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Dissertações |
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IRENE ADRYANE MARCIANO DA SILVA
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Negridade e conflito no território: sobre mulheres e narrativas ecológicas no Engenho Ilha, Pernambuco
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Orientador : FABIANA MAIZZA
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MEMBROS DA BANCA :
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UIRÁ FELIPPE GARCIA
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ANA CLAUDIA RODRIGUES DA SILVA
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FABIANA MAIZZA
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Data: 13/02/2025
Ata de defesa assinada:
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Esta pesquisa tem por objetivo discutir sobre narrativas ambientais e sua aproximação do racial através da interpretação das mulheres da Comunidade do Engenho Ilha. Assim, busca-se entender como elas vinculam as dimensões de território, vida e negridade diante do conflito com o projeto de construção de uma Unidade de Conservação promovida pela administração do Complexo Industrial e Portuário de Suape, CIPS, na cidade do Cabo de Santo Agostinho, em Pernambuco. Este projeto visa descrever essas narrativas, sobretudo narrativas ecológicas, e discutir como estas têm sido disputadas a partir das experiências das mulheres. Identificando-se enquanto agricultoras, foi por meio de sua maior participação nas tomadas de decisão locais que passaram a ser denunciadas uma série de injustiças sociais e ambientais, advindas de conflitos históricos na região. É imprescindível destacar que, de forma oposta, seus modos de habitar são qualitativamente diferentes dos que são fomentados pela administração do CIPS, construindo-se pela relação de coexistência com o território. Partindo da discussão do conceito de antropoceno na antropologia (TSING, 2019, 2022) e das especulações feministas negras (FERREIRA, 2024), busca-se destacar, a partir de uma leitura da dimensão colonial deste momento do planeta (MBEMBE, 2022), os sentidos que são atribuídos ao território, destacando as narrativas que tensionam uma busca persistente por sua desvinculação da terra. É a partir dessas várias dimensões na construção de suas identidades que guiaremos nossa descrição etnográfica.
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Esta pesquisa tem por objetivo discutir sobre narrativas ambientais e sua aproximação do racial através da interpretação das mulheres da Comunidade do Engenho Ilha. Assim, busca-se entender como elas vinculam as dimensões de território, vida e negridade diante do conflito com o projeto de construção de uma Unidade de Conservação promovida pela administração do Complexo Industrial e Portuário de Suape, CIPS, na cidade do Cabo de Santo Agostinho, em Pernambuco. Este projeto visa descrever essas narrativas, sobretudo narrativas ecológicas, e discutir como estas têm sido disputadas a partir das experiências das mulheres. Identificando-se enquanto agricultoras, foi por meio de sua maior participação nas tomadas de decisão locais que passaram a ser denunciadas uma série de injustiças sociais e ambientais, advindas de conflitos históricos na região. É imprescindível destacar que, de forma oposta, seus modos de habitar são qualitativamente diferentes dos que são fomentados pela administração do CIPS, construindo-se pela relação de coexistência com o território. Partindo da discussão do conceito de antropoceno na antropologia (TSING, 2019, 2022) e das especulações feministas negras (FERREIRA, 2024), busca-se destacar, a partir de uma leitura da dimensão colonial deste momento do planeta (MBEMBE, 2022), os sentidos que são atribuídos ao território, destacando as narrativas que tensionam uma busca persistente por sua desvinculação da terra. É a partir dessas várias dimensões na construção de suas identidades que guiaremos nossa descrição etnográfica.
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GABRIELA NASCIMENTO DOS SANTOS
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O sonho de ser blogueira: O TikTok como ambiente de consumo de adolescentes estudantes do Centro de Educação INtegral de Igarassu Cecília Maria Vaz Curado Ribeiro
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Orientador : LADY SELMA FERREIRA ALBERNAZ
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MEMBROS DA BANCA :
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ALEX GIULIANO VAILATI
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DAYSE AMANCIO DOS SANTOS VERAS FREITAS
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LADY SELMA FERREIRA ALBERNAZ
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LUIS FELIPE RIOS DO NASCIMENTO
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Data: 18/02/2025
Ata de defesa assinada:
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Com a expansão do uso e acesso das mídias sociais digitais, pode-se dizer que vivemos na era da midiatização dos sujeitos, onde os usuários usam as redes sociais digitais para se expressarem para o mundo. Tais mídias sociais digitais passaram a ocupar um espaço um espaço de destaque nas relações sociais. Dentre essas mídias, destaca-se o TikTok, um aplicativo conhecido pela facilidade na sua funcionalidade e pelo seu público jovem. A inserção dos adolescentes nessa rede abre espaços para novos e diferentes conflitos advindos da relação entre mídias digitais, consumo e acesso dos adolescentes. Este trabalho tem o objetivo de demonstrar a ligação entre o consumo de produtos e serviços pelos adolescentes estudantes do Centro de Educação Integral de Igarassu Cecília Maria Vaz Curado RIbeiro e o seu acesso ao TikTok.
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Com a expansão do uso e acesso das mídias sociais digitais, pode-se dizer que vivemos na era da midiatização dos sujeitos, onde os usuários usam as redes sociais digitais para se expressarem para o mundo. Tais mídias sociais digitais passaram a ocupar um espaço um espaço de destaque nas relações sociais. Dentre essas mídias, destaca-se o TikTok, um aplicativo conhecido pela facilidade na sua funcionalidade e pelo seu público jovem. A inserção dos adolescentes nessa rede abre espaços para novos e diferentes conflitos advindos da relação entre mídias digitais, consumo e acesso dos adolescentes. Este trabalho tem o objetivo de demonstrar a ligação entre o consumo de produtos e serviços pelos adolescentes estudantes do Centro de Educação Integral de Igarassu Cecília Maria Vaz Curado RIbeiro e o seu acesso ao TikTok.
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THAYNARA KELLY DOS SANTOS PEREIRA
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“NÓS SOMOS AMADOS?”: os cruzamentos entre raça e as relações afetivo românticas dos jovens negros.
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Orientador : ANA CLAUDIA RODRIGUES DA SILVA
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MEMBROS DA BANCA :
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ANA CLAUDIA RODRIGUES DA SILVA
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FABIANA MAIZZA
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GILSON JOSE RODRIGUES JUNIOR
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Data: 21/02/2025
Ata de defesa assinada:
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Esta dissertação investiga as experiências afetivo-românticas da juventude negra pernambucana, considerando as interseccionalidades entre raça, gênero e classe na construção das dinâmicas amorosas. A pesquisa parte da premissa de que o amor, longe de ser um campo neutro, é atravessado por dispositivos de racialidade que historicamente regulam o desejo e a legitimidade das relações afetivas. Com base em um referencial teórico fundamentado nos escritos de autoras e autores negros como Sueli Carneiro, Lélia Gonzalez, bell hooks, Grada Kilomba e Kabengele Munanga, analisamos as formas como o racismo estrutural impacta a subjetividade da população negra no campo amoroso. Os dados foram coletados por meio de entrevistas narrativas com jovens negros e negras de Pernambuco, permitindo compreender as vivências de preterimento, fetichização e exclusão afetiva. A dissertação revela que as escolhas amorosas da juventude negra são marcadas por um regime racial de desejo, em que a branquitude se estabelece como norma de beleza e pertencimento, enquanto a negritude é ora invisibilizada, ora hipersexualizada. Para as mulheres negras, esse fenômeno se manifesta na solidão afetiva e na desvalorização do seu corpo como espaço de amor e cuidado. Já os homens negros enfrentam a dualidade entre a hipervirilização e a criminalização, o que limita suas possibilidades de construção de vínculos afetivos saudáveis. A dissertação também discute a colonialidade do amor e a forma como o projeto de embranquecimento impacta as relações inter-raciais, promovendo a valorização de casais inter-raciais como estratégia de ascensão social, enquanto as relações exclusivamente negras são frequentemente vistas como espaços de carência e conflito. Além disso, a pesquisa evidencia a ressignificação do amor negro como uma estratégia de resistência e reafirmação identitária, na qual a juventude negra constrói novas formas de pertencimento afetivo e redes de cuidado. A análise final sugere que as afetividades negras precisam ser compreendidas dentro de um projeto de reestruturação epistemológica, que valorize as experiências da população negra como legítimas e dignas de afeto. O amor negro, nessa perspectiva, se torna um ato político, um espaço de insurgência contra as estruturas coloniais que ainda regulam o campo do desejo e do reconhecimento social. Diante disso, a pesquisa reforça a necessidade de um debate mais aprofundado sobre a intersecção entre raça e amor, ampliando as discussões acadêmicas para além das perspectivas eurocêntricas e reconhecendo as subjetividades negras como centrais na produção de conhecimento.
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Esta dissertação investiga as experiências afetivo-românticas da juventude negra pernambucana, considerando as interseccionalidades entre raça, gênero e classe na construção das dinâmicas amorosas. A pesquisa parte da premissa de que o amor, longe de ser um campo neutro, é atravessado por dispositivos de racialidade que historicamente regulam o desejo e a legitimidade das relações afetivas. Com base em um referencial teórico fundamentado nos escritos de autoras e autores negros como Sueli Carneiro, Lélia Gonzalez, bell hooks, Grada Kilomba e Kabengele Munanga, analisamos as formas como o racismo estrutural impacta a subjetividade da população negra no campo amoroso. Os dados foram coletados por meio de entrevistas narrativas com jovens negros e negras de Pernambuco, permitindo compreender as vivências de preterimento, fetichização e exclusão afetiva. A dissertação revela que as escolhas amorosas da juventude negra são marcadas por um regime racial de desejo, em que a branquitude se estabelece como norma de beleza e pertencimento, enquanto a negritude é ora invisibilizada, ora hipersexualizada. Para as mulheres negras, esse fenômeno se manifesta na solidão afetiva e na desvalorização do seu corpo como espaço de amor e cuidado. Já os homens negros enfrentam a dualidade entre a hipervirilização e a criminalização, o que limita suas possibilidades de construção de vínculos afetivos saudáveis. A dissertação também discute a colonialidade do amor e a forma como o projeto de embranquecimento impacta as relações inter-raciais, promovendo a valorização de casais inter-raciais como estratégia de ascensão social, enquanto as relações exclusivamente negras são frequentemente vistas como espaços de carência e conflito. Além disso, a pesquisa evidencia a ressignificação do amor negro como uma estratégia de resistência e reafirmação identitária, na qual a juventude negra constrói novas formas de pertencimento afetivo e redes de cuidado. A análise final sugere que as afetividades negras precisam ser compreendidas dentro de um projeto de reestruturação epistemológica, que valorize as experiências da população negra como legítimas e dignas de afeto. O amor negro, nessa perspectiva, se torna um ato político, um espaço de insurgência contra as estruturas coloniais que ainda regulam o campo do desejo e do reconhecimento social. Diante disso, a pesquisa reforça a necessidade de um debate mais aprofundado sobre a intersecção entre raça e amor, ampliando as discussões acadêmicas para além das perspectivas eurocêntricas e reconhecendo as subjetividades negras como centrais na produção de conhecimento.
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MIA SOUZA ARAUJO
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“A gente cuida, faz o tratamento certinho, mas e o preconceito que fica?” Um olhar sobre as representações da hanseníase no bairro da Mirueira sob a ótica dos moradores.
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Orientador : MARION TEODOSIO DE QUADROS
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MEMBROS DA BANCA :
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LUIS FELIPE RIOS DO NASCIMENTO
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MARION TEODOSIO DE QUADROS
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RUSSELL PARRY SCOTT
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Data: 24/02/2025
Ata de defesa assinada:
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Esta etnografia aborda a relação entre a hanseníase, uma doença crônica e causadora de sofrimento psíquico, e os moradores da Mirueira, bairro localizado na Região Metropolitana do Recife. Destaca-se a conexão histórica do bairro com o Hospital Geral da Mirueira, um dos primeiros leprosários construídos no século XX no Brasil e, consequentemente, no estado de Pernambuco. O trabalho busca discutir as concepções que os moradores do bairro da Mirueira atribuem a doença, bem como analisar como as relações sociais são moldadas pela mobilização de tratamentos individuais. Enfatiza as agências e os modos pelos quais os indivíduos percebem e vivenciam a doença. Utilizei entrevistas e observações como principais ferramentas de pesquisa e lancei mão da minha própria experiência como morador do bairro para acessar a história e as pessoas do local. O Brasil está entre os países com as maiores taxas de hanseníase, uma doença que gera danos sociais e pode comprometer significativamente a vida dos indivíduos afetados, seja diretamente, pelo contato e identificação do bacilo, ou indiretamente, quando um amigo, vizinho ou parente é acometido. Em contextos marcados por maior desigualdade social, a doença torna-se mais evidente, contribuindo para a perpetuação de estigmas e outras vulnerabilidades. Em Paulista/PE, onde o projeto foi conduzido, observa-se que as pessoas afetadas pela hanseníase recorrem a diferentes itinerários terapêuticos para o cuidado. Esses itinerários incluem práticas baseadas em crenças, ritos, medicina ocidental, entre outras abordagens mediadas pela cultura local. Observamos que, apesar de a hanseníase ser uma doença de fácil tratamento e cura quando diagnosticada precocemente, ainda é cercada por silenciamentos, medo e invisibilização.
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Esta etnografia aborda a relação entre a hanseníase, uma doença crônica e causadora de sofrimento psíquico, e os moradores da Mirueira, bairro localizado na Região Metropolitana do Recife. Destaca-se a conexão histórica do bairro com o Hospital Geral da Mirueira, um dos primeiros leprosários construídos no século XX no Brasil e, consequentemente, no estado de Pernambuco. O trabalho busca discutir as concepções que os moradores do bairro da Mirueira atribuem a doença, bem como analisar como as relações sociais são moldadas pela mobilização de tratamentos individuais. Enfatiza as agências e os modos pelos quais os indivíduos percebem e vivenciam a doença. Utilizei entrevistas e observações como principais ferramentas de pesquisa e lancei mão da minha própria experiência como morador do bairro para acessar a história e as pessoas do local. O Brasil está entre os países com as maiores taxas de hanseníase, uma doença que gera danos sociais e pode comprometer significativamente a vida dos indivíduos afetados, seja diretamente, pelo contato e identificação do bacilo, ou indiretamente, quando um amigo, vizinho ou parente é acometido. Em contextos marcados por maior desigualdade social, a doença torna-se mais evidente, contribuindo para a perpetuação de estigmas e outras vulnerabilidades. Em Paulista/PE, onde o projeto foi conduzido, observa-se que as pessoas afetadas pela hanseníase recorrem a diferentes itinerários terapêuticos para o cuidado. Esses itinerários incluem práticas baseadas em crenças, ritos, medicina ocidental, entre outras abordagens mediadas pela cultura local. Observamos que, apesar de a hanseníase ser uma doença de fácil tratamento e cura quando diagnosticada precocemente, ainda é cercada por silenciamentos, medo e invisibilização.
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MARIA LUIZA TEIXEIRA SALGADO
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PRÁTICAS DE CURA DA TERRA: um diálogo entre Antropologia e Agroecologia
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Orientador : FABIANA MAIZZA
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MEMBROS DA BANCA :
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FABIANA MAIZZA
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PEDRO CASTELO BRANCO SILVEIRA
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LUCAS COELHO PEREIRA
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Data: 25/02/2025
Ata de defesa assinada:
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Este trabalho teórico tem como objetivo fazer uma aproximação entre a teoria Antropológica e a Agroecologia, áreas cuja interseção é ainda pouco explorada, embora extremamente necessária e urgente. A relevância dessa associação reside no fato que a teoria agroecológica dialoga profundamente com a Antropologia Multiespécie ao promover formas de convivência entre humanos e outros seres vivos em sistemas agroflorestais regenerativos. Colocando as fazendas de plantations abandonadas no Brasil como ruínas do capitalismo, reconheço o papel da agroecologia, que em diversos âmbitos, reconhece a interdependência das espécies e se preocupa com as particularidades de cada bioma. Dessa forma, a Agroecologia transcende paradigmas antropocêntricos, oferecendo práticas que integram a sustentabilidade ecológica e a justiça social, tais como o cultivo sem agrotóxico, a defesa da biodiversidade das plantas em detrimento da monocultura, além da defesa da soberania alimentar. Ademais, considero que a prática agroecológica, a exemplo de dois assentamentos do MST, Mário Lago (SP) e Terra Vista (BA) e do declínio da monocultura no sertão da Paraíba, apresenta uma possível resposta à emergência climática associada ao Antropoceno, contribuindo para mitigar os impactos dela. Com isso, defendo que esta discussão não apenas amplia os horizontes teóricos da Antropologia, mas também enriquece a Agroecologia, avançando na construção de uma perspectiva mais que humana, capaz de abarcar as complexas relações entre humanos, outras espécies e o planeta. Isso sem perder de vista as questões históricas que permeiam a posse de terras no Brasil e as peculiaridades dos diversos tipos de agricultura no desenvolvida no país. Postulo, por fim, que o agronegócio brasileiro opera
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Este trabalho teórico tem como objetivo fazer uma aproximação entre a teoria Antropológica e a Agroecologia, áreas cuja interseção é ainda pouco explorada, embora extremamente necessária e urgente. A relevância dessa associação reside no fato que a teoria agroecológica dialoga profundamente com a Antropologia Multiespécie ao promover formas de convivência entre humanos e outros seres vivos em sistemas agroflorestais regenerativos. Colocando as fazendas de plantations abandonadas no Brasil como ruínas do capitalismo, reconheço o papel da agroecologia, que em diversos âmbitos, reconhece a interdependência das espécies e se preocupa com as particularidades de cada bioma. Dessa forma, a Agroecologia transcende paradigmas antropocêntricos, oferecendo práticas que integram a sustentabilidade ecológica e a justiça social, tais como o cultivo sem agrotóxico, a defesa da biodiversidade das plantas em detrimento da monocultura, além da defesa da soberania alimentar. Ademais, considero que a prática agroecológica, a exemplo de dois assentamentos do MST, Mário Lago (SP) e Terra Vista (BA) e do declínio da monocultura no sertão da Paraíba, apresenta uma possível resposta à emergência climática associada ao Antropoceno, contribuindo para mitigar os impactos dela. Com isso, defendo que esta discussão não apenas amplia os horizontes teóricos da Antropologia, mas também enriquece a Agroecologia, avançando na construção de uma perspectiva mais que humana, capaz de abarcar as complexas relações entre humanos, outras espécies e o planeta. Isso sem perder de vista as questões históricas que permeiam a posse de terras no Brasil e as peculiaridades dos diversos tipos de agricultura no desenvolvida no país. Postulo, por fim, que o agronegócio brasileiro opera
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RAFAEL RODRIGUES LEITE
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Quem tem medo de ser cancelado? Mobilizações e conflitos nas mídias sociais digitais
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Orientador : HUGO MENEZES NETO
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MEMBROS DA BANCA :
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HUGO MENEZES NETO
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FRANCISCO SA BARRETO DOS SANTOS
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ROBERTO CORDOVILLE EFREM DE LIMA FILHO
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REGINA FACCHINI
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Data: 25/02/2025
Ata de defesa assinada:
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Esta dissertação analisa as mobilizações e os conflitos acerca do “cancelamento” nas mídias sociais digitais, investigando as disputas conceituais e os repertórios de ação desencadeados nos episódios de cancelamento explorados. A partir da etnografia de quatro episódios de cancelamento envolvendo figuras públicas de diferentes espectros políticos — Lilia Schwarcz, Djamila Ribeiro, Maurício Souza e Sikêra Júnior —, a pesquisa investiga os processos de acusação e reivindicação de direitos presentes nos casos, bem como as relações de poder que atravessam as narrativas dispostas e acabam sendo acionadas, inclusive, para legitimar ou contestar as práticas nomeadas enquanto “cancelamento”. Nesse sentido, o estudo dialoga com a literatura socioantropológica que versa sobre a relação entre mobilização sociopolítica on e offline, ao buscar compreender as imbricações entre engajamento, viralização e disputa por legitimidade. Por esse caminho, a presente etnografia revela que o cancelamento opera através de uma linguagem comum de direitos, sendo apropriado e ressignificado por distintos grupos que se inserem em pelo menos dois campos discursivos de ação, os quais fomentam os sentidos dos cancelamentos: aquele que concebe o cancelamento enquanto prática de acusação, julgamento e punição injusta, autoritária e indevida, e aquele que concebe o cancelamento enquanto estratégia de reivindicação de direitos, denúncia de violências, opressões e injustiças em favor do reconhecimento de grupos minorizados. Além disso, esta dissertação discute de que forma, e em que medida, a infraestrutura digital, através das plataformas digitais algoritmizadas, influencia os cancelamentos ao trazer impacto tanto em sua disseminação quanto em suas consequências. Sendo assim, a presente etnografia aponta para a complexidade das dinâmicas de cancelamento que acabam revelando disputas sobre moralidade, reconhecimento e poder nas redes, de forma a desafiar e reproduzir ordens sociais e políticas. Dessa forma, a pesquisa contribui para a compreensão das novas formas de mobilização sociopolítica na era digital, destacando as tensões e os conflitos existentes entre democratização da informação e plataformização das dinâmicas sociais.
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Esta dissertação analisa as mobilizações e os conflitos acerca do “cancelamento” nas mídias sociais digitais, investigando as disputas conceituais e os repertórios de ação desencadeados nos episódios de cancelamento explorados. A partir da etnografia de quatro episódios de cancelamento envolvendo figuras públicas de diferentes espectros políticos — Lilia Schwarcz, Djamila Ribeiro, Maurício Souza e Sikêra Júnior —, a pesquisa investiga os processos de acusação e reivindicação de direitos presentes nos casos, bem como as relações de poder que atravessam as narrativas dispostas e acabam sendo acionadas, inclusive, para legitimar ou contestar as práticas nomeadas enquanto “cancelamento”. Nesse sentido, o estudo dialoga com a literatura socioantropológica que versa sobre a relação entre mobilização sociopolítica on e offline, ao buscar compreender as imbricações entre engajamento, viralização e disputa por legitimidade. Por esse caminho, a presente etnografia revela que o cancelamento opera através de uma linguagem comum de direitos, sendo apropriado e ressignificado por distintos grupos que se inserem em pelo menos dois campos discursivos de ação, os quais fomentam os sentidos dos cancelamentos: aquele que concebe o cancelamento enquanto prática de acusação, julgamento e punição injusta, autoritária e indevida, e aquele que concebe o cancelamento enquanto estratégia de reivindicação de direitos, denúncia de violências, opressões e injustiças em favor do reconhecimento de grupos minorizados. Além disso, esta dissertação discute de que forma, e em que medida, a infraestrutura digital, através das plataformas digitais algoritmizadas, influencia os cancelamentos ao trazer impacto tanto em sua disseminação quanto em suas consequências. Sendo assim, a presente etnografia aponta para a complexidade das dinâmicas de cancelamento que acabam revelando disputas sobre moralidade, reconhecimento e poder nas redes, de forma a desafiar e reproduzir ordens sociais e políticas. Dessa forma, a pesquisa contribui para a compreensão das novas formas de mobilização sociopolítica na era digital, destacando as tensões e os conflitos existentes entre democratização da informação e plataformização das dinâmicas sociais.
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MARIA LUÍSA PINHEIRO VIANA
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No corre com as Dindas: ativismo, direitos e a produção dos presos LGBT em Pernambuco
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Orientador : ROBERTO CORDOVILLE EFREM DE LIMA FILHO
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MEMBROS DA BANCA :
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KARINA BIONDI
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VANESSA SANDER SERRA E MEIRA
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HUGO MENEZES NETO
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ROBERTO CORDOVILLE EFREM DE LIMA FILHO
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Data: 24/03/2025
Ata de defesa assinada:
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Esta dissertação, apresentada ao Programa de Pós-graduação em Antropologia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), investiga o ativismo e as dinâmicas prisionais relacionadas aos presos LGBT em Pernambuco. O estudo inicialmente se propôs a realizar uma etnografia das alas e pavilhões LGBT no Complexo Prisional do Curado. Contudo, impedimentos burocráticos redirecionaram a pesquisa para uma abordagem colaborativa com a ONG SEMPRI, que atua em defesa dos direitos dessa população. O trabalho examina como gênero e sexualidade estruturam as experiências de presos LGBT e analisa o papel das organizações ativistas na construção de categorias sociais e na mediação de políticas públicas prisionais. Metodologicamente, a dissertação adota uma perspectiva de pesquisa-intervenção (Godoi, 2015), articulando ativismo e produção acadêmica. A atuação no SEMPRI permitiu acesso privilegiado às unidades prisionais e possibilitou a coleta de dados etnográficos durante visitas técnicas, reuniões e diálogos com presos LGBT e gestores penitenciários. Esses momentos revelaram as tensões entre ativismo e gestão prisional, destacando como o sistema carcerário perpetua vulnerabilidades e desigualdades. Além das questões teóricas e metodológicas, o trabalho reflete sobre as transições da pesquisadora, tanto em termos acadêmicos quanto pessoais, ao vivenciar seu processo de afirmação de gênero durante o campo. A dissertação, assim, propõe-se a explorar as relações entre o ativismo, a diversidade sexual e as configurações do sistema prisional brasileiro, oferecendo uma contribuição significativa ao campo da Antropologia da Prisão.
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Esta dissertação, apresentada ao Programa de Pós-graduação em Antropologia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), investiga o ativismo e as dinâmicas prisionais relacionadas aos presos LGBT em Pernambuco. O estudo inicialmente se propôs a realizar uma etnografia das alas e pavilhões LGBT no Complexo Prisional do Curado. Contudo, impedimentos burocráticos redirecionaram a pesquisa para uma abordagem colaborativa com a ONG SEMPRI, que atua em defesa dos direitos dessa população. O trabalho examina como gênero e sexualidade estruturam as experiências de presos LGBT e analisa o papel das organizações ativistas na construção de categorias sociais e na mediação de políticas públicas prisionais. Metodologicamente, a dissertação adota uma perspectiva de pesquisa-intervenção (Godoi, 2015), articulando ativismo e produção acadêmica. A atuação no SEMPRI permitiu acesso privilegiado às unidades prisionais e possibilitou a coleta de dados etnográficos durante visitas técnicas, reuniões e diálogos com presos LGBT e gestores penitenciários. Esses momentos revelaram as tensões entre ativismo e gestão prisional, destacando como o sistema carcerário perpetua vulnerabilidades e desigualdades. Além das questões teóricas e metodológicas, o trabalho reflete sobre as transições da pesquisadora, tanto em termos acadêmicos quanto pessoais, ao vivenciar seu processo de afirmação de gênero durante o campo. A dissertação, assim, propõe-se a explorar as relações entre o ativismo, a diversidade sexual e as configurações do sistema prisional brasileiro, oferecendo uma contribuição significativa ao campo da Antropologia da Prisão.
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REBEKA PEREIRA
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“Revitalizar a área, inibir os traficantes e resgatar as vidas perdidas”: Produção e gestão de territorialidades urbanas na “cracolândia” de Santa Inês (MA)
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Orientador : FRANCISCO SA BARRETO DOS SANTOS
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MEMBROS DA BANCA :
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FRANCISCO SA BARRETO DOS SANTOS
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ANA CLAUDIA RODRIGUES DA SILVA
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ELAINE MULLER
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Data: 14/05/2025
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Guiada pela lógica governamental expressa na fala “revitalizar a área, inibir os traficantes e resgatar as vidas perdidas”, o trabalho examina as dinâmicas que estabeleceram o território denominado “cracolândia” no terminal rodoviário da cidade de Santa Inês (MA), a partir de três camadas: políticas assistenciais e de cuidado, políticas de repressão ao tráfico e políticas urbanas de revitalização. Em um contexto complexo que mistura degradação urbana e humana, este trabalho etnográfico quer lançar luz sobre os processos de produção e manutenção de desigualdades, questionando: quais condições sustentam a existência de uma classe vulnerável que é combatida nos espaços urbanos? Como essa classe se organiza sob um domínio específico? E, que consequências provoca na política da cidade? Os fundamentos que norteiam essas questões, sistematizam-se aqui a partir do viés epistemológico que compreende o Estado em sua relação com as práticas. Meus objetivos querem assimilar o que Foucault (2008) traçou como “racionalização da prática governamental”. Analisar esse campo etnograficamente significa, portanto, romper com concepções que determinam o território a partir da delimitação do espaço geográfico, da terra em si; para passar a contribuir com a formulação de uma noção complexa e ampla sobre o conceito, buscada através da corporalidade e da andança das pessoas, em relação com os aparatos estatais.
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Guiada pela lógica governamental expressa na fala “revitalizar a área, inibir os traficantes e resgatar as vidas perdidas”, o trabalho examina as dinâmicas que estabeleceram o território denominado “cracolândia” no terminal rodoviário da cidade de Santa Inês (MA), a partir de três camadas: políticas assistenciais e de cuidado, políticas de repressão ao tráfico e políticas urbanas de revitalização. Em um contexto complexo que mistura degradação urbana e humana, este trabalho etnográfico quer lançar luz sobre os processos de produção e manutenção de desigualdades, questionando: quais condições sustentam a existência de uma classe vulnerável que é combatida nos espaços urbanos? Como essa classe se organiza sob um domínio específico? E, que consequências provoca na política da cidade? Os fundamentos que norteiam essas questões, sistematizam-se aqui a partir do viés epistemológico que compreende o Estado em sua relação com as práticas. Meus objetivos querem assimilar o que Foucault (2008) traçou como “racionalização da prática governamental”. Analisar esse campo etnograficamente significa, portanto, romper com concepções que determinam o território a partir da delimitação do espaço geográfico, da terra em si; para passar a contribuir com a formulação de uma noção complexa e ampla sobre o conceito, buscada através da corporalidade e da andança das pessoas, em relação com os aparatos estatais.
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LETICIA LUCINDO QUEIROZ
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Povo Anacé e o Complexo do Pecém: Impactos, Resistências e Territorialidades
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Orientador : VÂNIA FIALHO
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MEMBROS DA BANCA :
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ALEX GIULIANO VAILATI
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CAROLINE FARIAS LEAL MENDONCA
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VÂNIA FIALHO
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Data: 29/05/2025
Ata de defesa assinada:
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Esta dissertação é fruto de uma pesquisa iniciada em 2018 na aldeia indígena Japuara, localizada em Caucaia-CE, território tradicional do povo Anacé, protagonistas e colaboradores deste estudo. As questões inicialmente levantadas estavam relacionadas à luta pela defesa territorial, uma vez que a terra ainda não é demarcada, e à preservação ambiental, condições fundamentais para a reprodução cultural. O Complexo Industrial e Portuário do Pecém (CIPP) aparece como a principal ameaça apontada pelas lideranças, destaca-se como vetor da fragmentação territorial e social da grande nação Anacé, dividida hoje em múltiplos núcleos de organização política, descritos ao longo deste trabalho. Nosso objetivo é analisar os impactos diretos e indiretos provocados por esse megaprojeto sobre a vida social desse grupo étnico, em especial a aldeia Japuara, bem como compreender as estratégias de resistência e ação mobilizadas pelos sujeitos diante das pressões que os afetam. O território, palco de intensos embates, também é pensado por suas potencialidades insurgentes e insubmissas, que expressam os séculos de resistência indígena na história do Ceará. A pesquisa se insere na conjuntura marcada pela chegada do projeto do Porto do Pecém, na década de 1990, que, após sucessivas expansões, deu origem ao CIPP, um dos maiores empreendimentos do estado, representando quase metade do seu PIB. Ao longo da dissertação, analisamos as relações estabelecidas pelos Anacé entre si, enquanto coletividade, e com a terra tradicionalmente ocupada, alvo de disputas históricas e constantes. No coração desse conflito, buscamos dar visibilidade à luta em defesa do corpo-território Anacé, que pulsa em vitalidade, memória e resistência no sangue e suor entregues à causa indígena.
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Esta dissertação é fruto de uma pesquisa iniciada em 2018 na aldeia indígena Japuara, localizada em Caucaia-CE, território tradicional do povo Anacé, protagonistas e colaboradores deste estudo. As questões inicialmente levantadas estavam relacionadas à luta pela defesa territorial, uma vez que a terra ainda não é demarcada, e à preservação ambiental, condições fundamentais para a reprodução cultural. O Complexo Industrial e Portuário do Pecém (CIPP) aparece como a principal ameaça apontada pelas lideranças, destaca-se como vetor da fragmentação territorial e social da grande nação Anacé, dividida hoje em múltiplos núcleos de organização política, descritos ao longo deste trabalho. Nosso objetivo é analisar os impactos diretos e indiretos provocados por esse megaprojeto sobre a vida social desse grupo étnico, em especial a aldeia Japuara, bem como compreender as estratégias de resistência e ação mobilizadas pelos sujeitos diante das pressões que os afetam. O território, palco de intensos embates, também é pensado por suas potencialidades insurgentes e insubmissas, que expressam os séculos de resistência indígena na história do Ceará. A pesquisa se insere na conjuntura marcada pela chegada do projeto do Porto do Pecém, na década de 1990, que, após sucessivas expansões, deu origem ao CIPP, um dos maiores empreendimentos do estado, representando quase metade do seu PIB. Ao longo da dissertação, analisamos as relações estabelecidas pelos Anacé entre si, enquanto coletividade, e com a terra tradicionalmente ocupada, alvo de disputas históricas e constantes. No coração desse conflito, buscamos dar visibilidade à luta em defesa do corpo-território Anacé, que pulsa em vitalidade, memória e resistência no sangue e suor entregues à causa indígena.
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LARISSA VAZ GONÇALVES
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A ÁRVORE DA MEMÓRIA: TRAMANDO DESDE AS RAÍZES, VÍNCULOS E TEMPORALIDADES ANCESTRAIS
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Orientador : FABIANA MAIZZA
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MEMBROS DA BANCA :
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ANA CLAUDIA RODRIGUES DA SILVA
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FABIANA MAIZZA
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ZOY ANASTASSAKIS
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Data: 10/06/2025
Ata de defesa assinada:
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O presente trabalho aborda as relações entre o atual colapso ecológico e a expansão colonial através do conceito de platationoceno. Partindo desta compreensão, observam-se modos de composição com a terra ancorados na agroecologia e no cooperativismo sublinhando o vínculo de tais práticas com saberes e formas de organização ancestrais. Justapondo um relato autobiográfico à pesquisa de campo realizada em fazendas de cultivo agroflorestal de cacau que compõem o coletivo Mulheres Pretas do Chocolate, memória pessoal e história coletiva se entrecruzam.
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O presente trabalho aborda as relações entre o atual colapso ecológico e a expansão colonial através do conceito de platationoceno. Partindo desta compreensão, observam-se modos de composição com a terra ancorados na agroecologia e no cooperativismo sublinhando o vínculo de tais práticas com saberes e formas de organização ancestrais. Justapondo um relato autobiográfico à pesquisa de campo realizada em fazendas de cultivo agroflorestal de cacau que compõem o coletivo Mulheres Pretas do Chocolate, memória pessoal e história coletiva se entrecruzam.
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DIHEGO LIRA DE SOUZA
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Casais inter-raciais e racismo nesse universo particular
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Orientador : FABIANA MAIZZA
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MEMBROS DA BANCA :
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FABIANA MAIZZA
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HUGO MENEZES NETO
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GILSON JOSE RODRIGUES JUNIOR
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Data: 11/06/2025
Ata de defesa assinada:
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Esta dissertação é resultado de uma trajetória marcada por deslocamentos geográficos, sociais e identitários. Partindo da vivência de um pesquisador nortista, negro, indígena e gay, oriundo do interior do Amazonas e graduado em Administração, a pesquisa propõe uma abordagem antropológica sobre os relacionamentos interraciais no Brasil contemporâneo. Inicialmente motivado por discussões nas redes sociais envolvendo casais interraciais e as tensões raciais ali expostas, o estudo investiga como o racismo – sobretudo o estrutural e o cotidiano – se manifesta nessas relações afetivas. Amparado por uma base teórica composta por autores como Sueli Carneiro, Lélia Gonzalez, Kabengele Munanga, Florestan Fernandes, Aparecida Bento, entre outros, o trabalho busca compreender como as questões raciais atravessam os afetos, as escolhas e as dinâmicas dentro dos relacionamentos entre pessoas negras e não negras. Foram entrevistados casais com vínculos à UFPE, garantindo recortes diversos de classe, identidade e trajetória. Os dados mostram, entre outros achados, que a endogamia racial é mais presente em camadas sociais mais altas, e que casais de classes populares têm maior vivência de relações heterocrômicas. A identidade racial revelou-se fluida e, por vezes, conflituosa entre os interlocutores, assim como a percepção e o enfrentamento do racismo no cotidiano dos casais. Observou-se que o debate sobre racismo ainda é evitado em ambientes familiares e que, frequentemente, os parceiros brancos não percebem microagressões sofridas por seus cônjuges negros. Com uma perspectiva decolonial, a pesquisa propõe um olhar compreensivo e crítico, comprometido com a escuta e com o reposicionamento do sujeito negro nas relações e nos espaços de produção de conhecimento. Ao final, aponta-se a urgência de uma educação antirracista e a ampliação da representatividade negra nas instituições de ensino como caminhos para o enfrentamento das desigualdades raciais também nos vínculos afetivos.
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Esta dissertação é resultado de uma trajetória marcada por deslocamentos geográficos, sociais e identitários. Partindo da vivência de um pesquisador nortista, negro, indígena e gay, oriundo do interior do Amazonas e graduado em Administração, a pesquisa propõe uma abordagem antropológica sobre os relacionamentos interraciais no Brasil contemporâneo. Inicialmente motivado por discussões nas redes sociais envolvendo casais interraciais e as tensões raciais ali expostas, o estudo investiga como o racismo – sobretudo o estrutural e o cotidiano – se manifesta nessas relações afetivas. Amparado por uma base teórica composta por autores como Sueli Carneiro, Lélia Gonzalez, Kabengele Munanga, Florestan Fernandes, Aparecida Bento, entre outros, o trabalho busca compreender como as questões raciais atravessam os afetos, as escolhas e as dinâmicas dentro dos relacionamentos entre pessoas negras e não negras. Foram entrevistados casais com vínculos à UFPE, garantindo recortes diversos de classe, identidade e trajetória. Os dados mostram, entre outros achados, que a endogamia racial é mais presente em camadas sociais mais altas, e que casais de classes populares têm maior vivência de relações heterocrômicas. A identidade racial revelou-se fluida e, por vezes, conflituosa entre os interlocutores, assim como a percepção e o enfrentamento do racismo no cotidiano dos casais. Observou-se que o debate sobre racismo ainda é evitado em ambientes familiares e que, frequentemente, os parceiros brancos não percebem microagressões sofridas por seus cônjuges negros. Com uma perspectiva decolonial, a pesquisa propõe um olhar compreensivo e crítico, comprometido com a escuta e com o reposicionamento do sujeito negro nas relações e nos espaços de produção de conhecimento. Ao final, aponta-se a urgência de uma educação antirracista e a ampliação da representatividade negra nas instituições de ensino como caminhos para o enfrentamento das desigualdades raciais também nos vínculos afetivos.
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AKYLA ALEXANDRE TAVARES VICENTE PESSOA DA SILVA
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O CARNAVAL DOS BLOCOS DE SAMBA EM OLINDA: Agremiações, Memórias e Comunidades.
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Orientador : HUGO MENEZES NETO
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MEMBROS DA BANCA :
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ANTONIO CARLOS MOTA DE LIMA
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HUGO MENEZES NETO
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LEONARDO LEAL ESTEVES
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Data: 12/06/2025
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Esta dissertação investiga a presença, organização e crescente visibilidade dos blocos de samba no Carnaval de Olinda, Pernambuco, sob uma perspectiva antropológica. Contrastando com o processo de declínio das escolas de samba no Recife, o estudo busca compreender como essas agremiações olindenses constroem identidades, ocupam espaços e enfrentam tensões simbólicas e políticas na dinâmica festiva. A pesquisa, de cunho etnográfico, fundamenta-se em observação participante, entrevistas com carnavalescos, mestres de bateria, presidentes de blocos e representantes de escolas de samba, além de registro de ensaios e desfiles realizados durante o Carnaval de 2024. O trabalho destaca a importância dos blocos de samba como expressões legítimas da diversidade cultural de Olinda, questionando a narrativa oficial do Carnaval local. Ao mobilizar conceitos como ritual, memória e comunidade, o estudo evidencia como o samba, ainda pouco valorizado institucionalmente, desempenha papel fundamental na construção das identidades urbanas, nas disputas por reconhecimento cultural e no exercício da cidadania festiva.
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Esta dissertação investiga a presença, organização e crescente visibilidade dos blocos de samba no Carnaval de Olinda, Pernambuco, sob uma perspectiva antropológica. Contrastando com o processo de declínio das escolas de samba no Recife, o estudo busca compreender como essas agremiações olindenses constroem identidades, ocupam espaços e enfrentam tensões simbólicas e políticas na dinâmica festiva. A pesquisa, de cunho etnográfico, fundamenta-se em observação participante, entrevistas com carnavalescos, mestres de bateria, presidentes de blocos e representantes de escolas de samba, além de registro de ensaios e desfiles realizados durante o Carnaval de 2024. O trabalho destaca a importância dos blocos de samba como expressões legítimas da diversidade cultural de Olinda, questionando a narrativa oficial do Carnaval local. Ao mobilizar conceitos como ritual, memória e comunidade, o estudo evidencia como o samba, ainda pouco valorizado institucionalmente, desempenha papel fundamental na construção das identidades urbanas, nas disputas por reconhecimento cultural e no exercício da cidadania festiva.
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JOAO VICTOR SOUZA DE AZEVEDO
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“O BREGA E MINHA VIDA!”: Dinamicas de um movimento patrimonializado em disputa pela cidade
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Orientador : FRANCISCO SA BARRETO DOS SANTOS
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MEMBROS DA BANCA :
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FRANCISCO SA BARRETO DOS SANTOS
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HUGO MENEZES NETO
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RENATO DE LYRA LEMOS
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Data: 03/07/2025
Ata de defesa assinada:
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Este trabalho propõe uma reflexão sobre as particularidades do Movimento Brega, reconhecido como patrimônio cultural imaterial do Recife em 2021. A partir da análise da ideia de “movimento” em torno do gênero musical brega, observou-se uma expressiva capacidade de resistência e transformação por parte de seus protagonistas, cujas práticas hoje transcendem o campo da música. A pesquisa, realizada entre 2023 e 2025, baseou-se em um levantamento bibliográfico diversificado e em uma abordagem etnográfica, explorando não apenas o Brega, mas também seus diálogos com temas sociais como raça, gênero e urbanidade. Tendo como um dos eixos a patrimonialização do Movimento Brega, as entrevistas com fazedores e fazedoras revelaram satisfação com o reconhecimento oficial, mas também destacaram que a titulação, por si só, não assegura sustentabilidade para aqueles que vivem deste bem. A pesquisa, portanto, investiga as dinâmicas e contradições internas desse ecossistema, atentando-se às disputas por visibilidade e aos sujeitos historicamente marginalizados no processo. Através da observação participante em eventos públicos que incorporam o Brega em sua programação, foram analisadas a crescente inserção do Movimento em festivais abertos ao público, financiados ou não pelo poder institucional, os perfis dos frequentadores, os territórios ocupados e as mensagens transmitidas tanto nos palcos quanto fora deles. Constatou-se que, após a patrimonialização municipal, o Movimento Brega alcançou um novo patamar de reconhecimento: surgiram festivais dedicados ao Brega, o Movimento passou a integrar um lugar específico na programação do carnaval recifense e o debate sobre sua relevância cultural ganhou projeção nacional, gerando a aprovação do Dia Nacional do Brega, a ser comemorado no dia 14 de fevereiro. Entretanto, apesar de ser em alguma medida uma vitória das periferias frente a processos históricos de negligência e subalternização, o Movimento Brega ainda carece de políticas públicas eficazes e de investimentos estruturais que garantam sua continuidade e valorização, além de uma vida digna aos seus fazedores.
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Este trabalho propõe uma reflexão sobre as particularidades do Movimento Brega, reconhecido como patrimônio cultural imaterial do Recife em 2021. A partir da análise da ideia de “movimento” em torno do gênero musical brega, observou-se uma expressiva capacidade de resistência e transformação por parte de seus protagonistas, cujas práticas hoje transcendem o campo da música. A pesquisa, realizada entre 2023 e 2025, baseou-se em um levantamento bibliográfico diversificado e em uma abordagem etnográfica, explorando não apenas o Brega, mas também seus diálogos com temas sociais como raça, gênero e urbanidade. Tendo como um dos eixos a patrimonialização do Movimento Brega, as entrevistas com fazedores e fazedoras revelaram satisfação com o reconhecimento oficial, mas também destacaram que a titulação, por si só, não assegura sustentabilidade para aqueles que vivem deste bem. A pesquisa, portanto, investiga as dinâmicas e contradições internas desse ecossistema, atentando-se às disputas por visibilidade e aos sujeitos historicamente marginalizados no processo. Através da observação participante em eventos públicos que incorporam o Brega em sua programação, foram analisadas a crescente inserção do Movimento em festivais abertos ao público, financiados ou não pelo poder institucional, os perfis dos frequentadores, os territórios ocupados e as mensagens transmitidas tanto nos palcos quanto fora deles. Constatou-se que, após a patrimonialização municipal, o Movimento Brega alcançou um novo patamar de reconhecimento: surgiram festivais dedicados ao Brega, o Movimento passou a integrar um lugar específico na programação do carnaval recifense e o debate sobre sua relevância cultural ganhou projeção nacional, gerando a aprovação do Dia Nacional do Brega, a ser comemorado no dia 14 de fevereiro. Entretanto, apesar de ser em alguma medida uma vitória das periferias frente a processos históricos de negligência e subalternização, o Movimento Brega ainda carece de políticas públicas eficazes e de investimentos estruturais que garantam sua continuidade e valorização, além de uma vida digna aos seus fazedores.
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JAMILLE MARIA CARVALHO BARROS
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Construir “brechas” e caminhos: experiencias sociais e negritude entre pessoas educadoras negras do Museu do Homem do Nordeste, Recife - PE
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Orientador : HUGO MENEZES NETO
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MEMBROS DA BANCA :
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ANA CLAUDIA RODRIGUES DA SILVA
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GLEYCE KELLY MACIEL HEITOR
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HUGO MENEZES NETO
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Data: 22/07/2025
Ata de defesa assinada:
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Este trabalho, desenvolvido em interlocução com pessoas negras que atuam ou já atuaram como educadoras do Museu do Homem do Nordeste - Muhne, visa uma análise a respeito das experiências sociais e negritude. Partimos da compreensão deste museu como dispositivo que colabora com a legitimação do pensamento social e museológico de Gilberto Freyre e do trabalho desenvolvido pelas e pelos interlocutores da pesquisa como movimento de negociação entre o que está exposto no museu e as ausências que consideram necessário evidenciar, a partir das narrativas que constroem. Em contraponto à concepção freyreana sobre as relações raciais no Brasil, nos anos de trabalho e pesquisa no Muhne, foram observadas práticas que visavam ampliar e revisar os discursos em torno dessas relações, bem como a abordagem sobre demais marcadores sociais da diferença - atrelados a eixos como cultura popular, saberes originários, processos identitários e afins. O Muhne é aqui analisado, portanto, a partir de uma dinâmica relacional com as e os agentes que o mobilizam, ativam e reinventam, através do trabalho de educação. A negritude constitui um elemento importante da análise, a pesquisa ampara-se nesse conceito desde seu sentido mais geral, o de qualidade ou condição de ser negro - posição social associada a características determinantes, fenotípicas, de uma racialidade negra -, até o vasto panorama no qual o termo se inscreve em torno de movimentos políticos de valorização da experiência de ser negro e confronto à colonialidade. As relações observadas provocaram o questionamento: O que as oralituras negras construídas durante a mediação artístico cultural evidenciam sobre a prática educativo museal? Pondo ênfase nesta reflexão, o trabalho evidencia a mediação cultural e infere sobre os processos de autoinscrição, escrevivência, e negritude enquanto práxis cuja mediação é capaz de manifestar; através de tais apontamentos, busca elaborar sugestões para uma conceituação destas práticas plurais abarcadas pela mediação cultural. PALAVRAS - CHAVE: Educadores Negro
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Este trabalho, desenvolvido em interlocução com pessoas negras que atuam ou já atuaram como educadoras do Museu do Homem do Nordeste - Muhne, visa uma análise a respeito das experiências sociais e negritude. Partimos da compreensão deste museu como dispositivo que colabora com a legitimação do pensamento social e museológico de Gilberto Freyre e do trabalho desenvolvido pelas e pelos interlocutores da pesquisa como movimento de negociação entre o que está exposto no museu e as ausências que consideram necessário evidenciar, a partir das narrativas que constroem. Em contraponto à concepção freyreana sobre as relações raciais no Brasil, nos anos de trabalho e pesquisa no Muhne, foram observadas práticas que visavam ampliar e revisar os discursos em torno dessas relações, bem como a abordagem sobre demais marcadores sociais da diferença - atrelados a eixos como cultura popular, saberes originários, processos identitários e afins. O Muhne é aqui analisado, portanto, a partir de uma dinâmica relacional com as e os agentes que o mobilizam, ativam e reinventam, através do trabalho de educação. A negritude constitui um elemento importante da análise, a pesquisa ampara-se nesse conceito desde seu sentido mais geral, o de qualidade ou condição de ser negro - posição social associada a características determinantes, fenotípicas, de uma racialidade negra -, até o vasto panorama no qual o termo se inscreve em torno de movimentos políticos de valorização da experiência de ser negro e confronto à colonialidade. As relações observadas provocaram o questionamento: O que as oralituras negras construídas durante a mediação artístico cultural evidenciam sobre a prática educativo museal? Pondo ênfase nesta reflexão, o trabalho evidencia a mediação cultural e infere sobre os processos de autoinscrição, escrevivência, e negritude enquanto práxis cuja mediação é capaz de manifestar; através de tais apontamentos, busca elaborar sugestões para uma conceituação destas práticas plurais abarcadas pela mediação cultural. PALAVRAS - CHAVE: Educadores Negro
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ANA GABRIELA REIS DA SILVA
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Agroecologia e saberes locais: estrategias de conservacao de sementes crioulas no Polo da Borborema, Paraiba
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Orientador : PETER SCHRODER
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MEMBROS DA BANCA :
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PETER SCHRODER
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RUSSELL PARRY SCOTT
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PAULA MANUELLA SILVA DE SANTANA
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Data: 23/07/2025
Ata de defesa assinada:
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Esta dissertação investiga os saberes locais das famílias agricultoras do Polo da Borborema, no estado da Paraíba, e sua contribuição para a preservação de sementes crioulas, destacando a agroecologia como eixo central de práticas, resistência e identidade cultural. Com o objetivo de compreender como esses saberes sustentam a conservação das sementes e a resiliência dos sistemas agrícolas, a pesquisa adota uma abordagem etnográfica, utilizando observação participante e entrevistas em profundidade nos municípios paraibanos de Areial, Queimadas, Remígio e Esperança. Os resultados revelam que os saberes locais, enraizados na memória biocultural, integram técnicas de seleção e armazenamento de sementes, como feijão gogotuba e milho, adaptadas ao semiárido. A auto-organização em bancos comunitários e eventos como a 16ª Marcha pela Vida das Mulheres, em 2025, fortalece a conservação coletiva, enquanto a campanha “Não Planto Transgênicos Para Não Apagar Minha História” reflete a resistência à transgenia e à Revolução Verde, que ameaçam a agrobiodiversidade e a soberania alimentar. As sementes da paixão, como milho e feijão, transcendem a função agrícola, simbolizando identidade e luta contra a homogeneização. O papel estruturante da agroecologia, articulando biodiversidade, coletividade e mobilização política foi um achado inesperado. A pesquisa sugere que a agroecologia no Polo da Borborema é um modelo de sustentabilidade, mas enfrenta desafios como a continuidade geracional e a necessidade de políticas públicas. Futuros estudos devem explorar a integração com políticas como o Programa de Aquisição de Alimentos Sementes e a participação da juventude para consolidar essas práticas.
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This master thesis examines the local knowledge of farming families in the Polo da Borborema, Paraiba, Brazil, and its role in preserving creole seeds, emphasizing agroecology as a central axis of practices, resistance, and cultural identity. Aiming to understand how such knowledge supports seed conservation and the resilience of agricultural systems, the study employs an ethnographic approach, utilizing participant observation and in-depth interviews in the municipalities of Areial, Queimadas, Remigio, and Esperanca. The findings reveal that local knowledge, rooted in biocultural memory, integrates seed selection and storage techniques, such as for gogotuba beans and maize, adapted to the semi-arid environment. Collective organization through community seed banks and events like the 16th March for Women’s Lives and Agroecology in 2025 strengthens collective conservation efforts, while the campaign “I Don’t Plant Transgenics to Preserve My History” reflects resistance to transgenics and the Green Revolution, which threaten agrobiodiversity and food sovereignty. The “seeds of passion,” such as maize and beans, transcend their agricultural function, symbolizing identity and resistance against homogenization. An unanticipated finding was the structuring role of agroecology, integrating biodiversity, collectivity, and political mobilization. The research suggests that agroecology in the Polo da Borborema serves as a model of sustainability but faces challenges such as generational continuity and the need for public policies. Future studies should explore integration with initiatives like the Seed Acquisition Program and youth engagement to consolidate these practices.
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JULLIA ALVES DE ALMEIDA
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OS CONTRIBUTOS EPISTEMOLOGICOS DE BELL HOOKS A ANTROPOLOGIA: UMA TRILOGIA COM ZORA NEALE HURSTON E LELIA GONZALEZ
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Orientador : FABIANA MAIZZA
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MEMBROS DA BANCA :
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ANA CLAUDIA RODRIGUES DA SILVA
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FABIANA MAIZZA
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GILSON JOSE RODRIGUES JUNIOR
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Data: 23/07/2025
Ata de defesa assinada:
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Esta dissertação propõe à construção de uma antropologia feminista-negra, tendo como fio condutor o pensamento de bell hooks. A pesquisa investiga o impacto de sua obra na crítica aos pressupostos tradicionais da Antropologia, além de promover um exercício teórico que atravessa diversas subáreas, como a antropologia do gênero, visual, da performance, do corpo, da educação, da moda e negra. Além disso, estabelece um diálogo entre as contribuições das antropólogas negras Lélia Gonzalez e Zora Hurston, cujas produções foram historicamente silenciadas nos currículos acadêmicos antropológicos. Através da composição de uma trilogia negra — entre hooks, Gonzalez e Hurston —, o trabalho articula experiências comuns e epistemologias insurgentes, mediante a interseção entre raça, gênero e classe em ênfase. A análise se organiza em quatro eixos principais: (1) o potencial crítico transformador das teorias de bell hooks para a antropologia; (2) a construção metodológica de uma abordagem feminista-negra; e (3) a disseminação e valorização de epistemologias produzidas por intelectuais negras, provocando uma crítica contundente ao racismo epistêmico que atravessa a hegemonia do saber antropológico (4) a formulação de uma trilogia intelectual enquanto eixo estruturante da pesquisa. Em suma, esta pesquisa defende a reformulação dos currículos antropológicos, promovendo uma ciência comprometida com a reintegração de vozes silenciadas no campo acadêmico.
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Esta dissertação propõe à construção de uma antropologia feminista-negra, tendo como fio condutor o pensamento de bell hooks. A pesquisa investiga o impacto de sua obra na crítica aos pressupostos tradicionais da Antropologia, além de promover um exercício teórico que atravessa diversas subáreas, como a antropologia do gênero, visual, da performance, do corpo, da educação, da moda e negra. Além disso, estabelece um diálogo entre as contribuições das antropólogas negras Lélia Gonzalez e Zora Hurston, cujas produções foram historicamente silenciadas nos currículos acadêmicos antropológicos. Através da composição de uma trilogia negra — entre hooks, Gonzalez e Hurston —, o trabalho articula experiências comuns e epistemologias insurgentes, mediante a interseção entre raça, gênero e classe em ênfase. A análise se organiza em quatro eixos principais: (1) o potencial crítico transformador das teorias de bell hooks para a antropologia; (2) a construção metodológica de uma abordagem feminista-negra; e (3) a disseminação e valorização de epistemologias produzidas por intelectuais negras, provocando uma crítica contundente ao racismo epistêmico que atravessa a hegemonia do saber antropológico (4) a formulação de uma trilogia intelectual enquanto eixo estruturante da pesquisa. Em suma, esta pesquisa defende a reformulação dos currículos antropológicos, promovendo uma ciência comprometida com a reintegração de vozes silenciadas no campo acadêmico.
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GUILHERME CORDEIRO DE ARRUDA FALCAO
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O bagulho e doido: a producao da violencia na Torcida Jovem do Sport
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Orientador : LAURE MARIE LOUISE CLEMENCE GARRABE
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MEMBROS DA BANCA :
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LAURE MARIE LOUISE CLEMENCE GARRABE
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ALEX GIULIANO VAILATI
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MARIANE PISANI
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Data: 25/08/2025
Ata de defesa assinada:
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Este trabalho propõe uma etnografia afetiva e imagética da Torcida Jovem do Sport com foco em
compreender como imagem e ação se cruzam na dramatização e performance da violência.
Empreendi observação participante, construindo uma abordagem metodológica em que a imagem
opera como método — registros visuais e sonoros, diários de bordo, fotos, vídeos e postagens em
redes sociais funcionam como fontes que convocam e ativam afetos e narrativas de pertencimento e
confronto. O estudo centra-se no momento em que “o bagulho fica doido”, isto é, quando símbolos
e imagens deixam de meramente representar a violência e passam a encená-la, mobilizando corpos,
instituições e emoções. Para descrever esse processo, articulei reflexões de autores que abordam
performance, violência, corporeidade e imagem — como Turner, Latour, Wagner, Gell e Caldeira
— e construí diálogos com a filosofia de Rancière, as reflexões sobre moralidade punitiva de Fassin
e os debates sobre negritude de Sueli Carneiro. O estudo demonstra que as imagens da torcida são
dispositivos que convocam sentidos, gerando coesão simbólica e conflito — e que o “bagulho
doido” pode ser entendido como um procedimento teórico-metodológico que ajuda a revelar como a
cultura torcedora produz sentido através da violência representada e vivida.
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Este trabalho propõe uma etnografia afetiva e imagética da Torcida Jovem do Sport com foco em
compreender como imagem e ação se cruzam na dramatização e performance da violência.
Empreendi observação participante, construindo uma abordagem metodológica em que a imagem
opera como método — registros visuais e sonoros, diários de bordo, fotos, vídeos e postagens em
redes sociais funcionam como fontes que convocam e ativam afetos e narrativas de pertencimento e
confronto. O estudo centra-se no momento em que “o bagulho fica doido”, isto é, quando símbolos
e imagens deixam de meramente representar a violência e passam a encená-la, mobilizando corpos,
instituições e emoções. Para descrever esse processo, articulei reflexões de autores que abordam
performance, violência, corporeidade e imagem — como Turner, Latour, Wagner, Gell e Caldeira
— e construí diálogos com a filosofia de Rancière, as reflexões sobre moralidade punitiva de Fassin
e os debates sobre negritude de Sueli Carneiro. O estudo demonstra que as imagens da torcida são
dispositivos que convocam sentidos, gerando coesão simbólica e conflito — e que o “bagulho
doido” pode ser entendido como um procedimento teórico-metodológico que ajuda a revelar como a
cultura torcedora produz sentido através da violência representada e vivida.
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RAYANA CAVALCANTI DE SANTANA
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ENCUENTROS ETNOGRAFICOS: por uma antropologia do ballet feito em Cuba
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Orientador : MARIA ACSELRAD
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MEMBROS DA BANCA :
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DANIELA BOTERO MARULANDA
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LAURE MARIE LOUISE CLEMENCE GARRABE
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MARIA ACSELRAD
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Data: 09/09/2025
Ata de defesa assinada:
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Mais do que lançar um olhar para o ballet, tematizando-o através do diálogo com pesquisas de variados campos de conhecimento, fazê-lo sob uma perspectiva antropológica implica compreendê-lo como tradição e observá-lo por meio de suas dinâmicas culturais inscritas nos corpos e nos movimentos. O ballet é apropriado e ganha outros sentidos em Cuba, se comparado a sua herança eurocêntrica e elitista. Nesta pesquisa, abordado em perspectiva decolonial, o ballet proporciona reflexões sobre a reinvenção da técnica, sobre a construção dos corpos que dançam na interação com outras danças e experiências, e sobre a democratização do acesso, em termos de ensino e apreciação. Inspirado no nome que leva o evento pedagógico etnografado, o Encuentro Internacional de Academias para La Enseñanza del Ballet, o trabalho se dedica a discutir encuentros etnográficos, articulando observações de campo e reflexão teórica, a fim de refletir sobre o que foi encontrado e o que se encontrou ao longo dessa experiência, que busca contribuir com uma antropologia do ballet em Cuba refletindo sobre a importância de "estar lá", e mais ainda, de "dançar lá", para o processo de pesquisa.
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Mais do que lançar um olhar para o ballet, tematizando-o através do diálogo com pesquisas de variados campos de conhecimento, fazê-lo sob uma perspectiva antropológica implica compreendê-lo como tradição e observá-lo por meio de suas dinâmicas culturais inscritas nos corpos e nos movimentos. O ballet é apropriado e ganha outros sentidos em Cuba, se comparado a sua herança eurocêntrica e elitista. Nesta pesquisa, abordado em perspectiva decolonial, o ballet proporciona reflexões sobre a reinvenção da técnica, sobre a construção dos corpos que dançam na interação com outras danças e experiências, e sobre a democratização do acesso, em termos de ensino e apreciação. Inspirado no nome que leva o evento pedagógico etnografado, o Encuentro Internacional de Academias para La Enseñanza del Ballet, o trabalho se dedica a discutir encuentros etnográficos, articulando observações de campo e reflexão teórica, a fim de refletir sobre o que foi encontrado e o que se encontrou ao longo dessa experiência, que busca contribuir com uma antropologia do ballet em Cuba refletindo sobre a importância de "estar lá", e mais ainda, de "dançar lá", para o processo de pesquisa.
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TALES QUEIROZ LIMA DE ARAÚJO
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“ARTE E RELIGIAO”: Um estudo comparado das expressoes musicais e cenicas em tres igrejas evangelicas da Regiao Metropolitana do Recife
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Orientador : MISIA LINS VIEIRA REESINK
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MEMBROS DA BANCA :
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JÚLIA VILAÇA GOYATÁ
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LAURE MARIE LOUISE CLEMENCE GARRABE
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MISIA LINS VIEIRA REESINK
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Data: 19/09/2025
Ata de defesa assinada:
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Como os evangélicos definem a fronteira entre fazer artístico e prática religiosa? A partir do estudo comparado de três igrejas evangélicas na Região Metropolitana do Recife, eu argumento que os grupos artístico-religiosos inseridos dentro das congregações atuam de maneira fundamental para definir como uma igreja evangélica adota uma dinâmica específica entre arte e religião. Para tanto, selecionei grupos que atuam na música e na dança dessas três congregações e analisei como a atuação varia de acordo com o tipo de igreja e liderança. A partir da análise abdutiva, eu desenvolvi um modelo tripartite de igreja evangélica na qual as igrejas podem ser localizadas, cosmopolitas ou tradicionais, e uma tipologia dos padrões de interação AeR. Como resultado, descobri que evangélicos ao invés de serem avessos à arte, a transformam para suas atividades religiosas e, por isso, elaboram estratégias de demarcação entre Igreja e Mundo para que possam coabitar ambas esferas artística e religiosa.
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Como os evangélicos definem a fronteira entre fazer artístico e prática religiosa? A partir do estudo comparado de três igrejas evangélicas na Região Metropolitana do Recife, eu argumento que os grupos artístico-religiosos inseridos dentro das congregações atuam de maneira fundamental para definir como uma igreja evangélica adota uma dinâmica específica entre arte e religião. Para tanto, selecionei grupos que atuam na música e na dança dessas três congregações e analisei como a atuação varia de acordo com o tipo de igreja e liderança. A partir da análise abdutiva, eu desenvolvi um modelo tripartite de igreja evangélica na qual as igrejas podem ser localizadas, cosmopolitas ou tradicionais, e uma tipologia dos padrões de interação AeR. Como resultado, descobri que evangélicos ao invés de serem avessos à arte, a transformam para suas atividades religiosas e, por isso, elaboram estratégias de demarcação entre Igreja e Mundo para que possam coabitar ambas esferas artística e religiosa.
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CARLOS SERGIO MENDES DA SILVA
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Quando a morte não é o fim: transitando por entre o mundo dos vivos e o mundo dos mortos
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Orientador : MISIA LINS VIEIRA REESINK
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MEMBROS DA BANCA :
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MISIA LINS VIEIRA REESINK
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ANTONIO CARLOS MOTA DE LIMA
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ROSA MARIA DE AQUINO
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Data: 24/09/2025
Ata de defesa assinada:
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Esta dissertação é resultado de pesquisa etnográfica realizada no Centro Espírita – União Espírita Caminho da Luz (Uniluz), na cidade do Recife, tomando como ponto de partida o conceito central na doutrina espírita de que a morte é apenas uma passagem do mundo material para o mundo espiritual, onde busquei demonstrar como o corpo doutrinário ancorado nos escritos deixados por Allan Kardec, os rituais vividos e as relações estabelecidas na prática cotidiana dos espíritas, se interseccionam entre si e com o fiel seguidor, de modo a construir mais que um estatuto dogmático de crença, mas um sujeito espírita que se localiza no mundo a partir desta cosmovisão de que a morte não é o fim. Proponho uma análise que ultrapasse os pressupostos dogmáticos da cosmologia espírita, como desencarnação e reencarnação, primazia do Espírito sobre a matéria, comunicação com os mortos e fenômenos mediúnicos, mas observar como estes elementos perpassam o discurso, as práticas, as motivações e emoções dos sujeitos que buscam a Casa Espírita, de modo que se constrói um ser ontológico que não somente abraça uma crença, mas transforma seus modos de estar no mundo convicto de que “a morte não é o fim”.
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Esta dissertação é resultado de pesquisa etnográfica realizada no Centro Espírita – União Espírita Caminho da Luz (Uniluz), na cidade do Recife, tomando como ponto de partida o conceito central na doutrina espírita de que a morte é apenas uma passagem do mundo material para o mundo espiritual, onde busquei demonstrar como o corpo doutrinário ancorado nos escritos deixados por Allan Kardec, os rituais vividos e as relações estabelecidas na prática cotidiana dos espíritas, se interseccionam entre si e com o fiel seguidor, de modo a construir mais que um estatuto dogmático de crença, mas um sujeito espírita que se localiza no mundo a partir desta cosmovisão de que a morte não é o fim. Proponho uma análise que ultrapasse os pressupostos dogmáticos da cosmologia espírita, como desencarnação e reencarnação, primazia do Espírito sobre a matéria, comunicação com os mortos e fenômenos mediúnicos, mas observar como estes elementos perpassam o discurso, as práticas, as motivações e emoções dos sujeitos que buscam a Casa Espírita, de modo que se constrói um ser ontológico que não somente abraça uma crença, mas transforma seus modos de estar no mundo convicto de que “a morte não é o fim”.
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JOAQUIM GONCALVES VILARINHO NETO
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VEGANISMO POPULAR, ANTIESPECISMO E ECOLOGIA: A PERSPECTIVA HUMANA-ANIMAL-AMBIENTE DA ANTAR – PODER POPULAR ANTIESPECISTA
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Orientador : HUGO MENEZES NETO
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MEMBROS DA BANCA :
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HUGO MENEZES NETO
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PEDRO CASTELO BRANCO SILVEIRA
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ANA PAULA PERROTA
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DIEGO BRENO LEAL VILELA
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Data: 14/11/2025
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Esta dissertação investiga o veganismo como um movimento social e político que ultrapassa os limites de uma simples escolha alimentar, propondo uma transformação nas formas de relação entre humanos e outros animais. Partindo do conceito de especismo, formulado por Richard Ryder na década de 1970, compreende-se que a luta antiespecista se fundamenta na crítica às hierarquias morais que sustentam a “exploração animal” e na defesa da senciência como critério ético central. Entretanto, o trabalho evidencia que o veganismo contemporâneo não constitui um campo homogêneo: diferentes vertentes, como um veganismo mercadológico, o veganismo abolicionista e o popular, divergem quanto às estratégias, valores e finalidades do movimento. A pesquisa tem como foco etnográfico o coletivo ANTAR – Poder Popular Antiespecista, um grupo fundado em 2019 que propõe um veganismo popular, articulando antiespecismo, ecologismo e lutas sociais. Por meio de observação participante, análise de reuniões, eventos e publicações em redes sociais, investigo como a ANTAR constrói um projeto político que busca integrar as lutas humanas, animais e ambientais, defendendo uma libertação conjunta e interdependente. O coletivo se diferencia de outras correntes ao propor uma militância de base, crítica ao neoliberalismo e ao veganismo de mercado, aproximando-se das pautas feministas, antirracistas, trabalhistas e decoloniais e contraculturais. Metodologicamente, a pesquisa se desenvolve a partir de uma inserção participante, atravessada por experiências de pertencimento e conflito, incluindo o episódio de expulsão do pesquisador do coletivo, o que permitiu refletir sobre as dinâmicas de vigilância, coerência e tensões internas do grupo. Proponho o conceito de libertação interacional para pensar as conexões entre libertação humana, animal e ambiental. Ao final, argumenta-se que o veganismo popular, conforme formulado pela ANTAR, constitui uma tentativa de refundar o veganismo como projeto político de transformação social, ampliando suas fronteiras éticas e epistemológicas, destacando-se sua aproximação aos povos indígenas e a defesa de um “veganismo feijão arroz” que se articula a partir da alimentação e produção local. Mais do que um estilo de vida ou prática de consumo, o veganismo aparece aqui como uma práxis anticapitalista, anticolonial e ecológica radical, orientada por uma ética de solidariedade entre espécies e pela busca de novas formas de coexistência.
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Esta dissertação investiga o veganismo como um movimento social e político que ultrapassa os limites de uma simples escolha alimentar, propondo uma transformação nas formas de relação entre humanos e outros animais. Partindo do conceito de especismo, formulado por Richard Ryder na década de 1970, compreende-se que a luta antiespecista se fundamenta na crítica às hierarquias morais que sustentam a “exploração animal” e na defesa da senciência como critério ético central. Entretanto, o trabalho evidencia que o veganismo contemporâneo não constitui um campo homogêneo: diferentes vertentes, como um veganismo mercadológico, o veganismo abolicionista e o popular, divergem quanto às estratégias, valores e finalidades do movimento. A pesquisa tem como foco etnográfico o coletivo ANTAR – Poder Popular Antiespecista, um grupo fundado em 2019 que propõe um veganismo popular, articulando antiespecismo, ecologismo e lutas sociais. Por meio de observação participante, análise de reuniões, eventos e publicações em redes sociais, investigo como a ANTAR constrói um projeto político que busca integrar as lutas humanas, animais e ambientais, defendendo uma libertação conjunta e interdependente. O coletivo se diferencia de outras correntes ao propor uma militância de base, crítica ao neoliberalismo e ao veganismo de mercado, aproximando-se das pautas feministas, antirracistas, trabalhistas e decoloniais e contraculturais. Metodologicamente, a pesquisa se desenvolve a partir de uma inserção participante, atravessada por experiências de pertencimento e conflito, incluindo o episódio de expulsão do pesquisador do coletivo, o que permitiu refletir sobre as dinâmicas de vigilância, coerência e tensões internas do grupo. Proponho o conceito de libertação interacional para pensar as conexões entre libertação humana, animal e ambiental. Ao final, argumenta-se que o veganismo popular, conforme formulado pela ANTAR, constitui uma tentativa de refundar o veganismo como projeto político de transformação social, ampliando suas fronteiras éticas e epistemológicas, destacando-se sua aproximação aos povos indígenas e a defesa de um “veganismo feijão arroz” que se articula a partir da alimentação e produção local. Mais do que um estilo de vida ou prática de consumo, o veganismo aparece aqui como uma práxis anticapitalista, anticolonial e ecológica radical, orientada por uma ética de solidariedade entre espécies e pela busca de novas formas de coexistência.
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Teses |
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ILANA MAGALHÃES BARROSO
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LICENCIAMENTO AMBIENTAL DE PROJETOS DE EMPREENDIMENTOS: Desafios, Resistências e Mediações no Contexto do Sertão de Itaparica, em Pernambuco
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Orientador : VÂNIA FIALHO
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MEMBROS DA BANCA :
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ANDRÉA MARIA NARCISO ROCHA DE PAULA
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CARMEN LUCIA SILVA LIMA
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PETER SCHRODER
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RUSSELL PARRY SCOTT
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VÂNIA FIALHO
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Data: 11/03/2025
Ata de defesa assinada:
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Esta tese tem como objetivo problematizar o campo do licenciamento ambiental de grandes empreendimentos no Sertão de Itaparica, no estado de Pernambuco. A pesquisa analisa o contexto social, político e econômico em que se intensificam os conflitos entre o Estado, os empreendedores e as populações tradicionais da região. A Região de Desenvolvimento de Itaparica, desde a década de 1970, abriga projetos energéticos que configuram para a antropologia o que é denominado como “campo social da decadência” (SILVA; FIALHO, 2020). O estudo foca no itinerário dos processos de licenciamento ambiental na região, com ênfase em dois grandes empreendimentos que estão em andamento há vários anos. Um deles é tratado com o nome fictício de Fortis Minerals, um projeto de mineração de rutilo, escolhido para preservar a identidade do processo, e o outro é o famoso caso da Central Nuclear do Nordeste, de responsabilidade da Eletronuclear/Eletrobras. Ambos os projetos envolvem complexidades que exigem um olhar sensível e atento, especialmente no que diz respeito à atuação de especialistas da área da antropologia. No caso do projeto da central nuclear, antropólogos desempenham um papel ativo em mobilizações, reuniões, audiências públicas e outras atividades que visam barrar a implementação do projeto no Nordeste. Já no processo de licenciamento do empreendimento minerário, antropólogos são responsáveis pela elaboração do estudo do componente indígena, conforme a Instrução Normativa nº 02/2015 da FUNAI. A análise concentra-se em como esses projetos afetam diretamente as populações tradicionais que habitam o Sertão de Itaparica, revelando a complexidade das interações entre essas comunidades e os empreendimentos. Embora um dos processos ainda não possa ser totalmente aprofundado devido a questões legais, o trabalho utiliza métodos de investigação e análise de dados, como observação participante, entrevistas, registros audiovisuais, dados de mídias sociais, audiências públicas, informações oficiais dos processos, além de cartografias e mapas fornecidos por agências estaduais de Pernambuco. A pesquisa destaca ainda que a temática dos conflitos entre grandes projetos e as comunidades tradicionais é um campo complexo e delicado, frequentemente envolvendo questões difíceis de serem plenamente apreendidas. Portanto, esta tese busca evidenciar os desdobramentos desses processos, com a intenção de gerar dados que contribuam para o entendimento das dinâmicas sociais e ambientais envolvidas. O trabalho aborda, prioritariamente, temas como conflitos socioambientais, impactos socioambientais, etnicidade, antropologia política, desenvolvimento, poder, Estado, consulta prévia e a participação das comunidades afetadas. A relevância antropológica desta tese reside na análise do enfrentamento político, social e econômico das comunidades e povos tradicionais da região do Sertão de Itaparica, que vêm sofrendo com os impactos socioambientais e as consequências dos grandes empreendimentos energéticos e minerários implantados na região.
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Esta tese tem como objetivo problematizar o campo do licenciamento ambiental de grandes empreendimentos no Sertão de Itaparica, no estado de Pernambuco. A pesquisa analisa o contexto social, político e econômico em que se intensificam os conflitos entre o Estado, os empreendedores e as populações tradicionais da região. A Região de Desenvolvimento do Sertão de Itaparica, desde a década de 1970, abriga projetos energéticos que configuram para a antropologia o que é denominado de “campo social da decadência” (SILVA; FIALHO, 2020). O estudo foca no itinerário dos processos de licenciamento ambiental focados nas questões envolvendo o processo de Regionalização do Estado de Pernambuco e suas vocações econômicas, onde dedico atenção a dois grandes empreendimentos que estão em andamento há vários anos, os quais são tratados com nomes fictícios por conta de sua magnitude: "Uma Tragédia Anunciada" e "Processo Sem Fim". A análise concentra-se em como esses projetos afetam diretamente as populações tradicionais que habitam o Sertão de Itaparica, revelando a complexidade das interações entre essas comunidades e os empreendimentos e os silêncios de informações no decorrer dos processos de licenciamento e consultas aos povos afetados. Embora um dos processos ainda não possa ser totalmente aprofundado devido a questões legais, o trabalho utiliza uma diversidade de métodos de investigação e análise de dados, como: observação participante, entrevistas, registros audiovisuais, dados de mídias sociais, audiências públicas, informações oficiais dos processos, além de cartografias e mapas fornecidos por agências estaduais de Pernambuco. Na cena participativa desses processos administrativos ocupo o lugar de “observação posicionada” e “observação profissionalizada” (BRONZ, 2016) para analisar enquanto pesquisadora os agentes e ações dos processos de licenciamento ambiental em estudo. A investigação tem como foco a análise de um processo de licenciamento ambiental em andamento, este sendo uma extração mineral, e um projeto de licenciamento nuclear, que administrativamente ainda não é caracterizado como um processo de licenciamento, mas uma prospecção ou projeto de construção em uma região marcada por intensos deslocamentos compulsórios e outros impactos socioambientais gerados pela expansão de empreendimentos energéticos e minerais. A pesquisa destaca, ainda, que a temática dos conflitos entre grandes projetos e as comunidades tradicionais é um campo complexo e delicado, frequentemente envolvendo questões de difícil apreensão. O objetivo principal desta tese é evidenciar os desdobramentos desses processos, com a intenção de gerar dados que contribuam para o entendimento das dinâmicas sociais e ambientais envolvidas. O trabalho aborda, prioritariamente, temas como: conflitos socioambientais, impactos ambientais, etnicidade, antropologia política, desenvolvimento, poder, Estado, neodesenvolvimento, consulta prévia e a participação das comunidades afetadas. A relevância antropológica deste projeto reside na análise do enfrentamento político, social e econômico das comunidades indígenas da região do Sertão de Itaparica, que vêm sofrendo com os impactos e as consequências dos grandes empreendimentos energéticos e minerários implantados na região.
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JEIZA DAS CHAGAS SARAIVA
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FAMÍLIAS RURAIS NA NEGOCIAÇÃO DAS TERRAS PARA COMPLEXOS EÓLICOS NO AGRESTE
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Orientador : VÂNIA FIALHO
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MEMBROS DA BANCA :
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ALFREDO WAGNER BERNO DE ALMEIDA
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PEDRO CASTELO BRANCO SILVEIRA
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RITA DE CASSIA MARIA NEVES
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RUSSELL PARRY SCOTT
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VÂNIA FIALHO
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Data: 14/03/2025
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Esta tese estuda os processos de negociação das terras entre famílias rurais e empresas eólicas para a implantação de Complexos Eólicos no Agreste pernambucano. A negociação se configura como um dos principais instrumentos para que Complexos Eólicos e Linhas de Transmissão se instalem nas localidades, sendo o meio pelo qual as empresas se apropriam das terras sem sua efetiva compra. Os donos de muitas dessas terras são famílias rurais. A negociação ocasiona em arrendamentos e indenizações que geram efeitos sociais para as famílias locais. Como se desenvolveu esse processo pela perspectiva das famílias rurais? A pesquisa foi realizada com famílias rurais que arrendaram suas terras para aerogeradores ou foram indenizadas para as Linhas de Transmissão, bem como, com as famílias vizinhas das terras arrendadas para o Complexo Eólico Ventos de São Clemente. As incursões ao campo se deram entre os meses de março e julho de 2022, sendo realizadas 17 entrevistas e aplicados 12 questionários sobre a percepção dos danos, acesso a documentos, observações e registros audiovisuais. Observou-se que a negociação ocorre em desigualdade de poder, com a empresa apresentando estratégias e vantagens em relação às famílias. Isso incluiu persuasão e controle de todo o processo pela empresa. Logo, destaca-se que não houve propriamente uma negociação, e sim, o que definimos como convencimento coercitivo para aceitação do acordo. O convencimento coercitivo se caracteriza pelas estratégias adotadas na negociação que passam pela contratação de agentes locais, controle das informações e do tempo. Pelo convencimento coercitivo as famílias são convencidas a “doarem” partes de suas terras, mesmo que de forma inconsciente, em troca do pagamento da renda do aerogerador por contratos que duram em média 40 anos. A negociação ocorre num notável desequilíbrio de poder e se traduz no controle das terras das famílias pelas empresas. No caso das indenizações para instalação das Linhas de Transmissão, com apoio jurídico e do Estado, o convencimento coercitivo se torna impositivo, dominativo e mais violento. Se torna impositivo pela Declaração de Utilidade Pública que garante que o empreendimento será instalado de qualquer forma, e se torna dominativo e violento por não oferecer opções para as famílias, impondo a aceitação do projeto. A negociação criou uma diversidade de situações e resultou em efeitos sociais para todas as famílias. Por um lado, tem famílias que destacam o caráter positivo, mas, para a grande maioria entrevistada, o cotidiano está perturbado por aspectos como: limitação e controle da terra pela empresa, perda da autonomia sob a terra, saída compulsória ou abandono das terras, convivência com o barulho da “zuada” das turbinas, adoecimento psicológico, baixas indenizações, diminuição da produção animal. Os danos identificados têm na negociação o seu processo de legitimação, iniciando os efeitos sociais vivenciados pelas famílias rurais do Agreste pernambucano. Para aprimorar os processos de negociação, com base nos resultados, sugerimos contribuições para a problematização da relação para os 3 agentes: Estado, Empresas e Famílias Rurais, de forma a torná-lo mais inclusivo, justo e equilibrado, e que considere os interesses e as necessidades das famílias rurais envolvidas.
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Esta tese estuda os processos de negociação das terras entre famílias rurais e empresas eólicas para a implantação de Complexos Eólicos no Agreste pernambucano. A negociação se configura como um dos principais instrumentos para que Complexos Eólicos e Linhas de Transmissão sejam instalados. É o meio pelo qual empreendimentos eólicos se apropriam das terras sem que haja sua efetiva compra. Os donos de muitas dessas terras são famílias rurais. A negociação ocasiona em arrendamentos e indenizações que geram efeitos sociais para as famílias locais. Como se desenvolveu o processo pela perspectiva das famílias rurais? A pesquisa foi realizada com famílias rurais que arrendaram suas terras para aerogeradores ou foram indenizadas para as Linhas de Transmissão, bem como com as famílias vizinhas das terras arrendadas para o Complexo Eólico Ventos de São Clemente. As incursões a campo se deram entre os meses de março e julho de 2022, sendo realizadas 17 entrevistas entre famílias e vizinhos, 12 questionários sobre a percepção dos danos, acesso a documentos, além de conversas, observações e registros audiovisuais (fotos, vídeos e gravações). Analisando os relatos das famílias rurais observou-se que a negociação ocorre em desigualdade de poder, com a empresa apresentando estratégias e vantagens em relação às famílias. Isso incluiu persuasão e controle de todo o processo pela empresa. Logo, destaca-se que não houve propriamente uma negociação, e sim, o que definimos como convencimento coercitivo para aceitação do acordo. O convencimento coercitivo se caracteriza pelas estratégias adotadas na negociação que passam pela contratação de agentes locais, controle das informações e do tempo. Pelo convencimento coercitivo as famílias são convencidas a “doarem” partes de suas terras, mesmo que de forma inconsciente, em troca do pagamento da renda do aerogerador em contratos que duram em média 40 anos. Ao invés de acordos mutuamente satisfatórios a negociação ocorre num notável desnível de poder, não encontrando nenhum dos elementos que compõem uma negociação adequada. No caso das indenizações para instalação das Linhas de Transmissão efetivamente não houve negociação. Neste caso, com apoio jurídico e do Estado, o convencimento coercitivo se torna impositivo, dominativo e mais violento. Se torna impositivo pela Declaração de Utilidade Pública que garante que o empreendimento será instalado de qualquer forma, e se torna dominativo e violento por não oferecer opções para as famílias, impondo a aceitação do projeto. A negociação criou uma diversidade de situações e resultou em efeitos sociais para todas as famílias que habitam o local. Por um lado, tem famílias que destacam o caráter positivo, mas para a grande maioria entrevistada o cotidiano está perturbado por aspectos como: limitação e controle da terra pela empresa, perda da autonomia sob a terra, perda de parte das terras antes vistas como heranças para os filhos(as), saída compulsória ou abandono das terras, convivência com o barulho da “zuada” das turbinas, adoecimento psicológico, baixas indenizações, diminuição da produção de leite, ovos e reprodução animal. Os prejuízos identificados têm na negociação o seu processo de legitimação, garantindo o controle das terras pelas empresas e iniciando os efeitos sociais vivenciados pelas famílias rurais do Agreste pernambucano.
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ELOAH MARIA MARTINS VIEIRA
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REFLEXÕES SOBRE AS REDES DE VENEZUELANOS NA REGIÃO METROPOLITANA DO RECIFE (BRASIL)
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Orientador : ALEX GIULIANO VAILATI
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MEMBROS DA BANCA :
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ALEX GIULIANO VAILATI
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RUSSELL PARRY SCOTT
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CAMILA DA SILVA LUCENA
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MANUELA TASSAN
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SOFIA VENTUROLI
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Data: 15/04/2025
Ata de defesa assinada:
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Esta tese discute as redes acessadas por venezuelanos que estão na Região Metropolitana do Recife. O objetivo geral desta tese é entender como são construídas e operadas as redes que influenciam na chegada e permanência de venezuelanos e venezuelanas em Recife e Região Metropolitana. Para alcançar esse objetivo, foi necessário analisar quem são os venezuelanos que estão em Recife e região; identificar que redes são acessadas e construídas por essas pessoas, analisando como são formadas e quais elementos as compõem; e debater epistemológica e metodologicamente a noção de rede, problematizando-a teoricamente e a partir dos usos e compreensões que os interlocutores têm sobre o termo rede. Ao analisarmos como os próprios interlocutores utilizam o termo rede em campo, foi possível fazer aproximações com teorias sobre redes. Em campo, foi possível perceber uma forte presença de instituições nas redes de venezuelanos na região estudada, o que difere da forma como outras migrações se organizaram historicamente em Recife e Pernambuco. Entretanto, percebeu-se que a assistência institucional prestada aos venezuelanos é precária. Além disso, mediante o diálogo entre campo e teoria também ganhou destaque a presença dos conflitos nas redes, além da solidariedade e seu caráter transnacional. Dessa forma, foi possível refletir também sobre imobilidade e a grande securitização do movimento das pessoas.
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Esta tese discute as redes acessadas por venezuelanos que estão na Região Metropolitana do Recife. O objetivo geral desta tese é entender como são construídas e operadas as redes que influenciam na chegada e permanência de venezuelanos e venezuelanas em Recife e Região Metropolitana. Para alcançar este objetivo, foi necessário analisar quem são os venezuelanos que estão em Recife e região; identificar que redes são acessadas e construídas por essas pessoas, analisando como são formadas e que elementos as compõem; e debater epistemológica e metodologicamente a noção de rede, problematizando-a teoricamente e a partir dos usos e compreensões que os interlocutores têm sobre o termo rede. Em campo, foi possível perceber uma forte presença de instituições nas redes de venezuelanos na região estudada, o que difere da forma como outras migrações se organizaram historicamente em Recife e Pernambuco. Além disso, ao debatermos como que os próprios interlocutores utilizam o termo rede em campo, foi possível fazer aproximações com teorias sobre redes. Neste diálogo entre campo e teoria também ganhou destaque a presença dos conflitos nas redes, além da solidariedade e seu caráter transnacional.
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THIAGO SANTOS DA SILVA
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Frevo: Tradição em Síncope
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Orientador : ROBERTA BIVAR CARNEIRO CAMPOS
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MEMBROS DA BANCA :
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ANTONIO CARLOS MOTA DE LIMA
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CLEONARDO GIL DE BARROS MAURICIO JUNIOR
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HUGO MENEZES NETO
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RITA DE CASSIA BARBOSA DE ARAUJO
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ROBERTA BIVAR CARNEIRO CAMPOS
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SILVERIO LEAL PESSOA
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Data: 30/05/2025
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A presente tese tem por objetivo compreender como a tradição do carnaval de Olinda é concebida para seus fazedores, especificamente em relação ao Frevo. Intendo analisar como o Frevo atua como uma estrutura de sentimento que ainda que as formas de expressão se modifiquem, ao longo do tempo, há um ethos que se manifesta de igual modo neste grupo. Busco compreender a ideia de tradição associada ao gênero e à festa, bem como analisar como esta é atualizada na prática. A partir de três dimensões cruciais para a existência do gênero - a saber música/músicos, dança/passistas e agremiações/carnavalescos -, pretende-se demonstrar a partir da maneira pela qual é ensinado, executado e realizada da festa em si (cortejo/desfile) como a ideia de tradição é materializada ou não, bem como quais são as estratégias práticas e discursivas que atuam na adequação do fazer carnaval nos dias de hoje. Os discursos sobre e o fazer carnaval estão calcados em dimensões que indicam não apenas o quanto se tem enraizada a festa, mas também a relação intrincadas entre valores morais e confirmações emocionais/disposições emotivas que são acionadas e garantidas uma vez que se faz a festa “como manda o figurino”, sendo esta relação o foco de análise do presente texto.
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A presente tese tem por objetivo compreender como a tradição do carnaval de Olinda é concebida para seus fazedores, especificamente em relação ao Frevo. Intendo analisar como o Frevo atua como uma estrutura de sentimento que ainda que as formas de expressão se modifiquem, ao longo do tempo, há um ethos que se manifesta de igual modo neste grupo. Busco compreender a ideia de tradição associada ao gênero e à festa, bem como analisar como esta é atualizada na prática. A partir de três dimensões cruciais para a existência do gênero - a saber música/músicos, dança/passistas e agremiações/carnavalescos -, pretende-se demonstrar a partir da maneira pela qual é ensinado, executado e realizada da festa em si (cortejo/desfile) como a ideia de tradição é materializada ou não, bem como quais são as estratégias práticas e discursivas que atuam na adequação do fazer carnaval nos dias de hoje. Os discursos sobre e o fazer carnaval estão calcados em dimensões que indicam não apenas o quanto se tem enraizada a festa, mas também a relação intrincadas entre valores morais e confirmações emocionais/disposições emotivas que são acionadas e garantidas uma vez que se faz a festa “como manda o figurino”, sendo esta relação o foco de análise do presente texto.
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FLAVIA MARIA MARTINS VIEIRA
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Trajetórias, cenas e rotinas: profissionais de Enfermagem e o trabalho cotidiano com vacinas e vacinação
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Orientador : MARION TEODOSIO DE QUADROS
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MEMBROS DA BANCA :
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EDNALVA MACIEL NEVES
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ANA CLAUDIA RODRIGUES DA SILVA
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MARION TEODOSIO DE QUADROS
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ROBERTO CORDOVILLE EFREM DE LIMA FILHO
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ROSANA MARIA NASCIMENTO CASTRO SILVA
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RUSSELL PARRY SCOTT
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Data: 03/06/2025
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No final do ano de 2019 passamos a experienciar uma situação de adoecimento coletivo, uma pandemia. Um vírus, denominado SARS-CoV-2, passou a infectar seres humanos e provocar a doença Covid-19. A magnitude e impacto global da pandemia veio acompanhada da preocupação de cientistas ao redor do mundo, entre elas/eles, antropólogas/os. Esta tese ganhou seus contornos em meio ao cenário pandêmico. Dentre uma série de questões que poderiam mobilizar uma pesquisa em período de crise sanitária, problematizo e reflito sobre o lugar particular ocupado por profissionais de saúde, mais especificamente profissionais da Enfermagem. Considero aqui as/os enfermeiras/os e técnicas/os de enfermagem que trabalham cotidianamente na organização, planejamento e execução das ações de saúde pública voltada às vacinas e à vacinação do calendário nacional e também contra a Covid-19. De modo a considerar a posição particular e crítica vivenciada pelas profissionais da Enfermagem, esta tese tem como objetivo compreender, antropologicamente, como se conformam os usos e sentidos atribuídos por essas profissionais às vacinas e à vacinação, levando ainda em consideração as novas implicações que o contexto pandêmico trouxe para a rotina dessas/es sujeitas/os. Para subsidiar a argumentação proposta na tese, faço uma recuperação histórica sobre as vacinas e a vacinação no Brasil e sobre a Enfermagem. Faço isso explorando ainda uma discussão sobre o trabalho do cuidado e também sobre a lente descritiva e analítica da interseccionalidade. A pesquisa foi realizada através de trabalho de campo etnográfico tendo como foco as rotinas e experiências de profissionais da Enfermagem que trabalham cotidianamente com vacinas e vacinação na cidade de Recife, Pernambuco. Profissionais com atuação tanto em cargos/funções de assistência e cuidado direto à população como em cargos/funções de gestão. Mulheres negras, enfermeiras e técnicas de enfermagem se tornaram as principais interlocutoras desta pesquisa e é a partir de suas trajetórias e de cenas e rotinas observadas em campo que compreendo os usos e sentidos atribuídos às vacinas e a vacinação.
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Desde o final do ano de 2019 passamos a experienciar uma situação de adoecimento coletivo, uma pandemia. Um vírus, denominado SARS-CoV-2, passou a infectar seres humanos e provocar a doença Covid-19. A magnitude e impacto global desta pandemia veio acompanhada da preocupação de cientistas ao redor do mundo, entre eles, cientistas sociais. Ao longo do ano de 2020 e até os dias de hoje, nos beneficiamos com diversas publicações sobre o tema. Pudemos acessar análises ricas e inquietantes de diferentes estudiosos sobre as reverberações da pandemia na vida de grupos mais vulneráveis, na organização dos serviços de saúde, na (des)confiança sobre o fazer científico, nas desigualdades sociais agudizadas, no acesso a tratamentos e vacinação contra a doença, só para citar alguns temas. É justamente no fluxo desse empreendimento de cientistas sociais que esta tese ganha seus contornos. Dentre uma série de questões que poderiam mobilizar uma pesquisa nesse momento, problematizo e reflito sobre o lugar particular ocupado por profissionais de saúde, mais especificamente profissionais da enfermagem. Considero aqui as/os enfermeiras/os e técnicas/os de enfermagem que, durante a pandemia e no “pós-pandemia”, trabalharam/trabalham cotidianamente na organização, planejamento e execução das ações de saúde pública voltada às vacinas e à vacinação. De modo a considerar a posição particular e crítica vivenciada por essas profissionais de saúde na pandemia, tenho por objetivo compreender, antropologicamente, como se conformam os usos e sentidos atribuídos por elas/eles às vacinas e à vacinação, levando ainda em consideração as novas implicações que o contexto pandêmico trouxe para a rotina dessas/es sujeitas/os.
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DANIELLY AMORIM DE QUEIROZ
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DO CUIDADO AO COMANDO: a trajetoria das mulheres do samba de coco de Arcoverde
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Orientador : LADY SELMA FERREIRA ALBERNAZ
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MEMBROS DA BANCA :
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ANA CLAUDIA RODRIGUES DA SILVA
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ANDERSON VICENTE DA SILVA
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HUGO MENEZES NETO
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LADY SELMA FERREIRA ALBERNAZ
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LEONARDO LEAL ESTEVES
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Data: 10/06/2025
Ata de defesa assinada:
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O objetivo deste trabalho é compreender as mudanças na organização do samba de coco de Arcoverde, a partir de uma análise que relaciona as trajetórias das mulheres e a manutenção da manifestação. Parte-se do pressuposto que as atividades femininas são bastante significativas, no entanto, as desigualdades de gênero contribuíram para obscurecer a sua atuação e valorização. A análise concentrou-se, inicialmente, nas trajetórias de Severina Lopes (Coco das Irmãs Lopes), Iran Calixto (Coco Raízes de Arcoverde) e Maria Gomes (Coco Trupé de Arcoverde) e desdobra-se em duas partes distintas, porém interconectadas. A primeira explora a atuação destas mulheres e as diferentes formas de realização do trabalho de cuidado. Sobretudo, a influência no desenvolvimento do samba de coco arcoverdense. Subsequentemente, a análise aprofunda-se na evolução do cuidado por elas realizado, demonstrando sua importância à sobrevivência e a coesão dos grupos. Assim, a construção metodológica concentrou-se na história da manifestação na cidade, a partir de sua organização. Destacando assim, as atividades realizadas por homens e mulheres, bem como as mudanças ao longo dos anos. Associado a isto, as apresentações do Coco Trupé de Arcoverde, Coco Raízes de Arcoverde e Samba de coco das Irmãs Lopes. Devido à pandemia em 2020, parte destas observações foram reconfiguradas. De modo que, os editais de fomento cultural tornaram-se uma esfera promissora para percepção da atuação dos grupos. Do ponto de vista teórico, a análise inter-relacionou autores que investigam o trabalho de cuidado e as possibilidades de agência. Ambas a partir de uma contextualização de gênero, que seguiu as conceituações de Joan Scott e Marilyn Strather. Além de Sherry Ortner, Helena Hirata, Nadya Guimarães e Annemarie Mol. Na sua relação com a cultura popular, José Jorge de Carvalho, Luciana Chianca, Leonardo Esteves enriqueceram os desdobramentos da discussão entre poder público e organização interna das manifestações populares. Sob essa perspectiva, a intrínseca relação entre o cuidado, a agência e a atuação feminina na reconfiguração dos grupos demonstrou a relevância e a essencialidade da participação das mulheres para a dinâmica e a continuidade do samba de coco em Arcoverde.
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Este trabalho consiste em um estudo antropológico-histórico sobre a formação das elites, no Brasil do século XIX e a sua influência para a sociedade do País. Os oitocentos foi um período com significativas mudanças políticas e sociais para a colônia brasileira, por conta da vinda da família real e parte da Corte, em 1808. Por meio da análise da literatura que abordou diários dos viajantes europeus, cartas pessoais, jornais da época e coleções museológicas se procurou compreender como as elites recém-chegadas se estruturaram e ditavam aquela sociedade. Nessa tese evidenciamos o caso de duas famílias que tiveram ligação com a formação do Museu Mariano Procópio, que é nosso campo de estudo: os Ferreira Lage, de Minas Gerais e os Machado Coelho, do Rio de Janeiro. O Museu foi o primeiro criado em Minas Gerais, em 1915, por Alfredo Ferreira Lage para abrigar suas coleções e homenagear a memória do pai Mariano Procópio e aberto, definitivamente ao público, em 1921. No seu centenário, em 2021, conta com um acervo 53.000 objetos históricos, com características dos séculos XIX e início do XX e expõe, além do colecionismo de Alfredo, as coleções de um círculo de personalidades das elites, com temáticas ligadas à Família Real Brasileira; à história natural e artes plásticas de origem nacional e estrangeira; armas; indumentária; joias, moedas e medalhas; livros; mobiliário; peças sacras; cristais; louças e porcelanas. Pelas elites terem se consolidado em vários setores da sociedade, quer seja o político, administrativo, econômico ou cultural, formando grupos que se valeram de uma rede de sociabilidades que possibilitou a união das famílias, quer seja a partir de laços matrimoniais ou por interesses, a visibilidade de suas práticas reunidas em uma instituição iria garantir a manutenção simbólica das suas fortunas e posições de poder.
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GABRIELA PIMENTEL DE ARAUJO
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POR TRÁS DOS PALCOS: A CULTURA POPULAR E O MERCADO DE EDITAIS EM PERNAMBUCO
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Orientador : LADY SELMA FERREIRA ALBERNAZ
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MEMBROS DA BANCA :
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MARINA FRYDBERG
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LADY SELMA FERREIRA ALBERNAZ
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LAURE MARIE LOUISE CLEMENCE GARRABE
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LEONARDO LEAL ESTEVES
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MARIA ACSELRAD
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Data: 30/06/2025
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A cultura popular em Pernambuco se caracteriza por sua diversidade. Um cenário conhecido pela promoção de grandes eventos culturais, utilizando como mecanismo de seleção e contratação o modelo de convocatórias. Estas por sua vez, direcionadas aos grupos de cultura popular e artistas pernambucanos, são responsáveis por viabilizar a participação deles na grade da programação dos respectivos eventos. Através de um processo burocrático, a partir de uma lógica de mercado, os grupos de cultura popular, bem como os artistas pernambucanos recebem cachês pelas apresentações, de acordo com suas documentações legais que comprovam sua atuação e relevância artístico-cultural para a cena pernambucana, buscando fortalecer e proporcionar visibilidade para a produção cultural no Estado. Levando em consideração as experiências em campo, entrevistas e observação participante, por meio do fazer etnográfico como metodologia, este trabalho busca refletir a formação do grupo de palco com base na lógica de mercado, na qual os grupos de cultura popular ajustam seus brinquedos para apresentações específicas. Isto é, viabilizando pagamento de cachês dignos, buscando valorizar os brincantes enquanto profissionais da cultura que se sustentam a partir das apresentações artístico-culturais que realizam. Observando nos grupos investigados que as mudanças e adaptações pelas quais eles precisam passar no que diz respeito à organização burocrática, não modificam seu principal objetivo, difundir e valorizar a sua tradição, mas os ajudam nesse processo.
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A cultura popular em Pernambuco se caracteriza por sua diversidade. Um cenário conhecido pela promoção de grandes eventos culturais, utilizando como mecanismo de seleção e contratação o modelo de convocatórias. Estas por sua vez, direcionadas aos grupos de cultura popular e artistas pernambucanos, são responsáveis por viabilizar a participação deles na grade da programação dos respectivos eventos. Através de um processo burocrático, a partir de uma lógica de mercado, os grupos de cultura popular, bem como os artistas pernambucanos recebem cachês pelas apresentações, de acordo com suas documentações legais que comprovam sua atuação e relevância artístico-cultural para a cena pernambucana, buscando fortalecer e proporcionar visibilidade para a produção cultural no Estado. Levando em consideração as experiências em campo, entrevistas e observação participante, por meio do fazer etnográfico como metodologia, este trabalho busca refletir a formação do grupo de palco com base na lógica de mercado, na qual os grupos de cultura popular ajustam seus brinquedos para apresentações específicas. Isto é, viabilizando pagamento de cachês dignos, buscando valorizar os brincantes enquanto profissionais da cultura que se sustentam a partir das apresentações artístico-culturais que realizam. Observando nos grupos investigados que as mudanças e adaptações pelas quais eles precisam passar no que diz respeito à organização burocrática, não modificam seu principal objetivo, difundir e valorizar a sua tradição, mas os ajudam nesse processo.
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PALLOMA CAVALCANTI REZENDE BRAGA
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XAMANISMO SURUWAHA E O ESPIRITO DO VENENO. Uma interpretacao do suicidio, pos-morte e concepcoes de saude e Bem Viver. Amazonas, Brasil.
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Orientador : RENATO AMRAM ATHIAS
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MEMBROS DA BANCA :
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RENATO AMRAM ATHIAS
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FABIANA MAIZZA
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RUSSELL PARRY SCOTT
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BARBARA MAISONNAVE ARISI
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JULY SALIMA CURE VALDIVIESO
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Data: 18/07/2025
Ata de defesa assinada:
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Esta tese antropológica concede atenção ao universo dos Suruwaha, povo indígena isolado de recente contato habitante da região do Médio Purus na Amazônia brasileira, para investigar suas relações com a saúde, doença, suicídio e pós-morte, procurando refletir essas relações nos significados de termos do dialeto Arawa atribuídos por eles mesmos (os Suruwaha) e que designam aspectos conceituais da filosofia do Bem Viver do grupo. Assim aqui é evidenciado uma produção descolonial que visa a interpretação de ontologia ameríndia, atendendo as preocupações da perspectiva decolonial, que busca desconstruir a visão hegemônica ocidental sobre a saúde, sendo uma contribuição a mais no diálogo condizente para uma melhor adequação dos serviços oferecidos e geridos pelo Estado. Vem a apresentar uma contextualização histórica e política fundamental para entender as estruturas de poderenvolvidas no contexto do atendimento à saúde indígena e apresenta críticas aos modelos biomédicos hegemônicos e suas invisibilidades aos sistemas xamânicos tradicionais, questionando a eficácia de programas padronizados de saúde e destacando a necessidade de modelos que respeitem a diversidade étnica e cultural e as epistemologias indígenas. Ressaltando nas impressões de campo a importância da interculturalidade na saúde, os resultados apontados nesse estudo são de interesse do campo de estudo da Etnicidade e Antropologia da Saúde e no diálogo com as Ciências da Saúde Coletiva.
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A tese procura debater em torno da compreensão dos indígenas isolados de recente contato, Suruwaha, acerca da saúde, corporalidade, suicídio e pós-morte a partir de conceitos que são atribuídos por eles mesmos (os Suruwaha) e que designam tais aspectos. Portanto, por intermédio da análise dos símbolos multivocais que reportam para os fenômenos do conjunto Suruwaha, e com base na análise Etnográfica e Etnológicas e do intercruzamento dos dados resultantes, interpretamos concepções do Bem Viver Suruwaha, analisando os termos nativos Jadawa, Giyzoboni, Iniwa, Zawa, e suas relações fenomenais no bojo do contexto intercultural da saúde indígena. A observação aqui trazida parte do pressuposto de uma Antropologia descolonial, inclusive, na forma de exercer entendimento, dispensando, a partir do amplo aspecto da tradução, o reducionismo dos termos ocidentais que são base de uma Antropologia epistemológica ultrapassada, contribuindo na produção do conhecimento acerca das ontologias ameríndias, bem como, para o campo da Antropologia da Saúde, necessário no diálogo condizente de uma melhor adequação dos serviços oferecidos e geridos pelo Estado.
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JULIANA GONCALVES FREIRE
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A arte de rua nas romaria: tramar, tecer e performar o extraordinario nos palcos em Juazeiro do Norte
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Orientador : LAURE MARIE LOUISE CLEMENCE GARRABE
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MEMBROS DA BANCA :
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ANA CLAUDIA RODRIGUES DA SILVA
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GILBERTO ICLE
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LAURE MARIE LOUISE CLEMENCE GARRABE
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MISIA LINS VIEIRA REESINK
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WAGNER NEVES DINIZ CHAVES
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Data: 08/09/2025
Ata de defesa assinada:
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Esta tese tem por objetivo uma contribuição para a antropologia da romaria de Juazeiro do Norte - CE a partir das interações entre artistas de ruas e romeiros nas ruas da cidade. A pesquisa de campo, desenvolvida entre 2016 e 2018, baseia-se em metodologia qualitativa com observação participante e entrevistas semiestruturadas, em constante diálogo com metodologias da antropologia e dos estudos da performance, para analisar a formação dos palcos de rua que apontam para o que podemos qualificar como uma dinâmica romeira caracterizada pela fricção entre fé e arte. Após situar a presente etnografia no campo e na literatura, enaltecendo mudanças e permanências do ritual, descrevo a formação de um drama romeiro se localizando não mais nos rituais da romaria, nem nos espetáculos dos artistas de rua, mas nas interações entre eles e os romeiros, na rua. Para isso analiso as diferentes naturezas de performances à luz da análise de « frames » e das perspectivas turnerianas do drama social e estético, até identificar formações de liminaridades e communitas marcadas por um certo realismo-mágico que reverte o balanço esperado entre extraordinário e o cotidiano. As fricções e mise en abyme provocadas pelos diversos rituais e experiências dos romeiros e artistas de rua borram constantemente seus respectivos papéis de atores sociais, performers e públicos nas ruas juazeirenses em estado de romaria. O cenário dessas ruas acaba em produzir um verdadeiro palco, onde se tecem tramas transformando a romaria em um evento cosmopolítico, no qual a cosmologia romeira é descentrada e irrompida pelos diálogos entre diferentes vozes, universos simbólicos e sociopolíticos, que no encontro de suas estruturas sociais e de experiências, se tornam protagonistas de um outro evento, « não tão religioso », « não tanto artístico assim », mas a arena daqueles que se reconhecem como uma expressão particular daquilo que constitui o ponto de convergência de todos.
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Esta tese tem por objetivo uma contribuição para a antropologia da romaria de Juazeiro do Norte - CE a partir das interações entre artistas de ruas e romeiros nas ruas da cidade. A pesquisa de campo, desenvolvida entre 2016 e 2018, baseia-se em metodologia qualitativa com observação participante e entrevistas semiestruturadas, em constante diálogo com metodologias da antropologia e dos estudos da performance, para analisar a formação dos palcos de rua que apontam para o que podemos qualificar como uma dinâmica romeira caracterizada pela fricção entre fé e arte. Após situar a presente etnografia no campo e na literatura, enaltecendo mudanças e permanências do ritual, descrevo a formação de um drama romeiro se localizando não mais nos rituais da romaria, nem nos espetáculos dos artistas de rua, mas nas interações entre eles e os romeiros, na rua. Para isso analiso as diferentes naturezas de performances à luz da análise de « frames » e das perspectivas turnerianas do drama social e estético, até identificar formações de liminaridades e communitas marcadas por um certo realismo-mágico que reverte o balanço esperado entre extraordinário e o cotidiano. As fricções e mise en abyme provocadas pelos diversos rituais e experiências dos romeiros e artistas de rua borram constantemente seus respectivos papéis de atores sociais, performers e públicos nas ruas juazeirenses em estado de romaria. O cenário dessas ruas acaba em produzir um verdadeiro palco, onde se tecem tramas transformando a romaria em um evento cosmopolítico, no qual a cosmologia romeira é descentrada e irrompida pelos diálogos entre diferentes vozes, universos simbólicos e sociopolíticos, que no encontro de suas estruturas sociais e de experiências, se tornam protagonistas de um outro evento, « não tão religioso », « não tanto artístico assim », mas a arena daqueles que se reconhecem como uma expressão particular daquilo que constitui o ponto de convergência de todos.
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MARISA CRISTINA RODRIGUES
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Capoeiras da Barreira do Rosario e as existencias em ginga - do Ceu de Baccaro ao Alto da Se
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Orientador : ANA CLAUDIA RODRIGUES DA SILVA
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MEMBROS DA BANCA :
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ANA CLAUDIA RODRIGUES DA SILVA
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FRANCISCO SA BARRETO DOS SANTOS
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GABRIELA SANTOS CAVALCANTE SANTANA
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GILSON JOSE RODRIGUES JUNIOR
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HUGO MENEZES NETO
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Data: 09/09/2025
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Mostrar Resumo
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Entre o final da década de 1970 e começo de 1980, um grupo de crianças e jovens assumiu o protagonismo da retomada da capoeira na Barreira do Rosário, comunidade periférica do Sítio Histórico, na cidade de Olinda, em Pernambuco. A manifestação ancestral e afrodiaspórica, historicamente reprimida e criminalizada, foi reavivada neste território por meio das práticas, apresentações públicas e formação de rodas em locais que hoje se constituem em lugares de memória da capoeira: como Mercado da Ribeira, Alto da Sé e Mercado Eufrásio Barbosa. Esse movimento fez com que da Barreira do Rosário emergisse um número expressivo de mestres, mestras, professores e praticantes que perseveraram na manutenção e salvaguarda da manifestação até a atualidade. Apesar disso, os detentores que se originaram nessa matriz, consideram que suas trajetórias, seus protagonismos e as dinâmicas desenvolvidas na Barreira do Rosário foram negligenciadas ou subalternizadas na produção de conhecimento institucional e acadêmico sobre a capoeira pernambucana. Isto se deve, segundo suas perspectivas, porque o grupo se manteve distante das relações hegemônicas voltadas aos processos de ordenação da prática, que normatizaram a manifestação nos moldes de “esporte nacional”. Os capoeiras da Barreira, que assumiram a alcunha de maloqueiros da Barreira, como eram chamados pelos pares que não partilhavam de suas vivências comunitárias, buscam ativamente romper com essa invisibilidade e exaltar a potência tanto do lugar, como das pessoas produzindo novos reconhecimentos acerca da manifestação. A feição deste estudo começou a ser forjada em 2019, no contexto da complementação do Dossiê de Registro da Capoeira de Pernambuco, momento em que pesquisadora e mestres passaram a estabelecer contato para a realização de projetos não acadêmicos e acadêmicos, que versam sobre essas trajetórias. Os arranjos e resultados dessas ações foram a base para a constituição do corpo de dados desta tese, por isso a compreendemos como uma pesquisa interlocutiva/colaborativa. O estudo visa explicitar, a partir das sabedorias dos mestres, do conhecimento antropológico, de epistemologias, autoras e autores decoloniais e afrodiaspóricos, os dispositivos empregados pelas colonialidades do saber, ser e do poder, que impactaram nessas trajetórias de vida e suas consequentes invisibilizações, ao mesmo tempo que investe na análise das estratégias e táticas desses colaboradores, para Identificar-Interrogar-Interromper a colonialidade, por meio de suas existências em ginga.
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Entre o final da década de 1970 e começo de 1980, um grupo de crianças e jovens assumiu o protagonismo da retomada da capoeira na Barreira do Rosário, comunidade periférica do Sítio Histórico, na cidade de Olinda, em Pernambuco. A manifestação ancestral e afrodiaspórica, historicamente reprimida e criminalizada, foi reavivada neste território por meio das práticas, apresentações públicas e formação de rodas em locais que hoje se constituem como lugares de memória da capoeira: como Mercado da Ribeira, Alto da Sé e Mercado Eufrásio Barbosa. Esse movimento fez com que da Barreira do Rosário emergisse um número expressivo de mestres, mestras, professores e praticantes que perseveraram na manutenção e salvaguarda da manifestação até a atualidade. Apesar disso, os detentores que se originaram nessa matriz da Barreira, consideram que suas trajetórias, seus protagonismos e as dinâmicas desenvolvidas na Barreira do Rosário foram negligenciadas ou subalternizadas na produção de conhecimento institucional e acadêmico sobre a capoeira pernambucana. Isto se deve, segundo suas perspectivas, porque o grupo se manteve distante das relações hegemônicas voltadas aos processos de ordenação da prática, que normatizaram a manifestação nos moldes de “esporte nacional”. Os capoeiras da Barreira, que assumiram a alcunha de maloqueiros da Barreira, como eram chamados pelos pares que não partilhavam de suas vivências comunitárias, buscam ativamente romper com essa invisibilidade e exaltar a potência tanto do lugar, como das pessoas produzindo novos reconhecimentos acerca da manifestação. A feição deste estudo começou a ser forjada em 2019, no contexto da complementação do Dossiê de Registro da Capoeira de Pernambuco, momento em que pesquisadora e mestres passaram a estabelecer contato para a realização de projetos não acadêmicos e acadêmicos, que versam sobre essas trajetórias. Os arranjos e resultados dessas ações foram a base para a constituição do corpo de dados desta tese, por isso a compreendemos como uma pesquisa colaborativa. O estudo visa explicitar, a partir da teoria antropológica, de epistemologias, autoras e autores decoloniais e afrodiaspóricos, os dispositivos empregados pelas colonialidades do saber, do ser e do poder, que impactaram nessas trajetórias de vida e suas consequentes invisibilizações, ao mesmo tempo que investe na análise das estratégias e táticas desses colaboradores, para Identificar-Interrogar-Interromper a colonialidade, por meio de suas existências em ginga.
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NARA NEVES PIRES GALVÃO
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ETNOGRAFIA DA DIFERENÇA: GÊNERO E MORALIDADE EM LA BÊTE, QUEERMUSEU E NA COLEÇÃO DO MUSEU D`ORSAY.
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Orientador : ANTONIO CARLOS MOTA DE LIMA
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MEMBROS DA BANCA :
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ANTONIO CARLOS MOTA DE LIMA
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ISABELA ANDRADE DE LIMA MORAIS
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KATIA MEDEIROS DE ARAUJO
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LUCIANA MENEZES DE CARVALHO
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MISIA LINS VIEIRA REESINK
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VÂNIA FIALHO
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Data: 29/09/2025
Ata de defesa assinada:
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Em torno da etnografia de duas exposições brasileiras, La Bête e Queermuseu, alvos de censuras e críticas no Brasil, percebemos os enfrentamentos e conflitos morais de uma sociedade que não consegue se aperceber do diferente, e que ainda enxerga o nu e as temáticas LGBT, questões de gênero e da diversidade sexual como uma afronta moral, sobretudo quando incorporam em suas concepções curatoriais obras que ferem as crenças das pessoas a partir de símbolos religiosos. E se a performance La Bête fosse realizada por uma artista mulher, será que o nu feminino haveria desencadeado o mesmo estranhamento e polêmicas? Será que é realmente o nu a centralidade das questões que estas exposições podem suscitar? No mesmo período em que ocorrem essas censuras no Brasil, o Museu D`Orsay lança uma campanha convidando os pais a levarem os seus filhos a verem o nu no museu. O que muda no contexto francês? Como a cultura é experimentada no campo das artes? Sendo a arte política, e passando o Brasil por um momento de “turbulências” em seu contexto político, de que maneira esses afrontamentos morais e essa “espetacularização” da moralidade a partir de uma exposição podem nos trazer de reflexões? Esta tese busca responder como a política molda a moralidade a partir de diferentes contextos culturais.
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Em torno da etnografia de duas exposições brasileiras, La Bête e Queermuseu, alvos de censuras e críticas no Brasil, percebemos os enfrentamentos e conflitos morais de uma sociedade que não consegue se aperceber do diferente, e que ainda enxerga o nu e as temáticas LGBT, questões de gênero e da diversidade sexual como uma afronta moral, sobretudo quando incorporam em suas concepções curatoriais obras que ferem as crenças das pessoas a partir de símbolos religiosos. E se a performance La Bête fosse realizada por uma artista mulher, será que o nu feminino haveria desencadeado o mesmo estranhamento e polêmicas? Será que é realmente o nu a centralidade das questões que estas exposições podem suscitar? No mesmo período em que ocorrem essas censuras no Brasil, o Museu D`Orsay lança uma campanha convidando os pais a levarem os seus filhos a verem o nu no museu. O que muda no contexto francês? Como a cultura é experimentada no campo das artes? Sendo a arte política, e passando o Brasil por um momento de “turbulências” em seu contexto político, de que maneira esses afrontamentos morais e essa “espetacularização” da moralidade a partir de uma exposição podem nos trazer de reflexões? Esta tese busca responder como a política molda a moralidade a partir de diferentes contextos culturais.
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SUÊNIA CLAUDIANA DO NASCIMENTO PINTO
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POLÍTICA DO CUIDADO: BIOATIVISMO, CIDADANIA TERAPÊUTICA E MATERNIDADE ATÍPICA EM RECIFE/PE
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Orientador : ANA CLAUDIA RODRIGUES DA SILVA
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MEMBROS DA BANCA :
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JULIANA MONTEIRO GONDIM
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ANA CLAUDIA RODRIGUES DA SILVA
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FABIANA MAIZZA
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ISABEL DE ROSE
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MARION TEODOSIO DE QUADROS
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Data: 29/09/2025
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A presente tese propõe uma análise do ativismo materno em torno da cannabis medicinal em Recife/PE a partir de diferentes cenas etnográficas que envolvem serviços públicos de saúde, mobilizações políticas e atividades formativas. Por meio das contribuições teóricas de Annemarie Mol, Steven Epstein, Stengers, Nguyen, Valle, Castro, Lugones e Mohanty, entre outras/os autoras/es, a pesquisa busca demonstrar como mães ativistas mobilizam conhecimentos, saberes e redes de solidariedade na busca por direitos coletivos no campo da saúde. A partir da abordagem praxiográfica e dos conceitos de cidadania terapêutica, bioativismo, ativismo biossocial, expertise leiga, entre outros aportes teóricos, o estudo buscou compreender como a atuação de tais sujeitos têm agenciado transformações no sistema médico-científico e jurídico-legal, ensejando reflexões relativas às práticas de saúde e cuidado além dos parâmetros biomédicos hegemônicos. Nessa perspectiva, as cenas etnográficas revelam que as mães ativistas mobilizam novas formas de legitimidade epistêmica e política, instituindo novas formas de cidadania e ativismo que colocam a experiência do cuidado como fundamento legítimo da prática política. Ao reivindicar o direito à saúde, elas reconfiguram as fronteiras entre público e privado e entre saber oficial e experiencial. Trata-se de uma forma de ativismo que transforma a experiência cotidiana em argumento e conhecimento, onde a maternidade é reconfigurada como campo de resistência. Assim, o ativismo materno em torno da cannabis medicinal evidencia mudanças nos modos de produzir conhecimento, fazer política e nas formas de tratamento de saúde e de cuidado. Ao transformar a dor e o sofrimento em ação política, tais ativistas ao mobilizarem saberes biomédicos e experienciais, deslocam as fronteiras entre ciência e experiência, evidenciando outras formas de conhecimento, instituindo com isso, uma base legítima para o reconhecimento e a reivindicação de direitos no campo da saúde.
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O presente estudo busca investigar a agência e trejetória de mães, familiares e pacientes ativistas em torno da luta pelo direito ao uso medicinal da cannabis como itinerário terapêutico na Região Metropolitana do Recife. A partir de análises teóricas de gênero (Lugones, Strathern e Moore) atreladas aos estudos no campo da antropologia da saúde (Laplantine, Langdon, Loyola), teoria da prática (Ortner), estudos sobre ciência (Sterngers, Mol, Epstein), pesquisas antropológicas e interdisciplinares sobre cannabis (Velho, MacRae, Saad), busca-se compreender como a atuação de tais sujeitos, ao produzir saberes e conhecimentos a partir de tal itinerário terapêutico, agenciam transformações no sistema médico-científico e jurídico-legal, ensejando reflexões relativas às práticas de saúde e cuidado fora dos modelos e parâmetros biomédicos hegemônicos estabelecidos.
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MAIRA SOUZA E SILVA ACIOLI
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Contribuições paralelas da antropologia e da fotografia – um mergulho no acervo imagético do Programa Ecológico e Cultural do Complexo Industrial e Portuário de Suape (PECCIPS)
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Orientador : ANTONIO CARLOS MOTA DE LIMA
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MEMBROS DA BANCA :
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ALEX GIULIANO VAILATI
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ANTONIO CARLOS MOTA DE LIMA
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CIBELE BARBOSA DA SILVA ANDRADE
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HUGO MENEZES NETO
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PEDRO CASTELO BRANCO SILVEIRA
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PEDRO LOUREIRO SEVERIEN
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Data: 30/09/2025
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Mostrar Resumo
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A presente tese tem como objetivo central descrever etnograficamente e analisar o acervo fotográfico do Programa Ecológico e Cultural do Complexo Industrial e Portuário de Suape (PECCIPS), um programa de pesquisa e intervenção desenvolvido na região de Suape nos anos de 1976 a 1979. O PECCIPS foi realizado logo antes do início das obras para a instalação do Complexo Industrial e Portuário de Suape (CIPS), e além dos estudos nas áreas da antropologia, urbanismo, biologia e outros, conta com um vasto acervo fotográfico, de mais de 7 mil fotografias, abrigado atualmente na Fundação Joaquim Nabuco e na biblioteca Agência Condepe/Fidem. Nenhum desses dois conjuntos foi, até hoje, objeto de pesquisas mais aprofundadas. Uma questão fundamental que permeia este trabalho é sobre o conhecimento gerado pelo contato com as imagens: o que aprendemos sobre Suape e a instalação do CIPS ao mobilizar essas imagens? A partir disto, procuro discutir as aproximações entre os campos da fotografia e da antropologia. Esta pesquisa encontra-se vinculada às atividades do Laboratório de Antropologia Visual do PPGA, que vem desenvolvendo ações de restituição deste e de outros acervos sobre a região de Suape desde 2022. O contato da população com estas imagens e os agenciamentos gerados a partir de então são também objeto de reflexão nesta tese. Dessa forma, o que se pretende com esse trabalho é recontar uma parte da história do CIPS, contribuindo com novos pontos de vista.
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Mostrar Abstract
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A presente tese tem por objetivo realizar a descrição etnográfica e a análise do acervo imagético do PECCIPS (Programa Ecológico e Cultural do Complexo Industrial e Portuário de Suape), um programa de estudos e intervenção desenvolvido na região de Suape nos anos de 1976 a 1979, antes do início das obras para a instalação do Complexo Industrial e Portuário de Suape (CIPS). Seu propósito era identificar formas de reduzir os impactos negativos que vinham sendo debatidos pela opinião pública. Além dos documentos escritos, o PECCIPS conta com um vasto acervo fotográfico, de mais de 7 mil fotografias, abrigado atualmente na Fundação Joaquim Nabuco e na biblioteca Agência CONDEPE/FIDEM. Uma questão fundamental que permeia este trabalho é sobre o conhecimento gerado pelo contato com as imagens: o que aprendemos com a observação deste arquivo? A partir disto, tem-se discutido temas como modelos de desenvolvimento, infraestrutura, populações atingidas, bens culturais, curadoria, produção audiovisual encomendada, entre outros. Esta pesquisa encontra-se vinculada às atividades do Laboratório de Antropologia Visual do PPGA, que vem desenvolvendo ações de restituição deste e de outros acervos sobre a região de Suape desde 2022. O contato da população com estas imagens e os agenciamentos gerados a partir de então são também objeto de reflexão nesta tese.
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YURI ROSA NEVES
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Mangueio, macramê e outros poderes da malucada de estrada: Etnografia e horizontes de vida entre malucas e malucos de BR
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Orientador : ALEX GIULIANO VAILATI
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MEMBROS DA BANCA :
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ANTHONY D'ANDREA
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LEON FREDERICO KAMINSKI
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ALEX GIULIANO VAILATI
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FRANCISCO SA BARRETO DOS SANTOS
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HUGO MENEZES NETO
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Data: 15/10/2025
Ata de defesa assinada:
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Esta tese investiga o horizonte de vida da “malucada de estrada” a partir de etnografias na vila de São Jorge e em trajetos na estrada, privilegiando registros sensíveis, a atenção ao inesperado e às práticas ordinárias. Popularmente conhecidos por hippies artesão de rua, o escrito investiga como práticas centrais — especialmente o mangueio (abordagem ativa na venda) e o trabalho artesanal — funcionam como pontos de mediação entre ordens de valor, produzindo conversões de sentido que escapam às leituras economicistas convencionais. Analisa também a ambivalências de práticas e contextos que servem como “eixos” de crítica e, ao mesmo tempo, permitem pensar como a malucada se “encaixa” na “sociedade”, garantindo então a sua resiliência histórica enquanto fenômeno social. Metodologicamente, a tese defende uma etnografia que valoriza a sensibilidade material, os afetos locais e a surpresa como fontes epistemológicas para compreender como vidas alternativas se efetivam. Por fim, o trabalho argumenta que a malucada, ao tensionar as imagens hegemônicas de sociedade e as ficções do mercado — e ao reconfigurar a “magia” do valor — oferece uma perspectiva privilegiada para repensar valor, comunidade e modos possíveis de vida.
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Esta tese investiga o horizonte de vida da “malucada de estrada” a partir de etnografias na vila de São Jorge e em trajetos na estrada, privilegiando registros sensíveis, a atenção ao inesperado e às práticas ordinárias. Popularmente conhecidos por hippies artesão de rua, o escrito investiga como práticas centrais — especialmente o mangueio (abordagem ativa na venda) e o trabalho artesanal — funcionam como pontos de mediação entre ordens de valor, produzindo conversões de sentido que escapam às leituras economicistas convencionais. Analisa também a ambivalências de práticas e contextos que servem como “eixos” de crítica e, ao mesmo tempo, permitem pensar como a malucada se “encaixa” na “sociedade”, garantindo então a sua resiliência histórica enquanto fenômeno social. Metodologicamente, a tese defende uma etnografia que valoriza a sensibilidade material, os afetos locais e a surpresa como fontes epistemológicas para compreender como vidas alternativas se efetivam. Por fim, o trabalho argumenta que a malucada, ao tensionar as imagens hegemônicas de sociedade e as ficções do mercado — e ao reconfigurar a “magia” do valor — oferece uma perspectiva privilegiada para repensar valor, comunidade e modos possíveis de vida.
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ALFREDO NAVA SANCHEZ
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Tylor, Boas e Malinowski no México: exercícios de distância na conformação histórica do conhecimento antropológico
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Orientador : LAURE MARIE LOUISE CLEMENCE GARRABE
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MEMBROS DA BANCA :
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LAURE MARIE LOUISE CLEMENCE GARRABE
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RUSSELL PARRY SCOTT
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FÉLIX ALEJANDRO LERMA RODRÍGUEZ
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AÄRON MOSZOWSKI VAN LOON
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GUILHERME BIANCHI MOREIRA
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Data: 31/10/2025
Ata de defesa assinada:
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Esta tese investiga como procedimentos de observação, coleta, comparação, classificação e escrita, mobilizados nas passagens de Edward B. Tylor, Franz Boas e Bronislaw Malinowski pelo México, contribuíram para a configuração histórica da antropologia como campo de ordenação social e produção da diferença. O objetivo consistiu em reconstituir operações e mediações que converteram registros em evidências e estas em narrativas públicas, observando seus efeitos na legitimação de diagnósticos sobre “passado”, “indígena” e “nação”. A pesquisa baseou-se em análise documental e bibliográfica, considerando textos de viagem e de teoria, relatórios, programas de ensino e arranjos institucionais. O estudo evidencia a coprodução entre pesquisa e Estado, visto que padrões metodológicos e currículos se consolidaram ao lado de resistências nacionalistas e disputas burocráticas. Mostra que Tylor articulou itinerários, arquivos e contrastes sociais em repertórios comparativos; que Boas estruturou uma experiência escolar e museológica de alcance público, eficaz e tensionada; e que Malinowski tomou os mercados de Oaxaca como observatório da mudança, deslocando o foco do “resgate” para processos históricos. Conclui-se que a disciplina não se explica apenas por ideias ou “escolas”, mas por operações e infraestruturas locais que tornaram comparável o diverso, fazendo do México um ambiente ativo de condensação entre densidade histórica, redes institucionais e usos públicos do passado, sem reduzir o argumento à centralidade do cenário. Como contribuição, a tese oferece uma cartografia de procedimentos que permite repensar a história da antropologia para além de teleologias e cronologias lineares, esclarecendo alcances, ambivalências e custos sociais das soluções adotadas.
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A pesquisa que se apresenta analisa a formação da antropologia como disciplina a partir das trajetórias de Edward B. Tylor, Franz Boas e Bronislaw Malinowski no México. Investiga como suas obras ajudaram a configurar uma epistemologia antropológica marcada pela materialidade, visualidade e distância social, especialmente na racialização dos indígenas e na construção da identidade nacional mexicana.
Rejeitando uma visão linear e evolucionista da história da antropologia, o estudo propõe explorar as práticas concretas desses antropólogos e suas interações com o contexto político e social do México no final do século XIX e início do XX. Argumenta-se que a materialidade dos objetos e a visualidade das imagens moldaram o conhecimento antropológico, vinculando-o a classificações sociais e práticas de poder. A pesquisa também questiona a marginalização da América Latina na historiografia antropológica tradicional, que frequentemente trata a região como campo passivo de estudo, excluindo suas contribuições teóricas e científicas.
Além disso, são analisadas práticas de representação institucionalizadas, como museus e monumentos, que consolidaram uma identidade nacional mexicana ao mesmo tempo que objetificavam e excluíam populações indígenas. Essas formas de representação foram incorporadas às políticas estatais e às práticas acadêmicas, reforçando uma narrativa nacional marcada pela exploração visual e simbólica dos povos originários.
Metodologicamente, o trabalho adota uma análise interdisciplinar inspirada em pensadores como Pierre Bourdieu, Bruno Latour e James Clifford para investigar como instituições, objetos e práticas consolidaram uma visão antropológica específica. Elementos como exposições de museus, registros arqueológicos e textos antropológicos são interpretados como dispositivos de poder e controle, sendo vistos não apenas como vestígios do passado, mas também como ferramentas de produção de conhecimento e legitimação de narrativas políticas.
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WALTER WAGNER DE ANDRADE PEREIRA
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O Funcultura Audiovisual: uma análise etnográfica da infraestrutura de produção
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Orientador : ALEX GIULIANO VAILATI
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MEMBROS DA BANCA :
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ALEX GIULIANO VAILATI
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ALOIZIO LIMA BARBOSA
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AMANDA MANSUR CUSTODIO NOGUEIRA
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FRANCISCO SA BARRETO DOS SANTOS
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PEDRO LOUREIRO SEVERIEN
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RENATO AMRAM ATHIAS
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Data: 10/12/2025
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A pesquisa investiga a infraestrutura de produção audiovisual em Pernambuco a partir do Funcultura Audiovisual, um edital público (Lei de Incentivo à Cultura), e o acesso à linha de incentivo à produção cinematográfica de curtas documentais. A tese parte da conceituação de Brian Larkin (2013) sobre as infraestruturas como “construções de redes que facilitam a circulação de bens, pessoas ou ideias e permitem suas trocas com o espaço” (2013, p. 328). Elas não são apenas algumas ferramentas tecnológicas; são mais que isso. Elas envolvem redes sociais estabelecidas entre humanos e não humanos, criando uma circulação de saberes. O objetivo é avaliar desde o processo com o edital, a burocracia estatal até a concretização do produto final, ou seja, os filmes produzidos; investigando como a dimensão imagética está diretamente interligada a um conjunto técnico, tecnológico e burocrático, com o qual os atores humanos interagem. O campo da pesquisa é o “cinema pernambucano”. O Funcultura Audiovisual é parte importante da infraestrutura de produção local, mas ele possui seus limites financeiros, de abrangência e de concepção, que frequentemente são revistos em prol das correções de deturpações. Apresentamos ainda como parte fundamental da pesquisa um curta-metragem documental, intitulado “O Programador”, sobre a trajetória do programador do Cinema São Luiz e Teatro do Parque Geraldo Pinho. Por meio do filme e dos relatos etnográficos, analisamos as diversas etapas de realização de um filme por meio do edital do Funcultura Audiovisual.
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A pesquisa investiga a infraestrutura de produção audiovisual em Pernambuco, a partir do Funcultura Audiovisual um edital público (lei de incentivo à cultura) e o acesso à linha de incentivo à produção cinematográfica de curtas documentais. A tese parte da conceituação de Brian Larkin (2013) sobre as infraestruturas, como “construções de redes que facilitam a circulação de bens, pessoas ou ideias e permitem suas trocas com o espaço” (2013, p. 328). Ela não é apenas uma ou algumas ferramentas tecnológicas, são mais que isso, elas envolvem redes sociais estabelecidas entre humanos e não humanos, circulação de saberes etc. O objetivo é avaliar desde o processo com o edital, a burocracia estatal até a concretização do produto final, ou seja, dos filmes produzidos; investigando como a dimensão imagética está diretamente interligada a um conjunto técnico, tecnológico e burocrático, com o qual os atores humanos interagem. O campo da pesquisa é o “cinema pernambucano”. O Funcultura Audiovisual é parte importante da infraestrutura de produção local, mas ele possui seus limites financeiros, de abrangência e de concepção, que frequentemente são revistos em prol das correções de deturpações. Por fim, o projeto apresenta uma etapa etnográfica, descrevendo o processo de realização de um curta documental por meio desse mesmo edital.
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JULIANA FREITAS FERREIRA LIMA
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NO RASTRO DO PITITI - Paisagem cultural, objetos de arte e fruições caatingueiras na Serra do Catimbau
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Orientador : RENATO AMRAM ATHIAS
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MEMBROS DA BANCA :
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ALEX GIULIANO VAILATI
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FABIANA MAIZZA
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RENATO AMRAM ATHIAS
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ANDRE LUIS CAMPANHA DEMARCHI
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RAONI BERNARDO MARANHÃO VALLE
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Data: 19/12/2025
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“O significado de Catimbau é cachimbo de caboclo, prática de feitiçaria e terra dos índios e caboclos”. Com este discurso do significado, muitos guias de turismo introduzem suas narrativas aos visitantes e desta forma vinculam a extensa região do Catimbau aos antepassados indígenas. Catimbau dá nome ao riacho que entrecruza dois territórios – delimitados juridicamente como terra indígena e parque nacional –, além de ser uma serra conjugando os demais relevos da extensa região de transição entre o agreste e sertão pernambucano. A investigação proposta se insere na complexa paisagem cultural da Serra do Catimbau dispondo seus elementos naturais como testemunhos dos contatos interétnicos, os quais moldaram e continuam a moldar uma cosmovisão distintiva. É neste território que a etnografia efetua imersões identificando atributos do pensamento caatingueiro e das fruições com atores sociais conectados ao patrimônio cultural e arqueológico. Esta tese se empenha na contextualização socioambiental atravessada por expressões visuais do passado pré-colonial, reconhecendo-as como agentes para agrupamentos sociais contemporâneos. A etnografia revela como as narrativas caatingueiras manifestam modos de ler o mundo, ativando a escuta e inferindo a relação corpo-ambiente para a compreensão e apresentação de objetos de arte no Catimbau, em especial do povo Kapinawá. Ademais, submeto uma discussão sobre tomada de posição, resistência e memória, como noções que implicam diretamente em processos étnicos, território e ancestralidade. Tanto a antropologia quanto a arte têm cada vez mais evocado seu caráter reflexivo debruçando-se na compreensão das sociedades por meio das expressões artístico-culturais. Nesta tese, investigamos as manifestações visuais na Serra do Catimbau a partir de uma etnografia do caminhar, uma abordagem para discussão e projeção da arte centrada no conhecimento caatingueiro. O foco está no contexto socioambiental e suas cosmopolíticas, na arte rupestre e objetos de arte, tendo as fruições contemporâneas como ponto de partida. A Serra do Catimbau é um complexo paisagístico de grande relevância, não apenas por suas qualidades cênicas, mas por seu revelador patrimônio arqueológico e por agregar inspiradora sociobiodiversidade. As cosmovisões expressas neste cenário do bioma caatinga são alicerçadas por laços histórico-culturais com testemunhos indígenas e dos fatores migratórios de distintos grupos sociais. Apresentamos um acervo distintivo, dos registros rupestres às expressões da atualidade, uma compreensão do patrimônio em sua qualidade integral, onde a questão ambiental e as relações socioculturais se destacam com a presença indígena com a qual a apropriação do patrimônio expressa-se pertinente às demandas e emergências contemporâneas.
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O campo da antropologia tem cada vez mais reconhecido a importância das artes não-ocidentais para a compreensão das diversas sociedades. Nesse contexto, a arte indígena ganha destaque, explorando desde a agência de objetos até a intrincada relação corpo-ambiente. Nesta tese, investigamos as manifestações artístico-culturais na Serra do Catimbau, em Pernambuco, a partir de uma abordagem etnocartográfica. Nosso foco está no contexto ambiental e político, na arte rupestre e nas expressões visuais contemporâneas, sempre sob a ótica das fruições nativas. A Serra do Catimbau é um complexo paisagístico de grande relevância, não apenas por sua biodiversidade e qualidades cênicas, mas também pelo seu rico patrimônio arqueológico. Situada entre o agreste e o sertão pernambucano, a Serra do Catimbau abriga sítios arqueológicos com vestígios que datam de 6 mil a 800 anos A.P. Esse acervo diversificado é um testemunho da ocupação pré-colonial, bem como é fundamental para entender as distintas relações socioculturais na atualidade. A partir dos contatos interétnicos e intercâmbios culturais, emergem narrativas sobre o patrimônio cultural materializado na arte rupestre e nas manifestações artísticas indígenas. As cosmologias expressas no cenário da Serra do Catimbau são fundamentadas por laços histórico-culturais e representam testemunhos da pré-colonialidade e migrações de distintos grupos no período colonial. A análise antropológica presente nesta tese compreende a complexa paisagem da Serra do Catimbau enquanto agente dos contatos interétnicos, os quais moldaram e continuam a moldar uma cosmovisão distintiva. A Serra do Catimbau compreende a Terra Indígena Kapinawá, o Parque Nacional do Catimbau e, coabitando o entorno dessas delimitações jurídicas, comunidades agricultoras e quilombolas, além de algumas grandes propriedades. É neste território que a etnografia se insere, adotando uma compreensão de paisagem cultural para efetuar imersões que identifiquem os atributos do pensamento nativo e a fruição artístico-artesanal dos agrupamentos e agentes sociais envolvidos em um potencial patrimônio integral. Busca-se nesta tese analisar a arte como um bem cultural de suma relevância para a antropologia da arte, esta tese se debruça sobre sua contextualização socioambiental e as expressões visuais do passado pré-colonial, reconhecendo-as como referências significativas para os grupos sociais contemporâneos. A etnografia resultante desta imersão no território revela como as narrativas nativas manifestam modos de ler o mundo, ativando a escuta e inferindo a relação corpo-ambiente para a compreensão dos objetos de arte. Mais do que isso, é uma discussão sobre tomada de posição, resistência e memória, elementos que implicam diretamente em processos identitários, território e ancestralidade.
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