo metamorfoseou o campo de estudos do folclore para inseri-lo no campo da antropologia cultural, como uma maneira de viabilizar a sua institucionalização acadêmica. Em vista disso, procurei problematizar a sua trajetória intelectual iniciada no Ensino Superior no ano de 1944, seguida do seu encontro com os estudos folclóricos, examinando o seu manuseio das fontes e métodos de pesquisa, mapeando as suas relações intelectuais, explorando ainda as relações de saber e poder que estavam no cerne das ciências sociais durante o período de sua trajetória profissional e, finalizando a pesquisa, em 1974, ano decisivo para a realização desses objetivos. Então, para a realização deste trabalho, utilizei e manuseei fontes bibliográficas, epistolares, periódicas e atas institucionais. No arcabouço teórico, fundamentei-me nas categorias de intelectual, campo, memória, emoções e biografia operacionalizadas, respectivamente, por Jean-François Sirinelli, Pierre Bourdieu, Henri Bergson, David Le Breton e François Dosse. O percurso metodológico que adotei e percorri foi balizado nas reflexões da análise de discurso elaborada por Michel Foucault.

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  • MAXUEL DE FRANCA LIMA
  • EXPERIÊNCIA, TRABALHO E POLÍTICA: Os estivadores do porto do Recife (1891-1907).

  • Orientador : JOSE BENTO ROSA DA SILVA
  • MEMBROS DA BANCA :
  • PETRÔNIO JOSÉ DOMINGUES
  • JOSE BENTO ROSA DA SILVA
  • SUZANA CAVANI ROSAS
  • Data: 15/09/2021

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  • Esta dissertação investiga os estivadores do porto do Recife. Os estivadores eram os trabalhadores
    portuários que desempenhava um serviço fundamental para o funcionamento do porto,
    carregamento e descarga de mercadoria das embarcações. Ao longo do século XIX, estes
    estivadores também foram escravos, organizaram-se coletivamente por suas reivindicações, ainda
    sob a vigência do regime escravista, e em 1891 conseguiram fundar a Sociedade União
    Beneficente dos Estivadores. Nosso trabalho analisa esse processo de fazer-se dos estivadores
    enquanto uma categoria portuária e sua importância política nos primeiros anos de fundação da
    Sociedade até 1907.O sistema de contratação de mão de obra, o contexto político envolvido –
    abolicionismo, Proclamação da República – a luta pela consolidação da cidadania por meio da
    Sociedade, os conflitos com as autoridades públicas e com o patronato da estiva, as dificuldades
    de existência em um Recife marcado pelo desemprego e fome, foram aspectos que exploramos na
    vida dos estivadores. Estuda também como se deu a participação política desses sujeitos no
    período. Por meio da análise de suas greves e da atuação que ela ensejava visualizámos uma
    participação política intensa desses estivadores, marcado pela solidariedade entre eles e para com
    outras categorias. Assim, esse trabalho contribui com a historiografia que vem destacando a
    participação política da população mais pobre e negra na conformação do movimento operário.


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  • Esta dissertação investiga os estivadores do porto do Recife. Os estivadores eram os trabalhadores
    portuários que desempenhava um serviço fundamental para o funcionamento do porto,
    carregamento e descarga de mercadoria das embarcações. Ao longo do século XIX, estes
    estivadores também foram escravos, organizaram-se coletivamente por suas reivindicações, ainda
    sob a vigência do regime escravista, e em 1891 conseguiram fundar a Sociedade União
    Beneficente dos Estivadores. Nosso trabalho analisa esse processo de fazer-se dos estivadores
    enquanto uma categoria portuária e sua importância política nos primeiros anos de fundação da
    Sociedade até 1907.O sistema de contratação de mão de obra, o contexto político envolvido –
    abolicionismo, Proclamação da República – a luta pela consolidação da cidadania por meio da
    Sociedade, os conflitos com as autoridades públicas e com o patronato da estiva, as dificuldades
    de existência em um Recife marcado pelo desemprego e fome, foram aspectos que exploramos na
    vida dos estivadores. Estuda também como se deu a participação política desses sujeitos no
    período. Por meio da análise de suas greves e da atuação que ela ensejava visualizámos uma
    participação política intensa desses estivadores, marcado pela solidariedade entre eles e para com
    outras categorias. Assim, esse trabalho contribui com a historiografia que vem destacando a
    participação política da população mais pobre e negra na conformação do movimento operário.

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  • RENATO TORRES DE LIRA
  • AFRICANOS E O USO DA LEI FEIJÓ EM PERNAMBUCO: resistência ao cativeiro ilegal entre as décadas de 1870 e 1880.

  • Orientador : MARCUS JOAQUIM MACIEL DE CARVALHO
  • MEMBROS DA BANCA :
  • MARCUS JOAQUIM MACIEL DE CARVALHO
  • MARIA EMILIA VASCONCELOS DOS SANTOS
  • PAULO HENRIQUE FONTES CADENA
  • Data: 27/09/2021

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  • O presente trabalho tem por objetivo discutir a resistência escrava exercida por africanos e seus descendentes que acessaram a Justiça pernambucana, entre as duas décadas finais da instituição da escravidão no Brasil, e tornaram-se autores de ações que visavam alterar seus respectivos estatutos jurídicos. Alegando que o cativeiro no qual permaneciam desde muito jovens era ilegal por ter ocorrido após a promulgação da chamada lei Feijó, de 1831, que criminalizou o comércio atlântico de escravizados. A documentação trabalhada compreende um total de seis processos entre petições judiciais e ações de liberdade propriamente ditas, pertencentes ao acervo público do Memorial da Justiça de Pernambuco. A atitude destes autores em confrontar a propriedade senhorial pela esfera judiciária se coaduna a de outros inúmeros que por todo o Império se intensificou posteriormente à lei Rio Branco, ou “do Ventre Livre” de 1871. Esta, a despeito de uma proposta de abolição gradual do Estado, representou conquista dos escravizados, em função da atuação do conjunto das formas de resistência até aquele ponto do século XIX, pois ampliou possibilidades de alforrias e da impetração de ações judiciais de liberdade. A riqueza documental das fontes aqui trabalhadas permite lançar o olhar para o período em questão e, retrospectivamente, para as décadas que registraram massiva e ilícita importação de africanos para o Brasil. Isto foi possível pelos depoimentos de autores e testemunhas, pela atuação de curadores e dos representantes do senhorio, que, mesmo às vésperas da abolição definitiva insistiam na manutenção da propriedade escrava e ilegal.


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  • O presente trabalho tem por objetivo discutir a resistência escrava exercida por africanos e seus descendentes que acessaram a Justiça pernambucana, entre as duas décadas finais da instituição da escravidão no Brasil, e tornaram-se autores de ações que visavam alterar seus respectivos estatutos jurídicos. Alegando que o cativeiro no qual permaneciam desde muito jovens era ilegal por ter ocorrido após a promulgação da chamada lei Feijó, de 1831, que criminalizou o comércio atlântico de escravizados. A documentação trabalhada compreende um total de seis processos entre petições judiciais e ações de liberdade propriamente ditas, pertencentes ao acervo público do Memorial da Justiça de Pernambuco. A atitude destes autores em confrontar a propriedade senhorial pela esfera judiciária se coaduna a de outros inúmeros que por todo o Império se intensificou posteriormente à lei Rio Branco, ou “do Ventre Livre” de 1871. Esta, a despeito de uma proposta de abolição gradual do Estado, representou conquista dos escravizados, em função da atuação do conjunto das formas de resistência até aquele ponto do século XIX, pois ampliou possibilidades de alforrias e da impetração de ações judiciais de liberdade. A riqueza documental das fontes aqui trabalhadas permite lançar o olhar para o período em questão e, retrospectivamente, para as décadas que registraram massiva e ilícita importação de africanos para o Brasil. Isto foi possível pelos depoimentos de autores e testemunhas, pela atuação de curadores e dos representantes do senhorio, que, mesmo às vésperas da abolição definitiva insistiam na manutenção da propriedade escrava e ilegal.

7
  • HYAGO ÁTILLA SOUSA DOS SANTOS
  • O DRAMA DA PRINCESA TRANSVIADA: JORNAL A AÇÃO, PÂNICO MORAL E CARTOGRAFIAS DA IDENTIDADE AMEAÇADA EM CRATO (CE), 1965-1972

  • Orientador : DURVAL MUNIZ DE ALBUQUERQUE JÚNIOR
  • MEMBROS DA BANCA :
  • ANTONIO MAURICIO FREITAS BRITO
  • DURVAL MUNIZ DE ALBUQUERQUE JÚNIOR
  • ROBERTO MARQUES
  • Data: 13/12/2021

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  • Considerando o crescimento dos debates em torno dos conceitos de moral e autoritarismo na historiografia brasileira, este trabalho pretende elaborar uma reflexão sobre como a mídia impressa operava, no início do período ditatorial-militar brasileiro, como agente direto na promoção e manutenção de regimes de moralidade. Para isso, foi utilizado, como fonte primária e objeto central do trabalho, o jornal A Ação, periódico fundado em 1939 pela Ação Católica da Diocese de Crato, cidade localizada na Região do Cariri, no interior do Ceará. O recorte temporal escolhido foi entre 1965, ano seguinte ao Golpe Militar, e 1972. Utilizando o conceito do Pânico Moral, desenvolvido e trabalhado por autores como Stanley Cohen (2011), Erich Goode e Nachman Bem-Yehuda (2009) e Benjamin Cowan (2016), a pretensão geral dessa reflexão é buscar entender como a imprensa, ao enquadrar grupos de jovens considerados subversivos nos valores morais e políticos pregados no período, operava seguindo padrões específicos de enquadramento e estigmatização de sujeitos, identificando a problemática, atribuindo significados ao que era descrito e propondo intervenções de resolução que, por vezes, recorriam a ações autoritárias da tecnocracia moral que se instaurava. Em seu desenvolvimento, o trabalho foi dividido em seções que abordam a questão do movimento cultural que atuou em um projeto civilizatório e identitário para a cidade do Crato e em como esse projeto se readaptou à realidade brasileira na transição ao autoritarismo; em como jovens, em especial mulheres, eram tratadas pelo A Ação e afetadas por mecanismos de disciplinarização e modelamento de corpos construídos pela Igreja e pela elite local; em estabelecer uma análise comparativa sobre como a toxicomania, elemento fortemente combatido na ditadura, era encarada pela juventude local, consideravelmente influenciada pelos movimentos de contracultura e enquadrada pelo jornal, e em como alguns espaços e sujeitos marginalizados e não pertencentes à elite local eram abordados nesses discursos. Toda a análise parte da ideia de que as formas de repressão policial e militar não se restringiam à dimensão política da subversão e de ações anticomunistas, mas que, sobretudo, o regime autoritário solidificou e aperfeiçoou a máquina de tortura e violência simbólica (com a ação direta de instituições religiosas) como padrão normalizado de enquadramento de sujeitos desviantes.


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  • Considerando o crescimento dos debates em torno dos conceitos de moral e autoritarismo na historiografia brasileira, este trabalho pretende elaborar uma reflexão sobre como a mídia impressa operava, no início do período ditatorial-militar brasileiro, como agente direto na promoção e manutenção de regimes de moralidade. Para isso, foi utilizado, como fonte primária e objeto central do trabalho, o jornal A Ação, periódico fundado em 1939 pela Ação Católica da Diocese de Crato, cidade localizada na Região do Cariri, no interior do Ceará. O recorte temporal escolhido foi entre 1965, ano seguinte ao Golpe Militar, e 1972. Utilizando o conceito do Pânico Moral, desenvolvido e trabalhado por autores como Stanley Cohen (2011), Erich Goode e Nachman Bem-Yehuda (2009) e Benjamin Cowan (2016), a pretensão geral dessa reflexão é buscar entender como a imprensa, ao enquadrar grupos de jovens considerados subversivos nos valores morais e políticos pregados no período, operava seguindo padrões específicos de enquadramento e estigmatização de sujeitos, identificando a problemática, atribuindo significados ao que era descrito e propondo intervenções de resolução que, por vezes, recorriam a ações autoritárias da tecnocracia moral que se instaurava. Em seu desenvolvimento, o trabalho foi dividido em seções que abordam a questão do movimento cultural que atuou em um projeto civilizatório e identitário para a cidade do Crato e em como esse projeto se readaptou à realidade brasileira na transição ao autoritarismo; em como jovens, em especial mulheres, eram tratadas pelo A Ação e afetadas por mecanismos de disciplinarização e modelamento de corpos construídos pela Igreja e pela elite local; em estabelecer uma análise comparativa sobre como a toxicomania, elemento fortemente combatido na ditadura, era encarada pela juventude local, consideravelmente influenciada pelos movimentos de contracultura e enquadrada pelo jornal, e em como alguns espaços e sujeitos marginalizados e não pertencentes à elite local eram abordados nesses discursos. Toda a análise parte da ideia de que as formas de repressão policial e militar não se restringiam à dimensão política da subversão e de ações anticomunistas, mas que, sobretudo, o regime autoritário solidificou e aperfeiçoou a máquina de tortura e violência simbólica (com a ação direta de instituições religiosas) como padrão normalizado de enquadramento de sujeitos desviantes.

Teses
1
  • JOSÉ WELLINGTON DE OLIVEIRA MACHADO
  • AS ARTES DE PINTAR E AS ARTES DE SE PINTAR: LEMBRANÇAS E ESQUECIMENTOS SOBRE MÁRCIA MAIA MENDONÇA, UMA ARTISTA TRANSEXUAL CATÓLICA300

  • Orientador : DURVAL MUNIZ DE ALBUQUERQUE JÚNIOR
  • MEMBROS DA BANCA :
  • ELIAS FERREIRA VERAS
  • SANDRA PALMA SALEIRO
  • ANTONIO TORRES MONTENEGRO
  • DURVAL MUNIZ DE ALBUQUERQUE JÚNIOR
  • FRANCISCO REGIS LOPES RAMOS
  • REGINA BEATRIZ GUIMARAES NETO
  • Data: 01/07/2021

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  • Esta pesquisa tem como foco as corpografias de uma artista transexual católica. As carnes que saíram do parto em 1949 ganharam próteses sociais e culturais que ajudaram a construir os corpos, as artes e a subjetividade de Márcio e Márcia Mendonça. Mas, nunca existiu unidade, homogeneidade ou coesão nesses sujeitos, o que havia eram vários corpos, diversas artes e muitas subjetividades, porque tanto ele como ela transitavam entre a tradição e a transgressão, fazendo, desfazendo e refazendo a existência. A composição dos corpos e subjetividades dependia das conexões, dos encontros com outros corpos, sejam eles de carne, de tinta, de gesso, de barro, de madeira, de cimento, de sons, de palavras, de ideias, etc. Existiram vários partos e muitas mesas de operação ao longo de sua vida. As suas carnes foram operadas pela sociedade e pela cultura, através das roupas, dos calçados, dos brinquedos, das tintas, dos quadros, dos painéis, dos desenhos, do piano, do violão, do cinema, das esculturas e das arquiteturas. O corpo de Márcio foi sendo montado, desmontado e remontado através da mãe, do pai, do padrinho, da madrinha, das vizinhas, dos cinemas, da Escola de Belas Artes de Recife, do Mosteiro de São Bento de Olinda, dos conventos, das missões, dos frades capuchinhos, dos índios Kanelas, da contracultura, do catolicismo popular e das artes. A mesma coisa aconteceu com a Márcia, o seu corpo não era feito apenas de hormônios, silicone ou de operações legais e ilegais. Ela nasceu através dos encontros com as travestis e as transexuais de Fortaleza, de São Paulo e de Paris, com os corpos que conheceu nas ruas, na TV, nas revistas e nos jornais. Não se montou apenas com vestidos, calçados e maquiagens, a sua pele estava coberta de tinta, de barro, de madeira, de colares, de terços, de hábitos religiosos e não religiosos. Ela nasceu através das idealizações de uma cultura afrancesada, do contato com as ruas e com os rios de Limoeiro do Norte e Paris, com as catedrais do Brasil e da Europa, com as exposições de arte, com os carnavais, com os cabarés de Montmartre, com Pigalle e com o Bosque de Bolonha. Ela montava-se através dos cusquenhos, do Cine Jangada, da Boate Casa Blanca, do canto gregoriano, das músicas clássicas, da MPB, da música internacional e do forró. Esse corpo diverso, múltiplo, nômade, foi enquadrado pelas memórias pré-mortes e pós-mortes, que cristalizaram e engessaram uma identidade para Márcio e Márcia Mendonça, a de pintor sacro.


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  • Esta pesquisa tem como foco as corpografias de uma artista transexual católica. As carnes que saíram do parto em 1949 ganharam próteses sociais e culturais que ajudaram a construir os corpos, as artes e a subjetividade de Márcio e Márcia Mendonça. Mas, nunca existiu unidade, homogeneidade ou coesão nesses sujeitos, o que havia eram vários corpos, diversas artes e muitas subjetividades, porque tanto ele como ela transitavam entre a tradição e a transgressão, fazendo, desfazendo e refazendo a existência. A composição dos corpos e subjetividades dependia das conexões, dos encontros com outros corpos, sejam eles de carne, de tinta, de gesso, de barro, de madeira, de cimento, de sons, de palavras, de ideias, etc. Existiram vários partos e muitas mesas de operação ao longo de sua vida. As suas carnes foram operadas pela sociedade e pela cultura, através das roupas, dos calçados, dos brinquedos, das tintas, dos quadros, dos painéis, dos desenhos, do piano, do violão, do cinema, das esculturas e das arquiteturas. O corpo de Márcio foi sendo montado, desmontado e remontado através da mãe, do pai, do padrinho, da madrinha, das vizinhas, dos cinemas, da Escola de Belas Artes de Recife, do Mosteiro de São Bento de Olinda, dos conventos, das missões, dos frades capuchinhos, dos índios Kanelas, da contracultura, do catolicismo popular e das artes. A mesma coisa aconteceu com a Márcia, o seu corpo não era feito apenas de hormônios, silicone ou de operações legais e ilegais. Ela nasceu através dos encontros com as travestis e as transexuais de Fortaleza, de São Paulo e de Paris, com os corpos que conheceu nas ruas, na TV, nas revistas e nos jornais. Não se montou apenas com vestidos, calçados e maquiagens, a sua pele estava coberta de tinta, de barro, de madeira, de colares, de terços, de hábitos religiosos e não religiosos. Ela nasceu através das idealizações de uma cultura afrancesada, do contato com as ruas e com os rios de Limoeiro do Norte e Paris, com as catedrais do Brasil e da Europa, com as exposições de arte, com os carnavais, com os cabarés de Montmartre, com Pigalle e com o Bosque de Bolonha. Ela montava-se através dos cusquenhos, do Cine Jangada, da Boate Casa Blanca, do canto gregoriano, das músicas clássicas, da MPB, da música internacional e do forró. Esse corpo diverso, múltiplo, nômade, foi enquadrado pelas memórias pré-mortes e pós-mortes, que cristalizaram e engessaram uma identidade para Márcio e Márcia Mendonça, a de pintor sacro.

2
  • JEFFREY AISLAN DE SOUZA SILVA
  • O TRIBUNAL DA RELAÇÃO DE PERNAMBUCO: CONFLITOS, GOVERNANÇA E ATUAÇÃO POLÍTICA DOS MAGISTRADOS (1795-1822)

  • Orientador : MARCUS JOAQUIM MACIEL DE CARVALHO
  • MEMBROS DA BANCA :
  • MARCUS JOAQUIM MACIEL DE CARVALHO
  • CRISTIANO LUÍS CHRISTILLINO
  • PAULO HENRIQUE FONTES CADENA
  • ANDRÉA LISLY GONÇALVES
  • ANDRÉA SLEMIAN
  • Data: 09/07/2021

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  • Entre os séculos XVII-XVIII, os homens-bons das câmaras das principais vilas da capitania de Pernambuco recorreram aos reis portugueses, solicitando a instalação de um Tribunal da Relação na localidade. Alegavam a existência de sucessivos empecilhos que deveriam ser enfrentados por aqueles que desejassem recorrer de seus pleitos ao Tribunal da Relação da Bahia. Para além do desejo de emancipação da tutela jurídica do tribunal
    baiano, os pernambucanos buscavam reafirmar a centralidade da capitania na região. A partir de 1808, com a vinda da família real para o Brasil, a capitania sofreu sucessivas mudanças em sua estrutura administrativa, com o aumento do número de comarcas e vilas, possíveis graças a política de adensamento e expansão da malha jurídica desenvolvida pela corte joanina, instalada no Rio de Janeiro. Foi diante desse quadro de ampliação da estrutura administrativa da justiça e do temor relacionado a possibilidade de novas insurreições e sedições na capitania de Pernambuco, que o rei d. João VI expediu, em 6 de março de 1821, um alvará régio autorizando a criação de um Tribunal da Relação, que seria instalado na vila do Recife. Os encaminhamentos administrativos para o estabelecimento do Tribunal da Relação foram dados pelo príncipe d. Pedro, especialmente a expedição das cartas de nomeação dos magistrados que ocupariam os cargos de desembargadores no tribunal. Os magistrados que passaram pela capitania de Pernambuco entre o final do século XVIII e início do século XIX, período de nossa pesquisa, tiveram significativa importância no processo social e político vivenciado no território, atuando em funções de governo e administração da justiça, em um contexto permeado por conflitos, onde buscaram operar segundo seus interesses e as funções que exerciam na sociedade do Antigo Regime. O contexto político das experiências constitucionais vivenciadas no Brasil após o início da Revolução do Porto e a formação das Cortes portuguesas, atrasou o estabelecimento do Tribunal da Relação de Pernambuco. Deputados portugueses chegaram a alegar que não existia um alvará régio expedido pelo monarca que autorizasse a criação do tribunal. No Brasil, os desembargadores nomeados recorreram ao príncipe d. Pedro, para que o regente continuasse com o processo de instalação da instituição, que iniciou seu funcionamento em 13 de agosto de 1822, na vila do Recife, diante de um conturbado contexto social e político vivido na província.


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  • Entre os séculos XVII-XVIII, os homens-bons das câmaras das principais vilas da capitania de Pernambuco recorreram aos reis portugueses, solicitando a instalação de um Tribunal da Relação na localidade. Alegavam a existência de sucessivos empecilhos que deveriam ser enfrentados por aqueles que desejassem recorrer de seus pleitos ao Tribunal da Relação da Bahia. Para além do desejo de emancipação da tutela jurídica do tribunal baiano, os pernambucanos buscavam reafirmar a centralidade da capitania na região. A partir de 1808, com a vinda da família real para o Brasil, a capitania sofreu sucessivas mudanças em sua estrutura administrativa, com o aumento do número de comarcas e vilas, possíveis graças a política de adensamento e expansão da malha jurídica desenvolvida pela corte joanina, instalada no Rio de Janeiro. Foi diante desse quadro de ampliação da estrutura administrativa da justiça e do temor relacionado a possibilidade de novas insurreições e sedições na capitania de Pernambuco, que o rei d. João VI expediu, em 6 de março de 1821, um alvará régio autorizando a criação de um Tribunal da Relação, que seria instalado na vila do Recife. Os encaminhamentos administrativos para o estabelecimento do Tribunal da Relação foram dados pelo príncipe d. Pedro, especialmente a expedição das cartas de nomeação dos magistrados que ocupariam os cargos de desembargadores no tribunal. Os magistrados que passaram pela capitania de Pernambuco entre o final do século XVIII e início do século XIX, período de nossa pesquisa, tiveram significativa importância no processo social e político vivenciado no território, atuando em funções de governo e administração da justiça, em um contexto permeado por conflitos, onde buscaram operar segundo seus interesses e as funções que exerciam na sociedade do Antigo Regime. O contexto político das experiências constitucionais vivenciadas no Brasil após o início da Revolução do Porto e a formação das Cortes portuguesas, atrasou o estabelecimento do Tribunal da Relação de Pernambuco. Deputados portugueses chegaram a alegar que não existia um alvará régio expedido pelo monarca que autorizasse a criação do tribunal. No Brasil, os desembargadores nomeados recorreram ao príncipe d. Pedro, para que o regente continuasse com o processo de instalação da instituição, que iniciou seu funcionamento em 13 de agosto de 1822, na vila do Recife, diante de um conturbado contexto social e político vivido na província.

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  • LUCIAN SOUZA DA SILVA
  • ESMAGANDO A CABEÇA DA HIDRA: A PARAÍBA DO NORTE NO ALVORECER DA ABOLIÇÃO, 1877-1888

  • Orientador : CRISTIANO LUÍS CHRISTILLINO
  • MEMBROS DA BANCA :
  • MARIA SARITA CRISTINA MOTA
  • CRISTIANO LUÍS CHRISTILLINO
  • EDNA MARIA MATOS ANTÔNIO
  • JOSE BENTO ROSA DA SILVA
  • MARCUS JOAQUIM MACIEL DE CARVALHO
  • Data: 15/07/2021

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  • FRANCISCA GABRIELA BANDEIRA PINHEIRO
  • MÉDICOS, POLÍTICOS E CATÓLICOS: tensões e disputas em torno do combate à lepra no Ceará (1918-1951)

  • Orientador : CARLOS ALBERTO CUNHA MIRANDA
  • MEMBROS DA BANCA :
  • PEDRO FELIPE NEVES DE MUÑOZ
  • ANA BEATRIZ RIBEIRO BARROS SILVA
  • CARLOS ALBERTO CUNHA MIRANDA
  • CRISTIANO LUÍS CHRISTILLINO
  • WELLINGTON BARBOSA DA SILVA
  • Data: 20/08/2021

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  • A presente pesquisa busca estabelecer alguns níveis de compreensão sobre o combate à lepra no Ceará durante os anos de 1918 a 1951, destacando as ações médicas, políticas e religiosas e como elas influenciaram nos caminhos que o cuidado com essa doença tomou no estado cearense. A lepra surge como um problema social no Ceará ainda no final do século XIX, mas foi no início do século XX que começou a receber maior atenção da sociedade cearense, sendo tratada como uma doença que deveria ser combatida com a segregação compulsória dos acometidos por ela. Esse contexto gerou a elaboração do primeiro plano de combate à lepra do estado no ano de 1918, porém, o referido plano teve poucas ações colocadas em prática, o que ocasionou um interesse da imprensa escrita em divulgar constantemente o problema da lepra, cobrando maior ação por parte das autoridades públicas. O jornal O Nordeste, de orientação católica, e a revista Ceará Médico foram periódicos que se destacaram nesse cenário, o que ocasionou o envolvimento de católicos e médicos em discursos e práticas de combate à lepra. Devido a pouca atuação pública, a doença foi combatida através das ações privadas, direcionando a forma que a doença foi tratada no estado. Essa situação começa a sofrer alterações em meados da década de 30, momento em que as autoridades públicas passaram a dedicar mais atenção aos assuntos relativos a essa enfermidade, tornando a lepra um assunto público, deixando as ações privadas em segundo plano. Esse cenário trouxe uma nova perspectiva para o combate à lepra, com mais investimentos e, somado a isso, os avanços científicos proporcionaram mudanças na forma de tratar a doença, culminando nas primeiras altas oficiais de doentes de lepra no Ceará, em 1951.


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  • A presente pesquisa busca estabelecer alguns níveis de compreensão sobre o combate à lepra no Ceará durante os anos de 1918 a 1951, destacando as ações médicas, políticas e religiosas e como elas influenciaram nos caminhos que o cuidado com essa doença tomou no estado cearense. A lepra surge como um problema social no Ceará ainda no final do século XIX, mas foi no início do século XX que começou a receber maior atenção da sociedade cearense, sendo tratada como uma doença que deveria ser combatida com a segregação compulsória dos acometidos por ela. Esse contexto gerou a elaboração do primeiro plano de combate à lepra do estado no ano de 1918, porém, o referido plano teve poucas ações colocadas em prática, o que ocasionou um interesse da imprensa escrita em divulgar constantemente o problema da lepra, cobrando maior ação por parte das autoridades públicas. O jornal O Nordeste, de orientação católica, e a revista Ceará Médico foram periódicos que se destacaram nesse cenário, o que ocasionou o envolvimento de católicos e médicos em discursos e práticas de combate à lepra. Devido a pouca atuação pública, a doença foi combatida através das ações privadas, direcionando a forma que a doença foi tratada no estado. Essa situação começa a sofrer alterações em meados da década de 30, momento em que as autoridades públicas passaram a dedicar mais atenção aos assuntos relativos a essa enfermidade, tornando a lepra um assunto público, deixando as ações privadas em segundo plano. Esse cenário trouxe uma nova perspectiva para o combate à lepra, com mais investimentos e, somado a isso, os avanços científicos proporcionaram mudanças na forma de tratar a doença, culminando nas primeiras altas oficiais de doentes de lepra no Ceará, em 1951.

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  • MARA LIGIA FERNANDES COSTA
  • AS FACES DO DESEJO: HISTÓRIA, LITERATURA E PSICANÁLISE NA FICÇÃO DE CLODOALDO FREITAS (1880-1924)

  • Orientador : FLAVIO WEINSTEIN TEIXEIRA
  • MEMBROS DA BANCA :
  • TERESINHA DE JESUS MESQUITA QUEIROZ
  • ANTONIO JORGE DE SIQUEIRA
  • ANTONIO PAULO DE MORAIS REZENDE
  • PAULO MARCONDES FERREIRA SOARES
  • PEDRO VILARINHO CASTELO BRANCO
  • Data: 20/08/2021

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  • A tese apresenta um estudo da produção literária piauiense a partir do romance-folhetim, designado como uma produção escrita que conquistou popularidade no decorrer do século XIX. Lançada inicialmente na imprensa francesa o romance-folhetim alcançou o restante da Europa e também o Brasil, ao mesmo tempo em que cooptava uma quantidade significativa de autores interessados em conquistar uma fama literária. Ainda no início do século XX, o modelo literário do romance-folhetim também foi explorado por autores piauienses, especialmente o literato Clodoaldo Freitas (1855-1924) e foi justamente uma parcela desse conjunto ficcional que este estudo se propôs a compreender de que maneira a produção folhetinesca foi vivenciada na imprensa
    piauiense, o quanto foi cooptada pela literatura estrangeira e nacional, o quanto o folhetim se transformou em espaço para a deflagração de embates ideológicos, políticos, e, especialmente, mensurar o alcance do romance-folhetim como um interlocutor de determinadas perspectivas culturais. Dividida em três capítulos a tese, inicialmente apresenta as configurações do campo literário no qual Clodoaldo Freitas fez parte. A análise contemplou o processo de construção de Freitas como um intelectual, desde a sua formação escolar até os arranjos sociais no meio literário piauiense e maranhense. Em um segundo momento, o estudo optou por realizar uma análise da imprensa piauiense ao destacar as incursões de diferentes grupos intelectuais em constituir uma imprensa de viés literário. Ao considerar a localização da obra ficcional de Clodoaldo Freitas no período analisado foi possível contemplar análise das relações de gêneros, uma vez que, o conjunto literário apresenta modelos de feminilidade ideais que tentavam reforçar aos seus leitores experiências desejáveis moralmente no que diz respeito aos papeis familiares. Em sua parte final, a proposta de análise contempla
    aspectos mais introspectivos dos romances-folhetins, à medida que o autor elege temas como a sexualidade e as perversões sexuais. Para efetivar tal análise recorro a um diálogo com as contribuições teóricas de Michel Certeau, Roger Chartier, Pierre Bourdieu, Michel Foucault, Joan Scott, Guacira Lopes Louro, Sigmund Freud e
    Elizabeth Roudinesco. A tese apresenta o conjunto literário de Clodoaldo Freitas composto por romances, contos, novelas, além de incluir na análise crônicas e artigos de crítica, publicados nos principais veículos de imprensa das cidades de Teresina (PI) e São Luís (MA). Subsidiam também o corpus documental deste estudo biografias,
    memórias, e, principalmente fontes hemerográficas do período contemplado em análise.


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  • A tese apresenta um estudo da produção literária piauiense a partir do romance-folhetim, designado como uma produção escrita que conquistou popularidade no decorrer do século XIX. Lançada inicialmente na imprensa francesa o romance-folhetim alcançou o restante da Europa e também o Brasil, ao mesmo tempo em que cooptava uma quantidade significativa de autores interessados em conquistar uma fama literária. Ainda no início do século XX, o modelo literário do romance-folhetim também foi explorado por autores piauienses, especialmente o literato Clodoaldo Freitas (1855-1924) e foi justamente uma parcela desse conjunto ficcional que este estudo se propôs a compreender de que maneira a produção folhetinesca foi vivenciada na imprensa
    piauiense, o quanto foi cooptada pela literatura estrangeira e nacional, o quanto o folhetim se transformou em espaço para a deflagração de embates ideológicos, políticos, e, especialmente, mensurar o alcance do romance-folhetim como um interlocutor de determinadas perspectivas culturais. Dividida em três capítulos a tese, inicialmente apresenta as configurações do campo literário no qual Clodoaldo Freitas fez parte. A análise contemplou o processo de construção de Freitas como um intelectual, desde a sua formação escolar até os arranjos sociais no meio literário piauiense e maranhense. Em um segundo momento, o estudo optou por realizar uma análise da imprensa piauiense ao destacar as incursões de diferentes grupos intelectuais em constituir uma imprensa de viés literário. Ao considerar a localização da obra ficcional de Clodoaldo Freitas no período analisado foi possível contemplar análise das relações de gêneros, uma vez que, o conjunto literário apresenta modelos de feminilidade ideais que tentavam reforçar aos seus leitores experiências desejáveis moralmente no que diz respeito aos papeis familiares. Em sua parte final, a proposta de análise contempla
    aspectos mais introspectivos dos romances-folhetins, à medida que o autor elege temas como a sexualidade e as perversões sexuais. Para efetivar tal análise recorro a um diálogo com as contribuições teóricas de Michel Certeau, Roger Chartier, Pierre Bourdieu, Michel Foucault, Joan Scott, Guacira Lopes Louro, Sigmund Freud e
    Elizabeth Roudinesco. A tese apresenta o conjunto literário de Clodoaldo Freitas composto por romances, contos, novelas, além de incluir na análise crônicas e artigos de crítica, publicados nos principais veículos de imprensa das cidades de Teresina (PI) e São Luís (MA). Subsidiam também o corpus documental deste estudo biografias,
    memórias, e, principalmente fontes hemerográficas do período contemplado em análise.

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  • LUANNA MARIA VENTURA DOS SANTOS OLIVEIRA
  • A TRIBUTAÇÃO SOBRE OS ESCRAVIZADOS NO PORTO DO RECIFE E SUAS CONEXÕES NO IMPÉRIO PORTUGUÊS (1699-1750)

  • Orientador : SUELY CREUSA CORDEIRO DE ALMEIDA
  • MEMBROS DA BANCA :
  • ANGELO ALVES CARRARA
  • GEORGE FELIX CABRAL DE SOUZA
  • GUSTAVO ACIOLI LOPES
  • MARCUS JOAQUIM MACIEL DE CARVALHO
  • SUELY CREUSA CORDEIRO DE ALMEIDA
  • Data: 26/08/2021

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  • Nesta tese investigamos como incidia a tributação sobre os escravizados nas instituições fiscais existentes no Pernambuco da primeira metade do século XVIII, sem dissociá-la das formas tributárias aplicadas em outros espaços da América portuguesa e do Império. Demonstramos como a alfândega de Pernambuco foi administrada pela Provedoria da Fazenda e consequentemente pelo Provedor que atuava como juiz da Alfândega, o que a diferenciava, em termos de funcionamento, de outras capitanias. Defendemos a existência de um sistema
    fiscal moldável às conjunturas políticas e econômicas vividas pela Coroa portuguesa, bem como às realidades e experiências impostas ao escravismo no Novo Mundo. Havia um pluralismo jurídico que permitia a coexistência de diversas leis, ordens e alíquotas, próprias da lógica administrativa do Antigo Regime. Sem uma lógica única e padronizada, que só será implementada na segunda metade do século XVIII, em cada circunstância buscou-se encontrar uma forma de se realizar o “comércio das almas” sua tributação. Nesse período, o centro do império, em relação à tributação dos escravizados, situava-se na Bahia, onde atuavam os principais agentes de controle e fiscalização sobre esse comércio no Estado do Brasil. Tais mecanismos e aparatos fiscais serviram, portanto, como parâmetro de funcionamento para a alfândega de Pernambuco.


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  • Nesta tese investigamos como incidia a tributação sobre os escravizados nas instituições fiscais existentes no Pernambuco da primeira metade do século XVIII, sem dissociá-la das formas tributárias aplicadas em outros espaços da América portuguesa e do Império. Demonstramos como a alfândega de Pernambuco foi administrada pela Provedoria da Fazenda e consequentemente pelo Provedor que atuava como juiz da Alfândega, o que a diferenciava, em termos de funcionamento, de outras capitanias. Defendemos a existência de um sistema
    fiscal moldável às conjunturas políticas e econômicas vividas pela Coroa portuguesa, bem como às realidades e experiências impostas ao escravismo no Novo Mundo. Havia um pluralismo jurídico que permitia a coexistência de diversas leis, ordens e alíquotas, próprias da lógica administrativa do Antigo Regime. Sem uma lógica única e padronizada, que só será implementada na segunda metade do século XVIII, em cada circunstância buscou-se encontrar uma forma de se realizar o “comércio das almas” sua tributação. Nesse período, o centro do império, em relação à tributação dos escravizados, situava-se na Bahia, onde atuavam os principais agentes de controle e fiscalização sobre esse comércio no Estado do Brasil. Tais mecanismos e aparatos fiscais serviram, portanto, como parâmetro de funcionamento para a alfândega de Pernambuco.

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  • PRISCILLA EMMANUELLE FORMIGA PEREIRA
  • ECOS DE UMA REVOLTA: ARENAS DE DISPUTAS POLÍTICAS NA PARAÍBA DO NORTE NOS TEMPOS DA PRAIEIRA (1840-1851)

  • Orientador : CRISTIANO LUÍS CHRISTILLINO
  • MEMBROS DA BANCA :
  • CRISTIANO LUÍS CHRISTILLINO
  • PAULO HENRIQUE FONTES CADENA
  • SERIOJA RODRIGUES CORDEIRO MARIANO
  • SUZANA CAVANI ROSAS
  • VITORIA FERNANDA SCHETTINI
  • Data: 27/08/2021

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  • Ao investigarmos a participação da Paraíba do Norte na Revolta Praieira (1848-1849), nos deparamos com as especificidades da adesão dos liberais da cidade de Areia e a ideia de eco, ou seja, a repercussão do conflito nas disputas políticas locais. Deste modo, o objetivo principal desta tese é analisar a cultura política da elite provincial; tendo em vista as arenas/espaços de disputas pelo poder neste contexto. Apontamos quatro arenas onde as figuras políticas paraibanas atuavam, a primeira é propriamente a rua; o espaço da revolta, quando Areia vira palco do conflito armado. A segunda arena é a memória, local de profunda disputa pela verdade sobre os eventos. A terceira, a Assembleia Legislativa, que no contexto político era o mais alto nível de poder a ser ocupado na província, palco da atuação dos agentes políticos daqueles que ficaram conhecidos por “cabeças” da revolta. E, por último, que imprensa. Que possuiu um papel fundamental nas disputas partidárias que foram
    estabelecidas após a província ser imersa no conflito na cidade de Areia, sendo a principal voz deste eco da revolta na Paraíba. Pois, constatamos que o eco da revolta foi exposto justamente na intensa luta partidária que se instaurou meses após a conflagração do conflito em 21 de fevereiro de 1849 através do debate de dois jornais; O Reformista (1849-1850), que personifica a bandeira levantada pelos rebeldes praieiros em prol de reformas através de uma Assembleia Constituinte. E o Jornal Conservador; A Ordem (1849-1851) que surge em resposta direta aos liberais, assumindo a defesa do governo. Sendo assim, elaboramos em nosso exercício dois
    planos de questionamentos, o primeiro tendo em vista os agentes políticos e as arenas onde atuavam e o segundo plano, observar os principais ecos/repercussões da Revolta de Pernambuco na província paraibana. Sob estes aspectos, após análise da documentação em questão constatamos que quando se trata da repercussão da
    revolta na província, este eco será personificado no jornal liberal O Reformista, a partir do debate em torno de reformas e a Constituinte, herança direta do movimento dos praieiros. 


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  • Ao investigarmos a participação da Paraíba do Norte na Revolta Praieira (1848-1849), nos deparamos com as especificidades da adesão dos liberais da cidade de Areia e a ideia de eco, ou seja, a repercussão do conflito nas disputas políticas locais. Deste modo, o objetivo principal desta tese é analisar a cultura política da elite provincial; tendo em vista as arenas/espaços de disputas pelo poder neste contexto. Apontamos quatro arenas onde as figuras políticas paraibanas atuavam, a primeira é propriamente a rua; o espaço da revolta, quando Areia vira palco do conflito armado. A segunda arena é a memória, local de profunda disputa pela verdade sobre os eventos. A terceira, a Assembleia Legislativa, que no contexto político era o mais alto nível de poder a ser ocupado na província, palco da atuação dos agentes políticos daqueles que ficaram conhecidos por “cabeças” da revolta. E, por último, que imprensa. Que possuiu um papel fundamental nas disputas partidárias que foram
    estabelecidas após a província ser imersa no conflito na cidade de Areia, sendo a principal voz deste eco da revolta na Paraíba. Pois, constatamos que o eco da revolta foi exposto justamente na intensa luta partidária que se instaurou meses após a conflagração do conflito em 21 de fevereiro de 1849 através do debate de dois jornais; O Reformista (1849-1850), que personifica a bandeira levantada pelos rebeldes praieiros em prol de reformas através de uma Assembleia Constituinte. E o Jornal Conservador; A Ordem (1849-1851) que surge em resposta direta aos liberais, assumindo a defesa do governo. Sendo assim, elaboramos em nosso exercício dois
    planos de questionamentos, o primeiro tendo em vista os agentes políticos e as arenas onde atuavam e o segundo plano, observar os principais ecos/repercussões da Revolta de Pernambuco na província paraibana. Sob estes aspectos, após análise da documentação em questão constatamos que quando se trata da repercussão da
    revolta na província, este eco será personificado no jornal liberal O Reformista, a partir do debate em torno de reformas e a Constituinte, herança direta do movimento dos praieiros. 

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  • LEONARDO CARNEIRO VENTURA
  • A trama dos sons: invenção e arquivo na fabricação de uma escuta do Nordeste (1910-1950)

  • Orientador : DURVAL MUNIZ DE ALBUQUERQUE JÚNIOR
  • MEMBROS DA BANCA :
  • ADALBERTO DE PAULA PARANHOS
  • DURVAL MUNIZ DE ALBUQUERQUE JÚNIOR
  • EDWAR DE ALENCAR CASTELO BRANCO
  • RAIMUNDO PEREIRA ALENCAR ARRAIS
  • REGINA BEATRIZ GUIMARAES NETO
  • Data: 30/08/2021

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  • Este trabalho trata da emergência de um dispositivo arquivístico sonoro pensado para reter o que seriam as dimensões sonora e musical da região Nordeste. Entrecruzando práticas discursivas oriundas do campo da imprensa, da literatura, dos estudos do folclore, da música, da poesia, ele investiga os fios de som acionados por determinados agentes na elaboração do que seria uma sonoridade e uma musicalidade nordestinas. Para tanto, propõe as noções de regime de audibilidade e cartografia auditiva. A primeira funciona para nomear o conjunto de imagens sonoras associadas, desde as primeiras décadas do século XX, ao espaço imaginado do Nordeste, assim como suas condições históricas de surgimento. A segunda cuida de identificar nas obras – acadêmica, literária, musical – de determinados autores, autoras e artistas, os traços de sonoridade e de musicalidade que operam para constituir o Nordeste enquanto território sonorizado, musicado. Este trabalho busca pensar a elaboração de um arquivo sonoro para o espaço nordestino, enquanto produto do enfrentamento do tempo, em especial, do advento da modernidade, por determinados grupos atuantes na sociedade brasileira naquele período. Leva em conta os movimentos aglutinantes de pessoas e ideias como o Regionalismo
    Tradicionalista, o Modernismo, ambos da década de 1920, além do Movimento Folclórico, de final da década de 1940. Segue o entrelaçamento de suas linhas até o surgimento de uma indústria fonográfica, com polos de produção nas cidades do Rio de Janeiro e Recife, além de perseguir outras práticas sonoras que contribuíram para cristalizar a ideia de uma música e um som do Nordeste, enquanto, ao mesmo tempo, excluía dela os corpos dos cantadores e cantadoras que, em primeiro lugar, os inspiraram.


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  • Este trabalho trata da emergência de um dispositivo arquivístico sonoro pensado para reter o que seriam as dimensões sonora e musical da região Nordeste. Entrecruzando práticas discursivas oriundas do campo da imprensa, da literatura, dos estudos do folclore, da música, da poesia, ele investiga os fios de som acionados por determinados agentes na elaboração do que seria uma sonoridade e uma musicalidade nordestinas. Para tanto, propõe as noções de regime de audibilidade e cartografia auditiva. A primeira funciona para nomear o conjunto de imagens sonoras associadas, desde as primeiras décadas do século XX, ao espaço imaginado do Nordeste, assim como suas condições históricas de surgimento. A segunda cuida de identificar nas obras – acadêmica, literária, musical – de determinados autores, autoras e artistas, os traços de sonoridade e de musicalidade que operam para constituir o Nordeste enquanto território sonorizado, musicado. Este trabalho busca pensar a elaboração de um arquivo sonoro para o espaço nordestino, enquanto produto do enfrentamento do tempo, em especial, do advento da modernidade, por determinados grupos atuantes na sociedade brasileira naquele período. Leva em conta os movimentos aglutinantes de pessoas e ideias como o Regionalismo
    Tradicionalista, o Modernismo, ambos da década de 1920, além do Movimento Folclórico, de final da década de 1940. Segue o entrelaçamento de suas linhas até o surgimento de uma indústria fonográfica, com polos de produção nas cidades do Rio de Janeiro e Recife, além de perseguir outras práticas sonoras que contribuíram para cristalizar a ideia de uma música e um som do Nordeste, enquanto, ao mesmo tempo, excluía dela os corpos dos cantadores e cantadoras que, em primeiro lugar, os inspiraram.

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  • PRISCILLA DE SOUZA MARIANO E SILVA
  • A JUSTIÇA LETRADA EM PERNAMBUCO NO SÉCULO XVIII: os magistrados, suas origens, atribuições, atos e estratégias.

  • Orientador : GEORGE FELIX CABRAL DE SOUZA
  • MEMBROS DA BANCA :
  • VICTOR HUGO ABRIL
  • GEORGE FELIX CABRAL DE SOUZA
  • JEANNIE DA SILVA MENEZES
  • ROMULO LUIZ XAVIER DO NASCIMENTO
  • SUELY CREUSA CORDEIRO DE ALMEIDA
  • Data: 30/08/2021

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  • O principal objetivo deste trabalho é compreender como funcionava a administração da justiça letrada na comarca de Pernambuco durante o século XVIII. As nossas análises se concentram nos magistrados que ocupavam os lugares de juiz de fora e ouvidor, homens legitimados a dizer o direito e distribuir a justiça em nome do rei, em virtude do saber jurídico adquirido na Universidade de Coimbra. Em outras palavras, buscamos entender como esse saber jurídico era utilizado nos domínios da comarca de Pernambuco, enfatizando as redes e estratégias tecidas entre esses magistrados e membros das elites locais, e suas influências na prática da justiça desses juízes de fora e ouvidores. Diante dessa problemática, faz-se necessário entender como funcionava a educação, o sistema de nomeações e as carreiras na área da magistratura régia, além da dimensão da jurisdição desses bacharéis ao ocuparem os lugares de letras da capitania. Com isso, esperamos poder delinear as estratégias de negociação, a influência das redes de amizade ou de afiliação na distribuição da justiça letrada na comarca de Pernambuco durante o século XVIII.


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  • O principal objetivo deste trabalho é compreender como funcionava a administração da justiça letrada na comarca de Pernambuco durante o século XVIII. As nossas análises se concentram nos magistrados que ocupavam os lugares de juiz de fora e ouvidor, homens legitimados a dizer o direito e distribuir a justiça em nome do rei, em virtude do saber jurídico adquirido na Universidade de Coimbra. Em outras palavras, buscamos entender como esse saber jurídico era utilizado nos domínios da comarca de Pernambuco, enfatizando as redes e estratégias tecidas entre esses magistrados e membros das elites locais, e suas influências na prática da justiça desses juízes de fora e ouvidores. Diante dessa problemática, faz-se necessário entender como funcionava a educação, o sistema de nomeações e as carreiras na área da magistratura régia, além da dimensão da jurisdição desses bacharéis ao ocuparem os lugares de letras da capitania. Com isso, esperamos poder delinear as estratégias de negociação, a influência das redes de amizade ou de afiliação na distribuição da justiça letrada na comarca de Pernambuco durante o século XVIII.

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  • ESTEVAM HENRIQUE DOS SANTOS MACHADO
  • JOGO DE LOTERIA: O CORPO DO COMÉRCIO DO RECIFE E SUAS DINÂMICAS E SOCIOECONÔMICAS (C.1780 – C.1808).

  • Orientador : GEORGE FELIX CABRAL DE SOUZA
  • MEMBROS DA BANCA :
  • ANGÉLICA DE VASCONCELOS SILVA MOREIRA SANTOS
  • BRUNO KAWAI SOUTO MAIOR DE MELO
  • FABIO KUHN
  • GEORGE FELIX CABRAL DE SOUZA
  • SUELY CREUSA CORDEIRO DE ALMEIDA
  • Data: 29/09/2021

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  • A presente tese doutoral pretende analisar a atuação socioeconômica dos membros da elite mercantil e riqueza na praça do Recife entre os anos de 1780 e 1808 objetivando compreender suas principais estratégias sociais utilizadas para obtenção de mando e prestígio, Tem por finalidade construir uma história social dos comerciantes recifenses no ocaso do século XVIII que ofereça sentido às suas ações sociais a partir da perspectiva de uma dimensão relacional de poder. De maneira geral, a presente tese corrobora uma linha interpretativa sobre a sociedade colonial em que se observa sociedade em que oferta e procura não determinavam perfeitamente as relações econômicas, a busca pela política como forma de alcance de objetivos econômicos, era uma característica importante das relações pessoais. Concluiu-se ao longo do trabalho a tendência desta elite mercantil à diversificação econômica e à verticalização dos empreendimentos, uma busca ainda existente por nobilitação, mesmo à despeito das flexibilidades existentes no final do século XVIII para a obtenção de hábitos das Ordens Militares ingresso no Santo Ofício, uma penetração na estrutura do Império Ultramarino Português a partir da obtenção de ofícios e a importância para as dinâmicas do comércio os agentes ocasionais.


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  • A presente tese doutoral pretende analisar a atuação socioeconômica dos membros da elite mercantil e riqueza na praça do Recife entre os anos de 1780 e 1808 objetivando compreender suas principais estratégias sociais utilizadas para obtenção de mando e prestígio, Tem por finalidade construir uma história social dos comerciantes recifenses
    no ocaso do século XVIII que ofereça sentido às suas ações sociais a partir da perspectiva de uma dimensão relacional de poder. De maneira geral, a presente tese corrobora uma linha interpretativa sobre a sociedade colonial em que se observa sociedade em que oferta e procura não determinavam perfeitamente as relações econômicas, a busca pela política como forma de alcance de objetivos econômicos, era uma característica importante das relações pessoais. Concluiu-se ao longo do trabalho a tendência desta elite mercantil à diversificação econômica e à verticalização dos empreendimentos, uma busca ainda existente por nobilitação, mesmo à despeito das flexibilidades existentes no final do século XVIII para a obtenção de hábitos das Ordens Militares ingresso no Santo Ofício, uma penetração na estrutura do Império Ultramarino Português a partir da obtenção de ofícios e a importância para as dinâmicas do comércio os agentes ocasionais.

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  • PAULO FILLIPY DE SOUZA CONTI
  • A TRAJETÓRIA DO BACHAREL JOÃO BERNARDO GONZAGA: SERVIÇOS, ARGUMENTOS E HIERARQUIAS (1738 – 1798).

  • Orientador : ROMULO LUIZ XAVIER DO NASCIMENTO
  • MEMBROS DA BANCA :
  • ISABELE DE MATOS PEREIRA DE MELLO
  • GEORGE FELIX CABRAL DE SOUZA
  • JEANNIE DA SILVA MENEZES
  • ROMULO LUIZ XAVIER DO NASCIMENTO
  • SUELY CREUSA CORDEIRO DE ALMEIDA
  • Data: 11/10/2021

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  • A tese busca entender os desafios e estratégias para a construção de uma carreira como magistrado da monarquia portuguesa. Apresentamos a trajetória de um funcionário que, além da formação necessária para ingressar no serviço, precisou criar mecanismos para a sua manutenção nos quadros da Justiça, o bacharel João Bernardo Gonzaga. Entre os anos de 1737 e 1798, o personagem esteve por poucos momentos fora do exercício de um ofício régio. E a sua trajetória nos mostra como uma visão extremamente tecnicista, baseada em argumentos como “carreira universitária” e “erudição no mundo das leis”, são insuficientes para entender as diferentes características do seu tempo de serviço e de tantos outros profissionais em posições correlatas. Ao respeitar a plasticidade entre os caminhos do personagem estruturante da tese e do grupo auxiliar de análise (utilizado para potencializar as análises sobre a leitura dos bacharéis e a inserção no serviço), esperamos revelar traços comuns quanto à prática desses sujeitos quando investidos da autoridade conferida por um lugar de letras. Discussão presente na primeira parte da tese. Dentro da mesma perspectiva, são consideradas as vinculações pessoais e familiares e, sobremaneira, a capacidade de cada profissional, após a inserção no serviço, de manter uma comunicação política competente com os seus superiores. Na segunda parte do texto, dedicamo-nos à característica mais marcante da trajetória de João Bernardo Gonzaga: a experiência ultramarina. Em Pernambuco, foi ouvidor-geral e primeiro-ministro da Mesa da Inspeção do Tabaco e Açúcar. Na Bahia, esteve à frente da Mesa da Inspeção e da Intendência Geral do Ouro, com o status de desembargador e promessa de banco na Relação do Porto. Assim, diante de eventos concretos, podemos explorar diferentes meandros da função de dizer o direito em nome do rei. Finalmente, na terceira e última parte da tese, ao analisar aspectos dos pedidos de mercê feitos pelo personagem, propomos a consideração de mais um fator para a manutenção dos magistrados nas carreiras da Justiça: a construção de uma comunicação competente. Competência verificada através do reconhecimento do lugar ocupado por cada um dos lados na comunicação e do modelo argumentativo utilizado. O que apesar de ser colocado como referência direta ao sujeito analisado, também pode servir como perspectiva analítica para outros oficiais régios.


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  • A tese busca entender os desafios e estratégias para a construção de uma carreira como magistrado da monarquia portuguesa. Apresentamos a trajetória de um funcionário que, além da formação necessária para ingressar no serviço, precisou criar mecanismos para a sua manutenção nos quadros da Justiça, o bacharel João Bernardo Gonzaga. Entre os anos de 1737 e 1798, o personagem esteve por poucos momentos fora do exercício de um ofício régio. E a sua trajetória nos mostra como uma visão extremamente tecnicista, baseada em argumentos como “carreira universitária” e “erudição no mundo das leis”, são insuficientes para entender as diferentes características do seu tempo de serviço e de tantos outros profissionais em posições correlatas. Ao respeitar a plasticidade entre os caminhos do personagem estruturante da tese e do grupo auxiliar de análise (utilizado para potencializar as análises sobre a leitura dos bacharéis e a inserção no serviço), esperamos revelar traços comuns quanto à prática desses sujeitos quando investidos da autoridade conferida por um lugar de letras. Discussão presente na primeira parte da tese. Dentro da mesma perspectiva, são consideradas as vinculações pessoais e familiares e, sobremaneira, a capacidade de cada profissional, após a inserção no serviço, de manter uma comunicação política competente com os seus superiores. Na segunda parte do texto, dedicamo-nos à característica mais marcante da trajetória de João Bernardo Gonzaga: a experiência ultramarina. Em Pernambuco, foi ouvidor-geral e primeiro-ministro da Mesa da Inspeção do Tabaco e Açúcar. Na Bahia, esteve à frente da Mesa da Inspeção e da Intendência Geral do Ouro, com o status de desembargador e promessa de banco na Relação do Porto. Assim, diante de eventos concretos, podemos explorar diferentes meandros da função de dizer o direito em nome do rei. Finalmente, na terceira e última parte da tese, ao analisar aspectos dos pedidos de mercê feitos pelo personagem, propomos a consideração de mais um fator para a manutenção dos magistrados nas carreiras da Justiça: a construção de uma comunicação competente. Competência verificada através do reconhecimento do lugar ocupado por cada um dos lados na comunicação e do modelo argumentativo utilizado. O que apesar de ser colocado como referência direta ao sujeito analisado, também pode servir como perspectiva analítica para outros oficiais régios.

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  • TÉRCIO DE LIMA AMARAL
  • É IMPOSSÍVEL SUBSTITUIR UMA AMIZADE FRATERNAL: AS CONQUISTAS DE UM INTELECTUAL EM UMA BIOGRAFIA DE MAURO MOTA (1908-1983)

  • Orientador : FLAVIO WEINSTEIN TEIXEIRA
  • MEMBROS DA BANCA :
  • TIAGO DA SILVA CESAR
  • ANTONIO JORGE DE SIQUEIRA
  • CARLOS ANDRE SILVA DE MOURA
  • DIOGO ARRUDA CARNEIRO DA CUNHA
  • FLAVIO JOSE GOMES CABRAL
  • ISABEL CRISTINA MARTINS GUILLEN
  • Data: 27/10/2021

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  • Esta tese é uma biografia intelectual sobre o poeta, jornalista, geógrafo e gestor cultural Mauro Ramos da Motta e Albuquerque, mais conhecido como Mauro Mota. Nascido no início do século 20 na capital pernambucana, ele passou parte da juventude no município de Nazaré da Mata, no interior do estado, e mais tarde formou-se na Faculdade de Direito do Recife, em 1937. Com a carência de cursos na área de ciências humanas e sociais no período, assim como outros intelectuais de sua época, não exerceu a carreira jurídica e trilhou sua vida profissional a partir das redações dos jornais impressos. Iniciou a carreira no jornal Diario da Manhã, em 1935, ligado a família do governador Carlos de Lima Cavalcanti. Posteriormente, em 1941, ele foi contratado pelo Diario de Pernambuco, dos Diários Associados, onde consolidou sua carreira como editor de um suplemento literário bastante influente na região Nordeste, colunista e diretor da empresa. Nossa tese analisa, além de sua importância para o jornalismo, a obra intelectual, as redes de relacionamento e participação dele em instituições de caráter científico e cultural, como a Academia Brasileira de Letras e o Instituto Joaquim Nabuco de Pesquisas Sociais. Desenvolvemos este trabalho sobre Mauro Mota a partir de dois eixos téoricos proporcionados pelo debate de filósofos como Judith Butler e Vladimir Safatle: a construção da identidade sujeitada e relacional. Por meio de sua relação com o sociólogo Gilberto Freyre, tratamos a dependência e subordinação àquele que foi o principal nome das ciências sociais e humanas de Pernambuco no século 20. Mauro construiu sua identidade pública sob a sombra da obra freyriana, além de cumprir ordens, caprichos e copiar traços da obra do sociólogo seus trabalhos jornalísticos e científicos. Essa relação lhe proporcionou ganhos expressivos, mas veio, muitas vezes, acompanhada de um alto preço, como a aliança com o Golpe de 1964. Já o aspecto relacional defendido nesse trabalho se apresenta por meio das relações – estratégicas e mesmo afetivas – travadas por Mauro Mota ao longo da vida, como a com o crítico Álvaro Lins, amigo de infância, e intelectuais que orbitavam dentro da esfera do suplemento literário. Mauro Mota foi um dos principais nomes da intelectualidade pernambucana no período e a análise de sua obra intelectual, bem como as práticas relacionais em torno dela, é de fundamental importância para entendermos a trajetória e o legado de uma geração que foi atuante e influente até meados da década de 1980 em Pernambuco.

     


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  • Esta tese é uma biografia intelectual sobre o poeta, jornalista, geógrafo e gestor cultural Mauro Ramos da Motta e Albuquerque, mais conhecido como Mauro Mota. Nascido no início do século 20 na capital pernambucana, ele passou parte da juventude no município de Nazaré da Mata, no interior do estado, e mais tarde formou-se na Faculdade de Direito do Recife, em 1937. Com a carência de cursos na área de ciências humanas e sociais no período, assim como outros intelectuais de sua época, não exerceu a carreira jurídica e trilhou sua vida profissional a partir das redações dos jornais impressos. Iniciou a carreira no jornal Diario da Manhã, em 1935,
    ligado a família do governador Carlos de Lima Cavalcanti. Posteriormente, em 1941, ele foi contratado pelo Diario de Pernambuco, dos Diários Associados, onde consolidou sua carreira como editor de um suplemento literário bastante influente na região Nordeste, colunista e diretor da empresa. Nossa tese analisa, além de sua importância para o jornalismo, a obra intelectual, as redes de relacionamento e participação dele em instituições de caráter científico e cultural, como a Academia Brasileira de Letras e o Instituto Joaquim Nabuco de Pesquisas Sociais. Desenvolvemos este trabalho sobre Mauro Mota a partir de dois eixos téoricos proporcionados pelo debate de filósofos como Judith Butler e Vladimir Safatle: a construção da identidade sujeitada e relacional. Por meio de sua relação com o sociólogo Gilberto Freyre, tratamos a dependência e subordinação àquele que foi o principal nome das ciências sociais e humanas de Pernambuco no século 20. Mauro construiu sua identidade pública sob a sombra da obra freyriana, além de cumprir ordens, caprichos e copiar traços da obra do sociólogo seus trabalhos jornalísticos e científicos. Essa relação lhe proporcionou ganhos expressivos, mas veio, muitas
    vezes, acompanhada de um alto preço, como a aliança com o Golpe de 1964. Já o aspecto relacional defendido nesse trabalho se apresenta por meio das relações – estratégicas e mesmo afetivas – travadas por Mauro Mota ao longo da vida, como a com o crítico Álvaro Lins, amigo de infância, e intelectuais que orbitavam dentro da esfera do suplemento literário. Mauro Mota foi um dos principais nomes da intelectualidade pernambucana no período e a análise de sua obra intelectual, bem como as práticas relacionais em torno dela, é de fundamental importância para entendermos a trajetória e o legado de uma geração que foi atuante e influente até meados
    da década de 1980 em Pernambuco.

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  • ROSELY TAVARES DE SOUZA
  • “HOMENS DE CULTURA” E O TEMPO CONSELHEIRO: POLÍTICA PÚBLICA CULTURAL DO CONSELHO ESTADUAL DE CULTURA EM PERNAMBUCO (1975-1979)

  • Orientador : ISABEL CRISTINA MARTINS GUILLEN
  • MEMBROS DA BANCA :
  • CARLOS SANDRONI
  • CLÁUDIA ENGLER CURY
  • EMANUELA SOUSA RIBEIRO
  • ISABEL CRISTINA MARTINS GUILLEN
  • REGINA BEATRIZ GUIMARAES NETO
  • Data: 29/10/2021

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  • O estudo aborda as políticas públicas de cultura desenvolvidas no Conselho Estadual de Cultura-CEC, em Pernambuco, entre 1975 a 1979. O recorte temporal justifica-se porque nesse período instituições culturais foram criadas ou reformuladas com o objetivo de elaborar políticas públicas e efetivar ações para o setor cultural. Evidenciamos no desenvolvimento desse processo os múltiplos interesses individuais e coletivos, visões de mundo e ideais de curto ou longo prazo para cultura em âmbito nacional de maneira geral e, em Pernambuco, de modo particular. Nesse sentido, detalhamos as modalidades de atuação do conselho estadual, pois a instituição se apresentou como um lugar privilegiado para se estudar as características da vida política no setor cultural experienciadas pelos conselheiros representantes do CEC. O objetivo dessa tese é compreender quais políticas públicas para a cultura foram elaboradas pelos conselheiros do CEC, por meio da instituição. Além disso, objetivamos mapear quem foram esses conselheiros, suas relações sociais, institucionais, afetivas e, por fim, como o órgão estabeleceu articulações em âmbito nacional com as demais instituições culturais criadas no período. Assim, metodologicamente, analisamos os documentos produzidos na instituição, o principal deles, as Atas das reuniões. Para cotejar com essa fonte, investigamos os jornais: Diário de Pernambuco, Jornal do Commercio, Diário da Manhã e Diário da Noite, além do Boletim trimestral do Conselho Federal de Cultura e o texto final do Plano Nacional de Cultura. Como resultados, esse estudo nos possibilitou compreender sobre a não existência de fato, de uma política cultural e uma política pública cultural pronta e acabada em Pernambuco, mas que esteve em permanente construção ao longo dos anos, fruto de muita articulação pessoal e prestígio, desses “homens de cultura” ao quais gozavam os conselheiros, sobretudo o presidente do CEC, Gilberto Freyre. Somado a isso, a centralidade do sociólogo no processo de elaboração das políticas públicas de cultura à frente do CEC foi de grande relevância para articulação no constructo da política cultural nacional. Consideramos, por fim, que este estudo contribuiu para anunciar novas problemáticas, abrindo novas frentes de investigação referente ao tema tais como: a disputa da Casa da Cultura como um importante espaço cultural na cidade do Recife; as relações de sociabilidades efetivadas pelos conselheiros, e a centralidade do patrimônio cultural para a política cultural em Pernambuco que tomou corpo nos anos 1980. Visto que ainda consta no acervo do conselho uma farta documentação inexplorada, a dispor para novas pesquisas sobre o tema, nesse grande mosaico, os bastidores da política pública cultural em Pernambuco na segunda metade do século XX.   

     


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  • O estudo aborda as políticas públicas de cultura desenvolvidas no Conselho Estadual de Cultura-CEC, em Pernambuco, entre 1975 a 1979. O recorte temporal justifica-se porque nesse período instituições culturais foram criadas ou reformuladas com o objetivo de elaborar políticas públicas e efetivar ações para o setor cultural. Evidenciamos no desenvolvimento desse processo os múltiplos interesses individuais e coletivos, visões de mundo e ideais de curto ou longo prazo para cultura em âmbito nacional de maneira geral e, em Pernambuco, de modo particular. Nesse sentido, detalhamos as modalidades de atuação do conselho estadual, pois a instituição se apresentou como um lugar privilegiado para se estudar as características da vida política
    no setor cultural experienciadas pelos conselheiros representantes do CEC. O objetivo dessa tese é compreender quais políticas públicas para a cultura foram elaboradas pelos conselheiros do CEC, por meio da instituição. Além disso, objetivamos mapear quem foram esses conselheiros, suas relações sociais, institucionais, afetivas e, por fim, como o órgão estabeleceu articulações em âmbito nacional com as demais instituições culturais criadas no período. Assim, metodologicamente, analisamos os documentos produzidos na instituição, o principal deles, as Atas das reuniões. Para cotejar com essa fonte, investigamos os jornais: Diário de Pernambuco, Jornal do Commercio, Diário da Manhã e Diário da Noite, além do Boletim trimestral do Conselho Federal de Cultura e
    o texto final do Plano Nacional de Cultura. Como resultados, esse estudo nos possibilitou compreender sobre a não existência de fato, de uma política cultural e uma política pública cultural pronta e acabada em Pernambuco, mas que esteve em permanente construção ao longo dos anos, fruto de muita articulação pessoal e prestígio,
    desses “homens de cultura” ao quais gozavam os conselheiros, sobretudo o presidente do CEC, Gilberto Freyre. Somado a isso, a centralidade do sociólogo no processo de elaboração das políticas públicas de cultura à frente do CEC foi de grande relevância para articulação no constructo da política cultural nacional. Consideramos, por fim, que este estudo contribuiu para anunciar novas problemáticas, abrindo novas frentes de investigação referente ao tema tais como: a disputa da Casa da Cultura como um importante espaço cultural na cidade do Recife; as relações de sociabilidades efetivadas pelos conselheiros, e a centralidade do patrimônio cultural para a política cultural em Pernambuco que tomou corpo nos anos 1980. Visto que ainda consta no acervo do
    conselho uma farta documentação inexplorada, a dispor para novas pesquisas sobre o tema, nesse grande mosaico, os bastidores da política pública cultural em Pernambuco na segunda metade do século XX.

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  • JANINE PRIMO CARVALHO DE MENESES
  • MEMÓRIA E HISTÓRIA NO DIREITO À TERRA QUILOMBOLA: O TIMBÓ DE JOSÉ VICTORINO DA CONCEIÇÃO ANCHIETA - GARANHUNS, PE (SÉC. XIX - TEMPO PRESENTE)

     

  • Orientador : ISABEL CRISTINA MARTINS GUILLEN
  • MEMBROS DA BANCA :
  • CIBELE BARBOSA DA SILVA ANDRADE
  • ISABEL CRISTINA MARTINS GUILLEN
  • JOSE BENTO ROSA DA SILVA
  • LUIZA NASCIMENTO DOS REIS
  • MARIA EMILIA VASCONCELOS DOS SANTOS
  • Data: 16/11/2021

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  • A memória das Comunidades Remanescentes de Quilombo no Brasil é fonte basilar para o conhecimento histórico das mesmas e efetivação de seus direitos. O século XX foi marcado pela reivindicação do direito à terra quilombola, sendo este conquistado com a promulgação da Constituição Federal de 1988 e o Decreto 4887 de 2003, quando terras quilombolas passam a ser tituladas coletivamente. A memória do Timbó perpassou os mais de duzentos anos desde a aquisição desta propriedade na segunda década do século XIX, fundamentando a delimitação e demarcação de suas terras enquanto Comunidade Remanescente de Quilombo do Timbó. Contudo, em seu Relatório Técnico de Identificação e Delimitação produzido pelo Instituto de Colonização e Reforma Agrária, não constam documentos manuscritos contemporâneos ao fundador do Timbó, tornando este o intuito da presente tese, contribuir com o conhecimento histórico desta comunidade. Esta pesquisa identificou inventários, papéis de compra e venda de terras, títulos de terras, bem como processos judiciais,
    documentos encontrados no Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano, no Arquivo Público Estadual Jordão Emerenciano e no Memorial da Justiça, que dialogaram com a memória de José Victorino da Conceição Anchieta, o fundador mítico da comunidade do Timbó. Pôde-se, deste modo, revisitar o lugar de
    escravizado angolano fugido conferido a esta personalidade histórica, que assume um novo lugar, o de um comprador de terras e senhor de riquezas. Conjuntamente à posição sócio histórica de José Victorino, o presente trabalho discute a simbologia de Zumbi dos Palmares como ícone de luta quilombola e apropriação histórica desta personagem em narrativas memoriais do Timbó. 


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  • A memória das Comunidades Remanescentes de Quilombo no Brasil é fonte basilar para o conhecimento histórico das mesmas e efetivação de seus direitos. O século XX foi marcado pela reivindicação do direito à terra quilombola, sendo este conquistado com a promulgação da Constituição Federal de 1988 e o Decreto 4887 de 2003, quando terras quilombolas passam a ser tituladas coletivamente. A memória do Timbó perpassou os mais de duzentos anos desde a aquisição desta propriedade na segunda década do século XIX, fundamentando a delimitação e demarcação de suas terras enquanto Comunidade Remanescente de Quilombo do Timbó. Contudo, em seu Relatório Técnico de Identificação e Delimitação produzido pelo Instituto de Colonização e Reforma Agrária, não constam documentos manuscritos contemporâneos ao fundador do Timbó, tornando este o intuito da presente tese, contribuir com o conhecimento histórico desta comunidade. Esta pesquisa identificou inventários, papéis de compra e venda de terras, títulos de terras, bem como processos judiciais,
    documentos encontrados no Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano, no Arquivo Público Estadual Jordão Emerenciano e no Memorial da Justiça, que dialogaram com a memória de José Victorino da Conceição Anchieta, o fundador mítico da comunidade do Timbó. Pôde-se, deste modo, revisitar o lugar de
    escravizado angolano fugido conferido a esta personalidade histórica, que assume um novo lugar, o de um comprador de terras e senhor de riquezas. Conjuntamente à posição sócio histórica de José Victorino, o presente trabalho discute a simbologia de Zumbi dos Palmares como ícone de luta quilombola e apropriação histórica desta personagem em narrativas memoriais do Timbó. 

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  • ADAUTO GUEDES NETO
  • JOSÉ COMBLIN, PADRE DA AMÉRICA LATINA EM TEMPOS DE DITADURAS: PROTESTO DA VERDADEIRA ANGÚSTIA NO PENSAR-FAZER UM NOVO JEITO DE SER IGREJA (1968-1980)

  • Orientador : CRISTIANO LUÍS CHRISTILLINO
  • MEMBROS DA BANCA :
  • ALZIRINHA ROCHA DE SOUZA
  • CARLOS ALBERTO CUNHA MIRANDA
  • JOSE ADILSON FILHO
  • MARIA DO SOCORRO DE ABREU E LIMA
  • MARLUZA MARQUES HARRES
  • Data: 30/11/2021

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  • Este trabalho de tese analisa a trajetória do padre e teólogo José Comblin na América Latina a partir da sua atuação por um novo jeito de ser Igreja, especialmente entre o Brasil e o Chile em tempos de ditadura militar. Tendo como perspectiva teórica e metodológica os estudos que através do sujeito compreende o contexto histórico ao qual este está inserido e que por ele transita, o objetivo do trabalho em tela é identificar as propostas lançadas por José Comblin para a Igreja Católica latino-americana, mas sobretudo os impactos de tais ideias, a reação conservadora Católica e dos governos ditatoriais responsáveis por sua expulsão do Brasil em
    1972 e do Chile em 1980. Neste sentido, a referida tese oferece contribuições para a discussão de dimensão político-religiosa, no sentido de apontar a perspectiva de atuação do clero progressista na América Latina, sobretudo no âmbito do Nordeste brasileiro e no Chile, ao passo que, ainda existam lacunas a preencher para compreender o processo que culminou com as suas expulsões do Brasil e do Chile. Para tanto, apoiamo-nos num amplo corpus documental, dentre os quais, destacamos suas correspondências, os arquivos da repressão
    brasileira: prontuários, informações, pedidos de buscas, relatórios, telegramas e históricos da sua trajetória que, compõem o acervo do Arquivo Nacional do Brasil, bem como as fontes disponíveis no DOPS-PE, no Centro de Pesquisa e Documentação José Comblin – UNICAP, Memorial Raimundo Nonato e no Centro de Formação Missionária-PB. Desse modo, tendo em vista a plausibilidade que as fontes e o método histórico-crítico nos forecem, bem como a originalidade que a presente pesquisa oferece, buscamos traçar as diferentes nuances que
    envolveram a trajetória do padre belga erradicado na América Latina, por um novo jeito de ser Igreja em tempos de ditaduras.


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  • Este trabalho de tese analisa a trajetória do padre e teólogo José Comblin na América Latina a partir da sua atuação por um novo jeito de ser Igreja, especialmente entre o Brasil e o Chile em tempos de ditadura militar. Tendo como perspectiva teórica e metodológica os estudos que através do sujeito compreende o contexto histórico ao qual este está inserido e que por ele transita, o objetivo do trabalho em tela é identificar as propostas lançadas por José Comblin para a Igreja Católica latino-americana, mas sobretudo os impactos de tais ideias, a reação conservadora Católica e dos governos ditatoriais responsáveis por sua expulsão do Brasil em
    1972 e do Chile em 1980. Neste sentido, a referida tese oferece contribuições para a discussão de dimensão político-religiosa, no sentido de apontar a perspectiva de atuação do clero progressista na América Latina, sobretudo no âmbito do Nordeste brasileiro e no Chile, ao passo que, ainda existam lacunas a preencher para compreender o processo que culminou com as suas expulsões do Brasil e do Chile. Para tanto, apoiamo-nos num amplo corpus documental, dentre os quais, destacamos suas correspondências, os arquivos da repressão
    brasileira: prontuários, informações, pedidos de buscas, relatórios, telegramas e históricos da sua trajetória que, compõem o acervo do Arquivo Nacional do Brasil, bem como as fontes disponíveis no DOPS-PE, no Centro de Pesquisa e Documentação José Comblin – UNICAP, Memorial Raimundo Nonato e no Centro de Formação Missionária-PB. Desse modo, tendo em vista a plausibilidade que as fontes e o método histórico-crítico nos forecem, bem como a originalidade que a presente pesquisa oferece, buscamos traçar as diferentes nuances que
    envolveram a trajetória do padre belga erradicado na América Latina, por um novo jeito de ser Igreja em tempos de ditaduras.

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  • JOANA MARIA LUCENA DE ARAUJO
  • Trabalhadores rurais e a Justiça do Trabalho: A luta por direitos através dos processos trabalhistas da Junta de Conciliação e Julgamento de Nazaré da Mata - PE (1963-1979)

  • Orientador : REGINA BEATRIZ GUIMARAES NETO
  • MEMBROS DA BANCA :
  • MARCUS AJURUAM DE OLIVEIRA DEZEMONE
  • CHRISTINE PAULETTE YVES RUFINO DABAT
  • PABLO FRANCISCO DE ANDRADE PORFIRIO
  • REGINA BEATRIZ GUIMARAES NETO
  • SAMUEL CARVALHEIRA DE MAUPEOU
  • Data: 03/12/2021

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  • Este trabalho tem por objetivo investigar como os direitos trabalhistas impactaram as relações de trabalho na Zona da Mata Norte de Pernambuco. Concentramos nossas análises no período de tempo que vai de 1963 a 1979. Esse intervalo foi importante porque acompanhamos os desdobramentos da aprovação e da aplicação do Estatuto do Trabalhador Rural (ETR), bem como as posteriores reformas na legislação trabalhista proposta pelos governos militares. A década de 1970 foi emblemática pois, entre 1965 e 1979, foram adotadas as mais importantes políticas governamentais voltadas ao campo brasileiro. Estas políticas propuseram, entre outras medidas, os projetos de colonização como alternativa à Reforma Agrária. Além disso, em 1971 houve a implantação do Programa de Assistência ao Trabalhador Rural (PRORURAL) que travava da Previdência dos trabalhadores rurais. A documentação privilegiada nesse trabalho são os processos trabalhistas da Junta de Conciliação e Julgamento de Nazaré da Mata. Nesses documentos, encontramos registros e histórias de trabalhadores, tanto rurais quanto urbanos, que vivenciaram mudanças expressivas no cenário social, político e econômico brasileiro. Desde a aprovação da CLT até a mudança do regime democrático da ditadura militar (1964 a 1985). As caixas alinhadas nas prateleiras, divididas por ano e município, dão a impressão de que, seja qual for o momento, havia processos e portanto uma justiça atuante.


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  • Este trabalho tem por objetivo investigar como os direitos trabalhistas impactaram as relações de trabalho na Zona da Mata Norte de Pernambuco. Concentramos nossas análises no período de tempo que vai de 1963 a 1979. Esse intervalo foi importante porque acompanhamos os desdobramentos da aprovação e da aplicação do Estatuto do Trabalhador Rural (ETR), bem como as posteriores reformas na legislação trabalhista proposta pelos governos militares. A década de 1970 foi emblemática pois, entre 1965 e 1979, foram adotadas as mais importantes políticas governamentais voltadas ao campo brasileiro. Estas políticas propuseram, entre outras medidas, os projetos de colonização como alternativa à Reforma Agrária. Além disso, em 1971 houve a implantação do Programa de Assistência ao Trabalhador Rural (PRORURAL) que travava da Previdência dos trabalhadores rurais. A documentação privilegiada nesse trabalho são os processos trabalhistas da Junta de Conciliação e Julgamento de Nazaré da Mata.
    Nesses documentos, encontramos registros e histórias de trabalhadores, tanto rurais quanto urbanos, que vivenciaram mudanças expressivas no cenário social, político e econômico brasileiro. Desde a aprovação da CLT até a mudança do regime democrático da ditadura militar (1964 a 1985). As caixas alinhadas nas prateleiras, divididas por ano e município, dão a impressão de que, seja qual for o momento, havia processos e portanto uma justiça atuante.

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  • ARTHUR GUSTAVO LIRA DO NASCIMENTO
  • IMAGENS DO NORDESTE: O FILME DOCUMENTAL E O INSTITUTO JOAQUIM NABUCO DE PESQUISAS SOCIAIS

  • Orientador : FLAVIO WEINSTEIN TEIXEIRA
  • MEMBROS DA BANCA :
  • CLAUDIO ROBERTO DE ARAUJO BEZERRA
  • FLAVIO WEINSTEIN TEIXEIRA
  • IZABEL DE FÁTIMA CRUZ MELO
  • PABLO FRANCISCO DE ANDRADE PORFIRIO
  • PAULO CARNEIRO DA CUNHA FILHO
  • Data: 21/12/2021

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  • Esta tese analisa a relação entre o cinema documental e o Instituto Joaquim Nabuco de Pesquisas Sociais (IJNPS), no modo como emergiu dentro das ciências sociais e da cinematografia brasileira um conjunto de imagens sobre o Nordeste. O IJNPS foi um órgão federal criado por iniciativa do sociólogo Gilberto Freyre em 1949 e sediado no Recife. A instituição assumiu um importante papel no apoio e financiamento às produções cinematográficas que convergiam com a proposta da pesquisa social produzida pela casa. Tornou-se um espaço de circulação e debates entre cientistas e cinegrafistas. Através dessas relações, constroem-se representações sobre o Nordeste que evidenciam as transformações políticas e culturais no país. Durante a direção executiva de Mauro Mota (1956-1970) e Fernando Freyre (1970-1979), o IJNPS realizou ações importantes sobre o gênero documental, como a produção dos filmes Aruanda (1960), O Cajueiro Nordestino (1962), A cabra na região semi-árida (1966) e Cultura Marginal Brasileira (1975). Além de uma série de eventos destinados a pensar e debater o documentário, a exemplo da realização, na década de 1970, das três edições da Mostra e Simpósio do Filme Documental Brasileiro. Estas iniciativas culminaram na construção de um próprio setor cinematográfico na instituição, hoje denominada Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj). Identifica-se, assim, a importância do IJNPS no fortalecimento do documentário nacional e as condições históricas de desenvolvimento do gênero como um agente da pesquisa e reflexão social. A partir da História Cultural do Cinema, consideramos além das questões estéticas, suas representações, os aspectos de produção, fomento, trajetórias dos cineastas e seus significados para a História.


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  • Esta tese analisa a relação entre o cinema documental e o Instituto Joaquim Nabuco de Pesquisas Sociais (IJNPS), no modo como emergiu dentro das ciências sociais e da cinematografia brasileira um conjunto de imagens sobre o Nordeste. O IJNPS foi um órgão federal criado por iniciativa do sociólogo Gilberto Freyre em 1949 e sediado no Recife. A instituição assumiu um importante papel no apoio e financiamento às produções cinematográficas que convergiam com a proposta da pesquisa social produzida pela casa. Tornou-se um espaço de circulação e debates entre cientistas e cinegrafistas. Através dessas relações, constroem-se representações sobre o Nordeste que evidenciam as transformações políticas e culturais no país. Durante a direção executiva de Mauro Mota (1956-1970) e Fernando Freyre (1970-1979), o IJNPS realizou ações importantes sobre o gênero documental, como a produção dos filmes Aruanda (1960), O Cajueiro Nordestino (1962), A cabra na região semi-árida (1966) e Cultura Marginal Brasileira (1975). Além de uma série de eventos destinados a pensar e debater o documentário, a exemplo da realização, na década de 1970, das três edições da Mostra e Simpósio do Filme Documental Brasileiro. Estas iniciativas culminaram na construção de um próprio setor cinematográfico na instituição, hoje denominada Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj). Identifica-se, assim, a importância do IJNPS no fortalecimento do documentário nacional e as condições históricas de desenvolvimento do gênero como um agente da pesquisa e reflexão social. A partir da História Cultural do Cinema, consideramos além das questões estéticas, suas representações, os aspectos de produção, fomento, trajetórias dos cineastas e seus significados para a História.

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  • PATRÍCIA MARCIANO DE ASSIS
  • ADMINISTRANDO A (IN)SEGURANÇA: EXPERIÊNCIAS DE CONFLITO E NEGOCIAÇÃO DA CHEFATURA DE POLÍCIA NA SOCIEDADE OITOCENTISTA CEARENSE

  • Orientador : SUZANA CAVANI ROSAS
  • MEMBROS DA BANCA :
  • CRISTIANO LUÍS CHRISTILLINO
  • FRANCISCO LINHARES FONTELES NETO
  • MARCOS LUIZ BRETAS DA FONSECA
  • SUZANA CAVANI ROSAS
  • WELLINGTON BARBOSA DA SILVA
  • Data: 22/12/2021

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  • Essa tese tem como objeto de estudo a relação da Chefatura de Polícia com a administração da segurança/insegurança na província do Ceará, buscando compreender como os seus componentes participaram do processo de centralização do poder público na sociedade cearense oitocentista. A nossa hipótese é de que esta instituição serviu como parte desse processo, implementado pelo Estado imperial a partir da década de 1840, atuando na administração policial e inserindo-se em disputas de poder local ou negociação conforme as experiências dos sujeitos envolvidos. Para tanto, além da discussão bibliográfica com autores da História da Polícia e do Estado imperial e do uso do aporte da História Social, utilizamos quatro tipos de fontes principais: ofícios e relatórios da Chefatura de Polícia, relatórios dos presidentes da província apresentados na Assembleia Provincial, leis imperiais e jornais (entre outras). A Chefatura de Polícia foi elaborada como proposta nacional a partir da reforma do Código do Processo Criminal de 1841, que criou os cargos de chefes de polícia, delegados e subdelegados, atribuindo-os funções policiais antes realizadas pelos juízes de paz, tendo uma estrutura hierárquica que tinha no chefe de polícia a figura central da administração policial na província e cujo trabalho era direcionado para a manutenção da ordem, segurança e tranquilidade pública nos locais de sua atuação (BRASIL. Lei no 261, de 03 de dezembro de 1841). Atribuições com as quais permaneceu até 1871, quando, por ocasião da segunda reforma, passaram a ser melhor delimitados os trabalhos jurídico-policiais, restringindo o poder judicial das autoridades policiais apenas ao “julgamento da infracção dos termos de segurança e bem viver” (BRASIL. Lei no 2.033, de 20 de setembro de 1871). A partir dela foi possível não só refletir sobre o trabalho desempenhado pelos policiais em torno das ideias de ordem e segurança, enquanto construções sociais que foram agenciadas por distintos sujeitos nos âmbitos local, provincial e nacional, mas também como ela foi uma das instituições imperiais que influenciaram mais diretamente a política de segurança do período, sobretudo quando observamos a relação entre Estado, polícia e sociedade no século XIX.


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  • Essa tese tem como objeto de estudo a relação da Chefatura de Polícia com a administração da segurança/insegurança na província do Ceará, buscando compreender como os seus componentes participaram do processo de centralização do poder público na sociedade cearense oitocentista. A nossa hipótese é de que esta instituição serviu como parte desse processo, implementado pelo Estado imperial a partir da década de 1840, atuando na administração policial e inserindo-se em disputas de poder local ou negociação conforme as experiências dos sujeitos envolvidos. Para tanto, além da discussão bibliográfica com autores da História da Polícia e do Estado imperial e do uso do aporte da História Social, utilizamos quatro tipos de fontes principais: ofícios e relatórios da Chefatura de Polícia, relatórios dos presidentes da província apresentados na Assembleia Provincial, leis imperiais e jornais (entre outras). A Chefatura de Polícia foi elaborada como proposta nacional a partir da reforma do Código do Processo Criminal de 1841, que criou os cargos de chefes de polícia, delegados e subdelegados, atribuindo-os funções policiais antes realizadas pelos juízes de paz, tendo uma estrutura hierárquica que tinha no chefe de polícia a figura central da administração policial na província e cujo trabalho era direcionado para a manutenção da ordem, segurança e tranquilidade pública nos locais de sua atuação (BRASIL. Lei no 261, de 03 de dezembro de 1841). Atribuições com as quais permaneceu até 1871, quando, por ocasião da segunda reforma, passaram a ser melhor delimitados os trabalhos jurídico-policiais, restringindo o poder judicial das autoridades policiais apenas ao “julgamento da infracção dos termos de segurança e bem viver” (BRASIL. Lei no 2.033, de 20 de setembro de 1871). A partir dela foi possível não só refletir sobre o trabalho desempenhado pelos policiais em torno das ideias de ordem e segurança, enquanto construções sociais que foram agenciadas por distintos sujeitos nos âmbitos local, provincial e nacional, mas também como ela foi uma das instituições imperiais que influenciaram mais diretamente a política de segurança do período, sobretudo quando observamos a relação entre Estado, polícia e sociedade no século XIX.

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