PROCESSOS EDUCATIVOS DA ENFOC/PE: discursos acerca das identidades de gênero numa perspectiva pós-estrutural
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Gênero; Discurso; Representação; Contingência; Educação Político-sindical (educação não formal).
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No campo da educação não formal, a tese objetivou analisar o processo de articulação discursiva do lugar do gênero na ENFOC, indagando como o termo, enquanto significante político, articula o universal e o particular na relação entre representação e contingência político-identitária de gênero se pondo como categoria formadora-pedagógica à formação sindical. Nesse processo: identificamos sentidos e ideologias que perpassam a construção discursiva do lugar do gênero no discurso pedagógico a partir dos dispositivos político-pedagógicos de formação; situamos a articulação das mulheres e dos LGBTQIAPN+rural em torno do lugar do gênero na construção e afirmação discursiva de suas identidades enquanto sujeitos políticos do movimento sindical; analisamos como o significante gênero potencializa toda uma proliferação discursiva de sentidos articulando o universal e o particular na relação entre representação e contingência político-identitária de gênero; discutimos a pertinência do gênero como categoria formadora-pedagógica à formação sindical da ENFOC, vide o potencial antagonista. Para tal, construímos um instrumental teórico-metodológico pós-estruturalista de análise a partir da triangulação entre a Teoria do Discurso elaborada por Ernesto Laclau e Chantal Mouffe, a Teoria de Gênero de Judith Butler e a Análise do Discurso de Michel Pêcheux e Erni Orlandi. Desse tripé, elegemos para a análise do Corpus analítico as seguintes categorias: discurso, prática discursiva, articulação, demanda, hegemonia, ideologia, significante vazio, ponto nodal, lógica da equivalência e da diferença, antagonismo e agonismo (Laclau; Mouffe); gênero, sexualidade, desejo e performatividade (Butler); formação discursiva, ideologia, memória, esquecimento, sentidos, paráfrase, polissemia e autoria do discurso (Pêcheux; Orlandi). Esse esforço nos permitiu problematizar a relação entre representação e contingência do discurso em torno da produção de sentidos e demandas de identidades; as regras de formação de discurso em torno da prática político-sindical reverberada no discurso pedagógico de sua escola de formação. A análise, embora generalizando o debate a nível de CONTAG, deu atenção à atuação formadora no estado de Pernambuco através da FETAPE, centrando-se no debate político da formação. Fez uso de fontes escritas e entrevistas narrativas. Os resultados apontaram, numa lógica da equivalência, para o jogo de articulação discursiva em torno do lugar do gênero na formação político-sindical e, nesse processo, a disputa das mulheres e dos LGBTQIAPN+rural na construção e afirmação enquanto sujeitos políticos, tanto no discurso pedagógico da escola quanto em lugares de hegemonia no poder sindical. A emergência do lugar do gênero como campo político propiciou/propicia a articulação e a construção de saberes políticos necessários àquelas demandas que logram sentidos como efeito da lógica da equivalência e da diferença, articulando, ainda que de maneira contingente, o universal e o particular na relação entre representação e contingência político-identitária de gênero. Portanto, revela o gênero como uma categoria político-identitária e formadora-pedagógica na prática político-sindical marcada internamente por relações agonísticas que tendem a domesticar as divergências em nome de duas teses correlacionadas: o discurso da democracia sindical e as forças antagônicas externas ao movimento, o que justifica a tese anterior. Demonstrou-se nesse processo que o termo gênero, pedagogicamente, amplia o campo da formação política em torno do sentido da prática sindical numa lógica agonal.