ALFABETIZAÇÃO DE ALUNOS COM TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA: A PRÁTICA DOCENTE NA PERSPECTIVA DO DESENHO UNIVERSAL PARA APRENDIZAGEM
Desenho universal para aprendizagem, alfabetização, transtorno do espectro autista, educação inclusiva, práticas pedagógicas.
O processo de alfabetização de alunos no Transtorno do Espectro Autista (TEA) é um dos principais desafios para o campo da Educação Espacial na perspectiva inclusiva, principalmente, no que diz respeito à garantia de acesso, participação e aprendizagem. Atualmente, apesar do Desenho Universal para Aprendizagem (DUA) já ser difundido como uma abordagem capaz de reduzir barreiras de aprendizagem, os estudos acerca da sua articulação com o tema de alfabetização ainda são escassos, principalmente, ao articularmos a dimensão de aquisição de habilidades do Sistema de escrita Alfabética (SEA). Somado a isso, nota-se ainda as dificuldades decorrentes das questões não só pedagógicas, mas também relacionadas à estrutura e organização da rede de ensino. A partir deste cenário, o presente estudo teve como objetivo principal compreender como o alinhamento das práticas alfabetizadoras ao DUA favorece o processo de alfabetização dos alunos com TEA. Com abordagem qualitativa, a pesquisa foi realizada junto a uma turma de 2° ano dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental de uma escola da rede municipal da cidade de Camaragibe-PE. Os dados foram coletados através de entrevistas semiestruturadas, observações não participantes e análise documental. Para análise dos dados coletados, foi utilizada a análise temática, utilizando categorizações/índices temáticos, criados a partir do desenvolvimento das etapas de pré-análise, exploração do material e tratamento dos dados. Os dados coletados foram analisados à luz da perspectiva do alfabetizar-letrando, dos pressupostos do DUA e da concepção de aprendizado elucidada por Vigotski, portanto, sob a perspectiva histórico-cultural. As análises evidenciaram que há uma aproximação parcial das práticas pedagógicas do ensino do SEA observadas a abordagem do DUA, onde o atendimento ao princípio de engajamento foi o que mais se destacou, enquanto os de Representação e Ação e Expressão se apresentaram como os mais desfavorecidos. Além disso, se destacou ainda as inconsistências entre o que é proposto pela rede e, o que é efetivado na rede, tanto no que tange as práticas pedagógicas utilizadas, quanto aos processos avaliativos dos alunos e, formativos dos profissionais.