PROPOSIÇÕES DOCENTE PARA O DEBATE SOBRE GÊNERO NA
EDUCAÇÃO CIENTÍFICA A PARTIR DA EXPOSIÇÃO “ELAS: ONDE ESTÃO
AS MULHERES NOS ACERVOS DA FUNDAÇÃO JOAQUIM NABUCO?”
Palavras-chave: Educação Museal; Educação em Ciências; representação de
mulheres; ciências e gênero.
Esse projeto de dissertação parte da constatação de que as narrativas museológicas
podem silenciar ou estereotipar as mulheres como também romper e desafiar a suposta
neutralidade social. O trabalho utiliza a epistemologia feminista, a teoria da colonialidade
de gênero e a museologia de gênero como aporte teórico-metodológico, destacando
que a produção de conhecimento científico historicamente sub-representou as mulheres
em detrimento a uma concepção estritamente biológica, gerando uma série de críticas
feministas à área, necessitando a inclusão de perspectivas sociais nesse âmbito. Assim,
o objetivo desse projeto é de investigar o potencial pedagógico da exposição “Elas: onde
estão as mulheres nos acervos da Fundação Joaquim Nabuco?”, como um espaço de
educação em ciências, a partir das maneiras de como ela desafia e ressignifica as
concepções da representação da mulher na sociedade. A pesquisa tem delineamento
qualitativo, caracterizando-se como um estudo de caso a ser realizado na exposição
“ELAS: onde estão as mulheres nos acervos da Fundação Joaquim Nabuco?”,
promovida pelo Museu do Homem do Nordeste (Muhne). Estruturada para ser
desenvolvida em três momentos: (1) observação sistemática da exposição de curta
duração;(2) entrevistas semiestruturadas com a curadoria da exposição e a equipe
educativa da instituição;(3) entendimento de propostas pedagógicas promovidas por
professores de ciências/biologia após a visita à exposição. A construção dos dados
envolverá um roteiro de observação de exposição, visando descrever e interpretar o
contexto, e o desenvolvimento de entrevistas semiestruturadas com os sujeitos. Desse
modo, espero com esse projeto, possibilitar uma articulação da exposição “Elas” com a
Educação em Ciências como uma alternativa para romper representações sociais
antropocêntricas e biologizantes da mulher, além de preencher uma lacuna na literatura
que abarca museus, gênero e ciências naturais.