Dissertações/Teses

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2026
Dissertações
1
  • BRUNO VINÍCIUS MORENO FORMIGA
  • DA CENTRALIDADE AO REGIME DE LATÊNCIA: O DESENCARNE, A PESSOA E A MORAL NA
    PRÁTICA ESPÍRITA

     

  • Orientador : MISIA LINS VIEIRA REESINK
  • MEMBROS DA BANCA :
  • GENARO CAMBOIM LOPES DE ANDRADE LULA
  • HUGO MENEZES NETO
  • MISIA LINS VIEIRA REESINK
  • Data: 27/02/2026

  • Mostrar Resumo
  • Esta dissertação analisa como é vivenciado no Centro Espírita Bezerra de Menezes (CEBM) o ciclo de
    encarnações na cosmologia espírita kardecista, investigando como as categorias de desencarne, pessoa e moralidade
    estruturam as práticas da instituição. O objetivo central é compreender de que forma esse ciclo, alicerçado em um
    modelo específico de pessoa e em imperativos morais de evolução, implica e organiza o cotidiano dos adeptos. Para tal,
    realizou-se uma etnografia no CEBM, no Recife (PE), combinando observação participante, diário de campo e
    entrevistas com frequentadores e trabalhadores. Identificou-se que a relação dos adeptos com o ciclo de encarnações –
    especificamente com o desencarne – estabelece-se por meio de duas posturas distintas: uma de centralidade, mobilizada
    em discussões diretas ou na iminência da morte; e outra de regime de latência, na qual o ciclo atua como um horizonte
    silencioso que fundamenta as ações e atribui sentido às práticas, sem necessariamente ocupar o foco narrativo. Assim,
    contrariando teorias clássicas sobre a morte no Ocidente e sua perspectiva da negação, a cosmologia espírita no contexto
    estudado estabelece o desencarne não como tabu, mas como eixo estruturante que promove a continuidade do “eu” e
    sustenta uma intensa relação entre encarnados e desencarnados.

     


  • Mostrar Abstract
  • No presente trabalho busco compreender a cosmologia espírita kardecista e sua relação com a morte,

    ou melhor, com o desencarne, termo nativo que ressignifica a morte nessa cosmologia. De modo a analisar

    como são agenciados os nexos entre os conceitos de desencarne/encarne e as práticas espíritas, ou, mais

    precisamente, como esses espíritas relacionam tais conceitos em suas práticas no cotidiano do CEBM. Para tal,

    realizarei uma etnografia, com o intuito de observar e descrever quais as relações entre o modelo de pessoa

    espírita e o ciclo de encarnações e desencarnações, tendo como local das investigações etnográficas o Centro

    Espírita Bezerra de Menezes de Areias.

2025
Dissertações
1
  • IRENE ADRYANE MARCIANO DA SILVA
  • Negridade e conflito no território: sobre mulheres e narrativas ecológicas no Engenho Ilha,
    Pernambuco

  • Orientador : FABIANA MAIZZA
  • MEMBROS DA BANCA :
  • UIRÁ FELIPPE GARCIA
  • ANA CLAUDIA RODRIGUES DA SILVA
  • FABIANA MAIZZA
  • Data: 13/02/2025
    Ata de defesa assinada:

  • Mostrar Resumo
  • Esta pesquisa tem por objetivo discutir sobre narrativas ambientais e sua aproximação do racial
    através da interpretação das mulheres da Comunidade do Engenho Ilha. Assim, busca-se entender como elas
    vinculam as dimensões de território, vida e negridade diante do conflito com o projeto de construção de uma
    Unidade de Conservação promovida pela administração do Complexo Industrial e Portuário de Suape, CIPS,
    na cidade do Cabo de Santo Agostinho, em Pernambuco. Este projeto visa descrever essas narrativas,
    sobretudo narrativas ecológicas, e discutir como estas têm sido disputadas a partir das experiências das
    mulheres. Identificando-se enquanto agricultoras, foi por meio de sua maior participação nas tomadas de
    decisão locais que passaram a ser denunciadas uma série de injustiças sociais e ambientais, advindas de
    conflitos históricos na região. É imprescindível destacar que, de forma oposta, seus modos de habitar são
    qualitativamente diferentes dos que são fomentados pela administração do CIPS, construindo-se pela relação
    de coexistência com o território. Partindo da discussão do conceito de antropoceno na antropologia (TSING,
    2019, 2022) e das especulações feministas negras (FERREIRA, 2024), busca-se destacar, a partir de uma
    leitura da dimensão colonial deste momento do planeta (MBEMBE, 2022), os sentidos que são atribuídos ao
    território, destacando as narrativas que tensionam uma busca persistente por sua desvinculação da terra. É a
    partir dessas várias dimensões na construção de suas identidades que guiaremos nossa descrição etnográfica.


  • Mostrar Abstract
  • Esta pesquisa tem por objetivo discutir sobre narrativas ambientais e sua aproximação do racial
    através da interpretação das mulheres da Comunidade do Engenho Ilha. Assim, busca-se entender como elas
    vinculam as dimensões de território, vida e negridade diante do conflito com o projeto de construção de uma
    Unidade de Conservação promovida pela administração do Complexo Industrial e Portuário de Suape, CIPS,
    na cidade do Cabo de Santo Agostinho, em Pernambuco. Este projeto visa descrever essas narrativas,
    sobretudo narrativas ecológicas, e discutir como estas têm sido disputadas a partir das experiências das
    mulheres. Identificando-se enquanto agricultoras, foi por meio de sua maior participação nas tomadas de
    decisão locais que passaram a ser denunciadas uma série de injustiças sociais e ambientais, advindas de
    conflitos históricos na região. É imprescindível destacar que, de forma oposta, seus modos de habitar são
    qualitativamente diferentes dos que são fomentados pela administração do CIPS, construindo-se pela relação
    de coexistência com o território. Partindo da discussão do conceito de antropoceno na antropologia (TSING,
    2019, 2022) e das especulações feministas negras (FERREIRA, 2024), busca-se destacar, a partir de uma
    leitura da dimensão colonial deste momento do planeta (MBEMBE, 2022), os sentidos que são atribuídos ao
    território, destacando as narrativas que tensionam uma busca persistente por sua desvinculação da terra. É a
    partir dessas várias dimensões na construção de suas identidades que guiaremos nossa descrição etnográfica.

2
  • GABRIELA NASCIMENTO DOS SANTOS
  • O sonho de ser blogueira: O TikTok como ambiente de consumo de adolescentes estudantes do Centro de Educação INtegral de
    Igarassu Cecília Maria Vaz Curado Ribeiro

  • Orientador : LADY SELMA FERREIRA ALBERNAZ
  • MEMBROS DA BANCA :
  • ALEX GIULIANO VAILATI
  • DAYSE AMANCIO DOS SANTOS VERAS FREITAS
  • LADY SELMA FERREIRA ALBERNAZ
  • LUIS FELIPE RIOS DO NASCIMENTO
  • Data: 18/02/2025
    Ata de defesa assinada:

  • Mostrar Resumo
  • Com a expansão do uso e acesso das mídias sociais digitais, pode-se dizer que vivemos na era da midiatização dos sujeitos, onde
    os usuários usam as redes sociais digitais para se expressarem para o mundo. Tais mídias sociais digitais passaram a ocupar um espaço um
    espaço de destaque nas relações sociais. Dentre essas mídias, destaca-se o TikTok, um aplicativo conhecido pela facilidade na sua
    funcionalidade e pelo seu público jovem. A inserção dos adolescentes nessa rede abre espaços para novos e diferentes conflitos advindos da
    relação entre mídias digitais, consumo e acesso dos adolescentes. Este trabalho tem o objetivo de demonstrar a ligação entre o consumo de
    produtos e serviços pelos adolescentes estudantes do Centro de Educação Integral de Igarassu Cecília Maria Vaz Curado RIbeiro e o seu
    acesso ao TikTok.


  • Mostrar Abstract
  • Com a expansão do uso e acesso das mídias sociais digitais, pode-se dizer que vivemos na era da midiatização dos sujeitos, onde
    os usuários usam as redes sociais digitais para se expressarem para o mundo. Tais mídias sociais digitais passaram a ocupar um espaço um
    espaço de destaque nas relações sociais. Dentre essas mídias, destaca-se o TikTok, um aplicativo conhecido pela facilidade na sua
    funcionalidade e pelo seu público jovem. A inserção dos adolescentes nessa rede abre espaços para novos e diferentes conflitos advindos da
    relação entre mídias digitais, consumo e acesso dos adolescentes. Este trabalho tem o objetivo de demonstrar a ligação entre o consumo de
    produtos e serviços pelos adolescentes estudantes do Centro de Educação Integral de Igarassu Cecília Maria Vaz Curado RIbeiro e o seu
    acesso ao TikTok.

3
  • THAYNARA KELLY DOS SANTOS PEREIRA
  • “NÓS SOMOS AMADOS?”: os cruzamentos entre raça e as relações afetivo românticas dos jovens
    negros.

  • Orientador : ANA CLAUDIA RODRIGUES DA SILVA
  • MEMBROS DA BANCA :
  • ANA CLAUDIA RODRIGUES DA SILVA
  • FABIANA MAIZZA
  • GILSON JOSE RODRIGUES JUNIOR
  • Data: 21/02/2025
    Ata de defesa assinada:

  • Mostrar Resumo
  • Esta dissertação investiga as experiências afetivo-românticas da juventude negra pernambucana, considerando
    as interseccionalidades entre raça, gênero e classe na construção das dinâmicas amorosas. A pesquisa parte da
    premissa de que o amor, longe de ser um campo neutro, é atravessado por dispositivos de racialidade que
    historicamente regulam o desejo e a legitimidade das relações afetivas. Com base em um referencial teórico
    fundamentado nos escritos de autoras e autores negros como Sueli Carneiro, Lélia Gonzalez, bell hooks, Grada
    Kilomba e Kabengele Munanga, analisamos as formas como o racismo estrutural impacta a subjetividade da
    população negra no campo amoroso. Os dados foram coletados por meio de entrevistas narrativas com jovens
    negros e negras de Pernambuco, permitindo compreender as vivências de preterimento, fetichização e exclusão
    afetiva. A dissertação revela que as escolhas amorosas da juventude negra são marcadas por um regime racial
    de desejo, em que a branquitude se estabelece como norma de beleza e pertencimento, enquanto a negritude é
    ora invisibilizada, ora hipersexualizada. Para as mulheres negras, esse fenômeno se manifesta na solidão
    afetiva e na desvalorização do seu corpo como espaço de amor e cuidado. Já os homens negros enfrentam a
    dualidade entre a hipervirilização e a criminalização, o que limita suas possibilidades de construção de
    vínculos afetivos saudáveis. A dissertação também discute a colonialidade do amor e a forma como o projeto
    de embranquecimento impacta as relações inter-raciais, promovendo a valorização de casais inter-raciais como
    estratégia de ascensão social, enquanto as relações exclusivamente negras são frequentemente vistas como
    espaços de carência e conflito. Além disso, a pesquisa evidencia a ressignificação do amor negro como uma
    estratégia de resistência e reafirmação identitária, na qual a juventude negra constrói novas formas de
    pertencimento afetivo e redes de cuidado. A análise final sugere que as afetividades negras precisam ser
    compreendidas dentro de um projeto de reestruturação epistemológica, que valorize as experiências da
    população negra como legítimas e dignas de afeto. O amor negro, nessa perspectiva, se torna um ato político,
    um espaço de insurgência contra as estruturas coloniais que ainda regulam o campo do desejo e do
    reconhecimento social. Diante disso, a pesquisa reforça a necessidade de um debate mais aprofundado sobre a
    intersecção entre raça e amor, ampliando as discussões acadêmicas para além das perspectivas eurocêntricas e
    reconhecendo as subjetividades negras como centrais na produção de conhecimento.


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  • Esta dissertação investiga as experiências afetivo-românticas da juventude negra pernambucana, considerando
    as interseccionalidades entre raça, gênero e classe na construção das dinâmicas amorosas. A pesquisa parte da
    premissa de que o amor, longe de ser um campo neutro, é atravessado por dispositivos de racialidade que
    historicamente regulam o desejo e a legitimidade das relações afetivas. Com base em um referencial teórico
    fundamentado nos escritos de autoras e autores negros como Sueli Carneiro, Lélia Gonzalez, bell hooks, Grada
    Kilomba e Kabengele Munanga, analisamos as formas como o racismo estrutural impacta a subjetividade da
    população negra no campo amoroso. Os dados foram coletados por meio de entrevistas narrativas com jovens
    negros e negras de Pernambuco, permitindo compreender as vivências de preterimento, fetichização e exclusão
    afetiva. A dissertação revela que as escolhas amorosas da juventude negra são marcadas por um regime racial
    de desejo, em que a branquitude se estabelece como norma de beleza e pertencimento, enquanto a negritude é
    ora invisibilizada, ora hipersexualizada. Para as mulheres negras, esse fenômeno se manifesta na solidão
    afetiva e na desvalorização do seu corpo como espaço de amor e cuidado. Já os homens negros enfrentam a
    dualidade entre a hipervirilização e a criminalização, o que limita suas possibilidades de construção de
    vínculos afetivos saudáveis. A dissertação também discute a colonialidade do amor e a forma como o projeto
    de embranquecimento impacta as relações inter-raciais, promovendo a valorização de casais inter-raciais como
    estratégia de ascensão social, enquanto as relações exclusivamente negras são frequentemente vistas como
    espaços de carência e conflito. Além disso, a pesquisa evidencia a ressignificação do amor negro como uma
    estratégia de resistência e reafirmação identitária, na qual a juventude negra constrói novas formas de
    pertencimento afetivo e redes de cuidado. A análise final sugere que as afetividades negras precisam ser
    compreendidas dentro de um projeto de reestruturação epistemológica, que valorize as experiências da
    população negra como legítimas e dignas de afeto. O amor negro, nessa perspectiva, se torna um ato político,
    um espaço de insurgência contra as estruturas coloniais que ainda regulam o campo do desejo e do
    reconhecimento social. Diante disso, a pesquisa reforça a necessidade de um debate mais aprofundado sobre a
    intersecção entre raça e amor, ampliando as discussões acadêmicas para além das perspectivas eurocêntricas e
    reconhecendo as subjetividades negras como centrais na produção de conhecimento.

4
  • MIA SOUZA ARAUJO
  • “A gente cuida, faz o tratamento certinho, mas e o preconceito que fica?” Um olhar sobre as
    representações da hanseníase no bairro da Mirueira sob a ótica dos moradores.

  • Orientador : MARION TEODOSIO DE QUADROS
  • MEMBROS DA BANCA :
  • LUIS FELIPE RIOS DO NASCIMENTO
  • MARION TEODOSIO DE QUADROS
  • RUSSELL PARRY SCOTT
  • Data: 24/02/2025
    Ata de defesa assinada:

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  • Esta etnografia aborda a relação entre a hanseníase, uma doença crônica e causadora de sofrimento
    psíquico, e os moradores da Mirueira, bairro localizado na Região Metropolitana do Recife. Destaca-se a
    conexão histórica do bairro com o Hospital Geral da Mirueira, um dos primeiros leprosários construídos no
    século XX no Brasil e, consequentemente, no estado de Pernambuco. O trabalho busca discutir as concepções
    que os moradores do bairro da Mirueira atribuem a doença, bem como analisar como as relações sociais são
    moldadas pela mobilização de tratamentos individuais. Enfatiza as agências e os modos pelos quais os
    indivíduos percebem e vivenciam a doença. Utilizei entrevistas e observações como principais ferramentas de
    pesquisa e lancei mão da minha própria experiência como morador do bairro para acessar a história e as
    pessoas do local. O Brasil está entre os países com as maiores taxas de hanseníase, uma doença que gera danos
    sociais e pode comprometer significativamente a vida dos indivíduos afetados, seja diretamente, pelo contato e
    identificação do bacilo, ou indiretamente, quando um amigo, vizinho ou parente é acometido. Em contextos
    marcados por maior desigualdade social, a doença torna-se mais evidente, contribuindo para a perpetuação de
    estigmas e outras vulnerabilidades. Em Paulista/PE, onde o projeto foi conduzido, observa-se que as pessoas
    afetadas pela hanseníase recorrem a diferentes itinerários terapêuticos para o cuidado. Esses itinerários
    incluem práticas baseadas em crenças, ritos, medicina ocidental, entre outras abordagens mediadas pela cultura
    local. Observamos que, apesar de a hanseníase ser uma doença de fácil tratamento e cura quando diagnosticada
    precocemente, ainda é cercada por silenciamentos, medo e invisibilização.


  • Mostrar Abstract
  • Esta etnografia aborda a relação entre a hanseníase, uma doença crônica e causadora de sofrimento
    psíquico, e os moradores da Mirueira, bairro localizado na Região Metropolitana do Recife. Destaca-se a
    conexão histórica do bairro com o Hospital Geral da Mirueira, um dos primeiros leprosários construídos no
    século XX no Brasil e, consequentemente, no estado de Pernambuco. O trabalho busca discutir as concepções
    que os moradores do bairro da Mirueira atribuem a doença, bem como analisar como as relações sociais são
    moldadas pela mobilização de tratamentos individuais. Enfatiza as agências e os modos pelos quais os
    indivíduos percebem e vivenciam a doença. Utilizei entrevistas e observações como principais ferramentas de
    pesquisa e lancei mão da minha própria experiência como morador do bairro para acessar a história e as
    pessoas do local. O Brasil está entre os países com as maiores taxas de hanseníase, uma doença que gera danos
    sociais e pode comprometer significativamente a vida dos indivíduos afetados, seja diretamente, pelo contato e
    identificação do bacilo, ou indiretamente, quando um amigo, vizinho ou parente é acometido. Em contextos
    marcados por maior desigualdade social, a doença torna-se mais evidente, contribuindo para a perpetuação de
    estigmas e outras vulnerabilidades. Em Paulista/PE, onde o projeto foi conduzido, observa-se que as pessoas
    afetadas pela hanseníase recorrem a diferentes itinerários terapêuticos para o cuidado. Esses itinerários
    incluem práticas baseadas em crenças, ritos, medicina ocidental, entre outras abordagens mediadas pela cultura
    local. Observamos que, apesar de a hanseníase ser uma doença de fácil tratamento e cura quando diagnosticada
    precocemente, ainda é cercada por silenciamentos, medo e invisibilização.

5
  • MARIA LUIZA TEIXEIRA SALGADO
  • PRÁTICAS DE CURA DA TERRA: um diálogo entre Antropologia e Agroecologia 

  • Orientador : FABIANA MAIZZA
  • MEMBROS DA BANCA :
  • FABIANA MAIZZA
  • PEDRO CASTELO BRANCO SILVEIRA
  • LUCAS COELHO PEREIRA
  • Data: 25/02/2025
    Ata de defesa assinada:

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  • Este trabalho teórico tem como objetivo fazer uma aproximação entre a teoria Antropológica e a Agroecologia, áreas cuja interseção
    é ainda pouco explorada, embora extremamente necessária e urgente. A relevância dessa associação reside no fato que a teoria agroecológica
    dialoga profundamente com a Antropologia Multiespécie ao promover formas de convivência entre humanos e outros seres vivos em sistemas
    agroflorestais regenerativos. Colocando as fazendas de plantations abandonadas no Brasil como ruínas do capitalismo, reconheço o papel da
    agroecologia, que em diversos âmbitos, reconhece a interdependência das espécies e se preocupa com as particularidades de cada bioma. Dessa
    forma, a Agroecologia transcende paradigmas antropocêntricos, oferecendo práticas que integram a sustentabilidade ecológica e a justiça social,
    tais como o cultivo sem agrotóxico, a defesa da biodiversidade das plantas em detrimento da monocultura, além da defesa da soberania alimentar.
    Ademais, considero que a prática agroecológica, a exemplo de dois assentamentos do MST, Mário Lago (SP) e Terra Vista (BA) e do declínio da
    monocultura no sertão da Paraíba, apresenta uma possível resposta à emergência climática associada ao Antropoceno, contribuindo para mitigar
    os impactos dela. Com isso, defendo que esta discussão não apenas amplia os horizontes teóricos da Antropologia, mas também enriquece a
    Agroecologia, avançando na construção de uma perspectiva mais que humana, capaz de abarcar as complexas relações entre humanos, outras
    espécies e o planeta. Isso sem perder de vista as questões históricas que permeiam a posse de terras no Brasil e as peculiaridades dos diversos
    tipos de agricultura no desenvolvida no país. Postulo, por fim, que o agronegócio brasileiro opera


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  • Este trabalho teórico tem como objetivo fazer uma aproximação entre a teoria Antropológica e a Agroecologia, áreas cuja interseção
    é ainda pouco explorada, embora extremamente necessária e urgente. A relevância dessa associação reside no fato que a teoria agroecológica
    dialoga profundamente com a Antropologia Multiespécie ao promover formas de convivência entre humanos e outros seres vivos em sistemas
    agroflorestais regenerativos. Colocando as fazendas de plantations abandonadas no Brasil como ruínas do capitalismo, reconheço o papel da
    agroecologia, que em diversos âmbitos, reconhece a interdependência das espécies e se preocupa com as particularidades de cada bioma. Dessa
    forma, a Agroecologia transcende paradigmas antropocêntricos, oferecendo práticas que integram a sustentabilidade ecológica e a justiça social,
    tais como o cultivo sem agrotóxico, a defesa da biodiversidade das plantas em detrimento da monocultura, além da defesa da soberania alimentar.
    Ademais, considero que a prática agroecológica, a exemplo de dois assentamentos do MST, Mário Lago (SP) e Terra Vista (BA) e do declínio da
    monocultura no sertão da Paraíba, apresenta uma possível resposta à emergência climática associada ao Antropoceno, contribuindo para mitigar
    os impactos dela. Com isso, defendo que esta discussão não apenas amplia os horizontes teóricos da Antropologia, mas também enriquece a
    Agroecologia, avançando na construção de uma perspectiva mais que humana, capaz de abarcar as complexas relações entre humanos, outras
    espécies e o planeta. Isso sem perder de vista as questões históricas que permeiam a posse de terras no Brasil e as peculiaridades dos diversos
    tipos de agricultura no desenvolvida no país. Postulo, por fim, que o agronegócio brasileiro opera

6
  • RAFAEL RODRIGUES LEITE
  • Quem tem medo de ser cancelado? Mobilizações e conflitos nas mídias sociais digitais

  • Orientador : HUGO MENEZES NETO
  • MEMBROS DA BANCA :
  • HUGO MENEZES NETO
  • FRANCISCO SA BARRETO DOS SANTOS
  • ROBERTO CORDOVILLE EFREM DE LIMA FILHO
  • REGINA FACCHINI
  • Data: 25/02/2025
    Ata de defesa assinada:

  • Mostrar Resumo
  • Esta dissertação analisa as mobilizações e os conflitos acerca do “cancelamento” nas mídias sociais digitais, investigando
    as disputas conceituais e os repertórios de ação desencadeados nos episódios de cancelamento explorados. A partir da etnografia de
    quatro episódios de cancelamento envolvendo figuras públicas de diferentes espectros políticos — Lilia Schwarcz, Djamila Ribeiro,
    Maurício Souza e Sikêra Júnior —, a pesquisa investiga os processos de acusação e reivindicação de direitos presentes nos casos,
    bem como as relações de poder que atravessam as narrativas dispostas e acabam sendo acionadas, inclusive, para legitimar ou
    contestar as práticas nomeadas enquanto “cancelamento”. Nesse sentido, o estudo dialoga com a literatura socioantropológica que
    versa sobre a relação entre mobilização sociopolítica on e offline, ao buscar compreender as imbricações entre engajamento,
    viralização e disputa por legitimidade. Por esse caminho, a presente etnografia revela que o cancelamento opera através de uma
    linguagem comum de direitos, sendo apropriado e ressignificado por distintos grupos que se inserem em pelo menos dois campos
    discursivos de ação, os quais fomentam os sentidos dos cancelamentos: aquele que concebe o cancelamento enquanto prática de
    acusação, julgamento e punição injusta, autoritária e indevida, e aquele que concebe o cancelamento enquanto estratégia de
    reivindicação de direitos, denúncia de violências, opressões e injustiças em favor do reconhecimento de grupos minorizados. Além
    disso, esta dissertação discute de que forma, e em que medida, a infraestrutura digital, através das plataformas digitais
    algoritmizadas, influencia os cancelamentos ao trazer impacto tanto em sua disseminação quanto em suas consequências. Sendo
    assim, a presente etnografia aponta para a complexidade das dinâmicas de cancelamento que acabam revelando disputas sobre
    moralidade, reconhecimento e poder nas redes, de forma a desafiar e reproduzir ordens sociais e políticas. Dessa forma, a pesquisa
    contribui para a compreensão das novas formas de mobilização sociopolítica na era digital, destacando as tensões e os conflitos
    existentes entre democratização da informação e plataformização das dinâmicas sociais.


  • Mostrar Abstract
  • Esta dissertação analisa as mobilizações e os conflitos acerca do “cancelamento” nas mídias sociais digitais, investigando
    as disputas conceituais e os repertórios de ação desencadeados nos episódios de cancelamento explorados. A partir da etnografia de
    quatro episódios de cancelamento envolvendo figuras públicas de diferentes espectros políticos — Lilia Schwarcz, Djamila Ribeiro,
    Maurício Souza e Sikêra Júnior —, a pesquisa investiga os processos de acusação e reivindicação de direitos presentes nos casos,
    bem como as relações de poder que atravessam as narrativas dispostas e acabam sendo acionadas, inclusive, para legitimar ou
    contestar as práticas nomeadas enquanto “cancelamento”. Nesse sentido, o estudo dialoga com a literatura socioantropológica que
    versa sobre a relação entre mobilização sociopolítica on e offline, ao buscar compreender as imbricações entre engajamento,
    viralização e disputa por legitimidade. Por esse caminho, a presente etnografia revela que o cancelamento opera através de uma
    linguagem comum de direitos, sendo apropriado e ressignificado por distintos grupos que se inserem em pelo menos dois campos
    discursivos de ação, os quais fomentam os sentidos dos cancelamentos: aquele que concebe o cancelamento enquanto prática de
    acusação, julgamento e punição injusta, autoritária e indevida, e aquele que concebe o cancelamento enquanto estratégia de
    reivindicação de direitos, denúncia de violências, opressões e injustiças em favor do reconhecimento de grupos minorizados. Além
    disso, esta dissertação discute de que forma, e em que medida, a infraestrutura digital, através das plataformas digitais
    algoritmizadas, influencia os cancelamentos ao trazer impacto tanto em sua disseminação quanto em suas consequências. Sendo
    assim, a presente etnografia aponta para a complexidade das dinâmicas de cancelamento que acabam revelando disputas sobre
    moralidade, reconhecimento e poder nas redes, de forma a desafiar e reproduzir ordens sociais e políticas. Dessa forma, a pesquisa
    contribui para a compreensão das novas formas de mobilização sociopolítica na era digital, destacando as tensões e os conflitos
    existentes entre democratização da informação e plataformização das dinâmicas sociais.

7
  • MARIA LUÍSA PINHEIRO VIANA
  • No corre com as Dindas: ativismo, direitos e a produção dos presos LGBT em Pernambuco

  • Orientador : ROBERTO CORDOVILLE EFREM DE LIMA FILHO
  • MEMBROS DA BANCA :
  • KARINA BIONDI
  • VANESSA SANDER SERRA E MEIRA
  • HUGO MENEZES NETO
  • ROBERTO CORDOVILLE EFREM DE LIMA FILHO
  • Data: 24/03/2025
    Ata de defesa assinada:

  • Mostrar Resumo
  • Esta dissertação, apresentada ao Programa de Pós-graduação em Antropologia da Universidade Federal de Pernambuco
    (UFPE), investiga o ativismo e as dinâmicas prisionais relacionadas aos presos LGBT em Pernambuco. O estudo inicialmente se
    propôs a realizar uma etnografia das alas e pavilhões LGBT no Complexo Prisional do Curado. Contudo, impedimentos burocráticos
    redirecionaram a pesquisa para uma abordagem colaborativa com a ONG SEMPRI, que atua em defesa dos direitos dessa população.
    O trabalho examina como gênero e sexualidade estruturam as experiências de presos LGBT e analisa o papel das organizações
    ativistas na construção de categorias sociais e na mediação de políticas públicas prisionais. Metodologicamente, a dissertação adota
    uma perspectiva de pesquisa-intervenção (Godoi, 2015), articulando ativismo e produção acadêmica. A atuação no SEMPRI permitiu
    acesso privilegiado às unidades prisionais e possibilitou a coleta de dados etnográficos durante visitas técnicas, reuniões e diálogos
    com presos LGBT e gestores penitenciários. Esses momentos revelaram as tensões entre ativismo e gestão prisional, destacando
    como o sistema carcerário perpetua vulnerabilidades e desigualdades. Além das questões teóricas e metodológicas, o trabalho reflete
    sobre as transições da pesquisadora, tanto em termos acadêmicos quanto pessoais, ao vivenciar seu processo de afirmação de gênero
    durante o campo. A dissertação, assim, propõe-se a explorar as relações entre o ativismo, a diversidade sexual e as configurações do
    sistema prisional brasileiro, oferecendo uma contribuição significativa ao campo da Antropologia da Prisão.


  • Mostrar Abstract
  • Esta dissertação, apresentada ao Programa de Pós-graduação em Antropologia da Universidade Federal de Pernambuco
    (UFPE), investiga o ativismo e as dinâmicas prisionais relacionadas aos presos LGBT em Pernambuco. O estudo inicialmente se
    propôs a realizar uma etnografia das alas e pavilhões LGBT no Complexo Prisional do Curado. Contudo, impedimentos burocráticos
    redirecionaram a pesquisa para uma abordagem colaborativa com a ONG SEMPRI, que atua em defesa dos direitos dessa população.
    O trabalho examina como gênero e sexualidade estruturam as experiências de presos LGBT e analisa o papel das organizações
    ativistas na construção de categorias sociais e na mediação de políticas públicas prisionais. Metodologicamente, a dissertação adota
    uma perspectiva de pesquisa-intervenção (Godoi, 2015), articulando ativismo e produção acadêmica. A atuação no SEMPRI permitiu
    acesso privilegiado às unidades prisionais e possibilitou a coleta de dados etnográficos durante visitas técnicas, reuniões e diálogos
    com presos LGBT e gestores penitenciários. Esses momentos revelaram as tensões entre ativismo e gestão prisional, destacando
    como o sistema carcerário perpetua vulnerabilidades e desigualdades. Além das questões teóricas e metodológicas, o trabalho reflete
    sobre as transições da pesquisadora, tanto em termos acadêmicos quanto pessoais, ao vivenciar seu processo de afirmação de gênero
    durante o campo. A dissertação, assim, propõe-se a explorar as relações entre o ativismo, a diversidade sexual e as configurações do
    sistema prisional brasileiro, oferecendo uma contribuição significativa ao campo da Antropologia da Prisão.

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  • REBEKA PEREIRA
  • “Revitalizar a área, inibir os traficantes e resgatar as vidas perdidas”: Produção e gestão de
    territorialidades urbanas na “cracolândia” de Santa Inês (MA)

  • Orientador : FRANCISCO SA BARRETO DOS SANTOS
  • MEMBROS DA BANCA :
  • FRANCISCO SA BARRETO DOS SANTOS
  • ANA CLAUDIA RODRIGUES DA SILVA
  • ELAINE MULLER
  • Data: 14/05/2025

  • Mostrar Resumo
  • Guiada pela lógica governamental expressa na fala “revitalizar a área, inibir os traficantes e
    resgatar as vidas perdidas”, o trabalho examina as dinâmicas que estabeleceram o território
    denominado “cracolândia” no terminal rodoviário da cidade de Santa Inês (MA), a partir de três
    camadas: políticas assistenciais e de cuidado, políticas de repressão ao tráfico e políticas urbanas de
    revitalização. Em um contexto complexo que mistura degradação urbana e humana, este trabalho
    etnográfico quer lançar luz sobre os processos de produção e manutenção de desigualdades,
    questionando: quais condições sustentam a existência de uma classe vulnerável que é combatida nos
    espaços urbanos? Como essa classe se organiza sob um domínio específico? E, que consequências
    provoca na política da cidade? Os fundamentos que norteiam essas questões, sistematizam-se aqui a
    partir do viés epistemológico que compreende o Estado em sua relação com as práticas. Meus objetivos
    querem assimilar o que Foucault (2008) traçou como “racionalização da prática governamental”.
    Analisar esse campo etnograficamente significa, portanto, romper com concepções que determinam o
    território a partir da delimitação do espaço geográfico, da terra em si; para passar a contribuir com a
    formulação de uma noção complexa e ampla sobre o conceito, buscada através da corporalidade e da
    andança das pessoas, em relação com os aparatos estatais.


  • Mostrar Abstract
  • Guiada pela lógica governamental expressa na fala “revitalizar a área, inibir os traficantes e
    resgatar as vidas perdidas”, o trabalho examina as dinâmicas que estabeleceram o território
    denominado “cracolândia” no terminal rodoviário da cidade de Santa Inês (MA), a partir de três
    camadas: políticas assistenciais e de cuidado, políticas de repressão ao tráfico e políticas urbanas de
    revitalização. Em um contexto complexo que mistura degradação urbana e humana, este trabalho
    etnográfico quer lançar luz sobre os processos de produção e manutenção de desigualdades,
    questionando: quais condições sustentam a existência de uma classe vulnerável que é combatida nos
    espaços urbanos? Como essa classe se organiza sob um domínio específico? E, que consequências
    provoca na política da cidade? Os fundamentos que norteiam essas questões, sistematizam-se aqui a
    partir do viés epistemológico que compreende o Estado em sua relação com as práticas. Meus objetivos
    querem assimilar o que Foucault (2008) traçou como “racionalização da prática governamental”.
    Analisar esse campo etnograficamente significa, portanto, romper com concepções que determinam o
    território a partir da delimitação do espaço geográfico, da terra em si; para passar a contribuir com a
    formulação de uma noção complexa e ampla sobre o conceito, buscada através da corporalidade e da
    andança das pessoas, em relação com os aparatos estatais.

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  • LETICIA LUCINDO QUEIROZ
  • Povo Anacé e o Complexo do Pecém: Impactos, Resistências e Territorialidades

  • Orientador : VÂNIA FIALHO
  • MEMBROS DA BANCA :
  • ALEX GIULIANO VAILATI
  • CAROLINE FARIAS LEAL MENDONCA
  • VÂNIA FIALHO
  • Data: 29/05/2025
    Ata de defesa assinada:

  • Mostrar Resumo
  • Esta dissertação é fruto de uma pesquisa iniciada em 2018 na aldeia indígena Japuara, localizada em
    Caucaia-CE, território tradicional do povo Anacé, protagonistas e colaboradores deste estudo. As questões
    inicialmente levantadas estavam relacionadas à luta pela defesa territorial, uma vez que a terra ainda não é
    demarcada, e à preservação ambiental, condições fundamentais para a reprodução cultural. O Complexo
    Industrial e Portuário do Pecém (CIPP) aparece como a principal ameaça apontada pelas lideranças, destaca-se
    como vetor da fragmentação territorial e social da grande nação Anacé, dividida hoje em múltiplos núcleos de
    organização política, descritos ao longo deste trabalho. Nosso objetivo é analisar os impactos diretos e indiretos
    provocados por esse megaprojeto sobre a vida social desse grupo étnico, em especial a aldeia Japuara, bem como
    compreender as estratégias de resistência e ação mobilizadas pelos sujeitos diante das pressões que os afetam.
    O território, palco de intensos embates, também é pensado por suas potencialidades insurgentes e insubmissas,
    que expressam os séculos de resistência indígena na história do Ceará. A pesquisa se insere na conjuntura
    marcada pela chegada do projeto do Porto do Pecém, na década de 1990, que, após sucessivas expansões, deu
    origem ao CIPP, um dos maiores empreendimentos do estado, representando quase metade do seu PIB. Ao longo
    da dissertação, analisamos as relações estabelecidas pelos Anacé entre si, enquanto coletividade, e com a terra
    tradicionalmente ocupada, alvo de disputas históricas e constantes. No coração desse conflito, buscamos dar
    visibilidade à luta em defesa do corpo-território Anacé, que pulsa em vitalidade, memória e resistência no sangue
    e suor entregues à causa indígena.


  • Mostrar Abstract
  • Esta dissertação é fruto de uma pesquisa iniciada em 2018 na aldeia indígena Japuara, localizada em
    Caucaia-CE, território tradicional do povo Anacé, protagonistas e colaboradores deste estudo. As questões
    inicialmente levantadas estavam relacionadas à luta pela defesa territorial, uma vez que a terra ainda não é
    demarcada, e à preservação ambiental, condições fundamentais para a reprodução cultural. O Complexo
    Industrial e Portuário do Pecém (CIPP) aparece como a principal ameaça apontada pelas lideranças, destaca-se
    como vetor da fragmentação territorial e social da grande nação Anacé, dividida hoje em múltiplos núcleos de
    organização política, descritos ao longo deste trabalho. Nosso objetivo é analisar os impactos diretos e indiretos
    provocados por esse megaprojeto sobre a vida social desse grupo étnico, em especial a aldeia Japuara, bem como
    compreender as estratégias de resistência e ação mobilizadas pelos sujeitos diante das pressões que os afetam.
    O território, palco de intensos embates, também é pensado por suas potencialidades insurgentes e insubmissas,
    que expressam os séculos de resistência indígena na história do Ceará. A pesquisa se insere na conjuntura
    marcada pela chegada do projeto do Porto do Pecém, na década de 1990, que, após sucessivas expansões, deu
    origem ao CIPP, um dos maiores empreendimentos do estado, representando quase metade do seu PIB. Ao longo
    da dissertação, analisamos as relações estabelecidas pelos Anacé entre si, enquanto coletividade, e com a terra
    tradicionalmente ocupada, alvo de disputas históricas e constantes. No coração desse conflito, buscamos dar
    visibilidade à luta em defesa do corpo-território Anacé, que pulsa em vitalidade, memória e resistência no sangue
    e suor entregues à causa indígena.

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  • LARISSA VAZ GONÇALVES
  • A ÁRVORE DA MEMÓRIA: TRAMANDO DESDE AS RAÍZES, VÍNCULOS E TEMPORALIDADES ANCESTRAIS

  • Orientador : FABIANA MAIZZA
  • MEMBROS DA BANCA :
  • ANA CLAUDIA RODRIGUES DA SILVA
  • FABIANA MAIZZA
  • ZOY ANASTASSAKIS
  • Data: 10/06/2025
    Ata de defesa assinada:

  • Mostrar Resumo
  • O presente trabalho aborda as relações entre o atual colapso ecológico e a expansão colonial através do conceito de
    platationoceno. Partindo desta compreensão, observam-se modos de composição com a terra ancorados na agroecologia e no
    cooperativismo sublinhando o vínculo de tais práticas com saberes e formas de organização ancestrais. Justapondo um relato
    autobiográfico à pesquisa de campo realizada em fazendas de cultivo agroflorestal de cacau que compõem o coletivo Mulheres Pretas do
    Chocolate, memória pessoal e história coletiva se entrecruzam.


  • Mostrar Abstract
  • O presente trabalho aborda as relações entre o atual colapso ecológico e a expansão colonial através do conceito de
    platationoceno. Partindo desta compreensão, observam-se modos de composição com a terra ancorados na agroecologia e no
    cooperativismo sublinhando o vínculo de tais práticas com saberes e formas de organização ancestrais. Justapondo um relato
    autobiográfico à pesquisa de campo realizada em fazendas de cultivo agroflorestal de cacau que compõem o coletivo Mulheres Pretas do
    Chocolate, memória pessoal e história coletiva se entrecruzam.

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  • DIHEGO LIRA DE SOUZA
  • Casais inter-raciais e racismo nesse universo particular

  • Orientador : FABIANA MAIZZA
  • MEMBROS DA BANCA :
  • FABIANA MAIZZA
  • HUGO MENEZES NETO
  • GILSON JOSE RODRIGUES JUNIOR
  • Data: 11/06/2025
    Ata de defesa assinada:

  • Mostrar Resumo
  • Esta dissertação é resultado de uma trajetória marcada por deslocamentos geográficos,
    sociais e identitários. Partindo da vivência de um pesquisador nortista, negro, indígena
    e gay, oriundo do interior do Amazonas e graduado em Administração, a pesquisa
    propõe uma abordagem antropológica sobre os relacionamentos interraciais no Brasil
    contemporâneo. Inicialmente motivado por discussões nas redes sociais envolvendo
    casais interraciais e as tensões raciais ali expostas, o estudo investiga como o racismo
    – sobretudo o estrutural e o cotidiano – se manifesta nessas relações afetivas.
    Amparado por uma base teórica composta por autores como Sueli Carneiro, Lélia
    Gonzalez, Kabengele Munanga, Florestan Fernandes, Aparecida Bento, entre outros, o
    trabalho busca compreender como as questões raciais atravessam os afetos, as
    escolhas e as dinâmicas dentro dos relacionamentos entre pessoas negras e não
    negras. Foram entrevistados casais com vínculos à UFPE, garantindo recortes diversos
    de classe, identidade e trajetória. Os dados mostram, entre outros achados, que a
    endogamia racial é mais presente em camadas sociais mais altas, e que casais de
    classes populares têm maior vivência de relações heterocrômicas. A identidade racial
    revelou-se fluida e, por vezes, conflituosa entre os interlocutores, assim como a
    percepção e o enfrentamento do racismo no cotidiano dos casais. Observou-se que o
    debate sobre racismo ainda é evitado em ambientes familiares e que, frequentemente,
    os parceiros brancos não percebem microagressões sofridas por seus cônjuges negros.
    Com uma perspectiva decolonial, a pesquisa propõe um olhar compreensivo e crítico,
    comprometido com a escuta e com o reposicionamento do sujeito negro nas relações e
    nos espaços de produção de conhecimento. Ao final, aponta-se a urgência de uma
    educação antirracista e a ampliação da representatividade negra nas instituições de
    ensino como caminhos para o enfrentamento das desigualdades raciais também nos
    vínculos afetivos.


  • Mostrar Abstract
  • Esta dissertação é resultado de uma trajetória marcada por deslocamentos geográficos,
    sociais e identitários. Partindo da vivência de um pesquisador nortista, negro, indígena
    e gay, oriundo do interior do Amazonas e graduado em Administração, a pesquisa
    propõe uma abordagem antropológica sobre os relacionamentos interraciais no Brasil
    contemporâneo. Inicialmente motivado por discussões nas redes sociais envolvendo
    casais interraciais e as tensões raciais ali expostas, o estudo investiga como o racismo
    – sobretudo o estrutural e o cotidiano – se manifesta nessas relações afetivas.
    Amparado por uma base teórica composta por autores como Sueli Carneiro, Lélia
    Gonzalez, Kabengele Munanga, Florestan Fernandes, Aparecida Bento, entre outros, o
    trabalho busca compreender como as questões raciais atravessam os afetos, as
    escolhas e as dinâmicas dentro dos relacionamentos entre pessoas negras e não
    negras. Foram entrevistados casais com vínculos à UFPE, garantindo recortes diversos
    de classe, identidade e trajetória. Os dados mostram, entre outros achados, que a
    endogamia racial é mais presente em camadas sociais mais altas, e que casais de
    classes populares têm maior vivência de relações heterocrômicas. A identidade racial
    revelou-se fluida e, por vezes, conflituosa entre os interlocutores, assim como a
    percepção e o enfrentamento do racismo no cotidiano dos casais. Observou-se que o
    debate sobre racismo ainda é evitado em ambientes familiares e que, frequentemente,
    os parceiros brancos não percebem microagressões sofridas por seus cônjuges negros.
    Com uma perspectiva decolonial, a pesquisa propõe um olhar compreensivo e crítico,
    comprometido com a escuta e com o reposicionamento do sujeito negro nas relações e
    nos espaços de produção de conhecimento. Ao final, aponta-se a urgência de uma
    educação antirracista e a ampliação da representatividade negra nas instituições de
    ensino como caminhos para o enfrentamento das desigualdades raciais também nos
    vínculos afetivos.

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  • AKYLA ALEXANDRE TAVARES VICENTE PESSOA DA SILVA
  • O CARNAVAL DOS BLOCOS DE SAMBA EM OLINDA: Agremiações, Memórias e
    Comunidades.

  • Orientador : HUGO MENEZES NETO
  • MEMBROS DA BANCA :
  • ANTONIO CARLOS MOTA DE LIMA
  • HUGO MENEZES NETO
  • LEONARDO LEAL ESTEVES
  • Data: 12/06/2025

  • Mostrar Resumo
  • Esta dissertação investiga a presença, organização e crescente visibilidade dos blocos de samba no Carnaval de Olinda, Pernambuco, sob uma
    perspectiva antropológica. Contrastando com o processo de declínio das escolas de samba no Recife, o estudo busca compreender como essas
    agremiações olindenses constroem identidades, ocupam espaços e enfrentam tensões simbólicas e políticas na dinâmica festiva. A pesquisa, de
    cunho etnográfico, fundamenta-se em observação participante, entrevistas com carnavalescos, mestres de bateria, presidentes de blocos e
    representantes de escolas de samba, além de registro de ensaios e desfiles realizados durante o Carnaval de 2024. O trabalho destaca a importância
    dos blocos de samba como expressões legítimas da diversidade cultural de Olinda, questionando a narrativa oficial do Carnaval local. Ao mobilizar
    conceitos como ritual, memória e comunidade, o estudo evidencia como o samba, ainda pouco valorizado institucionalmente, desempenha papel
    fundamental na construção das identidades urbanas, nas disputas por reconhecimento cultural e no exercício da cidadania festiva.


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  • Esta dissertação investiga a presença, organização e crescente visibilidade dos blocos de samba no Carnaval de Olinda, Pernambuco, sob uma
    perspectiva antropológica. Contrastando com o processo de declínio das escolas de samba no Recife, o estudo busca compreender como essas
    agremiações olindenses constroem identidades, ocupam espaços e enfrentam tensões simbólicas e políticas na dinâmica festiva. A pesquisa, de
    cunho etnográfico, fundamenta-se em observação participante, entrevistas com carnavalescos, mestres de bateria, presidentes de blocos e
    representantes de escolas de samba, além de registro de ensaios e desfiles realizados durante o Carnaval de 2024. O trabalho destaca a importância
    dos blocos de samba como expressões legítimas da diversidade cultural de Olinda, questionando a narrativa oficial do Carnaval local. Ao mobilizar
    conceitos como ritual, memória e comunidade, o estudo evidencia como o samba, ainda pouco valorizado institucionalmente, desempenha papel
    fundamental na construção das identidades urbanas, nas disputas por reconhecimento cultural e no exercício da cidadania festiva.

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  • JOAO VICTOR SOUZA DE AZEVEDO
  • “O BREGA E MINHA VIDA!”: Dinamicas de um movimento patrimonializado em disputa pela cidade

  • Orientador : FRANCISCO SA BARRETO DOS SANTOS
  • MEMBROS DA BANCA :
  • FRANCISCO SA BARRETO DOS SANTOS
  • HUGO MENEZES NETO
  • RENATO DE LYRA LEMOS
  • Data: 03/07/2025
    Ata de defesa assinada:

  • Mostrar Resumo
  • Este trabalho propõe uma reflexão sobre as particularidades do Movimento Brega, reconhecido como patrimônio cultural imaterial do
    Recife em 2021. A partir da análise da ideia de “movimento” em torno do gênero musical brega, observou-se uma expressiva capacidade de
    resistência e transformação por parte de seus protagonistas, cujas práticas hoje transcendem o campo da música. A pesquisa, realizada
    entre 2023 e 2025, baseou-se em um levantamento bibliográfico diversificado e em uma abordagem etnográfica, explorando não apenas o
    Brega, mas também seus diálogos com temas sociais como raça, gênero e urbanidade. Tendo como um dos eixos a patrimonialização do
    Movimento Brega, as entrevistas com fazedores e fazedoras revelaram satisfação com o reconhecimento oficial, mas também destacaram
    que a titulação, por si só, não assegura sustentabilidade para aqueles que vivem deste bem. A pesquisa, portanto, investiga as dinâmicas e
    contradições internas desse ecossistema, atentando-se às disputas por visibilidade e aos sujeitos historicamente marginalizados no processo.
    Através da observação participante em eventos públicos que incorporam o Brega em sua programação, foram analisadas a crescente
    inserção do Movimento em festivais abertos ao público, financiados ou não pelo poder institucional, os perfis dos frequentadores, os
    territórios ocupados e as mensagens transmitidas tanto nos palcos quanto fora deles. Constatou-se que, após a patrimonialização
    municipal, o Movimento Brega alcançou um novo patamar de reconhecimento: surgiram festivais dedicados ao Brega, o Movimento
    passou a integrar um lugar específico na programação do carnaval recifense e o debate sobre sua relevância cultural ganhou projeção
    nacional, gerando a aprovação do Dia Nacional do Brega, a ser comemorado no dia 14 de fevereiro. Entretanto, apesar de ser em alguma
    medida uma vitória das periferias frente a processos históricos de negligência e subalternização, o Movimento Brega ainda carece de
    políticas públicas eficazes e de investimentos estruturais que garantam sua continuidade e valorização, além de uma vida digna aos seus
    fazedores.

     


  • Mostrar Abstract
  • Este trabalho propõe uma reflexão sobre as particularidades do Movimento Brega, reconhecido como patrimônio cultural imaterial do
    Recife em 2021. A partir da análise da ideia de “movimento” em torno do gênero musical brega, observou-se uma expressiva capacidade de
    resistência e transformação por parte de seus protagonistas, cujas práticas hoje transcendem o campo da música. A pesquisa, realizada
    entre 2023 e 2025, baseou-se em um levantamento bibliográfico diversificado e em uma abordagem etnográfica, explorando não apenas o
    Brega, mas também seus diálogos com temas sociais como raça, gênero e urbanidade. Tendo como um dos eixos a patrimonialização do
    Movimento Brega, as entrevistas com fazedores e fazedoras revelaram satisfação com o reconhecimento oficial, mas também destacaram
    que a titulação, por si só, não assegura sustentabilidade para aqueles que vivem deste bem. A pesquisa, portanto, investiga as dinâmicas e
    contradições internas desse ecossistema, atentando-se às disputas por visibilidade e aos sujeitos historicamente marginalizados no processo.
    Através da observação participante em eventos públicos que incorporam o Brega em sua programação, foram analisadas a crescente
    inserção do Movimento em festivais abertos ao público, financiados ou não pelo poder institucional, os perfis dos frequentadores, os
    territórios ocupados e as mensagens transmitidas tanto nos palcos quanto fora deles. Constatou-se que, após a patrimonialização
    municipal, o Movimento Brega alcançou um novo patamar de reconhecimento: surgiram festivais dedicados ao Brega, o Movimento
    passou a integrar um lugar específico na programação do carnaval recifense e o debate sobre sua relevância cultural ganhou projeção
    nacional, gerando a aprovação do Dia Nacional do Brega, a ser comemorado no dia 14 de fevereiro. Entretanto, apesar de ser em alguma
    medida uma vitória das periferias frente a processos históricos de negligência e subalternização, o Movimento Brega ainda carece de
    políticas públicas eficazes e de investimentos estruturais que garantam sua continuidade e valorização, além de uma vida digna aos seus
    fazedores.

     

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  • JAMILLE MARIA CARVALHO BARROS
  • Construir “brechas” e caminhos: experiencias sociais e negritude entre pessoas educadoras negras do Museu do Homem do
    Nordeste, Recife - PE

  • Orientador : HUGO MENEZES NETO
  • MEMBROS DA BANCA :
  • ANA CLAUDIA RODRIGUES DA SILVA
  • GLEYCE KELLY MACIEL HEITOR
  • HUGO MENEZES NETO
  • Data: 22/07/2025
    Ata de defesa assinada:

  • Mostrar Resumo
  • Este trabalho, desenvolvido em interlocução com pessoas negras que atuam ou já atuaram como educadoras do Museu do
    Homem do Nordeste - Muhne, visa uma análise a respeito das experiências sociais e negritude. Partimos da compreensão deste museu
    como dispositivo que colabora com a legitimação do pensamento social e museológico de Gilberto Freyre e do trabalho desenvolvido pelas e
    pelos interlocutores da pesquisa como movimento de negociação entre o que está exposto no museu e as ausências que consideram
    necessário evidenciar, a partir das narrativas que constroem. Em contraponto à concepção freyreana sobre as relações raciais no Brasil,
    nos anos de trabalho e pesquisa no Muhne, foram observadas práticas que visavam ampliar e revisar os discursos em torno dessas relações,
    bem como a abordagem sobre demais marcadores sociais da diferença - atrelados a eixos como cultura popular, saberes originários,
    processos identitários e afins. O Muhne é aqui analisado, portanto, a partir de uma dinâmica relacional com as e os agentes que o
    mobilizam, ativam e reinventam, através do trabalho de educação. A negritude constitui um elemento importante da análise, a pesquisa
    ampara-se nesse conceito desde seu sentido mais geral, o de qualidade ou condição de ser negro - posição social associada a características
    determinantes, fenotípicas, de uma racialidade negra -, até o vasto panorama no qual o termo se inscreve em torno de movimentos políticos
    de valorização da experiência de ser negro e confronto à colonialidade. As relações observadas provocaram o questionamento: O que as
    oralituras negras construídas durante a mediação artístico cultural evidenciam sobre a prática educativo museal? Pondo ênfase nesta
    reflexão, o trabalho evidencia a mediação cultural e infere sobre os processos de autoinscrição, escrevivência, e negritude enquanto práxis
    cuja mediação é capaz de manifestar; através de tais apontamentos, busca elaborar sugestões para uma conceituação destas práticas
    plurais abarcadas pela mediação cultural.
    PALAVRAS - CHAVE: Educadores Negro

     


  • Mostrar Abstract
  • Este trabalho, desenvolvido em interlocução com pessoas negras que atuam ou já atuaram como educadoras do Museu do
    Homem do Nordeste - Muhne, visa uma análise a respeito das experiências sociais e negritude. Partimos da compreensão deste museu
    como dispositivo que colabora com a legitimação do pensamento social e museológico de Gilberto Freyre e do trabalho desenvolvido pelas e
    pelos interlocutores da pesquisa como movimento de negociação entre o que está exposto no museu e as ausências que consideram
    necessário evidenciar, a partir das narrativas que constroem. Em contraponto à concepção freyreana sobre as relações raciais no Brasil,
    nos anos de trabalho e pesquisa no Muhne, foram observadas práticas que visavam ampliar e revisar os discursos em torno dessas relações,
    bem como a abordagem sobre demais marcadores sociais da diferença - atrelados a eixos como cultura popular, saberes originários,
    processos identitários e afins. O Muhne é aqui analisado, portanto, a partir de uma dinâmica relacional com as e os agentes que o
    mobilizam, ativam e reinventam, através do trabalho de educação. A negritude constitui um elemento importante da análise, a pesquisa
    ampara-se nesse conceito desde seu sentido mais geral, o de qualidade ou condição de ser negro - posição social associada a características
    determinantes, fenotípicas, de uma racialidade negra -, até o vasto panorama no qual o termo se inscreve em torno de movimentos políticos
    de valorização da experiência de ser negro e confronto à colonialidade. As relações observadas provocaram o questionamento: O que as
    oralituras negras construídas durante a mediação artístico cultural evidenciam sobre a prática educativo museal? Pondo ênfase nesta
    reflexão, o trabalho evidencia a mediação cultural e infere sobre os processos de autoinscrição, escrevivência, e negritude enquanto práxis
    cuja mediação é capaz de manifestar; através de tais apontamentos, busca elaborar sugestões para uma conceituação destas práticas
    plurais abarcadas pela mediação cultural.
    PALAVRAS - CHAVE: Educadores Negro

     

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  • ANA GABRIELA REIS DA SILVA
  • Agroecologia e saberes locais: estrategias de conservacao de sementes crioulas no Polo da Borborema, Paraiba

  • Orientador : PETER SCHRODER
  • MEMBROS DA BANCA :
  • PETER SCHRODER
  • RUSSELL PARRY SCOTT
  • PAULA MANUELLA SILVA DE SANTANA
  • Data: 23/07/2025
    Ata de defesa assinada:

  • Mostrar Resumo
  •  Esta dissertação investiga os saberes locais das famílias agricultoras do Polo da Borborema, no estado da Paraíba, e sua contribuição para a preservação de sementes crioulas, destacando a agroecologia como eixo central de práticas, resistência e identidade cultural. Com o objetivo de compreender como esses saberes sustentam a conservação das sementes e a resiliência dos sistemas agrícolas, a pesquisa adota uma abordagem etnográfica, utilizando observação participante e entrevistas em profundidade nos municípios paraibanos de Areial, Queimadas, Remígio e Esperança. Os resultados revelam que os saberes locais, enraizados na memória biocultural, integram técnicas de seleção e armazenamento de sementes, como feijão gogotuba e milho, adaptadas ao semiárido. A auto-organização em bancos comunitários e eventos como a 16ª Marcha pela Vida das Mulheres, em 2025, fortalece a conservação coletiva, enquanto a campanha “Não Planto Transgênicos Para Não Apagar Minha História” reflete a resistência à transgenia e à Revolução Verde, que ameaçam a agrobiodiversidade e a soberania alimentar. As sementes da paixão, como milho e feijão, transcendem a função agrícola, simbolizando identidade e luta contra a homogeneização. O papel estruturante da agroecologia, articulando biodiversidade, coletividade e mobilização política foi um achado inesperado. A pesquisa sugere que a agroecologia no Polo da Borborema é um modelo de sustentabilidade, mas enfrenta desafios como a continuidade geracional e a necessidade de políticas públicas. Futuros estudos devem explorar a integração com políticas como o Programa de Aquisição de Alimentos Sementes e a participação da juventude para consolidar essas práticas.


  • Mostrar Abstract
  • This master thesis examines the local knowledge of farming families in the Polo da Borborema, Paraiba, Brazil, and its role in preserving creole seeds, emphasizing agroecology as a central axis of practices, resistance, and cultural identity. Aiming to understand how such knowledge supports seed conservation and the resilience of agricultural systems, the study employs an ethnographic approach, utilizing participant observation and in-depth interviews in the municipalities of Areial, Queimadas, Remigio, and Esperanca. The findings reveal that local knowledge, rooted in biocultural memory, integrates seed selection and storage techniques, such as for gogotuba beans and maize, adapted to the semi-arid environment. Collective organization through community seed banks and events like the 16th March for Women’s Lives and Agroecology in 2025 strengthens collective conservation efforts, while the campaign “I Don’t Plant Transgenics to Preserve My History” reflects resistance to transgenics and the Green Revolution, which threaten agrobiodiversity and food sovereignty. The “seeds of passion,” such as maize and beans, transcend their agricultural function, symbolizing identity and resistance against homogenization. An unanticipated finding was the structuring role of agroecology, integrating biodiversity, collectivity, and political mobilization. The research suggests that agroecology in the Polo da Borborema serves as a model of sustainability but faces challenges such as generational continuity and the need for public policies. Future studies should explore integration with initiatives like the Seed Acquisition Program and youth engagement to consolidate these practices.

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  • JULLIA ALVES DE ALMEIDA
  • OS CONTRIBUTOS EPISTEMOLOGICOS DE BELL HOOKS A ANTROPOLOGIA: UMA TRILOGIA COM ZORA NEALE
    HURSTON E LELIA GONZALEZ

  • Orientador : FABIANA MAIZZA
  • MEMBROS DA BANCA :
  • ANA CLAUDIA RODRIGUES DA SILVA
  • FABIANA MAIZZA
  • GILSON JOSE RODRIGUES JUNIOR
  • Data: 23/07/2025
    Ata de defesa assinada:

  • Mostrar Resumo
  • Esta dissertação propõe à construção de uma antropologia feminista-negra, tendo como fio condutor o
    pensamento de bell hooks. A pesquisa investiga o impacto de sua obra na crítica aos pressupostos tradicionais da
    Antropologia, além de promover um exercício teórico que atravessa diversas subáreas, como a antropologia do gênero,
    visual, da performance, do corpo, da educação, da moda e negra. Além disso, estabelece um diálogo entre as
    contribuições das antropólogas negras Lélia Gonzalez e Zora Hurston, cujas produções foram historicamente silenciadas
    nos currículos acadêmicos antropológicos. Através da composição de uma trilogia negra — entre hooks, Gonzalez e
    Hurston —, o trabalho articula experiências comuns e epistemologias insurgentes, mediante a interseção entre raça,
    gênero e classe em ênfase. A análise se organiza em quatro eixos principais: (1) o potencial crítico transformador das
    teorias de bell hooks para a antropologia; (2) a construção metodológica de uma abordagem feminista-negra; e (3) a
    disseminação e valorização de epistemologias produzidas por intelectuais negras, provocando uma crítica contundente ao
    racismo epistêmico que atravessa a hegemonia do saber antropológico (4) a formulação de uma trilogia intelectual
    enquanto eixo estruturante da pesquisa. Em suma, esta pesquisa defende a reformulação dos currículos antropológicos,
    promovendo uma ciência comprometida com a reintegração de vozes silenciadas no campo acadêmico.

     


  • Mostrar Abstract
  • Esta dissertação propõe à construção de uma antropologia feminista-negra, tendo como fio condutor o
    pensamento de bell hooks. A pesquisa investiga o impacto de sua obra na crítica aos pressupostos tradicionais da
    Antropologia, além de promover um exercício teórico que atravessa diversas subáreas, como a antropologia do gênero,
    visual, da performance, do corpo, da educação, da moda e negra. Além disso, estabelece um diálogo entre as
    contribuições das antropólogas negras Lélia Gonzalez e Zora Hurston, cujas produções foram historicamente silenciadas
    nos currículos acadêmicos antropológicos. Através da composição de uma trilogia negra — entre hooks, Gonzalez e
    Hurston —, o trabalho articula experiências comuns e epistemologias insurgentes, mediante a interseção entre raça,
    gênero e classe em ênfase. A análise se organiza em quatro eixos principais: (1) o potencial crítico transformador das
    teorias de bell hooks para a antropologia; (2) a construção metodológica de uma abordagem feminista-negra; e (3) a
    disseminação e valorização de epistemologias produzidas por intelectuais negras, provocando uma crítica contundente ao
    racismo epistêmico que atravessa a hegemonia do saber antropológico (4) a formulação de uma trilogia intelectual
    enquanto eixo estruturante da pesquisa. Em suma, esta pesquisa defende a reformulação dos currículos antropológicos,
    promovendo uma ciência comprometida com a reintegração de vozes silenciadas no campo acadêmico.

     

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  • GUILHERME CORDEIRO DE ARRUDA FALCAO
  • O bagulho e doido: a producao da violencia na Torcida Jovem do Sport

  • Orientador : LAURE MARIE LOUISE CLEMENCE GARRABE
  • MEMBROS DA BANCA :
  • LAURE MARIE LOUISE CLEMENCE GARRABE
  • ALEX GIULIANO VAILATI
  • MARIANE PISANI
  • Data: 25/08/2025
    Ata de defesa assinada:

  • Mostrar Resumo
  • Este trabalho propõe uma etnografia afetiva e imagética da Torcida Jovem do Sport com foco em

    compreender como imagem e ação se cruzam na dramatização e performance da violência.

    Empreendi observação participante, construindo uma abordagem metodológica em que a imagem

    opera como método — registros visuais e sonoros, diários de bordo, fotos, vídeos e postagens em

    redes sociais funcionam como fontes que convocam e ativam afetos e narrativas de pertencimento e

    confronto. O estudo centra-se no momento em que “o bagulho fica doido”, isto é, quando símbolos

    e imagens deixam de meramente representar a violência e passam a encená-la, mobilizando corpos,

    instituições e emoções. Para descrever esse processo, articulei reflexões de autores que abordam

    performance, violência, corporeidade e imagem — como Turner, Latour, Wagner, Gell e Caldeira

    — e construí diálogos com a filosofia de Rancière, as reflexões sobre moralidade punitiva de Fassin

    e os debates sobre negritude de Sueli Carneiro. O estudo demonstra que as imagens da torcida são

    dispositivos que convocam sentidos, gerando coesão simbólica e conflito — e que o “bagulho

    doido” pode ser entendido como um procedimento teórico-metodológico que ajuda a revelar como a

    cultura torcedora produz sentido através da violência representada e vivida.


  • Mostrar Abstract
  • Este trabalho propõe uma etnografia afetiva e imagética da Torcida Jovem do Sport com foco em

    compreender como imagem e ação se cruzam na dramatização e performance da violência.

    Empreendi observação participante, construindo uma abordagem metodológica em que a imagem

    opera como método — registros visuais e sonoros, diários de bordo, fotos, vídeos e postagens em

    redes sociais funcionam como fontes que convocam e ativam afetos e narrativas de pertencimento e

    confronto. O estudo centra-se no momento em que “o bagulho fica doido”, isto é, quando símbolos

    e imagens deixam de meramente representar a violência e passam a encená-la, mobilizando corpos,

    instituições e emoções. Para descrever esse processo, articulei reflexões de autores que abordam

    performance, violência, corporeidade e imagem — como Turner, Latour, Wagner, Gell e Caldeira

    — e construí diálogos com a filosofia de Rancière, as reflexões sobre moralidade punitiva de Fassin

    e os debates sobre negritude de Sueli Carneiro. O estudo demonstra que as imagens da torcida são

    dispositivos que convocam sentidos, gerando coesão simbólica e conflito — e que o “bagulho

    doido” pode ser entendido como um procedimento teórico-metodológico que ajuda a revelar como a

    cultura torcedora produz sentido através da violência representada e vivida.

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  • RAYANA CAVALCANTI DE SANTANA
  • ENCUENTROS ETNOGRAFICOS: por uma antropologia do ballet feito em Cuba

  • Orientador : MARIA ACSELRAD
  • MEMBROS DA BANCA :
  • DANIELA BOTERO MARULANDA
  • LAURE MARIE LOUISE CLEMENCE GARRABE
  • MARIA ACSELRAD
  • Data: 09/09/2025
    Ata de defesa assinada:

  • Mostrar Resumo
  • Mais do que lançar um olhar para o ballet, tematizando-o através do diálogo com pesquisas de variados campos de conhecimento, fazê-lo sob uma
    perspectiva antropológica implica compreendê-lo como tradição e observá-lo por meio de suas dinâmicas culturais inscritas nos corpos e nos
    movimentos. O ballet é apropriado e ganha outros sentidos em Cuba, se comparado a sua herança eurocêntrica e elitista. Nesta pesquisa, abordado
    em perspectiva decolonial, o ballet proporciona reflexões sobre a reinvenção da técnica, sobre a construção dos corpos que dançam na interação
    com outras danças e experiências, e sobre a democratização do acesso, em termos de ensino e apreciação. Inspirado no nome que leva o evento
    pedagógico etnografado, o Encuentro Internacional de Academias para La Enseñanza del Ballet, o trabalho se dedica a discutir encuentros
    etnográficos, articulando observações de campo e reflexão teórica, a fim de refletir sobre o que foi encontrado e o que se encontrou ao longo dessa
    experiência, que busca contribuir com uma antropologia do ballet em Cuba refletindo sobre a importância de "estar lá", e mais ainda, de "dançar
    lá", para o processo de pesquisa.

     


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  • Mais do que lançar um olhar para o ballet, tematizando-o através do diálogo com pesquisas de variados campos de conhecimento, fazê-lo sob uma
    perspectiva antropológica implica compreendê-lo como tradição e observá-lo por meio de suas dinâmicas culturais inscritas nos corpos e nos
    movimentos. O ballet é apropriado e ganha outros sentidos em Cuba, se comparado a sua herança eurocêntrica e elitista. Nesta pesquisa, abordado
    em perspectiva decolonial, o ballet proporciona reflexões sobre a reinvenção da técnica, sobre a construção dos corpos que dançam na interação
    com outras danças e experiências, e sobre a democratização do acesso, em termos de ensino e apreciação. Inspirado no nome que leva o evento
    pedagógico etnografado, o Encuentro Internacional de Academias para La Enseñanza del Ballet, o trabalho se dedica a discutir encuentros
    etnográficos, articulando observações de campo e reflexão teórica, a fim de refletir sobre o que foi encontrado e o que se encontrou ao longo dessa
    experiência, que busca contribuir com uma antropologia do ballet em Cuba refletindo sobre a importância de "estar lá", e mais ainda, de "dançar
    lá", para o processo de pesquisa.

     

19
  • TALES QUEIROZ LIMA DE ARAÚJO
  • “ARTE E RELIGIAO”: Um estudo comparado das expressoes musicais e cenicas em tres igrejas evangelicas da
    Regiao Metropolitana do Recife

  • Orientador : MISIA LINS VIEIRA REESINK
  • MEMBROS DA BANCA :
  • JÚLIA VILAÇA GOYATÁ
  • LAURE MARIE LOUISE CLEMENCE GARRABE
  • MISIA LINS VIEIRA REESINK
  • Data: 19/09/2025
    Ata de defesa assinada:

  • Mostrar Resumo
  • Como os evangélicos definem a fronteira entre fazer artístico e prática religiosa? A partir do estudo comparado
    de três igrejas evangélicas na Região Metropolitana do Recife, eu argumento que os grupos artístico-religiosos inseridos
    dentro das congregações atuam de maneira fundamental para definir como uma igreja evangélica adota uma dinâmica
    específica entre arte e religião. Para tanto, selecionei grupos que atuam na música e na dança dessas três congregações
    e analisei como a atuação varia de acordo com o tipo de igreja e liderança. A partir da análise abdutiva, eu desenvolvi
    um modelo tripartite de igreja evangélica na qual as igrejas podem ser localizadas, cosmopolitas ou tradicionais, e uma
    tipologia dos padrões de interação AeR. Como resultado, descobri que evangélicos ao invés de serem avessos à arte, a
    transformam para suas atividades religiosas e, por isso, elaboram estratégias de demarcação entre Igreja e Mundo para
    que possam coabitar ambas esferas artística e religiosa.

     


  • Mostrar Abstract
  • Como os evangélicos definem a fronteira entre fazer artístico e prática religiosa? A partir do estudo comparado
    de três igrejas evangélicas na Região Metropolitana do Recife, eu argumento que os grupos artístico-religiosos inseridos
    dentro das congregações atuam de maneira fundamental para definir como uma igreja evangélica adota uma dinâmica
    específica entre arte e religião. Para tanto, selecionei grupos que atuam na música e na dança dessas três congregações
    e analisei como a atuação varia de acordo com o tipo de igreja e liderança. A partir da análise abdutiva, eu desenvolvi
    um modelo tripartite de igreja evangélica na qual as igrejas podem ser localizadas, cosmopolitas ou tradicionais, e uma
    tipologia dos padrões de interação AeR. Como resultado, descobri que evangélicos ao invés de serem avessos à arte, a
    transformam para suas atividades religiosas e, por isso, elaboram estratégias de demarcação entre Igreja e Mundo para
    que possam coabitar ambas esferas artística e religiosa.

     

20
  • CARLOS SERGIO MENDES DA SILVA
  • Quando a morte não é o fim: transitando por entre o mundo dos vivos e o mundo dos mortos

  • Orientador : MISIA LINS VIEIRA REESINK
  • MEMBROS DA BANCA :
  • MISIA LINS VIEIRA REESINK
  • ANTONIO CARLOS MOTA DE LIMA
  • ROSA MARIA DE AQUINO
  • Data: 24/09/2025
    Ata de defesa assinada:

  • Mostrar Resumo
  • Esta dissertação é resultado de pesquisa etnográfica realizada no Centro Espírita – União Espírita Caminho da Luz (Uniluz), na cidade do Recife, tomando como ponto de partida o conceito central na doutrina espírita de que a morte é apenas uma passagem do mundo material para o mundo espiritual, onde busquei demonstrar como o corpo doutrinário ancorado nos escritos deixados por Allan Kardec, os rituais vividos e as relações estabelecidas na prática cotidiana dos espíritas, se interseccionam entre si e com o fiel seguidor, de modo a construir mais que um estatuto dogmático de crença, mas um sujeito espírita que se localiza no mundo a partir desta cosmovisão de que a morte não é o fim. Proponho uma análise que ultrapasse os pressupostos dogmáticos da cosmologia espírita, como desencarnação e reencarnação, primazia do Espírito sobre a matéria, comunicação com os mortos e fenômenos mediúnicos, mas observar como estes elementos perpassam o discurso, as práticas, as motivações e emoções dos sujeitos que buscam a Casa Espírita, de modo que se constrói um ser ontológico que não somente abraça uma crença, mas transforma seus modos de estar no mundo convicto de que “a morte não é o fim”.


  • Mostrar Abstract
  • Esta dissertação é resultado de pesquisa etnográfica realizada no Centro Espírita – União Espírita Caminho da Luz (Uniluz), na cidade do Recife, tomando como ponto de partida o conceito central na doutrina espírita de que a morte é apenas uma passagem do mundo material para o mundo espiritual, onde busquei demonstrar como o corpo doutrinário ancorado nos escritos deixados por Allan Kardec, os rituais vividos e as relações estabelecidas na prática cotidiana dos espíritas, se interseccionam entre si e com o fiel seguidor, de modo a construir mais que um estatuto dogmático de crença, mas um sujeito espírita que se localiza no mundo a partir desta cosmovisão de que a morte não é o fim. Proponho uma análise que ultrapasse os pressupostos dogmáticos da cosmologia espírita, como desencarnação e reencarnação, primazia do Espírito sobre a matéria, comunicação com os mortos e fenômenos mediúnicos, mas observar como estes elementos perpassam o discurso, as práticas, as motivações e emoções dos sujeitos que buscam a Casa Espírita, de modo que se constrói um ser ontológico que não somente abraça uma crença, mas transforma seus modos de estar no mundo convicto de que “a morte não é o fim”.

21
  • JOAQUIM GONCALVES VILARINHO NETO
  • VEGANISMO POPULAR, ANTIESPECISMO E ECOLOGIA: A PERSPECTIVA HUMANA-ANIMAL-AMBIENTE DA ANTAR –
    PODER POPULAR ANTIESPECISTA

     

  • Orientador : HUGO MENEZES NETO
  • MEMBROS DA BANCA :
  • HUGO MENEZES NETO
  • PEDRO CASTELO BRANCO SILVEIRA
  • ANA PAULA PERROTA
  • DIEGO BRENO LEAL VILELA
  • Data: 14/11/2025

  • Mostrar Resumo
  • Esta dissertação investiga o veganismo como um movimento social e político que ultrapassa os limites de uma simples escolha
    alimentar, propondo uma transformação nas formas de relação entre humanos e outros animais. Partindo do conceito de especismo, formulado por
    Richard Ryder na década de 1970, compreende-se que a luta antiespecista se fundamenta na crítica às hierarquias morais que sustentam a
    “exploração animal” e na defesa da senciência como critério ético central. Entretanto, o trabalho evidencia que o veganismo contemporâneo não
    constitui um campo homogêneo: diferentes vertentes, como um veganismo mercadológico, o veganismo abolicionista e o popular, divergem quanto
    às estratégias, valores e finalidades do movimento. A pesquisa tem como foco etnográfico o coletivo ANTAR – Poder Popular Antiespecista, um
    grupo fundado em 2019 que propõe um veganismo popular, articulando antiespecismo, ecologismo e lutas sociais. Por meio de observação
    participante, análise de reuniões, eventos e publicações em redes sociais, investigo como a ANTAR constrói um projeto político que busca integrar
    as lutas humanas, animais e ambientais, defendendo uma libertação conjunta e interdependente. O coletivo se diferencia de outras correntes ao
    propor uma militância de base, crítica ao neoliberalismo e ao veganismo de mercado, aproximando-se das pautas feministas, antirracistas,
    trabalhistas e decoloniais e contraculturais. Metodologicamente, a pesquisa se desenvolve a partir de uma inserção participante, atravessada por
    experiências de pertencimento e conflito, incluindo o episódio de expulsão do pesquisador do coletivo, o que permitiu refletir sobre as dinâmicas de
    vigilância, coerência e tensões internas do grupo. Proponho o conceito de libertação interacional para pensar as conexões entre libertação humana,
    animal e ambiental. Ao final, argumenta-se que o veganismo popular, conforme formulado pela ANTAR, constitui uma tentativa de refundar o
    veganismo como projeto político de transformação social, ampliando suas fronteiras éticas e epistemológicas, destacando-se sua aproximação aos
    povos indígenas e a defesa de um “veganismo feijão arroz” que se articula a partir da alimentação e produção local. Mais do que um estilo de vida
    ou prática de consumo, o veganismo aparece aqui como uma práxis anticapitalista, anticolonial e ecológica radical, orientada por uma ética de
    solidariedade entre espécies e pela busca de novas formas de coexistência.

     


  • Mostrar Abstract
  • Esta dissertação investiga o veganismo como um movimento social e político que ultrapassa os limites de uma simples escolha
    alimentar, propondo uma transformação nas formas de relação entre humanos e outros animais. Partindo do conceito de especismo, formulado por
    Richard Ryder na década de 1970, compreende-se que a luta antiespecista se fundamenta na crítica às hierarquias morais que sustentam a
    “exploração animal” e na defesa da senciência como critério ético central. Entretanto, o trabalho evidencia que o veganismo contemporâneo não
    constitui um campo homogêneo: diferentes vertentes, como um veganismo mercadológico, o veganismo abolicionista e o popular, divergem quanto
    às estratégias, valores e finalidades do movimento. A pesquisa tem como foco etnográfico o coletivo ANTAR – Poder Popular Antiespecista, um
    grupo fundado em 2019 que propõe um veganismo popular, articulando antiespecismo, ecologismo e lutas sociais. Por meio de observação
    participante, análise de reuniões, eventos e publicações em redes sociais, investigo como a ANTAR constrói um projeto político que busca integrar
    as lutas humanas, animais e ambientais, defendendo uma libertação conjunta e interdependente. O coletivo se diferencia de outras correntes ao
    propor uma militância de base, crítica ao neoliberalismo e ao veganismo de mercado, aproximando-se das pautas feministas, antirracistas,
    trabalhistas e decoloniais e contraculturais. Metodologicamente, a pesquisa se desenvolve a partir de uma inserção participante, atravessada por
    experiências de pertencimento e conflito, incluindo o episódio de expulsão do pesquisador do coletivo, o que permitiu refletir sobre as dinâmicas de
    vigilância, coerência e tensões internas do grupo. Proponho o conceito de libertação interacional para pensar as conexões entre libertação humana,
    animal e ambiental. Ao final, argumenta-se que o veganismo popular, conforme formulado pela ANTAR, constitui uma tentativa de refundar o
    veganismo como projeto político de transformação social, ampliando suas fronteiras éticas e epistemológicas, destacando-se sua aproximação aos
    povos indígenas e a defesa de um “veganismo feijão arroz” que se articula a partir da alimentação e produção local. Mais do que um estilo de vida
    ou prática de consumo, o veganismo aparece aqui como uma práxis anticapitalista, anticolonial e ecológica radical, orientada por uma ética de
    solidariedade entre espécies e pela busca de novas formas de coexistência.

     

Teses
1
  • ILANA MAGALHÃES BARROSO
  • LICENCIAMENTO AMBIENTAL DE PROJETOS DE EMPREENDIMENTOS: Desafios, Resistências e Mediações no
    Contexto do Sertão de Itaparica, em Pernambuco

  • Orientador : VÂNIA FIALHO
  • MEMBROS DA BANCA :
  • ANDRÉA MARIA NARCISO ROCHA DE PAULA
  • CARMEN LUCIA SILVA LIMA
  • PETER SCHRODER
  • RUSSELL PARRY SCOTT
  • VÂNIA FIALHO
  • Data: 11/03/2025
    Ata de defesa assinada:

  • Mostrar Resumo
  • Esta tese tem como objetivo problematizar o campo do licenciamento ambiental de grandes empreendimentos no Sertão de Itaparica,
    no estado de Pernambuco. A pesquisa analisa o contexto social, político e econômico em que se intensificam os conflitos entre o Estado, os
    empreendedores e as populações tradicionais da região. A Região de Desenvolvimento de Itaparica, desde a década de 1970, abriga projetos
    energéticos que configuram para a antropologia o que é denominado como “campo social da decadência” (SILVA; FIALHO, 2020). O estudo foca
    no itinerário dos processos de licenciamento ambiental na região, com ênfase em dois grandes empreendimentos que estão em andamento há vários
    anos. Um deles é tratado com o nome fictício de Fortis Minerals, um projeto de mineração de rutilo, escolhido para preservar a identidade do
    processo, e o outro é o famoso caso da Central Nuclear do Nordeste, de responsabilidade da Eletronuclear/Eletrobras. Ambos os projetos envolvem
    complexidades que exigem um olhar sensível e atento, especialmente no que diz respeito à atuação de especialistas da área da antropologia. No caso
    do projeto da central nuclear, antropólogos desempenham um papel ativo em mobilizações, reuniões, audiências públicas e outras atividades que
    visam barrar a implementação do projeto no Nordeste. Já no processo de licenciamento do empreendimento minerário, antropólogos são
    responsáveis pela elaboração do estudo do componente indígena, conforme a Instrução Normativa nº 02/2015 da FUNAI. A análise concentra-se
    em como esses projetos afetam diretamente as populações tradicionais que habitam o Sertão de Itaparica, revelando a complexidade das interações
    entre essas comunidades e os empreendimentos. Embora um dos processos ainda não possa ser totalmente aprofundado devido a questões legais, o
    trabalho utiliza métodos de investigação e análise de dados, como observação participante, entrevistas, registros audiovisuais, dados de mídias
    sociais, audiências públicas, informações oficiais dos processos, além de cartografias e mapas fornecidos por agências estaduais de Pernambuco. A
    pesquisa destaca ainda que a temática dos conflitos entre grandes projetos e as comunidades tradicionais é um campo complexo e delicado,
    frequentemente envolvendo questões difíceis de serem plenamente apreendidas. Portanto, esta tese busca evidenciar os desdobramentos desses
    processos, com a intenção de gerar dados que contribuam para o entendimento das dinâmicas sociais e ambientais envolvidas. O trabalho aborda,
    prioritariamente, temas como conflitos socioambientais, impactos socioambientais, etnicidade, antropologia política, desenvolvimento, poder,
    Estado, consulta prévia e a participação das comunidades afetadas. A relevância antropológica desta tese reside na análise do enfrentamento
    político, social e econômico das comunidades e povos tradicionais da região do Sertão de Itaparica, que vêm sofrendo com os impactos
    socioambientais e as consequências dos grandes empreendimentos energéticos e minerários implantados na região.


  • Mostrar Abstract
  • Esta tese tem como objetivo problematizar o campo do licenciamento ambiental de grandes empreendimentos no Sertão de Itaparica,
    no estado de Pernambuco. A pesquisa analisa o contexto social, político e econômico em que se intensificam os conflitos entre o Estado, os
    empreendedores e as populações tradicionais da região. A Região de Desenvolvimento do Sertão de Itaparica, desde a década de 1970, abriga
    projetos energéticos que configuram para a antropologia o que é denominado de “campo social da decadência” (SILVA; FIALHO, 2020). O estudo
    foca no itinerário dos processos de licenciamento ambiental focados nas questões envolvendo o processo de Regionalização do Estado de
    Pernambuco e suas vocações econômicas, onde dedico atenção a dois grandes empreendimentos que estão em andamento há vários anos, os quais
    são tratados com nomes fictícios por conta de sua magnitude: "Uma Tragédia Anunciada" e "Processo Sem Fim". A análise concentra-se em como
    esses projetos afetam diretamente as populações tradicionais que habitam o Sertão de Itaparica, revelando a complexidade das interações entre essas
    comunidades e os empreendimentos e os silêncios de informações no decorrer dos processos de licenciamento e consultas aos povos afetados.
    Embora um dos processos ainda não possa ser totalmente aprofundado devido a questões legais, o trabalho utiliza uma diversidade de métodos de
    investigação e análise de dados, como: observação participante, entrevistas, registros audiovisuais, dados de mídias sociais, audiências públicas,
    informações oficiais dos processos, além de cartografias e mapas fornecidos por agências estaduais de Pernambuco. Na cena participativa desses
    processos administrativos ocupo o lugar de “observação posicionada” e “observação profissionalizada” (BRONZ, 2016) para analisar enquanto
    pesquisadora os agentes e ações dos processos de licenciamento ambiental em estudo. A investigação tem como foco a análise de um processo de
    licenciamento ambiental em andamento, este sendo uma extração mineral, e um projeto de licenciamento nuclear, que administrativamente ainda
    não é caracterizado como um processo de licenciamento, mas uma prospecção ou projeto de construção em uma região marcada por intensos
    deslocamentos compulsórios e outros impactos socioambientais gerados pela expansão de empreendimentos energéticos e minerais. A pesquisa
    destaca, ainda, que a temática dos conflitos entre grandes projetos e as comunidades tradicionais é um campo complexo e delicado, frequentemente
    envolvendo questões de difícil apreensão. O objetivo principal desta tese é evidenciar os desdobramentos desses processos, com a intenção de gerar
    dados que contribuam para o entendimento das dinâmicas sociais e ambientais envolvidas. O trabalho aborda, prioritariamente, temas como:
    conflitos socioambientais, impactos ambientais, etnicidade, antropologia política, desenvolvimento, poder, Estado, neodesenvolvimento, consulta
    prévia e a participação das comunidades afetadas. A relevância antropológica deste projeto reside na análise do enfrentamento político, social e
    econômico das comunidades indígenas da região do Sertão de Itaparica, que vêm sofrendo com os impactos e as consequências dos grandes
    empreendimentos energéticos e minerários implantados na região.

2
  • JEIZA DAS CHAGAS SARAIVA
  • FAMÍLIAS RURAIS NA NEGOCIAÇÃO DAS TERRAS PARA COMPLEXOS EÓLICOS NO
    AGRESTE

  • Orientador : VÂNIA FIALHO
  • MEMBROS DA BANCA :
  • ALFREDO WAGNER BERNO DE ALMEIDA
  • PEDRO CASTELO BRANCO SILVEIRA
  • RITA DE CASSIA MARIA NEVES
  • RUSSELL PARRY SCOTT
  • VÂNIA FIALHO
  • Data: 14/03/2025

  • Mostrar Resumo
  • Esta tese estuda os processos de negociação das terras entre famílias rurais e empresas eólicas para a implantação
    de Complexos Eólicos no Agreste pernambucano. A negociação se configura como um dos principais
    instrumentos para que Complexos Eólicos e Linhas de Transmissão se instalem nas localidades, sendo o meio
    pelo qual as empresas se apropriam das terras sem sua efetiva compra. Os donos de muitas dessas terras são
    famílias rurais. A negociação ocasiona em arrendamentos e indenizações que geram efeitos sociais para as
    famílias locais. Como se desenvolveu esse processo pela perspectiva das famílias rurais? A pesquisa foi realizada
    com famílias rurais que arrendaram suas terras para aerogeradores ou foram indenizadas para as Linhas de
    Transmissão, bem como, com as famílias vizinhas das terras arrendadas para o Complexo Eólico Ventos de São
    Clemente. As incursões ao campo se deram entre os meses de março e julho de 2022, sendo realizadas 17
    entrevistas e aplicados 12 questionários sobre a percepção dos danos, acesso a documentos, observações e
    registros audiovisuais. Observou-se que a negociação ocorre em desigualdade de poder, com a empresa
    apresentando estratégias e vantagens em relação às famílias. Isso incluiu persuasão e controle de todo o processo
    pela empresa. Logo, destaca-se que não houve propriamente uma negociação, e sim, o que definimos como
    convencimento coercitivo para aceitação do acordo. O convencimento coercitivo se caracteriza pelas estratégias
    adotadas na negociação que passam pela contratação de agentes locais, controle das informações e do tempo.
    Pelo convencimento coercitivo as famílias são convencidas a “doarem” partes de suas terras, mesmo que de
    forma inconsciente, em troca do pagamento da renda do aerogerador por contratos que duram em média 40 anos.
    A negociação ocorre num notável desequilíbrio de poder e se traduz no controle das terras das famílias pelas
    empresas. No caso das indenizações para instalação das Linhas de Transmissão, com apoio jurídico e do Estado,
    o convencimento coercitivo se torna impositivo, dominativo e mais violento. Se torna impositivo pela
    Declaração de Utilidade Pública que garante que o empreendimento será instalado de qualquer forma, e se torna
    dominativo e violento por não oferecer opções para as famílias, impondo a aceitação do projeto. A negociação
    criou uma diversidade de situações e resultou em efeitos sociais para todas as famílias. Por um lado, tem famílias
    que destacam o caráter positivo, mas, para a grande maioria entrevistada, o cotidiano está perturbado por
    aspectos como: limitação e controle da terra pela empresa, perda da autonomia sob a terra, saída compulsória ou
    abandono das terras, convivência com o barulho da “zuada” das turbinas, adoecimento psicológico, baixas
    indenizações, diminuição da produção animal. Os danos identificados têm na negociação o seu processo de
    legitimação, iniciando os efeitos sociais vivenciados pelas famílias rurais do Agreste pernambucano. Para
    aprimorar os processos de negociação, com base nos resultados, sugerimos contribuições para a problematização
    da relação para os 3 agentes: Estado, Empresas e Famílias Rurais, de forma a torná-lo mais inclusivo, justo e
    equilibrado, e que considere os interesses e as necessidades das famílias rurais envolvidas.


  • Mostrar Abstract
  • Esta tese estuda os processos de negociação das terras entre famílias rurais e empresas eólicas para a implantação
    de Complexos Eólicos no Agreste pernambucano. A negociação se configura como um dos principais instrumentos para
    que Complexos Eólicos e Linhas de Transmissão sejam instalados. É o meio pelo qual empreendimentos eólicos se
    apropriam das terras sem que haja sua efetiva compra. Os donos de muitas dessas terras são famílias rurais. A negociação
    ocasiona em arrendamentos e indenizações que geram efeitos sociais para as famílias locais. Como se desenvolveu o
    processo pela perspectiva das famílias rurais? A pesquisa foi realizada com famílias rurais que arrendaram suas terras para
    aerogeradores ou foram indenizadas para as Linhas de Transmissão, bem como com as famílias vizinhas das terras
    arrendadas para o Complexo Eólico Ventos de São Clemente. As incursões a campo se deram entre os meses de março e
    julho de 2022, sendo realizadas 17 entrevistas entre famílias e vizinhos, 12 questionários sobre a percepção dos danos,
    acesso a documentos, além de conversas, observações e registros audiovisuais (fotos, vídeos e gravações). Analisando os
    relatos das famílias rurais observou-se que a negociação ocorre em desigualdade de poder, com a empresa apresentando
    estratégias e vantagens em relação às famílias. Isso incluiu persuasão e controle de todo o processo pela empresa. Logo,
    destaca-se que não houve propriamente uma negociação, e sim, o que definimos como convencimento coercitivo para
    aceitação do acordo. O convencimento coercitivo se caracteriza pelas estratégias adotadas na negociação que passam pela
    contratação de agentes locais, controle das informações e do tempo. Pelo convencimento coercitivo as famílias são
    convencidas a “doarem” partes de suas terras, mesmo que de forma inconsciente, em troca do pagamento da renda do
    aerogerador em contratos que duram em média 40 anos. Ao invés de acordos mutuamente satisfatórios a negociação ocorre
    num notável desnível de poder, não encontrando nenhum dos elementos que compõem uma negociação adequada. No caso
    das indenizações para instalação das Linhas de Transmissão efetivamente não houve negociação. Neste caso, com apoio
    jurídico e do Estado, o convencimento coercitivo se torna impositivo, dominativo e mais violento. Se torna impositivo pela
    Declaração de Utilidade Pública que garante que o empreendimento será instalado de qualquer forma, e se torna dominativo
    e violento por não oferecer opções para as famílias, impondo a aceitação do projeto. A negociação criou uma diversidade
    de situações e resultou em efeitos sociais para todas as famílias que habitam o local. Por um lado, tem famílias que destacam
    o caráter positivo, mas para a grande maioria entrevistada o cotidiano está perturbado por aspectos como: limitação e
    controle da terra pela empresa, perda da autonomia sob a terra, perda de parte das terras antes vistas como heranças para
    os filhos(as), saída compulsória ou abandono das terras, convivência com o barulho da “zuada” das turbinas, adoecimento
    psicológico, baixas indenizações, diminuição da produção de leite, ovos e reprodução animal. Os prejuízos identificados
    têm na negociação o seu processo de legitimação, garantindo o controle das terras pelas empresas e iniciando os efeitos
    sociais vivenciados pelas famílias rurais do Agreste pernambucano.

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  • ELOAH MARIA MARTINS VIEIRA
  • REFLEXÕES SOBRE AS REDES DE VENEZUELANOS NA REGIÃO METROPOLITANA DO RECIFE (BRASIL)

  • Orientador : ALEX GIULIANO VAILATI
  • MEMBROS DA BANCA :
  • ALEX GIULIANO VAILATI
  • RUSSELL PARRY SCOTT
  • CAMILA DA SILVA LUCENA
  • MANUELA TASSAN
  • SOFIA VENTUROLI
  • Data: 15/04/2025
    Ata de defesa assinada:

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  • Esta tese discute as redes acessadas por venezuelanos que estão na Região Metropolitana do Recife. O objetivo geral desta tese é
    entender como são construídas e operadas as redes que influenciam na chegada e permanência de venezuelanos e venezuelanas em Recife e Região
    Metropolitana. Para alcançar esse objetivo, foi necessário analisar quem são os venezuelanos que estão em Recife e região; identificar que redes são
    acessadas e construídas por essas pessoas, analisando como são formadas e quais elementos as compõem; e debater epistemológica e
    metodologicamente a noção de rede, problematizando-a teoricamente e a partir dos usos e compreensões que os interlocutores têm sobre o termo
    rede. Ao analisarmos como os próprios interlocutores utilizam o termo rede em campo, foi possível fazer aproximações com teorias sobre redes. Em
    campo, foi possível perceber uma forte presença de instituições nas redes de venezuelanos na região estudada, o que difere da forma como outras
    migrações se organizaram historicamente em Recife e Pernambuco. Entretanto, percebeu-se que a assistência institucional prestada aos
    venezuelanos é precária. Além disso, mediante o diálogo entre campo e teoria também ganhou destaque a presença dos conflitos nas redes, além da
    solidariedade e seu caráter transnacional. Dessa forma, foi possível refletir também sobre imobilidade e a grande securitização do movimento das
    pessoas.


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  • Esta tese discute as redes acessadas por venezuelanos que estão na Região
    Metropolitana do Recife. O objetivo geral desta tese é entender como são construídas e
    operadas as redes que influenciam na chegada e permanência de venezuelanos e venezuelanas em
    Recife e Região Metropolitana. Para alcançar este objetivo, foi necessário analisar quem são os
    venezuelanos que estão em Recife e região; identificar que redes são acessadas e construídas por
    essas pessoas, analisando como são formadas e que elementos as compõem; e debater
    epistemológica e metodologicamente a noção de rede, problematizando-a teoricamente e a partir
    dos usos e compreensões que os interlocutores têm sobre o termo rede. Em campo, foi possível
    perceber uma forte presença de instituições nas redes de venezuelanos na região estudada, o que
    difere da forma como outras migrações se organizaram historicamente em Recife e Pernambuco.
    Além disso, ao debatermos como que os próprios interlocutores utilizam o termo rede em campo,
    foi possível fazer aproximações com teorias sobre redes. Neste diálogo entre campo e teoria
    também ganhou destaque a presença dos conflitos nas redes, além da solidariedade e seu caráter
    transnacional.

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  • THIAGO SANTOS DA SILVA
  • Frevo: Tradição em Síncope

  • Orientador : ROBERTA BIVAR CARNEIRO CAMPOS
  • MEMBROS DA BANCA :
  • ANTONIO CARLOS MOTA DE LIMA
  • CLEONARDO GIL DE BARROS MAURICIO JUNIOR
  • HUGO MENEZES NETO
  • RITA DE CASSIA BARBOSA DE ARAUJO
  • ROBERTA BIVAR CARNEIRO CAMPOS
  • SILVERIO LEAL PESSOA
  • Data: 30/05/2025

  • Mostrar Resumo
  • A presente tese tem por objetivo compreender como a tradição do carnaval de Olinda é concebida para
    seus fazedores, especificamente em relação ao Frevo. Intendo analisar como o Frevo atua como uma
    estrutura de sentimento que ainda que as formas de expressão se modifiquem, ao longo do tempo, há um
    ethos que se manifesta de igual modo neste grupo. Busco compreender a ideia de tradição associada ao
    gênero e à festa, bem como analisar como esta é atualizada na prática. A partir de três dimensões
    cruciais para a existência do gênero - a saber música/músicos, dança/passistas e
    agremiações/carnavalescos -, pretende-se demonstrar a partir da maneira pela qual é ensinado,
    executado e realizada da festa em si (cortejo/desfile) como a ideia de tradição é materializada ou não,
    bem como quais são as estratégias práticas e discursivas que atuam na adequação do fazer carnaval nos
    dias de hoje. Os discursos sobre e o fazer carnaval estão calcados em dimensões que indicam não apenas
    o quanto se tem enraizada a festa, mas também a relação intrincadas entre valores morais e
    confirmações emocionais/disposições emotivas que são acionadas e garantidas uma vez que se faz a festa
    “como manda o figurino”, sendo esta relação o foco de análise do presente texto.


  • Mostrar Abstract
  • A presente tese tem por objetivo compreender como a tradição do carnaval de Olinda é concebida para
    seus fazedores, especificamente em relação ao Frevo. Intendo analisar como o Frevo atua como uma
    estrutura de sentimento que ainda que as formas de expressão se modifiquem, ao longo do tempo, há um
    ethos que se manifesta de igual modo neste grupo. Busco compreender a ideia de tradição associada ao
    gênero e à festa, bem como analisar como esta é atualizada na prática. A partir de três dimensões
    cruciais para a existência do gênero - a saber música/músicos, dança/passistas e
    agremiações/carnavalescos -, pretende-se demonstrar a partir da maneira pela qual é ensinado,
    executado e realizada da festa em si (cortejo/desfile) como a ideia de tradição é materializada ou não,
    bem como quais são as estratégias práticas e discursivas que atuam na adequação do fazer carnaval nos
    dias de hoje. Os discursos sobre e o fazer carnaval estão calcados em dimensões que indicam não apenas
    o quanto se tem enraizada a festa, mas também a relação intrincadas entre valores morais e
    confirmações emocionais/disposições emotivas que são acionadas e garantidas uma vez que se faz a festa
    “como manda o figurino”, sendo esta relação o foco de análise do presente texto.

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  • FLAVIA MARIA MARTINS VIEIRA
  • Trajetórias, cenas e rotinas: profissionais de Enfermagem e o trabalho cotidiano com
    vacinas e vacinação

  • Orientador : MARION TEODOSIO DE QUADROS
  • MEMBROS DA BANCA :
  • EDNALVA MACIEL NEVES
  • ANA CLAUDIA RODRIGUES DA SILVA
  • MARION TEODOSIO DE QUADROS
  • ROBERTO CORDOVILLE EFREM DE LIMA FILHO
  • ROSANA MARIA NASCIMENTO CASTRO SILVA
  • RUSSELL PARRY SCOTT
  • Data: 03/06/2025

  • Mostrar Resumo
  • No final do ano de 2019 passamos a experienciar uma situação de adoecimento coletivo, uma pandemia. Um vírus, denominado
    SARS-CoV-2, passou a infectar seres humanos e provocar a doença Covid-19. A magnitude e impacto global da pandemia veio acompanhada da
    preocupação de cientistas ao redor do mundo, entre elas/eles, antropólogas/os. Esta tese ganhou seus contornos em meio ao cenário pandêmico.
    Dentre uma série de questões que poderiam mobilizar uma pesquisa em período de crise sanitária, problematizo e reflito sobre o lugar particular
    ocupado por profissionais de saúde, mais especificamente profissionais da Enfermagem. Considero aqui as/os enfermeiras/os e técnicas/os de
    enfermagem que trabalham cotidianamente na organização, planejamento e execução das ações de saúde pública voltada às vacinas e à vacinação
    do calendário nacional e também contra a Covid-19. De modo a considerar a posição particular e crítica vivenciada pelas profissionais da
    Enfermagem, esta tese tem como objetivo compreender, antropologicamente, como se conformam os usos e sentidos atribuídos por essas
    profissionais às vacinas e à vacinação, levando ainda em consideração as novas implicações que o contexto pandêmico trouxe para a rotina
    dessas/es sujeitas/os. Para subsidiar a argumentação proposta na tese, faço uma recuperação histórica sobre as vacinas e a vacinação no Brasil e
    sobre a Enfermagem. Faço isso explorando ainda uma discussão sobre o trabalho do cuidado e também sobre a lente descritiva e analítica da
    interseccionalidade. A pesquisa foi realizada através de trabalho de campo etnográfico tendo como foco as rotinas e experiências de profissionais da
    Enfermagem que trabalham cotidianamente com vacinas e vacinação na cidade de Recife, Pernambuco. Profissionais com atuação tanto em
    cargos/funções de assistência e cuidado direto à população como em cargos/funções de gestão. Mulheres negras, enfermeiras e técnicas de
    enfermagem se tornaram as principais interlocutoras desta pesquisa e é a partir de suas trajetórias e de cenas e rotinas observadas em campo que
    compreendo os usos e sentidos atribuídos às vacinas e a vacinação.


  • Mostrar Abstract
  • Desde o final do ano de 2019 passamos a experienciar uma situação de adoecimento coletivo, uma
    pandemia. Um vírus, denominado SARS-CoV-2, passou a infectar seres humanos e provocar a doença
    Covid-19. A magnitude e impacto global desta pandemia veio acompanhada da preocupação de cientistas ao
    redor do mundo, entre eles, cientistas sociais. Ao longo do ano de 2020 e até os dias de hoje, nos beneficiamos
    com diversas publicações sobre o tema. Pudemos acessar análises ricas e inquietantes de diferentes estudiosos
    sobre as reverberações da pandemia na vida de grupos mais vulneráveis, na organização dos serviços de saúde,
    na (des)confiança sobre o fazer científico, nas desigualdades sociais agudizadas, no acesso a tratamentos e
    vacinação contra a doença, só para citar alguns temas.
    É justamente no fluxo desse empreendimento de cientistas sociais que esta tese ganha seus contornos.
    Dentre uma série de questões que poderiam mobilizar uma pesquisa nesse momento, problematizo e reflito
    sobre o lugar particular ocupado por profissionais de saúde, mais especificamente profissionais da
    enfermagem. Considero aqui as/os enfermeiras/os e técnicas/os de enfermagem que, durante a pandemia e no
    “pós-pandemia”, trabalharam/trabalham cotidianamente na organização, planejamento e execução das ações de
    saúde pública voltada às vacinas e à vacinação. De modo a considerar a posição particular e crítica vivenciada
    por essas profissionais de saúde na pandemia, tenho por objetivo compreender, antropologicamente, como se
    conformam os usos e sentidos atribuídos por elas/eles às vacinas e à vacinação, levando ainda em consideração
    as novas implicações que o contexto pandêmico trouxe para a rotina dessas/es sujeitas/os.

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  • DANIELLY AMORIM DE QUEIROZ
  • DO CUIDADO AO COMANDO:
    a trajetoria das mulheres do samba de coco de Arcoverde

  • Orientador : LADY SELMA FERREIRA ALBERNAZ
  • MEMBROS DA BANCA :
  • ANA CLAUDIA RODRIGUES DA SILVA
  • ANDERSON VICENTE DA SILVA
  • HUGO MENEZES NETO
  • LADY SELMA FERREIRA ALBERNAZ
  • LEONARDO LEAL ESTEVES
  • Data: 10/06/2025
    Ata de defesa assinada:

  • Mostrar Resumo
  • O objetivo deste trabalho é compreender as mudanças na organização do samba de coco de Arcoverde, a partir de uma análise que relaciona as
    trajetórias das mulheres e a manutenção da manifestação. Parte-se do pressuposto que as atividades femininas são bastante significativas, no
    entanto, as desigualdades de gênero contribuíram para obscurecer a sua atuação e valorização. A análise concentrou-se, inicialmente, nas trajetórias
    de Severina Lopes (Coco das Irmãs Lopes), Iran Calixto (Coco Raízes de Arcoverde) e Maria Gomes (Coco Trupé de Arcoverde) e desdobra-se em
    duas partes distintas, porém interconectadas. A primeira explora a atuação destas mulheres e as diferentes formas de realização do trabalho de
    cuidado. Sobretudo, a influência no desenvolvimento do samba de coco arcoverdense. Subsequentemente, a análise aprofunda-se na evolução do
    cuidado por elas realizado, demonstrando sua importância à sobrevivência e a coesão dos grupos. Assim, a construção metodológica concentrou-se
    na história da manifestação na cidade, a partir de sua organização. Destacando assim, as atividades realizadas por homens e mulheres, bem como as
    mudanças ao longo dos anos. Associado a isto, as apresentações do Coco Trupé de Arcoverde, Coco Raízes de Arcoverde e Samba de coco das
    Irmãs Lopes. Devido à pandemia em 2020, parte destas observações foram reconfiguradas. De modo que, os editais de fomento cultural tornaram-se
    uma esfera promissora para percepção da atuação dos grupos. Do ponto de vista teórico, a análise inter-relacionou autores que investigam o
    trabalho de cuidado e as possibilidades de agência. Ambas a partir de uma contextualização de gênero, que seguiu as conceituações de Joan Scott e
    Marilyn Strather. Além de Sherry Ortner, Helena Hirata, Nadya Guimarães e Annemarie Mol. Na sua relação com a cultura popular, José Jorge de
    Carvalho, Luciana Chianca, Leonardo Esteves enriqueceram os desdobramentos da discussão entre poder público e organização interna das
    manifestações populares. Sob essa perspectiva, a intrínseca relação entre o cuidado, a agência e a atuação feminina na reconfiguração dos grupos
    demonstrou a relevância e a essencialidade da participação das mulheres para a dinâmica e a continuidade do samba de coco em Arcoverde.

     


  • Mostrar Abstract
  • Este trabalho consiste em um estudo antropológico-histórico sobre a formação das elites, no Brasil do século XIX e a sua influência para a sociedade do País. Os oitocentos foi um período com significativas mudanças políticas e sociais para a colônia brasileira, por conta da vinda da família real e parte da Corte, em 1808. Por meio da análise da literatura que abordou diários dos viajantes europeus, cartas pessoais, jornais da época e coleções museológicas se procurou compreender como as elites recém-chegadas se estruturaram e ditavam aquela
    sociedade. Nessa tese evidenciamos o caso de duas famílias que tiveram ligação com a formação do Museu Mariano Procópio, que é nosso campo de estudo: os Ferreira Lage, de Minas Gerais e os Machado Coelho, do Rio de Janeiro. O Museu foi o primeiro criado em Minas Gerais, em 1915, por Alfredo Ferreira Lage para abrigar suas coleções e homenagear a memória do pai Mariano Procópio e aberto, definitivamente ao público, em 1921. No seu centenário, em 2021, conta com um acervo 53.000 objetos históricos, com características dos
    séculos XIX e início do XX e expõe, além do colecionismo de Alfredo, as coleções de um círculo de personalidades das elites, com temáticas ligadas à Família Real Brasileira; à história natural e artes plásticas de origem nacional e estrangeira; armas; indumentária; joias, moedas e medalhas; livros; mobiliário; peças sacras; cristais; louças e porcelanas. Pelas elites terem se consolidado em vários setores da sociedade, quer seja o político, administrativo, econômico ou cultural, formando grupos que se valeram de uma rede de sociabilidades que possibilitou a união das famílias, quer seja a partir de laços matrimoniais ou por interesses, a
    visibilidade de suas práticas reunidas em uma instituição iria garantir a manutenção simbólica das suas fortunas e posições de poder.

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  • GABRIELA PIMENTEL DE ARAUJO
  • POR TRÁS DOS PALCOS: A CULTURA POPULAR E O MERCADO DE EDITAIS EM PERNAMBUCO

  • Orientador : LADY SELMA FERREIRA ALBERNAZ
  • MEMBROS DA BANCA :
  • MARINA FRYDBERG
  • LADY SELMA FERREIRA ALBERNAZ
  • LAURE MARIE LOUISE CLEMENCE GARRABE
  • LEONARDO LEAL ESTEVES
  • MARIA ACSELRAD
  • Data: 30/06/2025

  • Mostrar Resumo
  • A cultura popular em Pernambuco se caracteriza por sua diversidade. Um cenário conhecido pela
    promoção de grandes eventos culturais, utilizando como mecanismo de seleção e contratação o modelo de
    convocatórias. Estas por sua vez, direcionadas aos grupos de cultura popular e artistas pernambucanos, são
    responsáveis por viabilizar a participação deles na grade da programação dos respectivos eventos. Através de
    um processo burocrático, a partir de uma lógica de mercado, os grupos de cultura popular, bem como os artistas
    pernambucanos recebem cachês pelas apresentações, de acordo com suas documentações legais que comprovam
    sua atuação e relevância artístico-cultural para a cena pernambucana, buscando fortalecer e proporcionar
    visibilidade para a produção cultural no Estado. Levando em consideração as experiências em campo, entrevistas
    e observação participante, por meio do fazer etnográfico como metodologia, este trabalho busca refletir a
    formação do grupo de palco com base na lógica de mercado, na qual os grupos de cultura popular ajustam seus
    brinquedos para apresentações específicas. Isto é, viabilizando pagamento de cachês dignos, buscando valorizar
    os brincantes enquanto profissionais da cultura que se sustentam a partir das apresentações artístico-culturais
    que realizam. Observando nos grupos investigados que as mudanças e adaptações pelas quais eles precisam
    passar no que diz respeito à organização burocrática, não modificam seu principal objetivo, difundir e valorizar
    a sua tradição, mas os ajudam nesse processo.


  • Mostrar Abstract
  • A cultura popular em Pernambuco se caracteriza por sua diversidade. Um cenário conhecido pela
    promoção de grandes eventos culturais, utilizando como mecanismo de seleção e contratação o modelo de
    convocatórias. Estas por sua vez, direcionadas aos grupos de cultura popular e artistas pernambucanos, são
    responsáveis por viabilizar a participação deles na grade da programação dos respectivos eventos. Através de
    um processo burocrático, a partir de uma lógica de mercado, os grupos de cultura popular, bem como os artistas
    pernambucanos recebem cachês pelas apresentações, de acordo com suas documentações legais que comprovam
    sua atuação e relevância artístico-cultural para a cena pernambucana, buscando fortalecer e proporcionar
    visibilidade para a produção cultural no Estado. Levando em consideração as experiências em campo, entrevistas
    e observação participante, por meio do fazer etnográfico como metodologia, este trabalho busca refletir a
    formação do grupo de palco com base na lógica de mercado, na qual os grupos de cultura popular ajustam seus
    brinquedos para apresentações específicas. Isto é, viabilizando pagamento de cachês dignos, buscando valorizar
    os brincantes enquanto profissionais da cultura que se sustentam a partir das apresentações artístico-culturais
    que realizam. Observando nos grupos investigados que as mudanças e adaptações pelas quais eles precisam
    passar no que diz respeito à organização burocrática, não modificam seu principal objetivo, difundir e valorizar
    a sua tradição, mas os ajudam nesse processo.

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  • PALLOMA CAVALCANTI REZENDE BRAGA
  • XAMANISMO SURUWAHA E O ESPIRITO DO VENENO. Uma interpretacao do suicidio, pos-morte e concepcoes de saude e Bem Viver. Amazonas, Brasil.

  • Orientador : RENATO AMRAM ATHIAS
  • MEMBROS DA BANCA :
  • RENATO AMRAM ATHIAS
  • FABIANA MAIZZA
  • RUSSELL PARRY SCOTT
  • BARBARA MAISONNAVE ARISI
  • JULY SALIMA CURE VALDIVIESO
  • Data: 18/07/2025
    Ata de defesa assinada:

  • Mostrar Resumo
  • Esta tese antropológica concede atenção ao universo dos Suruwaha, povo indígena isolado de recente contato habitante da região do Médio Purus na Amazônia brasileira, para investigar suas relações com a saúde, doença, suicídio e pós-morte, procurando refletir essas relações nos significados de termos do dialeto Arawa atribuídos por eles mesmos (os Suruwaha) e que designam aspectos conceituais da filosofia do Bem Viver do grupo. Assim aqui é evidenciado uma produção descolonial que visa a interpretação de ontologia ameríndia, atendendo as preocupações da perspectiva decolonial, que busca desconstruir a visão hegemônica ocidental sobre a saúde, sendo uma contribuição a mais no diálogo condizente para uma melhor adequação dos serviços oferecidos e geridos pelo Estado. Vem a apresentar uma contextualização histórica e política fundamental para entender as estruturas de poderenvolvidas no contexto do atendimento à saúde indígena e apresenta críticas aos modelos biomédicos hegemônicos e suas invisibilidades aos sistemas xamânicos tradicionais, questionando a eficácia de programas padronizados de saúde e destacando a necessidade de modelos que respeitem a diversidade étnica e cultural e as epistemologias indígenas. Ressaltando nas impressões de campo a importância da interculturalidade na saúde, os resultados apontados nesse estudo são de interesse do campo de estudo da Etnicidade e Antropologia da Saúde e no diálogo com as Ciências da Saúde Coletiva.


  • Mostrar Abstract
  • A tese procura debater em torno da compreensão dos indígenas isolados de recente contato, Suruwaha, acerca da saúde, corporalidade, suicídio e pós-morte a partir de conceitos que são atribuídos por eles mesmos (os Suruwaha) e que designam tais aspectos. Portanto, por intermédio da análise dos símbolos multivocais que reportam para os fenômenos do conjunto Suruwaha, e com base na análise Etnográfica e Etnológicas e do intercruzamento dos dados resultantes, interpretamos concepções do Bem Viver Suruwaha, analisando os termos nativos Jadawa, Giyzoboni, Iniwa, Zawa, e suas relações fenomenais no bojo do contexto intercultural da saúde indígena. A observação aqui trazida parte do pressuposto de uma Antropologia descolonial, inclusive, na forma de exercer entendimento, dispensando, a partir do amplo aspecto da tradução, o reducionismo dos termos ocidentais que são base de uma Antropologia epistemológica ultrapassada, contribuindo na produção do conhecimento acerca das ontologias ameríndias, bem como, para o campo da Antropologia da Saúde, necessário no diálogo condizente de uma melhor adequação dos serviços oferecidos e geridos pelo Estado.

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  • JULIANA GONCALVES FREIRE
  • A arte de rua nas romaria: tramar, tecer e performar o extraordinario nos palcos em Juazeiro do Norte

  • Orientador : LAURE MARIE LOUISE CLEMENCE GARRABE
  • MEMBROS DA BANCA :
  • ANA CLAUDIA RODRIGUES DA SILVA
  • GILBERTO ICLE
  • LAURE MARIE LOUISE CLEMENCE GARRABE
  • MISIA LINS VIEIRA REESINK
  • WAGNER NEVES DINIZ CHAVES
  • Data: 08/09/2025
    Ata de defesa assinada:

  • Mostrar Resumo
  • Esta tese tem por objetivo uma contribuição para a antropologia da romaria de Juazeiro do Norte - CE a partir das interações entre artistas de ruas e romeiros nas ruas da cidade. A pesquisa de campo, desenvolvida entre 2016 e 2018, baseia-se em metodologia qualitativa com observação participante e entrevistas semiestruturadas, em constante diálogo com metodologias da antropologia e dos estudos da performance, para analisar a formação dos palcos de rua que apontam para o que podemos qualificar como uma dinâmica romeira caracterizada pela fricção entre fé e arte. Após situar a presente etnografia no campo e na literatura, enaltecendo mudanças e permanências do ritual, descrevo a formação de um drama romeiro se localizando não mais nos rituais da romaria, nem nos espetáculos dos artistas de rua, mas nas interações entre eles e os romeiros, na rua. Para isso analiso as diferentes naturezas de performances à luz da análise de « frames » e das perspectivas turnerianas do drama social e estético, até identificar formações de liminaridades e communitas marcadas por um certo realismo-mágico que reverte o balanço esperado entre extraordinário e o cotidiano. As fricções e mise en abyme provocadas pelos diversos rituais e experiências dos romeiros e artistas de rua borram constantemente seus respectivos papéis de atores sociais, performers e públicos nas ruas juazeirenses em estado de romaria. O cenário dessas ruas acaba em produzir um verdadeiro palco, onde se tecem tramas transformando a romaria em um evento cosmopolítico, no qual a cosmologia romeira é descentrada e irrompida pelos diálogos entre diferentes vozes, universos simbólicos e sociopolíticos, que no encontro de suas estruturas sociais e de experiências, se tornam protagonistas de um outro evento, « não tão religioso », « não tanto artístico assim », mas a arena daqueles que se reconhecem como uma expressão particular daquilo que constitui o ponto de convergência de todos.


  • Mostrar Abstract
  • Esta tese tem por objetivo uma contribuição para a antropologia da romaria de Juazeiro do Norte - CE a partir das interações entre artistas de ruas e romeiros nas ruas da cidade. A pesquisa de campo, desenvolvida entre 2016 e 2018, baseia-se em metodologia qualitativa com observação participante e entrevistas semiestruturadas, em constante diálogo com metodologias da antropologia e dos estudos da performance, para analisar a formação dos palcos de rua que apontam para o que podemos qualificar como uma dinâmica romeira caracterizada pela fricção entre fé e arte. Após situar a presente etnografia no campo e na literatura, enaltecendo mudanças e permanências do ritual, descrevo a formação de um drama romeiro se localizando não mais nos rituais da romaria, nem nos espetáculos dos artistas de rua, mas nas interações entre eles e os romeiros, na rua. Para isso analiso as diferentes naturezas de performances à luz da análise de « frames » e das perspectivas turnerianas do drama social e estético, até identificar formações de liminaridades e communitas marcadas por um certo realismo-mágico que reverte o balanço esperado entre extraordinário e o cotidiano. As fricções e mise en abyme provocadas pelos diversos rituais e experiências dos romeiros e artistas de rua borram constantemente seus respectivos papéis de atores sociais, performers e públicos nas ruas juazeirenses em estado de romaria. O cenário dessas ruas acaba em produzir um verdadeiro palco, onde se tecem tramas transformando a romaria em um evento cosmopolítico, no qual a cosmologia romeira é descentrada e irrompida pelos diálogos entre diferentes vozes, universos simbólicos e sociopolíticos, que no encontro de suas estruturas sociais e de experiências, se tornam protagonistas de um outro evento, « não tão religioso », « não tanto artístico assim », mas a arena daqueles que se reconhecem como uma expressão particular daquilo que constitui o ponto de convergência de todos.

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  • MARISA CRISTINA RODRIGUES
  • Capoeiras da Barreira do Rosario e as existencias em ginga - do Ceu de Baccaro ao Alto da Se

  • Orientador : ANA CLAUDIA RODRIGUES DA SILVA
  • MEMBROS DA BANCA :
  • ANA CLAUDIA RODRIGUES DA SILVA
  • FRANCISCO SA BARRETO DOS SANTOS
  • GABRIELA SANTOS CAVALCANTE SANTANA
  • GILSON JOSE RODRIGUES JUNIOR
  • HUGO MENEZES NETO
  • Data: 09/09/2025

  • Mostrar Resumo
  • Entre o final da década de 1970 e começo de 1980, um grupo de crianças e jovens assumiu o protagonismo da retomada da capoeira na
    Barreira do Rosário, comunidade periférica do Sítio Histórico, na cidade de Olinda, em Pernambuco. A manifestação ancestral e
    afrodiaspórica, historicamente reprimida e criminalizada, foi reavivada neste território por meio das práticas, apresentações públicas e
    formação de rodas em locais que hoje se constituem em lugares de memória da capoeira: como Mercado da Ribeira, Alto da Sé e Mercado
    Eufrásio Barbosa. Esse movimento fez com que da Barreira do Rosário emergisse um número expressivo de mestres, mestras, professores e
    praticantes que perseveraram na manutenção e salvaguarda da manifestação até a atualidade. Apesar disso, os detentores que se
    originaram nessa matriz, consideram que suas trajetórias, seus protagonismos e as dinâmicas desenvolvidas na Barreira do Rosário foram
    negligenciadas ou subalternizadas na produção de conhecimento institucional e acadêmico sobre a capoeira pernambucana. Isto se deve,
    segundo suas perspectivas, porque o grupo se manteve distante das relações hegemônicas voltadas aos processos de ordenação da prática,
    que normatizaram a manifestação nos moldes de “esporte nacional”. Os capoeiras da Barreira, que assumiram a alcunha de maloqueiros
    da Barreira, como eram chamados pelos pares que não partilhavam de suas vivências comunitárias, buscam ativamente romper com essa
    invisibilidade e exaltar a potência tanto do lugar, como das pessoas produzindo novos reconhecimentos acerca da manifestação. A feição
    deste estudo começou a ser forjada em 2019, no contexto da complementação do Dossiê de Registro da Capoeira de Pernambuco, momento
    em que pesquisadora e mestres passaram a estabelecer contato para a realização de projetos não acadêmicos e acadêmicos, que versam
    sobre essas trajetórias. Os arranjos e resultados dessas ações foram a base para a constituição do corpo de dados desta tese, por isso a
    compreendemos como uma pesquisa interlocutiva/colaborativa. O estudo visa explicitar, a partir das sabedorias dos mestres, do
    conhecimento antropológico, de epistemologias, autoras e autores decoloniais e afrodiaspóricos, os dispositivos empregados pelas
    colonialidades do saber, ser e do poder, que impactaram nessas trajetórias de vida e suas consequentes invisibilizações, ao mesmo tempo que
    investe na análise das estratégias e táticas desses colaboradores, para Identificar-Interrogar-Interromper a colonialidade, por meio de suas
    existências em ginga.

     


  • Mostrar Abstract
  • Entre o final da década de 1970 e começo de 1980, um grupo de crianças e jovens assumiu o protagonismo da retomada da capoeira na
    Barreira do Rosário, comunidade periférica do Sítio Histórico, na cidade de Olinda, em Pernambuco. A manifestação ancestral e
    afrodiaspórica, historicamente reprimida e criminalizada, foi reavivada neste território por meio das práticas, apresentações públicas e
    formação de rodas em locais que hoje se constituem como lugares de memória da capoeira: como Mercado da Ribeira, Alto da Sé e
    Mercado Eufrásio Barbosa. Esse movimento fez com que da Barreira do Rosário emergisse um número expressivo de mestres, mestras,
    professores e praticantes que perseveraram na manutenção e salvaguarda da manifestação até a atualidade. Apesar disso, os detentores
    que se originaram nessa matriz da Barreira, consideram que suas trajetórias, seus protagonismos e as dinâmicas desenvolvidas na Barreira
    do Rosário foram negligenciadas ou subalternizadas na produção de conhecimento institucional e acadêmico sobre a capoeira
    pernambucana. Isto se deve, segundo suas perspectivas, porque o grupo se manteve distante das relações hegemônicas voltadas aos
    processos de ordenação da prática, que normatizaram a manifestação nos moldes de “esporte nacional”. Os capoeiras da Barreira, que
    assumiram a alcunha de maloqueiros da Barreira, como eram chamados pelos pares que não partilhavam de suas vivências comunitárias,
    buscam ativamente romper com essa invisibilidade e exaltar a potência tanto do lugar, como das pessoas produzindo novos
    reconhecimentos acerca da manifestação. A feição deste estudo começou a ser forjada em 2019, no contexto da complementação do Dossiê
    de Registro da Capoeira de Pernambuco, momento em que pesquisadora e mestres passaram a estabelecer contato para a realização de
    projetos não acadêmicos e acadêmicos, que versam sobre essas trajetórias. Os arranjos e resultados dessas ações foram a base para a
    constituição do corpo de dados desta tese, por isso a compreendemos como uma pesquisa colaborativa. O estudo visa explicitar, a partir da
    teoria antropológica, de epistemologias, autoras e autores decoloniais e afrodiaspóricos, os dispositivos empregados pelas colonialidades do
    saber, do ser e do poder, que impactaram nessas trajetórias de vida e suas consequentes invisibilizações, ao mesmo tempo que investe na
    análise das estratégias e táticas desses colaboradores, para Identificar-Interrogar-Interromper a colonialidade, por meio de suas existências
    em ginga.

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  • NARA NEVES PIRES GALVÃO
  • ETNOGRAFIA DA DIFERENÇA: GÊNERO E MORALIDADE EM LA BÊTE, QUEERMUSEU E NA COLEÇÃO DO MUSEU
    D`ORSAY.

  • Orientador : ANTONIO CARLOS MOTA DE LIMA
  • MEMBROS DA BANCA :
  • ANTONIO CARLOS MOTA DE LIMA
  • ISABELA ANDRADE DE LIMA MORAIS
  • KATIA MEDEIROS DE ARAUJO
  • LUCIANA MENEZES DE CARVALHO
  • MISIA LINS VIEIRA REESINK
  • VÂNIA FIALHO
  • Data: 29/09/2025
    Ata de defesa assinada:

  • Mostrar Resumo
  • Em torno da etnografia de duas exposições brasileiras, La Bête e Queermuseu, alvos de censuras e
    críticas no Brasil, percebemos os enfrentamentos e conflitos morais de uma sociedade que não consegue se
    aperceber do diferente, e que ainda enxerga o nu e as temáticas LGBT, questões de gênero e da diversidade
    sexual como uma afronta moral, sobretudo quando incorporam em suas concepções curatoriais obras que ferem
    as crenças das pessoas a partir de símbolos religiosos. E se a performance La Bête fosse realizada por uma artista
    mulher, será que o nu feminino haveria desencadeado o mesmo estranhamento e polêmicas? Será que é realmente
    o nu a centralidade das questões que estas exposições podem suscitar? No mesmo período em que ocorrem essas
    censuras no Brasil, o Museu D`Orsay lança uma campanha convidando os pais a levarem os seus filhos a verem
    o nu no museu. O que muda no contexto francês? Como a cultura é experimentada no campo das artes? Sendo
    a arte política, e passando o Brasil por um momento de “turbulências” em seu contexto político, de que maneira
    esses afrontamentos morais e essa “espetacularização” da moralidade a partir de uma exposição podem nos trazer
    de reflexões? Esta tese busca responder como a política molda a moralidade a partir de diferentes contextos
    culturais.


  • Mostrar Abstract
  • Em torno da etnografia de duas exposições brasileiras, La Bête e Queermuseu, alvos de censuras e
    críticas no Brasil, percebemos os enfrentamentos e conflitos morais de uma sociedade que não consegue se
    aperceber do diferente, e que ainda enxerga o nu e as temáticas LGBT, questões de gênero e da diversidade
    sexual como uma afronta moral, sobretudo quando incorporam em suas concepções curatoriais obras que ferem
    as crenças das pessoas a partir de símbolos religiosos. E se a performance La Bête fosse realizada por uma artista
    mulher, será que o nu feminino haveria desencadeado o mesmo estranhamento e polêmicas? Será que é realmente
    o nu a centralidade das questões que estas exposições podem suscitar? No mesmo período em que ocorrem essas
    censuras no Brasil, o Museu D`Orsay lança uma campanha convidando os pais a levarem os seus filhos a verem
    o nu no museu. O que muda no contexto francês? Como a cultura é experimentada no campo das artes? Sendo
    a arte política, e passando o Brasil por um momento de “turbulências” em seu contexto político, de que maneira
    esses afrontamentos morais e essa “espetacularização” da moralidade a partir de uma exposição podem nos trazer
    de reflexões? Esta tese busca responder como a política molda a moralidade a partir de diferentes contextos
    culturais.

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  • SUÊNIA CLAUDIANA DO NASCIMENTO PINTO
  • POLÍTICA DO CUIDADO: BIOATIVISMO, CIDADANIA TERAPÊUTICA E MATERNIDADE ATÍPICA EM RECIFE/PE

  • Orientador : ANA CLAUDIA RODRIGUES DA SILVA
  • MEMBROS DA BANCA :
  • JULIANA MONTEIRO GONDIM
  • ANA CLAUDIA RODRIGUES DA SILVA
  • FABIANA MAIZZA
  • ISABEL DE ROSE
  • MARION TEODOSIO DE QUADROS
  • Data: 29/09/2025

  • Mostrar Resumo
  • A presente tese propõe uma análise do ativismo materno em torno da cannabis medicinal em Recife/PE a partir
    de diferentes cenas etnográficas que envolvem serviços públicos de saúde, mobilizações políticas e atividades
    formativas. Por meio das contribuições teóricas de Annemarie Mol, Steven Epstein, Stengers, Nguyen, Valle,
    Castro, Lugones e Mohanty, entre outras/os autoras/es, a pesquisa busca demonstrar como mães ativistas
    mobilizam conhecimentos, saberes e redes de solidariedade na busca por direitos coletivos no campo da saúde.
    A partir da abordagem praxiográfica e dos conceitos de cidadania terapêutica, bioativismo, ativismo biossocial,
    expertise leiga, entre outros aportes teóricos, o estudo buscou compreender como a atuação de tais sujeitos têm
    agenciado transformações no sistema médico-científico e jurídico-legal, ensejando reflexões relativas às
    práticas de saúde e cuidado além dos parâmetros biomédicos hegemônicos. Nessa perspectiva, as cenas
    etnográficas revelam que as mães ativistas mobilizam novas formas de legitimidade epistêmica e política,
    instituindo novas formas de cidadania e ativismo que colocam a experiência do cuidado como fundamento
    legítimo da prática política. Ao reivindicar o direito à saúde, elas reconfiguram as fronteiras entre público e
    privado e entre saber oficial e experiencial. Trata-se de uma forma de ativismo que transforma a experiência
    cotidiana em argumento e conhecimento, onde a maternidade é reconfigurada como campo de resistência.
    Assim, o ativismo materno em torno da cannabis medicinal evidencia mudanças nos modos de produzir
    conhecimento, fazer política e nas formas de tratamento de saúde e de cuidado. Ao transformar a dor e o
    sofrimento em ação política, tais ativistas ao mobilizarem saberes biomédicos e experienciais, deslocam as
    fronteiras entre ciência e experiência, evidenciando outras formas de conhecimento, instituindo com isso, uma
    base legítima para o reconhecimento e a reivindicação de direitos no campo da saúde.

     


  • Mostrar Abstract
  • O presente estudo busca investigar a agência e trejetória de mães, familiares e pacientes ativistas em
    torno da luta pelo direito ao uso medicinal da cannabis como itinerário terapêutico na Região Metropolitana do
    Recife. A partir de análises teóricas de gênero (Lugones, Strathern e Moore) atreladas aos estudos no campo da
    antropologia da saúde (Laplantine, Langdon, Loyola), teoria da prática (Ortner), estudos sobre ciência
    (Sterngers, Mol, Epstein), pesquisas antropológicas e interdisciplinares sobre cannabis (Velho, MacRae, Saad),
    busca-se compreender como a atuação de tais sujeitos, ao produzir saberes e conhecimentos a partir de tal
    itinerário terapêutico, agenciam transformações no sistema médico-científico e jurídico-legal, ensejando
    reflexões relativas às práticas de saúde e cuidado fora dos modelos e parâmetros biomédicos hegemônicos
    estabelecidos.

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  • MAIRA SOUZA E SILVA ACIOLI
  • Contribuições paralelas da antropologia e da fotografia – um mergulho no acervo imagético do Programa Ecológico e Cultural do
    Complexo Industrial e Portuário de Suape (PECCIPS)

     

  • Orientador : ANTONIO CARLOS MOTA DE LIMA
  • MEMBROS DA BANCA :
  • ALEX GIULIANO VAILATI
  • ANTONIO CARLOS MOTA DE LIMA
  • CIBELE BARBOSA DA SILVA ANDRADE
  • HUGO MENEZES NETO
  • PEDRO CASTELO BRANCO SILVEIRA
  • PEDRO LOUREIRO SEVERIEN
  • Data: 30/09/2025

  • Mostrar Resumo
  • A presente tese tem como objetivo central descrever etnograficamente e analisar o acervo fotográfico do Programa Ecológico e Cultural do
    Complexo Industrial e Portuário de Suape (PECCIPS), um programa de pesquisa e intervenção desenvolvido na região de Suape nos anos de 1976
    a 1979. O PECCIPS foi realizado logo antes do início das obras para a instalação do Complexo Industrial e Portuário de Suape (CIPS), e além dos
    estudos nas áreas da antropologia, urbanismo, biologia e outros, conta com um vasto acervo fotográfico, de mais de 7 mil fotografias, abrigado
    atualmente na Fundação Joaquim Nabuco e na biblioteca Agência Condepe/Fidem. Nenhum desses dois conjuntos foi, até hoje, objeto de
    pesquisas mais aprofundadas. Uma questão fundamental que permeia este trabalho é sobre o conhecimento gerado pelo contato com as
    imagens: o que aprendemos sobre Suape e a instalação do CIPS ao mobilizar essas imagens? A partir disto, procuro discutir as aproximações entre
    os campos da fotografia e da antropologia. Esta pesquisa encontra-se vinculada às atividades do Laboratório de Antropologia Visual do PPGA, que
    vem desenvolvendo ações de restituição deste e de outros acervos sobre a região de Suape desde 2022. O contato da população com estas
    imagens e os agenciamentos gerados a partir de então são também objeto de reflexão nesta tese. Dessa forma, o que se pretende com esse
    trabalho é recontar uma parte da história do CIPS, contribuindo com novos pontos de vista.

     


  • Mostrar Abstract
  • A presente tese tem por objetivo realizar a descrição etnográfica e a análise do acervo imagético do PECCIPS
    (Programa Ecológico e Cultural do Complexo Industrial e Portuário de Suape), um programa de estudos e
    intervenção desenvolvido na região de Suape nos anos de 1976 a 1979, antes do início das obras para a
    instalação do Complexo Industrial e Portuário de Suape (CIPS). Seu propósito era identificar formas de reduzir os
    impactos negativos que vinham sendo debatidos pela opinião pública. Além dos documentos escritos, o
    PECCIPS conta com um vasto acervo fotográfico, de mais de 7 mil fotografias, abrigado atualmente na Fundação
    Joaquim Nabuco e na biblioteca Agência CONDEPE/FIDEM. Uma questão fundamental que permeia este trabalho é
    sobre o conhecimento gerado pelo contato com as imagens: o que aprendemos com a observação deste arquivo? A
    partir disto, tem-se discutido temas como modelos de desenvolvimento, infraestrutura, populações atingidas, bens
    culturais, curadoria, produção audiovisual encomendada, entre outros. Esta pesquisa encontra-se vinculada às
    atividades do Laboratório de Antropologia Visual do PPGA, que vem desenvolvendo ações de restituição deste e de
    outros acervos sobre a região de Suape desde 2022. O contato da população com estas imagens e os agenciamentos
    gerados a partir de então são também objeto de reflexão nesta tese.

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  • YURI ROSA NEVES
  • Mangueio, macramê e outros poderes da malucada de estrada: Etnografia e horizontes de vida entre malucas e malucos de BR

  • Orientador : ALEX GIULIANO VAILATI
  • MEMBROS DA BANCA :
  • ANTHONY D'ANDREA
  • LEON FREDERICO KAMINSKI
  • ALEX GIULIANO VAILATI
  • FRANCISCO SA BARRETO DOS SANTOS
  • HUGO MENEZES NETO
  • Data: 15/10/2025
    Ata de defesa assinada:

  • Mostrar Resumo
  • Esta tese investiga o horizonte de vida da “malucada de estrada” a partir de etnografias na vila de São Jorge e em trajetos na
    estrada, privilegiando registros sensíveis, a atenção ao inesperado e às práticas ordinárias. Popularmente conhecidos por hippies artesão de
    rua, o escrito investiga como práticas centrais — especialmente o mangueio (abordagem ativa na venda) e o trabalho artesanal —
    funcionam como pontos de mediação entre ordens de valor, produzindo conversões de sentido que escapam às leituras economicistas
    convencionais. Analisa também a ambivalências de práticas e contextos que servem como “eixos” de crítica e, ao mesmo tempo, permitem
    pensar como a malucada se “encaixa” na “sociedade”, garantindo então a sua resiliência histórica enquanto fenômeno social.
    Metodologicamente, a tese defende uma etnografia que valoriza a sensibilidade material, os afetos locais e a surpresa como fontes
    epistemológicas para compreender como vidas alternativas se efetivam. Por fim, o trabalho argumenta que a malucada, ao tensionar as
    imagens hegemônicas de sociedade e as ficções do mercado — e ao reconfigurar a “magia” do valor — oferece uma perspectiva
    privilegiada para repensar valor, comunidade e modos possíveis de vida.

     


  • Mostrar Abstract
  • Esta tese investiga o horizonte de vida da “malucada de estrada” a partir de etnografias na vila de São Jorge e em trajetos na
    estrada, privilegiando registros sensíveis, a atenção ao inesperado e às práticas ordinárias. Popularmente conhecidos por hippies artesão de
    rua, o escrito investiga como práticas centrais — especialmente o mangueio (abordagem ativa na venda) e o trabalho artesanal —
    funcionam como pontos de mediação entre ordens de valor, produzindo conversões de sentido que escapam às leituras economicistas
    convencionais. Analisa também a ambivalências de práticas e contextos que servem como “eixos” de crítica e, ao mesmo tempo, permitem
    pensar como a malucada se “encaixa” na “sociedade”, garantindo então a sua resiliência histórica enquanto fenômeno social.
    Metodologicamente, a tese defende uma etnografia que valoriza a sensibilidade material, os afetos locais e a surpresa como fontes
    epistemológicas para compreender como vidas alternativas se efetivam. Por fim, o trabalho argumenta que a malucada, ao tensionar as
    imagens hegemônicas de sociedade e as ficções do mercado — e ao reconfigurar a “magia” do valor — oferece uma perspectiva
    privilegiada para repensar valor, comunidade e modos possíveis de vida.

     

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  • ALFREDO NAVA SANCHEZ
  • Tylor, Boas e Malinowski no México: exercícios de distância na conformação histórica do conhecimento antropológico

  • Orientador : LAURE MARIE LOUISE CLEMENCE GARRABE
  • MEMBROS DA BANCA :
  • LAURE MARIE LOUISE CLEMENCE GARRABE
  • RUSSELL PARRY SCOTT
  • FÉLIX ALEJANDRO LERMA RODRÍGUEZ
  • AÄRON MOSZOWSKI VAN LOON
  • GUILHERME BIANCHI MOREIRA
  • Data: 31/10/2025
    Ata de defesa assinada:

  • Mostrar Resumo
  • Esta tese investiga como procedimentos de observação, coleta, comparação, classificação
    e escrita, mobilizados nas passagens de Edward B. Tylor, Franz Boas e Bronislaw
    Malinowski pelo México, contribuíram para a configuração histórica da antropologia
    como campo de ordenação social e produção da diferença. O objetivo consistiu em
    reconstituir operações e mediações que converteram registros em evidências e estas em
    narrativas públicas, observando seus efeitos na legitimação de diagnósticos sobre
    “passado”, “indígena” e “nação”. A pesquisa baseou-se em análise documental e
    bibliográfica, considerando textos de viagem e de teoria, relatórios, programas de ensino
    e arranjos institucionais. O estudo evidencia a coprodução entre pesquisa e Estado, visto
    que padrões metodológicos e currículos se consolidaram ao lado de resistências
    nacionalistas e disputas burocráticas. Mostra que Tylor articulou itinerários, arquivos e
    contrastes sociais em repertórios comparativos; que Boas estruturou uma experiência
    escolar e museológica de alcance público, eficaz e tensionada; e que Malinowski tomou
    os mercados de Oaxaca como observatório da mudança, deslocando o foco do “resgate”
    para processos históricos. Conclui-se que a disciplina não se explica apenas por ideias ou
    “escolas”, mas por operações e infraestruturas locais que tornaram comparável o diverso,
    fazendo do México um ambiente ativo de condensação entre densidade histórica, redes
    institucionais e usos públicos do passado, sem reduzir o argumento à centralidade do
    cenário. Como contribuição, a tese oferece uma cartografia de procedimentos que permite
    repensar a história da antropologia para além de teleologias e cronologias lineares,
    esclarecendo alcances, ambivalências e custos sociais das soluções adotadas.

     

     


  • Mostrar Abstract
  • A pesquisa que se apresenta analisa a formação da antropologia como disciplina a partir das trajetórias de Edward B. Tylor, Franz Boas e Bronislaw Malinowski no México. Investiga como suas obras ajudaram a configurar uma epistemologia antropológica marcada pela materialidade, visualidade e distância social, especialmente na racialização dos indígenas e na construção da identidade nacional mexicana.

    Rejeitando uma visão linear e evolucionista da história da antropologia, o estudo propõe explorar as práticas concretas desses antropólogos e suas interações com o contexto político e social do México no final do século XIX e início do XX. Argumenta-se que a materialidade dos objetos e a visualidade das imagens moldaram o conhecimento antropológico, vinculando-o a classificações sociais e práticas de poder. A pesquisa também questiona a marginalização da América Latina na historiografia antropológica tradicional, que frequentemente trata a região como campo passivo de estudo, excluindo suas contribuições teóricas e científicas.

    Além disso, são analisadas práticas de representação institucionalizadas, como museus e monumentos, que consolidaram uma identidade nacional mexicana ao mesmo tempo que objetificavam e excluíam populações indígenas. Essas formas de representação foram incorporadas às políticas estatais e às práticas acadêmicas, reforçando uma narrativa nacional marcada pela exploração visual e simbólica dos povos originários.

    Metodologicamente, o trabalho adota uma análise interdisciplinar inspirada em pensadores como Pierre Bourdieu, Bruno Latour e James Clifford para investigar como instituições, objetos e práticas consolidaram uma visão antropológica específica. Elementos como exposições de museus, registros arqueológicos e textos antropológicos são interpretados como dispositivos de poder e controle, sendo vistos não apenas como vestígios do passado, mas também como ferramentas de produção de conhecimento e legitimação de narrativas políticas.
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  • WALTER WAGNER DE ANDRADE PEREIRA
  • O Funcultura Audiovisual: uma análise etnográfica da infraestrutura de produção

  • Orientador : ALEX GIULIANO VAILATI
  • MEMBROS DA BANCA :
  • ALEX GIULIANO VAILATI
  • ALOIZIO LIMA BARBOSA
  • AMANDA MANSUR CUSTODIO NOGUEIRA
  • FRANCISCO SA BARRETO DOS SANTOS
  • PEDRO LOUREIRO SEVERIEN
  • RENATO AMRAM ATHIAS
  • Data: 10/12/2025

  • Mostrar Resumo
  • A pesquisa investiga a infraestrutura de produção audiovisual em Pernambuco a partir do Funcultura
    Audiovisual, um edital público (Lei de Incentivo à Cultura), e o acesso à linha de incentivo à produção cinematográfica
    de curtas documentais. A tese parte da conceituação de Brian Larkin (2013) sobre as infraestruturas como “construções
    de redes que facilitam a circulação de bens, pessoas ou ideias e permitem suas trocas com o espaço” (2013, p. 328). Elas
    não são apenas algumas ferramentas tecnológicas; são mais que isso. Elas envolvem redes sociais estabelecidas entre
    humanos e não humanos, criando uma circulação de saberes. O objetivo é avaliar desde o processo com o edital, a
    burocracia estatal até a concretização do produto final, ou seja, os filmes produzidos; investigando como a dimensão
    imagética está diretamente interligada a um conjunto técnico, tecnológico e burocrático, com o qual os atores humanos
    interagem. O campo da pesquisa é o “cinema pernambucano”. O Funcultura Audiovisual é parte importante da
    infraestrutura de produção local, mas ele possui seus limites financeiros, de abrangência e de concepção, que
    frequentemente são revistos em prol das correções de deturpações. Apresentamos ainda como parte fundamental da
    pesquisa um curta-metragem documental, intitulado “O Programador”, sobre a trajetória do programador do Cinema São
    Luiz e Teatro do Parque Geraldo Pinho. Por meio do filme e dos relatos etnográficos, analisamos as diversas etapas de
    realização de um filme por meio do edital do Funcultura Audiovisual.

     


  • Mostrar Abstract
  • A pesquisa investiga a infraestrutura de produção audiovisual em Pernambuco, a partir do Funcultura Audiovisual um edital
    público (lei de incentivo à cultura) e o acesso à linha de incentivo à produção cinematográfica de curtas documentais. A tese parte da
    conceituação de Brian Larkin (2013) sobre as infraestruturas, como “construções de redes que facilitam a circulação de bens, pessoas
    ou ideias e permitem suas trocas com o espaço” (2013, p. 328). Ela não é apenas uma ou algumas ferramentas tecnológicas, são mais que
    isso, elas envolvem redes sociais estabelecidas entre humanos e não humanos, circulação de saberes etc. O objetivo é avaliar desde o
    processo com o edital, a burocracia estatal até a concretização do produto final, ou seja, dos filmes produzidos; investigando como a
    dimensão imagética está diretamente interligada a um conjunto técnico, tecnológico e burocrático, com o qual os atores humanos
    interagem. O campo da pesquisa é o “cinema pernambucano”. O Funcultura Audiovisual é parte importante da infraestrutura de
    produção local, mas ele possui seus limites financeiros, de abrangência e de concepção, que frequentemente são revistos em prol das
    correções de deturpações. Por fim, o projeto apresenta uma etapa etnográfica, descrevendo o processo de realização de um curta
    documental por meio desse mesmo edital.

     

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  • JULIANA FREITAS FERREIRA LIMA
  • NO RASTRO DO PITITI - Paisagem cultural, objetos de arte e fruições caatingueiras na Serra do Catimbau

  • Orientador : RENATO AMRAM ATHIAS
  • MEMBROS DA BANCA :
  • ALEX GIULIANO VAILATI
  • FABIANA MAIZZA
  • RENATO AMRAM ATHIAS
  • ANDRE LUIS CAMPANHA DEMARCHI
  • RAONI BERNARDO MARANHÃO VALLE
  • Data: 19/12/2025

  • Mostrar Resumo
  • “O significado de Catimbau é cachimbo de caboclo, prática de feitiçaria e terra dos índios e caboclos”. Com este discurso do significado, muitos guias de turismo introduzem suas narrativas aos visitantes e desta forma vinculam a extensa região do Catimbau aos antepassados indígenas. Catimbau dá nome ao riacho que entrecruza dois territórios – delimitados juridicamente como terra indígena e parque nacional –, além de ser uma serra conjugando os demais relevos da extensa região de transição entre o agreste e sertão pernambucano. A investigação proposta se insere na complexa paisagem cultural da Serra do Catimbau dispondo seus elementos naturais como testemunhos dos contatos interétnicos, os quais moldaram e continuam a moldar uma cosmovisão distintiva. É neste território que a etnografia efetua imersões identificando atributos do pensamento caatingueiro e das fruições com atores sociais conectados ao patrimônio cultural e arqueológico. Esta tese se empenha na contextualização socioambiental atravessada por expressões visuais do passado pré-colonial, reconhecendo-as como agentes para agrupamentos sociais contemporâneos. A etnografia revela como as narrativas caatingueiras manifestam modos de ler o mundo, ativando a escuta e inferindo a relação corpo-ambiente para a compreensão e apresentação de objetos de arte no Catimbau, em especial do povo Kapinawá. Ademais, submeto uma discussão sobre tomada de posição, resistência e memória, como noções que implicam diretamente em processos étnicos, território e ancestralidade. Tanto a antropologia quanto a arte têm cada vez mais evocado seu caráter reflexivo debruçando-se na compreensão das sociedades por meio das expressões artístico-culturais. Nesta tese, investigamos as manifestações visuais na Serra do Catimbau a partir de uma etnografia do caminhar, uma abordagem para discussão e projeção da arte centrada no conhecimento caatingueiro. O foco está no contexto socioambiental e suas cosmopolíticas, na arte rupestre e objetos de arte, tendo as fruições contemporâneas como ponto de partida. A Serra do Catimbau é um complexo paisagístico de grande relevância, não apenas por suas qualidades cênicas, mas por seu revelador patrimônio arqueológico e por agregar inspiradora sociobiodiversidade. As cosmovisões expressas neste cenário do bioma caatinga são alicerçadas por laços histórico-culturais com testemunhos indígenas e dos fatores migratórios de distintos grupos sociais. Apresentamos um acervo distintivo, dos registros rupestres às expressões da atualidade, uma compreensão do patrimônio em sua qualidade integral, onde a questão ambiental e as relações socioculturais se destacam com a presença indígena com a qual a apropriação do patrimônio expressa-se pertinente às demandas e emergências contemporâneas.


  • Mostrar Abstract
  • O campo da antropologia tem cada vez mais reconhecido a importância das artes não-ocidentais para a compreensão das diversas
    sociedades. Nesse contexto, a arte indígena ganha destaque, explorando desde a agência de objetos até a intrincada relação corpo-ambiente. Nesta
    tese, investigamos as manifestações artístico-culturais na Serra do Catimbau, em Pernambuco, a partir de uma abordagem etnocartográfica. Nosso
    foco está no contexto ambiental e político, na arte rupestre e nas expressões visuais contemporâneas, sempre sob a ótica das fruições nativas. A Serra
    do Catimbau é um complexo paisagístico de grande relevância, não apenas por sua biodiversidade e qualidades cênicas, mas também pelo seu rico
    patrimônio arqueológico. Situada entre o agreste e o sertão pernambucano, a Serra do Catimbau abriga sítios arqueológicos com vestígios que datam
    de 6 mil a 800 anos A.P. Esse acervo diversificado é um testemunho da ocupação pré-colonial, bem como é fundamental para entender as distintas
    relações socioculturais na atualidade. A partir dos contatos interétnicos e intercâmbios culturais, emergem narrativas sobre o patrimônio cultural
    materializado na arte rupestre e nas manifestações artísticas indígenas. As cosmologias expressas no cenário da Serra do Catimbau são fundamentadas
    por laços histórico-culturais e representam testemunhos da pré-colonialidade e migrações de distintos grupos no período colonial.
    A análise antropológica presente nesta tese compreende a complexa paisagem da Serra do Catimbau enquanto agente dos contatos interétnicos, os
    quais moldaram e continuam a moldar uma cosmovisão distintiva. A Serra do Catimbau compreende a Terra Indígena Kapinawá, o Parque Nacional
    do Catimbau e, coabitando o entorno dessas delimitações jurídicas, comunidades agricultoras e quilombolas, além de algumas grandes propriedades.
    É neste território que a etnografia se insere, adotando uma compreensão de paisagem cultural para efetuar imersões que identifiquem os atributos do
    pensamento nativo e a fruição artístico-artesanal dos agrupamentos e agentes sociais envolvidos em um potencial patrimônio integral. Busca-se nesta
    tese analisar a arte como um bem cultural de suma relevância para a antropologia da arte, esta tese se debruça sobre sua contextualização
    socioambiental e as expressões visuais do passado pré-colonial, reconhecendo-as como referências significativas para os grupos sociais
    contemporâneos. A etnografia resultante desta imersão no território revela como as narrativas nativas manifestam modos de ler o mundo, ativando a
    escuta e inferindo a relação corpo-ambiente para a compreensão dos objetos de arte. Mais do que isso, é uma discussão sobre tomada de posição,
    resistência e memória, elementos que implicam diretamente em processos identitários, território e ancestralidade.

     

2024
Dissertações
1
  • INGRID RODRIGUES CIRINO
  • O palco é a rua: uma etnografia visual das temporalidades urbanas do Recife com artistas de sinal

  • Orientador : LAURE MARIE LOUISE CLEMENCE GARRABE
  • MEMBROS DA BANCA :
  • LAURE MARIE LOUISE CLEMENCE GARRABE
  • ALEX GIULIANO VAILATI
  • MARCO AURELIO PAZ TELLA
  • Data: 28/02/2024

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  • A partir da vivência de três artistas de sinal residentes na cidade de Recife-PE, essa
    pesquisa tem o objetivo de fazer uma etnografia visual sobre a urbanidade da cidade, partindo
    do ponto a vivência e olhar que os artistas tem dentro da vivência do sinal. O sinal é um lugar
    de passagem efêmera, que tem como objetivo o controle do trânsito. Por ser um local que
    quando o sinal indica vermelho tem parada obrigatória é um ótimo lugar para os artistas de
    sinal trabalharem e mostrarem sua arte. O objetivo é entender sobre os ritmos, fluxos e
    movimentos da urbanidade recifense a partir da perspectiva dos artistas de sinal, no sinal,
    tendo como produto final essa dissertação escrita e um filme. Também procuro entender qual
    impacto a presença dos artistas tem ao estar no sinal, e o impacto da presença do sinal à
    cidade ao seu redor. Assim, discuto alguns conceitos que envolvem pesquisar com imagem e
    fazer um filme, adentrando na multimodalidade para compreender melhor a imagem dentro do
    trabalho etnográfico. Em seguida reflito na presença do objeto não humano, sinal, dentro do
    coletivo. Por fim, apresento os artistas, adentro nas performances, finalizando na reflexão,
    através de imagens e escrita, sobre a urbanidade recifense.


  • Mostrar Abstract
  • A partir da vivência de três artistas de sinal residentes na cidade de Recife-PE, essa
    pesquisa tem o objetivo de fazer uma etnografia visual sobre a urbanidade da cidade, partindo
    do ponto a vivência e olhar que os artistas tem dentro da vivência do sinal. O sinal é um lugar
    de passagem efêmera, que tem como objetivo o controle do trânsito. Por ser um local que
    quando o sinal indica vermelho tem parada obrigatória é um ótimo lugar para os artistas de
    sinal trabalharem e mostrarem sua arte. O objetivo é entender sobre os ritmos, fluxos e
    movimentos da urbanidade recifense a partir da perspectiva dos artistas de sinal, no sinal,
    tendo como produto final essa dissertação escrita e um filme. Também procuro entender qual
    impacto a presença dos artistas tem ao estar no sinal, e o impacto da presença do sinal à
    cidade ao seu redor. Assim, discuto alguns conceitos que envolvem pesquisar com imagem e
    fazer um filme, adentrando na multimodalidade para compreender melhor a imagem dentro do
    trabalho etnográfico. Em seguida reflito na presença do objeto não humano, sinal, dentro do
    coletivo. Por fim, apresento os artistas, adentro nas performances, finalizando na reflexão,
    através de imagens e escrita, sobre a urbanidade recifense.

2
  • VANESSA RODRIGUES SANTANA
  • "TRANSFORMAR AS CIDADES POR MEIO DA BICICLETA": uma etnografia da incidência política dos cicloativistas em Recife/PE

  • Orientador : LAURE MARIE LOUISE CLEMENCE GARRABE
  • MEMBROS DA BANCA :
  • LAURE MARIE LOUISE CLEMENCE GARRABE
  • ALEX GIULIANO VAILATI
  • FELIPE PROLO
  • Data: 14/03/2024

  • Mostrar Resumo
  • Nos últimos 4 anos, observou-se um crescimento constante de usuários de bicicleta na cidade do Recife. No entanto, esse crescimento não foi acompanhado pela implementação adequada e consistente das políticas públicas prometidas desde 2008. Ao mesmo tempo, observou-se um engajamento crescente de parte da sociedade civil em se organizar em torno da bicicleta para reivindicações de caráter democrático, sustentável e com foco em garantir o acesso à cidade. O trabalho apresentado problematiza a incidência política de cicloativistas em Recife/PE em suas atividades para a promoção da cultura da bicicleta e a luta para garantir outras condições para seu uso enquanto meio de transporte. A partir da teoria clássica dos movimentos sociais, essa etnografia pretende (re)localizar o cicloativismo enquanto um movimento social, em contraposição ao que é apresentado em uma revisão recente da literatura sobre o assunto, incorporando-o dentro do contexto dos "novíssimos movimentos sociais", estes reconhecidos por suas interseccionalidades. Com isso, à luz das metodologias colaborativas e da antropologia colaborativa, apresenta a história do cicloativismo no Brasil e em particular, traz novos dados sobre o Recife - de forma à (re)inseri-lo na literatura especializada desde os anos 2010 – assim como me permite refletir o debate sobre ativismo e engajamento do/a antropólogo/a e da sociedade civil. Além disso, ancora-se ainda em perspectivas ontológicas sobre a cidade, enxergando o ciclista como o verdadeiro alvo do cicloativismo e como parte de "montagens urbanas" (Farías, 2010). Enfim, descrevo as campanhas políticas realizadas pelos cicloativistas da Associação Metropolitana de Ciclistas do Recife - Ameciclo entre os anos de 2020-2023, analisando as condições e a realidade da incidência política do movimento, seus limites e conquistas junto ao poder público para buscar condições melhores para os ciclistas da capital pernambucana.


  • Mostrar Abstract
  • Nos últimos 4 anos, observou-se um crescimento constante de usuários de bicicleta na cidade do Recife. No entanto, esse crescimento não foi acompanhado pela implementação adequada e consistente das políticas públicas prometidas desde 2008. Ao mesmo tempo, observou-se um engajamento crescente de parte da sociedade civil em se organizar em torno da bicicleta para reivindicações de caráter democrático, sustentável e com foco em garantir o acesso à cidade. O trabalho apresentado problematiza a incidência política de cicloativistas em Recife/PE em suas atividades para a promoção da cultura da bicicleta e a luta para garantir outras condições para seu uso enquanto meio de transporte. A partir da teoria clássica dos movimentos sociais, essa etnografia pretende (re)localizar o cicloativismo enquanto um movimento social, em contraposição ao que é apresentado em uma revisão recente da literatura sobre o assunto, incorporando-o dentro do contexto dos "novíssimos movimentos sociais", estes reconhecidos por suas interseccionalidades. Com isso, à luz das metodologias colaborativas e da antropologia colaborativa, apresenta a história do cicloativismo no Brasil e em particular, traz novos dados sobre o Recife - de forma à (re)inseri-lo na literatura especializada desde os anos 2010 – assim como me permite refletir o debate sobre ativismo e engajamento do/a antropólogo/a e da sociedade civil. Além disso, ancora-se ainda em perspectivas ontológicas sobre a cidade, enxergando o ciclista como o verdadeiro alvo do cicloativismo e como parte de "montagens urbanas" (Farías, 2010). Enfim, descrevo as campanhas políticas realizadas pelos cicloativistas da Associação Metropolitana de Ciclistas do Recife - Ameciclo entre os anos de 2020-2023, analisando as condições e a realidade da incidência política do movimento, seus limites e conquistas junto ao poder público para buscar condições melhores para os ciclistas da capital pernambucana.

3
  • STHEFANE MARIA SOUZA LUCAS DA SILVA PATRIOTA
  • ETNOGRAFIA DE DOCUMENTOS E O TOMBAMENTO DO TERREIRO ILÊ ÀSE ÒRÌSÀNLÁ TÀLÁBÍ, PAULISTA - PE

  • Orientador : ANA CLAUDIA RODRIGUES DA SILVA
  • MEMBROS DA BANCA :
  • ALEX GIULIANO VAILATI
  • ANA CLAUDIA RODRIGUES DA SILVA
  • GILSON JOSE RODRIGUES JUNIOR
  • Data: 27/03/2024

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  • Nesta dissertação o patrimônio é analisado enquanto narrativa. Parto do reconhecimento das ausências negras como problema na construção dessa narrativa. Utilizo como ponto de partida os tombamentos de terreiros para me auxiliar na compreensão da ausência patrimonial negra. Descrevo primeiro a trajetória e influência do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) na construção duma narrativa patrimonial. Mostro então como tais ausências são testemunhos da violência sofrida pelos excluídos. Daí falo da inclusão dos terreiros de candomblé como resposta a essa indagação. Examino ainda as categorias utilizadas pelo IPHAN na classificação do patrimônio, dando ênfase nos conceitos de identidade e memória, contrapondo-os com a leitura de patrimônio feita no terreiro. A metodologia adotada é a da etnografia de documentos, enfatizando o status dinâmico do arquivo. Especificamente analiso os documentos de tombamento do Terreiro do Sítio do Pai Adão e do Terreiro Axé Talabi, comparando a respectiva política estadual e municipal de tombamento. Aí, observando que a municipal é mais engessada que a estadual, apelo à entrevista com a vereadora Flávia Hellen onde a própria se queixa dessa dificuldade. O cerne da dissertação reside no quarto capítulo, onde o patrimônio é apresentado na perspectiva do Babalorixá do Terreiro Axé Talabi Pai Júnior de Odé. Nela os conceitos e práticas educacionais eurodominadas são postos em causa. Pai Júnior valoriza a circularidade do afeto, do corpo e do território sagrado para os povos tradicionais de terreiro. Para ele, a identidade é diversa e contextual; ela desafia estereótipos e valoriza as práticas culturais nos terreiros. A partir desta sua visão, concluo que o patrimônio deve ser compreendido como um ato coletivo de natureza política: deve questionar as ausências e os silenciamentos na história patrimonial brasileira.


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  • Nesta dissertação o patrimônio é analisado enquanto narrativa. Parto do reconhecimento das ausências negras como problema na construção dessa narrativa. Utilizo como ponto de partida os tombamentos de terreiros para me auxiliar na compreensão da ausência patrimonial negra. Descrevo primeiro a trajetória e influência do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) na construção duma narrativa patrimonial. Mostro então como tais ausências são testemunhos da violência sofrida pelos excluídos. Daí falo da inclusão dos terreiros de candomblé como resposta a essa indagação. Examino ainda as categorias utilizadas pelo IPHAN na classificação do patrimônio, dando ênfase nos conceitos de identidade e memória, contrapondo-os com a leitura de patrimônio feita no terreiro. A metodologia adotada é a da etnografia de documentos, enfatizando o status dinâmico do arquivo. Especificamente analiso os documentos de tombamento do Terreiro do Sítio do Pai Adão e do Terreiro Axé Talabi, comparando a respectiva política estadual e municipal de tombamento. Aí, observando que a municipal é mais engessada que a estadual, apelo à entrevista com a vereadora Flávia Hellen onde a própria se queixa dessa dificuldade. O cerne da dissertação reside no quarto capítulo, onde o patrimônio é apresentado na perspectiva do Babalorixá do Terreiro Axé Talabi Pai Júnior de Odé. Nela os conceitos e práticas educacionais eurodominadas são postos em causa. Pai Júnior valoriza a circularidade do afeto, do corpo e do território sagrado para os povos tradicionais de terreiro. Para ele, a identidade é diversa e contextual; ela desafia estereótipos e valoriza as práticas culturais nos terreiros. A partir desta sua visão, concluo que o patrimônio deve ser compreendido como um ato coletivo de natureza política: deve questionar as ausências e os silenciamentos na história patrimonial brasileira.

4
  • MARCOS CESAR MARTINS PEREIRA
  • ANTIESTRUTURA E DRAMAS SOCIAIS NA CHANOSFERA: Uma etnografia em imageboards brasileiros

  • Orientador : ALEX GIULIANO VAILATI
  • MEMBROS DA BANCA :
  • ALEX GIULIANO VAILATI
  • ROBERTO CORDOVILLE EFREM DE LIMA FILHO
  • REBECCA FORATTINI LEMOS IGREJA
  • Data: 03/04/2024

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  • Imageboards são fóruns de discussão anônimos, em nível de interface, que permitem a publicação de texto e imagem em quadros anônimos. Também conhecido como chans, imageboards povoam a Internet desde dos anos 2000, tendo notoriedade fóruns como o 4chan e 8kun - este último dissidência do primeiro. A presente pesquisa se centra em chans brasileiros, com foco no 1500chan e VHSChan. O texto busca oferecer, antes, uma explicação da funcionalidade desses espaços, pouco conhecidos pela grande maioria da população, assim como a história de origem dos imageboards - a qual é pouco documentada em fontes tradicionais, como livros e artigos. A partir disso, buscamos explorar como os chans se relacionam com os desenvolvimentos de Victor Turner sobre communitas, espaços que podem ser categorizados a partir da noção de antiestrutura. Essa forma de sociabilidade é ponto de partida para compreender as affordances que vem a emergir, graças a uma dinâmica antiestrutural e anônima. Por fim, mobilizamos outro conceito de Turner, o de drama social, para compreender dois fenômenos de queda ocorridos no 1500chan e no VHSChan, que desencadeou a migração de usuários - chamado de anões - causando impacto na dinâmica entre anões.


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  • Imageboards são fóruns de discussão anônimos, em nível de interface, que permitem a publicação de texto e imagem em quadros anônimos. Também conhecido como chans, imageboards povoam a Internet desde dos anos 2000, tendo notoriedade fóruns como o 4chan e 8kun - este último dissidência do primeiro. A presente pesquisa se centra em chans brasileiros, com foco no 1500chan e VHSChan. O texto busca oferecer, antes, uma explicação da funcionalidade desses espaços, pouco conhecidos pela grande maioria da população, assim como a história de origem dos imageboards - a qual é pouco documentada em fontes tradicionais, como livros e artigos. A partir disso, buscamos explorar como os chans se relacionam com os desenvolvimentos de Victor Turner sobre communitas, espaços que podem ser categorizados a partir da noção de antiestrutura. Essa forma de sociabilidade é ponto de partida para compreender as affordances que vem a emergir, graças a uma dinâmica antiestrutural e anônima. Por fim, mobilizamos outro conceito de Turner, o de drama social, para compreender dois fenômenos de queda ocorridos no 1500chan e no VHSChan, que desencadeou a migração de usuários - chamado de anões - causando impacto na dinâmica entre anões.

5
  • JANINE RIBEIRO DE MENDONÇA
  • Quando o Zemboa baixou

  • Orientador : FABIANA MAIZZA
  • MEMBROS DA BANCA :
  • ALEX GIULIANO VAILATI
  • CAROLINE SOARES DE ALMEIDA
  • FABIANA MAIZZA
  • Data: 04/04/2024

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  • O Muquém se estabelece aos Pés da Serra da Barriga, abraçados pelo Rio Mundaú a quem alguns moradores chamam de Zemboa. São mais de 105 núcleos familiares agrupados num território povoado de artistas populares, homens e mulheres, compartilhando vivências, percepções e expressões.  A proximidade do rio imprime o ofício de ceramista a vários sujeitos dessa comunidade um marco identitário.  A matéria escura removida das margens do Zemboa passa pelas mãos de mestres e mestras se convertendo em colares, panelas, esculturas humanas, tinas d’água, cuscuzeiras, mãos, pés, um de tudo. Mestra Irinéia é titulada patrimônio vivo do Estado de Alagoas, a nomeação é um reconhecimento a saberes e fazeres tradicionais concedidos a mestres e mestras de várias áreas artísticas. As cabeças esculpidas por ela ganharam o mundo, as obras que serviam, inicialmente, a romeiros em procissão como ex-votos, gratidão expressa em barro por graças alcançadas. Habituou-se a levantar no barro partes do corpo que fora curadas de males diversos, imprimiu sua estética em objetos usados como ferramenta de conexão com o divino. A árvore da vida, objeto central de análise deste trabalho, nasce numa configuração completamente diferente de suas peças anteriores. O exercício de levante dessa obra é uma experiência coletiva que enriquece a subjetividade não somente da sua família mais próxima, mas de todo o Muquém.


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  • O Muquém se estabelece aos Pés da Serra da Barriga, abraçados pelo Rio Mundaú a quem alguns moradores chamam de Zemboa. São mais de 105 núcleos familiares agrupados num território povoado de artistas populares, homens e mulheres, compartilhando vivências, percepções e expressões.  A proximidade do rio imprime o ofício de ceramista a vários sujeitos dessa comunidade um marco identitário.  A matéria escura removida das margens do Zemboa passa pelas mãos de mestres e mestras se convertendo em colares, panelas, esculturas humanas, tinas d’água, cuscuzeiras, mãos, pés, um de tudo. Mestra Irinéia é titulada patrimônio vivo do Estado de Alagoas, a nomeação é um reconhecimento a saberes e fazeres tradicionais concedidos a mestres e mestras de várias áreas artísticas. As cabeças esculpidas por ela ganharam o mundo, as obras que serviam, inicialmente, a romeiros em procissão como ex-votos, gratidão expressa em barro por graças alcançadas. Habituou-se a levantar no barro partes do corpo que fora curadas de males diversos, imprimiu sua estética em objetos usados como ferramenta de conexão com o divino. A árvore da vida, objeto central de análise deste trabalho, nasce numa configuração completamente diferente de suas peças anteriores. O exercício de levante dessa obra é uma experiência coletiva que enriquece a subjetividade não somente da sua família mais próxima, mas de todo o Muquém.

6
  • JOÃO GABRIEL LOURENÇO DA SILVA SANTOS
  • “Trabalhar? Trabalhar pra quê?”: A Malandragem e a Jurema Sagrada em tempos, moralidades e corpos.

  • Orientador : ROBERTA BIVAR CARNEIRO CAMPOS
  • MEMBROS DA BANCA :
  • LUIZ CARVALHO DE ASSUNÇÃO
  • PEDRO HENRIQUE DE OLIVEIRA GERMANO DE LIMA
  • ROBERTA BIVAR CARNEIRO CAMPOS
  • ZULEICA DANTAS PEREIRA CAMPOS
  • Data: 19/04/2024

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  • “Trabalhar? Trabalhar pra quê? Se eu trabalhar eu vou morrer!” Esse é um dos pontos cantados para um dos Mestres Malandros, que esse trabalho busca definir. Situados em um mundo cheio de dualidades, essas entidades são compostas pelo seu jeito intermediário de resolver os problemas. Entre bom e mal, vida e morte, ordem e caos, os Malandros e Malandras são possibilidades de ser, nunca inteiramente um nem outro, mas sempre trabalhando do seu jeito. Essa pesquisa se desenvolve dentro da Jurema Sagrada, lugar Encantado que é ocupado por Mestres Malandros e tantas outras entidades e da qual sou participante ativo, com um Mestre Malandro me acompanhando espiritualmente. Normalmente associados à Umbanda carioca, os Malandros e Malandras possuem uma ligação com a Jurema Sagrada, já que o “primeiro malandro” Zé Pilintra surgiu dentro desse complexo religioso. Aqui, busco investigar o que constitui esses Mestres Malandros como tais dentro da Jurema. Com isto em mente, discuto como a temporalidade, moralidade e a categoria de corpo são definidores dessas entidades, que buscam o aprimoramento do seu self e a sua evolução espiritual em seu momento pós-vida.  Primeiramente, no entanto, viso debater as categorias de Mestres e Malandros, separados dentro do contexto nordestino e carioca, respectivamente, e o universo que se forma ao redor dessas entidades. Encantos, Ciências e Cidades fazem parte do universo juremeiro dos quais os Mestres e Mestras fazem parte, já os Malandros são definidos através de tricksters, jeitinhos e brasilidades. A partir disso, trago a categoria Mestres Malandros para discutir como alguns Mestres dentro da Jurema são ligados à Malandragem e sua moralidade, encerrando com os diferentes tipos de corpo que esses Mestres Malandros habitam.


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  • “Trabalhar? Trabalhar pra quê? Se eu trabalhar eu vou morrer!” Esse é um dos pontos cantados para um dos Mestres Malandros, que esse trabalho busca definir. Situados em um mundo cheio de dualidades, essas entidades são compostas pelo seu jeito intermediário de resolver os problemas. Entre bom e mal, vida e morte, ordem e caos, os Malandros e Malandras são possibilidades de ser, nunca inteiramente um nem outro, mas sempre trabalhando do seu jeito. Essa pesquisa se desenvolve dentro da Jurema Sagrada, lugar Encantado que é ocupado por Mestres Malandros e tantas outras entidades e da qual sou participante ativo, com um Mestre Malandro me acompanhando espiritualmente. Normalmente associados à Umbanda carioca, os Malandros e Malandras possuem uma ligação com a Jurema Sagrada, já que o “primeiro malandro” Zé Pilintra surgiu dentro desse complexo religioso. Aqui, busco investigar o que constitui esses Mestres Malandros como tais dentro da Jurema. Com isto em mente, discuto como a temporalidade, moralidade e a categoria de corpo são definidores dessas entidades, que buscam o aprimoramento do seu self e a sua evolução espiritual em seu momento pós-vida.  Primeiramente, no entanto, viso debater as categorias de Mestres e Malandros, separados dentro do contexto nordestino e carioca, respectivamente, e o universo que se forma ao redor dessas entidades. Encantos, Ciências e Cidades fazem parte do universo juremeiro dos quais os Mestres e Mestras fazem parte, já os Malandros são definidos através de tricksters, jeitinhos e brasilidades. A partir disso, trago a categoria Mestres Malandros para discutir como alguns Mestres dentro da Jurema são ligados à Malandragem e sua moralidade, encerrando com os diferentes tipos de corpo que esses Mestres Malandros habitam.

7
  • ANGÉLICA MARIA VIEIRA CRUZ
  • REPRODUÇÃO DE DESIGUALDADES RACIAIS EM ESCOLAS DE CAMADAS MÉDIAS NO RECIFE

  • Orientador : MISIA LINS VIEIRA REESINK
  • MEMBROS DA BANCA :
  • MARION TEODOSIO DE QUADROS
  • MISIA LINS VIEIRA REESINK
  • RAIMUNDO NONATO FERREIRA DO NASCIMENTO
  • Data: 16/08/2024

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  • Este trabalho propõe analisar como as desigualdades raciais são (re)produzidas no ambiente escolar das camadas média e alta de Recife/PE. Considerando os debates sobre a escola como um espaço de construção de identidades e sociabilidades, reprodutor de desigualdades e reflexo da sociedade em microescala, a pesquisa foca nas interseções entre raça e classe, além de outros fatores, em instituições de camadas médias com públicos distintos. Utilizando um método etnográfico com uma perspectiva compreensiva, acompanhamos as atividades de docentes, gestores e, especialmente, estudantes em duas escolas de camadas médias em Recife.
    Identificamos que, apesar de possuírem mensalidades semelhantes, há uma grande diferença em termos de capital cultural. Durante a investigação, emergiram outras questões importantes, como bandeiras políticas e intolerância religiosa. Em ambas as instituições, as dinâmicas raciais se mostraram complexas, situacionais e elásticas.


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  • Este trabalho propõe analisar como as desigualdades raciais são (re)produzidas no ambiente escolar das camadas média e alta de Recife/PE. Considerando os debates sobre a escola como um espaço de construção de identidades e sociabilidades, reprodutor de desigualdades e reflexo da sociedade em microescala, a pesquisa foca nas interseções entre raça e classe, além de outros fatores, em instituições de camadas médias com públicos distintos. Utilizando um método etnográfico com uma perspectiva compreensiva, acompanhamos as atividades de docentes, gestores e, especialmente, estudantes em duas escolas de camadas médias em Recife.
    Identificamos que, apesar de possuírem mensalidades semelhantes, há uma grande diferença em termos de capital cultural. Durante a investigação, emergiram outras questões importantes, como bandeiras políticas e intolerância religiosa. Em ambas as instituições, as dinâmicas raciais se mostraram complexas, situacionais e elásticas.

8
  • LUCIANA MELO DE MEDEIROS ROLIM CAMPOS
  • “A GENTE É VIVO COMO O SOL DE A MÊI DIA”: rupturas e continuidades indígenas no cariri cearense”

  • Orientador : RENATO AMRAM ATHIAS
  • MEMBROS DA BANCA :
  • RENATO AMRAM ATHIAS
  • VÂNIA FIALHO
  • ESTEVAO MARTINS PALITOT
  • Data: 29/08/2024

  • Mostrar Resumo
  • O Cariri cearense é, na atualidade, palco de múltiplos processos de mobilização identitária, contrariando as narrativas oficiais que negavam a existência da presença indígena na região. Nesse sentido, a presente pesquisa objetivou analisar os processos de identificação étnica em curso buscando compreender a maneira como estas comunidades se organizam politicamente entre si e em relação ao movimento indígena cearense e compreender como se estabelece as relações sociais destas comunidades com as sociedades de seu entorno imediato e, ainda, relatar as ações desenvolvidas por essas comunidades visando a garantia de direitos. À luz dos conceitos de Emergência Étnica foi realizada uma etnografia desses processos em específico nos Povos Cariri de Poço Dantas Umari, em Crato e Isù Kariri, em Brejo Santo. Além da etnografia, foram realizadas pesquisas documentais e bibliográficas, fundamentais para uma compreensão ampliada de tais processos. Observou-se que, a despeito das violentas tentativas de silenciamento, a presença indígena vem se materializando através dos séculos por meio das práticas culturais cotidianas de comunidades rurais situadas em diversas localidades do Cariri cearense. De modo semelhante, ocorrem processos políticos de reivindicação étnica em algumas comunidades em articulação e reconhecimento do movimento indígena do Ceará e, em certa medida, do Brasil. Estes povos, através de inúmeras ações e alicerçados pela Encantaria, estabelecem-se politicamente em definitivo perante ao Estado, seja em sua esfera municipal, estadual ou federal. Esse complexo cenário é prenhe de novas investigações e nessa perspectiva é fundamental considerar a criação de grupos de pesquisa intersetoriais e interinstitucionais, sobretudo entre pesquisadores e instituições do Nordeste, na perspectiva de produzir estudos robustos sobre a presença indígena nessa região, a partir de múltiplos vieses científicos.


  • Mostrar Abstract
  • O Cariri cearense é, na atualidade, palco de múltiplos processos de mobilização identitária, contrariando as narrativas oficiais que negavam a existência da presença indígena na região. Nesse sentido, a presente pesquisa objetivou analisar os processos de identificação étnica em curso buscando compreender a maneira como estas comunidades se organizam politicamente entre si e em relação ao movimento indígena cearense e compreender como se estabelece as relações sociais destas comunidades com as sociedades de seu entorno imediato e, ainda, relatar as ações desenvolvidas por essas comunidades visando a garantia de direitos. À luz dos conceitos de Emergência Étnica foi realizada uma etnografia desses processos em específico nos Povos Cariri de Poço Dantas Umari, em Crato e Isù Kariri, em Brejo Santo. Além da etnografia, foram realizadas pesquisas documentais e bibliográficas, fundamentais para uma compreensão ampliada de tais processos. Observou-se que, a despeito das violentas tentativas de silenciamento, a presença indígena vem se materializando através dos séculos por meio das práticas culturais cotidianas de comunidades rurais situadas em diversas localidades do Cariri cearense. De modo semelhante, ocorrem processos políticos de reivindicação étnica em algumas comunidades em articulação e reconhecimento do movimento indígena do Ceará e, em certa medida, do Brasil. Estes povos, através de inúmeras ações e alicerçados pela Encantaria, estabelecem-se politicamente em definitivo perante ao Estado, seja em sua esfera municipal, estadual ou federal. Esse complexo cenário é prenhe de novas investigações e nessa perspectiva é fundamental considerar a criação de grupos de pesquisa intersetoriais e interinstitucionais, sobretudo entre pesquisadores e instituições do Nordeste, na perspectiva de produzir estudos robustos sobre a presença indígena nessa região, a partir de múltiplos vieses científicos.

9
  • MAURILIO NOGUEIRA DOS SANTOS
  • RELIGIÃO, SABERES E PRÁTICAS DE RITUAIS ENTRE OS TRUKÁ DO SERTÃO DE PERNAMBUCO.

  • Orientador : EDWIN BOUDEWIJN REESINK
  • MEMBROS DA BANCA :
  • EDWIN BOUDEWIJN REESINK
  • FLORÊNCIO ALMEIDA VAZ FILHO
  • RENATO AMRAM ATHIAS
  • Data: 30/08/2024
    Ata de defesa assinada:

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  • Esta dissertação apresenta uma discussão acerca da realidade do povo Indígena Truká, no que tange os saberes
    e suas práticas de rituais, além disso, revela a riqueza cultural e espiritual desse povo indígena. Nesta perspectiva, esta pesquisa objetiva analisar os sentidos e dinâmicas do Toré na sociedade Truká. Os Truká, na sua história são marcados por um contexto histórico de luta e resistência. A religiosidade dos Truká é profundamente enraizada em sua conexão com a natureza e seus antepassados. Seus rituais e práticas religiosas são guiados por conhecimentos tradicionais transmitidos oralmente ao longo das gerações. Eles acreditam na existência de espíritos e divindades que influenciam suas vidas e que devem ser respeitados e honrados por meio de ritos específicos e ocultos. Este trabalho contribui para que um novo movimento de reconhecimento de uma história, de uma cultura, de uma etnia exista e resista mesmo perante as adversidades. Ao longo desse percurso teórico-metodológico fiz um esforço, não pretendo aqui dar uma resposta objetivamente e absoluta aos questionamentos desta pesquisa, mas ter condições para refletir responsavelmente sobre os estudos antropológicos que relacionam o meu povo e contribuir para o conhecimento antropológico que beneficia os Truká.


  • Mostrar Abstract
  • O objetivo desta pesquisa, elaborada no pré-projeto, é “pesquisar as práticas religiosas entre o povo Truká, que habita na Ilha de Assunção/Cabrobó-PE”. Sendo eu o primeiro antropólogo em formação indígena Truká a estudar o próprio povo, farei uma etnografia das práticas religiosas do Toré e da Jurema praticada dentro da ilha de Assunção – Território Indígena Truká.

10
  • CRISTIANE INACIO DE SOUZA
  • Reflexões sobre a experiência de pessoas negras nas quadrilhas juninas do Recife-PE

  • Orientador : HUGO MENEZES NETO
  • MEMBROS DA BANCA :
  • ANA CLAUDIA RODRIGUES DA SILVA
  • EVERSON MELQUIADES ARAUJO SILVA
  • HUGO MENEZES NETO
  • Data: 23/09/2024
    Ata de defesa assinada:

  • Mostrar Resumo
  • O espetáculo das Quadrilhas Juninas de Recife configura-se como uma das maiores manifestações da cultura
    popular. Esta dissertação analisou em específico quatro Quadrilhas Juninas, foram elas: Quadrilha Junina Tradição,
    Quadrilha Junina Evolução, Quadrilha Junina Raio de Sol e Quadrilha Junina Nordestina. O enfoque foi o recorte racial
    dentro da perspectiva dessas Quadrilhas Juninas. Foi observado se os brincantes negros ocupavam lugar de destaques,
    como interpretar noivos, rainhas e reis. Também observei se essas juninas seriam espaços de uma educação
    antirracista. Este trabalho também faz parte de minha escrevivência, pois o meu interesse sobre o objeto de estudo
    vem de minhas experiências enquanto mulher negra e ex-brincante. Durante trinta anos dancei Quadrilha Junina e
    nunca tive a oportunidade de vivenciar um papel de destaque. A metodologia está dividida em três partes: a primeira
    foram as visitas ao campo, a segunda foi uma pesquisa realizada pela plataforma On-line google forms e a última foram
    as entrevistas também realizadas on-line. Através das entrevistas e observações, ficou bem delimitado o lugar que as
    pessoas pretas ocupam nas juninas, se não for uma temática negra, eles sempre são ou cangaceiros ou matutos. Então
    sim, esses espaços reproduzem o racismo estrutural.


  • Mostrar Abstract
  • O espetáculo das Quadrilhas Juninas de Recife configura-se como uma das maiores manifestações da cultura
    popular. Esta dissertação analisou em específico quatro Quadrilhas Juninas, foram elas: Quadrilha Junina Tradição,
    Quadrilha Junina Evolução, Quadrilha Junina Raio de Sol e Quadrilha Junina Nordestina. O enfoque foi o recorte racial
    dentro da perspectiva dessas Quadrilhas Juninas. Foi observado se os brincantes negros ocupavam lugar de destaques,
    como interpretar noivos, rainhas e reis. Também observei se essas juninas seriam espaços de uma educação
    antirracista. Este trabalho também faz parte de minha escrevivência, pois o meu interesse sobre o objeto de estudo
    vem de minhas experiências enquanto mulher negra e ex-brincante. Durante trinta anos dancei Quadrilha Junina e
    nunca tive a oportunidade de vivenciar um papel de destaque. A metodologia está dividida em três partes: a primeira
    foram as visitas ao campo, a segunda foi uma pesquisa realizada pela plataforma On-line google forms e a última foram
    as entrevistas também realizadas on-line. Através das entrevistas e observações, ficou bem delimitado o lugar que as
    pessoas pretas ocupam nas juninas, se não for uma temática negra, eles sempre são ou cangaceiros ou matutos. Então
    sim, esses espaços reproduzem o racismo estrutural.

11
  • JACIANE MARIA DA SILVA
  • A PRESERVAÇÃO DA MEMÓRIA E DO PATRIMÔNIO CULTURAL DO POVO DE TERREIRO EM
    PERNAMBUCO NA ÉPOCA DA VIRTUALIDADE.

  • Orientador : ALEX GIULIANO VAILATI
  • MEMBROS DA BANCA :
  • ALEX GIULIANO VAILATI
  • MIGUEL COLAÇO BITTENCOURT
  • RENATO AMRAM ATHIAS
  • Data: 25/09/2024
    Ata de defesa assinada:

  • Mostrar Resumo
  • Esta pesquisa teve como objeto de analisar a produção audiovisual realizada pelo Quilombo Cultural
    Malunguinho (QCM). A partir de seu acervo audiovisual disponibilizados nas redes sociais, com a proposta de
    compartilhar conhecimentos sobre as religiões afro-indígena-brasileiras para refletir sobre a importância desses
    movimentos na conquista por espaços e reconhecimento da jurema Sagrada, e principalmente entorno da figura de
    Malunguinho, que vem sendo reconhecido pelos praticantes da jurema como um líder quilombola, que fortaleceu a
    luta por liberdade da população negra em Pernambuco no período da escravidão. Deste modo, através da Lei
    Malunguinho, que versa sobre a semana da vivência e da prática da cultura afro-indígena-pernambucana. Dessa forma,
    a partir da pesquisa etnográfica das produções audiovisuais disponibilizadas, foram analisadas a linguagem audiovisual
    utilizada e as dinâmicas de produção. Portanto, essa dissertação, busca trazer informações para o desenvolvimento de
    incentivos culturais e educacionais para a população praticante das religiões afro-indígenas-brasileira a partir do seu
    reconhecimento e visibilidade da figura de Malunguinho, como um líder histórico que esteve à frente do maior
    Quilombo localizado em Pernambuco e que continua a sua luta na memória e prática religiosas de seu povo. Sendo
    assim, traz uma nova perspectiva entorno da Jurema Sagrada, que teve as suas práticas reelaboradas ao longo do tempo
    e que vem conquistando seu espaço no campo religioso e cultural. Este projeto objetiva analisar o acervo audiovisual
    produzido pelo QCM como um sujeito atuante na articulação e na luta que visa promover a conscientização de pessoas
    interessadas em refletir sobre as questões afro-brasileiras por meio da construção de memórias coletivas, fortalecendo
    suas práticas e unificando sua luta por visibilidade e respeito.


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  • Esta pesquisa teve como objeto de analisar a produção audiovisual realizada pelo Quilombo Cultural
    Malunguinho (QCM). A partir de seu acervo audiovisual disponibilizados nas redes sociais, com a proposta de
    compartilhar conhecimentos sobre as religiões afro-indígena-brasileiras para refletir sobre a importância desses
    movimentos na conquista por espaços e reconhecimento da jurema Sagrada, e principalmente entorno da figura de
    Malunguinho, que vem sendo reconhecido pelos praticantes da jurema como um líder quilombola, que fortaleceu a
    luta por liberdade da população negra em Pernambuco no período da escravidão. Deste modo, através da Lei
    Malunguinho, que versa sobre a semana da vivência e da prática da cultura afro-indígena-pernambucana. Dessa forma,
    a partir da pesquisa etnográfica das produções audiovisuais disponibilizadas, foram analisadas a linguagem audiovisual
    utilizada e as dinâmicas de produção. Portanto, essa dissertação, busca trazer informações para o desenvolvimento de
    incentivos culturais e educacionais para a população praticante das religiões afro-indígenas-brasileira a partir do seu
    reconhecimento e visibilidade da figura de Malunguinho, como um líder histórico que esteve à frente do maior
    Quilombo localizado em Pernambuco e que continua a sua luta na memória e prática religiosas de seu povo. Sendo
    assim, traz uma nova perspectiva entorno da Jurema Sagrada, que teve as suas práticas reelaboradas ao longo do tempo
    e que vem conquistando seu espaço no campo religioso e cultural. Este projeto objetiva analisar o acervo audiovisual
    produzido pelo QCM como um sujeito atuante na articulação e na luta que visa promover a conscientização de pessoas
    interessadas em refletir sobre as questões afro-brasileiras por meio da construção de memórias coletivas, fortalecendo
    suas práticas e unificando sua luta por visibilidade e respeito.

12
  • MARIA DAIRLY FERREIRA BEZERRA
  • ONG RELIGIOSA: A CONSTRUÇÃO COLETIVA DA SOLIDARIEDADE EM RECIFE- PERNAMBUCO

  • Orientador : FRANCISCO SA BARRETO DOS SANTOS
  • MEMBROS DA BANCA :
  • ALEX GIULIANO VAILATI
  • FRANCISCO SA BARRETO DOS SANTOS
  • GILSON JOSE RODRIGUES JUNIOR
  • Data: 02/10/2024
    Ata de defesa assinada:

  • Mostrar Resumo
  • O estudo das dimensões religiosas nas ciências sociais e humanas tem crescido devido ao papel cada vez mais relevante da religião
    nas esferas social, política e de solidariedade. Em particular, a antropologia da religião examina como a religião se manifesta na esfera pública,
    destacando sua influência na solidariedade, cidadania e inclusão social. Ao contrário da teoria da secularização, que previa uma diminuição da
    influência religiosa na esfera pública, evidências contemporâneas mostram um aumento da participação religiosa em questões sociais e
    políticas.
    Este trabalho se concentra na atuação das ONGs religiosas no Brasil, analisa-se como essas organizações, inspiradas por valores religiosos,
    contribuem para a promoção da solidariedade e enfrentamento das desigualdades sociais. A pesquisa etnográfica da Cáritas Brasileira
    Regional NE2, que opera em Recife-PE, explora como a solidariedade é simbolicamente construída e manifestada em práticas de ação
    social concretas. Além disso, investiga como essas práticas sociais interagem com as esferas política e social.
    Diante de aspectos metodológicos e teóricos, a pesquisa adotou uma abordagem qualitativa com ênfase antropológica e utilizou o método
    etnográfico. Foram empregadas técnicas como análise bibliográfica, observação participante, diário de campo e entrevista
    semiestruturada.


  • Mostrar Abstract
  • O estudo das dimensões religiosas nas ciências sociais e humanas tem crescido devido ao papel cada vez mais relevante da religião
    nas esferas social, política e de solidariedade. Em particular, a antropologia da religião examina como a religião se manifesta na esfera pública,
    destacando sua influência na solidariedade, cidadania e inclusão social. Ao contrário da teoria da secularização, que previa uma diminuição da
    influência religiosa na esfera pública, evidências contemporâneas mostram um aumento da participação religiosa em questões sociais e
    políticas.
    Este trabalho se concentra na atuação das ONGs religiosas no Brasil, analisa-se como essas organizações, inspiradas por valores religiosos,
    contribuem para a promoção da solidariedade e enfrentamento das desigualdades sociais. A pesquisa etnográfica da Cáritas Brasileira
    Regional NE2, que opera em Recife-PE, explora como a solidariedade é simbolicamente construída e manifestada em práticas de ação
    social concretas. Além disso, investiga como essas práticas sociais interagem com as esferas política e social.
    Diante de aspectos metodológicos e teóricos, a pesquisa adotou uma abordagem qualitativa com ênfase antropológica e utilizou o método
    etnográfico. Foram empregadas técnicas como análise bibliográfica, observação participante, diário de campo e entrevista
    semiestruturada.

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  • MARILIA NEPOMUCENO PINHEIRO
  • SABERES DA CAATINGA: ETNOGRAFIA DE UM ENCONTRO DE CURANDEIRAS, CURANDEIROS e
    MESTRES DE CULTURA DA CHAPADA DO ARARIPE

  • Orientador : HUGO MENEZES NETO
  • MEMBROS DA BANCA :
  • ANA PAULA PERROTA
  • HUGO MENEZES NETO
  • VÂNIA FIALHO
  • Data: 04/10/2024

  • Mostrar Resumo
  • A dissertação insere-se no campo da antropologia, com foco na etnografia do evento “Encontro de Saberes da Caatinga”, buscando
    também atenção às interações entre humanos e não humanos no contexto do bioma Caatinga. O ponto de partida da pesquisa, o Encontro de
    Saberes da Caatinga, é um evento anual realizado na Chapada do Araripe, onde raizeiras/os, meizinheiras/os, benzedeiras/os, rezadeiras,
    rezadores e parteiras compartilham suas práticas e saberes com a comunidade local e visitantes.
    O estudo adota uma metodologia etnográfica baseada na imersão em campo, que envolveu a participação ativa da pesquisadora no Encontro
    de Saberes da Caatinga, realizado em julho de 2022, além de outras visitas anteriores e subsequentes à Chapada do Araripe. A pesquisa
    abarcou observações, entrevistas e a convivência prolongada com dois interlocutores principais do evento e região: Antônio Sampaio Alencar
    e Maria Silvanete Benedito de Sousa Lermen, protagonistas desse evento e guardiões de saberes tradicionais do território. Essas interlocuções
    possibilitaram uma análise das práticas de cuidado e das formas de interação entre humanos e não humanos na Caatinga, bem como dos
    desafios contemporâneos enfrentados na região.
    Através de um olhar antropológico, busca-se evidenciar como as soluções encontradas por comunidades locais podem oferecer alternativas
    viáveis para crises que acontecem a nível global, como a crise na produção de cuidado em relação à saúde humana, em interlocução com as
    crises climática e socioambiental que estão em curso. A pesquisa propõe, assim, uma reflexão crítica sobre as fronteiras entre o conhecimento
    científico e o saber popular, destacando a relevância das práticas locais para a criação de novas formas de cuidado e sustentabilidade humana,
    comunitária e multiespécie.
    Esta dissertação também visa contribuir para o debate teórico contemporâneo que envolve a Antropologia Ambiental, os Estudos do
    Antropoceno e a Ecologia das Práticas, dialogando com autores como Isabelle Stengers, Anna Tsing, Donna Haraway, Vinciane Despret e
    outras. O trabalho lança luz sobre as formas como as inteligências coletivas das ditas periferias do mundo, como as que existem e se
    constituem-se a partir do território e comunidades do Sertão do Araripe e do bioma da Caatinga, desafiam a dicotomia entre centro e
    periferia na produção de conhecimento e soluções para grandes crises que assolam os territórios e a humanidade. A compreensão das
    potencialidades dos saberes populares e tradicionais voltados para o cuidado da saúde humana e multiespécie como alternativas críticas às
    narrativas dominantes de progresso e desenvolvimento parece urgente de ser evidenciada no mundo contemporâneo que busca soluções de
    enfrentamento a problemas cada vez mais compartilhados em diversas regiões do Brasil e também do globo terrestre.
    Assim, o percurso traçado nesta pesquisa busca não apenas documentar o Encontro de Saberes da Caatinga, mas também oferecer um espaço
    de reflexão sobre as contribuições das práticas encontradas e vivenciadas pelo grupo que faz o evento na região afim de contribuir para a
    compreensão das potencialidades dos saberes populares e tradicionais como alternativas críticas às narrativas dominantes sobre cuidado e
    saúde humana, ambiental, progresso e desenvolvimento.


  • Mostrar Abstract
  • A dissertação insere-se no campo da antropologia, com foco na etnografia do evento “Encontro de Saberes da Caatinga”, buscando
    também atenção às interações entre humanos e não humanos no contexto do bioma Caatinga. O ponto de partida da pesquisa, o Encontro de
    Saberes da Caatinga, é um evento anual realizado na Chapada do Araripe, onde raizeiras/os, meizinheiras/os, benzedeiras/os, rezadeiras,
    rezadores e parteiras compartilham suas práticas e saberes com a comunidade local e visitantes.
    O estudo adota uma metodologia etnográfica baseada na imersão em campo, que envolveu a participação ativa da pesquisadora no Encontro
    de Saberes da Caatinga, realizado em julho de 2022, além de outras visitas anteriores e subsequentes à Chapada do Araripe. A pesquisa
    abarcou observações, entrevistas e a convivência prolongada com dois interlocutores principais do evento e região: Antônio Sampaio Alencar
    e Maria Silvanete Benedito de Sousa Lermen, protagonistas desse evento e guardiões de saberes tradicionais do território. Essas interlocuções
    possibilitaram uma análise das práticas de cuidado e das formas de interação entre humanos e não humanos na Caatinga, bem como dos
    desafios contemporâneos enfrentados na região.
    Através de um olhar antropológico, busca-se evidenciar como as soluções encontradas por comunidades locais podem oferecer alternativas
    viáveis para crises que acontecem a nível global, como a crise na produção de cuidado em relação à saúde humana, em interlocução com as
    crises climática e socioambiental que estão em curso. A pesquisa propõe, assim, uma reflexão crítica sobre as fronteiras entre o conhecimento
    científico e o saber popular, destacando a relevância das práticas locais para a criação de novas formas de cuidado e sustentabilidade humana,
    comunitária e multiespécie.
    Esta dissertação também visa contribuir para o debate teórico contemporâneo que envolve a Antropologia Ambiental, os Estudos do
    Antropoceno e a Ecologia das Práticas, dialogando com autores como Isabelle Stengers, Anna Tsing, Donna Haraway, Vinciane Despret e
    outras. O trabalho lança luz sobre as formas como as inteligências coletivas das ditas periferias do mundo, como as que existem e se
    constituem-se a partir do território e comunidades do Sertão do Araripe e do bioma da Caatinga, desafiam a dicotomia entre centro e
    periferia na produção de conhecimento e soluções para grandes crises que assolam os territórios e a humanidade. A compreensão das
    potencialidades dos saberes populares e tradicionais voltados para o cuidado da saúde humana e multiespécie como alternativas críticas às
    narrativas dominantes de progresso e desenvolvimento parece urgente de ser evidenciada no mundo contemporâneo que busca soluções de
    enfrentamento a problemas cada vez mais compartilhados em diversas regiões do Brasil e também do globo terrestre.
    Assim, o percurso traçado nesta pesquisa busca não apenas documentar o Encontro de Saberes da Caatinga, mas também oferecer um espaço
    de reflexão sobre as contribuições das práticas encontradas e vivenciadas pelo grupo que faz o evento na região afim de contribuir para a
    compreensão das potencialidades dos saberes populares e tradicionais como alternativas críticas às narrativas dominantes sobre cuidado e
    saúde humana, ambiental, progresso e desenvolvimento.

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  • LARA ALBUQUERQUE RODRIGUES
  • REDES DE IMAGEM & MEMÓRIA: AS TÉCNICAS PESQUEIRAS E A
    TRADIÇÃO EM SÃO JOSÉ DA COROA GRANDE/PE

  • Orientador : HUGO MENEZES NETO
  • MEMBROS DA BANCA :
  • LUCAS COELHO PEREIRA
  • HUGO MENEZES NETO
  • PEDRO CASTELO BRANCO SILVEIRA
  • Data: 24/10/2024
    Ata de defesa assinada:

  • Mostrar Resumo
  • Esta dissertação tem como objetivo analisar a perspectiva dos pescadores de São José da
    Coroa Grande acerca das transformações das técnicas pesqueiras e as suas implicações na
    construção da memória do saber-fazer tradicional. A pesquisa também busca identificar
    como esses pescadores percebem suas próprias tradições, patrimônios e memórias, além de
    compreender a dinâmica relacional entre pescadores, técnicas e ambiente. A abordagem
    teórica é fundamentada nas categorias de tradição, patrimônio pesqueiro e memória,
    explorando questões sobre quem define e legitima o patrimônio cultural pesqueiro. A
    pesquisa justifica-se pela necessidade de produzir dados e imagens que contribuam para a
    preservação da memória e dos saberes tradicionais, revelando como as transformações nas
    práticas pesqueiras impactam o meio ambiente. Além disso, o trabalho promove o diálogo
    entre os saberes tradicionais e o conhecimento científico, oferecendo subsídios para ações
    mais eficazes em prol da conservação dos recursos e ambientes pesqueiros.


  • Mostrar Abstract
  • Esta dissertação tem como objetivo analisar a perspectiva dos pescadores de São José da
    Coroa Grande acerca das transformações das técnicas pesqueiras e as suas implicações na
    construção da memória do saber-fazer tradicional. A pesquisa também busca identificar
    como esses pescadores percebem suas próprias tradições, patrimônios e memórias, além de
    compreender a dinâmica relacional entre pescadores, técnicas e ambiente. A abordagem
    teórica é fundamentada nas categorias de tradição, patrimônio pesqueiro e memória,
    explorando questões sobre quem define e legitima o patrimônio cultural pesqueiro. A
    pesquisa justifica-se pela necessidade de produzir dados e imagens que contribuam para a
    preservação da memória e dos saberes tradicionais, revelando como as transformações nas
    práticas pesqueiras impactam o meio ambiente. Além disso, o trabalho promove o diálogo
    entre os saberes tradicionais e o conhecimento científico, oferecendo subsídios para ações
    mais eficazes em prol da conservação dos recursos e ambientes pesqueiros.

15
  • HUMBERTO BISMARK SILVA DANTAS
  • LETREIROS, TAPERAS E CABOCLOS BRABOS: Narrativas de origem indígena no sertão do Rio Sabugi, em São Mamede-PB.

  • Orientador : RENATO AMRAM ATHIAS
  • MEMBROS DA BANCA :
  • RENATO AMRAM ATHIAS
  • EDWIN BOUDEWIJN REESINK
  • JULIE ANTOINETTE CAVIGNAC
  • Data: 14/11/2024

  • Mostrar Resumo
  • Essa dissertação faz parte de um conjunto de iniciativas realizadas pelo autor desde 2021 por meio do Memórias Tapuias, o acervo audiovisual da
    memória indígena do Vale do Sabugi. O Memórias Tapuias surge para articular narrativas de origem indígena no Seridó Ocidental Paraibano, com
    foco inicial na captação de depoimentos de moradores da cidade de São Mamede/PB. As conversas realizadas até o momento exploram os saberes
    do Vale do Sabugi, região historicamente marcada pela presença Tapuia-Tarairiú. Abordo os materiais obtidos por meio destas entrevistas
    apresentando alguns dos lugares indicados pelos interlocutores. Busco compreender o diálogo entre os moradores da região com as pedras de
    letreiro, suas inscrições rupestres e as taperas de pedra, antigas moradas oriundas do tempo dos caboclos brabos. Esta dissertação se baseia em
    narrativas familiares do autor, na revisão bibliográfica sobre Etnologia do Nordeste Indígena e Perspectivas Interespécies em diálogo com o
    material etnográfico construído pelo autor, assinalando para a permanência dos saberes de origem na região pesquisada.


  • Mostrar Abstract
  • Essa dissertação faz parte de um conjunto de iniciativas realizadas pelo autor desde 2021 por meio do Memórias Tapuias, o acervo audiovisual da
    memória indígena do Vale do Sabugi. O Memórias Tapuias surge para articular narrativas de origem indígena no Seridó Ocidental Paraibano, com
    foco inicial na captação de depoimentos de moradores da cidade de São Mamede/PB. As conversas realizadas até o momento exploram os saberes
    do Vale do Sabugi, região historicamente marcada pela presença Tapuia-Tarairiú. Abordo os materiais obtidos por meio destas entrevistas
    apresentando alguns dos lugares indicados pelos interlocutores. Busco compreender o diálogo entre os moradores da região com as pedras de
    letreiro, suas inscrições rupestres e as taperas de pedra, antigas moradas oriundas do tempo dos caboclos brabos. Esta dissertação se baseia em
    narrativas familiares do autor, na revisão bibliográfica sobre Etnologia do Nordeste Indígena e Perspectivas Interespécies em diálogo com o
    material etnográfico construído pelo autor, assinalando para a permanência dos saberes de origem na região pesquisada.

16
  • FABIO CRUZ DA CUNHA
  • “DE FRENTE AO NOSSO ASSENTAMENTO, DENTRO DO PEJI, PEDIR, SE HUMILHAR, SE COLOCAR PARA O ORIXÁ”: MATERIALIDADES E EMOÇÕES NO TERREIRO SANTA BÁRBARA ILÊ AXÉ MEGUÊ, NAÇÃO XAMBÁ

  • Orientador : ROBERTA BIVAR CARNEIRO CAMPOS
  • MEMBROS DA BANCA :
  • PEDRO HENRIQUE DE OLIVEIRA GERMANO DE LIMA
  • ROBERTA BIVAR CARNEIRO CAMPOS
  • ZULEICA DANTAS PEREIRA CAMPOS
  • Data: 20/12/2024
    Ata de defesa assinada:

  • Mostrar Resumo
  • O Candomblé é uma religião profundamente marcada pela materialidade, expressa especialmente nos
    objetos utilizados nos rituais. Nesse contexto, esta dissertação teve como objetivo investigar a relação entre os
    assentamentos dos orixás e seus fiéis, buscando compreender o processo de agenciamento entre os orixás e seus
    seguidores. De caráter etnográfico, esta pesquisa teve como locus o Terreiro Santa Bárbara - Ilê Axé Oyá Meguê,
    da Nação Xambá, localizado no bairro de São Benedito, em Olinda, Pernambuco, onde realizei trabalho de
    campo entre os anos de 2023 e 2024. Por meio de visitas ao terreiro e entrevistas com o dirigente e com filhos
    de santo do terreiro, meu interesse foi compreender as relações dessa comunidade religiosa com seus
    assentamentos e as emoções que esses objetos despertam nos fiéis. A partir das discussões de autores como
    Goldman (2009), Rabelo (2014), Halloy (2005, 2013) e Marques (2014), busco inferir que os assentamentos são
    “objetos-deuses”, materializados e consagrados na dimensão física e palpável deste plano. Além de sua natureza
    material, esses objetos também provocam repercussões extramateriais, especialmente no campo emocional.
    Através das narrativas, compartilhadas pelos interlocutores, percebi uma diversidade de emoções e sentimentos
    acionados quando o fiel se encontra diante dos assentamentos de seus orixás. Nesse sentido, reitero a importância
    da materialidade nas religiões afro-brasileiras e como as relações com esses objetos geram emoções singulares
    para o povo do axé.


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  • O Candomblé é uma religião profundamente marcada pela materialidade, expressa especialmente nos
    objetos utilizados nos rituais. Nesse contexto, esta dissertação teve como objetivo investigar a relação entre os
    assentamentos dos orixás e seus fiéis, buscando compreender o processo de agenciamento entre os orixás e seus
    seguidores. De caráter etnográfico, esta pesquisa teve como locus o Terreiro Santa Bárbara - Ilê Axé Oyá Meguê,
    da Nação Xambá, localizado no bairro de São Benedito, em Olinda, Pernambuco, onde realizei trabalho de
    campo entre os anos de 2023 e 2024. Por meio de visitas ao terreiro e entrevistas com o dirigente e com filhos
    de santo do terreiro, meu interesse foi compreender as relações dessa comunidade religiosa com seus
    assentamentos e as emoções que esses objetos despertam nos fiéis. A partir das discussões de autores como
    Goldman (2009), Rabelo (2014), Halloy (2005, 2013) e Marques (2014), busco inferir que os assentamentos são
    “objetos-deuses”, materializados e consagrados na dimensão física e palpável deste plano. Além de sua natureza
    material, esses objetos também provocam repercussões extramateriais, especialmente no campo emocional.
    Através das narrativas, compartilhadas pelos interlocutores, percebi uma diversidade de emoções e sentimentos
    acionados quando o fiel se encontra diante dos assentamentos de seus orixás. Nesse sentido, reitero a importância
    da materialidade nas religiões afro-brasileiras e como as relações com esses objetos geram emoções singulares
    para o povo do axé.

Teses
1
  • PAULIDAYANE CAVALCANTI DE LIMA
  • “Muito haux, meu txai”: a contribuição de grupos neo-xamânicos ayahuasqueiros na promoção e reconhecimento dos modelos de cuidados indígenas na Região metropolitana do Recife.

  • Orientador : EDWIN BOUDEWIJN REESINK
  • MEMBROS DA BANCA :
  • EDWIN BOUDEWIJN REESINK
  • JULY SALIMA CURE VALDIVIESO
  • LÍGIA DUQUE PLATERO
  • RENATO AMRAM ATHIAS
  • VÂNIA FIALHO
  • Data: 21/06/2024

  • Mostrar Resumo
  • Esta pesquisa tem como objeto de interesse os grupos neo-xamânicos da Região Metropolitana do Recife. O ponto principal é a investigação dos modelos de cuidados elaborados no encontro entre indígenas e não-indígenas, que ocorrem por meio do desenvolvimento de relações de aliança. Essas alianças são sistemas simbólicos de comprometimento firmados entre grupos neo-xamânicos ayahuasqueiros e lideranças indígenas. No sistema de aliança, há um modelo de cooperação mútua, por onde ocorrem diversas trocas. Para esses grupos, as alianças conferem legitimidade às suas atividades e lhes atribuem responsabilidades, sendo designados como “porta-vozes da cultura de um povo”. Assim, é a partir das alianças que se torna possível mapear e identificar o produto do encontro entre esses dois sujeitos: de um lado, pessoas de diversas procedências que se unem por meio do consumo de uma substância, formando uma comunidade; e do outro, lideranças indígenas que articulam essas amplas redes, mantendo a coerência entre elas com uma finalidade comum: a valorização do seu povo. Por fim, chegamos a conclusões sobre o papel dos grupos neo-xamânicos ayahuasqueiros na promoção, reconhecimento e valorização dos modelos de cuidado indígenas, além dos desafios enfrentados devido à expansão e ao crescente interesse econômico por essas práticas.

  • Mostrar Abstract
  • Esta pesquisa tem como objeto de interesse os grupos neo-xamânicos da Região Metropolitana do Recife. O ponto principal é a investigação dos modelos de cuidados elaborados no encontro entre indígenas e não-indígenas, que ocorrem por meio do desenvolvimento de relações de aliança. Essas alianças são sistemas simbólicos de comprometimento firmados entre grupos neo-xamânicos ayahuasqueiros e lideranças indígenas. No sistema de aliança, há um modelo de cooperação mútua, por onde ocorrem diversas trocas. Para esses grupos, as alianças conferem legitimidade às suas atividades e lhes atribuem responsabilidades, sendo designados como “porta-vozes da cultura de um povo”. Assim, é a partir das alianças que se torna possível mapear e identificar o produto do encontro entre esses dois sujeitos: de um lado, pessoas de diversas procedências que se unem por meio do consumo de uma substância, formando uma comunidade; e do outro, lideranças indígenas que articulam essas amplas redes, mantendo a coerência entre elas com uma finalidade comum: a valorização do seu povo. Por fim, chegamos a conclusões sobre o papel dos grupos neo-xamânicos ayahuasqueiros na promoção, reconhecimento e valorização dos modelos de cuidado indígenas, além dos desafios enfrentados devido à expansão e ao crescente interesse econômico por essas práticas.
2
  • BERLANO BENIS FRANCA DE ANDRADE
  • AS ENCRUZILHADAS DAS MOBILIDADES: movimentos e estratégias de vida dos trabalhadores do circuito das confecções no Agreste de Pernambuco

  • Orientador : VÂNIA FIALHO
  • MEMBROS DA BANCA :
  • ALFREDO WAGNER BERNO DE ALMEIDA
  • ANDREA LORENA BUTTO ZARZAR
  • JOSEFA SALETE BARBOSA CAVALCANTI
  • MARILDA APARECIDA DE MENEZES
  • RUSSELL PARRY SCOTT
  • VÂNIA FIALHO
  • Data: 26/09/2024
    Ata de defesa assinada:

  • Mostrar Resumo
  • Esta tese se debruça sobre as conexões existentes entre as atividades laborais que configuram o território das confecções de vestuários no Agreste de Pernambuco. Focaliza os municípios de Bom Jardim, Casinhas, João Alfredo, Santa Maria do Cambucá, Surubim e Vertente do Lério para compreender os distintos arranjos de trabalho e mobilidades que constituem as estratégias de vida de homens e mulheres dessa região. Com base no trabalho de campo realizado entre os anos de 2019 e 2023 e apoiado teórica e metodologicamente na bibliografia especializada, parto da hipótese de que esse empreendimento das confecções recorre à uma diversidade de ocupações que são muitas delas invisíveis, ou que não são reivindicadas enquanto identidade laboral. Para analisar essas relações de trabalho tanto visíveis como submersas, a tese tem os seguintes eixos de investigação: a) a reconstituição da história local sob a perspectiva das mobilidades; b) a etnografia dos movimentos desses trabalhadores e das mercadorias que transitam ao longo da cadeia produtiva das confecções; c) a interrelação entre empreendimentos econômicos locais e os processos de expropriações que se apoderam da mão de obra disponível para as confecções; d) as restrições às mobilidades, no contexto do impacto da pandemia de COVID-19, que afetaram as redes de circulação existentes. As conclusões destacam que as práticas de mobilidade que historicamente constituem esses atores são essenciais para a sua sobrevivência, especialmente, em contextos adversos como durante da pandemia de Covid-19, e expressam transformações nas relações de trabalho.


  • Mostrar Abstract
  • Esta tese se debruça sobre as conexões existentes entre as atividades laborais que configuram o território das confecções de vestuários no Agreste de Pernambuco. Focaliza os municípios de Bom Jardim, Casinhas, João Alfredo, Santa Maria do Cambucá, Surubim e Vertente do Lério para compreender os distintos arranjos de trabalho e mobilidades que constituem as estratégias de vida de homens e mulheres dessa região. Com base no trabalho de campo realizado entre os anos de 2019 e 2023 e apoiado teórica e metodologicamente na bibliografia especializada, parto da hipótese de que esse empreendimento das confecções recorre à uma diversidade de ocupações que são muitas delas invisíveis, ou que não são reivindicadas enquanto identidade laboral. Para analisar essas relações de trabalho tanto visíveis como submersas, a tese tem os seguintes eixos de investigação: a) a reconstituição da história local sob a perspectiva das mobilidades; b) a etnografia dos movimentos desses trabalhadores e das mercadorias que transitam ao longo da cadeia produtiva das confecções; c) a interrelação entre empreendimentos econômicos locais e os processos de expropriações que se apoderam da mão de obra disponível para as confecções; d) as restrições às mobilidades, no contexto do impacto da pandemia de COVID-19, que afetaram as redes de circulação existentes. As conclusões destacam que as práticas de mobilidade que historicamente constituem esses atores são essenciais para a sua sobrevivência, especialmente, em contextos adversos como durante da pandemia de Covid-19, e expressam transformações nas relações de trabalho.

3
  • ROBERTO BARRETO MARQUES E SILVA JUNIOR
  • A ritualização da morte entre evangélicos: uma etnografia dos adventistas do sétimo dia em Açailândia - MA

  • Orientador : MISIA LINS VIEIRA REESINK
  • MEMBROS DA BANCA :
  • ANDREIA VICENTE DA SILVA
  • ANTONIO CARLOS MOTA DE LIMA
  • ISABELA ANDRADE DE LIMA MORAIS
  • MISIA LINS VIEIRA REESINK
  • ROBERTO CORDOVILLE EFREM DE LIMA FILHO
  • Data: 30/09/2024
    Ata de defesa assinada:

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  • Surgida desordenadamente de uma rodovia soerguida nos anos 1950, a cidade de Açailândia (MA) vai se tornando atrativa e ponto de fixação a partir do veio evangélico de uma colônia presbiteriana que, de certa forma, possibilita nos anos 1970 o desenvolvimento da Igreja Adventista do Sétimo Dia, sendo alguns de seus princípios a guarda do sábado, a crença no retorno breve de Cristo, a imutabilidade da Bíblia e a incomunicabilidade entre mortos e vivos. Diferente da cosmologia católica, nos princípios adventistas os mortos não interferem na vida dos vivos e não possuem um local próprio, pois a ideia de inferno é fugidia e se vincula à ausência do céu. Algumas abordagens clássicas sobre a morte na contemporaneidade acabaram por interpretar esse viés de incomunicabilidade como uma simplificação ou inexistência dos ritos funerários, o que a
    presente etnografia acabou por refutar ao olhar as atitudes perante a morte dos Adventistas dentro do conceito interacionista de ritualização, onde as práticas de velar, sepultar e enlutar são identificadas e marcadas de modo mais espaçado no tempo, com elementos individuais e interações específicas do ambiente privado do lar. Desta forma no velório e sepultamento predomina o culto para os vivos, as músicas que revelam a esperança
    na ressurreição para a eternidade, a palavra que conforta os parente e amigos próximos, a saudade e as memórias partilhadas com o ente querido.
    Salvo algumas exceções, o túmulo em si não possui uma importância e os cuidados com ele são básicos, restando as relações com a memória do morto na lida com o luto, que é trabalhado em sonhos, lembranças, presságios, sentimentos e no cultivo de objetos de memória cujo uso pode ser ressignificado e interpretado diariamente. A morte entre os Adventistas do Sétimo Dia da cidade de Açailândia (MA) é vista (no discurso nativo) como um sono de espera, sendo que os vivos convivem com seus mortos através das memórias, em uma ritualização com poucas marcações gerais e repletas de uma inventividade onírica de quem interage com sensações, gostos, odores e vontades de quem, em tese, não interfere mais no único mundo possível – o mundo dos vivos.


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  • Surgida desordenadamente de uma rodovia soerguida nos anos 1950, a cidade de Açailândia (MA) vai se tornando atrativa e ponto de fixação a partir do veio evangélico de uma colônia presbiteriana que, de certa forma, possibilita nos anos 1970 o desenvolvimento da Igreja Adventista do Sétimo Dia, sendo alguns de seus princípios a guarda do sábado, a crença no retorno breve de Cristo, a imutabilidade da Bíblia e a incomunicabilidade entre mortos e vivos. Diferente da cosmologia católica, nos princípios adventistas os mortos não interferem na vida dos vivos e não possuem um local próprio, pois a ideia de inferno é fugidia e se vincula à ausência do céu. Algumas abordagens clássicas sobre a morte na contemporaneidade acabaram por interpretar esse viés de incomunicabilidade como uma simplificação ou inexistência dos ritos funerários, o que a presente etnografia acabou por refutar ao olhar as atitudes perante a morte dos Adventistas dentro do conceito interacionista de ritualização, onde as práticas de velar, sepultar e enlutar são identificadas e marcadas de modo mais espaçado no tempo, com elementos individuais e interações específicas do ambiente privado do lar. Desta forma no velório e sepultamento predominam o culto para os vivos, as músicas que revelam a esperança na ressurreição para a eternidade, a palavra que conforta os parente e amigos próximos, a saudade e as memórias partilhadas com o ente querido. Salvo algumas exceções, o túmulo em si não possui uma importância e os cuidados com ele são básicos, restando as relações com a memória do morto na lida com o luto, que é trabalhado em sonhos, lembranças, presságios, sentimentos e no cultivo de objetos de memória cujo uso pode ser ressignificado e interpretado diariamente. A morte entre os Adventistas do Sétimo Dia da cidade de Açailândia (MA) é vista (no discurso nativo) como um sono de espera, sendo que os vivos convivem com seus mortos através das memórias, em uma ritualização com poucas marcações gerais e repleta de uma inventividade onírica de quem interage com sensações, gostos, odores e vontades de quem, em tese, não interfere mais no único mundo possível – o mundo dos vivos.

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  • RAONI NERI DA SILVA
  • A RELIGIÃO E O PÚBLICO: mobilização das religiões de matriz afro-indo-brasileiras no sistema de justiça

  • Orientador : ROBERTA BIVAR CARNEIRO CAMPOS
  • MEMBROS DA BANCA :
  • ALOIZIO LIMA BARBOSA
  • CLEONARDO GIL DE BARROS MAURICIO JUNIOR
  • PATRÍCIO CARNEIRO ARAÚJO
  • PEDRO HENRIQUE DE OLIVEIRA GERMANO DE LIMA
  • ROBERTA BIVAR CARNEIRO CAMPOS
  • ZULEICA DANTAS PEREIRA CAMPOS
  • Data: 04/11/2024
    Ata de defesa assinada:

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  • O presente trabalho se estrutura no bojo das eleições presidenciais de 2018, a crescente tensão política e social me fez
    refletir acerca das formas de mobilização empregadas pelos adeptos das religiões afro-indo-brasileiras. Como essas
    religiões historicamente se colocam no debate público? Quais são suas estratégias, formas, procedimentos e afins para
    reivindicar seus direitos e lutar contra o racismo? Qual seria o papel das instituições de justiça e seus agentes neste
    processo? Quais categorias são utilizadas para produzir os laços de reconhecimento entre os diferentes grupos e
    indivíduos? Essas foram algumas das questões que mobilizaram minhas reflexões e as quais tento responder neste
    trabalho. Para isso, lanço mão do trabalho de campo no desencadear do processo etnográfico, o qual estende-se do ano
    de 2018 até meados de 2023. O trabalho então é pensado a partir de três eixos principais. O primeiro, é intitulado “O
    Afro-Indo-Brasileiro e a Esfera Pública” e tem por objetivo refletir acerca da presença das religiões afro-indo-brasileiras
    na esfera pública, trazendo um apanhado histórico sobre os elementos que influenciaram na construção da esfera pública
    brasileira. É partindo deste contexto que construo um panorama a respeito dos estudos que pensaram a presença pública
    dessas religiões. Sigo então para a produção de um esboço de classificação dessas formas de presença. Concluindo a
    primeira parte com uma discussão a respeito dos tensionamentos do Campo Jurídico e a abordagem bourdieusiana,
    pensando nos limites e possibilidades empíricas do conceito. No segundo eixo, intitulado “Judicialização", passo por
    uma debate mais amplo sobre a judicialização como parte de um processo mais geral de formação e transformação dos
    sentidos sociais do Direito. É neste capítulo também onde tento mostrar como as articulações pelo e no Direito,
    envolvem o lugar ocupado por pessoas que, a partir de sua trajetória e compreensão sobre o papel das instituições, se
    tornam vetores do acesso dos grupos aos tribunais e, mais importante, à política que os rodeia. O terceiro eixo, por sua
    vez, tem por objetivo discutir a construção de “comunidades emocionais” e como a noção vítima ajuda a construir uma
    noção de comunidade, produzindo laços de reconhecimento entre os diferentes grupos e indivíduos.


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  • O presente trabalho tem por objetivo identificar e analisar novas e velhas formas de presença das religiões
    afro-brasileira e afro-indígenas na esfera pública, com especial atenção aos processos de busca pelas
    instituições de Justiça, seja em termos de judicialização, seja por elementos que envolvem o ativismo pelo
    Sistema de Justiça. O trabalho de campo então estendeu-se do ano de 2018 até meados de 2023. Como
    historicamente essas religiões se colocam no debate público? Quais são suas estratégias, formas,
    procedimentos e afins para reivindicar seus direitos e lutar contra o racismo religioso? Com esses
    questionamentos em mente, vislumbrei a possibilidade de reflexão sobre a presença dessas religiões,
    organizadas, na Esfera Pública tendo como foco o Sistema de Justiça.

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  • FERDINANDO ALFONSO ARMENTA IRURETAGOYENA
  • O balanço da bacia: água, crenças e sensorialidade na Huasteca Potosina central

  • Orientador : LAURE MARIE LOUISE CLEMENCE GARRABE
  • MEMBROS DA BANCA :
  • LAURE MARIE LOUISE CLEMENCE GARRABE
  • EDWIN BOUDEWIJN REESINK
  • PEDRO CASTELO BRANCO SILVEIRA
  • JOSÉ ALEJANDRO FUJIGAKI LARES
  • INDIRA NAHOMI VIANA CABALLERO
  • Data: 12/11/2024
    Ata de defesa assinada:

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  • A escassez de água saudável é um problema que ocupa as agendas política, social e 

    econômicas ao redor do mundo. O conhecimento tradicional, enquanto estratégia de 

    adaptação às mudanças climáticas, desempenha um papel fundamental para pensar 

    em uma racionalidade ecológica como mediadora dessa problemática. O presente 

    trabalho se debruça sobre as atribuições sagradas da água entre os tenek da 

    Huasteca Potosina, isto com o objetivo de compreender o vínculo entre a sacralidade 

    e a formação da percepção ambiental. A hipótese de trabalho explora a relação 

    circular entre o modo de identificação tének e o desenvolvimento do sensorial, onde 

    habilidades, conhecimentos e tecnologia local operam como práticas de manutenção 

    do ecossistema. Nesse sentido, a metodologia qualitativa a desenvolver deriva de um 

    trabalho de campo extensivo e uma sistematização de dados baseado no modelo da 

    Grounded Theory. Baseado nas técnicas de observação direta, entrevista etnográfica, 

    cartografia participativa, registros audiovisuais, reportes oficiais com enfoque de bacia 

    hidrológica e pesquisa-ação. A evidência etnográfica explora a busca da água (alim 

    já), o curandeirismo, as danzas, o bordado tradicional, as benções de poço, e o 

    sistema de cargos como formas de conhecimento intimamente ligado com a 

    habilidade das pessoas para sentir o ambiente. Os resultados sugerem que a 

    sacralidade da água abrange um complexo cosmológico, bem como uma engenharia 

    vernácula para resolver problemas relacionados com o armazenamento, 

    disponibilidade e saneamento da água nas comunidades tének, muitas vezes como 

    resposta às pressões do exógenas. Embora a relação entre a visão externa 

    (conhecimento científico implementado pelas instituições públicas na Huasteca 

    Potosina) e o conhecimento local tének (kwajíl alwa) pondera critérios divergentes, 

    proponho pensar em um continuum epistemológico que concilie uma forma de 

    conhecimento baseada em resultados medíveis (ciência) com outra forma baseada 

    nas emoções que o conhecimento produz (estética relacional). Essa tensão positiva 

    buscará abrir uma janela para pensarmos em alternativas à situação ambiental atual.


  • Mostrar Abstract
  • A escassez de água sana é um problema que ocupa as agendas polí6co, social e económicas ao redor
    do mundo. O conhecimento tradicional enquanto estratégias de adaptação às mudanças no
    ambiente desempenha um papel fundamental para pensar em uma racionalidade ecológica como
    mediadora dessa problemá6ca. O presente trabalho se debruça sobre as crenças sagradas da água
    entre os tenek da Huasteca Potosina, isto com o obje6vo de compreender o vínculo entre as crenças
    sagradas e a formação da percepção ambiental. A hipótese de trabalho explora a relação circular
    entre as crenças sagradas da água entre os tenek e o desenvolvimento do sensorial, onde
    habilidades, conhecimentos e tecnologia local operam como prá6cas de mantenimento
    ecossistêmico. Nesse sen6do, a metodologia qualita6va a desenvolver deriva de um trabalho de
    campo extensivo e uma sistema6zação de dados baseado no modelo Grounded Theory e baseado
    nas técnicas de observação direta, entrevista etnográfica, cartografia par6cipa6va, registros
    audiovisuais, reportes oficiais com enfoque de bacia hidrológica e pesquisa-ação. Assim, o aporte
    desse trabalho visa aprofundar no conhecimento prá6co derivado da sacralidade da água entendido
    como um conjunto de estratégias de conservação do ecossistema que respondem às pressões do
    exterior imediato.

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  • SIRLEY VIEIRA DA SILVA
  • “Quando ele não bebe é uma paz aqui dentro de casa, mas quando ele bebe, pronto!”: o uso da bebida alcoólica na
    perspectiva de homens e mulheres indígenas Pankararu

  • Orientador : RENATO AMRAM ATHIAS
  • MEMBROS DA BANCA :
  • RENATO AMRAM ATHIAS
  • RUSSELL PARRY SCOTT
  • VÂNIA FIALHO
  • CAROLINE FARIAS LEAL MENDONCA
  • ELIANA DE BARROS MONTEIRO
  • Data: 12/12/2024
    Ata de defesa assinada:

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  • Esta tese examina as diferentes perspectivas e concepções de homens e mulheres Pankararu, do sertão pernambucano do submédio
    do Rio São Francisco, com relação ao uso da bebida alcoólica em seu território. O consumo de substâncias alcoólicas entre os
    Pankararu é uma prática antiga, profundamente enraizada em sua cultura, assim como em muitas outras etnias. Tradicionalmente, os
    Pankararu preparam a bebida da jurema para uso ritualístico. No entanto, a introdução das bebidas alcoólicas destiladas modificou
    progressivamente tanto o modo de consumo quanto as interações sociais em torno da alcoolização. Essas transformações geraram
    impactos significativos nas relações domésticas e sociais com impactos em problemas de saúde até questões relacionadas a
    violências. Ao analisar as informações coletadas em campo e as narrativas presentes nas entrevistas entre os Pankararu, esta tese
    apresenta as diferentes percepções sobre esses problemas que são vistos de maneira significativa entre homens e mulheres indígenas,
    destacando diferentes dimensões de suas experiências e impactos significativos a partir das relações sociais e de gênero.


  • Mostrar Abstract
  • Esta pesquisa buscar encontrar resposta para o impacto da bebida alcoólica nos processos de organização
    social e nas questões de gênero e sobretudo o impacto sobre a violência nas terras indígenas. Entender o
    processo de alcoolização entre os povos indígena é o objetos geral desta pesquisa. Por fim, em contraste, pode-
    se até refletir sobre como o processo de urbanização e a globalização afetam e/ou ameaçam as conexões
    indígenas com a natureza. No entanto, ao olhar para os Pankararu, pode-se perceber a resiliência desse povo
    em se adaptando as práticas culturais a novos contextos, preservando a relação intrínseca com o mundo
    natural. Um exemplo sobre essa questão é, ao se referir a migração desse povo para áreas urbanas, quando
    afirma que esse processo não rompeu seus laços com a natureza; em vez disso, eles se adaptaram, e o que se
    observa é que suas expressões culturais se mantêm presentes nesses novos ambientes, reiterando a conexão
    Pankararu com suas raízes ancestrais.

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  • GILVANILDO KLEBSON MENDES FERREIRA
  • A  DIMENSÃO COLABORATIVA E SUSTENTÁVEL NO PROJETO DE CRIAÇÃO DO MUSEU COMUNITÁRIO E ARQUEOLÓGICO DE PONTA GROSSA – MAPA: ENTRE LÓGICAS COMUNITÁRIAS E PREDATÓRIAS ATRAVÉS DO TURISMO NA PRAIA DE PONTA GROSSA – ICAPUÍ/CEARÁ

  • Orientador : LAURE MARIE LOUISE CLEMENCE GARRABE
  • MEMBROS DA BANCA :
  • LAURE MARIE LOUISE CLEMENCE GARRABE
  • ALEX GIULIANO VAILATI
  • RENATO AMRAM ATHIAS
  • BRUNO CÉSAR BRULON SOARES
  • ALEXANDRE OLIVEIRA GOMES
  • Data: 16/12/2024
    Ata de defesa assinada:

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  • Esta tese visa analisar o projeto colaborativo e sustentável de construção do Museu Comunitário e Arqueológico de Ponta Grossa - MAPA, através do embate entre as lógicas comunitárias e predatórias no turismo de base comunitária - TBC desenvolvido na comunidade praiana de Ponta Grossa, localizada no município de Icapuí Ceará. Toda a dinâmica comunitária da praia é aparelhada através de vínculos dos moradores com a exploração sustentável das riquezas naturais disponibilizadas no território, seja nos setores da pesca, do turismo ou do cotidiano. A construção do Museu pode, grosso modo, consolidar e dar continuidade aos modos que subsistem, ou, pelo contrário, ser um dos símbolos da ruptura desse envolvimento consciente e sustentável com o meio ambiente. O efeito dessa disputa pode ser percebido ao considerar a implicação que a criação do Museu, um equipamento turístico-cultural “cartão-postal” do munícipio, terá sobre a relação entre os moradores de Ponta Grossa e seu território. Ao ambicionar o desenvolvimento do setor turístico na localidade, o MAPA é entendido não como a causa de uma imaginável fratura desse contrato, mas como o efeito de estratégias econômicas cada vez mais pressionadas pelo capital. Nas concepções do projeto, há interseções entre categorias aparentemente contraditórias, distribuídas pelos diferentes atores enredados, que dialogam numa tentativa de instituir um todo coeso, como “particularismo” e “universalismo”, “economia globalizada” e “sustentabilidade ambiental”, “turismo de base comunitária” e “turismo massificado”, por exemplo. Por isso, a pesquisa sistematiza o termo “museologia colaborativa”, influído pela “antropologia colaborativa” - uma importante iniciativa de sistematização do campo antropológico da pesquisa colaborativa -, para questionar o enfoque da literatura que considera os museus comunitários como dispositivos voltados quase que integralmente para seu interior, objetivando problematizar como Ponta Grossa, através do MAPA, pode se ligar ao turismo cada vez mais mundial sem romper com as práticas locais sustentáveis.


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  • Esta tese visa analisar o projeto colaborativo e sustentável de construção do Museu Comunitário e Arqueológico de Ponta Grossa - MAPA, através do embate entre o turismo de base comunitária (TBC) e o turismo predatório presente na comunidade praiana de Ponta Grossa, localizada no município de Icapuí Ceará. Toda a dinâmica comunitária da praia é aparelhada através de vínculos dos moradores com a exploração sustentável das riquezas naturais disponibilizadas no território, seja nos setores da pesca, do turismo ou do cotidiano. A construção do Museu pode, grosso modo, consolidar e dar continuidade aos modos que subsistem, ou, pelo contrário, ser um dos símbolos da ruptura desse envolvimento consciente e sustentável com o meio ambiente. O efeito dessa disputa pode ser percebido ao considerar a implicação que a criação do Museu, um equipamento turístico-cultural “cartão-postal” do munícipio, terá sobre a relação entre os moradores de Ponta Grossa e seu território. Ao ambicionar o desenvolvimento do setor turístico na localidade, o MAPA é entendido não como a causa de uma imaginável fratura desse contrato, mas como o efeito de estratégias econômicas cada vez mais pressionadas pelo capital. Nas concepções do projeto, há interseções entre categorias aparentemente contraditórias, distribuídas pelos diferentes atores enredados, que dialogam numa tentativa de instituir um todo coeso, como “particularismo” e “universalismo”, “economia globalizada” e “sustentabilidade ambiental”, “turismo de base comunitária” e “turismo massificado”, por exemplo. Por isso, a pesquisa sistematiza o termo “museologia colaborativa”, influído pela “antropologia colaborativa” - uma importante iniciativa de sistematização do campo antropológico da pesquisa colaborativa -, para questionar o enfoque da literatura que considera os museus comunitários como dispositivos voltados quase que integralmente para seu interior , objetivando problematizar como Ponta Grossa, através do MAPA, pode se ligar ao turismo cada vez mais mundial sem romper com as práticas locais sustentáveis.

2023
Dissertações
1
  • DIEGO VINICIUS DE FRANCA BEZERRA
  • UMA ENCOMENDA PARA O DIABO: a violência urbana como fator de associação entre os entregadores por aplicativos de Arcoverde (PE)

  • Orientador : FRANCISCO SA BARRETO DOS SANTOS
  • MEMBROS DA BANCA :
  • FRANCISCO SA BARRETO DOS SANTOS
  • IZABELLA MARIA DA SILVA MEDEIROS
  • ROBERTO CORDOVILLE EFREM DE LIMA FILHO
  • Data: 16/02/2023

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  • Resumo: Esta dissertação é o resultado de uma pesquisa antropológica com os entregadores por aplicativos em Arcoverde (PE), município no Sertão de Pernambuco, também conhecido como “Portal do Sertão”. De início, trata de uma formulação antropológica a partir dos e sobre os entregadores por aplicativos tendo o reconhecimento visual do território pesquisado como ponto de partida: a cidade de Arcoverde. Além disso, trata-se de um relato do processo de tematização dos entregadores nos primeiros meses de pandemia e isolamento social, quando este antropólogo ainda se encontrava em Recife (PE). Esse processo traçou o sentido desta jornada antropológica até Arcoverde: cidade de aplicativos, food delivery e muitos entregadores preocupados com os assaltantes armados nas periferias urbanas, revoltados com a inércia das autoridades públicas e totalmente desconhecida para o antropólogo até o início desta pesquisa. Para dar conta do objeto, este trabalho procura teorizar o Breque dos Apps, manifestação-modelo para a apreciação dos entregadores nos debates acadêmicos atuais, e apontamentos teóricos sugestivos para uma etnografia urbana desses trabalhadores, tomando a cidade de médio porte como parte do problema. Assim, em seus procedimentos de análise, o trabalho procura discutir a violência urbana em contextos de trabalhos precarizados. Em relação a sua abordagem metodológica, esta dissertação está montada sobre a observação etnográfica: observação direta, participante e entrevistas, tanto nas ruas quanto nas redes sociais, com destaque para a comunidade virtual “Associação dos Entregador”. Por fim, projetamos a exaustão e a morte como parte da gestão do trabalho de entregadores na cidade contemporânea.  




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  • Resumo: Esta dissertação é o resultado de uma pesquisa antropológica com os entregadores por aplicativos em Arcoverde (PE), município no Sertão de Pernambuco, também conhecido como “Portal do Sertão”. De início, trata de uma formulação antropológica a partir dos e sobre os entregadores por aplicativos tendo o reconhecimento visual do território pesquisado como ponto de partida: a cidade de Arcoverde. Além disso, trata-se de um relato do processo de tematização dos entregadores nos primeiros meses de pandemia e isolamento social, quando este antropólogo ainda se encontrava em Recife (PE). Esse processo traçou o sentido desta jornada antropológica até Arcoverde: cidade de aplicativos, food delivery e muitos entregadores preocupados com os assaltantes armados nas periferias urbanas, revoltados com a inércia das autoridades públicas e totalmente desconhecida para o antropólogo até o início desta pesquisa. Para dar conta do objeto, este trabalho procura teorizar o Breque dos Apps, manifestação-modelo para a apreciação dos entregadores nos debates acadêmicos atuais, e apontamentos teóricos sugestivos para uma etnografia urbana desses trabalhadores, tomando a cidade de médio porte como parte do problema. Assim, em seus procedimentos de análise, o trabalho procura discutir a violência urbana em contextos de trabalhos precarizados. Em relação a sua abordagem metodológica, esta dissertação está montada sobre a observação etnográfica: observação direta, participante e entrevistas, tanto nas ruas quanto nas redes sociais, com destaque para a comunidade virtual “Associação dos Entregador”. Por fim, projetamos a exaustão e a morte como parte da gestão do trabalho de entregadores na cidade contemporânea.  



2
  • LUCIANO RODRIGUES DA COSTA
  • A BATALHA CONTRA O “MAL”: ATIVIDADE MISSIONÁRIA E A TRANSFORMAÇÃO DO MISSIONÁRIO - UM PROCESSO DE “CONVERSÃO SIMÉTRICA”

  • Orientador : ROBERTA BIVAR CARNEIRO CAMPOS
  • MEMBROS DA BANCA :
  • CLAUDIA WOLFF SWATOWISKI
  • PEDRO HENRIQUE DE OLIVEIRA GERMANO DE LIMA
  • ROBERTA BIVAR CARNEIRO CAMPOS
  • Data: 24/02/2023

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  • O presente trabalho está situado no campo da Antropologia do Cristianismo e objetiva compreender como a subjetividade dos missionários é ressignificada a partir da ideia de guerra contra o “mal”. O grupo de pesquisa são os missionários brasileiros da Igreja Batista em Guiné-Bissau. Para isso, o trabalho visa entender a atividade missionária partindo da ideia de uma guerra contra o “mal” no encontro cultural africano.  Nesse sentido, outros objetivos são estabelecidos: identificar os trabalhos e ações desenvolvidas pelos missionários, verificar estratégias, arranjos e negociações usadas pelos missionários no contexto local. A experiência do autor no pré-campo e a etnografia online serviram de metodologia no desenvolvimento do trabalho, que contou com entrevistas, conversas informais e questionário. O trabalho parte da ideia de que a atividade é missionária é uma batalha contra o “mal”. O “mal”, como categoria êmica, agrega elementos da teologia cristã e das religiões de matriz africana, considerando a África o berço do mal, onde há a necessidade de conversão à Deus. Os missionários são apresentados como as pessoas que levam Deus aos lugares que chegam, lutando contra o “mal”. Porém, o processo de conversão dos nativos, durante a atividade missionária, molda e ressignifica a subjetividade do missionário. Assim, descrevo esse processo como “conversão simétrica”.

     


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  • O presente trabalho está situado no campo da Antropologia do Cristianismo e objetiva compreender como a subjetividade dos missionários é ressignificada a partir da ideia de guerra contra o “mal”. O grupo de pesquisa são os missionários brasileiros da Igreja Batista em Guiné-Bissau. Para isso, o trabalho visa entender a atividade missionária partindo da ideia de uma guerra contra o “mal” no encontro cultural africano.  Nesse sentido, outros objetivos são estabelecidos: identificar os trabalhos e ações desenvolvidas pelos missionários, verificar estratégias, arranjos e negociações usadas pelos missionários no contexto local. A experiência do autor no pré-campo e a etnografia online serviram de metodologia no desenvolvimento do trabalho, que contou com entrevistas, conversas informais e questionário. O trabalho parte da ideia de que a atividade é missionária é uma batalha contra o “mal”. O “mal”, como categoria êmica, agrega elementos da teologia cristã e das religiões de matriz africana, considerando a África o berço do mal, onde há a necessidade de conversão à Deus. Os missionários são apresentados como as pessoas que levam Deus aos lugares que chegam, lutando contra o “mal”. Porém, o processo de conversão dos nativos, durante a atividade missionária, molda e ressignifica a subjetividade do missionário. Assim, descrevo esse processo como “conversão simétrica”.

     

3
  • YVISSON MARTINS GONCALVES DE LIMA SABINO
  • "Rir do Absurdo": ateísmo e humor no Facebook

  • Orientador : ROBERTA BIVAR CARNEIRO CAMPOS
  • MEMBROS DA BANCA :
  • CLEONARDO GIL DE BARROS MAURICIO JUNIOR
  • RAONI BORGES BARBOSA
  • ROBERTA BIVAR CARNEIRO CAMPOS
  • Data: 27/02/2023

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  • Este presente trabalho tem como objetivo principal compreender como os ateístas e agnósticos utilizam do humor como pedagogia para construção do corpo secular. Com base no movimento do Novo Ateísmo, “rir do absurdo” é uma das estratégias utilizadas pela Associação Brasileira de Agnósticos (ATEA) para revelar as possíveis incongruências nos discursos e práticas religiosas do território brasileiro. Através desse contexto, apresentei os principais argumentos que caracterizam a etnopsicologia ateísta e apontei como é refletida na prática do grupo. Assim, por meio da metodologia qualitativa, demonstrei como as imagens e vídeos compartilhados no Facebook da ATEA apresentam a conduta religiosa como ilusória e irracional, em que não se deve imitar o comportamento considerado como desviante e "absurdo". Desse modo, compreendo que os membros do grupo estabelecem a sabedoria científica como iluminação perante as trevas dos argumentos religiosos. Portanto, a pedagogia através do humor busca construir este corpo secular e revelar o pensamento do secularismo, que coloca a religião como imoral e obstáculo para o progresso da sociedade moderna.


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  • Este presente trabalho tem como objetivo principal compreender como os ateístas e agnósticos utilizam do humor como pedagogia para construção do corpo secular. Com base no movimento do Novo Ateísmo, “rir do absurdo” é uma das estratégias utilizadas pela Associação Brasileira de Agnósticos (ATEA) para revelar as possíveis incongruências nos discursos e práticas religiosas do território brasileiro. Através desse contexto, apresentei os principais argumentos que caracterizam a etnopsicologia ateísta e apontei como é refletida na prática do grupo. Assim, por meio da metodologia qualitativa, demonstrei como as imagens e vídeos compartilhados no Facebook da ATEA apresentam a conduta religiosa como ilusória e irracional, em que não se deve imitar o comportamento considerado como desviante e "absurdo". Desse modo, compreendo que os membros do grupo estabelecem a sabedoria científica como iluminação perante as trevas dos argumentos religiosos. Portanto, a pedagogia através do humor busca construir este corpo secular e revelar o pensamento do secularismo, que coloca a religião como imoral e obstáculo para o progresso da sociedade moderna.

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  • NEILTON FELIX DA SILVA
  • Duelos verbais periféricos no centro da cidade de Recife: memória, relações raciais e políticas do improviso na Batalha da Escadaria.

  • Orientador : LAURE MARIE LOUISE CLEMENCE GARRABE
  • MEMBROS DA BANCA :
  • ROSENVERCK ESTRELA SANTOS
  • LAURE MARIE LOUISE CLEMENCE GARRABE
  • LUCIANA FERREIRA MOURA MENDONCA
  • Data: 28/02/2023

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  • Esta dissertação propõe uma etnografia dos duelos verbais praticados por jovens Mestres de Cerimonia (MCs) entre 14 e 30 anos, a maioria se autoidentificando negros e oriundos das periferias do Recife e da RMR. A Batalha da Escadaria, que ocorre nas sextas-feiras à noite em uma escadaria da Rua do Hospício, no bairro da Conde da Boa Vista, foi um entre os locais privilegiados para entender a cultura do MCing no Pernambuco, que nasce na esteira de um movimento hip-hop já glocalizado no Brasil e no estado. Os duelos da Batalha da Escadaria, a primeira e a mais antiga batalha de MCs na cidade, manifestam a cada sessão uma provocação em relação a dificuldade estrutural de acessibilidade desses jovens aos locais centrais simbolizando o consumo cultural e mercantil, com golpes verbais e gestuais afirmando sua existência e resistência nos próprios termos, trocando no ar das ruas trocas insultos e gírias em perfeito e autónomo estado de controle. Para entender a constituição dessa cultura na RMR e no Pernambuco, o primeiro capítulo retorna às origens do rap, prática da qual surge o MCing, e o segundo explora a inserção destas no Brasil e no Pernambuco, com o auxilio da historia do rap, do hip-hop e documentos jornalísticos. O terceiro capítulo consiste em uma etnografia do/as MCs recifenses a partir de suas inserções em diversas batalhas da cidade, apoiada em uma perspectiva “intersecional do espaço” conjugando problemáticas de gênero, relações raciais e classe para entender melhor seus modos de territorialização, socialização e identificação. Num quarto capítulo, abordo os duelos verbais a partir de uma perspectiva metodológica da Antropologia da Performance, para entender os aspectos ritualísticos, simbólicos e linguísticos tais como codificados e significam para os MCs, além de estabelecer relações com brincadeiras regionais de tradição afro-diaspórica contendo duelos verbais abrangendo também dimensões lúdicas e agonísticas do jogo. Trata-se de uma contribuição à Antropologia do MCing que ainda resta a fazer no Brasil.


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  • Esta dissertação propõe uma etnografia dos duelos verbais praticados por jovens Mestres de Cerimonia (MCs) entre 14 e 30 anos, a maioria se autoidentificando negros e oriundos das periferias do Recife e da RMR. A Batalha da Escadaria, que ocorre nas sextas-feiras à noite em uma escadaria da Rua do Hospício, no bairro da Conde da Boa Vista, foi um entre os locais privilegiados para entender a cultura do MCing no Pernambuco, que nasce na esteira de um movimento hip-hop já glocalizado no Brasil e no estado. Os duelos da Batalha da Escadaria, a primeira e a mais antiga batalha de MCs na cidade, manifestam a cada sessão uma provocação em relação a dificuldade estrutural de acessibilidade desses jovens aos locais centrais simbolizando o consumo cultural e mercantil, com golpes verbais e gestuais afirmando sua existência e resistência nos próprios termos, trocando no ar das ruas trocas insultos e gírias em perfeito e autónomo estado de controle. Para entender a constituição dessa cultura na RMR e no Pernambuco, o primeiro capítulo retorna às origens do rap, prática da qual surge o MCing, e o segundo explora a inserção destas no Brasil e no Pernambuco, com o auxilio da historia do rap, do hip-hop e documentos jornalísticos. O terceiro capítulo consiste em uma etnografia do/as MCs recifenses a partir de suas inserções em diversas batalhas da cidade, apoiada em uma perspectiva “intersecional do espaço” conjugando problemáticas de gênero, relações raciais e classe para entender melhor seus modos de territorialização, socialização e identificação. Num quarto capítulo, abordo os duelos verbais a partir de uma perspectiva metodológica da Antropologia da Performance, para entender os aspectos ritualísticos, simbólicos e linguísticos tais como codificados e significam para os MCs, além de estabelecer relações com brincadeiras regionais de tradição afro-diaspórica contendo duelos verbais abrangendo também dimensões lúdicas e agonísticas do jogo. Trata-se de uma contribuição à Antropologia do MCing que ainda resta a fazer no Brasil.

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  • LUCAS LUIZ ROCHA FERREIRA DA SILVA
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    "É preciso dialogar": articulações entre evangélicos e cultura na igreja A Ponte de Recife - PE

  • Orientador : ROBERTA BIVAR CARNEIRO CAMPOS
  • MEMBROS DA BANCA :
  • BRUNO REINHARDT
  • CLEONARDO GIL DE BARROS MAURICIO JUNIOR
  • ROBERTA BIVAR CARNEIRO CAMPOS
  • Data: 28/02/2023

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  • Este trabalho teve como objetivo discutir as possíveis relações entre religião e cultura no segmento evangélico. Para isso, utilizo a Igreja A Ponte, na cidade de Recife-PE, como objeto empírico, a fim de contextualizar formas em que a esfera da cultura se entrecruza com o âmbito religioso. A referida igreja em seus cultos e eventos vem articulando essa relação para indicar que existe a possibilidade do diálogo entre os evangélicos e cultura. Nesse contexto, através de uma abordagem qualitativa, acompanhei os cultos e eventos de forma presencial e online no período de 2020-2022, a fim de compreender as dinâmicas dessa relação. Em minha observação, pude identificar um formato de culto que vem ganhando notoriedade no segmento evangélico, sobretudo com um público mais jovem. Tal formato possui a expertise de utilização de elementos tecnológicos e que são essenciais como meios de mediação entre o fiel e o divino. Em síntese, compreendo que todos eles são elementos de uma formação estética materializada na igreja.  Nesse contexto, chamo atenção para a habilidade do religioso em conseguir formar um tipo específico de sujeito com uma visão de mundo específica. Dessa forma, entendo que cultura por vezes é acionada na igreja Ponte como uma ferramenta de evangelização, sendo indicado que é preciso entender as vivências de um determinado grupo para poder levar o Evangelho de Cristo. Nessa perspectiva, seria preciso se misturar em ambientes, levar o Evangelho para as pessoas que estão no “mundo”, e esperar que Deus os transforme. Nesta pesquisa também é destacado que não é apenas como uma ferramenta de evangelização que a cultura é operacionalizada na Ponte. A igreja utiliza de elementos culturais de Pernambuco para divulgação dos seus cultos e eventos. Assim, a esfera da cultura não é algo totalmente oposto a igreja, por vezes o que é do “mundo” se relaciona com questões religiosas. Por fim, assinalo que na Ponte o uso da categoria cultura por vezes se aproxima de uma compreensão antropológica. De forma geral, meus argumentos estão em consonância com a literatura especializada dessa temática, compreendendo que cada vez mais agentes evangélicos estão atentos e alinhados em querer munir-se com a “arma da cultura”.


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  • Este trabalho teve como objetivo discutir as possíveis relações entre religião e cultura no segmento evangélico. Para isso, utilizo a Igreja A Ponte, na cidade de Recife-PE, como objeto empírico, a fim de contextualizar formas em que a esfera da cultura se entrecruza com o âmbito religioso. A referida igreja em seus cultos e eventos vem articulando essa relação para indicar que existe a possibilidade do diálogo entre os evangélicos e cultura. Nesse contexto, através de uma abordagem qualitativa, acompanhei os cultos e eventos de forma presencial e online no período de 2020-2022, a fim de compreender as dinâmicas dessa relação. Em minha observação, pude identificar um formato de culto que vem ganhando notoriedade no segmento evangélico, sobretudo com um público mais jovem. Tal formato possui a expertise de utilização de elementos tecnológicos e que são essenciais como meios de mediação entre o fiel e o divino. Em síntese, compreendo que todos eles são elementos de uma formação estética materializada na igreja.  Nesse contexto, chamo atenção para a habilidade do religioso em conseguir formar um tipo específico de sujeito com uma visão de mundo específica. Dessa forma, entendo que cultura por vezes é acionada na igreja Ponte como uma ferramenta de evangelização, sendo indicado que é preciso entender as vivências de um determinado grupo para poder levar o Evangelho de Cristo. Nessa perspectiva, seria preciso se misturar em ambientes, levar o Evangelho para as pessoas que estão no “mundo”, e esperar que Deus os transforme. Nesta pesquisa também é destacado que não é apenas como uma ferramenta de evangelização que a cultura é operacionalizada na Ponte. A igreja utiliza de elementos culturais de Pernambuco para divulgação dos seus cultos e eventos. Assim, a esfera da cultura não é algo totalmente oposto a igreja, por vezes o que é do “mundo” se relaciona com questões religiosas. Por fim, assinalo que na Ponte o uso da categoria cultura por vezes se aproxima de uma compreensão antropológica. De forma geral, meus argumentos estão em consonância com a literatura especializada dessa temática, compreendendo que cada vez mais agentes evangélicos estão atentos e alinhados em querer munir-se com a “arma da cultura”.

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  • THIAGO HENRIQUE DE MELO ARAUJO
  • O atravessamento da escola municipal Professor José da Costa Porto pelas fronteiras simbólicas do coque.

  • Orientador : MARION TEODOSIO DE QUADROS
  • MEMBROS DA BANCA :
  • MARION TEODOSIO DE QUADROS
  • HUGO MENEZES NETO
  • ROSANE MARIA ALENCAR DA SILVA
  • Data: 13/03/2023

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  • O objetivo dessa dissertação é refletir sobre as fronteiras simbólicas presentes na comunidade do Coque a partir das relações sociais existentes na Escola Municipal Professor José da Costa Porto, e de que forma esta opera. Uma comunidade estigmatizada sob o signo da miséria, sobretudo da violência, pauta principal da mídia local, a partir da década de 1990, criando uma série de estigmas. O trabalho analisou o contexto histórico da comunidade evidenciando a formação de microterritórios, ou seja, várias áreas dentro do mesmo território. O processo de urbanização brasileira, a partir do século 20, baseou-se na emergência da cidade moderna na qual o houve crescimento não planejado e a criação de periferias. No contexto de Pernambuco, tem-se no Coque um exemplo que ilustra as desigualdades sociais que fizeram e fazem parte da formação da cidade do Recife. Na coleta de dados nos baseamos na observação não participante, na realização de três grupos focais com estudantes do 8o e 9o anos e de entrevistas individuais com integrantes do grupo de profissionais que atuam junto a estes. No tratamento dos dados utilizamos a Análise de Discurso. O Coque é considerado até hoje um lugar perigoso, e esta forma de percebê-lo interfere na forma com que a escola se relaciona com o bairro. Foi observado que atualmente há uma fluidez nas relações dos moradores e estudantes, a respeito do microterritório onde vivem, no entanto, há muitos resquícios dos elementos estigmatizantes relacionados à pobreza e à violência na escola, pois é neste espaço que várias áreas se cruzam, evidenciando a escola como um lugar de fronteiras simbólicas que operam de maneira a interferir no ambiente escolar, e no olhar que os próprios moradores ainda têm da comunidade.

     

     


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  • O objetivo dessa dissertação é refletir sobre as fronteiras simbólicas presentes na comunidade do Coque a partir das relações sociais existentes na Escola Municipal Professor José da Costa Porto, e de que forma esta opera. Uma comunidade estigmatizada sob o signo da miséria, sobretudo da violência, pauta principal da mídia local, a partir da década de 1990, criando uma série de estigmas. O trabalho analisou o contexto histórico da comunidade evidenciando a formação de microterritórios, ou seja, várias áreas dentro do mesmo território. O processo de urbanização brasileira, a partir do século 20, baseou-se na emergência da cidade moderna na qual o houve crescimento não planejado e a criação de periferias. No contexto de Pernambuco, tem-se no Coque um exemplo que ilustra as desigualdades sociais que fizeram e fazem parte da formação da cidade do Recife. Na coleta de dados nos baseamos na observação não participante, na realização de três grupos focais com estudantes do 8o e 9o anos e de entrevistas individuais com integrantes do grupo de profissionais que atuam junto a estes. No tratamento dos dados utilizamos a Análise de Discurso. O Coque é considerado até hoje um lugar perigoso, e esta forma de percebê-lo interfere na forma com que a escola se relaciona com o bairro. Foi observado que atualmente há uma fluidez nas relações dos moradores e estudantes, a respeito do microterritório onde vivem, no entanto, há muitos resquícios dos elementos estigmatizantes relacionados à pobreza e à violência na escola, pois é neste espaço que várias áreas se cruzam, evidenciando a escola como um lugar de fronteiras simbólicas que operam de maneira a interferir no ambiente escolar, e no olhar que os próprios moradores ainda têm da comunidade.

     

     

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  • LUISA NOBREGA DE MORAES
  • Memórias e objetos na perspectiva dos praticantes de budismo em Pernambuco

  • Orientador : HUGO MENEZES NETO
  • MEMBROS DA BANCA :
  • THIAGO BARCELOS SOLIVA
  • FRANCISCO SA BARRETO DOS SANTOS
  • HUGO MENEZES NETO
  • Data: 31/03/2023

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  • O presente trabalho analisa as relações entre os praticantes budistas do Centro de Estudos Budistas Bodisatva (CEBB) em Recife-PE e seus objetos pessoais, buscando compreender quais as negociações são feitas entre as socializações desses indivíduos – aquela prévia à prática budista e após a adesão à essa filosofia. Tal esforço apresenta como objetivo (1) pesquisar as motivações que levam esses indivíduos a buscarem a prática budista; (2) identificar os acervos domésticos dos praticantes, buscando compreender os contrastes e negociações ali existentes, bem como possíveis mudanças simbólicas na relação com a materialidade; (3) desenvolver uma teoria dos objetos acerca de práticas de salvaguarda possíveis, através a ideia de memória em diálogo com a musealização e a patrimonialização. Com este fim, foram realizadas oito entrevistas semi-estruturadas com pessoas frequentadoras do centro budista em questão, que apresentavam maior envolvimento com a prática. Constatamos que essas pessoas são capazes de desenvolver outras visões de mundo a partir do Budismo, de forma a promover mudanças na forma de encarar seus objetos afetivos, mas não necessariamente influenciando as práticas de salvaguarda desses acervos domésticos. Esse trabalho pode contribuir para a antropologia nas discussões entre humanos e não humanos, bem como promover uma aproximação entre antropologia e museologia, a partir das contribuições do campo museal ao debate acerca da materialidade. 

     
     
     

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  • O presente trabalho analisa as relações entre os praticantes budistas do Centro de Estudos Budistas Bodisatva (CEBB) em Recife-PE e seus objetos pessoais, buscando compreender quais as negociações são feitas entre as socializações desses indivíduos – aquela prévia à prática budista e após a adesão à essa filosofia. Tal esforço apresenta como objetivo (1) pesquisar as motivações que levam esses indivíduos a buscarem a prática budista; (2) identificar os acervos domésticos dos praticantes, buscando compreender os contrastes e negociações ali existentes, bem como possíveis mudanças simbólicas na relação com a materialidade; (3) desenvolver uma teoria dos objetos acerca de práticas de salvaguarda possíveis, através a ideia de memória em diálogo com a musealização e a patrimonialização. Com este fim, foram realizadas oito entrevistas semi-estruturadas com pessoas frequentadoras do centro budista em questão, que apresentavam maior envolvimento com a prática. Constatamos que essas pessoas são capazes de desenvolver outras visões de mundo a partir do Budismo, de forma a promover mudanças na forma de encarar seus objetos afetivos, mas não necessariamente influenciando as práticas de salvaguarda desses acervos domésticos. Esse trabalho pode contribuir para a antropologia nas discussões entre humanos e não humanos, bem como promover uma aproximação entre antropologia e museologia, a partir das contribuições do campo museal ao debate acerca da materialidade. 

     
     
     
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  • MARIA MARIANA RODRIGUES DE LIMA
  • “É tempo de se levantar, erguer a voz, dar a cara a bater”: religião e política nas mobilizações on-line de uma deputada evangélica.

  • Orientador : ROBERTO CORDOVILLE EFREM DE LIMA FILHO
  • MEMBROS DA BANCA :
  • FRANCISCO SA BARRETO DOS SANTOS
  • JACQUELINE MORAES TEIXEIRA
  • ROBERTO CORDOVILLE EFREM DE LIMA FILHO
  • Data: 25/05/2023

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  • Esta dissertação de mestrado analisa etnograficamente as mobilizações on-line de uma parlamentar pernambucana autoidentificada evangélica, procurando contribuir com as discussões sobre as articulações entre mídias, religião e política. A pesquisa etnográfica que subsidia esta dissertação contou com o acompanhamento diuturno, entre maio de 2020 e setembro de 2022, das mobilizações on-line da deputada, sobretudo na rede social Instagram, registradas em diário de campo conforme um roteiro de observação. Este corpus de pesquisa foi analisado em estreito diálogo com os campos de estudos da religião e de gênero e sexualidade; e com o apoio de referenciais caros à etnografia on-line. Esta dissertação aborda inicialmente a emergência da deputada como sujeito em meio às controvérsias relativas a gênero e sexualidade presentes nas suas mobilizações on-line, analisando suas relações com noções como “proteção à vida”, “família” e “infância”, por exemplo. Em seguida, a dissertação perscruta, mais detidamente, as intensas mobilizações da deputada a respeito do protesto religioso, ocorrido em 16 de agosto de 2020, contra a realização, numa maternidade no Recife, do procedimento de aborto legal em uma menina de dez anos violentada sexualmente pelo tio no Espírito Santo, onde reside. Abordando o referido protesto, a dissertação tematiza os efeitos, as estratégias e os elementos que compõem a produção de “cenas de visibilidade” constantemente realizadas pela deputada com intermédio de sua rede social Instagram. Por fim, a dissertação divisa diferentes articulações entre as ações políticas organizadas pela deputada, o bolsonarismo e o projeto político de extrema direita no Brasil. 


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  • Esta dissertação de mestrado analisa etnograficamente as mobilizações on-line de uma parlamentar pernambucana autoidentificada evangélica, procurando contribuir com as discussões sobre as articulações entre mídias, religião e política. A pesquisa etnográfica que subsidia esta dissertação contou com o acompanhamento diuturno, entre maio de 2020 e setembro de 2022, das mobilizações on-line da deputada, sobretudo na rede social Instagram, registradas em diário de campo conforme um roteiro de observação. Este corpus de pesquisa foi analisado em estreito diálogo com os campos de estudos da religião e de gênero e sexualidade; e com o apoio de referenciais caros à etnografia on-line. Esta dissertação aborda inicialmente a emergência da deputada como sujeito em meio às controvérsias relativas a gênero e sexualidade presentes nas suas mobilizações on-line, analisando suas relações com noções como “proteção à vida”, “família” e “infância”, por exemplo. Em seguida, a dissertação perscruta, mais detidamente, as intensas mobilizações da deputada a respeito do protesto religioso, ocorrido em 16 de agosto de 2020, contra a realização, numa maternidade no Recife, do procedimento de aborto legal em uma menina de dez anos violentada sexualmente pelo tio no Espírito Santo, onde reside. Abordando o referido protesto, a dissertação tematiza os efeitos, as estratégias e os elementos que compõem a produção de “cenas de visibilidade” constantemente realizadas pela deputada com intermédio de sua rede social Instagram. Por fim, a dissertação divisa diferentes articulações entre as ações políticas organizadas pela deputada, o bolsonarismo e o projeto político de extrema direita no Brasil. 

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  • CRISLAINE VENCESLAU DE ANDRADE
  • Mulheres quilombolas de Povoação de São Lourenço (Goiana/PE): trajetórias de vida e mobilização política

  • Orientador : PEDRO CASTELO BRANCO SILVEIRA
  • MEMBROS DA BANCA :
  • ANA CLAUDIA RODRIGUES DA SILVA
  • PEDRO CASTELO BRANCO SILVEIRA
  • RITA DE CASSIA MARIA NEVES
  • Data: 29/08/2023

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  • Este trabalho analisou como se configura a questão quilombola em Povoação de São Lourenço (Goiana-PE) a partir da articulação etnográfica da vida concreta das mulheres da comunidade com a categoria legal de reconhecimento de direitos.Procurei interrogar as mulheres da comunidade quilombola pesqueira de Povoação de São Lourenço  sobre seus modos de existir,  percebendo de que forma resultam em  mobilização política.  Dialoguei, em especial, com três mulheres,que contaram suas histórias de vida e atuação política nas áreas de saúde, educação e justiça social. A pesquisa foi feita por meios etnográficos, com a utilização, de procedimentos comuns à pesquisa antropológica, como o acompanhamento do cotidiano da comunidade, incluindo acompanhamento de moradoras em suas práticas, conversas informais e participação em eventos públicos. Além disso, a pesquisa apresenta uma dimensão auto-reflexiva, pois é informada por meu lugar como mulher negra quilombola. 


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  • Este trabalho analisou como se configura a questão quilombola em Povoação de São Lourenço (Goiana-PE) a partir da articulação etnográfica da vida concreta das mulheres da comunidade com a categoria legal de reconhecimento de direitos.Procurei interrogar as mulheres da comunidade quilombola pesqueira de Povoação de São Lourenço  sobre seus modos de existir,  percebendo de que forma resultam em  mobilização política.  Dialoguei, em especial, com três mulheres,que contaram suas histórias de vida e atuação política nas áreas de saúde, educação e justiça social. A pesquisa foi feita por meios etnográficos, com a utilização, de procedimentos comuns à pesquisa antropológica, como o acompanhamento do cotidiano da comunidade, incluindo acompanhamento de moradoras em suas práticas, conversas informais e participação em eventos públicos. Além disso, a pesquisa apresenta uma dimensão auto-reflexiva, pois é informada por meu lugar como mulher negra quilombola. 

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  • WENDERSON LUAN DOS SANTOS LIMA
  • SAÚDE MENTAL E ESPIRITUALIDADES: Um estudo antropológico das experiências dos missionários da Jovem Com Uma Missão (JOCUM), do Estado de Pernambuco

  • Orientador : MISIA LINS VIEIRA REESINK
  • MEMBROS DA BANCA :
  • MARION TEODOSIO DE QUADROS
  • MISIA LINS VIEIRA REESINK
  • ROSA MARIA DE AQUINO
  • Data: 30/08/2023

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  • Esta dissertação se insere nos estudos antropológicos que abordam a relação entre saúde mental, e espiritualidades, com o objetivo de compreender como os missionários da agência missionária Jovens Com Uma Missão (JOCUM) de Recife articulam dimensões espirituais com os problemas pessoais e psíquicos. Esta instituição está localizada no Bairro de Santa Mônica, na cidade de Camaragibe – PE e tem o intuito de realizar formações missionárias e práticas de missões na localidade. Nesta pesquisa, o uso da espiritualidade é considerado como um elemento crucial para a construção de narrativas que proporcionem a compreensão dos transtornos mentais diagnosticados ou aqueles que utilizam do autodiagnóstico, por outro lado é necessário, diante a essa conjuntura, observar as narrativas de curas. Assim, consideramos nesse contexto, as categorias sendo construídas com as suas particularidades dentro do campo de missão. O quadro teórico da investigação foi produzido de acordo com uma reflexão sobre as várias perspectivas clássicas e contemporâneas sobre saúde mental, definições de religião e espiritualidades. Para os percursos metodológicos foram adotados a abordagem qualitativa e o método etnográfico, também utilizando-se das técnicas de análise bibliográfica, observação participante, entrevista semiestruturada e diário de campo; os participantes da pesquisa foram sete missionários, que contribuíram com as suas experiências e concepções que envolveram narrações de conversão, saúde mental e espiritualidades. A partir das observações e dos dados apresentados, compreendemos, do ponto de vista dos interlocutores, que os termos adotados por eles provêm de uma linguagem religiosa simbólica, que desenvolve processos mediadores os quais justificam a sua vivência missionária e experiência de cura. Além disso, é desenvolvido os ativismos de atos de serviços, que tenta ocupar uma necessidade de amparar o seu chamado, sem ao menos ter o cuidado mental. A partir desse contexto, se constroem diversas fontes de subjetividades, as quais tentam validar o seu bem-estar e felicidade.

     


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  • Esta dissertação se insere nos estudos antropológicos que abordam a relação entre saúde mental, e espiritualidades, com o objetivo de compreender como os missionários da agência missionária Jovens Com Uma Missão (JOCUM) de Recife articulam dimensões espirituais com os problemas pessoais e psíquicos. Esta instituição está localizada no Bairro de Santa Mônica, na cidade de Camaragibe – PE e tem o intuito de realizar formações missionárias e práticas de missões na localidade. Nesta pesquisa, o uso da espiritualidade é considerado como um elemento crucial para a construção de narrativas que proporcionem a compreensão dos transtornos mentais diagnosticados ou aqueles que utilizam do autodiagnóstico, por outro lado é necessário, diante a essa conjuntura, observar as narrativas de curas. Assim, consideramos nesse contexto, as categorias sendo construídas com as suas particularidades dentro do campo de missão. O quadro teórico da investigação foi produzido de acordo com uma reflexão sobre as várias perspectivas clássicas e contemporâneas sobre saúde mental, definições de religião e espiritualidades. Para os percursos metodológicos foram adotados a abordagem qualitativa e o método etnográfico, também utilizando-se das técnicas de análise bibliográfica, observação participante, entrevista semiestruturada e diário de campo; os participantes da pesquisa foram sete missionários, que contribuíram com as suas experiências e concepções que envolveram narrações de conversão, saúde mental e espiritualidades. A partir das observações e dos dados apresentados, compreendemos, do ponto de vista dos interlocutores, que os termos adotados por eles provêm de uma linguagem religiosa simbólica, que desenvolve processos mediadores os quais justificam a sua vivência missionária e experiência de cura. Além disso, é desenvolvido os ativismos de atos de serviços, que tenta ocupar uma necessidade de amparar o seu chamado, sem ao menos ter o cuidado mental. A partir desse contexto, se constroem diversas fontes de subjetividades, as quais tentam validar o seu bem-estar e felicidade.

     

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  • MARIA CINTHIA PIO DE OLIVEIRA
  • “A GENTE VAI VIVENDO E VAI VENDO”: Morte, mortos e imagens-afeto na cosmologia católica do povoado de Pelo Sinal-PE

  • Orientador : MISIA LINS VIEIRA REESINK
  • MEMBROS DA BANCA :
  • ANDREIA VICENTE DA SILVA
  • HUGO MENEZES NETO
  • MISIA LINS VIEIRA REESINK
  • Data: 06/09/2023

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  • Este trabalho trata-se de uma reflexão etnográfica acerca da relação da ideia de superstição e aquilo que classificamos, a priori, como “agouros” de morte, no contexto da comunidade católica de Pelo Sinal, povoado de Solidão, Sertão do Pajeú-PE. E tem como objetivo compreender os significados atribuídos aos agouros, por esta comunidade, a partir da lógica das concepções e práticas sobre a morte e as relações entre os sujeitos vivos e os mortos aí existentes. Parte-se do princípio de que a morte, em seus diversos contextos socioculturais, não significa a ruptura das relações entre os sujeitos vivos e os mortos, uma vez que é a partir da memória que permanecemos ligados a estes. Na perspectiva de uma cosmologia católica, essa memória pode ser compreendida a partir de sua interconexão com outros elementos, como a saudade, o tempo, o espaço e os ritos que, justapostos, formam um complexo cognitivo/afetivo que permeia essas relações (Reesink, 2010; 2012). Assim, os sentidos atribuídos ao fenômeno da morte partem dos afetos concretos daqueles que os vivenciam, variando conforme as experiências dentro de suas realidades compartilhadas. No entanto, muitas das crenças e práticas que constituem essas relações são desconsideradas, ou considerados fora de seus contextos, em função de discursos racionalistas que reproduzem padrões etnocêntricos clássicos (Kuper, 2008), o que repercute nas formas como são representados determinados contextos religiosos territorialmente situados, como é o caso dos catolicismos praticados nos interiores, nas margens ou nos sertões do Brasil. Assim, em Pelo Sinal, é possível observar uma cultura de morte onde se manifestam não só narrativas, como experiências sobre “agouros”, os quais, tidos como “superstição”, reaparecem atualizados na realidade dos “avisos”. Estes “avisos”, enquanto experiências que demandam uma ação simbólica e reflexiva dos sujeitos, estão incorporados a um sistema de comunicação com os mortos e sobre a morte, do qual também fazem parte as “relações de reciprocidade” (Reesink, 2009). A dinâmica desse sistema produz um repertório de imagens acerca da morte e dos mortos que, uma vez vividas, elaboradas e compartilhadas, se traduzem em sonhos, visões, sinais e pressentimentos, chamados aqui de “imagens-afeto”, a partir das quais é possível gerenciar as angústias decorrentes da certeza da morte diante da sua imprevisibilidade. 


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  • Este trabalho trata-se de uma reflexão etnográfica acerca da relação da ideia de superstição e aquilo que classificamos, a priori, como “agouros” de morte, no contexto da comunidade católica de Pelo Sinal, povoado de Solidão, Sertão do Pajeú-PE. E tem como objetivo compreender os significados atribuídos aos agouros, por esta comunidade, a partir da lógica das concepções e práticas sobre a morte e as relações entre os sujeitos vivos e os mortos aí existentes. Parte-se do princípio de que a morte, em seus diversos contextos socioculturais, não significa a ruptura das relações entre os sujeitos vivos e os mortos, uma vez que é a partir da memória que permanecemos ligados a estes. Na perspectiva de uma cosmologia católica, essa memória pode ser compreendida a partir de sua interconexão com outros elementos, como a saudade, o tempo, o espaço e os ritos que, justapostos, formam um complexo cognitivo/afetivo que permeia essas relações (Reesink, 2010; 2012). Assim, os sentidos atribuídos ao fenômeno da morte partem dos afetos concretos daqueles que os vivenciam, variando conforme as experiências dentro de suas realidades compartilhadas. No entanto, muitas das crenças e práticas que constituem essas relações são desconsideradas, ou considerados fora de seus contextos, em função de discursos racionalistas que reproduzem padrões etnocêntricos clássicos (Kuper, 2008), o que repercute nas formas como são representados determinados contextos religiosos territorialmente situados, como é o caso dos catolicismos praticados nos interiores, nas margens ou nos sertões do Brasil. Assim, em Pelo Sinal, é possível observar uma cultura de morte onde se manifestam não só narrativas, como experiências sobre “agouros”, os quais, tidos como “superstição”, reaparecem atualizados na realidade dos “avisos”. Estes “avisos”, enquanto experiências que demandam uma ação simbólica e reflexiva dos sujeitos, estão incorporados a um sistema de comunicação com os mortos e sobre a morte, do qual também fazem parte as “relações de reciprocidade” (Reesink, 2009). A dinâmica desse sistema produz um repertório de imagens acerca da morte e dos mortos que, uma vez vividas, elaboradas e compartilhadas, se traduzem em sonhos, visões, sinais e pressentimentos, chamados aqui de “imagens-afeto”, a partir das quais é possível gerenciar as angústias decorrentes da certeza da morte diante da sua imprevisibilidade. 

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  • ANA LUÍSA BENAS JOFILI
  • “Na panela está fervendo o ser de cada um”: fazer-se no feitio de Daime

  • Orientador : FABIANA MAIZZA
  • MEMBROS DA BANCA :
  • ISABEL DE ROSE
  • ANA CLAUDIA RODRIGUES DA SILVA
  • FABIANA MAIZZA
  • Data: 08/11/2023

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  • Este trabalho dedica-se a investigar a possível agência da folha rainha (Psychotria viridis) e do cipó jagube (Banisteriopsis caapi) naquilo que aqui é chamado de “confecção do corpo dos(as) daimistas”. O corpo assim confeccionado seria também habitado por estas plantas. A rainha e o jagube cozinhados juntos, sob técnicas específicas, se transubstanciam no Daime – bebida psicoativa central nos cultos do Santo Daime. A confecção ritualística deste sacramento, nomeada de feitio, é o principal rito das tradições daimistas. Compreende-se entre os(as) adeptos(as) que neste período eles(as) fazem a si mesmos(as) em paralelo à feitura do Daime. O processo é executado sob efeito da bebida e em constante manejo das plantas, orientado por diversos protocolos comportamentais. Esta hipótese foi analisada a partir da observação participante no primeiro feitio da igreja Céu de São Lourenço da Mata (Abreu e Lima – PE). A presente etnografia objetiva compreender como as plantas agem na confecção de corpos aptos e dispostos para a feitura do Daime. Os caminhos para esta compreensão foram percorridos através da observação da postura recomendada a cada adepto(a), a qual viabiliza os manuseios sequenciados com as plantas, água e fogo. Os hinos cantados e tocados durante o rito também são lentes de análise para a hipótese, uma vez que também possuem intrincadas técnicas corporais para sua execução. Todas estas técnicas são ensinadas pelas próprias plantas, segundo foi corroborado em campo. Também constatou-se que estes corpos garantem a continuidade das tradições orientadas pelo Daime através do cultivo da folha e do cipó e desdobram-se em novas técnicas.

     



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  • Este trabalho dedica-se a investigar a possível agência da folha rainha (Psychotria viridis) e do cipó jagube (Banisteriopsis caapi) naquilo que aqui é chamado de “confecção do corpo dos(as) daimistas”. O corpo assim confeccionado seria também habitado por estas plantas. A rainha e o jagube cozinhados juntos, sob técnicas específicas, se transubstanciam no Daime – bebida psicoativa central nos cultos do Santo Daime. A confecção ritualística deste sacramento, nomeada de feitio, é o principal rito das tradições daimistas. Compreende-se entre os(as) adeptos(as) que neste período eles(as) fazem a si mesmos(as) em paralelo à feitura do Daime. O processo é executado sob efeito da bebida e em constante manejo das plantas, orientado por diversos protocolos comportamentais. Esta hipótese foi analisada a partir da observação participante no primeiro feitio da igreja Céu de São Lourenço da Mata (Abreu e Lima – PE). A presente etnografia objetiva compreender como as plantas agem na confecção de corpos aptos e dispostos para a feitura do Daime. Os caminhos para esta compreensão foram percorridos através da observação da postura recomendada a cada adepto(a), a qual viabiliza os manuseios sequenciados com as plantas, água e fogo. Os hinos cantados e tocados durante o rito também são lentes de análise para a hipótese, uma vez que também possuem intrincadas técnicas corporais para sua execução. Todas estas técnicas são ensinadas pelas próprias plantas, segundo foi corroborado em campo. Também constatou-se que estes corpos garantem a continuidade das tradições orientadas pelo Daime através do cultivo da folha e do cipó e desdobram-se em novas técnicas.

     


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  • PEDRO DE ALBUQUERQUE XAVIER
  • Artes Públicas no Recife: relações de poder

  • Orientador : ANTONIO CARLOS MOTA DE LIMA
  • MEMBROS DA BANCA :
  • ANTONIO CARLOS MOTA DE LIMA
  • FABIANA DE FATIMA BRUCE DA SILVA
  • KATIA MEDEIROS DE ARAUJO
  • Data: 10/11/2023

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  • A dissertação intitulada “ARTES PÚBLICAS NO RECIFE: Relações de poder” analisa o contexto histórico da cidade e suas transformações com ênfase no discurso da modernidade então vigente entre o fim da primeira metade do século XX e a metade da década de 1980. O foco analítico incide nas disputas simbólicas e de poder que envolviam alguns artistas, buscando entender seus discursos sobre o que seria a chamada “boa arte e os bons artistas”. Assim, busca-se entender o lugar dessa arte na cidade e de que modo este campo constituído produziu uma prática de obras de arte pública que se relacionam também com as ideias de política patrimonial no Brasil. Este esforço é empreendido através da apresentação de três exposições de artes na cidade em que os diversos entendimentos sobre a ideia de arte se colocavam, no mesmo ano em que o primeiro mural foi contratado por um agente do estado para ocupar um prédio público e nas ações e relações subsequentes que implantaram um vasto conjunto de obras em paralelo com a trajetória de três artista que dominaram essa produção da arte pública no Recife. Concomitantemente às suas articulações com o poder, o estado e frações de elites locais, buscando analisar algumas de suas obras, e destacando seus elementos intrínsecos e extrínsecos.

     

     


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  • A dissertação intitulada “ARTES PÚBLICAS NO RECIFE: Relações de poder” analisa o contexto histórico da cidade e suas transformações com ênfase no discurso da modernidade então vigente entre o fim da primeira metade do século XX e a metade da década de 1980. O foco analítico incide nas disputas simbólicas e de poder que envolviam alguns artistas, buscando entender seus discursos sobre o que seria a chamada “boa arte e os bons artistas”. Assim, busca-se entender o lugar dessa arte na cidade e de que modo este campo constituído produziu uma prática de obras de arte pública que se relacionam também com as ideias de política patrimonial no Brasil. Este esforço é empreendido através da apresentação de três exposições de artes na cidade em que os diversos entendimentos sobre a ideia de arte se colocavam, no mesmo ano em que o primeiro mural foi contratado por um agente do estado para ocupar um prédio público e nas ações e relações subsequentes que implantaram um vasto conjunto de obras em paralelo com a trajetória de três artista que dominaram essa produção da arte pública no Recife. Concomitantemente às suas articulações com o poder, o estado e frações de elites locais, buscando analisar algumas de suas obras, e destacando seus elementos intrínsecos e extrínsecos.

     

     

Teses
1
  • VIRGÍLIO DE ALMEIDA BOMFIM NETO GDOWSKI
  • Entre humanos e plantas. Alianças ayahuasqueiras na Amazônia contemporânea.

  • Orientador : EDWIN BOUDEWIJN REESINK
  • MEMBROS DA BANCA :
  • JEREMY DETURCHE
  • LÍGIA DUQUE PLATERO
  • EDWIN BOUDEWIJN REESINK
  • FABIANA MAIZZA
  • RENATO AMRAM ATHIAS
  • Data: 30/01/2023

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  • Tendo como ponto de partida as dinâmicas interétnicas e a “revitalização” do

    xamanismo Noke Koî e Yawanawa, esta pesquisa busca esclarecer as relações humanos e

    plantas na Amazônia contemporânea. O exame antropológico da redescoberta, busca e

    significados correntes que circundam as plantas nos auxiliará na demarcação da dialética

    semântica que ocorre nas alianças entre indígenas e cidadãos cosmopolitas, mediadas em

    especial, mas não unicamente, pela ayahuasca. Retraçamos a origem dos usos de

    “enteógenos” bem como dos conceitos chaves que conformaram o atual entendimento

    científico e cultural globalizado sobre as plantas dessa natureza, criando assim o fundamento

    reflexivo sobre o qual desenvolvemos a pesquisa etnográfica. Focalizando nos estudos

    etnológicos das Terras Baixas da América do Sul destacamos a magnitude simbólica da

    ayahuasca e outras poções, nas ontologias e nas práxis xamânicas, sua eficácia na mediação

    das relações entre alteridades que integram o cosmos, a ancestralidade e o cotidiano dos povos

    mencionados. Após a elucidação do papel das plantas na sociabilidade de ambas etnias,

    descrevo a história e os aspectos sociológicos do movimento de “fortalecimento cultural” a

    partir do xamanismo. Ayahuasca, tabaco e suas ritualísticas são facilitadores desses encontros

    e alianças caracterizados pela contínua emergência de agregados simbólicos que delineiam o

    espaço discursivo mutuamente inteligível. O percurso etnográfico, bem como a elaboração

    sociohistórica e antropológica, tornam evidente o papel das plantas enquanto agentes

    proeminentes do dinamismo identitário e cultural e mediadoras do presente elo com

    segmentos das sociedades ocidentais, união pela qual humanos e plantas entrelaçam os nós de

    uma emaranhada rede entre a floresta e o mundo.



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  • Entre humanos e plantas: revitalização cultural indígena na Amazônia ayahuasqueira
    Resumo

    Tendo como ponto de partida as dinâmicas interétnicas e a “revitalização” do xamanismo
    Noke Koi e Yawanawa, esta pesquisa busca esclarecer as relações humanos e plantas na Amazônia
    contemporânea.Oexameantropológicodaredescoberta,buscaesignificadoscorrentesque
    circundam as plantas nos auxiliará na demarcação da dialética semântica que ocorre nas alianças
    entreindígenasecidadãoscosmopolitas,mediadasemespecial,masnãounicamente,pela
    ayahuasca. Retraçamos a origem dos usos de “enteógenos” bem como dos conceitos chaves que
    conformaram o atual entendimento científico e cultural globalizado sobre as plantas dessa natureza,
    criandoassimofundamentoreflexivosobreoqualdesenvolvemosapesquisaetnográfica.
    Focalizando nos estudos etnológicos das Terras Baixas da América do Sul destacamos a magnitude
    simbólica da ayahuasca e outras poções, nas ontologias e nas práxis xamânicas, sua eficácia na
    mediação das relações entre alteridades que integram o cosmos, a ancestralidade e o cotidiano dos
    povos mencionados. Após a elucidação do papel das plantas na sociabilidade de ambas etnias,
    descrevo a história e os aspectos sociológicos do movimento de “fortalecimento cultural” a partir do
    xamanismo. Ayahuasca,tabaco e suas ritualísticas são facilitadores desses encontros e alianças,
    caracterizadospelacontínuaemergênciadeagregadossimbólicosquedelineiamoespaço
    discursivo mutuamente inteligível.O percurso etnográfico, bem como a elaboração sociohistórica e
    antropológica, contribuem para tornar evidente o papel das plantas como agentes proeminentes do
    dinamismo étnico identitário e cultural, de onde surge o presente elo com segmentos das sociedades
    ocidentais, união pela qualhumanos e plantas entrelaçam os nós da emaranhada rede entre a floresta
    e o mundo.


2
  • ANGELITA MARIA ROCHA FERRARI DA COSTA
  • Sob o calor das casacas e dos vestidos bordados: a formação das elites brasileiras no século XIX

  • Orientador : ALEX GIULIANO VAILATI
  • MEMBROS DA BANCA :
  • ANA MARIA TAVARES CAVALCANTI
  • MARALIZ DE CASTRO VIEIRA CHRISTO
  • ROSANE CARMANINI FERRAZ
  • ALEX GIULIANO VAILATI
  • ANTONIO CARLOS MOTA DE LIMA
  • LUIZ EDUARDO PINHEIRO SARMENTO
  • Data: 21/03/2023

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  • Este trabalho consiste em um estudo antropológico-histórico sobre a formação das elites, no Brasil do século XIX e a sua influência para a sociedade do País. Os oitocentos foi um período com significativas mudanças políticas e sociais para a colônia brasileira, por conta da vinda da Família Imperial e parte da Corte, em 1808. Por meio da análise da literatura que abordou diários dos viajantes europeus, cartas pessoais, jornais da época e coleções museológicas se procurou compreender como as elites recém-chegadas se estruturaram e ditavam aquela sociedade. Nessa tese, evidenciamos o caso de uma família da elite mineira Ferreira Lage cujo capital financeiro se converte em capital cultural a partir da fundação do Museu Mariano Procópio. O Museu foi o primeiro criado em Minas Gerais, em 1915, por Alfredo Ferreira Lage para abrigar suas coleções e homenagear a memória do pai Mariano Procópio e aberto, definitivamente ao público, em 1921. No seu centenário, em 2021, conta com um acervo 53.000 objetos históricos, com características dos séculos XIX e início do XX e expõe, além do colecionismo de Alfredo, as coleções de um círculo de personalidades das elites, com temáticas ligadas à Família Imperial Brasileira; à história natural e artes plásticas de origem nacional e estrangeira; armas; indumentária; joias, moedas e medalhas; livros; mobiliário; peças sacras; cristais; louças e porcelanas.  Pelas elites terem se consolidado em vários setores da sociedade, quer seja o político, administrativo, econômico ou cultural, formando grupos que se valeram de uma rede de sociabilidades que possibilitou a união das famílias, quer seja a partir de laços matrimoniais ou por interesses, a visibilidade de suas práticas reunidas em uma instituição iria garantir a manutenção simbólica das suas fortunas e posições de poder.


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  • Este trabalho consiste em um estudo antropológico-histórico sobre a formação das elites, no Brasil do século XIX e a sua influência para a sociedade do País. Os oitocentos foi um período com significativas mudanças políticas e sociais para a colônia brasileira, por conta da vinda da família real e parte da Corte, em 1808. Por meio da análise da literatura que abordou diários dos viajantes europeus, cartas pessoais, jornais da época e coleções museológicas se procurou compreender como as elites recém-chegadas se estruturaram e ditavam aquela sociedade. Nessa tese evidenciamos o caso de duas famílias que tiveram ligação com a formação do Museu Mariano Procópio, que é nosso campo de estudo: os Ferreira Lage, de Minas Gerais e os Machado Coelho, do Rio de Janeiro. O Museu foi o primeiro criado em Minas Gerais, em 1915, por Alfredo Ferreira Lage para abrigar suas coleções e homenagear a memória do pai Mariano Procópio e aberto, definitivamente ao público, em 1921. No seu centenário, em 2021, conta com um acervo 53.000 objetos históricos, com características dos séculos XIX e início do XX e expõe, além do colecionismo de Alfredo, as coleções de um círculo de personalidades das elites, com temáticas ligadas à Família Real Brasileira; à história natural e artes plásticas de origem nacional e estrangeira; armas; indumentária; joias, moedas e medalhas; livros; mobiliário; peças sacras; cristais; louças e porcelanas.  Pelas elites terem se consolidado em vários setores da sociedade, quer seja o político, administrativo, econômico ou cultural, formando grupos que se valeram de uma rede de sociabilidades que possibilitou a união das famílias, quer seja a partir de laços matrimoniais ou por interesses, a visibilidade de suas práticas reunidas em uma instituição iria garantir a manutenção simbólica das suas fortunas e posições de poder.

     

     

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  • JESSICA CUNHA DE MEDEIROS
  • (SER)TÃO CALON: Processos de Reconhecimento Étnico e Territorialização entre os Ciganos Calon de Sousa (PB)

     
  • Orientador : RENATO AMRAM ATHIAS
  • MEMBROS DA BANCA :
  • ANA CLAUDIA RODRIGUES DA SILVA
  • RENATO AMRAM ATHIAS
  • VÂNIA FIALHO
  • OLGA MARIA DOS SANTOS MAGANO
  • MERCIA REJANE RANGEL BATISTA
  • Data: 29/03/2023
    Ata de defesa assinada:

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  • O trabalho discute o processo experimentado pelos Calon que vivem em Sousa, Paraíba, quanto aos desafios da regularização fundiária da área ocupada desde a década de 1980 e que enuncia direito preexistente, acionando os elementos jurídico-institucionais na Convenção 169 dirigidos às populações tradicionais. Etnografando essa disputa que envolve ameaça de despejo do que é vivenciado enquanto o território ocupado há 40 anos, emerge nesse cenários os ditos herdeiros da terra, além do processo de especulação imobiliária – devido a expansão da cidade em direção aos “Ranchos” – fazendo esses Calon se apropriarem e reivindicarem políticas identitárias e territoriais nas quais reiteram a materialidade legítima da posse sobre a terra que vivem, através de uma coalizão articulada entre lideranças da Comunidade. Neste contexto, a atuação do Ministério Público Federal junto às lideranças Calon tem gerado uma redefinição de compreensões e práticas estatais para o atendimento dessas demandas. Para tanto, a sucessão de acontecimentos históricos e políticos aqui é tomada como base para construir uma reflexão sobre como as narrativas sociais criam zonas duradoras de exclusão e aliança no atendimento às demandas das minorias em Estados nacionais, especificadamente populações Ciganas, possibilitando ampliar as margens conceituais e jurídicas adotadas há décadas. Buscou-se através do exercício de uma etnografia multissituada e da netnografia, realizar a pesquisa observando presencialmente e online como estes Calon se organizam, participam, demandam e acionam os diversos canais de representação e ação diante dos acontecimentos que se sucedem no processo de disputa fundiária e afirmação identitária. Nesta perspectiva, na construção da tese procurou-se desconstruir categorizações raciais e essencializadoras que incidem sobre essas populações e que são fundamentais na produção de identidade imagética, que resulta no aprisionamento destes numa condição a-histórica, que supõe uma essência cultural que muitas vezes limita seu reconhecimento étnico e a conquista de direitos.

     

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  •  

     
4
  • RUANNA GONÇALVES DA SILVA
  • PARAÍBAS MASCULINAS? PRÁTICAS MUSICAIS E CONSTRUÇÃO DA IDENTIDADE DE GÊNERO ENTRE AS MULHERES NO FORRÓ

  • Orientador : CARLOS SANDRONI
  • MEMBROS DA BANCA :
  • CARLOS SANDRONI
  • CLIMERIO DE OLIVEIRA SANTOS
  • DANIELA MARIA FERREIRA
  • HUGO MENEZES NETO
  • ROBERTA BIVAR CARNEIRO CAMPOS
  • Data: 11/08/2023

  • Mostrar Resumo
  • Esse trabalho tem como objetivo analisar sobre as práticas musicais de mulheres no Forró Pé de Serra, englobando artistas que estão se apresentando no palco e também abordando sobre os trabalhos desenvolvidos nos bastidores por produtoras. A partir de uma abordagem feminista e que se aproxima da ideia de fazer antropológico de forma colaborativa, busca-se entender como é construída a noção de feminino pelas narrativas das interlocutoras, o foco é abstrair como são compostas as suas próprias formas de atuação e performance artística no contexto do Forró. A metodologia adotada consiste na realização de entrevistas seguindo a técnica história de vida e também anotações e interpretações possíveis através da minha inserção a campo, principalmente durante a rotina junto à Associação Cultural Balaio Nordeste, instituição paraibana que trabalha com Forró Pé de Serra. Para desenvolver o argumento acerca das construções de identidade de gênero feminino no Forró, são utilizadas categorias de análise como, por exemplo, corpo, empoderamento, juízo de valor e moralidade.


  • Mostrar Abstract
  • Esse trabalho tem como objetivo analisar sobre as práticas musicais de mulheres no Forró Pé de Serra, englobando artistas que estão se apresentando no palco e também abordando sobre os trabalhos desenvolvidos nos bastidores por produtoras. A partir de uma abordagem feminista e que se aproxima da ideia de fazer antropológico de forma colaborativa, busca-se entender como é construída a noção de feminino pelas narrativas das interlocutoras, o foco é abstrair como são compostas as suas próprias formas de atuação e performance artística no contexto do Forró. A metodologia adotada consiste na realização de entrevistas seguindo a técnica história de vida e também anotações e interpretações possíveis através da minha inserção a campo, principalmente durante a rotina junto à Associação Cultural Balaio Nordeste, instituição paraibana que trabalha com Forró Pé de Serra. Para desenvolver o argumento acerca das construções de identidade de gênero feminino no Forró, são utilizadas categorias de análise como, por exemplo, corpo, empoderamento, juízo de valor e moralidade.

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  • PRISCILLA BRAGA BELTRAME
  • "Meu medo era ser obrigada!": uma etnografia do aborto ilegal

  • Orientador : MARION TEODOSIO DE QUADROS
  • MEMBROS DA BANCA :
  • SUSANA ROSTAGNOL
  • ANA CLAUDIA RODRIGUES DA SILVA
  • MARION TEODOSIO DE QUADROS
  • ROZELI MARIA PORTO
  • RUSSELL PARRY SCOTT
  • Data: 31/08/2023

  • Mostrar Resumo
  • Estudos a respeito da criminalização do aborto comprovam que esta política restritiva, além de não funcionar para a redução do número de abortos, é responsável pela alta da taxa de mortalidade materna e falta de respeito à autonomia sexual e reprodutiva das mulheres, sendo um obstáculo para o acesso aos direitos de cidadania. Além disso, sabe-se que a manutenção da criminalização do aborto, pela pressão no poder legislativo de políticos representantes de propostas da extrema direita atreladas e uma noção de religião fundamentalista, tem por intenção, por meio do controle da sexualidade e reprodução das mulheres, obter poder político e econômico em uma articulação entre elite econômica e grupos fundamentalistas religiosos. Esta etnografia tem como objetivo apresentar as narrativas das trajetórias de aborto ilegal de mulheres residentes na cidade do Recife-PE. Foi construída com base em trabalho de campo na região metropolitana do Recife, ao longo de três anos (2000 a 2023), com mulheres com faixa etária entre 20 e 40 anos, que interromperam a gestação ilegalmente da segunda metade da década de 2000 até 2022. A maioria das interlocutoras da pesquisa tem ensino superior e as demais estão cursando este nível de ensino e defendem o direito da mulher à autonomia reprodutiva. A pesquisa foi realizada no contexto de aumento de conservadorismo e de tentativas de criminalizar os permissivos legais existentes, ampliando a criminalização e a negatividade que o aborto representa para a maior parte da sociedade brasileira. Por outro lado, as interlocutoras desta pesquisa, mesmo em um contexto de ilegalidade da prática, decidiram interromper a gestação indesejada e nas suas narrativas demonstraram uma possível discordância do modelo de gênero hegemônico de maternidade (este caracterizado pela maternidade compulsória) entendendo a maternidade como uma escolha, uma decisão em ser mãe, próxima de um modelo contra-hegemônico de maternidade. O silêncio relacionado à prática aparece como uma ferramenta de resistência por se proteger tanto do caráter acentuadamente negativo do aborto na cultura brasileira, quanto como proteção para proteger a decisão da interrupção e a escolha pela não-maternidade. A ilegalidade da prática coloca as mulheres em situação de medo constante seja o medo da obrigatoriedade da maternidade, o medo de problemas de saúde ou óbito decorrente do aborto e o medo das consequências jurídicas da decisão pela interrupção. Assim, o aborto enquanto uma prática cultural tem como uma das bases de sua criminalização, a falta de respeito à pluralidade cultural dos modelos de gênero, especialmente no que tange à maternidade.

     

     


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  • O objetivo desta tese foi defender que a criminalização do aborto é um entrave para que as mulheres possam ter acesso à plena cidadania e apresentar e analisar algumas causas culturais responsáveis pela manutenção da criminalização e tentativa da retirada dos permissivos legais para a realização do aborto. Olhando para os jogos sérios envolvidos na disputa em torno do aborto, podemos compreender melhor o funcionamento do sistema de gênero, percebendo pontos que precisam ser trabalhados para a redução da desigualdade de gênero e da mortalidade materna associada ao aborto. O foco desta etnografia são as narrativas de mulheres que recorreram ao aborto ilegal residentes no Recife e Região Metropolitana com as quais foi possível conviver ao longo da pesquisa de campo baseada na observação participante, com grupos de conversas e conversas individuais em profundidade. A vivência das mulheres foi contextualizada ao longo da tese com a apresentação e análise de alguns elementos da estrutura social que são importantes para compreender as relações de poder e desigualdade envolvidas nos jogos sérios disputados em torno do aborto. Neste sentido foram apresentados ao longo da tese, movimentos feministas, movimento pró-vida, políticos de extrema direita ligadas a propostas fundamentalistas religiosas, lideranças fundamentalistas de Igrejas cristãs, conselheiros tutelares, profissionais da área da saúde e do direitos e, em especial, para compreendermos melhor a proposta de políticos que representam setores de extrema direita e fundamentalistas religiosos que defendem a criminalização total dos permissivos para a interrupção da gestação. Tendo em vista este objetivo optamos por analisar dois políticos importantes no país, que durante a pesquisa, ocupavam cargos definidores das políticas para as mulheres no âmbito do poder executivo: o presidente Bolsonaro e a sua ministra da Mulher Damares Alves. Os resultados da pesquisa apontam que olhando pelo ponto de vista das mulheres que interromperam ilegalmente à gestação, a criminalização do aborto significa o não acesso aos direitos de cidadania, especificamente do direito civil à autonomia e vida e ao direito social do acesso à saúde. No que diz respeito aos resultados encontrados olhando para a análise da estrutura podemos constatar que uma das bases da manutenção da desigualdade de gênero, associada com outras desigualdades, como classe social e raça\etnia, é o não respeito à diversidade cultural e dentro desta diversidade, à pluralidade de possibilidades de padrões de gênero, dentro do sistema maior de gênero e a tentativa de imposição para a toda a sociedade de ideias e valores que pertencem a um determinado grupo social em específico por meio de políticas que acirram as desigualdades de gênero ao negar acesso aos direitos de cidadania às pessoas e grupos sociais que divergem do que é considerado hegemonicamente adequado. Resultados apontam a importância para a redução da mortalidade materna associada ao aborto da: ampliação dos permissivos legais para a realização do aborto, maior acesso das mulheres à educação sexual e aos métodos contraceptivos, fomento da educação política no sentido do fortalecimento da importância da laicidade do Estado.

     

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  • AUTA JEANE DA SILVA AZEVEDO
  • MICROPOLÍTICAS FEMINISTAS PERIFÉRICAS: contribuições antropológicas a partir da organização de mulheres negras de Recife/PE.

  • Orientador : ANA CLAUDIA RODRIGUES DA SILVA
  • MEMBROS DA BANCA :
  • HUGO MENEZES NETO
  • LAURE MARIE LOUISE CLEMENCE GARRABE
  • MARION TEODOSIO DE QUADROS
  • DENISE FERREIRA DA COSTA CRUZ
  • DENISE MARIA BOTELHO
  • GILSON JOSE RODRIGUES JUNIOR
  • Data: 05/09/2023

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  • A proposta desta tese é refletir sobre a influência que a organização de mulheres negras moradoras de periferias urbanas em iniciativas coletivas feministas pode ter na constituição de micropolíticas. Frente ao racismo e ao machismo, as mulheres do Revelar.si – coletivo de fotógrafas do Coque – e do Baque Mulher Recife – movimento de empoderamento feminino - vem constituindo um espaço de amizade e fortalecimento entre as mulheres que possibilita o enfrentamento de questões ligadas a violência de gênero e a desigualdade racial. Na América Latina, as antropólogas feministas vêm desenvolvendo uma tendência crescente de fazer antropologia da própria cultura. Isso tem mostrado como as mulheres conseguem se mover em lugares de fronteira. A perspectiva adotada, tem trazido reflexões teóricas no campo da antropologia, bem como sobre o método etnográfico, uma vez que assumimos seu caráter político. A pesquisa tem revelado resultados interessantes para pensar a potência do feminismo na constituição de micropolíticas de resistência ao machismo e à violência contra as mulheres.


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  • A proposta desta tese é refletir sobre a influência que a organização de mulheres negras moradoras de periferias urbanas em iniciativas coletivas feministas pode ter na constituição de micropolíticas. Frente ao racismo e ao machismo, as mulheres do Revelar.si – coletivo de fotógrafas do Coque – e do Baque Mulher Recife – movimento de empoderamento feminino - vem constituindo um espaço de amizade e fortalecimento entre as mulheres que possibilita o enfrentamento de questões ligadas a violência de gênero e a desigualdade racial. Na América Latina, as antropólogas feministas vêm desenvolvendo uma tendência crescente de fazer antropologia da própria cultura. Isso tem mostrado como as mulheres conseguem se mover em lugares de fronteira. A perspectiva adotada, tem trazido reflexões teóricas no campo da antropologia, bem como sobre o método etnográfico, uma vez que assumimos seu caráter político. A pesquisa tem revelado resultados interessantes para pensar a potência do feminismo na constituição de micropolíticas de resistência ao machismo e à violência contra as mulheres.

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  • SANDRO SOARES RAMOS DE FREITAS
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    “Entre sonhos e números!” A (re)construção da pessoa nas redes de Marketing Multinível
     
     
  • Orientador : MISIA LINS VIEIRA REESINK
  • MEMBROS DA BANCA :
  • ANTONIO CARLOS MOTA DE LIMA
  • FRANCISCO SA BARRETO DOS SANTOS
  • GENARO CAMBOIM LOPES DE ANDRADE LULA
  • KATIA MEDEIROS DE ARAUJO
  • MISIA LINS VIEIRA REESINK
  • Data: 12/09/2023

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  • A proposta empreendida nesse trabalho visa, fundamentalmente, a compreensão de reconstrução do “eu” pelo qual são submetidos os indivíduos inseridos no contexto das redes de consultores de empresas que adotam o modelo de negócios conhecido como “Marketing de Rede”, “Marketing de Relacionamento” ou “Marketing Multinível” (MMN), a partir do diálogo com algumas abordagens antropológicas, especialmente aquelas que repousam nos campos dos estudos sobre neoliberalismo e no campo da Antropologia da Religião. De antemão, destacamos que a análise dos fenômenos abordados nesta tese significará um esforço ainda exploratório de compreensão de um fenômeno que, apesar de crescente no cenário social brasileiro contemporâneo, ainda tem sido pouco estudado pela Antropologia. Para alcançar os objetivos aqui propostos, nossa pesquisa de campo, com observação participante, se desenvolveu ao longo de um período de vinte e dois meses, iniciando em outubro de 2018 e sendo encerrada em julho de 2020. Além da observação das práticas cotidianas e reuniões dos consultores situados na Região Metropolitana do Recife (RMR), buscamos acompanhá-los nos eventos regionais e nacionais realizados pela empresa de MMN aqui focalizada, durante o período de nossa pesquisa. Focalizamos, majoritariamente, nas redes daquela que é, no momento, a empresa de Marketing Multinível de maior destaque no cenário brasileiro, a Hinode. Sempre voltada para o setor de cosméticos, a empresa, desde a sua fundação, adotou o modelo de venda direta, no qual um conjunto de consultores associados fica encarregado de mediar a distribuição e revenda dos produtos, em troca de uma porcentagem dos lucros obtidos. Com o passar dos anos, adicionou a sua estratégia de negócio o modelo do MMN, que consiste na prática de recrutamento de novos consultores, com o intuito de alavancagem de ganhos, através de comissões de vendas realizadas pelos novos consultores. Para além dos paralelos apontados ao longo do trabalho, se observa aqui é a incorporação de elementos religiosos nas práticas e valores secularizados, ao invés do movimento contrário, tantas vezes analisados pelos trabalhos antropológicos. Por entendermos que este processo não ocorre de forma linear e tende a se evidenciar na medida em que os indivíduos observados se inserem, com maior ou menor intensidade, na lógica das redes, buscamos desenvolver uma análise comparativa com os fenômenos religiosos, especialmente a partir da correlação com as análises que evidenciam os processos relacionados às noções de conversão e reflexividade. Dessa forma, pretendo mostrar como a experiência de inserção e vivência desses indivíduos em meio às redes MMN é uma experiência totalizante, semelhante ao que se observa no contexto de muitos grupos declaradamente religiosos.




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  • A proposta empreendida nesse trabalho visa, fundamentalmente, a compreensão das dinâmicas que envolvem os indivíduos inseridos no contexto das redes de consultores de empresas que adotam o modelo de negócios conhecido como “Marketing de Rede”, “Marketing de Relacionamento” ou “Marketing Multinível” (MMN), a partir do diálogo com algumas abordagens antropológicas, especialmente aquelas que repousam nos  campos dos estudos sobre neoliberalismo e religião. Nossa pesquisa de campo se desenvolveu ao longo de um período de vinte e um meses, iniciando em outubro de 2018 e sendo encerrada em julho de 2020. Apesar de analisar a dinâmica observada nas redes de duas empresas do setor, focalizamos, majoritariamente, nas redes daquela que é, no momento, a empresa de Marketing Multinível de maior destaque no cenário brasileiro, a Hinode. A proposta central do nosso argumento que é demonstrar, por meio do diálogo com os trabalhos no campo da antropologia da religião, a presença de analogias metafóricas entre os fenômenos observados no processo de (re)construção dos indivíduos dentro do contexto do MMN e das comunidades religiosas.

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  • GABRIEL FERREIRA DE BRITO
  • O NOVO CORONAVÍRUS EM OLINDA: etnografia de uma pandemia mediada por ambientes digitais

  • Orientador : MARION TEODOSIO DE QUADROS
  • MEMBROS DA BANCA :
  • ALEX GIULIANO VAILATI
  • ANDRE LUIZ MARTINS LEMOS
  • MARION TEODOSIO DE QUADROS
  • MONICA LOURDES FRANCH GUTIERREZ
  • RUSSELL PARRY SCOTT
  • Data: 15/09/2023

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  • Esta tese refere-se a uma pesquisa sobre a experiência de pessoas com a pandemia do novo coronavírus, durante os anos de 2020 e 2021, no bairro de Ouro Preto, Olinda-PE. O método empregado foi o etnográfico físico e digital, recorrendo-se a fontes documentais, entrevistas, conversas informais realizadas em ambientes digitais (WhatsApp e Instagram) e observação participante. O objetivo principal foi investigar as experiências de olindenses com a Covid-19 em ambientes físicos e digitais. Os dados foram classificados em caderno de campo – de observação física e de ambientes digitais (como Facebook, Instagram, YouTube e WhatsApp); mensagens, fontes documentais da Prefeitura de Olinda (boletins epidemiológicos); e entrevistas com duas informantes chaves para a pesquisa, visto que a análise de mensagens e as demais fontes de pesquisa foram suficientes para alcançar os objetivos de pesquisa. A análise, qualitativa, foi feita com auxílio do software Atlas ti.7. Os dados foram codificados e categorizados a partir do marco teórico dos modos de existência, de Latour; e conceituados como mídias sociais, conforme Miller e etnografia em ambientes digitais, conforme Freitas e Ramos, e Leitão e Gomes. Os resultados da pesquisa evidenciam que as mídias sociais participam da experiência pandêmica de modo a complementar ou ratificar posicionamentos tanto políticos quantos epistemológicos (referentes a causas e tratamentos da Covid-19). Também foi evidenciado que outras formas de cura, ou de saberes, podem se manter durante a pandemia, também tendo nas mídias sociais, ratificações de experiências que outrora poderiam ser chamadas de anímicas, e mais recentemente, new age ou espiritualistas sem, contudo, competirem com a ciência normal e oficial, sobre o que é verdade e o que é crença, ou o que é falso e o que é verdadeiro. Por último, também foi evidenciado que no nível municipal, o uso de mídias sociais durante a pandemia associou a pandemia às eleições municipais de 2020, ao menos no campo de pesquisa. A nível teórico, a pesquisa aponta para a necessidade de ir além de questões de verdade e conhecimento (epistemologia) para seres e realidades (ontologia), visto que ontologicamente, a relação entre pandemia, mídias sociais e experiência (humana e não humana) se mostrou muito além da separação entre ciência/verdade, de um lado, e política do outro.

     





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  • Este capítulo buscou complementar a análise do capítulo anterior, sobre como as pessoas lidam com a pandemia por meio de mídias digitais. Foram, até agora, analisadas quatro diferentes formas de lidar com a pandemia. E duas formas de lidar com o tratamento da Covid-19. Na prevenção, é possível seguir as [REF], com medicamentos
    (tendo eles eficácia comprovada por esse modo ou não); ou com hábitos [HAB] que cruzam práticas psíquicas [MET] e com diferentes espiritualidades [ANI]. Para responder a questão inicial, se tratava-se de melhor definir as práticas nativas como [MET] ou [ANI], a resposta é com ambas. Por outro lado, foi identificado que no hiato da substituição do uso de medicamentos do modo [REF] para o cruzamento do [HAB] com [MET] e [ANI], os efeitos placebo desaparecem. As preposições [PRE] que o substituem, já que a informação sobre os placebo desaparecem no compartilhamento de mídias sociais e na experiência individual de tratamento, estão relacioandas a prestar atenção [HAB], fazer passar,instalar, proteger [MET], assombrar e afetar [ANI].

9
  • JAFFIA ALVES DE MELLO
  • “FEMINISMO É REVOLUÇÃO!”: Coletivos Feministas e suas Práticas Políticas

  • Orientador : LADY SELMA FERREIRA ALBERNAZ
  • MEMBROS DA BANCA :
  • FABIANA MAIZZA
  • LADY SELMA FERREIRA ALBERNAZ
  • LUIS FELIPE RIOS DO NASCIMENTO
  • MARION TEODOSIO DE QUADROS
  • RAISSA BARBOSA ARAUJO
  • Data: 27/09/2023

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  • Esta pesquisa teve como objetivo compreender a atuação política das coletivas feministas de
    Recife, a partir de suas formas de organização, dos ideários que defendem e das redes de
    relações que percorrem no campo feminista. As coletivas feministas acompanhadas durante a
    pesquisa, embora compartilhem dos mesmos contextos de atuação, apresentam formas de
    articulação e ação diversas. Por outro lado, possuem algumas características em comum, por
    exemplo, são formadas em sua maioria por mulheres jovens que estão inseridas no contexto
    acadêmico, o que, consequentemente, acaba construindo uma relação intercambiável entre a
    militância e o campo de produção de conhecimento numa perspectiva feminista. Nesse
    sentido, as coletivas feministas etnografadas atuam a partir de orientações ideológicas como o
    anarquismo, o veganismo e o autonomismo, propondo ainda uma organização horizontal e
    pautada na “política do afeto” (CARMO, 2013). Com um olhar para o campo orientado a
    partir da Antropologia feminista (MOORE, 2009) que propõe uma etnografia crítica e que
    leva em consideração as relações de poder presentes no campo, articulada a uma compreensão
    da produção do conhecimento como um ato político comprometido com as sujeitas da
    pesquisa, partindo de um olhar situado e corporificado nos termos de Donna Haraway (1995),
    delineamos o percurso teórico-metodológico. Sendo assim, foram acompanhados eventos,
    reuniões e atos públicos organizados e realizados pelas coletivas feministas, ora
    individualmente, ora em parceria, seja entre elas ou com outros/os atores/atrizes do campo de
    luta feminista de Recife-PE, com destaque para eventos de grande mobilização e participação
    como o 8 de março (Dia Internacional da Mulher) de (2019) e a Marcha das Vadias (2019).
    Contudo, é preciso salientar que algumas ferramentas metodológicas necessitaram de
    adaptações devido o contexto de desenvolvimento desta pesquisa ter sido perpassado pela
    pandemia do Covid-19. Tal contexto não somente provocou adaptações nos fazeres das
    pesquisas, mas também nas formas de ativismo e atuação política das coletivas feministas,
    algo observado nesta pesquisa. Outro evento atenuante que produziu modificações nas ações
    das coletivas acompanhadas foi o horizonte social e político instaurado após a vitória do
    presidente eleito Jair Messias Bolsonaro (2019-2022).


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  • A presente tese tem como objetivo compreender a atuação política dos coletivos feministas em Recife, a partir de suas formas de organização, dos ideários que defendem e das redes de relações que percorrem no campo feminista. Os coletivos feministas são formados em sua maioria por mulheres jovens advindas da academia o que constrói uma relação intercambiável entre a militância e as teorias feministas. Ademais, o contexto histórico e político decorrente da eleição do Presidente Jair Bolsonaro e da pandemia do Covid 19 refletirá na atuação destes coletivos levando-os a reformula suas estratégias de militância.

10
  • MARIA DA PENHA DA SILVA
  • PROTAGONISMOS INDÍGENAS NA EDUCAÇÃO SUPERIOR NOS INSTITUTOS FEDERAIS DE EDUCAÇÃO CIÊNCIA E TECNOLOGIA EM PERNAMBUCO – IFPE e IF-SERTÃO/PE

  • Orientador : VÂNIA FIALHO
  • MEMBROS DA BANCA :
  • MARION TEODOSIO DE QUADROS
  • RAIMUNDO NONATO FERREIRA DO NASCIMENTO
  • RENATO AMRAM ATHIAS
  • RITA GOMES DO NASCIMENTO
  • VÂNIA FIALHO
  • Data: 07/12/2023

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  • O tema “Indígenas na Educação Superior” como interesse da Antropologia tem se avolumado no século XXI em grande parte dos países da América Latina. Numa perspectiva ampliada, vimos que esse fenômeno está associado às mudanças políticas que ocorreram nesse continente nas últimas décadas do século passado, impulsionadas pelas políticas globais rumo à erradicação da pobreza no mundo. Com ênfase na defesa da universalização da educação como um fator preponderante do desenvolvimento humano. Na esteira dessas mudanças surgiram grandes mobilizações sociais de grupos historicamente silenciados e invisibilizados a exemplo da população negra e indígena, as quais participaram ativamente na formulação de novas legislações que garantiram direitos fundamentais. De fato, a efetivação de parte desses direitos depende do acesso à formação no âmbito da Educação Superior, seja nas áreas de Saúde, Direito, Ciências da Natureza, e Educação. No Brasil, a produção de pesquisas antropológicas sobre o citado tema tem seguido esse fluxo. Por vezes, fomentando o diálogo entre a Antropologia e a Educação. A presente tese se insere nesse contexto, cujo objetivo é compreender a atuação política dos(as) discentes indígenas na Educação Superior nos Institutos Federais de Educação Ciência e Tecnologia de Pernambuco – IFPE e IFSertãoPE. Com esse propósito, problematizamos as motivações e as formas de protagonismos políticos do público discente indígena naquelas instituições, as quais nos levaram a duas situações suscetíveis de análises: a atuação política no movimento estudantil; a produção acadêmica de cunho político. Para tanto, empreendemos uma pesquisa etnográfica colaborativa duplamente reflexiva, a qual nos levou à seguinte conclusão: a primeira situação foi motivada pelo desejo de obter visibilidade e reconhecimento como sujeitos coletivos de direito, no enfrentamento do racismo estrutural, e acesso às políticas públicas específicas; a segunda, motivada pela necessidade de estabelecer conexões entre os conhecimentos acadêmicos e os “conhecimentos tradicionais”. Em ambas as situações, encontramos três categorias de protagonismos: “protagonismo transitório”, “protagonismo cíclico” e o “protagonismo compartilhado”. A primeira se caracteriza pela condição estudantil que é transitória; a segunda se caracteriza pela iniciação de novos estudantes no movimento para ocupar o lugar daqueles que estão concluindo seus cursos; a terceira, se caracteriza pela parceria com atores e instituições não indígenas. A esse respeito se assemelha à forma de articulação do movimento indígena como um todo, uma vez que no caso do presente estudo observa-se que os(as) discentes indígenas que obtiveram projeção no movimento estudantil ou na produção acadêmica são oriundos das escolas indígenas ou são parentes de lideranças tradicionais, e por sua vez atuam em coletivos que constituem a pluralidade do movimento indígena local e nacional. O movimento estudantil indígena, em si, é um dos segmentos do movimento de juventude indígena, respondendo aos anseios específicos dessa geração, e também de interesse do movimento indígena mais amplo, a exemplo de formar profissionais para atender demandas coletivas nos territórios.

     

     

     

     


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  • O tema “Indígenas na Educação Superior” como interesse da Antropologia tem se avolumado no século XXI em grande parte dos países da América Latina. Numa perspectiva ampliada, vimos que esse fenômeno está associado às mudanças políticas que ocorreram nesse continente nas últimas décadas do século passado, impulsionadas pelas políticas globais rumo à erradicação da pobreza no mundo. Com ênfase na defesa da universalização da educação como um fator preponderante do desenvolvimento humano. Na esteira dessas mudanças surgiram grandes mobilizações sociais de grupos historicamente silenciados e invisibilizados a exemplo da população negra e indígena, as quais participaram ativamente na formulação de novas legislações que garantiram direitos fundamentais. De fato, a efetivação de parte desses direitos depende do acesso à formação no âmbito da Educação Superior, seja nas áreas de Saúde, Direito, Ciências da Natureza, e Educação. No Brasil, a produção de pesquisas antropológicas sobre o citado tema tem seguido esse fluxo. Por vezes fomentando o diálogo entre a Antropologia e a Educação. A presente tese se insere nesse contexto, cujo objetivo é compreender a atuação política dos(as) discentes indígenas na Educação Superior nos Institutos Federais de Educação Ciência e Tecnologia de Pernambuco - IFPE e IFSertãoPE. Com esse propósito problematizamos as motivações e as formas de protagonismos políticos do público discente indígena naquelas instituições, as quais nos levaram a duas situações suscetíveis de análises: a atuação política no movimento estudantil; a produção acadêmica de cunho político. Para tanto, empreendemos uma pesquisa etnográfica colaborativa duplamente reflexiva, a qual nos levou à seguinte conclusão: a primeira situação foi motivada pelo desejo de obter visibilidade e reconhecimento como sujeitos coletivos de direito, no enfrentamento do racismo estrutural, e acesso às políticas públicas específicas; a segunda, motivada pela necessidade de estabelecer conexões entre os conhecimentos acadêmicos e os “conhecimentos tradicionais”. Em ambas situações encontramos três formas de protagonismos: “protagonismo transitório”, “protagonismo cíclico” e o “protagonismo compartilhado”. A primeira se caracteriza pela condição estudantil que é transitória; a segunda se caracteriza pela iniciação de novos estudantes no movimento para ocupar o lugar daqueles que estão concluindo seus cursos; a terceira, se caracteriza pela parceria com agentes não indígenas. A esse respeito se assemelha à forma de articulação do movimento indígena como um todo, uma vez que no caso do presente estudo observa-se que os(as) discentes indígenas que obtiveram projeção no movimento estudantil ou na produção acadêmica são oriundos das escolas indígenas ou são parentes de lideranças tradicionais, e por sua vez atuam em coletivos que constituem a pluralidade do movimento indígena local e nacional. O movimento estudantil indígena, em si, é um dos segmentos do movimento de juventude indígena, respondendo aos anseios específicos dessa geração, e também de interesse do movimento indígena mais amplo, a exemplo de formar profissionais para atender demandas coletivas nos territórios.

     

     

     

2022
Dissertações
1
  • ANA KATARINA DE BRITO
  • Cuidado e humanização: a palhaçoterapia na formação dos estudantes de saúde da UFPE

  • Orientador : RUSSELL PARRY SCOTT
  • MEMBROS DA BANCA :
  • RUSSELL PARRY SCOTT
  • ANA CLAUDIA RODRIGUES DA SILVA
  • MARCIA REIS LONGHI
  • Data: 18/02/2022

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  • O presente estudo busca compreender a formação de enfermeiros(as) e médicos(as) pela Universidade Federal de Pernambuco, no que tange ao cuidado e a humanização das práticas de saúde e os impactos da palhaçoterapia nesse processo, a partir das narrativas de estudantes e egressos desses dois cursos e que integraram o projeto de extensão universitária PERTO (Projeto de Encontro e Riso Terapêuticos). Para isso, foi analisada a lógica que norteia o campo da saúde, bem como a elaboração e implantação, avanços e desafios, do Sistema Único de Saúde (SUS). Neste trabalho, portanto, valorizamos as interpretações dos alunos e recém-profissionais a respeito de categorias como humanização e cuidado, assim como referente as suas formações sobre esses aspectos. Os dados coletados nesta pesquisa demonstram uma série de dificuldades para se atingir a produção de saúde integral, sejam enfrentadas nos serviços de saúde ou nos ambientes de educação. Isso se apresenta por diversos fatores, como a fragmentação do corpo e valorização da doença, imperativos do paradigma biomédico; posições desiguais entre os profissionais e desses com os usuários; desvalorização das ciências humanas e sociais nas elaborações sobre saúde, dentre outras questões. Desse modo, esta dissertação pode contribuir para uma discussão ampliada das políticas públicas em saúde, como também sobre os currículos dos profissionais da área.


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  • O presente estudo busca compreender a formação de enfermeiros(as) e médicos(as) pela Universidade Federal de Pernambuco, no que tange ao cuidado e a humanização das práticas de saúde e os impactos da palhaçoterapia nesse processo, a partir das narrativas de estudantes e egressos desses dois cursos e que integraram o projeto de extensão universitária PERTO (Projeto de Encontro e Riso Terapêuticos). Para isso, foi analisada a lógica que norteia o campo da saúde, bem como a elaboração e implantação, avanços e desafios, do Sistema Único de Saúde (SUS). Neste trabalho, portanto, valorizamos as interpretações dos alunos e recém-profissionais a respeito de categorias como humanização e cuidado, assim como referente as suas formações sobre esses aspectos. Os dados coletados nesta pesquisa demonstram uma série de dificuldades para se atingir a produção de saúde integral, sejam enfrentadas nos serviços de saúde ou nos ambientes de educação. Isso se apresenta por diversos fatores, como a fragmentação do corpo e valorização da doença, imperativos do paradigma biomédico; posições desiguais entre os profissionais e desses com os usuários; desvalorização das ciências humanas e sociais nas elaborações sobre saúde, dentre outras questões. Desse modo, esta dissertação pode contribuir para uma discussão ampliada das políticas públicas em saúde, como também sobre os currículos dos profissionais da área.

2
  • THIAGO HENRIQUE DE ALMEIDA CARVALHO
  • UMA ETNOGRAFIA DA HOMONORMATIVIDADE E EXPRESSÕES GAYS NOS ESPAÇOS DE SOCIABILIDADES LGBTQIA+ NO RECIFE.

  • Orientador : LAURE MARIE LOUISE CLEMENCE GARRABE
  • MEMBROS DA BANCA :
  • LAURE MARIE LOUISE CLEMENCE GARRABE
  • PAULO MARCONDES FERREIRA SOARES
  • RUSSELL PARRY SCOTT
  • Data: 25/03/2022

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  • Esta dissertação tem por objetivo compreender como as expressões gays, tais como performadas, agem e reagem à homonormatividade, em espaços de sociabilidades LGBT’s (Av. Manoel Borba, Bar do Céu, Club Metrópole) do Recife, os quais são reconhecidamente palcos que possibilitam a experimentação pública da homossexualidade. Essa experimentação, segundo pessoas gays, surge com mais ou menos injunções normativas de dentro dessa comunidade, o que tem consequências importantes para sua organização política em termos de coletivo. Para contemplar este objetivo, após uma apresentação metodológica da minha entrada etnográfica nestes espaços de sociabilidades, destaco em um primeiro momento como a homossexualidade foi inventada através da teoria consagrada, assim como dos respaldos dessa invenção na sociedade civil ocidental(izada), enaltecendo como os estudos queer podem mitigar os efeitos hegemônicos dessa invenção, caracterizada por uma heteronormatividade modern(ist)a. Em um segundo momento, foco na análise das elaborações de si em expressões gays consagradas na comunidade LGBTQIA+, designadas como “barbies”, “ursos” e “pocs”, de forma a entender como são diversamente obedecidas, ressignificadas, transgredidas, alteradas e negadas, via a análise das interações performáticas de homens gays usuários destes espaços. A partir de orientações metodológicas da análise da performance na Antropologia, tal análise me permite, num terceiro tempo, distinguir formas de (des)identificações, reconhecimentos e contradições em relação à construção dessas supostas identidades e cultura gays, explorando os aspectos de encorporação dessa cultura, as formas de ser-no-mundo e da regulação física e social da beleza nessa comunidade. Este estudo contribui dessa forma a localizar o conhecimento das culturas gays no Recife, assim como a confirmar a potência da crítica queer para entender e, por que não, contrariar as influências da Modernidade no seio da comunidade LGBTQIA+.


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  • Esta dissertação tem por objetivo compreender como as expressões gays, tais como performadas, agem e reagem à homonormatividade, em espaços de sociabilidades LGBT’s (Av. Manoel Borba, Bar do Céu, Club Metrópole) do Recife, os quais são reconhecidamente palcos que possibilitam a experimentação pública da homossexualidade. Essa experimentação, segundo pessoas gays, surge com mais ou menos injunções normativas de dentro dessa comunidade, o que tem consequências importantes para sua organização política em termos de coletivo. Para contemplar este objetivo, após uma apresentação metodológica da minha entrada etnográfica nestes espaços de sociabilidades, destaco em um primeiro momento como a homossexualidade foi inventada através da teoria consagrada, assim como dos respaldos dessa invenção na sociedade civil ocidental(izada), enaltecendo como os estudos queer podem mitigar os efeitos hegemônicos dessa invenção, caracterizada por uma heteronormatividade modern(ist)a. Em um segundo momento, foco na análise das elaborações de si em expressões gays consagradas na comunidade LGBTQIA+, designadas como “barbies”, “ursos” e “pocs”, de forma a entender como são diversamente obedecidas, ressignificadas, transgredidas, alteradas e negadas, via a análise das interações performáticas de homens gays usuários destes espaços. A partir de orientações metodológicas da análise da performance na Antropologia, tal análise me permite, num terceiro tempo, distinguir formas de (des)identificações, reconhecimentos e contradições em relação à construção dessas supostas identidades e cultura gays, explorando os aspectos de encorporação dessa cultura, as formas de ser-no-mundo e da regulação física e social da beleza nessa comunidade. Este estudo contribui dessa forma a localizar o conhecimento das culturas gays no Recife, assim como a confirmar a potência da crítica queer para entender e, por que não, contrariar as influências da Modernidade no seio da comunidade LGBTQIA+.

3
  • ELIAS MANOEL DA SILVA
  • Territorialização e Narrativas Étnicas - Desvelando a Identidade Tuxi
    do Submédio Rio São Francisco, PE.

  • Orientador : RENATO AMRAM ATHIAS
  • MEMBROS DA BANCA :
  • TONICO BENITES
  • EDWIN BOUDEWIJN REESINK
  • RENATO AMRAM ATHIAS
  • Data: 04/04/2022

  • Mostrar Resumo
  • Esta dissertação apresenta a pesquisa que  objetivou analisar o
    processo de desvelamento da identidade étnica dos Tuxi do submédio rio
    São Francisco. O Conceito utilizando para o desenvolvimento da
    pesquisa foi o  de etnogênese, uma vez que ele foi capaz de produzir
    as condições  necessárias e conceituais para uma análise sobre a
    formação desta  nação indígena que se afirmam como índios“tapuias
    Procás e  Brancararus" habitantes da Ilha da Várzea desde os tempos
    dos  missionários cristãos – século XVII - quando atuavam na região do
     Submédio São Francisco. Com esta afirmativa os Tuxi reivindicam a
    demarcação da terra e consequentemente o reconhecimentoétnico. No
    âmbito do poder estatal,seguem determinados com o projeto, apoiados
    pela rede de relações interétnicas das nações“irmãs”, que, por
    conseguinte, os reconhecem e legitimam como parentes e do mesmo tronco
     ancestral. A sua formação compreende indivíduos de várias etnias
    inter-relacionadas entre si e, co-habitação  com descendentes
    afro-brasileiros. Atualmente,  aguardam com muita apreensão o
    resultado do julgamento sobre o projeto  anti demarcação ou a tese do
    marco temporal, proporcionado um drama  social, no interior da etnia,
    que aumenta a cada tempo que passa,  quando se pensa sobre mais um
    megaprojeto na região – a implantação de  uma usina nuclear.


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  • Esta dissertação apresenta a pesquisa que  objetivou analisar o
    processo de desvelamento da identidade étnica dos Tuxi do submédio rio
    São Francisco. O Conceito utilizando para o desenvolvimento da
    pesquisa foi o  de etnogênese, uma vez que ele foi capaz de produzir
    as condições  necessárias e conceituais para uma análise sobre a
    formação desta  nação indígena que se afirmam como índios“tapuias
    Procás e  Brancararus" habitantes da Ilha da Várzea desde os tempos
    dos  missionários cristãos – século XVII - quando atuavam na região do
     Submédio São Francisco. Com esta afirmativa os Tuxi reivindicam a
    demarcação da terra e consequentemente o reconhecimentoétnico. No
    âmbito do poder estatal,seguem determinados com o projeto, apoiados
    pela rede de relações interétnicas das nações“irmãs”, que, por
    conseguinte, os reconhecem e legitimam como parentes e do mesmo tronco
     ancestral. A sua formação compreende indivíduos de várias etnias
    inter-relacionadas entre si e, co-habitação  com descendentes
    afro-brasileiros. Atualmente,  aguardam com muita apreensão o
    resultado do julgamento sobre o projeto  anti demarcação ou a tese do
    marco temporal, proporcionado um drama  social, no interior da etnia,
    que aumenta a cada tempo que passa,  quando se pensa sobre mais um
    megaprojeto na região – a implantação de  uma usina nuclear.

4
  • JAIRO HELY SILVA
  • ONZE NEGRAS: “EU VEJO QUE OS HOMENS, MESMO ELES SENDO UM NEGRO QUILOMBOLA, ELE NÃO TEM UMA ATITUDE QUE NEM UMA MULHER TEM”: As relações entre gênero e o reconhecimento em uma comunidade quilombola no Cabo de Santo Agostinho/PE

  • Orientador : MARION TEODOSIO DE QUADROS
  • MEMBROS DA BANCA :
  • ANDREA LORENA BUTTO ZARZAR
  • FABIANA MAIZZA
  • MARION TEODOSIO DE QUADROS
  • Data: 11/05/2022

  • Mostrar Resumo
  • Esta pesquisa analisará as relações entre gênero e o reconhecimento quilombola na comunidade Onze Negras, localizada no município do Cabo de Santo Agostinho, na Região Metropolitana do Recife, capital do estado de Pernambuco. Em pesquisa anterior (2017), um olhar direcionado ao reconhecimento cotidiano e dinâmico do grupo sugeriu que a comunidade é marcada pelas questões de gênero, que exercem importantes influências no seu reconhecimento étnico. Reconhecimento quilombola e gênero têm se constituído como relevantes enfoques nas análises antropológicas, evidenciando complexos fenômenos socioculturais que podem ser problematizados a partir de análises que consideram as conexões entre essas duas temáticas. Nesse sentido, buscamos estabelecer diálogos entre estes dois pontos, refletindo sobre as suas relações a partir de Onze Negras, comunidade quilombola marcada pela forte atuação das mulheres que operam como “agentes do reconhecimento quilombola”, tencionando o reconhecimento étnico na sua comunidade. Foram utilizados três instrumentos de coleta, dialogando em uma triangulação antropológica: análise documental, observações pontuais online e; a realização de entrevistas semiestruturadas via WhatsApp. O trabalho de campo foi impactado pelas consequências e implicações da pandemia de Covid-19, exigindo adequações metodológicas impostas pelo fechamento dos territórios quilombolas e indígenas no Brasil, bem como pelas implicações do distanciamento social compulsório, entendido como medida de prevenção/proteção contra a disseminação do Coronavírus junto aqueles grupos. Na pesquisa, percebemos que as mulheres influenciam efetivamente no reconhecimento quilombola, liderando as mobilizações do grupo e dialogando com a construção de uma sujeita histórica e coletiva que aqui denominamos de “mulher quilombola”. Naquela comunidade as agentes do reconhecimento interferem direta e ativamente no cotidiano local direcionando, via reconhecimento quilombola, as políticas públicas étnicas; a defesa do território e; as próprias questões simbólicas que dialogam com a afirmação da identidade quilombola.



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  • Esta pesquisa analisará as relações entre gênero e o reconhecimento quilombola na comunidade Onze Negras, localizada no município do Cabo de Santo Agostinho, na Região Metropolitana do Recife, capital do estado de Pernambuco. Em pesquisa anterior (2017), um olhar direcionado ao reconhecimento cotidiano e dinâmico do grupo sugeriu que a comunidade é marcada pelas questões de gênero, que exercem importantes influências no seu reconhecimento étnico. Reconhecimento quilombola e gênero têm se constituído como relevantes enfoques nas análises antropológicas, evidenciando complexos fenômenos socioculturais que podem ser problematizados a partir de análises que consideram as conexões entre essas duas temáticas. Nesse sentido, buscamos estabelecer diálogos entre estes dois pontos, refletindo sobre as suas relações a partir de Onze Negras, comunidade quilombola marcada pela forte atuação das mulheres que operam como “agentes do reconhecimento quilombola”, tencionando o reconhecimento étnico na sua comunidade. Foram utilizados três instrumentos de coleta, dialogando em uma triangulação antropológica: análise documental, observações pontuais online e; a realização de entrevistas semiestruturadas via WhatsApp. O trabalho de campo foi impactado pelas consequências e implicações da pandemia de Covid-19, exigindo adequações metodológicas impostas pelo fechamento dos territórios quilombolas e indígenas no Brasil, bem como pelas implicações do distanciamento social compulsório, entendido como medida de prevenção/proteção contra a disseminação do Coronavírus junto aqueles grupos. Na pesquisa, percebemos que as mulheres influenciam efetivamente no reconhecimento quilombola, liderando as mobilizações do grupo e dialogando com a construção de uma sujeita histórica e coletiva que aqui denominamos de “mulher quilombola”. Naquela comunidade as agentes do reconhecimento interferem direta e ativamente no cotidiano local direcionando, via reconhecimento quilombola, as políticas públicas étnicas; a defesa do território e; as próprias questões simbólicas que dialogam com a afirmação da identidade quilombola.


5
  • FRANCKEL MOREAU
  • O brega funk como estratégia identitária e de resistência dos jovens da periferia recifense

  • Orientador : LAURE MARIE LOUISE CLEMENCE GARRABE
  • MEMBROS DA BANCA :
  • GILSON JOSE RODRIGUES JUNIOR
  • LAURE MARIE LOUISE CLEMENCE GARRABE
  • OUSSAMA NAOUAR
  • Data: 27/05/2022

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  • Essa dissertação visa uma contribuição a etnografia do brega funk nas periferias da Região Metropolitana do Recife/Pernambuco, focando o fenômeno pela sua apropriação em termos de resistência e identidade. Interessa a relação compartilhada entre os jovens da periferia e essa cultura performativa (musical, coreográfica, estilística, e discursiva), a qual carrega, pela sua localização, marcadores coloniais (sociais, econômicos e raciais) históricos, constantemente criticados. O grupo Magnatas do Passinho S.A., do bairro de Santo Amaro, foi um interlocutor importante na pesquisa pelo seu empenho em fortalecer o movimento e pela representatividade que suscita entre a juventude e diversos públicos. Par eles, pelo brega funk, "o povo da favela está reivindicando seus espaços", deixando a entender que a localização urbana dessa cultura é precisamente o vetor de emancipação dos numerosos estigmas que qualificam a periferia. Para contemplar estes eixos problemáticos, usou-se o método etnográfico com observação participante direta, entrevistas, e analise de documentos acessíveis na internet, não somente por que a pesquisa de campo coincidiu com a suspensão dos shows e os interditos de aglomeração na cidade, mas também por ser um poderoso instrumento de divulgação, reprodução, e de consumo dessa cultura. Numa primeira parte, após expor os métodos e técnicas da pesquisa de campo, discuto a historiografia do brega funk na literatura especializada, me interessando às suas influências culturais locais, nacionais, e globais. Em segundo lugar, à luz da perspectiva decolonial e da sociologia da musica inscrita numa perspectiva pós-moderna, discuto as relações dos bregueiros com as  categorizações raciais, sociais, e de subalternidade associadas à periferia, para a construção do seu próprio discurso identitário e localização sociocultural. Enfim, discuto as estratégias discursivas e performáticas que usam para afirmar sua identidade, sua criatividade, e potencializar a sua (re)apropriaçao de forma a entender como o brega funk consegue ressocializar a periferia entre coletivos socioculturais heterógenos ao mesmo tempo em que a relocalizam.


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  • Essa dissertação visa uma contribuição a etnografia do brega funk nas periferias da Região Metropolitana do Recife/Pernambuco, focando o fenômeno pela sua apropriação em termos de resistência e identidade. Interessa a relação compartilhada entre os jovens da periferia e essa cultura performativa (musical, coreográfica, estilística, e discursiva), a qual carrega, pela sua localização, marcadores coloniais (sociais, econômicos e raciais) históricos, constantemente criticados. O grupo Magnatas do Passinho S.A., do bairro de Santo Amaro, foi um interlocutor importante na pesquisa pelo seu empenho em fortalecer o movimento e pela representatividade que suscita entre a juventude e diversos públicos. Par eles, pelo brega funk, "o povo da favela está reivindicando seus espaços", deixando a entender que a localização urbana dessa cultura é precisamente o vetor de emancipação dos numerosos estigmas que qualificam a periferia. Para contemplar estes eixos problemáticos, usou-se o método etnográfico com observação participante direta, entrevistas, e analise de documentos acessíveis na internet, não somente por que a pesquisa de campo coincidiu com a suspensão dos shows e os interditos de aglomeração na cidade, mas também por ser um poderoso instrumento de divulgação, reprodução, e de consumo dessa cultura. Numa primeira parte, após expor os métodos e técnicas da pesquisa de campo, discuto a historiografia do brega funk na literatura especializada, me interessando às suas influências culturais locais, nacionais, e globais. Em segundo lugar, à luz da perspectiva decolonial e da sociologia da musica inscrita numa perspectiva pós-moderna, discuto as relações dos bregueiros com as  categorizações raciais, sociais, e de subalternidade associadas à periferia, para a construção do seu próprio discurso identitário e localização sociocultural. Enfim, discuto as estratégias discursivas e performáticas que usam para afirmar sua identidade, sua criatividade, e potencializar a sua (re)apropriaçao de forma a entender como o brega funk consegue ressocializar a periferia entre coletivos socioculturais heterógenos ao mesmo tempo em que a relocalizam.

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  • LUAN HENRIQUE DA SILVA ARRUDA
  • “Vamos tratar de um assunto sério, de forma não emocional”: Deslocamentos compulsórios e sofrimento nas Comunidades Quilombolas de Itacuruba – PE. 

  • Orientador : VÂNIA FIALHO
  • MEMBROS DA BANCA :
  • CARMEN LUCIA SILVA LIMA
  • RUSSELL PARRY SCOTT
  • VÂNIA FIALHO
  • Data: 30/05/2022

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  • Ainda que a Constituição de 88 tenha representado significativas mudanças em relação ao reconhecimento de direitos aos sujeitos coletivos, principalmente para os povos e comunidades tradicionais, a relação entre políticas públicas consorciadas com agentes do capital privado vem trazendo consequências maléficas para tais sujeitos, respaldado no argumento desenvolvimento sustentável. Foi percebido que o Sertão pernambucano, especialmente o Sertão de Itaparica, uma microrregião composta por sete municípios (Belém de São Francisco; Carnaubeira da Penha; Floresta; Itacuruba; Jatobá; Petrolândia; Tacaratu) e com população estimada de 134.212, IBGE (2010) vem sofrendo com o assédio e a construção de obras de grande porte, como a usina hidroelétrica de Itaparica, transposição do rio São Francisco e a Ferrovia Transnordestina. Outro exemplo pode ser observado no Plano Nacional de Energia Elétrica do Ministério de Minas e Energia, que pretende até 2030 construir usinas nucleares no Nordeste, uma delas na cidade de Itacuruba. Este trabalho tem como objetivo realizar uma leitura antropológica sobre o sofrimento das comunidades quilombolas de Itacuruba impactadas por uma agenda de empreendimentos locais. Neste sentido, utilizo como base a antropologia das emoções, que tem como objeto analítico a emoção, a partir de diferentes abordagens. Nesta dissertação busquei pensar através de uma perspectiva diacrônica (historicista) e “contextualista”. Partido também de experiências e contatos com a temática anteriores à pesquisa, onde me questionei sobre como a cidade era vinculada na grande mídia: “a cidade dos depressivos”, e tendo como diagnostico o alto índice de suicídio, sendo um dos maiores do Brasil, além de outros problemas de saúde mental. 


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  • Ainda que a Constituição de 88 tenha representado significativas mudanças em relação ao reconhecimento de direitos aos sujeitos coletivos, principalmente para os povos e comunidades tradicionais, a relação entre políticas públicas consorciadas com agentes do capital privado vem trazendo consequências maléficas para tais sujeitos, respaldado no argumento desenvolvimento sustentável. Foi percebido que o Sertão pernambucano, especialmente o Sertão de Itaparica, uma microrregião composta por sete municípios (Belém de São Francisco; Carnaubeira da Penha; Floresta; Itacuruba; Jatobá; Petrolândia; Tacaratu) e com população estimada de 134.212, IBGE (2010) vem sofrendo com o assédio e a construção de obras de grande porte, como a usina hidroelétrica de Itaparica, transposição do rio São Francisco e a Ferrovia Transnordestina. Outro exemplo pode ser observado no Plano Nacional de Energia Elétrica do Ministério de Minas e Energia, que pretende até 2030 construir usinas nucleares no Nordeste, uma delas na cidade de Itacuruba. Este trabalho tem como objetivo realizar uma leitura antropológica sobre o sofrimento das comunidades quilombolas de Itacuruba impactadas por uma agenda de empreendimentos locais. Neste sentido, utilizo como base a antropologia das emoções, que tem como objeto analítico a emoção, a partir de diferentes abordagens. Nesta dissertação busquei pensar através de uma perspectiva diacrônica (historicista) e “contextualista”. Partido também de experiências e contatos com a temática anteriores à pesquisa, onde me questionei sobre como a cidade era vinculada na grande mídia: “a cidade dos depressivos”, e tendo como diagnostico o alto índice de suicídio, sendo um dos maiores do Brasil, além de outros problemas de saúde mental. 

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  • ÁLVARO PRADO AGUIAR TAVARES
  • Precariedade em movimento: Por uma abordagem antropológica da uberização

  • Orientador : ALEX GIULIANO VAILATI
  • MEMBROS DA BANCA :
  • MARIA RAQUEL PASSOS LIMA
  • ALEX GIULIANO VAILATI
  • LAURE MARIE LOUISE CLEMENCE GARRABE
  • Data: 27/07/2022

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  • Foi em um contexto de ofensiva neoliberal, corte de gastos sociais e contrarreformas que precarizaram ainda mais as condições de labor da classe trabalhadora brasileira, que uma nova forma de mobilidade urbana foi introduzida no Brasil: serviços de corrida compartilhada, baseados em GPS. A primeira delas foi a Uber, lançada no Brasil em maio de 2014. A possibilidade de inscrição a esta empresa ante uma conjuntura de precarização do
    trabalho, implica em alterações nos modelos de significação da vida cotidiana a nível local, principalmente nos modelos de percepção do trabalho. Nesse sentido, os motoristas de Uber têm formas singulares de articular, organizar e construir significativamente suas formas de trabalho que agora são mediadas por uma determinada maneira de se relacionar com os aplicativos de corrida e com a geografia urbana das grandes cidades brasileiras. Nesta dissertação, através de experiencias etnográficas com motoristas e passageiros que circulam pela região metropolitana de Recife, trago um esforço para compreender quais são as infraestruturas, racionalidades sociais e alianças políticas que permeiam a contraditória relação dos motoristas com esses aplicativos, além de mostrar possíveis caminhos etnográficos através dos quais antropólogas/os podem seguir para serem capazes de se
    relacionar com trabalhadores/as que dificilmente tem tempo para se dedicar a um pesquisador. Portanto, com uma rotina extenuante que pode chegar até 18 horas de circulação diária, esses interlocutores/motoristas exigem de nós um permanente esforço de pensarmos nossas metodologias criativamente (bem como suas potenciais consequências teóricas), se quisermos nos integrar nos variados espaços em que eles se fazem presentes, sejam estes espaços materiais ou virtuais. Aqui, prática etnográfica precária é o termo que sintetiza como a precariedade do trabalho dos motoristas engendra também específicas formas de flexibilidade por parte dos antropólogos/as, que precisa estar permanentemente atento aos horários (sempre imprevisíveis) a que estes motoristas estão dispostos a compartilhar a singularidade de suas rotinas. Por fim, através de uma contraditória proposta de pesquisa colaborativa que fiz com um desses interlocutores, forneço alguns questionamentos para os pesquisadores que desejam construir uma antropologia engajada com um grupo de trabalhadores que parecem não precisar da ajuda de um “bondoso antropólogo”.

     


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  • Foi em um contexto de ofensiva neoliberal, corte de gastos sociais e contrarreformas que precarizaram ainda mais as condições de labor da classe trabalhadora brasileira, que uma nova forma de mobilidade urbana foi introduzida no Brasil: serviços de corrida compartilhada, baseados em GPS. A primeira delas foi a Uber, lançada no Brasil em maio de 2014. A possibilidade de inscrição a esta empresa ante uma conjuntura de precarização do
    trabalho, implica em alterações nos modelos de significação da vida cotidiana a nível local, principalmente nos modelos de percepção do trabalho. Nesse sentido, os motoristas de Uber têm formas singulares de articular, organizar e construir significativamente suas formas de trabalho que agora são mediadas por uma determinada maneira de se relacionar com os aplicativos de corrida e com a geografia urbana das grandes cidades brasileiras. Nesta dissertação, através de experiencias etnográficas com motoristas e passageiros que circulam pela região metropolitana de Recife, trago um esforço para compreender quais são as infraestruturas, racionalidades sociais e alianças políticas que permeiam a contraditória relação dos motoristas com esses aplicativos, além de mostrar possíveis caminhos etnográficos através dos quais antropólogas/os podem seguir para serem capazes de se
    relacionar com trabalhadores/as que dificilmente tem tempo para se dedicar a um pesquisador. Portanto, com uma rotina extenuante que pode chegar até 18 horas de circulação diária, esses interlocutores/motoristas exigem de nós um permanente esforço de pensarmos nossas metodologias criativamente (bem como suas potenciais consequências teóricas), se quisermos nos integrar nos variados espaços em que eles se fazem presentes, sejam estes espaços materiais ou virtuais. Aqui, prática etnográfica precária é o termo que sintetiza como a precariedade do trabalho dos motoristas engendra também específicas formas de flexibilidade por parte dos antropólogos/as, que precisa estar permanentemente atento aos horários (sempre imprevisíveis) a que estes motoristas estão dispostos a compartilhar a singularidade de suas rotinas. Por fim, através de uma contraditória proposta de pesquisa colaborativa que fiz com um desses interlocutores, forneço alguns questionamentos para os pesquisadores que desejam construir uma antropologia engajada com um grupo de trabalhadores que parecem não precisar da ajuda de um “bondoso antropólogo”.

     

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  • LUIS PAULO SANTANA DA SILVA SANTOS
  • Entre choques, apagamentos e irrupções: o caso da região de Suape e do Quilombo Ilha de Mercês

  • Orientador : VÂNIA FIALHO
  • MEMBROS DA BANCA :
  • HENYO TRINDADE BARRETTO FILHO
  • RUSSELL PARRY SCOTT
  • VÂNIA FIALHO
  • Data: 23/08/2022

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  • A presente dissertação tem como objetivo apresentar a dinâmica de esmagamentos, apagamentos e invisibilidade promovido pela territorialidade do Complexo de Suape sobre a específica territorialidade do Quilombo Ilha de Mercês. Para isso, primeiramente é realizada uma exposição histórica do desenvolvimento da constituição do que denomino por elementos e espaços hegemônicos. Em seguida, com a finalidade de contrapor e evidenciar o processo de entrelaçamento daqueles elementos descritos com outros antagônicos que igualmente se efetua um levantamento histórico do desenvolvimento do processo de concepção dos componentes denominados como não hegemônicos até o momento de irrupção do empreendimento portuário. Posteriormente, é realizada a descrição e análise da atual lógica territorial que se faz hoje preponderante na região, isto é, do Complexo Portuário de Suape. Destarte, após se chegar à apresentação e compreensão do constitutivo e intrincado enredo atual na região de Suape, é efetuado a exposição de uma das comunidades que se encontra em processo de desterritorialização e luta contra o grande projeto de desenvolvimento pela conservação de seu estilo de vida: o Quilombo Ilha de Mercês. Para tal, a metodologia desta pesquisa se constituiu de acompanhamentos e visitas à comunidade quilombola Ilha de Mercês, hoje englobada e localizada dentro do empreendimento portuário, em Ipojuca/Pernambuco, assim como pela análise de arquivos e documentos oficiais. Ademais, exames das abundantes teses e dissertações nas áreas da história, geografia, antropologia, serviço social, dentre outras sobre a região da zona da mata do nordeste brasileiro no século XIX e XX, como também de obras clássicas que documentam mais especificamente a região de Suape e da zona da mata sul de Pernambuco foi igualmente realizado. Isto posto, o presente trabalho buscou mostrar a existência de uma precedente heterogeneidade constitutiva de ocupações e territorialidades na região que compreendemos por Suape e, consequentemente, evidenciar e apontar para a gravidade das violações que vem ocorrendo na localidade, isto é, da subjugação e transformação de uma gama de territórios e territorialidades não hegemônicas a uma hiper lógica territorial em prol da soberania do Estado e do mercado econômico, utilizando para isso do caso mais específico do Quilombo Ilha de Mercês, uma das comunidades em conflito mais intenso com empreendimento portuário.


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  • A presente dissertação tem como objetivo apresentar a dinâmica de esmagamentos, apagamentos e invisibilidade promovido pela territorialidade do Complexo de Suape sobre a específica territorialidade do Quilombo Ilha de Mercês. Para isso, primeiramente é realizada uma exposição histórica do desenvolvimento da constituição do que denomino por elementos e espaços hegemônicos. Em seguida, com a finalidade de contrapor e evidenciar o processo de entrelaçamento daqueles elementos descritos com outros antagônicos que igualmente se efetua um levantamento histórico do desenvolvimento do processo de concepção dos componentes denominados como não hegemônicos até o momento de irrupção do empreendimento portuário. Posteriormente, é realizada a descrição e análise da atual lógica territorial que se faz hoje preponderante na região, isto é, do Complexo Portuário de Suape. Destarte, após se chegar à apresentação e compreensão do constitutivo e intrincado enredo atual na região de Suape, é efetuado a exposição de uma das comunidades que se encontra em processo de desterritorialização e luta contra o grande projeto de desenvolvimento pela conservação de seu estilo de vida: o Quilombo Ilha de Mercês. Para tal, a metodologia desta pesquisa se constituiu de acompanhamentos e visitas à comunidade quilombola Ilha de Mercês, hoje englobada e localizada dentro do empreendimento portuário, em Ipojuca/Pernambuco, assim como pela análise de arquivos e documentos oficiais. Ademais, exames das abundantes teses e dissertações nas áreas da história, geografia, antropologia, serviço social, dentre outras sobre a região da zona da mata do nordeste brasileiro no século XIX e XX, como também de obras clássicas que documentam mais especificamente a região de Suape e da zona da mata sul de Pernambuco foi igualmente realizado. Isto posto, o presente trabalho buscou mostrar a existência de uma precedente heterogeneidade constitutiva de ocupações e territorialidades na região que compreendemos por Suape e, consequentemente, evidenciar e apontar para a gravidade das violações que vem ocorrendo na localidade, isto é, da subjugação e transformação de uma gama de territórios e territorialidades não hegemônicas a uma hiper lógica territorial em prol da soberania do Estado e do mercado econômico, utilizando para isso do caso mais específico do Quilombo Ilha de Mercês, uma das comunidades em conflito mais intenso com empreendimento portuário.

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  • DANIEL BERNARDO ROCHA GUIMARAES DE SOUZA
  • A MATERIALIZAÇÃO DO ENCANTAMENTO: TECNOLOGIAS DE CONSTRUÇÃO DO POVO INDÍGENA XUKURU DO ORORUBÁ

  • Orientador : EDWIN BOUDEWIJN REESINK
  • MEMBROS DA BANCA :
  • FABIO MURA
  • EDWIN BOUDEWIJN REESINK
  • RENATO AMRAM ATHIAS
  • Data: 06/09/2022

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  • Esta dissertação teve por objetivo geral desenvolver um registro etnográfico sobre as Tecnologias de Construção do Povo Indígena Xukuru do Ororubá. Possuindo como objetivos específicos: 1- Realizar uma breve apresentação do contexto histórico do povo indígena Xukuru do Ororubá; 2 - Descrever algumas características relevantes da cosmologia e a “visão de mundo” dos Xukuru; 3 - Identificar e descrever as tecnologias indígenas de construção. Esta pesquisa utilizou o método etnográfico. Inicialmente foi realizada uma pesquisa histórica sobre o povo, seguido por um estudo sobre a cosmologia e a visão de mundo dos Xukuru do Ororubá e ao final foi produzido um relato etnográfico com a identificação das tecnologias de construção e a descrição do desenrolar e dos gestos de construção, realizados pelos “mestres do saber fazer” do Povo Indígena Xukuru do Ororubá. Os dados foram analisados a partir das noções de revitalização e recriação cultural e de tecnologia. A pesquisa histórica indicou que o Povo Indígena Xukuru do Ororubá sofreu um longo processo de proibição de expressar sua identidade indígena e a expulsão de seu território, o que causou mudanças e apagamentos socioculturais. A revitalização só pode ser realmente reelaborada a partir da retomada do território entre os anos de 1990 e 2005, provocando um processo de revitalização cultural a partir da indigenização de suas práticas. Atualmente tal processo faz parte do “Projeto de Vida Xukuru do Ororubá”, expresso pela “Cultura do Encantamento”. Nos últimos anos houve uma busca pela rememoração e “recriação” de suas tecnologias de construção, a qual é descrita nesta dissertação. Durante a pesquisa de campo, um “encantado” desceu em terra e pediu para que fosse realizada uma construção com as técnicas de “taipa com pedra” e cobertura em “palha barro palha”, as quais inicialmente acreditava-se que haviam sido “apagadas”. Porém, durante a pesquisa foi identificado que as técnicas estavam presentes no território, mas pouco visíveis, havendo uma permanência de “longa duração”, sendo transmitidas e executadas. A partir deste levantamento, foram projetados e construídos o “Peji de Barro” e o “Xeker Jeti” (Casa da Cura). Ambas executadas com as técnicas levantadas na pesquisa e a partir de um sistema mutirões pelos próprios indígenas e utilizando materiais presentes no território. Nos resultados são descritos os gestos de construção utilizados nessas obras. Concluímos que as construções do “Peji de Barro” e do “Xeker Jeti” têm como principal objetivo simbólico a materialização da Cosmologia do Povo Xukuru que é expressa em sua cultura indígena nomeada de “Cultura do Encantamento”. As construções foram criadas como espaços para praticar a sua “cultura indígena”. O “Peji de Barro” é um pequeno altar para realizar oferendas aos encantados e o “Xeker Jeti” tem como objetivo  abrigar o ritual do toré e práticas de cura indígenas.

     

     


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  • Esta dissertação teve por objetivo geral desenvolver um registro etnográfico sobre as Tecnologias de Construção do Povo Indígena Xukuru do Ororubá. Possuindo como objetivos específicos: 1- Realizar uma breve apresentação do contexto histórico do povo indígena Xukuru do Ororubá; 2 - Descrever algumas características relevantes da cosmologia e a “visão de mundo” dos Xukuru; 3 - Identificar e descrever as tecnologias indígenas de construção. Esta pesquisa utilizou o método etnográfico. Inicialmente foi realizada uma pesquisa histórica sobre o povo, seguido por um estudo sobre a cosmologia e a visão de mundo dos Xukuru do Ororubá e ao final foi produzido um relato etnográfico com a identificação das tecnologias de construção e a descrição do desenrolar e dos gestos de construção, realizados pelos “mestres do saber fazer” do Povo Indígena Xukuru do Ororubá. Os dados foram analisados a partir das noções de revitalização e recriação cultural e de tecnologia. A pesquisa histórica indicou que o Povo Indígena Xukuru do Ororubá sofreu um longo processo de proibição de expressar sua identidade indígena e a expulsão de seu território, o que causou mudanças e apagamentos socioculturais. A revitalização só pode ser realmente reelaborada a partir da retomada do território entre os anos de 1990 e 2005, provocando um processo de revitalização cultural a partir da indigenização de suas práticas. Atualmente tal processo faz parte do “Projeto de Vida Xukuru do Ororubá”, expresso pela “Cultura do Encantamento”. Nos últimos anos houve uma busca pela rememoração e “recriação” de suas tecnologias de construção, a qual é descrita nesta dissertação. Durante a pesquisa de campo, um “encantado” desceu em terra e pediu para que fosse realizada uma construção com as técnicas de “taipa com pedra” e cobertura em “palha barro palha”, as quais inicialmente acreditava-se que haviam sido “apagadas”. Porém, durante a pesquisa foi identificado que as técnicas estavam presentes no território, mas pouco visíveis, havendo uma permanência de “longa duração”, sendo transmitidas e executadas. A partir deste levantamento, foram projetados e construídos o “Peji de Barro” e o “Xeker Jeti” (Casa da Cura). Ambas executadas com as técnicas levantadas na pesquisa e a partir de um sistema mutirões pelos próprios indígenas e utilizando materiais presentes no território. Nos resultados são descritos os gestos de construção utilizados nessas obras. Concluímos que as construções do “Peji de Barro” e do “Xeker Jeti” têm como principal objetivo simbólico a materialização da Cosmologia do Povo Xukuru que é expressa em sua cultura indígena nomeada de “Cultura do Encantamento”. As construções foram criadas como espaços para praticar a sua “cultura indígena”. O “Peji de Barro” é um pequeno altar para realizar oferendas aos encantados e o “Xeker Jeti” tem como objetivo  abrigar o ritual do toré e práticas de cura indígenas.

     

     

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  • BRUNO DE GOIS FIGUEIRÊDO
  • É morrendo que se vive: etnografia de um grupo espírita caruaruense

  • Orientador : MISIA LINS VIEIRA REESINK
  • MEMBROS DA BANCA :
  • GENARO CAMBOIM LOPES DE ANDRADE LULA
  • LAURE MARIE LOUISE CLEMENCE GARRABE
  • MISIA LINS VIEIRA REESINK
  • Data: 08/09/2022

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  • Esta dissertação tem por objeto de pesquisa o Grupo de Estudos Espírita Francisco de Assis (GEEFA), uma pequena casa espírita da cidade de Caruaru, interior de Pernambuco. Diante das relações interpessoais estabelecidas no grupo, essa pesquisa tem o objetivo de contribuir para a produção antropológica sobre o espiritismo e os grupos espíritas, considerando a reflexão a respeito dos processos de conflitos que ocorrem no local analisado, antes e após a sua fundação. Também é do nosso interesse compreender e descrever a escolha e o processo de alçada das lideranças da casa, interpretar a razão dela continuar em operação e analisar as práticas adotadas pelos seus integrantes durante nossa estadia no campo. Para que isso aconteça, a abordagem pensada se dá por meio da apresentação do GEEFA a partir dos seus membros, permitindo a elaboração de um quadro de ideias sobre suas histórias e perspectivas – sobre o grupo ao qual aderiram e os papéis desempenhados por eles. Assim, voltamos nosso olhar para antagonismos que se apresentam na casa e como os próprios membros do local manuseiam categorias comuns à cosmologia espírita, como o estudo da doutrina, a aplicação dos passes e a prática da mediunidade, para conquistarem posições de destaque na estrutura do lugar. É sabido que o movimento espírita, desde a sua formação, se viu envolto em disputas que semearam tensões entres os seus adeptos. Isso acontece, porém, em um panorama mais amplo em comparação com um local de dimensões reduzidas como o GEEFA. Há margem, então, para levantar a problemática sobre a possibilidade de uma casa espírita de pequeno porte ser palco de processos de dramas sociais. Partimos da hipótese de que a liderança da casa é, ao mesmo tempo, a mola propulsora que garante o funcionamento do grupo e a grande responsável por provocar rupturas entre seus membros. Para pôr à prova esse pensamento, fazemos uso do método etnográfico e de entrevistas semi-estruturadas, feitas no formato online, devido à pandemia da COVID-19, para a coleta e análise dos dados reunidos.


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  • Esta dissertação tem por objeto de pesquisa o Grupo de Estudos Espírita Francisco de Assis (GEEFA), uma pequena casa espírita da cidade de Caruaru, interior de Pernambuco. Diante das relações interpessoais estabelecidas no grupo, essa pesquisa tem o objetivo de contribuir para a produção antropológica sobre o espiritismo e os grupos espíritas, considerando a reflexão a respeito dos processos de conflitos que ocorrem no local analisado, antes e após a sua fundação. Também é do nosso interesse compreender e descrever a escolha e o processo de alçada das lideranças da casa, interpretar a razão dela continuar em operação e analisar as práticas adotadas pelos seus integrantes durante nossa estadia no campo. Para que isso aconteça, a abordagem pensada se dá por meio da apresentação do GEEFA a partir dos seus membros, permitindo a elaboração de um quadro de ideias sobre suas histórias e perspectivas – sobre o grupo ao qual aderiram e os papéis desempenhados por eles. Assim, voltamos nosso olhar para antagonismos que se apresentam na casa e como os próprios membros do local manuseiam categorias comuns à cosmologia espírita, como o estudo da doutrina, a aplicação dos passes e a prática da mediunidade, para conquistarem posições de destaque na estrutura do lugar. É sabido que o movimento espírita, desde a sua formação, se viu envolto em disputas que semearam tensões entres os seus adeptos. Isso acontece, porém, em um panorama mais amplo em comparação com um local de dimensões reduzidas como o GEEFA. Há margem, então, para levantar a problemática sobre a possibilidade de uma casa espírita de pequeno porte ser palco de processos de dramas sociais. Partimos da hipótese de que a liderança da casa é, ao mesmo tempo, a mola propulsora que garante o funcionamento do grupo e a grande responsável por provocar rupturas entre seus membros. Para pôr à prova esse pensamento, fazemos uso do método etnográfico e de entrevistas semi-estruturadas, feitas no formato online, devido à pandemia da COVID-19, para a coleta e análise dos dados reunidos.

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  • BRUNO CORREIA LEITE CESAR
  • CORPO MANTRA: A EXPRESSÃO PRÁTICA DA MUSICALIDADE HARE KRISHNA

  • Orientador : MISIA LINS VIEIRA REESINK
  • MEMBROS DA BANCA :
  • MARIA ACSELRAD
  • MISIA LINS VIEIRA REESINK
  • SANDRO GUIMARAES DE SALLES
  • Data: 09/09/2022

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  • Esta pesquisa propõe analisar a forma que a música produz comportamentos corporais entre os devotos do movimento Hare Krishna residentes do templo mais antigo de Pernambuco, a Ecovila Vraja Dhama, fundado em 1985, Caruaru. Descrevendo e compreendendo este tema por meio da etnografia, entrevistas e registros fotográficos, investigamos essa musicalidade utilizando analiticamente a categoria de “música” e “corpo” para explicar a organização do canto de mantras, apresentada diariamente pelos praticantes em performances religiosas, no modo de tocar instrumentos, nas danças e posturas em suas cerimônias. Com isso, esta dissertação argumenta que a música se desenvolve práticas corporais por meio de categorias nativas como sadhana bhakti (prática da devoção constante) kirtana e bhajana, modalidades de canto que despertam maior pureza para os praticantes, assim, a música dos mantras dentro e fora dos rituais, organiza o corpo, o espaço e a sociedade.   

     


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  • Esta pesquisa propõe analisar a forma que a música produz comportamentos corporais entre os devotos do movimento Hare Krishna residentes do templo mais antigo de Pernambuco, a Ecovila Vraja Dhama, fundado em 1985, Caruaru. Descrevendo e compreendendo este tema por meio da etnografia, entrevistas e registros fotográficos, investigamos essa musicalidade utilizando analiticamente a categoria de “música” e “corpo” para explicar a organização do canto de mantras, apresentada diariamente pelos praticantes em performances religiosas, no modo de tocar instrumentos, nas danças e posturas em suas cerimônias. Com isso, esta dissertação argumenta que a música se desenvolve práticas corporais por meio de categorias nativas como sadhana bhakti (prática da devoção constante) kirtana e bhajana, modalidades de canto que despertam maior pureza para os praticantes, assim, a música dos mantras dentro e fora dos rituais, organiza o corpo, o espaço e a sociedade.   

     

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  • FRANCISCA JUSCIZETE QUEIROZ DE LIMA
  • Reflexões sobre a cultura afro-brasileira no Museu da Abolição (Recife-PE)

  • Orientador : HUGO MENEZES NETO
  • MEMBROS DA BANCA :
  • HUGO MENEZES NETO
  • ANA CLAUDIA RODRIGUES DA SILVA
  • LUZIA GOMES FERREIRA
  • Data: 30/09/2022

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  • Esta dissertação trata-se de uma pesquisa sobre a musealização da cultura afro-brasileira a partir do estudo de caso do Museu da Abolição, localizado em Recife-PE, instituição federal dedicada à referida cultura e às relações raciais no Brasil. Observei e analisei a história recente do Museu e algumas ações, exposições e outras atividades, à luz das ideias de autoras e autores negras e negros, como Lélia Gonzáles, Abdias do Nascimento, Grada Kilomba, Sidnei Nogueira, Djamila Ribeiro e Sílvio Almeida. A dissertação se fundamenta no diálogo entre a Antropologia e da Museologia, explorando noções como  curadoria, musealização, expografia em confronto com as de lugar de fala, racismo estrutural, intolerância religiosa, empoderamento e branquitude, relação explorada por intelectuais do campo museológico tais quais Joana Flores, Joseania Freitas, Nutyelle Oliveira, Felipe Ribeiro, Jislaine dos Santos e Igor Simões. A etnografia, realizada por meio da observação (presencial e das redes sociais) e de entrevistas semiestruturadas (com técnicos e técnicas do espaço), se fundamenta numa perspectiva da descolonização do espaço museal, pensando os limites e as potências de um equipamento federal enquanto museu participativo e ativista.


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  • Esta dissertação trata-se de uma pesquisa sobre a musealização da cultura afro-brasileira a partir do estudo de caso do Museu da Abolição, localizado em Recife-PE, instituição federal dedicada à referida cultura e às relações raciais no Brasil. Observei e analisei a história recente do Museu e algumas ações, exposições e outras atividades, à luz das ideias de autoras e autores negras e negros, como Lélia Gonzáles, Abdias do Nascimento, Grada Kilomba, Sidnei Nogueira, Djamila Ribeiro e Sílvio Almeida. A dissertação se fundamenta no diálogo entre a Antropologia e da Museologia, explorando noções como  curadoria, musealização, expografia em confronto com as de lugar de fala, racismo estrutural, intolerância religiosa, empoderamento e branquitude, relação explorada por intelectuais do campo museológico tais quais Joana Flores, Joseania Freitas, Nutyelle Oliveira, Felipe Ribeiro, Jislaine dos Santos e Igor Simões. A etnografia, realizada por meio da observação (presencial e das redes sociais) e de entrevistas semiestruturadas (com técnicos e técnicas do espaço), se fundamenta numa perspectiva da descolonização do espaço museal, pensando os limites e as potências de um equipamento federal enquanto museu participativo e ativista.

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  • LIZET RIVERA GONZÁLEZ
  •  “O Natural é de graça: Reflexões sobre a maternidade altruísta na gestação de substituição (Barriga de aluguel) na Cidade de México, México”.

  • Orientador : FABIANA MAIZZA
  • MEMBROS DA BANCA :
  • MARÍA EUGENIA OLAVARRÍA PATIÑO
  • FABIANA MAIZZA
  • MARION TEODOSIO DE QUADROS
  • Data: 30/09/2022

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  • Na concepção cultural ocidental, o parentesco é definido como a relação real, seja de sangue ou de nascimento, reconhecida por meio da relação sexual que assume uma noção de bilateralidade complementar na contribuição igualitária do pai e da mãe na configuração genética de um novo ser, e que, por seus profundos efeitos, é inalterável qualquer que seja a situação jurídica entre eles. (Schneider, 1980; pp. 24). No entanto, o desenvolvimento e aprimoramento das Técnicas de Reprodução Assistida nos mostraram que o que funcionava no abstrato não funcionaria necessariamente no concreto, principalmente quando se começa a olhar para as construções envolvidas na encarnação/personificação dos dons genéticos, a diferença entre corpos -masculinos e femininos- e os papéis determinados para a função reprodutiva (Strathern; 1991, pp.27), transformando-a em interesse próprio para a reflexão sobre as relações sociais, sexualidade, reprodução, percepções do corpo e o desenvolvimento da continuidade genética , e a persistência de certos símbolos como estratégia retórica para adaptar conceitos antigos como biologia, natureza, gênero e maternidade dentro dessas tecnologias. Sem dúvida, a barriga de aluguel ocupa um lugar de destaque entre os debates em torno das novas tecnologias reprodutivas, pois não apenas despojou a biologia de seu caráter simbólico na construção do parentesco, questionando-a como fundamento "natural" da dinâmica inerente ao que tradicionalmente se concebe como um continuum entre a relação sexual, a gravidez e o parto; mas também estabelecendo referências avaliadas em termos de um código de reciprocidade dentro de uma dinâmica de mercado que compara; não só a ação -gestação para outros-, ou as corporações abstratas (óvulo, esperma ou útero), mas também as ideias que reforçam as relações sociais esperadas entre homens e mulheres (Strathern, 1991; pp.33-36) operando em um esforço discursivo para que a maternidade se estabeleça nas tecnociências como guardiã do ideal, demonstrando que a procriação -mesmo em laboratório- é um fato natural. Assim, do ponto de vista euro-americano (e modernista), enquanto os objetivos sociais permanecerem estáveis, como na promoção do núcleo familiar, inovação tecnológica não significa inovação social, pelo contrário, os novos procedimentos podem cumprir velhos objetivos, de modo que será necessário nos perguntarmos o que está por trás de conceitos como biologia, natureza, maternidade e altruísmo na gestação de substituição e principalmente, o que realmente queremos dizer com isso?



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  • Na concepção cultural ocidental, o parentesco é definido como a relação real, seja de sangue ou de nascimento, reconhecida por meio da relação sexual que assume uma noção de bilateralidade complementar na contribuição igualitária do pai e da mãe na configuração genética de um novo ser, e que, por seus profundos efeitos, é inalterável qualquer que seja a situação jurídica entre eles. (Schneider, 1980; pp. 24). No entanto, o desenvolvimento e aprimoramento das Técnicas de Reprodução Assistida nos mostraram que o que funcionava no abstrato não funcionaria necessariamente no concreto, principalmente quando se começa a olhar para as construções envolvidas na encarnação/personificação dos dons genéticos, a diferença entre corpos -masculinos e femininos- e os papéis determinados para a função reprodutiva (Strathern; 1991, pp.27), transformando-a em interesse próprio para a reflexão sobre as relações sociais, sexualidade, reprodução, percepções do corpo e o desenvolvimento da continuidade genética , e a persistência de certos símbolos como estratégia retórica para adaptar conceitos antigos como biologia, natureza, gênero e maternidade dentro dessas tecnologias. Sem dúvida, a barriga de aluguel ocupa um lugar de destaque entre os debates em torno das novas tecnologias reprodutivas, pois não apenas despojou a biologia de seu caráter simbólico na construção do parentesco, questionando-a como fundamento "natural" da dinâmica inerente ao que tradicionalmente se concebe como um continuum entre a relação sexual, a gravidez e o parto; mas também estabelecendo referências avaliadas em termos de um código de reciprocidade dentro de uma dinâmica de mercado que compara; não só a ação -gestação para outros-, ou as corporações abstratas (óvulo, esperma ou útero), mas também as ideias que reforçam as relações sociais esperadas entre homens e mulheres (Strathern, 1991; pp.33-36) operando em um esforço discursivo para que a maternidade se estabeleça nas tecnociências como guardiã do ideal, demonstrando que a procriação -mesmo em laboratório- é um fato natural. Assim, do ponto de vista euro-americano (e modernista), enquanto os objetivos sociais permanecerem estáveis, como na promoção do núcleo familiar, inovação tecnológica não significa inovação social, pelo contrário, os novos procedimentos podem cumprir velhos objetivos, de modo que será necessário nos perguntarmos o que está por trás de conceitos como biologia, natureza, maternidade e altruísmo na gestação de substituição e principalmente, o que realmente queremos dizer com isso?


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  • DAVID JOSE PEREIRA GONZAGA
  • A crítica da religião como tática de permanência: um estudo etnográfico da presença de gays e lésbicas na Igreja Mórmon

  • Orientador : ROBERTA BIVAR CARNEIRO CAMPOS
  • MEMBROS DA BANCA :
  • ROBERTA BIVAR CARNEIRO CAMPOS
  • HUGO MENEZES NETO
  • BRUNO REINHARDT
  • Data: 30/09/2022

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  • A presente pesquisa trata-se de um estudo etnográfico com homens cis gays e mulheres cis lésbicas que professam o pertencimento religioso à igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, comumente conhecida como Igreja Mórmon. A partir de aspectos teóricos e metodológicos, a pesquisa investiga os valores, crenças, políticas institucionais e posicionamentos da igreja no que cerne ao debate da diversidade sexual e de gênero; assim como, se debruça sobre as tensões e conflitos com que homens gays e mulheres lésbicas que se afirmam mórmons se deparam em sua experiência de exercer seu pertencimento ao Santo dos Últimos Dias. O estudo também busca destacar que esses sujeitos não estão inertes, eles passaram a agenciar uma operação crítica em defesa de uma reforma institucional que os incluam e os reconheçam como gays/lésbicas e mórmons. Como parte importante desse estudo, está o acompanhamento de perto das ações do Afirmação, grupo de LGBTs mórmons presente em vários países que visa a dar apoio e acolhimento espiritual, político e institucional às pessoas que, por conta de sua orientação sexual ou identidade de gênero não heteronormativa, vivenciam intensos conflitos pessoais e institucionais pela dicotomia imposta entre sexualidade e religiosidade. Ao acompanhar o grupo, pude conhecer um pouco da sua trajetória institucional, das suas histórias de vida e dos mecanismos por ele adotados para que seus membros permanecessem como membros da igreja. É nesse contexto que esta pesquisa ganha relevância, uma vez que se compromete a entender a crítica desses atores e o modo como ela tem impactado, em algum grau e medida, as políticas e posicionamento da igreja nos últimos anos. Diante disso, a crítica da religião corresponde a um elemento singular e importante na constituição desse sujeito mórmon e gay ou lésbica, uma vez que os impulsiona a tomar a palavra e narrar suas próprias trajetórias, bem como a assumir declaradamente o lugar de mórmons. Eles existem nos bancos da igreja mórmon e muitos deles utilizam da crítica como tática de permanência.

     

     


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  • A presente pesquisa trata-se de um estudo etnográfico com homens cis gays e mulheres cis lésbicas que professam o pertencimento religioso à igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, comumente conhecida como Igreja Mórmon. A partir de aspectos teóricos e metodológicos, a pesquisa investiga os valores, crenças, políticas institucionais e posicionamentos da igreja no que cerne ao debate da diversidade sexual e de gênero; assim como, se debruça sobre as tensões e conflitos com que homens gays e mulheres lésbicas que se afirmam mórmons se deparam em sua experiência de exercer seu pertencimento ao Santo dos Últimos Dias. O estudo também busca destacar que esses sujeitos não estão inertes, eles passaram a agenciar uma operação crítica em defesa de uma reforma institucional que os incluam e os reconheçam como gays/lésbicas e mórmons. Como parte importante desse estudo, está o acompanhamento de perto das ações do Afirmação, grupo de LGBTs mórmons presente em vários países que visa a dar apoio e acolhimento espiritual, político e institucional às pessoas que, por conta de sua orientação sexual ou identidade de gênero não heteronormativa, vivenciam intensos conflitos pessoais e institucionais pela dicotomia imposta entre sexualidade e religiosidade. Ao acompanhar o grupo, pude conhecer um pouco da sua trajetória institucional, das suas histórias de vida e dos mecanismos por ele adotados para que seus membros permanecessem como membros da igreja. É nesse contexto que esta pesquisa ganha relevância, uma vez que se compromete a entender a crítica desses atores e o modo como ela tem impactado, em algum grau e medida, as políticas e posicionamento da igreja nos últimos anos. Diante disso, a crítica da religião corresponde a um elemento singular e importante na constituição desse sujeito mórmon e gay ou lésbica, uma vez que os impulsiona a tomar a palavra e narrar suas próprias trajetórias, bem como a assumir declaradamente o lugar de mórmons. Eles existem nos bancos da igreja mórmon e muitos deles utilizam da crítica como tática de permanência.

     

     

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  • CAMILLE IZABELLA MARIANA GOMES DA SILVA
  • “VAI, NÊGA! ESSA É A POSIÇÃO DE GOZAR!”: racismo obstétrico nos itinerários terapêuticos de mulheres-mães-negras na Região Metropolitana de Recife.

  • Orientador : MARION TEODOSIO DE QUADROS
  • MEMBROS DA BANCA :
  • MARION TEODOSIO DE QUADROS
  • FABIANA MAIZZA
  • JORGE LUIS LIRA DA SILVA
  • Data: 03/10/2022

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  • Esta dissertação se propõe a investigar os itinerários terapêuticos de mulheres-mães-negras nas experiências do pré-natal, parto e pós-parto nos serviços de saúde obstétrica ofertados pelos Sistema Único de Saúde na Região Metropolitana de Recife. O racismo obstétrico é um tipo de violência de gênero que se retroalimenta no racismo institucional. O acesso aos direitos reprodutivos pensados a partir da parturição foi uma das primeiras pautas reivindicadas pelo feminismo negro brasileiro, reconhecendo que as mulheres negras descrevem em seus relatos diversas formas de racismo protagonizados por profissionais e serviços da assistência ao parto, à vista disso, reproduzindo estratificações raciais.  Por conseguinte, a pretensão de etnografar mulheres negras surge a partir do reconhecimento da desigualdade racial quanto à saúde pela Organização Mundial de Saúde em 2021 e pela urgência de democratização do acesso à saúde preconizado pela Constituição Brasileira de 1988.


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  • Esta dissertação se propõe a investigar os itinerários terapêuticos de mulheres-mães-negras nas experiências do pré-natal, parto e pós-parto nos serviços de saúde obstétrica ofertados pelos Sistema Único de Saúde na Região Metropolitana de Recife. O racismo obstétrico é um tipo de violência de gênero que se retroalimenta no racismo institucional. O acesso aos direitos reprodutivos pensados a partir da parturição foi uma das primeiras pautas reivindicadas pelo feminismo negro brasileiro, reconhecendo que as mulheres negras descrevem em seus relatos diversas formas de racismo protagonizados por profissionais e serviços da assistência ao parto, à vista disso, reproduzindo estratificações raciais.  Por conseguinte, a pretensão de etnografar mulheres negras surge a partir do reconhecimento da desigualdade racial quanto à saúde pela Organização Mundial de Saúde em 2021 e pela urgência de democratização do acesso à saúde preconizado pela Constituição Brasileira de 1988.

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  • CAMILA MARIA SILVA DE MORAES SANTOS
  • ENCONTROS RADICAIS NA IGREJINHA: Relações Interespecíficas entre humanos e tubarões na praia de Piedade em Pernambuco – Brasil.

  • Orientador : ANA CLAUDIA RODRIGUES DA SILVA
  • MEMBROS DA BANCA :
  • FLÁVIO LEONEL ABREU DA SILVEIRA
  • ANA CLAUDIA RODRIGUES DA SILVA
  • HUGO MENEZES NETO
  • Data: 07/10/2022

  • Mostrar Resumo
  • Popularmente conhecidos como “ataques de tubarão”, os incidentes entre humanos e tubarões em Pernambuco são registrados de forma sistemática desde meados da década de 1990. Esses encontros, aqui tratados como radicais, devido às consequências significativas que produzem para ambas as espécies, veem sendo documentados e debatidos amplamente desde o campo da produção científica até a área de políticas públicas voltadas à mitigação dos incidentes – por meio de ações como a implantação de placas sinalizando as zonas de perigo e a proibição, por força de lei, em 1995 de desportos aquáticos nas áreas. Apesar de estudos sobre relações interespecíficas serem crescentes na antropologia, poucos se debruçaram sobre a presença de animais selvagens em contextos urbanos, pensando humanos e tubarões em condições relacionais que envolvem natureza e cultura. A pesquisa aqui apresentada se desenvolveu, devido a pandemia de covid-19, entre 2019 e 2022 e foi elaborada a partir de métodos como a pesquisa bibliográfica, análise de dados científicos e de idas à campo buscando a construção de uma etnografia multiespécie (KIRKSEY S. E.; HELMREICH S., 2010). A presente investigação foi orientada por teorias derivadas da chamada “virada ontológica” e buscou lançar luz sobre as relações interespecíficas estabelecidas entre humanos e tubarões ocorridos no trecho de praia conhecidos como “Igrejinha de Piedade” em Jaboatão dos Guararapes, município pertencente à região metropolitana do Recife – RMR, em Pernambuco.

     



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  • Popularmente conhecidos como “ataques de tubarão”, os incidentes entre humanos e tubarões em Pernambuco são registrados de forma sistemática desde meados da década de 1990. Esses encontros, aqui tratados como radicais, devido às consequências significativas que produzem para ambas as espécies, veem sendo documentados e debatidos amplamente desde o campo da produção científica até a área de políticas públicas voltadas à mitigação dos incidentes – por meio de ações como a implantação de placas sinalizando as zonas de perigo e a proibição, por força de lei, em 1995 de desportos aquáticos nas áreas. Apesar de estudos sobre relações interespecíficas serem crescentes na antropologia, poucos se debruçaram sobre a presença de animais selvagens em contextos urbanos, pensando humanos e tubarões em condições relacionais que envolvem natureza e cultura. A pesquisa aqui apresentada se desenvolveu, devido a pandemia de covid-19, entre 2019 e 2022 e foi elaborada a partir de métodos como a pesquisa bibliográfica, análise de dados científicos e de idas à campo buscando a construção de uma etnografia multiespécie (KIRKSEY S. E.; HELMREICH S., 2010). A presente investigação foi orientada por teorias derivadas da chamada “virada ontológica” e buscou lançar luz sobre as relações interespecíficas estabelecidas entre humanos e tubarões ocorridos no trecho de praia conhecidos como “Igrejinha de Piedade” em Jaboatão dos Guararapes, município pertencente à região metropolitana do Recife – RMR, em Pernambuco.

     


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  • ADRIANA LEDEZMA BLANCHART
  • Subjetividades engendradas: configurações sexo-afetivas de mulheres heterossexuais, urbanas, de classe média do Brasil.

     

  • Orientador : FABIANA MAIZZA
  • MEMBROS DA BANCA :
  • VALERIA MENDONÇA DE MACEDO
  • ANA CLAUDIA RODRIGUES DA SILVA
  • FABIANA MAIZZA
  • Data: 08/11/2022

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  • Este trabalho tem por objetivo explorar as relações de gênero e as vivências sexo-afetivas de mulheres heterossexuais, brancas e de classe média do Brasil. Os conceitos de gênero e sexualidade são considerados desde uma perspectiva feminista. Essas categorias representam pilares centrais nas conceitualizações da subordinação das mulheres no Ocidente. Sua premissa fundamental é que tanto o gênero quanto a sexualidade são configurações históricas específicas constituídas nos marcos culturais das sociedades em que elas se desenvolvem. Os trabalhos de Butler e De Lauretis reformularam estas premissas procurando superar uma noção fixa da identidade. Suas formulações enfatizam o caráter dinâmico da subjetividade engendrada, considerando-a um processo contínuo entre a dimensão discursiva e a dimensão prática dos sujeitos sociais. Nesse sentido, as narrativas feministas são também consideradas como parte dos discursos, configurando a categoria “mulher” na atualidade. Partindo desses pressupostos, a pesquisa adentra o universo de 6 mulheres brasileiras. Por meio de suas narrativas, aprofunda-se na interação entre as experiências de gênero e sexualidade e como tais experiências são significadas. O trabalho revisita as transformações resultantes da revolução sexual e de como essas mudanças culturais são vivenciadas pelas mulheres hoje em dia. A partir dessa exploração, é possível constatar que as vivências de gênero e sexualidade são negociações complexas, dinâmicas e constantes, nas quais, por vezes, as normas são reiteradas ou deslocadas e ressignificadas, sem que isso tenha necessariamente efeitos de transformação. Explorando os relatos, podemos reconsiderar que, hoje em dia, para a classe média branca brasileira, é “normal” que as mulheres: alternem períodos de sexo heterossexual fora do relacionamento e sexo heterossexual em relações monogâmicas baseadas exclusivamente no amor e/ou no prazer; que casem-se por amor; que tenham relações sexuais, no matrimônio, baseadas no princípio do prazer (e não na reprodução); que a reprodução seja uma possibilidade dependendo de fatores como equidade em tarefas domésticas e estabilidade econômica; que a insatisfação sexual seja motivo de separação, e que essas características sejam procuradas constantemente em novos relacionamentos.

     

     


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  • Este trabalho tem por objetivo explorar as relações de gênero e as vivências sexo-afetivas de mulheres heterossexuais, brancas e de classe média do Brasil. Os conceitos de gênero e sexualidade são considerados desde uma perspectiva feminista. Essas categorias representam pilares centrais nas conceitualizações da subordinação das mulheres no Ocidente. Sua premissa fundamental é que tanto o gênero quanto a sexualidade são configurações históricas específicas constituídas nos marcos culturais das sociedades em que elas se desenvolvem. Os trabalhos de Butler e De Lauretis reformularam estas premissas procurando superar uma noção fixa da identidade. Suas formulações enfatizam o caráter dinâmico da subjetividade engendrada, considerando-a um processo contínuo entre a dimensão discursiva e a dimensão prática dos sujeitos sociais. Nesse sentido, as narrativas feministas são também consideradas como parte dos discursos, configurando a categoria “mulher” na atualidade. Partindo desses pressupostos, a pesquisa adentra o universo de 6 mulheres brasileiras. Por meio de suas narrativas, aprofunda-se na interação entre as experiências de gênero e sexualidade e como tais experiências são significadas. O trabalho revisita as transformações resultantes da revolução sexual e de como essas mudanças culturais são vivenciadas pelas mulheres hoje em dia. A partir dessa exploração, é possível constatar que as vivências de gênero e sexualidade são negociações complexas, dinâmicas e constantes, nas quais, por vezes, as normas são reiteradas ou deslocadas e ressignificadas, sem que isso tenha necessariamente efeitos de transformação. Explorando os relatos, podemos reconsiderar que, hoje em dia, para a classe média branca brasileira, é “normal” que as mulheres: alternem períodos de sexo heterossexual fora do relacionamento e sexo heterossexual em relações monogâmicas baseadas exclusivamente no amor e/ou no prazer; que casem-se por amor; que tenham relações sexuais, no matrimônio, baseadas no princípio do prazer (e não na reprodução); que a reprodução seja uma possibilidade dependendo de fatores como equidade em tarefas domésticas e estabilidade econômica; que a insatisfação sexual seja motivo de separação, e que essas características sejam procuradas constantemente em novos relacionamentos.

     

     

Teses
1
  • CAROLINA BARBOSA DE ALBUQUERQUE
  •  

    De estigma, de sangue até cuidados: mudos, mudas e ouvintes no sertão da Paraíba. 


  • Orientador : RUSSELL PARRY SCOTT
  • MEMBROS DA BANCA :
  • RUSSELL PARRY SCOTT
  • ANA CLAUDIA RODRIGUES DA SILVA
  • MARION TEODOSIO DE QUADROS
  • ANAHÍ GUEDES DE MELO
  • DEBORA DINIZ RODRIGUES
  • Data: 15/02/2022

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  • Esta tese descreve formas de vida de “mudas”, “mudos” e ouvintes a partir de atos de cuidados produzidos ao longo do tempo. Inicialmente aborda eventos político-sociais transnacionais e a história brasileira, relacionados ao processo de formação de Estado-nação, em que a pessoa “muda” foi enlaçada, resultando em estigmatizações, assujeitamentos e formas de tutela. A atribuição depreciativa de “doido/doida” que “mudos/mudas” recebem no cotidiano é uma categoria analisada concretamente de como se conjugam ou se invertem na vida social local e extralocal, em diferentes tempos. Seguindo Veena Das as narrativas, as classificações e as memórias mais íntimas elaboradas na vida doméstica são também políticas e históricas. Nesse sentido, as histórias pessoais e familiares, vistos através dos discursos e das práticas de cuidados, se conectam às formações políticas mais amplas das quais fazem parte, entendidas como “comunidades morais” no sentido de Turner. A partir de reflexões etnográficas e sócio-históricas examina como essas questões se cruzam em corpos que não são genéricos. Os corpos de “mudas”, “mudos” e ouvintes falam sobre doenças, deficiências, pobreza, protagonismos, famílias, gênero, geração, migração, relações de poder, estratégias de sobrevivência, instituições estatais, cuidados público e privado. Os cuidados inscritos e embebidos no movimento da vida, são tecidos numa coprodução instável e contínua com essas categorias, que não são fixas. As ambiguidades das práticas e atribuições de cuidar cotidianamente, como as que envolvem atenção, negociação, afeto, conflitos, dinheiro, tempo, divisão do trabalho e dificuldades, são co-constituídas pelas linhas das correspondências e discordâncias das expectativas sociais do gênero, da geração, dos corpos, da classe, das instituições do Estado e dos códigos familiares. Os custos e os valores do (não) reconhecimento das diversas formas de produção de “cuidar de si e do outro” se visibilizam, tornados temas de reverberação política sócio-histórica e discussões sobre experiências de desigualdades.

     


  • Mostrar Abstract
  • Nesta tese descrevo formas de vida de “mudas”, “mudos” e ouvintes a partir de atos de cuidados produzidos ao longo dos dias, no sítio Serra de Inácio Pereira, localizado no município de Barra de Santana, Paraíba. Ao descrever os “cuidados de si e do outro” dessas moradoras e moradores no cotidiano, a leitora ou o leitor verá que esses atos se entrelaçam às histórias das relações familiares. Ao se nomear quem cuidou em um momento difícil ou quem deveria estar presente, mas ignorou o chamado, quem resolveu um problema ou quem criou uma situação ruim, formulam cobranças, demandas, acusações, solidariedades, afetos, conflitos, autonomias, cerceamentos e (não) reconhecimentos que vão se infiltrando e constituindo as relações no dia a dia. Nesse sentido, evidenciar a existência de diversas narrativas a respeito das relações familiares, e de acesso às políticas públicas, se constitui no conhecimento da produção de cuidados difusos, ambíguos e de caráter, ao mesmo tempo, público e privado. Contudo, a produção e os efeitos de cuidados não são atualizados apenas pelo registro familiar, que se estende a experiência institucional no Centro de Atenção Psicossocial, do “tempo presente”, mas também devido aos eventos político-sociais da história brasileira. Ou seja, analisam-se aqui as durações históricas, relacionadas ao processo de formação de Estado-nação, em que a pessoa surda foi enlaçada. Assim, convido-a/o a conhecer como os cuidados se inscrevem e se embebem no movimento da vida, levando em conta as relações familiares, condições de gênero, de geração, de deficiência, de migração, de pobreza, de moralidades, de redes de cuidados e de relações de poder.

     

2
  • RENATO DE LYRA LEMOS
  • COLECIONADORES E COLONIZADORES NAS ROTAS CYBERATLÂNTICAS DE ÁFRICA: Coleções de discos africanos, projetos de memória e a formação de arquivos digitais (2005-2020)

  • Orientador : ANTONIO CARLOS MOTA DE LIMA
  • MEMBROS DA BANCA :
  • ANTONIO CARLOS MOTA DE LIMA
  • ANDRÉA DE SOUZA LOBO
  • LAURA MOUTINHO DA SILVA
  • CARLOS BENEDITO RODRIGUES DA SILVA
  • JAMILE BORGES DA SILVA
  • LIVIO SANSONE
  • Data: 30/03/2022

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  • Assim como todo produto cultural, a produção musical está exposta a ciclos de consumo, que se modificam dependendo dos interesses do mercado e do público. Os colecionadores de música são importantes participantes desses ciclos, mantendo ou formando suas coleções nos interregnos desses. Com os discos de artistas africanos isso não foi diferente; o que se modifica são os discursos sobre, visto que muitos colecionadores, especialmente europeus e estadunidenses, fizeram proveito da mudança de ciclo para construírem um pretenso discurso de desinteresse dos “africanos” pela música produzida no continente entre as décadas de 1960 e 1980 e assim construírem sobre si um imaginário de responsáveis pela salvaguarda das “memórias musicais africanas”. Muitos desses colecionadores são DJ’s, possuem blogs sobre música e até mesmo são proprietários de selos fonográficos responsáveis por realizarem o relançamento de discos e compilações dessas músicas. Os discursos contidos nos materiais de divulgação desses discos muitas vezes acabam retornando aos discursos coloniais e ao posicionamento de alteridade em relação aos africanos, reafirmando os constructos de exotismo e da necessidade de uma intervenção ocidental para a “manutenção” dessas memórias. Além disso, existe também o processo de seleção da memória na escolha dos tipos de música que são colecionados, relançados e divulgados, os quais em geral respondem aos anseios de um mercado, do que pode ser consumido como “música africana”. Assim como em outras esferas, esse mercado ainda é bastante afetado pelas relações de poder, e essas relações demonstram-se aparentes nos fóruns de discussão online sobre música africana e nas redes sociais, nas quais há uma significativa circulação desses colecionadores e onde são expostas suas pesquisas e suas ideias. Assim, esse trabalho pretende problematizar os discursos desses colecionadores contemporâneos de música africana e os Projetos de Memória sobre África a partir dos espaços virtuais de promoção e divulgação de suas coleções.


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  • Assim como todo produto cultural, a produção musical está exposta a ciclos de consumo, que se modificam dependendo dos interesses do mercado e do público. Os colecionadores de música são importantes participantes desses ciclos, mantendo ou formando suas coleções nos interregnos desses. Com os discos de artistas africanos isso não foi diferente; o que se modifica são os discursos sobre, visto que muitos colecionadores, especialmente europeus e estadunidenses, fizeram proveito da mudança de ciclo para construírem um pretenso discurso de desinteresse dos “africanos” pela música produzida no continente entre as décadas de 1960 e 1980 e assim construírem sobre si um imaginário de responsáveis pela salvaguarda das “memórias musicais africanas”. Muitos desses colecionadores são DJ’s, possuem blogs sobre música e até mesmo são proprietários de selos fonográficos responsáveis por realizarem o relançamento de discos e compilações dessas músicas. Os discursos contidos nos materiais de divulgação desses discos muitas vezes acabam retornando aos discursos coloniais e ao posicionamento de alteridade em relação aos africanos, reafirmando os constructos de exotismo e da necessidade de uma intervenção ocidental para a “manutenção” dessas memórias. Além disso, existe também o processo de seleção da memória na escolha dos tipos de música que são colecionados, relançados e divulgados, os quais em geral respondem aos anseios de um mercado, do que pode ser consumido como “música africana”. Assim como em outras esferas, esse mercado ainda é bastante afetado pelas relações de poder, e essas relações demonstram-se aparentes nos fóruns de discussão online sobre música africana e nas redes sociais, nas quais há uma significativa circulação desses colecionadores e onde são expostas suas pesquisas e suas ideias. Assim, esse trabalho pretende problematizar os discursos desses colecionadores contemporâneos de música africana e os Projetos de Memória sobre África a partir dos espaços virtuais de promoção e divulgação de suas coleções.

3
  • POLYANNY LILIAN DO AMARAL BRAZ
  • "Um lugar a ser conquistado". Uma análise antropológica das intersecções entre religião e gênero a partir da perspectiva de evangélicas feministas.

  • Orientador : MISIA LINS VIEIRA REESINK
  • MEMBROS DA BANCA :
  • FABIANA MAIZZA
  • MARION TEODOSIO DE QUADROS
  • MISIA LINS VIEIRA REESINK
  • PATRICIA BIRMAN
  • ROZELI MARIA PORTO
  • Data: 12/05/2022

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  • A presente tese busca analisar, sob o ponto de vista de evangélicas feministas, as interseções entre religião (protestantismo) e gênero (feminismo), avaliando a apropriação de ideias e ações das pautas feministas por mulheres evangélicas. Pressupomos que essa prática existe e se dá no cotidiano, na vivência religiosa dentro e fora das comunidades de fé destas mulheres que se afirmam como “evangélicas feministas”. Avançamos a partir da hipótese de que essa assimilação coopera para o desenvolvimento de certo comportamento crítico e reflexivo que interfere na vida prática religiosa destas mulheres e colabora para a construção do que chamamos de“ethos cristão feminista, que vai nacontramão do conservadorismo evangélico hegemônico. Observamoso aumento numérico e a crescente visibilidade de movimentos organizados de mulheres cristãs feministas e os impactos desses movimentos em umareconfiguração do campo evangélico brasileiro. Exemplo disso são os diversos grupos, organizações, instituições e coletivos, além de um campo em crescimento a teologia feminista , que se propõe a explorar as possibilidades de entrelaçamento entre a prática religiosa cristã protestante e a militância feminista,reconhecendo a situação de subalternidade da mulher dentro da igreja causada por uma interpretação bíblica patriarcal e machista. As mulheres cristãs feministas objetivam, dentre outras coisas, reinterpretar, à luz das questões de gênero, o discurso hegemônico produzido pela igreja. Para cumprir os objetivos propostos, foram feitos um levantamento das principais produções da Teologia Feminista, a análise de alguns textos produzidos por cristãs feministas e o acompanhamento de perto de um grupo de mulheres evangélicas feministas (o Coletivo Vozes Marias) nos encontros promovidos e em outros espaços a fim de analisar as questões descritas anteriormente. Dessa forma, nosso recorte empírico é dividido em três fontes principais: 1) a produção teológica feminista; 2) o discurso dito e escrito das cristãs feministas; e 3) o acompanhamento das atividades do Coletivo Vozes Marias, um coletivo independente sem fins lucrativos, composto demulheres evangélicascomprometidas com os princípios e valores do evangelho de Jesus Cristo e dedicadasaos estudos de Gênero.Entre as estratégias e técnicas metodológicas por meioda observação participante, etnografamos a apropriação e reprodução prática das teorias feministas na vida religiosa das mulheres evangélicas; mapeamos as redes de interação e articulação formadas pelas mulheres evangélicas que se identificam como feministas, abordamos os principais objetivos e atuações das evangélicas feministas; analisamos como as fiéis interpretam a produção teológica com respaldo feminista e como estas ideias se manifestam no discurso e na vivência prática religiosa. Assim, ao montar um quadro geral de dados quantitativos e qualitativos, foi possível observar as possíveis rupturas e continuidades das categorias analisadas, considerando a produção teórica já produzida pela Antropologia e por ciências afins, os dados coletados a partir das nossas interlocutoras e as interpretações realizadas a partir disso tudo.

     


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  • O presente trabalho busca analisar, sob o ponto de vista de evangélicas feministas, as interseções entre religião (protestantismo) e gênero (feminismo), avaliando a apropriação de ideias e ações das pautas feministas por mulheres evangélicas. Pressupomos que essa prática existe e se dá no cotidiano, na vivência religiosa dentro e fora das comunidades de fé destas mulheres que se afirmam como “evangélicas feministas”. Avançamos a partir da hipótese de que essa assimilação coopera para o desenvolvimento de certo comportamento crítico e reflexivo que interfere na vida prática religiosa destas mulheres e colabora para a construção do que chamamos de“ethos cristão feminista, que vai nacontramão do conservadorismo evangélico hegemônico. Observamoso aumento numérico e a crescente visibilidade de movimentos organizados de mulheres cristãs feministas e os impactos desses movimentos em umareconfiguração do campo evangélico brasileiro. Exemplo disso são os diversos grupos, organizações, instituições e coletivos, além de um campo em crescimento a teologia feminista , que se propõe a explorar as possibilidades de entrelaçamento entre a prática religiosa cristã protestante e a militância feminista,reconhecendo a situação de subalternidade da mulher dentro da igreja causada por uma interpretação bíblica patriarcal e machista. As mulheres cristãs feministas objetivam, dentre outras coisas, reinterpretar, à luz das questões de gênero, o discurso hegemônico produzido pela igreja. 

     

4
  • JOSE SOARES DE MORAIS
  • USO DA FORÇA NA POLÍCIA MILITAR DE PERNAMBUCO: UMA AUTOETNOGRAFIA SOBRE A PERCEPÇÃO DAS TROPAS ESPECIAIS

  • Orientador : VÂNIA FIALHO
  • MEMBROS DA BANCA :
  • EDWIN BOUDEWIJN REESINK
  • JOSE LUIZ DE AMORIM RATTON JUNIOR
  • MONICA MARIA GUSMAO COSTA
  • RUSSELL PARRY SCOTT
  • VÂNIA FIALHO
  • Data: 26/08/2022

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  • Com uma pesquisa calcada na perspectiva teórico-metodológica fornecida pela antropologia, de caráter autoetnográfico, e cotejada num recorte empírico direcionado aos que exercem (e exerceram) suas funções em unidades da Polícia Militar de Pernambuco denominadas de “especiais” com atividade profissional em todo território pernambucano: BOPE – Batalhão de Operações Policiais Especiais (antiga 1ª CIOE – Companhia Independente de Operações Especiais) e o BEPI – Batalhão Especializado de Policiamento do Interior (antiga CIOSAC – Companhia Independente de Operações de Sobrevivência na Área de Caatinga). A tese se apresenta sob a forma de um olhar atento e de múltiplos questionamentos epistemológicos à utilização da força policial em seu nível mais extremado, pelos integrantes dessas tropas especiais a partir da realização de uma autoetnografia - como forma de “escrita de si” (FOUCAULT, 1992), a qual combina características da autobiografia e da etnografia, no sentido de descrever e analisar (grafia) a experiência pessoal (auto) com o objetivo de compreender a experiência cultural (etno) (ELLIS, 2004; HOLMAN JONES, 2005), investigando as impressões provocadas por suas (nossas, e minhas) atuações. É nesse contexto que me incluo enquanto integrante da organização que ainda permite a alcunha da dúvida, entre o impedir à violência, e o seu patrocínio. E me coloco como sujeito da pesquisa, que ora se fundamenta na análise interpretativa e reflexiva sobre as percepções do uso da força. Assim, as construções mentais sobre o uso da força serão aqui estudadas, em meio aos procedimentos e atitudes, na medida em que as crenças forem produzidas e representadas na cultura da tropa, inclusive, partindo do “eu” (minha trajetória policial militar), e hoje, antropólogo, onde escrevo e analiso minhas experiências pessoais, no sentido referido por Foucault (1992, p.156): “Escrever é, portanto, ‘se mostrar’, se expor, fazer aparecer seu próprio rosto perto do outro”.


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  • A tese se apresenta sob a forma de um olhar mais atento à utilização da força em seu nível mais extremado, pelos integrantes da Polícia Militar de Pernambuco, a partir da realização de uma autoetnografia - como forma de “escrita de si” (FOUCAULT, 1992), a qual combina características da autobiografia e da etnografia, no sentido de descrever e analisar (grafia) a experiência pessoal (auto) com o objetivo de compreender a experiência cultural (etno) (ELLIS, 2004; HOLMAN JONES, 2005), com o objetivo de investigar as impressões provocadas por suas (nossas, e minhas) atuações. É nesse contexto que me incluo enquanto integrante da organização que ainda permite a alcunha da dúvida, entre o impedir à violência, e o seu patrocínio. E me coloco como sujeito da pesquisa, que ora se fundamenta na análise interpretativa e reflexiva sobre as percepções do uso da força. Com uma pesquisa calcada na perspectiva teórico-metodológica fornecida pela antropologia, de caráter autoetnográfico, e cotejada num recorte empírico direcionado aos que exercem (e exerceram) suas funções em unidades denominadas de “especiais” (as quais, dentro das categorias nativas estudadas, também chamaremos de “comunidades”, pois assim são conhecidas no âmbito interno do convívio profissional e da “mística” que é cultuada), com atividade em todo território pernambucano: BOPE – Batalhão de Operações Policiais Especiais (antiga 1ª CIOE – Companhia Independente de Operações Especiais) e o BEPI – Batalhão Especializado de Policiamento do Interior (antiga CIOSAC – Companhia Independente de Operações de Sobrevivência na Área de Caatinga). Cuja intenção visa compreender como as construções mentais sobre o uso da força são percebidas, em meio aos procedimentos e atitudes, e em que medida as crenças são produzidas e representadas, inclusive, incluindo o “eu” (trajetória policial militar), hoje, antropólogo, onde escrevo e analiso minhas experiências pessoais, no sentido referido por Foucault (1992, p.156): “Escrever é, portanto, ‘se mostrar’, se expor, fazer aparecer seu próprio rosto perto do outro”.

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  • FABIANO LUCENA DE ARAUJO
  • ATLAS DE FIGURAS BALDIAS: a produção cultural de imagens-ruína e a estética do luto pela cidade no Recife contemporâneo

  • Orientador : MISIA LINS VIEIRA REESINK
  • MEMBROS DA BANCA :
  • ALEX GIULIANO VAILATI
  • MISIA LINS VIEIRA REESINK
  • PAULO MARCONDES FERREIRA SOARES
  • RENATO AMRAM ATHIAS
  • ROGERIO PROENCA DE SOUSA LEITE
  • Data: 26/08/2022

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  • O objeto desta tese incide nas relações sociais entre produtores culturais ativistas pela agenda
    do direito à cidade, mediadas pelas imagens técnicas (a fotográfica, a audiovisual e suas
    representações digitais) ou pelas imagens textuais presentes em manifestos escritos, que
    refletem formas específicas de usar e encarar o espaço urbano, proporcionando respostas
    culturais para os processos de modernização. A pesquisa teve como objetivo principal
    compreender os contextos diferenciados em forma de tradução imagética das práticas
    socioespaciais específicas, desdobrando-se, nesse sentido, em delimitar um recorte da
    produção cultural, priorizando a dimensão visual das imagens, o que sucedeu-se pela
    aproximação etnográfica do pesquisador com os interlocutores, elegendo linguagens e suas
    formas de encarar a cidade em detrimento de outras. O recorte empregado foi o de artivismos
    urbanos expressos na I) extensão universitária e assessoramento sobre planejamento urbano
    dos movimentos sociais do bairro da Várzea, e II) videoativismo e produção audiovisual.
    realizada pelos ex-moradores e frequentadores do Edifício Monte Castelo e pelo engajamento
    direcionado aos cinemas de rua. Os artivismos ou engajamentos criativos visando uma
    contestação espacial do hegemônico, enquanto postura que tem marcadamente um referencial
    estético e político, no contexto do Recife, adquiriram sua feição atual pelo embate complexo
    entre leituras do regionalismo e do modernismo locais e a partir da proposição de um
    paradigma contemporâneo de interpretação cultural da realidade, atendendo a uma série de
    reivindicações surgidas na segunda metade do século XX e as agendas políticas de uma
    cultura de esquerda, segundo a acepção de Walter Benjamin e refletida por Enzo Traverso, e
    dos movimentos sociais, dentre elas, o direito à cidade, formulação do pensador marxista
    Henri Lefebvre, influência direta do grupo Internacional Situacionista e da série de eventos do
    Maio de 1968 em Paris. Além da constatação das especificidades das formas de ocupar e
    encarar o espaço urbano refletidas nas imagens e ações realizadas, que são manifestas nas
    respostas culturais e nas diversas modalidades de artivismos, da contradição entre uma
    correspondência econômica direta de classe social e uma dinâmica particular inerente ao
    campo da produção cultural, neste contexto também foi observada a regularidade da ruína.
    Tal condição revela uma situação dialética que caracteriza as imagens como ruína - registro
    ou rastro de um contexto particular considerado patrimônio cultural ameaçado - e das ruínas -
    como objeto representado em imagens– - inscrevendo um aspecto do objeto de pesquisa -
    imagens-ruína - como realidade que assume uma contradição inerente da passagem temporal:
    envolvendo precariedade e resistência, simultaneamente. Outra forma de caracterizar as
    respostas culturais em relação à percepção urbana da ruína por estes sujeitos, constitui o
    processo de desruinização, que consiste num reconhecimento do valor de algo menosprezado
    ou que supostamente despertaria um melancolia espacial no sentido empregado por Yael
    Navaro-Yashin, num momento em que se apercebe um dado explícito de precariedade, mas
    não se produz uma desmobilização dos sujeitos.

     


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  • Esta Tese tem como objeto a experiência urbana de uma fração da classe artística e intelectual
    ou de sujeitos do campo da produção cultural, atuantes no contexto contemporâneo e
    metropolitano do Recife, dando enfoque às relações sociais mediadas pelas imagens técnicas
    (a fotográfica, a audiovisual e a representação digital) ou textuais presentes em manifestos,
    como respostas culturais para os processos de modernização/urbanização. A investigação
    desdobra-se, nesse sentido, em compreender um recorte da produção cultural, priorizando a
    dimensão visual das imagens, o que sucedeu-se pela aproximação etnográfica do pesquisador
    com os interlocutores, elegendo linguagens e suas formas de encarar a cidade em detrimento
    de outras. Basicamente, em termos de linguagens selecionadas, o recorte empregado foi o de
    artivismos urbanos expressos na I) extensão universitária e assessoramento sobre
    planejamento urbano dos movimentos sociais do bairro da Várzea e pelo II) videoativismo e
    produção audiovisual. Os artivismos ou engajamentos criativos visando uma contestação
    espacial do hegemônico, enquanto postura que tem marcadamente um referencial estético e
    político, no contexto do Recife, adquiriram sua feição atual pelo embate complexo entre
    leituras do regionalismo e do modernismo locais e a partir da proposição de um paradigma
    contemporâneo de interpretação cultural da realidade, atendendo a uma série de
    reivindicações surgidas na segunda metade do século XX, como a arte ambiental e a
    intervenção urbana, a desmaterialização dos suportes artísticos tradicionais, a ruptura de um
    grande divisor entre alta cultura e indústria cultural, a crítica institucional na arte pós-
    moderna, a consciência pós-colonial, as agendas políticas de uma cultura de esquerda,
    segundo a acepção de Walter Benjamin e refletida por Enzo Traverso, e dos movimentos
    sociais, dentre elas, o direito à cidade, formulação do pensador marxista Henri Lefebvre,
    influência direta do grupo Internacional Situacionista e da série de eventos do Maio de 1968
    em Paris. A inquietação recente e específica que mobiliza esses agentes da produção cultural,
    para exprimir uma problemática da fruição do espaço público do Recife, está dirigida às
    intervenções urbanísticas executadas pelo poder público e/ou pela iniciativa privada, as quais
    geralmente provocam a reconfiguração da paisagem, no sentido de estimular processos de
    ordenamento territorial voltados à verticalização e especulação imobiliária, financeirização,
    privatização e abandono do espaço público ou à aplicação unilateral de princípios de
    planejamento urbano sem consulta ou entendimento da população local diretamente
    interessada ou afetada pelas reformas. Em consequência, a metáfora, situação recorrente ou
    imagem mais utilizada pela classe artística ou intelectual para simbolizar o contexto de
    descaracterização ou desmaterialização frequentes no espaço público foi a de ruína, índice
    material e simbólico de uma presença temporal perdida, mas que ainda não se converteu em
    fragmentos indiferenciados ou escombros, destroços, entulhos e que ainda guarda formas e
    contornos definidos, uma identidade que remete a uma época específica. Tal condição revela
    uma situação dialética que caracteriza as imagens como ruína - registro ou rastro de um
    contexto particular considerado patrimônio cultural ameaçado - e das ruínas - como objeto
    representado em imagens– - inscrevendo um aspecto do objeto de pesquisa - imagens-ruína -
    como realidade que assume uma contradição inerente da passagem temporal: envolvendo
    precariedade e resistência, simultaneamente.

     

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  • PEDRO HENRIQUE DE OLIVEIRA GERMANO DE LIMA
  • A Antropologia Pernambucana: O Caso Brasileiro

  • Orientador : ROBERTA BIVAR CARNEIRO CAMPOS
  • MEMBROS DA BANCA :
  • ANTONIO CARLOS MOTA DE LIMA
  • CHRISTIANO KEY TAMBASCIA
  • EDUARDO DULLO
  • PETER SCHRODER
  • ROBERTA BIVAR CARNEIRO CAMPOS
  • ZULEICA DANTAS PEREIRA CAMPOS
  • Data: 26/08/2022

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  •  

    Toda área do saber quando atinge maturidade pondera sobre si mesma, mas sempre o faz de modo peculiar. No caso da Antropologia brasileira, consta que pelo menos desde a década de 1980, elucubrações sistemáticas foram construídas com a finalidade precípua de arregimentar um entendimento geral sobre os condicionantes da disciplina: teorias, agentes, eventos, instituições, estilos de institucionalização e os modos de fazer e estar que indicam os quadros gerais da história da disciplina, constituindo uma área autônoma e vibrante. Acontece que, ao longo do tempo, esta tradição fomentou um entendimento que dispôs e estruturou os condicionantes citados de modo pouco inclusivo, promovendo centralidades, deixando pouco espaço para outros os agentes que foram inscritos na periferia (a margem), sendo eles, quase sempre refletidos a sombra que o centro permitiu. A proposta da tese é revisitar esta historiografia nacional a luz da constatação da invisibilidade pela qual agentes constituintes da antropologia pernambucana foram submetidos ao longo das reflexões que constituem um complexo-mitológico. A elucubração persecutória deste trabalho insere-se na proposta mais ampla da geopolítica do conhecimento em antropologia (que guarda correspondências análogas, contudo distintas, da historiografia da disciplina) que tem por intuito fomentar paisagens mais plurais da própria disciplina pela inclusão e inscrição da antropologia pernambucana (agentes, instituições e agenda de pesquisa com as religiões indo-afro-pernambucanas) na antropologia nacional. Para isto, elencamos o modo peculiar de como a antropologia se desenvolveu em Pernambuco tomando como caso de controle intelectuais, praticas e instituições que podem ser chamados de Nova Escola de Antropologia do Recife (NEAR), indo além desta escola, analisamos como a Antropologia se desenvolve no Programa de Pós Graduação da UFPE dando continuidade a tradição de estudo das religiões indo-afro-pernambucanas.



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  • Pensar a constituição de um campo disciplinar é tarefa patente quando estamos falando de uma ciência madura, porém jovem, igual à Antropologia. As formas de (re)pensar as linhas constituintes de cada disciplina ocorrem de diversas formas, mas quase sempre são feitas a partir de narrativas que situam o presente disciplinar como uma superação do que já foi dito/feito. Esse modo de lembrar e contar a história da disciplina quase sempre produz esquecimentos e (in)visibilidades. Nossa proposta estabelece uma outra relação com nosso passado disciplinar na qual ele passa a ser visto sem os limites do jogo da geopolítica acadêmica que cércea as regiões em centros e periferias/margens. Com esse pano de fundo repensamos a antropologia brasileiras pelas “margens” trazendo ao epicentro de nossa análise uma antropologia nacional – a sua maneira – feita em Pernambuco. Essa antropologia, emerge de debates transdisciplinares promovidos a partir da influência de Gilberto Freyre e de médicos e depois antropólogos aglutinados no que Roquete Pinto chama de “Nova Escola do Recife”, ganhando corpo e se expandindo a partir da institucionalização do Programa de Pós-Graduação na década de 1970. Assim sendo, nossa proposta desvela um modo peculiar de se fazer antropologia que se desdobrou a partir de um diálogo entre médicos, psiquiatras e antropólogos em torno de um objeto comum: às religiões indo-afro-pernambucanas. Nossa análise resgata, pelo debate da geopolítica do conhecimento em antropologia a trajetória de instituições, autores e agendas de pesquisas.

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  • MIGUEL COLAÇO BITTENCOURT
  • FLUXOS DE COMUNICAÇÃO FULNI-Ô: COSMOLOGIA TERRITORIALIDADE E PERFORMANCE

  • Orientador : EDWIN BOUDEWIJN REESINK
  • MEMBROS DA BANCA :
  • MARCO TROMBONI DE S. NASCIMENTO
  • EDWIN BOUDEWIJN REESINK
  • PETER SCHRODER
  • RENATO AMRAM ATHIAS
  • SANDRO GUIMARAES DE SALLES
  • Data: 09/09/2022

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  • A tese - Fluxos de comunicação Fulni-ô: cosmologia, territorialidade e performance - é resultado de um estudo de caso com a etnia Fulni-ô, localizada na microrregião da bacia do Ipanema, na região hidrográfica do Baixo São Francisco, situada nas caatingas do sertão e agreste nordestino. Tal estudo propõe conciliar temáticas da cosmologia, noções/ processos territoriais e ações performáticas para destacar no contexto da interculturalidade sistemas de classificação, identificação, saberes e conhecimentos que estão em interação e contraste. A partir das considerações e análises das interações entre humanos, entidades, plantas e objetos tal trabalho apresenta uma tentativa de observar e reanimar os estudos cosmológicos localizados em uma parte especifica das Terras Baixas da América do Sul, visto atualmente como o Nordeste indígena brasileiro. Logo, diversos complexos e práticas Fulni-ô são etnografadas para descrever a dinamicidade e criatividade cultural através de rituais, “trabalhos”, saberes, concepções e expressões da vida social, associadas às práticas do Ouricuri [da palmeira Syagrus coronatta], das juremas [mimosas] e do juazeiro [Ziziphus joazeiro Mart.]. Ao descrever tais relações apresentam-se as transformações sociais em que os Fulni-ô estão envolvidos e quais as formas de preservação da noção de pessoa Fulni-ô para ser e estar em diversos locais (áreas rituais, zonas rurais, cidades). Concomitantemente, realiza-se uma revisão histórica para inserir a articulação étnica Fulni-ô na contemporaneidade, de tal modo que apresentamos situações históricas e atuais como o processo de territorialização, modulações socioeconômicas e ritualísticas, o calendário cosmológico e um conjunto de proposições, apontamentos e elaborações em torno das performances Fulni-ô associadas com as suas noções cosmológicas e territoriais.


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  • Fluxos de comunicação Fulni-ô: cosmologia, territorialidade e performance - é resultado de um estudo de caso com a etnia Fulni-ô, localizada na microrregião da bacia do Ipanema, na região hidrográfica do Submédio São Francisco, situada nas Caatingas do Sertão e Agreste nordestino. Tal estudo propõe conciliar temáticas da cosmologia, noções/ processos territoriais e ações performáticas para destacar no contexto da interculturalidade sistemas de classificação, identificação, saberes e conhecimentos que estão em interação e contraste. A partir das considerações e análises das interações entre humanos, entidades, plantas e objetos tal trabalho apresenta uma tentativa de observar e reanimar os estudos cosmológicos localizados em uma parte especifica das Terras Baixas da América do Sul, visto atualmente como o Nordeste indígena brasileiro. Logo, diversos complexos e práticas Fulni-ô são etnografadas para descrever a dinamicidade e criatividade cultural através de rituais, “trabalhos”, saberes, concepções e expressões da vida social, associadas às práticas do Ouricuri [da palmeira Syagrus coronatta], das juremas [mimosas] e do juazeiro [Ziziphus joazeiro Mart.]. Ao descrever tais relações apresentam-se as transformações e adaptações sociais em que os Fulni-ô estão inseridos e quais as formas de preservação da noção de pessoa (setsô) Fulni-ô para ser e estar em diversos locais (áreas rituais, zonas rurais, cidades). Concomitantemente, realiza-se uma revisão histórica para inserir a articulação étnica Fulni-ô na contemporaneidade, de tal modo que apresentamos situações históricas e atuais, como: o processo de territorialização, modulações socioeconômicas/ ritualísticas, o calendário cosmológico e um conjunto de proposições, apontamentos e elaborações em torno das performances Fulni-ô associadas com as suas noções cosmológicas e territoriais.

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  • AMANDA MARTHA CAMPOS SCOTT
  • Difíceis de domar: Promoção legal popular na experiência do Grupo Mulher Maravilha



  • Orientador : MARION TEODOSIO DE QUADROS
  • MEMBROS DA BANCA :
  • ELISETE SCHWADE
  • ALINE DE LIMA BONETTI
  • FABIANA MAIZZA
  • LAÍS OLIVEIRA RODRIGUES
  • MARION TEODOSIO DE QUADROS
  • Data: 28/09/2022

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  •  

    A presente tese fala de mulheres difíceis de domar, uma vez que se formam como Promotoras Legais Populares (PLPs) em cursos oferecidos pela Organização não-Governamental Grupo Mulher Maravilha (GMM). Para tanto, explora noções feministas sobre empoderamento enquanto processo e não como meros mensuráveis resultados. Faz uma digressão histórica sobre as paralegais ao redor do mundo desde os anos 1950. Analisa como as PLPs podem ser consideradas movimento social e atuam no combate à violência contra a mulher e na modificação de uma sociedade heteronormativa e patriarcal. Problematiza como o termo “legal popular” as torna conhecedoras dos direitos e ao mesmo tempo atuantes em bairros populares, combatendo também a pobreza. Mergulha na história do GMM e mostra como atuou na defesa dos direitos humanos e na capacitação de mulheres para a modificação da sociedade, lançando um olhar específico sobre sua liderança e importância enquanto grande influenciadora de suas ações. A partir das falas das próprias mulheres entrevistadas, chegamos à conclusão de que elas são difíceis de domar por a princípio quatro motivos: possuírem uma rede que as apoia, saberem construir sua vida particular, terem um posicionamento político bem resolvido, e saberem tornar outras mulheres também difíceis de domar. Para tanto, analisa-se que passam por dilemas éticos e morais em sua atuação, numa antropologia das moralidades e que leva a uma ética do cuidar.

     

     



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  • A presente tese fala de mulheres difíceis de domar, uma vez que se formam como Promotoras Legais Populares (PLPs) em cursos oferecidos pela Organização não-Governamental Grupo Mulher Maravilha (GMM). Para tanto, explora noções feministas sobre empoderamento enquanto processo e não como meros mensuráveis resultados. Faz uma digressão histórica sobre as paralegais ao redor do mundo desde os anos 1950. Analisa como as PLPs podem ser consideradas movimento social e atuam no combate à violência contra a mulher e na modificação de uma sociedade heteronormativa e patriarcal. Problematiza como o termo “legal popular” as torna conhecedoras dos direitos e ao mesmo tempo atuantes em bairros populares, combatendo também a pobreza. Mergulha na história do GMM e mostra como atuou na defesa dos direitos humanos e na capacitação de mulheres para a modificação da sociedade, lançando um olhar específico sobre sua liderança e importância enquanto grande influenciadora de suas ações. A partir das falas das próprias mulheres entrevistadas, chegamos à conclusão de que elas são difíceis de domar por a princípio quatro motivos: possuírem uma rede que as apoia, saberem construir sua vida particular, terem um posicionamento político bem resolvido, e saberem tornar outras mulheres também difíceis de domar. Para tanto, analisa-se que passam por dilemas éticos e morais em sua atuação, numa antropologia das moralidades.

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  • FERNANDA MEIRA DE SOUZA
  • Muito Além do Cuidado: Cotidiano de Mães de Crianças com a Síndrome Congénita do Zika Vírus na Região metropolitana do Recife

  • Orientador : RUSSELL PARRY SCOTT
  • MEMBROS DA BANCA :
  • ANA CLAUDIA RODRIGUES DA SILVA
  • MARCIA REIS LONGHI
  • MARION TEODOSIO DE QUADROS
  • RUSSELL PARRY SCOTT
  • SANDRA VALONGUEIRO ALVES
  • Data: 29/09/2022

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  •  

    Ângelo Soares (2012) diz que o trabalho de cuidar possui uma dimensão emocional. Esta é uma tese sobre cuidado, emoções e maternidade em torno das crianças que nasceram com a Síndrome Congênita do Zika (microcefalia). Assim, o objetivo principal é compreender como algumas emoções se destacam enquanto mediadoras das relações dessas mães com o mundo. Como resultado, a pesquisa identificou o papel primordial das mães como força-motriz que contraria os prognósticos pessimistas dado aos filhos desde o nascimento. O lema dessas mães é não desistir, reafirmando, valorizando e politizando o cuidado, numa recusa ao estigma de “coitadinho”, recusando o sentimento de pena, e construindo seus projetos de felicidade com a condição de deficiência. Para chegar à essas conclusões, a pesquisa optou por um estudo etnográfico, amparado em estudos sobre Cuidado, nas perspectivas sobre Trabalho, Saúde, Maternidade e Emoções, utilizando, em sua maioria, autoras e autores com abordagens feministas.  Para obtenção dos dados, durante 2 anos, a pesquisadora acompanhou itinerários dessas mulheres e seus bebês, e realizou entrevistas.



  • Mostrar Abstract
  • O argumento central desta tese está situado em compreender o(s) percurso(s) de uma
    emoção nos diferentes contextos de cuidado. Da rejeição à sua politização: “Meu filho não é
    coitadinho, ele é vítima de um descaso. Merecemos ser tratados com respeito.”. Esta frase
    representa o argumento central desta tese, que está situado em compreender o(s) percurso(s) de
    uma emoção entre mães de crianças com a Síndrome Congênita do Zika Vírus (SCZ) nos
    espaços de sociabilidade. A elaboração do porquê as mulheres insistem em ter seu filho visto
    por “coitadinho” demonstração moral da maternagem ser um elemento includente imposto.
    Porque também as mulheres acham que há uma negligência do Estado.

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  • BEATRIZ YOLANDA PONTES DE GUSMÃO SÁ
  • Espaços de lazer e consumo LGBTQIA+: uma etnografia sobre pertencimento e ocupação da cidade com produtores de eventos e empresários de bares no Recife.

  • Orientador : MARION TEODOSIO DE QUADROS
  • MEMBROS DA BANCA :
  • FRANCISCO SA BARRETO DOS SANTOS
  • LUIS FELIPE RIOS DO NASCIMENTO
  • MARION TEODOSIO DE QUADROS
  • RAQUEL DE ARAGAO UCHOA FERNANDES
  • RUSSELL PARRY SCOTT
  • Data: 14/12/2022

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  • A pesquisa investigou como os espaços de lazer voltados para a população LGBTQIA+ influenciam a ocupação urbana e criam rotas de consumo no Recife contemporâneo. Ela apresenta questões sobre antropologia do consumo e a antropologia urbana na tentativa de compreender como práticas de consumo podem desenhar a ocupação do espaço urbano e a noção de pertencimento. Para tal, dois espaços de lazer localizados no que está classificado como polo de lazer LGBTQIA+ do Recife e dois eventos da produtora Golarrolê foram escolhidos para a observação: Bar do Céu, Conchittas Bar, Odara Ôdesce e Brega Naite. A escolha foi pensada a partir do tempo de existência e do conhecimento popular. Trata-se de uma etnografia utilizando observação participante, entrevistas semiestruturadas e análise da rede social dos espaços e da produtora dos eventos. As entrevistas foram realizadas com empresários/as e produtores/as atuantes nos espaços e eventos, foram eles/as: Maria do Céu, Bruno Barros, Riana Uchôa e Mozart Santos. A pesquisa abordou a construção do circuito de lazer LGBTQIA+ no centro da cidade, apontando o desenvolvimento da rota existente e de como esses locais se interligam a partir das possíveis trajetórias para a chegada e saída dos espaços e eventos observados. A razão foi compreender fatores que correlacionam o consumo dos espaços e eventos com a ocupação urbana diante das escolhas dos caminhos e pontos de apoio. E, ainda, entender as condições que facilitam ou dificultam a ocupação da cidade e dos espaços e eventos. Isso origina uma ocupação permanente e o sentimento de pertencimento em partes da cidade que destacam a população LGBTQIA+ através do lazer. A pesquisa ressalta, ainda, a ideia de consumo e de público consumidor que empresários/as e produtores/as têm a partir de questões que envolvem: a noção do nicho de mercado LGBTQIA+ e o debate sobre o pink money; a cena de lazer LGBTQIA+ na cidade; a observação do comportamento consumidor; e toda a modificação ocorrida durante a pandemia para que esses espaços e eventos se mantivessem. Alguns resultados obtidos foram: 1. há um fortalecimento do nicho de mercado de lazer LGBTQIA+ na cidade, mas essa realidade não diminui atos de preconceitos contra essa população; 2. a ampliação dos espaços e eventos geram conflitos urbanos diante da ressignificação da localidade onde se encontra o polo de lazer; 3. empresários/as e produtores/as têm problemas com fornecedores e com o poder público por causa do nicho de mercado no qual estão inseridos; 4. o debate sobre pink money apresentou a compreensão de como empresários/as e produtores/as entendem os conflitos presentes no consumo LGBTQIA+ e como eles/elas observam as diferenças no comportamento consumidor de seus clientes; e 5. a crise de covid-19 modificou as estratégias de manutenção dos espaços e eventos e fortaleceu a relação dos espaços e eventos com seus clientes, aquecendo o mercado na reabertura do póspandemia. 


  • Mostrar Abstract
  • A presente tese busca compreender como o consumo de espaços de lazer voltados para a população LGBTQIA+ influenciam na ocupação urbana das mulheres lésbicas no Recife. A cidade oferece uma cena constante entre espaços de lazer e eventos, mas que foca em uma ocupação mista ou sugere a identificação com grupos referentes ao homossexual masculino. Para tanto, procede-se com uma etnografia, analisando o discurso presente nas narrativas de quatro informantes ligados a oferta de espaços e eventos que acolhem a população LGBTQIA+ e, observações participantes foram realizadas em espaços e eventos com mais de 7 anos de existência dentro do circuito de lazer LGBTQIA+ da cidade durante 11 meses, antes da crise de COVID-19. No período de dois anos da pandemia de COVID-19, as observações e analises foram realizadas a partir das redes sociais dos espaços e eventos escolhidos. Baseada nisso, a pesquisa ressalta a ideia de consumo e de público consumidor que empresários/as e produtores/as têm a partir de questões que envolvem: a noção do nicho de mercado LGBTQIA+ e o debate sobre o pink money; a cena de lazer LGBTQIA+ na cidade e a observação do comportamento consumidor das mulheres lésbicas. Também foram consideradas as possíveis trajetórias para a chegada e saída dos espaços e eventos observados. A razão foi compreender fatores que correlacionam o consumo dos espaços e eventos de lazer com a ocupação urbana diante das escolhas dos caminhos e pontos de apoio. E, ainda, entender as condições que facilitam ou dificultam a ocupação da cidade e dos espaços e eventos de lazer por mulheres lésbicas. Concluí que o senso comum de que mulheres lésbicas saem menos para baladasfaz com que os empresários/as e produtores/as foquem menos nesse público, preferindo seguir com a oferta contínua de espaços mistos. A ideia de que espaços e eventos de lazer funcionam como locais de paquera e de (re)encontros com ex- companheiras também influenciam nas escolhas do consumo de mulheres lésbicas. Outro fator posto está relacionado ao conflito social existente entre gays e lésbicas, já que os espaços e eventos são mistos e isso interfere na ocupação dos espaços e eventos de lazer por essas mulheres. Pensando na ocupação a partir dos espaços e eventos de lazer observei o quanto há uma estruturação espacial urbana atravessada por questões de gênero. E, ainda, foram apontadas algumas dificuldades que os/as empresários/as e produtores/as passam com fornecedores, patrocinadores e com agentes públicos por oferecem serviço de lazer a pessoas LGBTQIA+.

2021
Dissertações
1
  • TAYNAH ALVES SOARES
  • ENTRE “COQUINHOS”, BRIGAS E RELAÇÕES DE GÊNERO: UMA ETNOGRAFIA COM AS CRIANÇAS DO
    CONJUNTO HABITACIONAL PALHA DO ARROZ NO RECIFE

  • Orientador : ALEX GIULIANO VAILATI
  • MEMBROS DA BANCA :
  • EDILMA DO NASCIMENTO JACINTO MONTEIRO
  • ALEX GIULIANO VAILATI
  • RUSSELL PARRY SCOTT
  • Data: 12/03/2021

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  • A presente dissertação teve como objetivo principal a compreensão da infância construída socialmente pelas crianças da
    Palha do Arroz, um conjunto habitacional idealizado através de programas governamentais e situado no bairro de Campo Grande, no
    Recife. Para isso, partiu-se do pressuposto de que a infância é uma construção social, ou seja, não é universal e modifica-se de
    acordo com o contexto histórico, social e cultural na qual está inserida. O processo etnográfico foi desenvolvido entre novembro de
    2018 e julho de 2019, através da observação participante com adultos e crianças entre 2 e 11 anos, associada com outras técnicas
    metodológicas como: desenhos, fotografias e entrevistas semiestruturadas. Observou-se grande importância das brincadeiras na
    constituição da infância local, entre elas brincadeiras mais antigas e folclóricas, assim como também formas de brincar mais
    específicas como as constantes brigas e a procura pelo “coquinho”. O local onde aconteciam essas brincadeiras era, principalmente, o
    espaço público da rua que se mostrou central no estabelecimento das relações das crianças com seus pares e com os adultos. Além
    disso, o gênero também se apresentou enquanto categoria fértil para análise dessas relações, visto que as crianças desenvolviam suas
    relações com seus pares a partir da negociação dos padrões hegemônicos. Como considerações finais, a infância da Palha do Arroz para
    as crianças que a constroem e vivenciam se mostrou fluida e não um conceito rígido, sendo moldada, dentre outras coisas, pelas
    circunstâncias infraestruturais do conjunto habitacional.


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  • A presente dissertação teve como objetivo principal a compreensão da infância construída socialmente pelas crianças da
    Palha do Arroz, um conjunto habitacional idealizado através de programas governamentais e situado no bairro de Campo Grande, no
    Recife. Para isso, partiu-se do pressuposto de que a infância é uma construção social, ou seja, não é universal e modifica-se de
    acordo com o contexto histórico, social e cultural na qual está inserida. O processo etnográfico foi desenvolvido entre novembro de
    2018 e julho de 2019, através da observação participante com adultos e crianças entre 2 e 11 anos, associada com outras técnicas
    metodológicas como: desenhos, fotografias e entrevistas semiestruturadas. Observou-se grande importância das brincadeiras na
    constituição da infância local, entre elas brincadeiras mais antigas e folclóricas, assim como também formas de brincar mais
    específicas como as constantes brigas e a procura pelo “coquinho”. O local onde aconteciam essas brincadeiras era, principalmente, o
    espaço público da rua que se mostrou central no estabelecimento das relações das crianças com seus pares e com os adultos. Além
    disso, o gênero também se apresentou enquanto categoria fértil para análise dessas relações, visto que as crianças desenvolviam suas
    relações com seus pares a partir da negociação dos padrões hegemônicos. Como considerações finais, a infância da Palha do Arroz para
    as crianças que a constroem e vivenciam se mostrou fluida e não um conceito rígido, sendo moldada, dentre outras coisas, pelas
    circunstâncias infraestruturais do conjunto habitacional.

2
  • ANA MARIA DOS SANTOS FRANCA
  •  

    Os tamborzeiros de Araçuaí (MG): mediações raciais na festa do Rosário

  • Orientador : HUGO MENEZES NETO
  • MEMBROS DA BANCA :
  • LILIANA DE MENDONÇA PORTO
  • ANA CLAUDIA RODRIGUES DA SILVA
  • HUGO MENEZES NETO
  • Data: 10/11/2021

  • Mostrar Resumo
  • O presente trabalho, resultado da pesquisa de mestrado realizada entre 2019 e 2021, tem por objetivo uma apresentação do grupo Tamborzeiros do Rosário da cidade de Araçuaí/MG bem como uma análise da festa em louvor a Nossa Senhora do Rosário promovida por eles em parceria com a Irmandade da cidade. O trabalho é tridimensional na medida em o campo apresenta três dimensões inter-relacionadas, a saber: a Irmandade, os tamborzeiros e a festa promovida por eles. O grupo musical que anima as festas do Rosário – que é comumente lido como candombe, uma das variações do congado –, realiza a festividade desde o século XIX. A partir de uma leitura que parte das relações raciais estabelecidas no Brasil, o trabalho traz a exposição de um breve histórico das Irmandades do Rosário de modo geral até se deter na Irmandade de Araçuaí. O texto busca discutir o caráter duplo dessas instituições, tanto como propiciadoras de experiências de cidadania aos seus membros (majoritariamente negros), como seu caráter de controle, tendo em vista que serviram para moldar o caráter social e segregador nas cidades onde se formaram. Detendo-se nos tamborzeiros, busca-se evidenciar as visões sobre si mesmos a partir das falas e histórias contadas por seus integrantes, evidenciando como o racismo invisibiliza as narrativas culturais presentes em manifestações afro brasileiras. Por fim, o trabalho apresenta uma etnografia da Festa do Rosário da cidade de Araçuaí evidenciando as dinâmicas raciais que localizam seus produtores dentro do evento festivo.


  • Mostrar Abstract
  • O presente trabalho, resultado da pesquisa de mestrado realizada entre 2019 e 2021, tem por objetivo uma apresentação do grupo Tamborzeiros do Rosário da cidade de Araçuaí/MG bem como uma análise da festa em louvor a Nossa Senhora do Rosário promovida por eles em parceria com a Irmandade da cidade. O trabalho é tridimensional na medida em o campo apresenta três dimensões inter-relacionadas, a saber: a Irmandade, os tamborzeiros e a festa promovida por eles. O grupo musical que anima as festas do Rosário – que é comumente lido como candombe, uma das variações do congado –, realiza a festividade desde o século XIX. A partir de uma leitura que parte das relações raciais estabelecidas no Brasil, o trabalho traz a exposição de um breve histórico das Irmandades do Rosário de modo geral até se deter na Irmandade de Araçuaí. O texto busca discutir o caráter duplo dessas instituições, tanto como propiciadoras de experiências de cidadania aos seus membros (majoritariamente negros), como seu caráter de controle, tendo em vista que serviram para moldar o caráter social e segregador nas cidades onde se formaram. Detendo-se nos tamborzeiros, busca-se evidenciar as visões sobre si mesmos a partir das falas e histórias contadas por seus integrantes, evidenciando como o racismo invisibiliza as narrativas culturais presentes em manifestações afro brasileiras. Por fim, o trabalho apresenta uma etnografia da Festa do Rosário da cidade de Araçuaí evidenciando as dinâmicas raciais que localizam seus produtores dentro do evento festivo.

Teses
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  • CHRISTIANNE SILVA GALDINO
  • ALÉM DO SEGREDO: Relações sociais, conhecimento e habilidades na produção da mágica”. 

  • Orientador : LADY SELMA FERREIRA ALBERNAZ
  • MEMBROS DA BANCA :
  • LADY SELMA FERREIRA ALBERNAZ
  • ANA CLAUDIA RODRIGUES DA SILVA
  • HUGO MENEZES NETO
  • JORGE COSTA FREITAS BRANCO
  • ANA ROSANGELA COLARES LAVAND
  • Data: 31/08/2021

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  • Uma pesquisa que como o próprio título indica vai ALÉM DO SEGREDO, revelando as relações sociais que perpassam a mágica, especialmente no contexto brasileiro, tendo como principal guia as falas dos próprios ilusionistas. Com base na teoria antropológica da arte, de Alfred Guell, investigo o percurso de construção do ilusionismo, mostrando seus conflitos conceituais-identitários nas tensões entre a ciência e as artes performativas. Considerado como parte integrante do circo, o mágico, na verdade, não surgiu nos picadeiros, apenas encontrou ali um espaço de atuação. Refaço as trilhas do processo de formação desse ofício, e analiso as diversas configurações, as várias formas de ser dos mágicos e mágicas, identificando os padrões, os destaques e os desafios. No decorrer da pesquisa, eu me coloco alinhada aos teóricos do segmento como Juan Tamariz e Ricardo Harada, que reivindicam para o ilusionismo o lugar de arte, e defendem a autonomia da mágica como linguagem cênica. Mas verifico que para isso acontecer, ainda há muito o que ser feito. Então, assumindo minha posição no processo- como alguém que pertence e ao mesmo tempo não pertence ao campo- aprofundo o estudo nas relações do meio mágico, trazendo dezenas de entrevistas e confrontando o vasto material com os dados da minha observação participante, que precede a elaboração dessa pesquisa. ALÉM DO SEGREDO apresenta os resultados das conexões estabelecidas, debatendo a relação da mágica com o circo, o teatro e o mundo dos espetáculos, mas também se aprofundando nas relações entre os(as) ilusionistas e destes com os objetos/aparelhos, as técnicas e habilidades, a partir de teorias de autores como Tim Ingold. Por ser a única pesquisadora mulher (não mágica) do segmento no Brasil, em um universo majoritariamente masculino e ainda dominado pelo machismo, decidi incluir a tão necessária pauta de gênero nesta pesquisa sobre ilusionismo, inclusive para contribuir com a ampliação do espaço das mulheres e com a promoção de práticas anti-machistas no meio mágico. Até mesmo porque essa investigação profunda, me levou a considerar que esse é um fator fundamental para o desenvolvimento e a autonomia da arte mágica.



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  • Uma pesquisa que como o próprio título indica vai ALÉM DO SEGREDO, revelando as relações sociais que perpassam a mágica, especialmente no contexto brasileiro, tendo como principal guia as falas dos próprios ilusionistas. Com base na teoria antropológica da arte, de Alfred Guell, investigo o percurso de construção do ilusionismo, mostrando seus conflitos conceituais-identitários nas tensões entre a ciência e as artes performativas. Considerado como parte integrante do circo, o mágico, na verdade, não surgiu nos picadeiros, apenas encontrou ali um espaço de atuação. Refaço as trilhas do processo de formação desse ofício, e analiso as diversas configurações, as várias formas de ser dos mágicos e mágicas, identificando os padrões, os destaques e os desafios. No decorrer da pesquisa, eu me coloco alinhada aos teóricos do segmento como Juan Tamariz e Ricardo Harada, que reivindicam para o ilusionismo o lugar de arte, e defendem a autonomia da mágica como linguagem cênica. Mas verifico que para isso acontecer, ainda há muito o que ser feito. Então, assumindo minha posição no processo- como alguém que pertence e ao mesmo tempo não pertence ao campo- aprofundo o estudo nas relações do meio mágico, trazendo dezenas de entrevistas e confrontando o vasto material com os dados da minha observação participante, que precede a elaboração dessa pesquisa. ALÉM DO SEGREDO apresenta os resultados das conexões estabelecidas, debatendo a relação da mágica com o circo, o teatro e o mundo dos espetáculos, mas também se aprofundando nas relações entre os(as) ilusionistas e destes com os objetos/aparelhos, as técnicas e habilidades, a partir de teorias de autores como Tim Ingold. Por ser a única pesquisadora mulher (não mágica) do segmento no Brasil, em um universo majoritariamente masculino e ainda dominado pelo machismo, decidi incluir a tão necessária pauta de gênero nesta pesquisa sobre ilusionismo, inclusive para contribuir com a ampliação do espaço das mulheres e com a promoção de práticas anti-machistas no meio mágico. Até mesmo porque essa investigação profunda, me levou a considerar que esse é um fator fundamental para o desenvolvimento e a autonomia da arte mágica.


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  • RAFAEL MOURA DE ANDRADE
  • Uma festa entre o chão e o palco: estudo sobre as relações políticas na construção do Carnaval do Recife

  • Orientador : CARLOS SANDRONI
  • MEMBROS DA BANCA :
  • CARLOS SANDRONI
  • ANTONIO CARLOS MOTA DE LIMA
  • LAURE MARIE LOUISE CLEMENCE GARRABE
  • LIA CALABRE
  • FALINA ENRIQUEZ
  • Data: 26/11/2021

  • Mostrar Resumo
  • O Carnaval do Recife é uma das festas populares mais tradicionais do país. É também uma
    política pública fundamental para o setor culturalda cidade, sendo responsável por mobilizar
    trabalhadores de diversas áreas que se envolvem no processo de construçãoda festa ao longo
    de todo o ano e se articulam para ver, na folia, refletidas suas demandas de grupo ou mesmo
    seus interesses particulares. Neste sentido, esta pesquisa tem como objetivo a observação dos
    processos de mediação existentes entre os diferentesatores situados do lado de fora das
    fronteiras da gestão pública, bem como entre eles e os atores localizados dentro do estado e,
    portanto, seus representantes. Partindo de uma perspectiva do estado como ponto de vista
    (LEIRNER, 2003), observo as relações políticas estabelecidas ao longo do processo de
    produção da festa para compreender como os diferentes contextos de articulação política
    conceito adaptado a partir da ideia proposta por Jean-Pierre Olivier de Sardan (2001)vão
    interferir no desenho e execução da políticaestatal, bem comonos arranjos e rearranjos que
    definem as fronteiras do estado e as experiências da festa na cidade.O Carnaval do Recife é
    utilizado nesta tese como pano de fundo para o estudo das políticas culturais sob a ótica da
    Antropologia do Estado e das Políticas Públicas.


  • Mostrar Abstract
  • O Carnaval do Recife é uma das festas populares mais tradicionais do país. É também uma
    política pública fundamental para o setor culturalda cidade, sendo responsável por mobilizar
    trabalhadores de diversas áreas que se envolvem no processo de construçãoda festa ao longo
    de todo o ano e se articulam para ver, na folia, refletidas suas demandas de grupo ou mesmo
    seus interesses particulares. Neste sentido, esta pesquisa tem como objetivo a observação dos
    processos de mediação existentes entre os diferentesatores situados do lado de fora das
    fronteiras da gestão pública, bem como entre eles e os atores localizados dentro do estado e,
    portanto, seus representantes. Partindo de uma perspectiva do estado como ponto de vista
    (LEIRNER, 2003), observo as relaçõespolíticas estabelecidas ao longo do processo de
    produção da festa para compreender como os diferentes contextos de articulação política
    conceito adaptado a partir da ideia proposta por Jean-Pierre Olivier de Sardan (2001)vão
    interferir no desenho e execução da políticaestatal, bem comonos arranjos e rearranjos que
    definem as fronteiras do estado e as experiências da festa na cidade.O Carnaval do Recife é
    utilizado nesta tese como pano de fundo para o estudo das políticas culturais sob a ótica da
    Antropologia do Estado e das Políticas Públicas.

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  • ALANA JULYELLEN SA LEITAO BRAGA DE SOUZA
  • FELIZ É A NAÇÃO CUJO DEUS É UNIVERSAL. A IURD e sua disseminação de um projeto de nação cristã. 

     

  • Orientador : ROBERTA BIVAR CARNEIRO CAMPOS
  • MEMBROS DA BANCA :
  • ROBERTA BIVAR CARNEIRO CAMPOS
  • CLEONARDO GIL DE BARROS MAURICIO JUNIOR
  • ROBERTO CORDOVILLE EFREM DE LIMA FILHO
  • EDUARDO DULLO
  • BRUNO REINHARDT
  • SIMON COLEMAN
  • Data: 29/11/2021

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  • Essa tese é fruto de um trabalho de campo junto a Igreja Universal do Reino de Deus em um momento de mudança social e política no Brasil. Discutir o processo de formação estética dessa igreja em sua tentativa de deter a ideia do que é ser cristão no Brasil é o seu objetivo. Para isso, foi necessário pensar o envolvimento dessa igreja com a política, as diversas mídias através das quais ela atua, o processo de subjetivação ética entre seus membros e as diversas adesões possíveis a ela, como também o seu papel no alargamento do interesse por uma materialidade judaica. Se entender a relação dessa igreja com a política aparece como um dos principais pontos discutidos aqui, também não deixo de destacar que não se pode esquecer que enquanto tal a Igreja Universal não pode deixar de ser entendida enquanto instituição religiosa, que atua a partir de um corpo de crenças. Crenças essas que a IURD torna presente na paisagem brasileira através do uso de mídias, que aqui não são entendidas apenas como meios tecnológicos, mas como as diversas formas de estabelecer mediações. É através de suas mediações que a IURD alcança desde meros espectadores, até os obreiros mais dedicados e torna possível a execução de um projeto de nação cristã a sua imagem e semelhança.

     


  • Mostrar Abstract
  • A tese em desenvolvimento aqui é fruto de um trabalho de campo junto a Igreja Universal do Reino de Deus em um momento de mudança social e política no Brasil. Discutir o processo de formação estética dessa igreja em sua tentativa de deter a ideia do que é ser cristão no Brasil é o seu objetivo. Para isso, foi necessário pensar o envolvimento dessa igreja com a política, as diversas mídias através das quais ela atua, o processo de subjetivação ética entre seus membros e as diversas adesões possíveis a ela, como também o seu papel no alargamento do interesse por uma materialidade judaica. Se entender a relação dessa igreja com a política aparece como um dos principais pontos discutidos aqui, também não deixo de destacar que não se pode esquecer que enquanto tal a Igreja Universal não pode deixar de ser entendida enquanto instituição religiosa, que atua a partir de um corpo de crenças. Crenças essas que a IURD torna presente na paisagem brasileira através do uso de mídias, que aqui não são entendidas apenas como meios tecnológicos, mas como as diversas formas de estabelecer mediações. É através de suas mediações que a IURD alcança desde meros espectadores, até os obreiros mais dedicados e torna possível a execução de um projeto de nação cristã a sua imagem e semelhança.

     

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  • POLIANA DE SOUSA NASCIMENTO
  • O DISCURSO ATEMPORAL DO DESENVOLVIMENTO:“Descasos planejados” e a dinâmica mineral em territórios tradicionais no Sertão de Itaparica


  • Orientador : VÂNIA FIALHO
  • MEMBROS DA BANCA :
  • CARMEN LUCIA SILVA LIMA
  • JOSEFA SALETE BARBOSA CAVALCANTI
  • RENATO AMRAM ATHIAS
  • RUSSELL PARRY SCOTT
  • VÂNIA FIALHO
  • Data: 30/11/2021

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  • Com o objetivo de compreender o discurso atemporal do desenvolvimento,esta tese evidencia a dinâmica do capital e a formação política em torno da mineração na região do Sertão de Itaparica. Perpasso pela percepção de desenvolvimento e do bem viver a partir  do pertencimento de povos e  comunidades tradicionais com territórios em conflitos em torno de empreendimentos econômicos. E como essa percepção de mundo não é levada em consideração quando outras conexões para garantir prosperidade são colocadas em questão. Analiso como problemática o mecanismo do capital mineral fabrica espaços invisibilizados e arranjos atemporais de desenvolvimento, alterando estruturas socioculturais e econômicas de povos e comunidades tradicionais no Sertão de Itaparica. Eu destaco, a partir desse contexto, os projetos de desenvolvimentos iniciados na década de 1980 na região. São projetos que  fazem parte da história desse lugar como é o caso da instalação da barragem de Itaparica para construção da Usina Hidrelétrica Luiz Gonzaga e do projeto de instalação de uma Central Nuclear em Itacuruba, projeto que ainda não foi concretizado, mas já provoca indícios de violências a partir de uma política do terror pela possibilidade de sua instalação. De forma aprofundada, analiso a dinâmica mineral a partir de uma “concertação política” (POMPÉIA, 2019), com ênfase nos blocos de interesse que se conectam a partir de uma demanda intencionada de poderes e de controle de informação. Estabeleço como métodos de  investigação a  análise dados oficiais e das mídias sociais que estão dentro e fora da empresa, na produção de conteúdo  de promoção de si mesmo; e do reconhecimento do uso de cartografias e autocartografias como ferramenta de análise etnográfica, construindo narrativas diferenciadas sobre os processos temporais e espaciais estabelecidos na região de Itaparica. Portanto, todo o processo de sistematização presente ao longo dessa pesquisa, é direcionado para análises de estruturas que se organizam em torno de um capital que se desloca e de uma política que acompanha o direcionamento dos setores da economia mundial para aquisição de novas fronteiras de desenvolvimento a custo de territórios tradicionais. Destaco também que há um processo de mobilização social dos grupos sociais  que se apresenta também de maneira atemporal. Apesar das tentativas e táticas de apagamento de seus processos políticos, sociais e culturais, existe um movimento presente e que surge , como os minérios que brotam no solo da região de Itaparica, a partir de um processo também de invisibilidade latente.


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  • Com o objetivo de compreender o discurso atemporal do desenvolvimento,esta tese evidencia a dinâmica do capital e a formação política em torno da mineração na região do Sertão de Itaparica. Perpasso pela percepção de desenvolvimento e do bem viver a partir  do pertencimento de povos e  comunidades tradicionais com territórios em conflitos em torno de empreendimentos econômicos. E como essa percepção de mundo não é levada em consideração quando outras conexões para garantir prosperidade são colocadas em questão. Analiso como problemática o mecanismo do capital mineral fabrica espaços invisibilizados e arranjos atemporais de desenvolvimento, alterando estruturas socioculturais e econômicas de povos e comunidades tradicionais no Sertão de Itaparica. Eu destaco, a partir desse contexto, os projetos de desenvolvimentos iniciados na década de 1980 na região. São projetos que  fazem parte da história desse lugar como é o caso da instalação da barragem de Itaparica para construção da Usina Hidrelétrica Luiz Gonzaga e do projeto de instalação de uma Central Nuclear em Itacuruba, projeto que ainda não foi concretizado, mas já provoca indícios de violências a partir de uma política do terror pela possibilidade de sua instalação. De forma aprofundada, analiso a dinâmica mineral a partir de uma “concertação política” (POMPÉIA, 2019), com ênfase nos blocos de interesse que se conectam a partir de uma demanda intencionada de poderes e de controle de informação. Estabeleço como métodos de  investigação a  análise dados oficiais e das mídias sociais que estão dentro e fora da empresa, na produção de conteúdo  de promoção de si mesmo; e do reconhecimento do uso de cartografias e autocartografias como ferramenta de análise etnográfica, construindo narrativas diferenciadas sobre os processos temporais e espaciais estabelecidos na região de Itaparica. Portanto, todo o processo de sistematização presente ao longo dessa pesquisa, é direcionado para análises de estruturas que se organizam em torno de um capital que se desloca e de uma política que acompanha o direcionamento dos setores da economia mundial para aquisição de novas fronteiras de desenvolvimento a custo de territórios tradicionais. Destaco também que há um processo de mobilização social dos grupos sociais  que se apresenta também de maneira atemporal. Apesar das tentativas e táticas de apagamento de seus processos políticos, sociais e culturais, existe um movimento presente e que surge , como os minérios que brotam no solo da região de Itaparica, a partir de um processo também de invisibilidade latente.

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  • MIRELLA DE ALMEIDA BRAGA
  • A IDENTIDADE IMPLORADA: as experiências de conversão e retorno dos judeus do nordeste sob o olhar de instituições judaicas nacionais e internacionais.

  • Orientador : MISIA LINS VIEIRA REESINK
  • MEMBROS DA BANCA :
  • ANTONIO CARLOS MOTA DE LIMA
  • JUAREZ CAESAR MALTA SOBREIRA
  • MARISTELA OLIVEIRA DE ANDRADE
  • MISIA LINS VIEIRA REESINK
  • RENATO AMRAM ATHIAS
  • Data: 07/12/2021

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  • A presente tese é dedicada aos processos de formação, cisão e reinvenção de comunidades judaicas em Campina Grande, Paraíba, a partir da descrição analítica das relações vivenciadas por esses grupos junto a lideranças e instituições do judaísmo estabelecido nos cenários  nacional e internacional. A exemplo de outros conversos atuantes no Nordeste e em outras regiões do Brasil, os judeus campinenses (que se autodeclaram “Bnei Anussim”, “marranos” ou “sefarditas”) se constituem, majoritariamente, a partir de dissidências de igrejas evangélico-neopentecostais que estão em busca de verdades teológicas presentes em livros sagrados (Antigo Testamento da Bíblia e Torá) e da redescoberta de genealogias sanguíneas de famílias de cristãos-novos que aportaram no “Novo Mundo” em séculos coloniais passados. De modo bastante diversificado, tais comunidades se organizam em torno de práticas cotidianas atentas a um calendário de ritos religiosos, a fim de se tornarem conhecidas e reconhecidas por vertentes reformadas e ortodoxas do judaísmo contemporâneo. Em meio a essas experiências de reinvenção de grupos de conversos, surge o projeto Sinagoga Sem Fronteiras. Sediado na cidade de São Paulo e com relações com rabinos reformados radicados em Israel, o Sinagoga Sem Fronteiras propõe um acolhimento “mais democrático” das comunidades judaicas brasileiras. A presença do projeto em algumas comunidades campinenses revela a construção de um imaginário repleto de estereótipos sobre o “judeu nordestino”, considerado periférico em relação ao judeu de migração mais recente, estabelecido no eixo Rio-São Paulo. As ações da Sinagoga Sem Fronteiras, apoiadas pela Fundação Zera Israel, têm provocado cisões e articulações de novos grupos de convertidos. Tais relações entre grupos de judeus estabelecidos e grupos outsiders é acompanhada com certa preocupação pelo Ministério da Educação de Israel que tem enviado representantes para observação do fenômeno dos conversos presente em diversas localidades no Nordeste e de outras regiões do Brasil e do mundo. As ilustres “visitas” da oficialidade judaica visam compreender a dinâmica desses processos identitários, repletos de questões étnicas, religiosas e políticas, no intuito de tentar monitorar, e mesmo disciplinar, os imponderáveis de um universo assaz multifacetado.


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  • A presente tese é dedicada aos processos de formação, cisão e reinvenção de comunidades judaicas em Campina Grande, Paraíba, a partir da descrição analítica das relações vivenciadas por esses grupos junto a lideranças e instituições do judaísmo estabelecido nos cenários  nacional e internacional. A exemplo de outros conversos atuantes no Nordeste e em outras regiões do Brasil, os judeus campinenses (que se autodeclaram “Bnei Anussim”, “marranos” ou “sefarditas”) se constituem, majoritariamente, a partir de dissidências de igrejas evangélico-neopentecostais que estão em busca de verdades teológicas presentes em livros sagrados (Antigo Testamento da Bíblia e Torá) e da redescoberta de genealogias sanguíneas de famílias de cristãos-novos que aportaram no “Novo Mundo” em séculos coloniais passados. De modo bastante diversificado, tais comunidades se organizam em torno de práticas cotidianas atentas a um calendário de ritos religiosos, a fim de se tornarem conhecidas e reconhecidas por vertentes reformadas e ortodoxas do judaísmo contemporâneo. Em meio a essas experiências de reinvenção de grupos de conversos, surge o projeto Sinagoga Sem Fronteiras. Sediado na cidade de São Paulo e com relações com rabinos reformados radicados em Israel, o Sinagoga Sem Fronteiras propõe um acolhimento “mais democrático” das comunidades judaicas brasileiras. A presença do projeto em algumas comunidades campinenses revela a construção de um imaginário repleto de estereótipos sobre o “judeu nordestino”, considerado periférico em relação ao judeu de migração mais recente, estabelecido no eixo Rio-São Paulo. As ações da Sinagoga Sem Fronteiras, apoiadas pela Fundação Zera Israel, têm provocado cisões e articulações de novos grupos de convertidos. Tais relações entre grupos de judeus estabelecidos e grupos outsiders é acompanhada com certa preocupação pelo Ministério da Educação de Israel que tem enviado representantes para observação do fenômeno dos conversos presente em diversas localidades no Nordeste e de outras regiões do Brasil e do mundo. As ilustres “visitas” da oficialidade judaica visam compreender a dinâmica desses processos identitários, repletos de questões étnicas, religiosas e políticas, no intuito de tentar monitorar, e mesmo disciplinar, os imponderáveis de um universo assaz multifacetado.

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  • REBECA KRAMER DA FONSECA CALIXTO
  • SERVIDORES PÚBLICOS E NOVAS FORMAS DE RELAÇÕES LABORAIS EM TEMPOS DE INCERTEZA

  • Orientador : ANTONIO CARLOS MOTA DE LIMA
  • MEMBROS DA BANCA :
  • ALEX GIULIANO VAILATI
  • ANTONIO CARLOS MOTA DE LIMA
  • JOSE SERGIO LEITE LOPES
  • JOSEFA SALETE BARBOSA CAVALCANTI
  • MARIA IRAE DE SOUZA CORREA
  • Data: 10/12/2021

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  • O presente trabalho se debruça sobre as percepções e as reações de servidores públicos federais em resposta aos fenômenos manifestos em um contexto mundial de paradigma neoliberalizado, o que se percebe por meio da tendência às privatizações das atividades estatais, das retiradas de benefícios trabalhistas, da redução da máquina pública ao que se denomina de estado mínimo e da maximização do individualismo, elevando os sujeitos a um patamar de “empresários de si mesmos”. Quando se fala em administração pública, reduto de segurança e tranquilidade, onde os riscos praticamente inexistem em virtude de um status conferido pelo próprio Estado, considerando a estabilidade dos cargos públicos, parece contraditório pensar a categoria da incerteza – e todo o campo semântico que a permeia – como frutífera para uma pesquisa antropológica. Nesse momento específico da história política brasileira, com o presidente Jair Bolsonaro no poder, seguindo uma onda global de conservadorismo “nos costumes”, embora caracterizado pela abertura “ao capital”, notadamente sob a influência do ministro da Economia, Paulo Guedes, os servidores públicos experimentam certas mudanças no serviço público que, de uma forma ou de outra, colaboram para moldar suas subjetividades e seu senso de temporalidades. Os relatos biográficos foram o principal suporte para a construção da metodologia deste trabalho, por meio do qual os servidores públicos externaram seus sentimentos. Por um lado, em função da percepção de desmantelamento da administração pública, da liquidez dos laços sociais, da descrença em um governo cuja religião encontra lugar de privilégio em sua governamentalidade e, ainda, da possibilidade de repetição de um passado traumático, quando o governo Fernando Collor demite inúmeros funcionários públicos. Nos espaços sociais da ESAF/PE, da SAMF/PE e da PRFN 5ª Região, os servidores do antigo Ministério da Fazenda puderam revelar, de um lado, essa perspectiva mais voltada ao medo e à ansiedade de um futuro indesejado; por outro lado, a pesquisa também mostrou a perspectiva otimista de servidores públicos em relação às formas de gerir do governo federal. Na realidade, eles compreendem o governo Bolsonaro como um marco para mudanças ideais na administração pública, rejeitando a corrupção inerente ao passado petista. Assim, as incertezas advindas do governo com a gestão mercadológica do (neo) li- beral Paulo Guedes, gerindo a pasta da Economia, são encaradas como alternativas ou oportunidades, perseguindo-se um serviço público com ditames mais próximos aos da iniciativa privada, com valorização da meritocracia em detrimento da burocracia, foco na eficiência e na desregulamentação. A noção de estabilidade do cargo público, enquanto categoria nativa, encontra-se no cerne desta pesquisa, considerando-se condição vital dos espíritos dos servidores, apta a moldar a forma como experienciam seu presente e refletem sobre seu passado e futuro, mormente quanto a elementos qualificadores do neoliberalismo, como as privatizações, as terceirizações e os cortes de gastos na administração pública, ensejando tensões laborais.


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  • O presente trabalho se debruça sobre as percepções e as reações de servidores públicos federais em resposta aos fenômenos manifestos em um contexto mundial de paradigma neoliberalizado, o que se percebe por meio da tendência às privatizações das atividades estatais, das retiradas de benefícios trabalhistas, da redução da máquina pública ao que se denomina de estado mínimo e da maximização do individualismo, elevando os sujeitos a um patamar de “empresários de si mesmos”. Quando se fala em administração pública, reduto de segurança e tranquilidade, onde os riscos praticamente inexistem em virtude de um status conferido pelo próprio Estado, considerando a estabilidade dos cargos públicos, parece contraditório pensar a categoria da incerteza – e todo o campo semântico que a permeia – como frutífera para uma pesquisa antropológica. Nesse momento específico da história política brasileira, com o presidente Jair Bolsonaro no poder, seguindo uma onda global de conservadorismo “nos costumes”, embora caracterizado pela abertura “ao capital”, notadamente sob a influência do ministro da Economia, Paulo Guedes, os servidores públicos experimentam certas mudanças no serviço público que, de uma forma ou de outra, colaboram para moldar suas subjetividades e seu senso de temporalidades. Os relatos biográficos foram o principal suporte para a construção da metodologia deste trabalho, por meio do qual os servidores públicos externaram seus sentimentos. Por um lado, em função da percepção de desmantelamento da administração pública, da liquidez dos laços sociais, da descrença em um governo cuja religião encontra lugar de privilégio em sua governamentalidade e, ainda, da possibilidade de repetição de um passado traumático, quando o governo Fernando Collor demite inúmeros funcionários públicos. Nos espaços sociais da ESAF/PE, da SAMF/PE e da PRFN 5ª Região, os servidores do antigo Ministério da Fazenda puderam revelar, de um lado, essa perspectiva mais voltada ao medo e à ansiedade de um futuro indesejado; por outro lado, a pesquisa também mostrou a perspectiva otimista de servidores públicos em relação às formas de gerir do governo federal. Na realidade, eles compreendem o governo Bolsonaro como um marco para mudanças ideais na administração pública, rejeitando a corrupção inerente ao passado petista. Assim, as incertezas advindas do governo com a gestão mercadológica do (neo) li- beral Paulo Guedes, gerindo a pasta da Economia, são encaradas como alternativas ou oportunidades, perseguindo-se um serviço público com ditames mais próximos aos da iniciativa privada, com valorização da meritocracia em detrimento da burocracia, foco na eficiência e na desregulamentação. A noção de estabilidade do cargo público, enquanto categoria nativa, encontra-se no cerne desta pesquisa, considerando-se condição vital dos espíritos dos servidores, apta a moldar a forma como experienciam seu presente e refletem sobre seu passado e futuro, mormente quanto a elementos qualificadores do neoliberalismo, como as privatizações, as terceirizações e os cortes de gastos na administração pública, ensejando tensões laborais.

2016
Dissertações
1
  • PRISCILLA BRAGA BELTRAME
  • Aborto: a controvérsia das feminilidades.

  • Orientador : LADY SELMA FERREIRA ALBERNAZ
  • MEMBROS DA BANCA :
  • LADY SELMA FERREIRA ALBERNAZ
  • MARION TEODOSIO DE QUADROS
  • KARLA GALVAO ADRIAO
  • Data: 29/08/2016
    Ata de defesa assinada:

  • Mostrar Resumo
  • O tema da presente dissertação abordou a questão do debate a respeito da legislação referente ao aborto no Brasil. Teve por objetivo descrever e compreender de que forma, na controvérsia a respeito do aborto, distintos agentes sociais interessados – grupos feministas e grupos pró-vida – acionam padrões específicos de feminilidades em torno da maternidade e da divisão sexual do trabalho para defenderem suas posições a respeito da descriminalização ou criminalização do aborto no país. Trata-se de uma pesquisa que pretende contribuir para a compreensão dos fatores culturais – no caso, os padrões de feminilidade – relacionados à dificuldade da descriminalização do aborto e consequente alta na taxa de mortalidade materna. Como metodologia de trabalho, definiu-se pela elaboração de uma pesquisa de campo, que foi realizada na capital do estado de Pernambuco, que permitiu a coleta de materiais que foram analisados, os quais se constituíram de entrevistas com oito pessoas, sendo quatro representantes dos grupos sociais favoráveis à descriminalização do aborto, e quatro representantes dos grupos sociais que são favoráveis à criminalização de todos os permissivos legais para a realização do aborto no país. Além das entrevistas, foi realizada detalhada análise documental dos materiais veiculados ao público pelos grupos sociais aos quais esses(as) representantes estão vinculados. Por sua vez, para conferir a fundamentação teórica necessária, realizou-se extenso levantamento bibliográfico. Como resultado desta investigação, verificou-se que quanto mais próximo o padrão de feminilidade - acionado por determinado grupo social - estiver associado a um sistema de gênero extremamente desigual, maior será a possibilidade da visão de mundo desse grupo ser contrária a descriminalização do aborto e favorável a sua criminalização, mesmo que isso signifique na prática a recusa do direito a vida e a saúde das mulheres. Dessa forma, concluímos que o padrão de feminilidade hegemônico na cultura brasileira é um dos fatores centrais para o aumento da taxa de mortalidade materna referente ao aborto inseguro/ilegal.


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  • O tema da presente dissertação abordou a questão do debate a respeito da legislação referente ao aborto no Brasil. Teve por objetivo descrever e compreender de que forma, na controvérsia a respeito do aborto, distintos agentes sociais interessados – grupos feministas e grupos pró-vida – acionam padrões específicos de feminilidades em torno da maternidade e da divisão sexual do trabalho para defenderem suas posições a respeito da descriminalização ou criminalização do aborto no país. Trata-se de uma pesquisa que pretende contribuir para a compreensão dos fatores culturais – no caso, os padrões de feminilidade – relacionados à dificuldade da descriminalização do aborto e consequente alta na taxa de mortalidade materna. Como metodologia de trabalho, definiu-se pela elaboração de uma pesquisa de campo, que foi realizada na capital do estado de Pernambuco, que permitiu a coleta de materiais que foram analisados, os quais se constituíram de entrevistas com oito pessoas, sendo quatro representantes dos grupos sociais favoráveis à descriminalização do aborto, e quatro representantes dos grupos sociais que são favoráveis à criminalização de todos os permissivos legais para a realização do aborto no país. Além das entrevistas, foi realizada detalhada análise documental dos materiais veiculados ao público pelos grupos sociais aos quais esses(as) representantes estão vinculados. Por sua vez, para conferir a fundamentação teórica necessária, realizou-se extenso levantamento bibliográfico. Como resultado desta investigação, verificou-se que quanto mais próximo o padrão de feminilidade - acionado por determinado grupo social - estiver associado a um sistema de gênero extremamente desigual, maior será a possibilidade da visão de mundo desse grupo ser contrária a descriminalização do aborto e favorável a sua criminalização, mesmo que isso signifique na prática a recusa do direito a vida e a saúde das mulheres. Dessa forma, concluímos que o padrão de feminilidade hegemônico na cultura brasileira é um dos fatores centrais para o aumento da taxa de mortalidade materna referente ao aborto inseguro/ilegal.

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