OS RANKINGS ACADÊMICOS: IMPLICAÇÕES NA GESTÃO UNIVERSITÁRIA EM UNIVERSIDADES FEDERAIS DO NORDESTE BRASILEIRO
rankings acadêmicos; gestão universitária; educação superior; universidades federais do nordeste brasileiro.
Ao longo da história, os rankings acadêmicos evidenciam um movimento global de monitoramento do desempenho das Instituições de Educação Superior (IES). Embora sejam alvo de críticas relacionadas às suas metodologias, critérios e limitações, esses instrumentos vêm ampliando sua presença no cenário internacional, adaptando procedimentos e consolidando-se como referências de comparação, visibilidade e reconhecimento institucional perante governos, mídia e sociedade. Nesse contexto, emerge o problema de compreender quais são as implicações dos rankings acadêmicos, enquanto instrumentos de avaliação externa, na gestão das Universidades Federais do Nordeste brasileiro. Parte-se da tese de que os rankings acadêmicos constituem mecanismos contemporâneos de regulação simbólica da Educação Superior que, embora não determinem diretamente as decisões institucionais, influenciam prioridades, práticas de monitoramento, estratégias de internacionalização, produção de indicadores e processos de legitimação das universidades federais nordestinas. A pesquisa teve como objetivo compreender as implicações dos rankings acadêmicos na gestão das Universidades Federais do Nordeste brasileiro, analisando tendências da literatura nacional e internacional, direcionamentos de organismos internacionais, documentos institucionais das universidades investigadas, desempenho institucional nos rankings acadêmicos e percepções de reitores e gestores acerca dos usos e efeitos desses instrumentos na dinâmica universitária. A pesquisa adotou abordagem qualitativa, de caráter descritivo-explicativo, desenvolvida por meio de revisão bibliográfica sistematizada, pesquisa documental e estudo de campo. Foram utilizadas fontes secundárias, incluindo artigos científicos, dissertações e teses obtidos nas bases BDTD, SciELO, Scopus e Web of Science, além de documentos institucionais das universidades investigadas e documentos produzidos pelo Banco Mundial (BM), Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO). Como fontes primárias, realizaram-se entrevistas semiestruturadas com reitores e gestores das Universidades Federais do Nordeste brasileiro. Os resultados mostram que os rankings ultrapassam sua função classificatória e passam a integrar o ambiente no qual as universidades são avaliadas, comparadas e reconhecidas. Foram identificadas relações com práticas de monitoramento, organização e validação de dados, internacionalização, acompanhamento de indicadores, comunicação e construção da imagem institucional. A análise também revelou críticas às metodologias e às concepções de qualidade presentes nos rankings, bem como formas de apropriação, adaptação, resistência, seleção e ressignificação dessas referências pelas universidades. Conclui-se que a influência dos rankings sobre a gestão ocorre de forma heterogênea e mediada pelas instituições. Sua capacidade regulatória não depende de imposição normativa direta ou de adesão integral às classificações, mas da produção e circulação de referenciais de desempenho, excelência, reputação e reconhecimento que passam a integrar as dinâmicas da gestão universitária. A tese contribui para o debate sobre avaliação, regulação e gestão da Educação Superior ao compreender os rankings como mecanismos de regulação simbólica cuja influência pode ocorrer mesmo quando suas metodologias são questionadas ou quando não estão formalmente incorporados aos instrumentos de planejamento institucional.