ENSINO DE LEITURA: O QUE DIZEM OS DOCUMENTOS OFICIAIS E AS NARRATIVAS DE PROFESSORAS ALFABETIZADORAS
Narrativas docentes. Alfabetização. Ensino de leitura. Professores iniciantes e experientes. Documentos oficiais
Esta pesquisa teve como objetivo geral compreender como professores do Ciclo de Alfabetização, iniciantes e experientes, desenvolvem o eixo da leitura em suas práticas pedagógicas. Para tanto, buscamos identificar o que determinados documentos oficiais dispõem sobre o ensino de leitura no Ciclo de Alfabetização; e promover, por meio de entrevistas narrativas, a escuta de docentes acerca de suas práticas de ensino de leitura nas turmas de alfabetização. Pelo fato de não terem sido encontrados professores iniciantes que atendessem aos critérios estabelecidos para a pesquisa, que se propõe a pesquisar com professores atuantes exclusivamente no Ciclo de Alfabetização, o estudo contou com a participação de quatro docentes que lecionavam entre o 1º e o 4º ano dos anos iniciais do Ensino Fundamental, todos atuantes em escolas da rede municipal do Recife – PE. Para a fundamentação teórica, tomamos como base autores que refletem acerca do Ciclo de Alfabetização, Ensino de leitura, Construção de Práticas docentes, Práticas sistemáticas e Pesquisas narrativas em Educação. Desse modo, nossos escritos são pautados em autores como Soares (2016), Morais (2012), Solé (1998), Tardif (2014), Chartier (2007), Mainardes (2018), Ribeiro e Lyra (2008), Ribeiro (2003), Labov (1997), Brandão e Rosa (2010), entre outros. Acerca dos procedimentos de produção dos dados, foram utilizadas a Entrevista Narrativa e a análise documental de dois documentos oficiais que orientam as práticas docentes: a BNCC – Base Nacional Comum Curricular e a Proposta Curricular do Recife. Os achados desta pesquisa revelaram que, tanto na BNCC quanto no currículo do Recife, o trabalho com a leitura se orienta pela ativação de múltiplas estratégias leitoras, concebidas de maneira contextualizada e com significado para os estudantes. Para isso, recorre-se a uma variedade de gêneros textuais como base para as atividades. Contudo, entendemos que a BNCC ainda carece de um delineamento que reconheça o Ciclo de Alfabetização como um percurso de três anos. Já no documento curricular do Recife, identificamos a necessidade de um aprofundamento nas discussões referentes à heterogeneidade dos níveis de aprendizagem das crianças, bem como a inclusão de orientações específicas sobre recursos pedagógicos voltados ao ensino da leitura e à avaliação da compreensão leitora. As narrativas dos professores revelam o desenvolvimento de uma prática pedagógica sistematizada, ancorada na abordagem do alfabetizar letrando, compreendida como o processo de alfabetização que integra as práticas sociais de leitura e escrita tanto no contexto escolar quanto em outros espaços sociais. Por fim, de maneira articulada e natural, as narrativas possibilitaram compreender que os professores participantes elaboram suas práticas de maneira sistemática. Durante as entrevistas, sentiram-se à vontade para relatar suas trajetórias, selecionando, consciente ou inconscientemente, os aspectos que julgavam mais relevantes, o que possibilitou a emergência de subjetividades e o resgate de memórias, inclusive da infância. Tudo ocorreu de maneira natural e voluntária, o que evidencia a potência do uso das narrativas como instrumento de investigação.