Currículo em atos: performatividade, improviso e produção de sentidos na docência
Currículo; Docência; Performatividade; Improviso; Teoria do Discurso.
A presente pesquisa investiga o improviso como dimensão constitutiva da performatividade das práticas
curriculares e docentes. O estudo teve como objetivo compreender como o improviso emerge no cotidiano
escolar e opera enquanto fator de normalização, sustentação ou deslocamento de horizontes e projetos
curriculares hegemônicos. Para isso, fundamentou-se em uma perspectiva pós-estruturalista, articulando a
Teoria Política do Discurso (Laclau; Mouffe), a teoria da performatividade (Butler) e os Estudos da
Performance (Schechner) aos estudos curriculares discursivos (Lopes; Macedo), ao mesmo tempo em que
problematizou as tentativas de controle do improviso como fantasias educacionais de eficiência e plenitude
que sustentam matrizes neoliberais e neoconservadoras. De natureza qualitativa, a pesquisa adotou a
etnografia performativa e a fabulação curricular como aportes metodológicos, tendo como campo de
investigação uma turma do 1o ano do Ensino Fundamental de uma escola municipal da cidade do
Recife/PE. A análise do corpus e das cenas pedagógicas evidenciou que toda performance implica algum
grau de iteração e, consequentemente, de improvisação, de modo que as tentativas de controlar ou
eliminar o improviso operam como fantasias de fechamento da contingência que sustentam a identificação
com projetos hegemônicos. Conclui-se que o improviso não possui um sentido político intrínseco:
enquanto repetição iterável e resposta situada ao acontecimento, ele tanto pode reiterar normas e relações
de poder quanto atuar de forma ética e disruptiva no deslocamento de discursos hegemônicos e na
reconfiguração do currículo