PROCESSO DE DEMOCRATIZAÇÃO DO INGRESSO DE ESTUDANTES NO COLÉGIO DE APLICAÇÃO-UFPE: representações sociais construídas por professores
Representações Sociais; CAp-UFPE; Democratização; Professores.
O objetivo geral desta pesquisa foi identificar e analisar as representações sociais de professores sobre o processo de democratização do CAp-UFPE, bem como a repercussão dessas representações em suas práticas. Adotamos como referencial teórico-metodológico a Teoria das Representações Sociais, particularmente, a abordagem processual. Trata-se de uma pesquisa qualitativa da qual participaram 32 professores, gestores e técnicos educacionais. Organizamos e interpretamos os dados utilizando a técnica de Análise de Conteúdo. A pesquisa foi desenvolvida em quatro etapas. Na primeira, traçamos um panorama histórico e institucional do CAp-UFPE, da implementação das cotas à consolidação do sorteio como forma de ingresso. Nesta fase inicial, por meio de entrevista exploratória (com seis membros da equipe gestora, coordenação e pedagogas), evidenciamos que a democratização, ao alterar os critérios de acesso, provocou tensões em torno da função social do colégio. Disputas simbólicas revelaram a defesa do CAp como espaço de elite e excelência aliadas à reivindicação por uma escola democrática e inclusiva. Na segunda etapa, caracterizamos as representações sociais da democratização do CAp-UFPE antes e depois de sua democratização. Para isto aplicamos um questionário e um teste de associação livre de palavras a 30 professores. Os achados desse levantamento revelaram simbolismos que envolvem um deslocamento, isto é, de um CAp “ilha de excelência” (marcado por elitismo, meritocracia e competitividade), identificamos uma escola que acolhe a diversidade e enfrenta desafios nessa nova realidade. Nesse contexto, os professores reconhecem suas lacunas formativas para lidar com os estudantes e buscam desenvolver práticas que atendam esse grupo. Para indicar o conteúdo e a saliência das representações sociais dos docentes sobre a democratização do acesso ao CAp - na segunda fase desta etapa - usando a técnica de triagens hierárquicas sucessivas - com 16 professores - constatamos que desafio é o elemento mais saliente das representações desse grupo quando se trata da democratização. Essa saliência é marcada por movimentos de resistência, acomodação, inquietação e busca de alternativas à inclusão, à permanência e ao sucesso escolar. Na terceira etapa da pesquisa, identificamos mudanças na prática pedagógica implementadas pelo CAp-UFPE para atender o novo público. Entrevistamos 10 docentes e seus depoimentos revelam os esforços empreendidos e que as novas práticas mais regulares adotadas são as oficinas (de texto e de matemática). Por fim, na quarta etapa, analisamos a experiência de seis docentes envolvidos com as oficinas. Os resultados confirmaram que essas ações favorecem a melhoria da aprendizagem, autoestima e constituem espaços de cuidado pedagógico com estudantes. Constatamos um deslocamento representacional, ou seja, da ênfase no desempenho identificamos entre docentes representações sociais de um CAp que acolhe, legitima e empodera seus estudantes. Em face do exposto, defendemos a tese de que coexistem diferentes sentidos e disputas simbólicas entre os docentes acerca da democratização do CAp-UFPE. Tais sentidos são compartilhados e expressam condições políticas, estruturais e de gestão do colégio. Estamos, portanto, diante de um campo representacional marcado por tensões e disputas.